quarta-feira, 27 de outubro de 2010

REVISÃO DE LITERATURA DAS DOENÇAS DA CULTURA DA BATATA (Solanum tuberosum L.)

Maurício Resta Ribas1

1Acadêmico do curso de Agronomia

1 INTRODUÇÃO

Um tubérculo nutritivo, dietético, versátil na cozinha, um alimento básico para muitos povos – eis a batata andina, erroneamente denominada de “inglesa”. Trata-se da cultura olerácea mais relevante no Brasil e em todo o mundo. Em razão de suas pecularidades e complexidades, a bataticultura constitui um desafio para o agrônomo que se dedica à assistência técnica (Filgueira, 2007).

A espécie Solanum tuberosum ssp. Tuberosum, cultivada mundialmente, teve como centro de origem a vizinhança do lago Titicaca, próximo à atual fronteira entre Peru e Bolívia. Nos Andes, a bataticultura tem sido praticada pelos indígenas nos últimos oito milênios, havendo pelo menos oito espécies cultivadas e duas centenas ou mais de espécies tuberíferas silvestres. A batata andina foi levada para a Espanha em 1570, após a conquista do Império Inca pelos espanhóis; porem, somente duzentos anos depois, tornou-se um alimento básico para os europeus. A cultura foi disseminada pela maioria das regiões do planeta, tornando-se a base da alimentação de muitos povos. A batata é a quarta fonte alimentar da humanidade, logo após o arroz, o trigo e o milho (Filgueira, 2007).

A batateira é uma solanácea anual. Apresenta caules aéreos, herbáceos, clorofilados, e as raízes originam-se na base desses caules ou haste. O sistema radicular é delicado e superficial, com raízes concentrando-se até 50 cm de profundidade. As folhas são compostas por folíolos arredondados, e as flores, hermafroditas, apresentam-se reunidas em inflorescência no topo da planta. Predomina a autopolinização, originando um frutinho verde que contem numerosas sementes minúsculas (Filgueira, 2007).

Há mais dois tipos de caule, ambos subterrâneos: os estólons – que se desenvolvem horizontalmente – e os tubérculos. Estes apresentam valor econômico, alimentar e propagativo. Formam-se na extremidade dos estólons, geralmente acima e ao lado da batata-mãe e próximo à superfície. Tubérculos são caules tuberosos, formados pelo acumulo de substancias de reserva, sendo essa a cultura mais eficiente na sintese de carboidratos, no tempo e no espaço. Além disso, apresentam gemas vegetativas, que originarão novas plantas (Filgueira, 2007).

Graças ao melhor domínio das técnicas de cultivo, especialmente com o uso de batata-semente de melhor qualidade e com irrigação, a produtividade nacional aumentou quase 40% do inicio da década de 70 até o final da década de 80, o que levou a um aumento da produção total da ordem de 15%, mesmo com a redução da área plantada (Lopes e Buso, 1999).

A época de plantio, a altitude e a latitude da localidade determinam as condições agroclimáticas que prevalecerão ao longo do ciclo da batateira. No Brasil, levando-se em conta as diferentes regiões produtoras, planta-se e colhe-se batata ao longo do ano, diferentemente do que ocorre nos paises europeus (Filgueira, 2007).

Uma cultivar de batata é uma coleção de plantas idênticas, em termos de genótipo, originarias de uma única planta matriz, que foi propagada vegetativamente. Portanto, trata-se de um clone, cuja identidade é mantida ao longo do tempo, a menos que ocorra uma esporádica mutação somática. Há disponibilidade de centenas de cultivares mundialmente, e novas cultivares vêm sendo lançadas a cada ano pelos fitomelhoristas (Filgueira, 2007).

O bom desenvolvimento dos tubérculos de batata requer, entre outras praticas culturais, preparo e adubação adequados do solo, visto que as raízes da planta atingem até 1 m de profundidade e os tubérculos são formados à profundidade de até 50 cm. Portanto, solos muitos argilosos e compactados não devem ser escolhidos para o plantio (Lopes e Buso, 1999).

Desde sua primeira viagem intercontinental há mais de 500 anos, saindo da América do Sul para a Europa, na bagagem de volta dos conquistadores europeus, a batata (Solanum tuberosum) não deixou mais de viajar pelo mundo, principalmente na forma de tubérculos que são utilizados para o plantio. Portanto, a principal forma agronômica de cultivo da batata é a propagação vegetativa. Há entretanto, varias áreas na China, particularmente, onde a batata é cultivada via plantio da semente verdadeira, ou seja, semente botânica (Souza Dias e Iamauti, 1997).

É possível que nos primeiros tubérculos de batata levados dos Andes para a Europa, estavam sendo transferidos não apenas os genótipos de uma solanácea, mas os microrganismos patogênicos perpetuados via tubérculo-semente. Entre esses patógenos, os vírus certamente estavam presentes. Daí uma possível explicação para o fato de alguns dos principais vírus da batata ocorrem em praticamente todos os continentes onde esta espécie é atualmente cultivada (Souza Dias e Iamauti, 1997).

Este trabalho tem por objetivo conhecermos algumas das doenças chaves da cultura da batata, bem como os sintomas, sinais, etiologia, epidemiologia, manejo e controle dessas doenças.

2 DOENÇAS DA BATATA

As doenças que serão abordadas nesta revisão se constituem em grandes desafios aos produtores de batata, tanto no sistema de produção convencional como no orgânico, porque muitas delas são veiculadas pelo solo, como a rizoctoniose e a sarna pulverulenta, de difícil controle, como as de origem bacteriana, à exemplo do complexo de podridão mole e canela preta, ou a sarna comum. Além dessas, pretende-se abordar as principais doenças de origem virótica, cujo controle tem que levar em conta o manejo de seus insetos vetores. Será descrita, resumidamente, a sintomatologia que as caracterizam, principais aspectos da epidemiologia e medidas a serem consideradas para prevenir as perdas em produção (Brisolla et al., 2002).

2.1 DOENÇAS FUNGÍCAS

2.1.1 Requeima (Phytophthora infestans)

Esta doença foi descrita pela primeira vez em 1847 e, no Brasil, passou a ser problemática a partir de 1950. A requeima é uma doença altamente destrutiva, pela rapidez na colonização de toda a parte aérea das plantas e na disseminação do patógeno na cultura. É conhecida por vários nomes comuns, como: mela, crestamento tardio, crestamento de phytophthora e mufa. Pode causar danos de até 100% (Douglas, 2010).

2.1.1.1 Sintomatologia

Plantas em qualquer idade são suscetíveis ao fungo que pode afetar toda a parte aérea e, em alguns casos, o tubérculo de batata. Nas folhas, a doença se inicia como pequenas manchas de aparência úmida, que se tornam necrosadas, marrons, com um halo verde claro. Sob condições de alta umidade, verifica-se um crescimento esbranquiçado na página inferior da folha, que são as frutificações do fungo. Nos tubérculos de batata ocorre uma podridão dura e escura de bordos definidos. No caule as lesões são escuras (Douglas, 2010).

As plantas apresentam-se queimadas e exalam em odor putrefato característico. Em condições de baixa umidade, o crescimento das lesões é paralisado e o tecido torna-se quebradiço. Nos tubérculos, o fungo causa uma podridão dura e escura de bordos definidos, que atinge aproximadamente 1,5 cm de profundidade. Organismos secundários podem infectar o tubérculo doente, complicando a diagnose (Souza Dias e Iamauti, 1997)

2.1.1.2 Etiologia

O agente causal é o fungo Phytophthora infestans (Mont) De Bary. Este tem como característica o alargamento da base das ramificações do zoosporangióforo. Fungo da classe dos Oomycetes, ordem Peronosporales, Família Pythiaceae. A sua disseminação é feita principalmente por vento, chuva e insetos. A penetração, é direta, com formação de apressório. Sua sobrevivência se dá em batata semente e em restos de cultura. As condições favoráveis para o desenvolvimento da doença são temperaturas baixas entre 18 e 21°C e umidade relativa do ar elevada (100%) (Douglas, 2010).

2.1.1.3 Controle

Considerando-se que, todas as cultivarem e híbridos comerciais são suscetíveis, o método mais eficiente é o controle químico. Recomendam-se pulverizações preventivas periódicas com os fungicidas protetores à base de mancozeb, clorotalonil e cúpricos e com sistêmicos (metalaxyl, dimethomorph) somente quando as condições climáticas forem favoráveis à doença. Pulverizações curativas e preventivas devem ser realizadas quando constatados os primeiros sintomas da doença. Também se recomenda: espaçamento amplo para favorecer a ventilação e diminuir a umidade ambiente; uso de sementes (tratadas) sadias; rotação de culturas por 2 a 3 anos (Douglas, 2010).

2.1.2 Pinta-Preta ou alternariose (Alternaria Solani)

A doença é encontrada em todas as regiões produtoras de batata e tomate e, junto com a requeima, é uma das principais doenças, destas culturas. As cultivares existentes não apresenta resistência ao patógeno e as perdas podem atingir de 25 a 35% (Douglas, 2010).

2.1.2.1 Sintomatologia

O fungo ataca toda a parte aérea da planta, que pode ser. Afetada em qualquer idade. As lesões são mais abundantes nas folhas mais velhas. Nas Folhas o sintoma é o aparecimento de manchas necróticas, de aspecto zonado e concêntrico, bordo definido, formato circular ou elípitico de cor parda (de 1 a 2 mm). Raramente ataca tubérculos de batata. Em condições de umidade elevada, toda a lesão fica recoberta por um crescimento aveludado preto devido às frutificações do fungo (Douglas, 2010).

O aumento da intensidade da doença no campo ocorre tanto pelo surgimento de lesões novas como pela expansão das mais velhas, que podem coalescer, atingindo uma área considerável da folha. Nos pecíolos e caules os sintomas são semelhantes. Maior numero de lesões pode surgir em plantas com deficiência nutricional, principalmente de magnésio, e com infecções de viroses, como o vírus do enrolamento da folha. Em tubérculos, as lesões são escuras, de formato circular a irregular, deprimidas, tendendo a provocar podridão seca. A infecção nestes normalmente ocorre através de ferimentos, mas no Brasil esta ocorrência é rara (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.1.2.2 Etiologia

O agente causal é o fungo Alternaria solani (Ell. & Mart.) Jones & Grout. Os conídios são disseminados principalmente pelo vento, insetos, sementes, trabalhadores e implementos agrícolas. Penetra diretamente através da cutícula ou da parede celular após formação de apressório. Sobrevive de um ano para outro em restos de cultura. A doença é favorecida por temperaturas entre 25 e 32°C e umidade elevada (Douglas, 2010).

A alternância de períodos úmidos e secos favorece o rápido desenvolvimento da doença, sendo mais severa em plantas que sofrem algum tipo de estresse hídrico ou nutricional. Infecções tardias normalmente não causam maiores danos à produção, pois a resistência das plantas aumenta com a maturidade (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.1.2.3 Controle

Tratamento de sementes com thiram ou captan; rotação de cultura; adubação equilibrada e uso de matéria orgânica; pulverizações preventivas com mancozeb, clorotalonil e cúpricos (Douglas, 2010).

2.1.3 Rizoctoniose (Rhizoctonia solani Kühn)

A rizoctoniose é uma doença de ocorrência frequente nas diversas regiões produtoras de batata, especialmente naquelas de cultivo intensivo, onde os sistemas de rotação são normalmente colocados em segundo plano. Negligenciar a rotação de culturas, como também a utilização de tubérculos sementes contaminados em áreas novas, tem sido os maiores responsáveis pelo aumento substancial das lavouras infectadas por R. solani e, consequentemente, o aumento do potencial de danos (Brisolla et al., 2002).

2.1.3.1 Sintomatologia

Dependendo da quantidade de propágulos do fungo disponivel para o ataque, a intensidade dos sintomas pode variar de pequenas "ranhuras" ou necroses nas hastes ou estolões, até lesões mais deprimidas que chegam a envolver toda haste da planta. Esses ferimentos podem possibilitar o surgimento de outros sintomas reflexos na parte aérea das plantas. Pode-se observar concentração de pigmentos arroxeados nas folhas, enrolamento apical dos folíolos, produção de tubérculos aéreos e clorose dos folíolos superiores das plantas. Sintomas estes que podem ser confundidos com os do vírus do enrolamento das folhas. Portanto, para a identificação da doença, é importante a observação de sintomas nas brotações, estolões e hastes das plantas de batata no campo (Brisolla et al., 2002).

Em condições intensas de ataque, podem-se observar com freqüência nos tubérculos formados, a presença da "crosta negra" ou "mancha de piche", firmemente aderidas à casca, mesmo após a lavagem dos tubérculos. Além desses sintomas típicos, os tubérculos também podem apresentar sintomas de "enrugamento" da casca e "deformação dos tubérculos" ou "rachaduras" as quais se assemelham os distúrbios fisiológicos (Brisolla et al., 2002).

As fases de maior suscetibilidade da cultura ao ataque desses patógeno variam do plantio à fase de amontoa, correspondendo aproximadamente ao período de 25 a 40 dias após o plantio. R. solani, mesmo na fase de armazenamento, pode ocasionar o comprometimento e morte de brotações novas nos tubérculos-semente infectados. Nas fases de pré e pós-emergência os sintomas se caracterizam por lesões fundas amarronzadas a marrom-avermelhadas, que evoluem para a morte dos brotos. Com a emissão de novas brotações, estas também podem ser infectadas pelo fungo. A emissão das novas brotações para compensar as mortas, favorece o esgotamento de energia dos tubérculos-semente, podendo haver o comprometimento da densidade de plantas nos campos de produção. Além do ataque das brotações novas, a doença também pode comprometer os estolões e a haste principal, ocorrendo à expressão dos mesmos sintomas descritos anteriormente (Brisolla et al., 2002).

2.1.3.2 Etiologia

O patógeno Thanatephorus cucumeris é um basidiomiceto e tem como sinonímias Pellicularia filamentosa, Corticium vagum e Hypochnus solani. Sua forma imperfeita é Rhizoctonia solani. A fase perfeita ocorre no fim do ciclo da batateira, nas hastes próximas ao solo, formando uma trama de micélio branco-acinzentado. Os isolados são caracterizados e classificados de acordo com os grupos de anastomose. O micélio do fungo é escuro, amarronzado e as hifas são largas (8 a 10 mm de diâmetro). O fungo sobrevive na forma de micélio nos restos de cultura de varias plantas e na forma de escleródios sobre os tubérculos (Souza Dias e Iamauti, 1997).

R. solani é um fungo que tem seu ataque facilitado pela demora na emergência das brotações novas ou hastes dos tubérculos, especialmente sob condições climáticas adversas, como temperaturas baixas, alta umidade dos solos e profundidade de plantio dos tubérculos (> 10 cm). Além desses fatores, o acúmulo de matéria orgânica não decomposta e o ataque de pragas, também podem facilitar a vulnerabilidade das plantas ao ataque do fungo (Brisolla et al., 2002).

2.1.3.3 Controle antes do plantio

• Utilização de tubérculos-semente sadios: tubérculos com "crosta preta" são uma das principais formas de disseminação do fungo para novas áreas; portanto, a utilização de sementes sadias é de grande importância para se evitar a introdução do fungo (Brisolla et al., 2002).

• Sobrevivência do fungo: considerando que R. solani sobrevive no solo mesmo depois da safra e que este fungo ataca vários outros cultivos, deve-se ter o cuidado de preparar o solo com antecedência para a eliminação ou redução dos restos culturais ou através de sua incorporação ao solo, visando à degradação mais rápida dos restos contendo o fungo (Brisolla et al., 2002).

• Época de plantio: sendo as condições favoráveis para o ataque de R. solani, as mesmas que atrasam a emergência, recomenda-se o plantio em solos com umidade e temperatura adequadas a uma rápida emergência, isto é, evitar solos frios e úmidos (Brisolla et al., 2002).

• Profundidade de semeadura: para a emergência rápida e segura das brotações, realizar um bom preparo do solo e plantar o tubérculo semente na profundidade adequada (5 a 7 cm) (Brisolla et al., 2002).

2.1.4 Sarna pulverulenta (Spongospora subterranea (Wallr.) Lagerh. f. sp. subterranea Tomlinson)

A doença é conhecida pelos produtores como "sarna" ou "espongospora". No Brasil, a sua detecção já foi reportada no Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal e, mais recentemente, Paraná (Brisolla et al., 2002).

2.1.4.1 Sintomatologia

As lavouras atacadas não apresentam sintomas visíveis na folhagem, pois o fungo ataca superficialmente os tubérculos e raízes, sem ocasionar reflexos significativos na parte aérea das plantas (Brisolla et al., 2002).

A infecção é favorecida por temperaturas baixas e solos úmidos e por meio de injúrias ou aberturas naturais da planta. A doença é mais severa em áreas de baixadas, com acúmulo de umidade e em lavouras irrigadas. As observações de campo também têm demonstrado maior severidade da doença em solos mais arenosos do que em argilosos (Brisolla et al., 2002).

Os sintomas da doença tornam-se evidentes principalmente no início da formação dos tubérculos os quais apresentam lesões com formato arredondado ou irregular, em forma de "pústulas ou verrugas", com entumescimento ou depressão no centro. O tecido atacado apresenta-se com o crescimento irregular, notando-se uma massa negra de pó quando a lesão está madura. Os tubérculos atacados podem ser deformados. Nas raízes ou estolões, pode-se observar "verrugas", entre 2 e 10 mm, inicialmente com coloração marrom-clara e, posteriormente, tornando-se escuras e pulverulentas com o tempo (Brisolla et al., 2002).

As áreas lesionadas facilitam a entrada de outros patógenos indutores de podridões secas e/ou moles, os quais podem mascarar a presença de S. subterranea, devido ao grau de deterioração dos tubérculos (Brisolla et al., 2002).

2.1.4.2 Etiologia

O agente causal da sarna pulverulenta é Spongospora subterranea, que pertence à classe Plasmodiophoromycetes. Produz cistosoros que são ovóides, irregulares, com 19-85 mm de diâmetro, consistindo num agregado bastante relacionado com esporos de resistência. Cada esporo é poliédrico, com 3,5-4,5 mm de diâmetro, com parede lisas, finas e de coloração amarelada. Zoósporos primários e secundários são ovóides a esféricos, com 2 flagelos de tamanhos diferentes (Souza Dias e Iamauti, 1997).

O inicio da infecção é favorecido por solos frios e úmidos, requerendo posterior drenagem. Com temperaturas de 16-20ºC, o período de incubação é de aproximadamente 3 semanas (Souza Dias e Iamauti, 1997).

Pó negro (esporos) corresponde às estruturas do fungo que sobrevivem no solo por mais de 10 anos e são de extrema importância para o diagnóstico da doença e diferenciação da sarna comum. Os esporos de resistência, além de sobreviverem no solo, não perdem a viabilidade mesmo passando pelo trato digestivo dos animais. Assim, o estéreo bovino pode estar contaminado, caso seja dado ao animal tubérculos contaminados com "espongóspora" (Brisolla et al., 2002).

Além de batata, o patógeno também pode infectar outras solanáceas, tais como S. nigrum e S. lycopersicum (tomate), além de raízes de nabo e canola (Brisolla et al., 2002).

2.1.4.3 Controle antes do plantio

• Qualidade do tubérculo-semente: como a sarna pulverulenta é transmitida pelo tubérculo infectado, evitar plantio com semente oriunda de campo infectado é certamente a medida mais importante a ser tomada para evitar a introdução dessa doença numa região produtora (Brisolla et al., 2002).

• Escolha da área de cultivo: considerando que o fungo sobrevive por longos períodos no solo, saber se houve ocorrência da doença na área. Procurar cultivar a batata em locais onde não há acúmulo de umidade ou encharcamento do solo (Brisolla et al., 2002).

• Variedades resistentes: não se conhece até o momento variedades resistentes ao fungo. No Paraná, á doença foi detectada nas variedades Bintje e Achat e no Estado de São Paulo, acredita-se que a doença se tornou limitante em 'Achat' produzida sob pivô central, tal a sua suscetibilidade naquelas condições favoráveis (Brisolla et al., 2002).

• Rotação de cultura: a sobrevivência do fungo no solo por muito tempo, impossibilita o cultivo da batata por vários anos, estimando-se pelo menos 10 anos de cultivo com espécies não hospedeiras. Assim, recomenda-se rotação de culturas especialmente com gramíneas (Brisolla et al., 2002).

2.1.4.4 Controle após o plantio

• Irrigação: como a disseminação do patógeno é favorecida pela água e a cultura é mais vulnerável especialmente no período de 3 a 4 semanas após a iniciação da formação dos tubérculos, sugere-se a suspensão da irrigação em áreas comprometidas, na tentativa de reduzir a disseminação do fungo para outras áreas da lavoura (Brisolla et al., 2002).

• Tratos culturais: não utilizar implementos agrícolas provenientes de áreas infestadas com o patógeno. Estruturas do fungo certamente poderão estar aderidas aos restos culturais e a porções de solo contaminado (Brisolla et al., 2002).

2.1.5 Sarna prateada (Helminthosporium solani Dur. & Mont.)

A sarna prateada era uma doença de armazenamento, onde sua ocorrência estava associada ao murchamento de tubérculos ao longo do período de permanência na câmara fria, ou em armazéns, servindo, como porta de entrada para outras podridões. Nos últimos tempos, essa doença tem se tornado fator de depreciação de mercado, pela alta incidência em tubérculos para consumo, face ao aumento do fungo e distribuição generalizada nos solos e à dificuldade e inconsistência nas medidas de controle. Altas intensidades de sarna prateada têm sido observadas em tubérculos de batata colhidos em área nunca cultivada com a espécie, no Norte do Paraná, em plantio de inverno (Brisolla et al., 2002).

2.1.5.1 Sintomatologia

Os sintomas da doença se caracterizam pelo aparecimento de manchas irregulares escuras e com um brilho prateado sobre a casca do tubérculo. Esse brilho se torna mais evidente quando o tubérculo é lavado e ainda está molhado. Essas manchas podem juntar-se e tomar quase toda a superfície do tubérculo (Brisolla et al., 2002).

As perdas também ocorrem no processo de lavagem e descarte de tubérculos para comercialização. Não se dispõe de muitas informações sobre essa doença em nossas condições. Considera-se que alta umidade e retardamento da colheita agravam o problema (Brisolla et al., 2002).

Os tubérculos atacados mostram manchas circulares escuras, de coloração marrom-claro, com bordos indefinidos que atingem de 2 a 3 cm, muitas vezes tomando todo o tubérculo. As margens das lesões mais novas são mais definidas e frequentemente possuem uma aparência escura e pulverulenta devido à presença de conídios e conidióforos do fungo. A casca apresenta-se alterada, com aspecto seco, áspero e brilho prateado, principalmente quando molhada (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.1.5.2 Etiologia

O agente causal é o fungo Helminthosporium solani (sin. Spondylocladium atrovirents), que possui micélio hialino, septado, ramificado que se torna escuro (amarronzado) com a idade. Conidióforos não ramificados são septados com conídios originados em espirais no final distal das células. Os conídios possuem dimensões de 7-8 x 18-64 mm, com um orto-septo, e são marrom-escuros (Souza Dias e Iamauti, 1997).

Para o desenvolvimento da doença é necessária relativa elevada (90%). A transmissão dá-se principalmente através de tubérculos infectados, podendo ocorrer também no solo. O fungo penetra pelas lenticelas e periderme do tubérculo antes da colheita e, provavelmente, não se adapta ao solo brasileiro, pois grande quantidade de tubérculos infectados tem sido plantada e esta doença ainda não tem importância relevante. Até o presente momento não se conhece nenhum outro hospedeiro. A doença continua a desenvolver-se e aumentar durante o armazenamento, podendo ocorrer novas infecções se os tubérculos forem mantidos sob alta temperatura e umidade relativa (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.1.5.3 Controle antes do plantio

• Sobrevivência do fungo: não se dispõe de informações detalhadas sobre a forma de sobrevivência deste fungo. De acordo com a literatura, a principal forma de sobrevivência e propagação do patógeno é através do tubérculo-semente e a transmissão pelo solo ocorre com menor importância, e esse fungo não tem outros hospedeiros. Muitos produtores têm encontrado problemas com sarna prateada e afirmam ter tido dificuldades com o controle. No Norte do Paraná tem sido encontrada alta incidência da doença em tubérculos colhidos em área nunca submetida ao plantio da cultura. Este fato, portanto, induz à conclusão de que H. solani é eficientemente transmitido pela semente, ou ele é cosmopolita e se encontra sobrevivendo na natureza de forma saprofítica muito habilmente. Desta forma, deve-se fazer uso de semente certificada e sadia para diminuir a chance de problemas futuros (Brisolla et al., 2002).

• Escolha de cultivar: não se dispõe de informação sobre resistência de cultivares ao patógeno; no entanto, os sintomas são mais facilmente visíveis em cultivares de pele rosada ou avermelhada (Brisolla et al., 2002).

• Produção de semente própria: como a sarna prateada é uma doença que avança em seu desenvolvimento durante o armazenamento, um repasse na semente antes do plantio, para eliminar tubérculos com sintomas, pode diminuir os problemas no campo posteriormente (Brisolla et al., 2002).

2.1.5.4 Controle após o plantio

• Manejo da cultura: como a doença é intensificada com o atraso na colheita, recomenda-se que se processe essa operação tão logo a pele esteja firme (Brisolla et al., 2002).

2.1.6 Podridão seca e murcha de Fusarium (Fusarium spp.)

As podridões secas constituem outro problema em armazenamento de sementes. Várias são as espécies de Fusarium que podem induzir podridão seca. Os prejuízos causados por este patógeno são potencializados por danos mecânicos nos tubérculos, durante as operações de colheita. Como o fungo é habitante normal de solo, a contaminação dos tubérculos é inevitável, pois o processo de invasão e apodrecimento dos tecidos é contínuo, mesmo após o armazenamento dos tubérculos (Brisolla et al., 2002).

2.1.6.1 Sintomatologia

Os sintomas da podridão seca se caracterizam pelo apodrecimento generalizado do tubérculo, com tecidos enegrecidos internamente, bordas bem definida entre o tecido ainda sadio e presença de um bolor esbranquiçado a rosado sobre a lesão. À medida que o tempo de armazenamento aumenta, os tubérculos atacados murcham acentuadamente pela desidratação excessiva. Normalmente, a podridão seca dá prosseguimento à podridão mole (Brisolla et al., 2002).

2.1.6.2 Etiologia

Podridão seca é causada por F. solani (sin. F. solani f. sp. eumartii) e F. avenaceum (sin. F. roseum). Em algumas regiões uma espécie é dominante sobre a outra. O patógeno encontra excelente condições de desenvolvimento em temperaturas de 15 a 25ºC e umidade relativa de 50 a 75%. Presença de ferimentos, plantios em solos contaminados e armazenamentos inadequado favorecem o desenvolvimento da doença (Souza Dias e Iamauti, 1997).

Quatros espécies do gênero Fusarium são associados com a murcha. Estas são, alem de F. solani e F. avenaceum, F. eumartii e F. oxysporum (sin. F. oxysporum f. sp. tuberosi). Sintomas causados pela murcha de F. eumartii são similares aos das murchas de F. oxysporum e F. avenaceum, sendo, no entanto, menos severos. Já os sintomas da murcha causada por F. solani são distintos dos causados por F. eumartii. As doenças são similares quanto à histopatologia, pois o fungos penetram pelas raízes, causando um encharcamento e invadindo as células epidermais. O xilema é colonizado e os vasos obstruídos, causando o colapso da planta, que varia conforme o patógeno envolvido. F. eumartii sobrevive no solo por longos períodos sem perda de patogenicidade. Este fungo tem sido responsável pelo abandono de áreas de produção em muitos paises (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.1.6.3 Controle

Os principais cuidados devem ser tomados por ocasião da colheita. Esta operação não deve ser efetuada com o solo excessivamente seco, pois aumenta as machucaduras nos tubérculos, e nem com o solo excessivamente úmido, pois estas condições são propícias para a multiplicação do agente causador. Além disso, colheita com o solo muito úmido favorece a aderência de terra nos tubérculos, predispondo a danos. Deve-se evitar colheitas com arrancadeira de discos para minimizar danos mecânicos (Brisolla et al., 2002).

A colheita deve ser efetuada quando a casca da batata estiver bem desenvolvida e os tubérculos devem ser armazenados em ambiente fresco e bem arejados para acelerar a cicatrização de injúrias. (Os tubérculos muito danificados deverão ser eliminados e os recipientes para o armazenamento caixaria, sacos, etc.) devem estar bem limpos e de preferência esterilizados. Na época em que os tubérculos forem utilizados para plantio, deve-se fazer nova seleção para eliminar aqueles apodrecidos total ou parcialmente, pois as plantas deles oriundas serão mais fracas e terão grande chance de morrer antecipadamente (Brisolla et al., 2002).

2.1.7 Mofo Branco (Sclerotinia sclerotiorum)

Mofo branco da batata, também conhecida por Podridão de Sclerotinia (Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary), esta doença, em condições normais, não constitui problema para a cultura da batateira. Essa doença tem sido mais importante em áreas sob pivô central, pela menor rotatividade da cultura, ou pelo aproveitamento da infraestrutura para outras culturas também suscetíveis ao patógeno, como o feijão. Na cultura da batata esta doença é um problema bastante sério quando as lavouras são irrigadas via pivô central e também nas épocas mais frias do ano (Brisolla et al., 2002).

2.1.7.1 Sintomatologia

O fungo ataca toda a parte aérea da planta, o primeiro indício da presença da doença é o aspecto murcho da planta. Nos órgãos infectados são encontradas lesões encharcadas, de coloração parda e consistência mole, com micélio branco de aspecto cotonoso, (Alves e Del Ponte, 2010).

Os sintomas do mofo branco, as lesões aparecem no caule e localizam-se imediatamente abaixo ou acima da superfície do solo. As lesões são geralmente deprimidas, de coloração marrom, sendo que estruturas dos fungo (hifas, escleródios) podem estar associados a elas. Em caules ternos, o desenvolvimento da lesão pode levar ao enfraquecimento da região atacada, tornando a planta suscetível ao tombamento; é comum, também, a ocorrência de estrangulamento da planta (Bedendo et al., 1995).

Com respeito à diagnose, as primeiras evidências da ocorrência de doença aparecem na parte aérea da planta, na forma de sintomas reflexos (Bedendo et al., 1995).

A medula é destruída internamente e tomada por numerosos escleródios de tamanho e forma variáveis, mas comum arredondadas, entre 0,5 e 2 cm de diâmetro (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.1.7.2 Etiologia

O agente causal do mofo branco da batata é Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary, Vergl. Morph. Biol. Pilze (Leipzig): 56 (1884), na forma teliomórfica pertence ao reino fungi, filo Ascomicota, classe Leotiomycetes, subclasse Leotiomycetidae, ordem Helotiales, família Sclerotiniaceae, gênero Sclerotinia, espécies S. sclerotiorum. Forma anamórfica: Fungos mitospóricos, grupo dos hifomicetos. (Index Fugorum, 2010).

Tendo como principais sinonímias: Hymenoscyphus sclerotiorum (Lib.) W. Phillips, (1887) Peziza sclerotiorum Lib., (1837) Sclerotinia libertiana Fuckel, (1870) Sclerotium varium Pers., (1801) Whetzelinia sclerotiorum (Lib.) Korf & Dumont, (1972) (Index Fugorum, 2010).

Mofo branco da batata (Solanum tuberosum L.) é também conhecido por Podridão de Sclerotinia e Podridão Branca (Alves e Del Ponte, 2010).

A colonização dos tecidos é auxiliada pela ação de substâncias químicas do tipo ácidos orgânicos, toxinas e enzimas, todas produzidos pelo patógeno. A atuação conjunta de mecanismos químico e mecânico promove a morte das células e, posteriormente, a decomposição do tecido. As hifas crescem inter e intracelularmente e, sob condições de alta umidade e temperaturas adequadas, promovem a reprodução do patógeno, formando novas hifas e estruturas reprodutivas. No inicio do processo de colonização, surgem nas raízes ou hastes pequenos pontos cuja coloração varia de marrom-avermelhado a negra, dependendo do hospedeiro e do patógeno envolvidos. Estes pontos abrem-se em lesões maiores, que alguns casos, o fungo se reproduz rapidamente sobre o tecido doente, sendo possível observar a presença de micélio cotonoso e escleródios associados as lesões. A evolução da doença leva à destruição parcial ou total do colo da planta, ocasionando a morte da mesma. Este tecido morto servirá como substrato para que o fungo cresça, até que encontre uma nova planta hospedeira (Bedendo et al., 1995).

2.1.7.3 Epidemiologia

Sclerotinia sclerotiorum pode sobreviver por vários anos na forma de escleródios no solo. Os ascósporos originados dos apotécios são ejetados, sob condições ambientais favoráveis como abundância de luz e temperaturas entre 10 e 25 graus celsius, e disseminados pelo vento. Se estas condições não forem satisfeitas só haverá a germinação miceliogênica, sendo este tipo de inóculo menos importante epidemiologicamente. A liberação dos ascósporos e a infecção da planta são estimuladas com o fechamento do dossel da cultura afetado pelo menor espaçamento entre linhas. Temperaturas amenas em torno de 20 ºC e alta umidade relativa do ar são favoráveis ao desenvolvimento da doença. A disseminação pode também ocorrer através de sementes contaminadas com micélios dormentes ou quando há escleródios misturados às sementes (Alves e Del Ponte, 2010).

Escleródios são as estruturas que permitem que espécies de Sclerotinia sobrevivam por longos períodos de tempo sob condições adversas. A casca, preto melanizadas parece agir como um protetor contra a invasão de microorganismos. As temperaturas do solo, pH, a umidade parecem ter pouco efeito direto sobre a sua sobrevivência, embora a combinação de altas temperaturas e alta umidade parece encorajar a degradação de escleródios, perto da superfície do solo, os esclerodios podem ter um tamanho de 0,5 a 10 mm, (Ferreira e Boley, 2010).

2.1.7.4 Controle

Uma gestão eficaz do mofo-branco exige a implementação de uma abordagem integrada de manejo. A doença pode ser controlada principalmente através da utilização de práticas culturais e fungicidas foliares (Wharton and Kirk, 2010).

Não se conhecem variedades de hortaliças resistentes ao patógeno. Além do tradicional plantio de milho no verão, pode-se fazer cultivos em área de pivô com outras espécies de interesse econômico, como o trigo no inverno e o arroz no verão, não hospedeiras do patógeno, recomenda-se rotação de cultura com gramíneas, por 4 anos ou mais. Este fato merece ser explorado porque estas culturas têm potencial econômico, e por isto, podem ser incorporadas ao controle integrado de patógenos de solo pela formação de palhada durável sobre o solo (Reis et al., 2007).

O controle químico é uma medida bastante utilizada e seu sucesso está condicionado ao uso de fungicidas adequados na época adequadas, de forma a prevenir o aparecimento ou o desenvolvimento da doença no campo, tem-se quatros produto registrados no Mistério da Agricultura segue abaixo:

- Dois com o principio ativo fluazinam (fenilpiridinilamina): realizar 1° aplicação dos 30 aos 40 dias após a germinação e repetir uma ou duas aplicações a cada 7 a 10 dias, usando volume de calda de 500 a 1000 L/ha. Utilizar o produto em no máximo 4 aplicações durante o ciclo da cultura, dose do produto 1 a 1,5 L/ha (Agrofit, 2010).

- Dois com o principio ativo procimidona (dicarboximida) aplicação no sulco de plantio: A aplicação poderá ser feita, em uma única vez, no sulco de plantio sobre a batata-semente (2,0 -3,0 kg/ha) ou em duas vezes, sendo a primeira no sulco de plantio {1,5 kg/ha) sobre a batata-semente e a segunda aplicação antes da amontoa (1,5 kg/ha) gastando-se de 300 a 600 litros de calda/hectare, dose do produto 1 a 1,5 Kg/ha (Agrofit, 2010).

2.2 Doenças Bacterianas

2.2.1 Murchadeira ou murcha bacteriana (Ralstonia solanacearum)

(Smith) comb. Nov. (Pseudomonas solanacearum)

A murcha bacteriana ou murchadeira está presente em todas as áreas de produção de batata. É considerada uma das doenças mais importantes da cultura, principalmente na produção de batata semente. As perdas estão associadas às condições ambientais favoráveis e ao número de plantas infectadas (Brisolla et al., 2002).

2.2.1.1 Sintomatologia

Uma identificação expedita pode ser feita colocando-se um pedaço da haste da planta doente em um copo claro com água. Imediatamente observa-se o muco ou pus bacteriano saindo dos vasos condutores. O corte do tubérculo faz com que ocorra também a exsudação da região dos vasos. Pode ocorrer aderência de solo nas gemas do tubérculo devido à saída de pus bacteriano, contaminador do solo e água de erosão (Brisolla et al., 2002).

A introdução da doença em áreas novas ocorre via batata-semente infectada. Dentro da lavoura ocorre a disseminação na realização da capina e amontoa, devido à contaminação dos implementos e se não lavados podem contaminar outras lavouras. O deslocamento de água por erosão na entrelinha transporta a bactéria para outras plantas (Brisolla et al., 2002).

2.2.1.2 Etiologia

A entrada da bactéria (Ralstonia solanacearum) (Smith) comb. Nov. (Pseudomonas solanacearum) se dá principalmente pelas raízes, através de ferimentos resultantes de pragas, nematóides e tratos culturais, além das aberturas naturais. Após a amontoa, o risco de infecção é acentuado pelo aumento de danos no sistema radicular e na base das plantas e também pela disseminação dos implementos contaminados (Brisolla et al., 2002).

Após a infecção as bactérias colonizam e entopem os vasos condutores da planta, impedindo o transporte de água e nutrientes e resultando nos sintomas de murcha. A ausência de nutrientes nas folhas faz com que a planta fique amarelada, porém este sintoma nem sempre aparece, depende das condições ambientais. Inicialmente, apenas parte da planta apresenta sintomas e após irrigação, chuva ou à noite ocorre recuperação aparente da planta. Decorridos alguns dias, não há mais recuperação e a planta morre (Brisolla et al., 2002).

2.2.1.3 Epidemiologia

A bactéria pode sobreviver no solo, no próprio tubérculo ou em outras plantas hospedeiras. No solo, o principal local de sobrevivência é a raiz de plantas hospedeiras, podendo ser localizada até um metro de profundidade. O tubérculo infectado nem sempre

Apresenta sintomas externos da doença o que dificulta a seleção no momento do plantio,

introduzindo a doença em áreas livres. Os principais hospedeiros são: tomate, pimentão, berinjela, jiló e fumo, porém existem citações da existência de mais de 50 famílias de plantas com esta característica (Brisolla et al., 2002).

2.2.1.4 Controle antes do plantio

• A tolerância para campos de produção de batata-semente é zero, isto é, caso uma planta apresente sintomas da doença toda a área é condenada. O uso de batata-semente certificada é a principal forma de evitar a entrada da doença em áreas novas. Mesmo usando material livre da bactéria pode ocorrer a doença caso implementos de áreas contaminadas sejam utilizados sem a devida limpeza (Brisolla et al., 2002).

• Não existe cultivares resistentes. Atualmente somente a cultivar Chat é considerada tolerante, isto é demora mais tempo para murchar (Brisolla et al., 2002).

• Escolher áreas onde não haja histórico de murchadeira, e que não tenham sido cultivadas com espécies hospedeiras (tomate, berinjela) na safra anterior (Brisolla et al., 2002).

• Fazer rotação de culturas, principalmente com gramíneas, como milho, arroz, sorgo, pastagem por um período mínimo de 3 anos. Porém, há necessidade de controlar as plantas espontâneas de batata, picão preto (Bidens pilosa), beldroega (Portulaca oleracea), Maria-pretinha (Solanum nigrum), joá-bravo (Solanum sisymbriifolium), pois a bactéria pode sobreviver nestes hospedeiros (Brisolla et al., 2002).

• Fazer adubação equilibrada de nitrogênio, cálcio e potássio para promover redução dos sintomas. Existem dúvidas sobre o efeito da adição de matéria orgânica e o controle da murchadeira; alguns trabalhos sugerem o uso conjunto de adubos orgânicos e químicos para reduzir os sintomas (Brisolla et al., 2002).

• O manejo de solo pode também reduzir os danos provocados pela doença. A boa drenagem do solo é fundamental, pois dificulta a disseminação da bactéria. Usar escarificador para romper camadas compactadas auxilia nesta drenagem (Brisolla et al., 2002).

• Os equipamentos utilizados em áreas com suspeita da doença devem ser muito bem limpos, incluindo o trator (Brisolla et al., 2002).

2.2.1.5 Controle após o plantio

• A irrigação deve ser moderada, evitando encharcamento do solo. A fonte da água é muito importante. Caso receba solo de erosão ou enxurrada de áreas contaminadas estará disseminando a bactéria que sobrevive na água (Brisolla et al., 2002).

• Não realizar a amontoa quando o solo estiver com umidade elevada ou com umidade muito baixa (Brisolla et al., 2002).

2.2.2 Canela preta e Talo-oco (Erwinia carotovora (Jones) Bergey, Harrison, Breed, Hammer & Huntoon).

Esta doença bacteriana é um dos princípios problemas que ocorrem durante o armazenamento dos tubérculos, decorrente de ferimentos causados durante a colheita e transporte. A pequena resistência ao armazenamento obriga o produtor à venda imediata da produção, impedindo-o de negociar melhores preços. A doenças tem distribuição generalizada, afetando outras culturas. O armazenamento em ambientes quentes e úmidos favorece a doença (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.2.2.1 Sintomatologia

A canela preta ocorre no campo com a planta em estágio vegetativo e a podridão mole ocorre no tubérculo. As perdas ocorrem no campo com redução do número de plantas ou nos armazéns/depósitos com o apodrecimento de tubérculos. Estas doenças são também consideradas de difícil controle, pois a bactéria apresenta. Grande variação genética e isto dificultam a seleção de cultivares resistente (Brisolla et al., 2002).

A podridão mole ocorre no tubérculo apresentando aspecto aquoso, coloração marrom a negra e odor desagradável. Podem ocorrer infecções nas lenticelas (abertura natural) e, em condições ambientais desfavoráveis à doença, observam-se lesões secas na forma de pontuações enegrecidas. Quando plantados, ocorre o apodrecimento das hastes resultando na doença chamada de canela preta. A canela preta é caracterizada pelo enegrecimento da base da haste o que resulta no tombamento e morte da planta. Este sintoma também ocorre quando as bactérias estão aderidas aos tubérculos ou no solo. Como as plantas murcham antes de morrer, pode ocorrer confusão com a murcha bacteriana, porém a diferenciação é feita observando a base da haste; caso esteja escurecida trata-se da canela preta (Brisolla et al., 2002).

2.2.2.2 Etiologia

A canela preta e a podridão-mole dos tubérculos têm os mesmos agentes causais: Erwinia chrysanthemi, Erwinia carotovora subsp. atroseptica e E. c. carotovora (Souza Dias e Iamauti, 1997).

Condições de alta umidade do solo, temperatura entre 20 e 308C e adubação nitrogenada excessiva tornam as plantas mais suscetíveis ao patógeno. O molhamento do tubérculo facilita o desenvolvimento da doença (Brisolla et al., 2002).

2.2.2.3 Epidemiologia

A sobrevivência é outro fator que contribui para a dificuldade de controle, pois pode sobreviver em inúmeras plantas, causando podridão mole, como no caso das hortaliças, ou nas raízes de plantas concorrentes presentes na lavoura, porém sem causar danos (Brisolla et al., 2002).

O trânsito de máquinas e equipamentos por áreas infectadas pode transportar a bactéria em resíduos de solo e plantas, para áreas isentas da doença. Caixas, sacos ou recipientes de coleta são meios de disseminação, causando problemas principalmente no armazenamento. Os tubérculos-semente podem ter a bactéria sem expressar sintomas, o que se denomina infecção latente, aumentando o risco da doença na lavoura (Brisolla et al., 2002).

Essas doenças estão associadas a ferimentos que ocorrem na haste, provocados por danos físicos de implementos ou ataque de pragas e no caso dos tubérculos por lesões ocorridas na colheita ou na fase de armazenamento. É nestes ferimentos que a bactéria penetra, coloniza os tecidos e a planta apresenta os sintomas característicos da doença (Brisolla et al., 2002).

2.2.2.4 Controle antes do plantio

• Em áreas com histórico de ocorrência das doenças deve-se adotar a rotação de culturas por 3-4 anos com espécies não hospedeiras, principalmente gramíneas, mantendo um bom maneio de plantas concorrentes e eliminação de plantas de batata voluntárias (Brisolla et al., 2002).

• O solo deve ser bem drenado, o que pode ser melhorado com o uso de escarificador (Brisolla et al., 2002).

• A adubação deve ser equilibrada, evitando excesso de nitrogênio, normalmente fornecido por uréia ou sulfato de amônio. No caso do sistema de produção orgânica, deve-se usar esterco bem curtido sendo preferencial a utilização de composto orgânico (Brisolla et al., 2002).

• O tubérculo-semente certificado não garante a ausência do patógeno, porém é o que se indica para o plantio. O manuseio dos tubérculos na hora do plantio deve ser feito com cuidado, evitando a quebra de brotos (Brisolla et al., 2002).

2.2.2.5 Controle após o plantio

• Evitar excesso de irrigação principalmente logo após o plantio e após a amontoa (Brisolla et al., 2002).

• Não realizar amontoa com o solo com umidade em excesso (Brisolla et al., 2002).

• Os equipamentos, máquinas, sacarias, caixarias e materiais utilizados em áreas com a presença da bactéria devem ser devidamente lavados e desinfetados (Brisolla et al., 2002).

• A colheita deve ser feita com umidade de solo adequada para evitar a formação de torrões, que causam machucadura nos tubérculos; e sendo antecipada diminui os riscos de podridão mole, pois reduz o tempo de exposição à bactéria no campo (Brisolla et al., 2002).

2.2.2.6 Controle após a colheita

• Evitar excesso de batidas nos tubérculos na colheita, transporte e armazenamento, pois causam ferimentos (Brisolla et al., 2002).

• Antes do armazenamento, os tubérculos devem sofrer o processo de cura realizado a temperaturas entre 10 e 15° C (Brisolla et al., 2002).

• O armazém deve ser constantemente vistoriado, retirando-se tubérculos que apresentem os sintomas, evitando a contaminação dos lotes (Brisolla et al., 2002).

• A lavagem dos tubérculos para consumo deve ser evitada. Caso não seja possível, deve ocorrer uma boa secagem antes do ensacamento e transporte (Brisolla et al., 2002).

• No armazém, a limpeza e o movimento do ar são muito importantes para evitar disseminação da bactéria e a formação de película de água na superfície de tubérculos (Brisolla et al., 2002).

2.2.3 Sarna comum (Streptomyces scabies (Thaxter) Waskman & Henrici)

A sarna comum da batata está amplamente distribuída nas regiões produtoras. A sarna comum dificilmente causa perdas de produtividade. Porém, o problema ocorre com a depreciação comercial do produto, visto que o tubérculo infectado tem péssima aparência cosmética (Brisolla et al., 2002).

2.2.3.1 Sintomatologia

Os sintomas mais importantes ocorrem nos tubérculos. A infecção ocorre através das lenticelas, de ferimentos ou diretamente na pele, em tubérculos jovens. Nos locais de infecção a bactéria se desenvolve superficialmente e, em resposta à infecção, a planta reage formando uma camada de cortiça ao redor da lesão, impedindo o avanço da infecção. Com o crescimento do tubérculo o tecido atacado aflora, com coloração de pardo clara a escura, e normalmente ocorrem rachaduras sobre a lesão, formando o sintoma chamado de "estrelinha". As lesões são normalmente circulares com 5 a 10 mm de diâmetro e podem ser superficiais e corticosas, ou salientes, com 1-2 mm de altura, ou profundas com 7 mm de profundidade. Essa variação depende de condições ambientais e suscetibilidade da cultivar, podendo ocorrer os vários tipos de sintomas num mesmo tubérculo (Brisolla et al., 2002).

As lesões no tubérculo podem também ser irregulares devido à infecção através dos ferimentos provocados por insetos ou outros danos mecânicos ou devido à proximidade das próprias lesões. Podem ocorrer sintomas nas raízes, caules e estolões de maneira similar às dos tubérculos, porém sem reflexos significativos na parte aérea da planta (Brisolla et al., 2002).

2.2.3.2 Etiologia

Streptomyces scabies é a espécie mais comumente associada aos sintomas da sarna comum. A S. scabies é uma bactéria actinomiceto que possui esporos em forma de barril, medindo 0,8-1,7 x 0,5-0,8 mm. Seu crescimento dá-se em temperaturas entre 5 – 40º C, sendo o ótimo entre 25 e 30º C. as colônias em meio de cultura são brancas e possuem micélio aéreo. Pode viver saprofiticamente no solo e em outras plantas hospedeiras. Seus propágulos podem ser disseminados por diversos agentes (água, vento, insetos, tubérculos) e têm a particularidade de sobreviver ao trato intestinal de herbívoros, o que faz do esterco mal curtido uma fonte de inoculo. O patógeno desenvolve-se favoravelmente em solos com ph neutro ou ligeiramente alcalino. Não ocorre em solos com pH abaixo de 5. A baixa umidade do solo, principalmente próximo da fase de tuberização e desenvolvimento dos tubérculos, aumenta a infecção. (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.2.3.3 Epidemiologia

O agente causal sobrevive na matéria orgânica do solo por tempo indefinido ou em outros hospedeiros como: beterraba, rabanete, nabo, cenoura, batata-salsa. A introdução do agente causal em novas áreas ocorre via tubérculo-semente infectado, apesar de que se suspeita da bactéria fazer parte da microflora de muitos solos. O trânsito de máquinas e a erosão do solo também podem disseminar o agente causai. A baixa umidade do solo no período de tuberização, o pH do solo superior a 5, 2, e temperaturas entre 20-22°C favorecem a ocorrência da sarna comum (Brisolla et al., 2002).

2.2.3.4 Controle antes do plantio

• Evitar o plantio em áreas com histórico de ocorrência severa da doença (Brisolla et al., 2002).

• Realizar rotação de culturas com espécies não hospedeiras, principalmente gramíneas, por um período mínimo de 3 anos, evitando a presença de plantas espontâneas de batata (Brisolla et al., 2002).

• O uso de calcário deve ser feito com moderação, corrigindo apenas os níveis de cálcio e magnésio necessários para o desenvolvimento da planta, evitando elevação do pH acima de 5,2 (Brisolla et al., 2002).

• Uso de adubos verdes, como aveia e advim, pode reduzir a ocorrência da doença (Brisolla et al., 2002).

• Os tubérculos-semente devem estar livres dos patógenos, evitando a introdução em áreas novas ou aumentando os sintomas nas áreas onde já está presente. Recomenda-se a utilização de material propagativo oriundo do serviço de certificação de semente (Brisolla et al., 2002).

• Usar compostos estabilizados, bem curtidos, pois materiais orgânicos não decompostos, como os estercos, podem aumentar a ocorrência da doença (Brisolla et al., 2002).

2.2.3.5 Controle após o plantio

• Na fase de tuberização a cultura não deve sofre deficiência hídrica, pois isto potencializa a ocorrência da sarna. A irrigação é uma das medidas importantes no maneio desta doença. É importante ressaltar que a irrigação deve ser equilibrada e com fonte segura de água para evitar a ocorrência de outros patógenos (Brisolla et al., 2002).

2.3 Doenças Viróticas

A batata é uma das culturas mais sujeitas as viroses diversificadas, em virtude da propagação vegetativa, sendo a batata-semente eficiente veiculo de disseminação. Adicionalmente, a planta atrai e favorece a multiplicação de afídeos – eficientes vetores da maioria dos vírus. No campo, o diagnóstico individualizado de cada virose é difícil ou mesmo impraticável, sendo utilizadas técnicas de laboratório (Filgueira, 2007).

O controle das viroses é inteiramente preventivo. A cultura de meristema, em laboratório, viabiliza a obtenção de batata-semente pré-básica totalmente isenta de vírus. Ao longo de sucessivas multiplicações, esse material originará as diversas categorias já mencionadas, com teores crescentes de vírus, porém dentro de limites preestabelecidos oficialmente. O controle das viroses deve ser rigoroso na multiplicação de batata-semente e menos rigoroso na produção de batata-consumo (Filgueira, 2007).

Os meios de controle são: utilização de cultivares resistentes; plantio de batata-semente certificada, inteira; erradicação precoce de plantas viróticas; controle de afídeos pela aplicação de inseticidas sistêmicos granulados no sulco de plantio; pulverização da parte aérea com aficidas específicos; e rotação com poáceas. Tanto o batatal como o terreno em repouso devem ser mantidos livres de plantas invasoras, muitas delas hospedeiras de afídeos e de vírus, porém, às vezes, sem sintomas visíveis (Filgueira, 2007).

2.3.1 Enrolamento da folha da batata – Potato leafroll vírus - PLRV

Historicamente, o PLRV sempre foi o vírus mais freqüentemente associado à rejeição de campos destinados à certificação de batata-semente nos principais estados produtores do pais. No Estado de São Paulo, batateirais plantados com batata-semente importada e conduzidos sob rígido controle fitossanitário podem terminar o ciclo com mais de 20% de infecção. Incidências acima de 20% inviabilizam a utilização da produção como batata-semente, devendo ser destinada ao consumo (Brisolla et al., 2002).

2.3.1.1 Sintomatologia

É virose causada pelo complexo virótico PLRV. Caracteriza-se pelo enrolamento das margens dos folíolos para cima nas folhas inferiores. Esse sintoma é observado em plantas originadas de batata-semente infectada. Quando a infecção ocorre ao longo do ciclo cultural, há apenas coloração mais clara no topo da planta. Essa virose pode ocasionar drástica queda na produtividade da cultura, em virtude da redução no numero de tubérculos produzidos, bem como no seu tamanho (Filgueira, 2007).

2.3.1.2 Etiologia

As partículas de PLRV são isométricas, medindo cerca de 24 nm de diâmetro. Seu ácido nucléico é do tipo RNA de fita simples, com genoma de aproximadamente 5,6 kb. Na planta infectada, o PLRV limita-se aos tecidos do floema e células companheiras, onde obstrui o transporte de carboidratos das folhas para os tubérculos, geralmente atribuído ao acumulo de calose (Souza Dias e Iamauti, 1997).

O PLRV pertence ao gênero Polerovirus, família Luteoviridade e, portanto, não é transmitido mecanicamente. Myzus persicae é o afídeo vetor mais eficiente. Macrosiphum euphorbiae e Aulacorthum solani também podem transmiti-lo. Geralmente as formas ápteras e mais jovem são as principais vetoras, embora A. solani possa ser exceção (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.3.2 Mosaico “Y” e “A” da batateira – Potato vírus Y – PVY e Potato vírus A - PVA

É virose causada pelas estirpes de vírus PVY. Ocasiona mosaico severo e enrugamento dos folíolos; e riscas necróticas ao longo das nervuras, na fase inferior dos folíolos. Esse vírus pode estar associado a outros, provocando sintomas ainda mais drásticos, com apreciável redução na produtividade (Filgueira, 2007).

2.3.2.1 Sintomatologia

Sintomas de depressão das nervuras nas folhas apicais e redução no crescimento, dependendo das condições climáticas (difíceis de serem reconhecidas em temperaturas abaixo de 10ºC ou acima de 21ºC) podem ser observados. A infecção que ocorre no final de ciclo geralmente não se manifesta na folhagem, mas o vírus pode ser translocado para os tubérculos, onde geralmente não causa sintoma algum. Há evidencias de perdas relacionadas com o aumento no teor de açúcares (“sugar spot”) nos tubérculos de algumas variedades (ex.: ‘Record’), o que causa prejuízos no processamento (Souza Dias e Iamauti, 1997).

Quanto ao PVA, o sintoma mais comum é o denominado mosaico leve. Plantas com PVA apresentam folhas onduladas, com aspecto de dobras nas margens e aprofundamento das nervuras. A maioria das variedades, tais como Bintje, Katahdin, Record e Sebago são hipersensíveis ao PVA e, quando inoculadas mecanicamente ou via enxertia de tubérculos, apresentam necrose do topo mas não mosaico (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.3.2.2 Etiologia

O PVY pertence à família Potyviridade e ao gênero Potyvirus, apresenta partículas alongadas, flexuosas e helicoidais, medindo 730 x 11 nm. Partículas de PVA são semelhantes às de PVY, com dimensões de 730 x 15 nm. Tanto PVY como PVA são compostos por RNA de fita simples, com aproximadamente 9,6 kb. A transmissão do PVY e do PVA pode ser feita mecanicamente, por enxertia de haste e por afídeos. Na natureza, a transmissão ocorre principalmente por afídeos. Existem espécies de afídeos eficientes na transmissão do PVR e do PVA. A espécie M. persicae é a mais importante vetora, mas há também evidencias de mais de 2 dezenas de outras espécies de afídeos capazes de adquirir e transmitir o PVY de forma eficiente e não persistente (relação estiletar com o vetor). Mesmo espécies que não se hospedem em plantas de batata, com por exemplo Rhopalosiphum padi, podem transmitir o PVY (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.3.3 Anel Amarelo da batataTobacco rattle vírus - TRV

Enquanto o TRV é transmitido na natureza por nematóide, outro vírus, também veiculado pelo solo, o Potato mop-top vírus – PMTV, cuja sintomatologia e morfologia das partículas são bastantes similares, e transmitido por fungo (Spongospora subterranea). Esses dois vírus são passiveis de confusão baseado na expressão de sintomas tanto na folhagem como nos tubérculos. Ambos têm grande potencial de se tornarem problema nos batateirais do Brasil, caso venham a ser introduzidos de forma massal via lotes de batata-semente importada, pois os vetores já foram identificados em regiões produtoras do pais. Alem disso, paises exportadores de batata-semente têm relatado nos últimos anos a presença crescente desses dois vírus em diferentes regiões produtoras, tanto na América do Norte como da Europa (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.3.3.1 Sintomatologia

Os danos nos tubérculos são depreciáveis para o mercado e manifestam em forma de arcos ou anéis pardos ou arroxeados na superfície, com pouca ou suave escamação das células lesionadas da epiderme (Souza Dias e Iamauti, 1997).

Dependendo da estirpe do TRV, estádio de infecção das plantas, intensidade da infestação de nematóides vetores, algumas variedades podem exibir plantas retorcidas, com tamanho reduzido e com manchas amarelas em formas de anéis ou riscas angulares, do tipo “V”, geralmente espalhadas de forma irregular nas folhas de algumas hastes de uma mesma planta-cova. Os sintomas de amarelão são as vezes confundidos com os causados pelo vírus do mosaico da alfafa, (Alfalfa mosaic vírus – AIMV), denominado de amarelo aucuba (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.3.3.2 Etiologia

O TRV que infecta a batateira pertence ao gênero Tobravirus, o mesmo do vírus que causa o anel do pimentão no Brasil. As partículas do TRV são compostas de 2 tipos em forma de bastão. Uma partícula maior com aproximadamente 180-215 nm e outra menor de 46-114 nm de comprimento. O diâmetro das partículas é de 21-23 nm. O genoma viral é constituído por duas moléculas de RNA de fita simples, positivas (RNA-1 e RNA-2) (Souza Dias e Iamauti, 1997).

A transmissão do TRV pode ocorrer via semente botânica, enxertia de haste e mecanicamente. Também é transmitido por diferentes espécies de nematóides dos gêneros Paratrichodorus e Trichodorus. O vírus é retido por meses, mas não após a ecdise (Souza Dias e Iamauti, 1997).

Não há passagem do vírus de planta-a-planta via contato de folhagem. Há relatos de transmissão do TRV via nematóide alimentando em tubérculos não sintomáticos, colhidos de cova onde havia progênie com sintomas (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.3.4 Mosaico-leve

Trata-se de virose causada por diversos vírus (PVA, PVM, PVS e PVX). Os sintomas são um mosaico difuso, muito leve, afetando os folíolos; no campo, os sintomas também podem ser imperceptíveis. Quando atacam a planta isoladamente, tais vírus, ocasionam perda pequena na produtividade. Entretanto, quando associados a outros vírus, como no caso de PVX + PVY, os sintomas tornam-se severos e ocorre drástica diminuição na produtividade (Filgueira, 2007).

Novas viroses vêm afetando a batateira, inclusive veiculadas pela mosca-branca, devendo ser consideradas num plano de controle (Filgueira, 2007).

2.3.5 Medidas gerais de controle das viroses da batateira

As medidas gerais de controle recomendadas para as viroses da batateira seguem as indicadas para os paises de clima temperado, tradicionais produtores e exportadores de batata-semente para o Brasil, como Holanda, Alemanha e Suécia. Entretanto, há diferenças fundamentais na epidemiologia das viroses da batateira nas condições de cultivo do Brasil que exigem algumas adaptações de metodologias e praticas fitossanitárias. O controle de viroses na cultura da batateira baseia-se na integração de medidas voltadas à redução da velocidade da degenerescência da batata-semente, permitindo ao produtor manter seu próprio lote de alta sanidade por maior numero de gerações (Souza Dias e Iamauti, 1997).

São recomendados os seguintes procedimentos para a produção e manutenção de batata-semente: 1) escolha de local isolado de outras plantas de batateira ou solanáceas que sirvam de reservatório de vírus; 2) escolha de variedades com bom nível de resistência; 3) uso de batata-semente com alto nível de sanidade; 4) plantio em época mais adequada para multiplicação do lote em função de menor população de afídeos; 5) erradicação de plantas sintomáticas com viroses ou outras anomalias; 6) controle de afídeos com aplicação de inseticidas; 7) proteção física e química da batata-semente recém colhida até o plantio seguinte contra a visita e estabelecimento de afídeos (Souza Dias e Iamauti, 1997).

2.4 OUTRAS DOENÇAS

Consideradas de menor importância e pela baixa esporádica incidência, são encontradas a roseliniose causada por Rosellinia sp, geralmente associada com plantios em áreas recém desbravadas, com excesso de matéria orgânica em decomposição. A podridão branca basal, causada por Sclerotium rolfsii Sacc, é outra doença facilmente identificada pela formação de pequenas esferas de 0,5 a 2,0 mm de diâmetro, de coloração castanha clara a marrom (esclerócios) (Brisolla et al., 2002).

2.5 NEMATÓIDES

A batata é uma das culturas mais prejudicadas pelos nematóides fitoparasitos. Mais de uma dezena de espécies de nematóides são altamente daninhos à batata e, no Brasil, quatro delas se destacam: duas espécies de nematóides das galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica) e duas de nematóides das lesões (Pratylenchus brachyurus e P. coffeae). Os nematóides de cisto da batata (Globodera rostochiensis e G. pallida), outras espécies de nematóides das lesões (como P. neglectus e P. scribneri) e o falso nematóide das galhas (Nacobbus aberrans) são tão ou mais daninhos que aquelas quatro espécies, porém felizmente ainda não ocorrem no país, embora o risco de entrada do falso nematóide das galhas seja rande, pois existe na Argentina (Inomoto e Oliveira, 2010).

2.5.1 Sintomas e Danos

Os sintomas de campo causados pelos nematóides normalmente ocorrem em reboleiras. As batateiras infestadas podem ser reconhecidas por murchar mesmo que o solo esteja úmido, ter folhas amareladas e normalmente crescerem pouco. Tanto os nematóides das galhas como os das lesões podem causar tais sintomas na parte aérea. Nem sempre, porém, os sintomas de campo são observados, devido à pesada adubação que a cultura da batata recebe, que ajuda a mascarar os efeitos dos nematóides na parte aérea. Por outro lado, os danos que causam nas raízes e nos tubérculos (galhas e lesões) são geralmente muito comprometedores. Galhas são protuberâncias que ocorrem nas raízes e na superfície dos tubérculos, - nesse caso chamadas de “pipocas”-, infestados por nematóides do gênero Meloidogyne, daí o nome vulgar desses parasitos. As galhas sempre se formam no local em que fêmeas de Meloidogyne estão localizadas. Abrindose cuidadosamente uma galha e observando-se atentamente, é possível visualizar uma ou mais dessas minúsculas fêmeas. Em culturas infestadas com o nematóide das galhas, a batata produzida é de qualidade muito inferior, pelo aspecto “empipocado” dos tubérculos, pela facilidade com que esses tubérculos apodrecem e pela perda de amido no tecido em torno das “pipocas”. Mais um fator aumenta a importância de M. incognita e M. javanica: cada uma tem mais de 1.000 espécies de plantas hospedeiras conhecidas. Assim, quase qualquer cultura que anteceda a batata pode estar aumentando a população desses nematóides (Inomoto e Oliveira, 2010).

O dano causado pelos nematóides das lesões nas raízes e nos tubérculos é de outra natureza. Durante sua alimentação, esses nematóides produzem galerias nos tecidos, resultando em manchas ou lesões escuras. Os nematóides das lesões costumam entrar nos tubérculos pelas lenticelas, e daí invadir tecidos em volta,
produzindo lesões circulares de tamanho variável, conforme a população do nematóide e o grau de resistência da cultivar de batata. Lesões pequenas podem passar despercebidas, confundidas com as lenticelas, mas quando maiores, apesar de serem sempre superficiais, prejudicam o aspecto visual do tubérculo. Além disso, às vezes as lesões formadas pelos nematóides podem ser colonizadas por microorganismos saprófitas e o tubérculo se tornar imprestável para comercialização. Pratylenchus
brachyurus e P. coffeae não têm tantas plantas hospedeiras como M. incognita e M. javanica, porém, como se multiplicam em capim-jaraguá, colonião e braquiárias, costumam causar danos acentuados quando a batata é cultivada em áreas recentemente utilizadas como pastagens (Inomoto e Oliveira, 2010).

2.5.2 Medidas de Controle

A adoção de métodos adequados permite reduzir os níveis populacionais dos nematóides, porém a erradicação é praticamente impossível. As opções de controle disponíveis, citadas a seguir, devem ser realizadas antes do plantio. Controle preventivo
As medidas preventivas são sempre mais eficientes e econômicas que os tratamentos curativos. Incluem-se entre elas, o uso de batata-semente certificada, de procedência idônea, livre de nematóides fitoparasitos e plantio em solo não infestado. Demais cuidados especiais devem ser tomados com relação a água de irrigação, que pode introduzir e disseminar os nematóides. Preferencialmente, devese utilizar água de poços profundos ou minas, evitando-se o uso de mananciais que recebam águas de lavoura infestadas com nematóides (Inomoto e Oliveira, 2010).

Sabendo-se que a reprodução dos nematóides parasitos da batata é favorecida por temperaturas elevadas, que ocorrem principalmente na época chuvosa, indica-se o plantio da batata na época seca (plantio de inverno) (Inomoto e Oliveira, 2010).

É um processo acessível à maioria dos produtores e visa à diminuição do nível populacional dos nematóides através do cultivo de plantas não hospedeiras em áreas infestadas. Em áreas infestadas por M. javanica sugere-se rotação com algodoeiro, amendoim e milho, desde que o genótipo de milho seja resistente a M. javanica. Quando a área está infestada com M. incognita ou com infestação conjunta de M. javanica e M. incognita, o amendoim é indicado para o programa de rotação. Também alguns adubos verdes, como as crotalárias e mucunas, prestam- se para o controle dos nematóides das galhas, reduzindo a população desses nematóides e favorecendo as condições físico-químicas do solo. Para o controle das espécies de Pratylenchus as opções de rotação são menores. Nesse caso, indica-se o plantio de crotalárias. Os cravos- de-defunto (Tagetes spp.) apresentam efeito antagônico principalmente a Pratylenchus spp., sendo esse efeito atribuído a compostos nematicidas encontrados nas raízes dessas plantas (Inomoto e Oliveira, 2010).

A adição de material orgânico favorece as propriedades físico-químicas do solo, as plantas crescem adequadamente e são mais tolerantes ao ataque de nematóides. Demais, propicia o crescimento das populações de inimigos naturais dos nematóides e sua decomposição libera compostos altamente tóxicos a eles (Inomoto e Oliveira, 2010).

Em princípio, trata-se do método de controle mais eficiente e econômico, mas até o momento não existe, entre as cultivares utilizadas no país, nenhuma altamente resistente a Meloidogyne ou Pratylenchus. As pesquisas de melhoramento de batata visando à resistência a nematóides mostraram que a cultivar Achat apresentou resistência moderada à M. incognita e M. javanica, no entanto novas fontes de resistência devem ser avaliadas no futuro (Inomoto e Oliveira, 2010).

Em áreas infestadas tanto por espécies de Meloidogyne ou Pratylenchus, o controle químico constitui-se, embora de altíssimo custo e alta toxicidade, em alternativa eficiente de controle. Os nematicidas granulados sistêmicos carbofurano e aldicarbe, aplicados por ocasião do plantio, são os mais utilizados na cultura da batata (Inomoto e Oliveira, 2010).

2.6 Táticas de Manejo de Doenças com Fungicidas

As características relacionadas com a cultura são em síntese: suscetibilidade da cultivar, arquitetura da planta, época de plantio, espaçamento, ciclo da cultura, manejo de água e adubação, valor de mercado e alvo biológico. Já as características do patógeno são seu potencial como patógeno, virulência, presença de raças fisiológicas, modo de disseminação, tempo, forma e capacidade de sobrevivência, fungo necrotrófico ou biotrófico e epidemiologia. As características do ambiente são: temperatura, umidade relativa do ar, período de molhamento foliar, radiação solar e velocidade do vento. O alvo biológico é local na planta onde o patógeno penetra. Por exemplo, na requeima da batata, o alvo são as folíolos mais novos e as hastes. No caso do mofo branco do feijoeiro, o alvo são as flores. Os ascósporos quando disseminados, atingem as flores iniciando o processo infeccioso (Azevedo, 2010)

Os programas de controle de doenças numa determinada cultura, devem priorizar sempre diversos patógenos e nunca especificamente um apenas. Devem visar as principais doenças que ocorrem naquela cultura e região e não podem ser generalizados. Isso, aparentemente, parece ser fácil de ser seguido como uma regra básica, mas não é. No dia a dia do campo, no aspecto prático encontramos alguns fatores que têm dificultado a amplitude biológica dos programas de controle. Vários deles poderiam ser citados; porém, dois fatores merecem uma análise mais detalhada: 1) a época de ocorrência diferente das doenças devido ao clima e estádio fenológico da cultura; 2) o espectro de ação do fungicida escolhido para o controle. Vamos dar como exemplo a cultura da batata. As duas doenças fúngicas mais importantes são a Requeima (Phytophthora infestans) e a Pinta Preta (Alternaria solani). A fase crítica para a ocorrência de Requeima, nos plantios de batata no sudoeste paulista (Itapetininga, Capão Bonito e Tatuí), no sul de Minas e na região produtora do Paraná (Lapa, Contenda e Campo Largo) vai dos 15 aos 55 dias após a germinação dos tubérculos (Azevedo, 2010).

A fase crítica da Pinta Preta começa, com algumas excessões, em torno dos 50 –60 dias após a germinação. No caso específico dessas duas doenças, os programas de controle devem incluir tanto a utilização de fungicidas protetores e de fungicidas sistêmicos. Isso porque não dispomos ainda de um fungicida sistêmico que controle
Requeima e Alternaria simultaneamente (Azevedo, 2010).

Na prática, é quase impossível, de se juntar ou de se encontrar num só composto todas essas características desejáveis. A escolha deve ser feita baseada no fungicida ou fungicidas que apresentar o maior número de benefícios para aquela situação de controle. Em resumo: quase sempre são escolhidos aqueles produtos de eficácia conhecida e comprovada, sem problemas ambientais e que economicamente satisfaçam as exigências do usuário (Azevedo, 2010).

Existem no controle de doenças de plantas apenas duas situações de uso de fungicidas. Os tratamentos que são realizados de forma preventiva, antes do aparecimento dos sintomas ou os tratamentos que são realizados de forma erradicativa / curativa. Dificilmente se consegue o êxito no controle efetivo de doenças num sistema unificado de produção utilizando apenas uns dos modelos aqui propostos (Azevedo, 2010).

3 CONCLUSÃO

A batata é uma das culturas oleráceas mais afetadas por agentes causadores de problemas fitossanitários. Portanto, a adequada utilização de meios variados de controle – e não apenas aqueles de natureza química – são de alta relevância nessa cultura (Filgueira, 2007).

A agricultura atual tem preconizado o manejo de doenças, através de programas multidisciplinares, que visam adotar conjuntamente diferentes estratégias de controle com o objetivo final de otimizar o controle, reduzir os custos de produção, diminuir o impacto ambiental, bem como, proporcionar melhorias na qualidade de vida de produtores e consumidores.

Dentro deste contexto, a utilização de fungicidas é uma ferramenta indispensável dentro de programas de manejo e sistemas de previsão da doença, que visem elevados índices de produtividade e qualidade de tubérculos.

Da mesma forma que o controle integrado de doenças, a experiência de várias culturas, têm mostrado que os melhores resultados são obtidos com a combinação dos vários modelos de programas existentes. Um aspecto porém tem chamado muita a atenção: a importância cada vez maior do conhecimento dos estádios fenológicos das plantas e dos estádios críticos de doenças. São sem dúvidas ferramentas muito
valiosas dentro da decisão dos programas de controle. Nos programas de controle a escolha adequada do grupo químico do fungicida é outro fator decisivo no sucesso do programa. Deve – se preferir sempre, aqueles grupos químicos que apresentam um largo espectro de ação.

A mais atrativa estratégia de manejo de doenças é a utilização de cultivares geneticamente resistentes, uma vez que o seu uso não exige nenhum custo adicional ao produtor, não causa nenhum tipo de impacto negativo ao ambiente, é perfeitamente compatível com outras alternativas de controle e é, muitas vezes, suficiente para o controle da doença (Embrapa, 2010).

4 LITERATURA

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