quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Antracnose (Colletotrichum musae) incidente na folha e no fruto da bananeira (Musa paradisíaca)


Antracnose (Colletotrichum musae) incidente na folha e no fruto da bananeira (Musa paradisíaca)


Vinícius Monção da Costa Mendes
Acadêmico do curso de Agronomia


INTRODUÇÃO

De acordo com Alves (1985), a bananeira é de origem do sudeste asiático, podendo ser encontrada, nos estados brasileiros de Santa Catarina, Paraná, Bahia e São Paulo e na América Latina nos países Costa Rica, Equador e Colômbia (Alves, 1985).
A banana (Musa sp.) é uma das frutas mais consumidas no mundo e é explorada na maioria dos países tropicais. Sua cultura se destaca como uma grande empregadora de mão-de-obra, sobretudo familiar. Estima-se que um hectare da cultura chega a empregar cerca de seis pessoas por ano (Alves, 1985). No que se refere à produção, pode-se afirmar que está distribuída em todo o território nacional, com significativa importância na agricultura da maioria dos estados.
No ano de 1997, aproximadamente 76% da produção brasileira de banana concentrava-se em dez estados (BA, PA, SP, PE, SC, MG, PB, CE, ES e RJ). Com relação às macrorregiões do País, a Nordeste é aonde se encontra a maior produção, sendo seguida pela Sudeste (IBGE, 1998).
A doença é um problema importante tanto em pré-colheita como em pós colheita: em pré-colheita porque parte da infecção ocorre em frutos verdes no campo, permanecendo quiescente até o início da maturação, e em pós colheita porque a infecção quiescente vai se manifestar durante o período de transporte e maturação dos frutos, além das infecções que irão se estabelecer e se manifestar nesta fase. É a chamada infecção não-quiescente. Normalmente nenhuma lesão se desenvolve em frutos verdes no campo. (Kimati et. al., 2005).

MATERIAIS E MÉTODOS

Foram coletadas amostras de folhas de banana nos bananais que se encontram dentro do Instituto Federal Goiano – campus Urutaí. Essas amostras apresentavam sintomas da doença, evidência que explica o fato de terem sido coletadas.
Algumas dessas folhas coletadas foram desinfetadas com álcool, hipoclorito e água em abundância e colocadas em câmara úmida.
Foram utilizados os seguintes materiais para o isolamento do fungo: placas de petri contendo meio BDA, pinça para pescar a colônia presente nas folhas de banana e plástico para vedar as placas. O processo de isolamento do fungo foi realizado, a todo momento, em câmara de fluxo para evitar contaminação por outros patógenos.
Para o processo de repicagem na placa de petri, foram utilizados: novas placas de petri com meio BDA e material esterelizado para evitar nova contaminação.
Foi retirado das placas pedaços de colônias do patógeno para observar em lâminas e medir as dimensões do referido fungo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Hospedeiro/cultura: Banana (Musa paradisíaca)
Família Botânica: Musaceae
Doença: Antracnose da banana
Agente Causal: Colletotrichum musae (Kimati et al., 2005).
Local de Coleta: Instituto Federal Goiano – campus Urutaí
Data de Coleta: 12/09/2010
Taxonomia: Pertence ao Reino Fungi, insertae sedis pertencente ao grupo dos fungos mitospóricos, subgrupo hifomicetos.

Sintomatologia

A doença caracteriza-se pela formação de lesões escuras e deprimidas sobre as quais, em condições de alta umidade, aparecem frutificações rosadas no fungo. Com o progresso da doença, as lesões aumentam de tamanho, podendo coalescer. Geralmente, a polpa não é afetada, exceto em condições de alta temperatura ou quando o ponto de maturação é ultrapassado (Kimati et al., 2005).

Etiologia

A doença é causada por Colletotrichum musae. Esta espécie apresenta grande variabilidade quanto á forma e tamanho dos esporos, características culturais, reação a produtos químicos e patogenicidade. Conídios tem formato navicular e quando depositados sobre frutos verdes no campo, em presença de um filme de água, germinam e formam apressórios dentro de 4 horas. A penetração ocorre 24 a 72 horas após. Neste caso, a infecção permanecerá quiescente até o início da maturação dos frutos, ocasião em que os sintomas começam a se desenvolver. Acredita-se que os taninos presentes na casca verde, e ausentes na madura, possam estar envolvidos na quiescência do patógeno em frutos verdes (Kimati et al., 2005).

Epidemiologia

Conhecer o ciclo da doença e sua epidemiologia e de extrema importância para o seu controle e para redução do uso de agrotóxicos. Sabe-se, também, que o patógeno sobrevive durante o período de amadurescimento do fruto. A eliminação desses restos de cultura pode diminuir a densidade do inóculo primário da doença (CORDEIRO et al., 2004).
A doença ocorre principalmente na fase de maturação, porém a infecção inicia-se no campo, ocasião em que os conídios do agente causal, dispersos no ar, infectam os frutos. Essa infecção permanece quiescente até o início da maturação. As duas formas distintas dessa doença são a antracnose latente originária da infecção quiescente e a antracnose não latente, produzida pela invasão do patógeno, principalmente por intermédio dos ferimentos ocasionados nos frutos verdes em trânsito (CORDEIRO et al., 2004).
Para a compreensão da Epidemiologia devem-se conhecer os fatores ambientais como: luminosidade, ph, fertilidade do solo. Todos unidos aos fatores causados pela influência do homem na natureza são elementos facilitadores da propagação da doença em questão (CORDEIRO et al., 2004).
O patógeno desenvolver-se-á na medida em que os fatores externos supracitados operem simultaneamente e o produtor de banana deve estar atento para que tais fatores não comprometam sua produção. A melhor forma é a prevenção. Em outras palavras, protege-se o pomar com as melhores medidas de controle da doença, registra-se que estas serão enumeradas no item controle da doença (CORDEIRO et al., 2004).
Diante dessas constatações, percebe-se que a quantidade de doença no pomar é determinada pelo balanço de dois processos opostos: infecção e remoção. Em outras palavras, a infecção ganha força e a parte lesionada também. Tal fato ocasionará novas lesões e, por conseguinte, o aparecimento de novas infecções (CORDEIRO et al., 2004).
Controle

Os modernos sistemas de embalagem e transporte em condições refrigeradas têm contribuído para a redução dos problemas com Colletotrichum musae.
Para o controle do Colletotrichum musae, devem-se considerar aspectos relacionados ao manejo adequado na pré-colheita, colheita e após a colheita, em cultivares susceptíveis à doença (Ventura & Hinz, 2002).
No entanto, as medidas de controle da doença devem ter início no campo, fazendo-se a eliminação de folhas velhas, brácteas e restos florais, que são locais onde o fungo se mantém no campo, funcionando como repositório do patógeno. Outras práticas devem incluir: (1) cobertura do cacho com saco de polietileno perfurado, preferencialmente antes da abertura das pencas; (2) limpeza e desinfestação dos tanques de despencamento e lavagem após o uso; (3) renovação periódica da água dos tanques, para evitar a lavagem dos frutos em altas concentrações de inoculo; (4) imersão ou pulverização dos frutos com fungicidas a base de tiabendazol (Kimati et. al., 2005).



Figura 1. Antracnose da banana (Colletotrichum musae).A.Fruta de banana apresentando sintomas de antracnose.a. Sintomas na fruta de banana.B.Conídeos do fungo Colletotrichum musae.C.Hifas e conídeos.D.Conídeos naviculares característicos de Colletotrichum musae.



LITERATURA CITADA

KIMATI, H.; AMORIM, L.; REZENDE, J.A.M.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A.; Manual de fitopatologia: Doenças das plantas cultivadas. 4ª Ed. Vol. 2, pag. 99 a 117 – São Paulo: Agronômica Ceres, 2005.

AGROFIT, Disponível em:
<> Acesso em 18/10/2010.

Disponível em:
<>acesso em 25/10/2010

INDEX FUNGORUM. Banco de dados de táxons fúngicos. disponível em: <> Acesso em: 18/10/2010

IBGE. Disponível: site. IBGE. URL: http:/www.ibge.gov.br. Consultado em 2/10/2010.

ALVES, E. J. Situación del cultivo de plátano en Brasil. In: UPEB (Panamá). Elplátano (Musa AAB, ABB) en América Latina. Panamá, 1992. p. 1-96.

VENTURA, J.A.; HINZ, R.H. Controle das doenças da bananeira. In: ZAMBOLIM, L.; VALE, F.X.R.do; MONTEIRO, A.J.A. et al. (Ed.) Controle de doenças de plantas: fruteiras. v.2. Viçosa: UFV, 2002. cap. 14, p.839-938.

CORDEIRO, Z.J.M.; MATOS, A.P.de; MEISSNER FILHO, P.E. Doenças e métodos de controle. In: BORGES, A.L.; SOUZA, L. da S. O cultivo da bananeira. Cruz das Almas: Embrapa-CNPMF, 2004. p.146-182.

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