terça-feira, 9 de novembro de 2010

ASPECTOS GERAIS E MORFOLOGICOS DE Fusarium sp.

ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DE Fusarium sp.
Higor Ferreira de Sousa
Acadêmico do Curso de Agronomia

1 INTRODUÇÃO

A forma anamórfica de Fusarium sp. pertence ao Reino Fungi, Divisão Deuteromycotina, classe dos Hyphomycetes, ordem Moniliales, família Tuberculariaceae. O gênero é representado por 1414 espécies, 348 variedades e 140 formae speciales descritas em literatura. (Index Fungorum, 2010).

Mais de mil espécies foram descritas para o gênero, muitas delas indevidamente. Diversos sistemas de classificação foram propostos. Os mais usados são o de Booth, que reconhece 51 espécies distribuídas em 12 seções e o proposto por Snyder & Hansen, com 9 amplas espécies. Formae speciales constituem grupos dentro das espécies distinguíveis apenas pela especificidade de hospedeiros. (portal patologia de sementes, 2010).

A identificação de espécies de Fusarium sp. é baseada na morfologia dos macro e microconidios, conidióforos, clamidosporos e na disposição dos conidios no conidióforo. Marcante é o fato das características morfológicas sofrerem influência do ambiente e das condições nutricionais do substrato. Especialistas no gênero utilizam meios de cultura e condições padronizadas para identificação. (Portal patologia de sementes, 2010).

Foi relatada a presença das várias espécies de Fusarium sp. associadas a várias espécies de plantas, no Brasil, como: Abacate (persea sp. mill) , abacaxi (ananas comosus), alface (lactuga sativa), algodão (gossypium herbaceum l), alho (allium sativum), bananeira (musa paradisiaca l), angico (anadenathera peregrina speg), arroz (oryza sativa l), dendê (elaeis guineensis), manga (mangifera indica), milho (zea mays), quibo (hibiscus esculentus), uva (vitis vinifera l), trigo (triticum aestivum), soja (glycine max), ervilha (pisum sativum l),.(Mendes & Urben, 2010).

O gênero Fusarium sp. Apresenta como sinonímias Fusarium spartinae Ellis & Everh., J. Mycol. 8(1): 14 (1902), Fusarium speiranthae Henn., Verh. bot. Ver. Prov. Brandenb. 40: 174 (1898) [1899], Fusarium sporotrichioides var. tricinctum (Corda) Raillo, Fungi of the Genus Fusarium: 197 (1950, Fusarium sporotrichiella var. tricinctum (Corda) Bilaĭ,: 87 (1953), Fusarium splendens Matuo & Takah. Kobay., Trans. Mycol. Soc. Japan 2(4): 13 (1960). (index fungorum, 2010)

Algumas, mas não todas as espécies de Fusarium sp., produzem esporodóquios, são patógenos de humanos, insetos, plantas e são abundantes no ar e no solo. É fácil identificar os isolados do gênero devido à sua característica. No entanto a variabilidade enorme no tamanho dos conídios microconídios e macroconídios, torna difícil para a especiação. (Barnett & Hunter, 1998).

Espécies de Fusarium sp. incluem importantes fitopatógenos, causadores de murchas, podridões, morte de plântulas, aborto de flores, podridões de armazenamento e outras doenças. De ocorrência cosmopolita, freqüentemente estão associados com sementes. Algumas espécies são produtoras de importantes micotoxinas (Portal patologia de sementes, 2010).

A presença de insetos pode aumentar a infecção dos cereais por Fusarium sp. através dos seguintes mecanismos: comprometer a proteção externa dos grãos e os tecidos da planta, permitindo que as hifas do fungo penetrem e tenham acesso aos grãos divulgando os esporos do fungo nos grãos (JOUANY, 2007). Como a maioria dos cereais, as variedades locais de milho podem ser afetadas por fungos e seus metabólitos secundários, as micotoxinas. Fusarium sp. é um dos principais fungos que afetam a cultura e é responsável pela produção da micotoxina zearalenona. (Edwards, 2004). A contaminação por fungos e suas micotoxinas podem causar uma espécie de problemas relacionados com a saúde, elas podem causar intoxicação em humanos e animais, que vão desde gastrenterite ao câncer,e a económia, tais como as perdas de produtos agrícolas, de baixa produtividade e morte de animais e à rejeição do produto pelo mercado consumidor (Diniz, 2002).

Segundo Murillo Lobo Junior, (2008). Entre as principais mudanças tecnológicas que proporcionaram o aumento de produtividade do feijoeiro comum estão a disponibilização de novas cultivares, a semeadura direta, os plantios em safrinha, os novos insumos e os cultivos irrigados. As mudanças nos sistemas produtivos são aparentemente irreversíveis e, conforme os plantios foram intensificados, doenças de importância secundária adquiriram importância epidemiológica, como as podridões radiculares (Fusarium solani e Rhizoctonia solani) e o mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum). Este breve relato apresenta o panorama atual das doenças do feijoeiro comum causadas por patógenos habitantes do solo.

O mal do panamá é a doença mais disseminada em todo o mundo e a mais destrutiva da bananeira. Após a infecção ela evolui até causar a morte da planta. Esta doença é causada pelo fungo Fusarium oxysporum Schlet.: Fr. Fusarium sp. cubense Snyder & Hans. (Albuquerque et al.,2003)

A murcha ou gomose é causada pelo fungo Fusarium moliforme Sheld. var.subglutinans Wr.& Rg.(sinônimo: Fusarium subglutinans f. sp. annais) (Ventura et al., 1993), pertecente á classe dos Deuteromicetos, á ordem Moniliales e á familia Tuberculariaceae. A espécie apresenta microconideos em polifiálides, e não em cadeias. Os macroconídios são menores (Booth,1971). O fungo sobrevive no solo por mais de um ano, nos restos da cultura, e a forma mais comum dessa disseminação é por meio de mudas contaminadas (Kimati, 1980).

A podridão-parda é causada por Penicillium e Fusarium sp.(Kimati, 1980)

Segundo Urben, et al.,(2009), a murcha de Fusarium sp. ou Fusariose, é causada por: Fusarium oxysporium Fusarium sp.vasinfectum, tem o algodão como hospedeiro e os príncipais sintomas da doença são: Redução no crescimento e desenvolvimento, além da murcha das folhas e ramos.
Os membros deste gênero Fusarium sp. Podem incidir diversas doenças em plantas, como já se foi citado e doenças em seres humanos.

Segundo Vidotto, (2004) micetos do gênero Fusarium spp. são agentes comuns de ceratites, bem como possíveis agentes de infecção nas unhas (onimicose), das quais são isolados com certa frequência. As vezes estes são respónsaveis por graves oftalmias supurativas, de decurso em boa parte dos casos, dramaticamente rápido, com possivel perda de visão, em pouquissimos dias .
As várias espécies de Fusarium sp. são consideradas patógenos emergentes na espécie humana. (Vidotto, 2004).

Segundo laboratórios teuto (2010) O fungo Fusarium sp. Não é utilizado na indústria farmacêutica.

Recentemente, várias técnicas analíticas envolvendo fisiologia e compatibilidade vegetativa têm sido utilizadas para estudar a taxonomia, filogenia e as relações patogênicas entre espécies de Fusarium sp. (Rosalee et. al., 1999). Em genética, os testes de compatibilidade vegetativa têm sido úteis para a caracterização da diversidade entre isolados, podendo diferenciar populações patogênicas e não-patogênicas (Rosalee et. al., 1999). A obtenção de mutantes que não utilizam nitrato é utilizada para demonstrar a formação de heterocariose entre isolados compatíveis, sendo utilizada para caracterização da diversidade genética entre isolados de Fusarium sp. Puhalla (1985) modificou um método desenvolvido por Cove (1976) para testar compatibilidade vegetativa em Fusarium oxysporum (Schl.) Snyder & Hansen utilizando mutantes que não usam nitrato (nit-). Estes estudos demonstraram que pode haver uma correlação entre a compatibilidade vegetativa (VCG) e as formae speciales. Esta compatibilidade vegetativa é mediada por múltiplos loci de incompatibilidade denominados de genes vic ou het (Leslie, 1993). Quando dois isolados de um fungo são vegetativamente compatíveis, suas hifas podem fazer contato, fusão e formação de heterocariose que, em muitos casos, ocorre quando alelos idênticos existem em cada locus vic ou het (Anagnostakis, 1982). A heterocariose ou sua reação contrária de incompatibilidade já foi observada em muitos fungos (Puhalla et. al., 1985; Leslie, 1993) incluindo Fusarium oxysporum (Puhalla, 1985; Elmer & Stephens, 1986) onde a fase sexual não é conhecida e a troca de material genético se dá através de mecanismos parassexuais.

O objetivo desse trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos de Fusarium sp.

2 MATÉRIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano campus Urutaí.

Os propágulos do fúngo foram retirados de uma caixa gerbox contendo sementes de milho (zea mays).

Após a visualização dos propágulos devemos coletá-los da superfície das sementes com o auxílio de uma pinça e colocá-los em uma lâmina contendo uma gota de corante fixador fuccina (ácido lático, ácido acético, glicerina e água), em seguida colocou-se uma lamínula sobre a lâmina. Retirou-se o excesso de corante com papel higiênico, logo após vedou-se com esmalte e levou-se o conjunto para visualização em microscópio ótico. No microscópio a primeira objetiva a ser usada deve ser a menor (4x), para que possamos observar se os propágulos foram depositados na lâmina, após a observação destes, aumentamos as objetivas para os aumentos de 10x e 40x, para se observar as estruturas fúngicas com mais detalhes.

Comparamos as estruturas observadas com estruturas descritas em literatura para identificar o gênero ao qual o fungo pertence. Nesse trabalho o fungo identificado pertenceu ao gênero Fusarium sp.

Após a identificação do gênero fungico, foi feita sua medição de seus conídios e comparou-se os resultados com outros de literatura descrita.

Para esse trabalho foram realizadas microfotografias das estruturas fúngicas no microscópio ótico utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580 do professor Milton Luiz da Paz Lima para confecção da prancha de fotos que foram editadas com o Windows Live Galeria de Fotos e a prancha confeccionada no Microsoft Office Power Point 2007.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES


Figura 1. Aspectos morfológicos de Fusarium sp. A Fusarium sp (bar = 600 µm), B. Conídios ( bar = 3,7 µm), C. Célula conidiogênica(bar = 3 µm), D. Clamidosporo(bar = 20 µm), E. Esporodoquio (bar = 25 µm).

4 DESCRIÇÃO MICOLÓGICA:

O gênero Fusarium sp.(fig.A). apresenta micélio aeréo filamentoso, denso e cotonoso,formado de hifas ramificadas, septadas; dois tipos de conídios(fig.B); macro e microconideos e estruturas assexuadasde resistências; clamidósporos. Quando presentes os clamidósporos(fig.D) podem ser terminais, intercalados, isolados ou em cadeias. Os conidíos fusiformes são produzidos em esporodóquios(fig.E) (tuberculariceae). As caracteristicas culturais, pigmentação em diversos meios de cultura, produção de tóxinas e virulência do patógeno são impotantes critérios de indentificação deste gênero. Mutações no gênero Fusarium são muito frequentes em condições naturais e artificiais, por esta razão as caracteristicas do tipo esporodóquio(fig.E) são perdidas em tais condições (mutações).Correspondem as formas perfeitas dos gêneros de ascomycetes : Nectria; Calomectria; Gibberella,etc. (Urben, et al., 2009)

Dimensões do fungo Fusarium sp.

Tabela 1. Comparação dos elementos morfológicos e morfometricos de Fusarium sp. com os elementos morfológicos e morfológicos descritos por outros autores.


5 LITERATURA CITADA.


ALBUQUERQUE, F.C. et al.doenças da bananeira. In:DUARTE, M.L.R., ed Doenças no tropico úmido Brasileiro. Belém-PA: embrapa informação tecnológica,2003.

BARNETT, H.L, HUNTER, B.B, Illustrated genera of imprefect fungi. Internacional standard book, 1998.

BOOTH, C. The genus Fusarium. kew: Commonwealth Micological Institute,1971.

Diniz, S.P.S.S. (2002), Micotoxinas, 1°ed, Livraria e Editora Rural, Campinas, 181 p.
Edwards, S. G. (2004), Influence of agricultural practices on Fusarium infection of cereals and subsequent contamination of grain by trichothecene mycotoxins. Toxicology Letters, 153, 29–35.

INDEX FUNGORUM Disponível em: http://www.indexfungorum.org/Names/Names.asp. Acesso em: 06/11/2010.

Jouany, J.P. (2007), Methods for preventing, decontaminating and minimizing the toxicity of mycotoxins in feeds. Animal Feed Science and Technology 137, 342–362.

JUNIOR, M.L,. Manejo cultural e biológico de doenças causadas por patógenos habitantes do solo, na cultura do feijoeiro comum. EMBRAPA Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goias, GO, Brasil. Suplemento BH, 2008.

KIMATI, H,; CARDOSO, C.O.N.; BERGAMIN FILHO, A.doenças das cucurbitáceas. In: GALLI, F., ed. Manual de fitopatologia: doenças de plantas cultivadas. Piracicaba: Ceres. 1980. v.2.
Laboratorios teuto industria farmacêutica diponivel em: Acesso12/12/2010.

LESLIE, J.F. Fungal vegetative compatibility. Annual Review of Phytopatology 31:127-150. 1993.

MENDES, M. A. S.; URBEN, A. F.; Fungos relatados em plantas no Brasil, Laboratório de Quarentena Vegetal. Brasília, DF: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Disponível em: http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/fgbanco01.asp Acesso em: 06/11/2010.


Portal patologia de sementes disponivel em : http://faem.ufpel.edu.br/dfs/patologiasementes/cgibin/sementes/detalhes.cgi?praga=96 Acesso 06/11/2010

PUHALLA, J.E. Classification of strains of Fusarium oxysporum on the basis of vegetative compatibility. Canadian Journal of Botany 63:179-183. 1985.


ROSALEE, A., COELHO, N. & DHINGRA, O.D. Grupos de compatibilidade vegetativa entre insolados de Fusarium oxysporum não patogênicos ao feijoeiro e de F. oxysporum f. sp. phaseoli. Fitopatologia Brasileira 24:546-548. 1999.


URBEN, A.F., et al., Curso taxonomia de fusarium. Embrapa recursos genéticos e biotecnologia. Brasilia-DF: Embrapa informação tecnólogica, 2009

United states derpartment of agriculture disponivel em: http://www.ars.usda.gov/research/publications/publications.htm?seq_no_115=148583 Acesso em 07/11/2010


VENTURA, J.A.; ZAMBOLIM, L .; GILBETSON, R.L. Proposição de nova forma especialis em Fusarium subglutinans no a bacaxieiro. Fitopatologia Brasileira, v.18, 1993. Resumo.


VIDOTTO, V. Manual de micologia médica. Ribeirão Preto: tecmed, 2004

23 comentários:

  1. Poderia colocar na prancha setas indicando e diferenciando as estruturas fúngicas levando a uma melhor compreensão

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  2. As fotos na prancha estão muito pequenas.

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  3. O trabalho em geral esta muito bom.

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  4. Na refêrencia os sites não apareceram, na introdução existe um paragrafo muito grande e a prancha está achatada.

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  5. Sugestão: colocar setas nas fotos da prancha para melhorar a compreensão e interpretação das estruturas fúngicas pelo leitor.
    No geral, um bom trabalho.

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  6. Cássio: Faltou demonstrar os softwares utilizados na confecção da prancha.

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  7. Marcelo Mueller: Verificar erros de ortografia e pontuação, evitar repetição de palavras. Trabalho muito bom.

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  8. A introduçao ficou muito grande e as escalas na prancha esta de dificil vizualização.

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  9. Ivo, as fotos ficaram de difícil visualização, os endereços dos sites não apareceram nas referências.

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  10. Parece que as fotos ficaram apertadas para o tamanho da prancha.

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  11. Dificil visualização das fotos!
    abrass

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  12. faltou a formatação do texto no primeiro paragrafo

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  13. Não precisava ter citado as objetivas usadas no microscopio em materiais e metodos

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  14. O trabalho esta bom, mas na citação não aparecem alguns dos sites de pesquisa

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  15. Tálita Borges.
    Melhores especificações da prancha.

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  16. muito bom, faltou tirar o nome "2 professor de microbiologia" la no titulo.

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  17. Poderia ter melhorado a prancha, ficou um pouco destorcida e embaçada a imagem.

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  18. Edvan Müller: muito bom o trabalho só nessecita da incerção de paragrafos e aumento da prancha. abraços.

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  19. Alicionon Oliveira: Muito bom o trabalho, faltou somente organizar pragrafos e a introduçao.

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  20. Introdução um pouco grande, mas bom trabalho...

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  21. Organizar melhor a estrutura do trabalho.

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  22. Alisson : faltou a justificaçao adequada do texto .

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