domingo, 24 de outubro de 2010

ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Fusarium sp.

Willany Rayany Formiga de Melo1 e Milton L. Paz Lima2
1Acadêmica do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental.
2Professor da disciplina de Microbiologia.
Fusarium sp. é um fungo pertencente ao domínio Eukaryota (Whittaker & Margulis, 1978), reino Fungi (Jahn, 1949 Ex R.T Moore, 1980), subreino Dikarya (Hibbett et al., 2007), filo Ascomycota (Bold, 1957 Ex T. Cavalier-Smith, 1998), subfilo Pezizomycotina (Eriksson & K. Winka, 1997), classe Sordariomicetos (Eriksson & K. Winka, 1997), subclasse Hypocreomycetidae (Eriksson & K. Winka, 1997), ordem dos Hypocreales (Engler & Prantl, Eds., 1897), família Nectriaceae (Tul. & C. Tul., 1844), gênero Fusarium (Zipcodezoo, 2010) , classificado e descrito pela primeira vez pelo micólogo alemão Link, em 1809 (Urben et al., 2009). Apresenta em torno de 775 espécies e subespécies (Zipcodezoo, 2010). É fungo cosmopolita, sendo encontrado no solo, ar, plantas e alimentos (Urben et al., 2010).

O Fusarium sp. apresenta espécies anamórficas (Snyder & Hanses, 1940-45) e teleomórficas (Snyder & Tosson, 1965). Alguns exemplos são o anamorfo espisphaeria do teleomorfo Nectria episphaeria, o anamorfo rigidiuscula do teleomorfo Calonectria rigidiuscula nos quais as formas anamórficas e teleomórficas possuem a mesma denominação taxonômica. (Urben et al.,2009).

Esse fungo possui sinonímias como o Fusisporium (Link, 1809), o Pseudomicrocera (Petch, 1921), o Pseudofusarium (Matsush, 1971), e muitos outros (Index Fungorum, 2010).

É um gênero grande de fungos amplamente distribuídos no solo e em associação com plantas. A maioria das espécies são sapróbios inofensivos, absorvendo substâncias orgânicas provenientes de matéria orgânica em decomposição. Abundantes no solo, algumas espécies produzem micotoxinas em cereais que se entrarem na cadeia alimentar podem afetar a saúde humana e animal. As principais toxinas produzidas por Fusarium são fumonisinas e tricotecenos. (Zipcodezoo, 2010).

O gênero inclui uma série de espécies patógenas de vegetais com importância econômica. (Zipcodezoo, 2010). Alguns exemplos são a murcha-de-fusarium ou fusariose, na qual o agente causal é o Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum que se hospeda no algodão (Gossypium malvaceae) causando redução no crescimento e desenvolvimento da planta, murcha de folhas e ramos e perda de folhas e de novas brotações. O podridão-do-pé ou podridão-das-raízes é causada pelo Fusarium solani resultando rachaduras longitudinais, escurecimento dos tecidos e anelamento parcial ou total do talo das plantas de maracujá (Passiflora sp.) especificamente. A giberela ou fusariose ocorre no trigo (Triticum spp.) apresentando sintomas como espiguetas despigmentadas, grãos pequenos, danificados e chochos sendo causada pelo Fusarium graminearum. No tomate (Solanum lycopersicum) , o Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici causa murcha nas folhas, redução do desenvolvimento dos frutos e morte prematura das plantas, sendo uma das doenças mais importantes do tomateiro (Urben et. al., 2009).

Na cevada, ocorre a infecção por ação do Fusarium graminearum. Isto gera um grande impacto econômico para as indústrias de cerveja de malte e cevada, bem como alimentos para animais. A contaminação de Fusarium na cevada pode resultar em giberela (fusariose) e contaminações extremas, a cevada pode aparecer rosa. O genoma deste patógeno de trigo e milho foi seqüenciado. Fusarium graminearum também pode causar apodrecimento das raízes e queima das mudas. As perdas totais nos os EUA de cevada e trigo, culturas, entre 1991 e 1996 foram estimadas em US $ 3 bilhões. (Zipcodezoo, 2010).

Algumas espécies podem causar uma série de infecções oportunistas em seres humanos. Nos seres humanos com sistema imunológico normal, infecções de Fusarium podem ocorrer nas unhas (onicomicose) e na córnea (ceratite micótica ou keratomycosis). Em humanos cujo sistema imunológico está enfraquecido de um modo particular (neutropenia, ou seja, contagem muito baixa do tipo de glóbulos brancos chamados neutrófilos), as infecções de Fusarium podem penetrar no corpo inteiro e na corrente sanguínea (infecções disseminadas) podendo ser causado por membros do complexo Fusarium solani, Fusarium oxysporum, Fusarium verticillioides, Fusarium proliferatum e raramente outras espécies de Fusarium. (Zipcodezoo, 2010). Fusarium venenatum é produzido industrialmente para uso como alimento humano por Marlow Foods Ltd., e é comercializado sob o nome de Quorn na Europa e América do Norte. (Zipcodezoo, 2010).

Vítimas em massa ocorreram na União Soviética nos anos 1930 e 1940, quando a farinha de trigo destinada a confecção de pães foi contaminada com Fusarium que foi cozido no pão, causando aleukia tóxica alimentar com uma taxa de mortalidade de 60%. Os sintomas começaram com dor abdominal, diarréia, vômito e prostração. Dentro de dias febre, calafrios, mialgia e depressão da medula óssea, com granulocitopenia e sepse secundária. Outros sintomas incluindo ulceração da faringe ou laringe e sangramento difuso na pele (petéquias e equimoses), melena, diarréia sanguinolenta, hematúria, hematêmese, epistaxe, sangramento vaginal, pancitopenia e ulceração gastrointestinal. Contaminação por ação do Fusarium sporotrichoides foi encontrada em grãos afetados em 1932, estimulando a investigação para fins medicinais e para uso em guerra biológica. O ingrediente ativo foi encontrado para ser micotoxinas T-2 tricotecenos, e foi produzido em quantidade e em armamento antes da aprovação da Convenção sobre Armas Biológicas, em 1972. Os soviéticos foram acusados de usar o agente, chamado de "chuva amarela", para causar 6300 mortes em Laos, Camboja e Afeganistão, entre 1975 e 1981. (Zipcodezoo, 2010).

Houve um surto de Fusarium oxysporum onde as plantações de coca no Peru foram afetadas, e outras culturas plantadas na área também, então os Estados Unidos propuseram a utilização do agente como um micoherbicida na erradicação das drogas. Em 2000, foi aprovada uma proposta para usar o agente como parte do Plano Colômbia. Em resposta às preocupações que o uso do fungo poderia ser entendido como uma guerra biológica, a Administração Clinton "dispensou" esse uso para o Fusarium. A lei posterior aprovada em 2006 ordenou o teste de agentes micoherbicidas - ou Fusarium oxysporum ou Papaveracea Pleospora - em campos no território dos EUA. Uso de Fusarium oxysporum para estes testes tem levantado preocupações porque a coca resistente a partir do foco anterior tenha sido amplamente cultivada, e o fungo implicou no nascimento de 31 crianças anencéfalas no Texas, em 1991 e a perda de palmeiras em Los Angeles. (Zipcodezoo, 2010).

O Fusarium carece de muita umidade para crescer, ocasionalmente encontrado em uma variedade ampla de substratos. Seu crescimento corresponde: Aw = 0,86-0,91 (mínimo para várias espécies). (Zipcodezoo, 2010)

Cresce bem em meios de cultura. A esporulação em muitas espécies exige medidas especializada. As colônias apresentam tons de rosa para laranja ao roxo. As cores são devido à presença de pigmentos solúveis (observada a partir do reverso) e de pigmentos miceliais. (Zipcodezoo, 2010).
Macroconídios são distintos e muitas vezes são facilmente identificáveis em elevadores de fita. No entanto, microconídios de Fusarium (por vezes referido como uma fase acremonial) pode ser confundido com Acremonium. (Emlab, 2010)

MATERIAIS E MÉTODOS: Os propágulos do fungo foram coletados de grãos de milho (Zea mays) que foram colocadas em uma caixa do tipo Gerbox com papel filtro e água destilada para o desenvolvimento das côlonias fúngicas, no laboratório de microbiologia do Instituto Federal Goiano Campus Urutaí.

Por meio de pescagem direta, uma amostra de uma entre as várias colônias fúngicas de cor amarelada foi retirada com o auxílio de uma pinça, esterilizada e flambada. Após a coleta, o material foi depositado em uma lâmina esterilizada e flambada na qual havia uma gota de fixador a base de azul de metileno (ácido acético, ácido lático, glicerina e álcool), onde foi macerado e encoberto com uma lamínula esterilizada e flambada. Após secar o excesso do fixador das bordas com papel toalha e vedá-la com esmalte incolor, a lâmina esteve pronta para visualização no microscópio estereoscópico.

Depois de observadas as estruturas fúngicas e constatada o seu espécimen, foram tiradas fotos com o auxílio de uma câmera digital. As fotos foram editadas com o Windows Live Galeria de Fotos e a prancha confeccionada no Microsoft Office Power Point 2007.
Figura 1. Aspéctos morfológicos de Fusarium sp. A. Conídio navicular amerosseptado B. Agregamento de conidióforo ou esporodóquio C. Clamidósporo.
DESCRIÇÃO MICOLÓGICA: O Fusarium sp. apresenta micélio aéreo filamentoso (Figura 1A), denso e cotonoso, formado de hifas ramificadas, septadas. Macro e microconídios e estruturas assexuadas de resistências: clamidósporos (Figura 1C) estes podendo ser terminais, intercalados, isolados ou em cadeia. Os conídios fusiformes são produzidos em esporodóquios (Figura 1B). As características culturais, pigmentação em diversos meios de cultura, produção de toxinas e virulência do patógeno são importantes critérios de identificação deste gênero. Mutações no gênero Fusarium são muito freqüentes em condições naturais e artificiais, por esta razão as características do tipo de esporodóquio são perdidas em tais condições, ou seja, nos processos de mutações. O Fusarium corresponde as formas perfeitas dos gêneros de Ascomicetos Nectria, Calomectria, Giberella, etc (Urben et al., 2009).

LITERATURA CITADA:
EMLAB Disponível em . Acessado 22/10/2010.
INDEX FUNGORUM Disponível em: . Acessado em 24/10/2010.
MENDES, M. A. S.; URBEN, A. F.; Fungos relatados em plantas no Brasil, Laboratório de Quarentena Vegetal. Brasília, DF: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Disponível em: . Acesso em 22/10/2010.
URBEN, A. F. et al.; Curso de Taxonomia de Fusarium, Brasília, DF: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 2009.
ZIPCODEZOO disponível em . Acessado em 22/10/2010.

11 comentários:

  1. Sou Caullius da turma de tecnologo em gestão Ambiental.
    Esta faltando saber em qual camera foi tiradas as fotos.

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  2. João Marcos TGA
    Algumas citações. Não esta no formato adequado por não mostrar de forma clara o local acessado da realização da pesquisa

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  3. faltou voçe colocar sp para complementar o nome do seu genero.
    Prancha com pouca visuabilidade.

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  4. Bruna curso Tecnologo em Gestão Ambiental
    O tamanho da prancha está irregular.

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  5. Guilherme Araujo TGA.
    O nome do aluno e do professor ficou junto a introdução.

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  6. Diego Araújo TGA.
    Há uma desorganização na introduçao do trabalho, causando um pouco de confusão ao leitor.

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  7. Sou Sabrina Pasetto academica do curos de Tecnologia em Gestão Ambiental, na prancha de foto há pouca vizibilidade e na legenda da foto pouco explicativa.

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  8. Colocar sp para complemetar o genero, faltou em alguns casos.

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  9. Sou Tatiane do curso de TGA, faltou espaço para cada paragrafo.

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  10. Charles P de Sousa: muito bom só precisa melhorar a prancha de fotos.

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  11. Taísa Mamedes-TGA 2° periodo,sua prancha ficou muito pequena.

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