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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Resultado de Aula prática de corte perineal de Meloidogyne sp.


terça-feira, 26 de junho de 2012

Seminário em Microbiologia Agrícola - Carlos Alessandro de Freitas - LAND-USE SYSTEMS AFFECT ARCHAEAL COMMUNITY STRUCTURE AND FUNCTIONAL DIVERSITY IN WESTERN AMAZON SOILS

LAND-USE SYSTEMS AFFECT ARCHAEAL COMMUNITY STRUCTURE AND FUNCTIONAL DIVERSITY IN WESTERN AMAZON SOILS

Acácio Aparecido Navarrete(2), Rodrigo Gouvêa Taketani(3), Lucas William Mendes(4), Fabiana de Souza Cannavan(2), Fatima Maria de Souza Moreira(5) & Siu Mui Tsai(6)


Part of the Master’s Thesis of the first author for the Applied Ecology Program of the University of Sao Paulo (USP). Work
supported by grants from FAPESP, CNPq and GEF/UNEP. Received for publication in December 15, 2010 and approved in
June 27, 2011.
(2) Master’s Degree, Graduate Program in Applied Ecology of the Luiz de Queiroz College of Agriculture – ESALQ. University of Sao Paulo – USP. E- mails: navarrete@cena.usp.br; cannavan@cena.usp.br
(3) Pos-Doctor, Cell and Molecular Biology Laboratory, CENA-USP. E-mail: rgtaketani@yahoo.com.br
(4) Master’s Degree, Graduate Program in Science of the Centre for Nuclear Energy in Agriculture – CENA. University of Sao Paulo – USP. E- mail: lwmendes@cena.usp.br
(5) Associate Professor of Soil Microbiology and Biochemistry, Soil Science Department, Federal University of Lavras – UFLA. CEP 37200-000, Lavras (MG). E-mail: fmoreira@dcs.ufla.br
(6) Full Professor at Cell and Molecular Biology Laboratory, CENA. University of Sao Paulo – USP. Av. Centenário 303, CEP 13400-970 Piracicaba (SP) Brazil. E-mail: tsai@cena.usp.br


The study of the ecology of soil microbial communities at relevant spatial scales is primordial in the wide Amazon region due to the current land use changes. In this study, the diversity of the Archaea domain (community structure) and ammonia-oxidizing Archaea (richness and community composition) were investigated using molecular biology-based techniques in different land-use systems in western Amazonia, Brazil. Soil samples were collected in two periods with high precipitation (March 2008 and January 2009) from Inceptisols under primary tropical rainforest, secondary forest (5–20 year old), agricultural systems of indigenous people and cattle pasture. Denaturing gradient gel electrophoresis of polymerase chain reaction-amplified DNA (PCR-DGGE) using the 16S rRNA gene as a biomarker showed that archaeal community structures in crops and pasture soils are different from those in primary forest soil, which is more similar to the community structure in secondary forest soil. Sequence analysis of excised DGGE bands indicated the presence of crenarchaeal and euryarchaeal organisms. Based on clone library analysis of the gene coding the subunit of the enzyme ammonia monooxygenase (amoA) of Archaea (306 sequences), the Shannon-Wiener function and Simpson’s index showed a greater ammonia-oxidizing archaeal diversity in primary forest soils (H’ = 2.1486; D = 0.1366), followed by a lower diversity in soils under pasture (H’ = 1.9629; D = 0.1715), crops (H’ = 1.4613; D = 0.3309) and secondary forest (H’ = 0.8633; D = 0.5405). All cloned inserts were similar to the Crenarchaeota amoA gene clones (identity ≥ 95 %) previously found in soils and sediments and distributed primarily in three major phylogenetic clusters. The findings indicate that agricultural systems of indigenous people and cattle pasture affect the archaeal community structure and diversity of ammonia-oxidizing Archaea in western Amazon soils. 

Index terms: soil microbial ecology; soil microbiology; microbial diversity; land use changes; tropical soils.

Revista Brasileira de Ciência do Solo, 35:1527-1540, 2011.

Seminário em Microbiologia Agrícola - ALINE SUELEN DA SILVA - LIGNIN DEGRADATION, LIGNINOLYTIC ENZYMES ACTIVITIES AND EXOPOLYSACCHARIDE PRODUCTION BY GRIFOLA FRONDOSA STRAINS CULTIVATED ON OAK SAWDUST (1-2012)

LIGNIN DEGRADATION, LIGNINOLYTIC ENZYMES ACTIVITIES AND EXOPOLYSACCHARIDE PRODUCTION BY GRIFOLA FRONDOSA STRAINS CULTIVATED ON OAK SAWDUST

Nona A. Mikiashvili; Omoanghe S. Isikhuemhen*; Elijah I. Ohimain

Mushroom Biology & Fungal Biotechnology Laboratory, School of Agriculture and Environmental Sciences, North Carolina A&T State University, Greensboro, NC 2741, USA.

ABSTRACT
Fourteen strains of Grifola frondosa (Dicks.) S. F. Gray, originating from different regions (Asia, Europe
and North America) were tested for lignin degradation, ligninolytic enzyme activities, protein accumulation
and exopolysaccharide production during 55 days of cultivation on oak sawdust. Lignin degradation varied
from 2.6 to7.1 % of dry weight of the oak sawdust substrate among tested strains. The loss of dry matter in
all screened fungi varied between 11.7 and 33.0%, and the amount of crude protein in the dry substrate
varied between 0.94 to 2.55%. The strain, MBFBL 596, had the highest laccase activity (703.3 U/l), and the
maximum peroxidase activity of 22.6 U/l was shown by the strain MBFBL 684. Several tested strains
(MBFBL 21, 638

Key words: Grifola frondosa; exopolysaccharide; laccase; lignin degradation; peroxidase

Brazilian Journal of Microbiology (2011) 42: 1101-1108


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Boletim Técnico: Mancha foliar de língua de vaca (Rumex obtusifolius L.) de agente causal desconhecido

Aldemir Souza Oliveira
Acadêmico do curso de Agronomia



INTRODUÇÃO

   A planta Rumex obtusifolius L. mais conhecida como língua-de-vaca, labaça e outros nomes populares, possui sinonímias de Rumex erispatulus Michx. R. obtusifolius subsp. agrestis (Fr.) Danser e R. obtusifolius var. agrestis Fr., pertencente ao reino Plantae, filo Magnoliophyta, classe Magnoliopside, ordem Caryophyllales, família Polygonaceae do tipo subespontânea  e gênero Rumex sp. é uma planta perene, ereta, não ramificada, com grossa e profunda raiz pivotante, glabra, com até 1,20 m de altura (NATURDATA, 2011 e FLORASBS, 2011 ).
Possui dispersão zoocórica é teu habitat e o Cerrado e Mata Atlântica, na Floresta Ombrófila Mista distribuída geograficamente no Nordeste (Bahia), Centro-Oeste (Distrito Federal), Sudeste (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro) e Sul (Paraná).
   É uma planta daninha muito freqüente na região Sul do Brasil, onde é encontrada infestando pastagens, beira de estradas, solos cultivados, pomares e terrenos baldios.
   Tem sua propagação através de sementes ou por divisão da raiz pivotante. As sementes alcançam até 21 anos de longevidade no solo, ocorrendo ainda assim um percentual de 83% de germinação (FLORASBS, 2011).
   Esta invasora muito comum na região Sul do país, onde infesta pastagens, beira de estradas, culturas anuais, pomares e terrenos baldios pode produzir 60 mil sementes em uma planta com elevado grau de germinação pós-maturação. Entretanto aquelas que ficam enterradas profundamente podem permanecer dormentes por anos (AGROLINK, 2011).
   O gênero Rumex sp. é uma palavra latina antiga que significa “lança”, recorrendo a forma das folhas e R. obtusifolius "Obtusi 'latin," sem corte "e" folium', 'folha' para a forma (ROBERTSON, 2008; PLANTAS MEDICIANAIS & FITOTERAPIA, 2010).
   A planta Rumex sp. é um gênero de cerca de 200 espécies de ervas anuais, bienais e perenes. Inclui espécies medicinais como Rumex crispus, R. occdentalis, R. venosus, R. obtusifolius, e R. sangineus. Normalmente é utilizada contra acne, anemia, câncer, constipação, convalescença, desintoxicação por metais pesados, doenças venéreas, eczema, enfisema, estafilococo, glândulas inchadas, icterícia, laringite, lombrigas, psoríase, sarna e urticárias, tendo suas propriedades medicinais adstringente, antibacteriano, colagogo, diurético, febrífugo, laxante, purgante e tônico de sangue (PLANTAS MEDICIANAIS & FITOTERAPIA, 2010).
   O Rumex é utilizado na medicina popular para melhorar a função dos rins, fígado, glândulas linfáticas e intestino, ao mesmo tempo que ajuda no processo de limpeza natural do corpo. Foi usado para ajudar o corpo a eliminar poluentes, inclusive metais pesados como o arsênico.     Ajuda a eliminar o excesso de ferro armazenado no fígado, em quanto o deixa mais disponível para o resto corpo. O Rumex é constituído de glicosídeos de antraquinona, taninos, resinas, oxalatos e ferro. Suas folhas possuem altas concentrações de oxalato, que podem prejudicar a absorção de cálcio e potencialmente agravar pedras no rim se usadas com excesso (PLANTAS MEDICIANAIS & FITOTERAPIA, 2010).
   De acordo com Robertson (2008) ainda não relataram incidentes em humanos, mas essa e outras espécies de Rumex sp. têm sido associados com intoxicação em ovinos e bovinos.
O componente tóxico é oxalatos de cálcio, estes cristais em forma de agulha pode irritar a pele, boca, língua e garganta, resultando em inchaço da garganta, dificuldades respiratórias, dor, ardor e dor de estômago.
   Oxalatos em plantas preferencialmente se ligam ao cálcio no organismo. Ingestão regular em pequenas quantidades pode levar a deficiência de cálcio e para a acumulação de pedras nos rins se o oxalato de cálcio formado não é excretado.

MATERIAIS E MÉTODOS

   O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Microbiologia onde ocorreram as seguintes etapas: Primeiramente foi feita uma assepsia do material das amostras de folhas sintomáticas, que foi coletado no campo pelo método da tríplice lavagem, que consiste em mergulhar por 3 minutos com álcool [70 %], depois por mais 3 min. com hipoclorito de sódio [3 %] e depois lavagem seriada com água destilada (3X). Posteriormente uma lamina feita com fixador e fita durex foi confeccionada, depois as folhas doentes foram levadas em um microscópio estereoscópio (lupa), com um auxilio de uma lamina de barbear foi cortado tiras bem finas entre a folha sadia e as lesões causadas pelo patógeno e feita outra lâmina com corte histológico.  As lâminas também foram feitas pelo método da raspagem do tecido lesionado, as estruturas foram coletada com um auxilio de uma pinça e colocadas uma gota de corante para posteriormente fechá-las com uma lamínula. Depois desta etapa, a lâmina foi levada ao microscópio óptico para identificação etiológica.
   Fragmentos das folhas sadias foram levados para a câmara de fluxo laminar para depósito em meio de cultura ágar agua. Após incubação por 48 horas fragmentos de micélio foram repicados para uma placa de Petri contendo meio de cultura batata-dextrose-ágar (BDA). E ainda uma fração da amostras foi levada para o microscópio estereoscópico (lupa) para confecção de lâminas e realização de microfotografias, sendo a mesma da marca Canon®.
   A caracterização morfométrica e morfológica dos conídios, conidióforos e células conidiogênicas foi realizado para ajudar na identificação do patógeno.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Hospedeiro/cultura: Língua-de-vaca (Rumex obtusifolius L.)       
Família Botânica: Polygonaceae
Doença: Mancha foliar
Agente Causal (anamorfo): Desconhecido
Local de Coleta: Bento Gonçalves, RS
Data de Coleta: Agosto de 2011

Taxonomia: Pertence ao reino Fungi, grupo fungos mitospóricos, sub-grupo hifomicetos, (INDEX FUNGORUM, 2011) e no isolamento do fungo em placa de Petri, não foi encontrado fase teleomórfica.

Sintomatologia: O sintoma observado é holonecrótico do tipo mancha foliar em língua de vaca (Figura 1A). As lesões apresentam-se distribuídas uniformemente no limbo foliar, possuem formato esférico elíptico, e não cobrem toda a superfície foliar (Figura 1B). Na área onde distribui-se as lesões necróticas observou-se um amarelecimento generalizado.
Não observou-se abscisão foliar e sim um crestamento envolvendo uma aplicação do tecido doente contendo lesões necróticas e áreas cloróticas.
A lesão apresenta um centro pálio com circunferência marrom e halo arroxeado, apresentando diâmetro de 2 – (6) – 12 mm de diâmetro (Figura 1B).
Os sinais observados são distribuídos em circunferência, branco-hialinos, pulverulentos e observados com freqüência na face abaxial em órgãos mais maduros.

Etiologia (Sinais): O patógeno identificado apresentou micélio hialino, septado pouco abundante.
Os conidióforos são hialinos, alongados, septados e algumas vezes agrupados, possuem proliferação simpodial, o conidióforo cresce em direção ao ápice sendo denominado de acroáuxico, macronematoso, o arranjo é mononematoso ou esporodoquial. A conidiogênese é blástica do tipo esteroblástica do tipo tretica. As dimensões encontradas dos conidióforos foram comprimento 82–(89)–105 x 5-(6)-8µm (Figura 1H).
As células conidiogênicas possuem proliferação simpodial e integrada ao conidióforo, possuindo dimensões de 55–(32)-95 x 5–(7)–8µm (Figura 1I).
O conídio hialino de superfície lisa e parede espessa, formato obovóide a cilíndrico, amero septado, raramente didimoseptado, possui cicatriz de secessão e não é produzido em cadeia. O conídio possui secessão do tipo esquizolítica e tem dimensões de 2,5–(3,5)–4 x 0,75–(1,03)–1,25 µm de largura (Figura 1E).
Figura 1. Mancha foliar incidente em folhas de Língua-de-vaca (Rumex obtusifolius), A. grau de severidade na parte adaxial (bar= 2,5cm), B. incidência do patógeno na planta hospedeira em habitat natural, (bar= 3,5cm), C. lesão causada pelo patógeno, (bar= 1,8mm), D. presença do hilo, (bar= 11,6µm), E. Conídio hialino, e1.  ameroseptado, e2. septado, (bar= 11,6µm), F. variação na forma do conídio, (bar= 11,6µm), G. Cicatriz no conidióforo da produção de um conídio, (bar= 30µm), H. produção de conidióforos agrupados, (bar= 30µm), I. célula conidiogênica, (bar= 5,8µm).

Epidemiologia: As condições em que se encontraram plantas de língua-de-vaca, distribuídas aleatoriamente no campo eram de chuvas periódicas, clima mesotérmico, com variação de 12 a 25° (dia/noite). Em todas a plantas notadas no campo observou-se o sintoma de manha foliar com halos arroxeados. Fazendo-se uma análise visual, a área estimada do tecido lesionado das amostra coletadas em campo variou de 3 a 25% de severidade.
No início achava-se que o patógeno era Asteroma sp. e de acordo com Farr & Rossman (2011) chegamos a conclusão que em seu banco de dados existe sete registros de Asteroma sp. infectando sete espécies de hospedeiros, sendo elas: Cordia toquete na Venezuela (URTIAGA, 2004); Cousinia hamadae no Uzbequiatao (GAPONENKO, N.I. 1965); Dryas octopetala na Suiça (FISHER et al. 1995); Jatropha curcas na Venezuela (URTIAGA R., 2004); Phytolacca sp. nos EUA (ANONYMOUS, 1960) e Senecio integerrimus nos EUA (SHAW, 1973).

Controle: De acordo com o Agrofit (2011), não existe nenhum registro de molécula química (fungicidas) para controle deste patógeno. Como se trata de uma planta infestante a incidência deste patógeno é encarada como benéfica de acordo com o nosso ponto de vista, pois ele em condições de campo age como um bioherbicida.

LITERATURA CITADA

AGROLINK. Disponível em: < http://www.agrolink.com.br/agricultura/problemas/busca/ lingua-de-vaca_348.html>. Acessado em Novembro de 2011.
ANONYMOUS 1960. Index of Plant Diseases in the United States. U.S.D.A. Agric. Handb. 165: 1-531.
FARR & ROSMAN, SBML Systematic Botany of Mycological Resources. Disponível em: . Acesso em: novembro de 2011.
FARR, D.F., & ROSSMAN, A.Y. Fungal Databases, Systematic Mycology and Microbiology Laboratory, ARS, USDA. 2011. Disponível em: http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/, acessado em setembro de 2011.
FISHER, P.J., GRAF, F., PETRINI, L.E., SUTTON, B.C., AND WOOKEY, P.A. 1995. Fungal endophytes of Dryas octopetala from a high arctic polar semidesert and from the Swiss Alps. Mycologia 87: 319-323.
FLORASBS. Disponível em: . Acessado em Novembro de 2011.
GAPONENKO, N.I. Survey of the Fungi of Bukhara. Akad. Sa. Uzbekh., 113 pages. 1965.
INDEX FUNGORUM. Disponível em: . Acessado em Novembro de 2011.
NATURDATA Biodiversidade online. Disponível em: < http://naturdata.com/Rumex-obtusifolius-20701.htm>. Acessado em Novembro de 2011.
PLANTAS MEDICIANAIS & FITOTERAPIA, 2010. Disponível em: < http://www. plantasmedicinaisefitoterapia.com/plantas-medicinais-rumex.html>. Acessado em Novembro de 2011.
ROBERTSON, J. All material © Site built and owned by Robbo Services Ltd, 2008-11. Disponível em :. Acessado em Novembro de 2011.
SHAW, C.G. 1973. Host fungus index for the Pacific Northwest - I. Hosts. Washington State Univ. Agric. Exp. Sta. Bull. 765: 1-121.
URTIAGA, R. 2004. [Host index of plant diseases and disorders from Venezuela - Addendum]. Unknown journal or publisher : 268.

Boletim Técnico: Mancha foliar em Trevo branco [Trifolium repens L.] causado por Cymadothea trifolli (Pers.) F. A. Wolf

Patrícia Vaz
Acadêmica do curso de Agronomia


1.    INTRODUÇÃO
 O trevo branco (Trifolium repens L.) é uma das plantas silvestres mais conhecidas em lameiros, terrenos cultivados, margens dos rios e caminhos, frequentemente formando tapetes densos. Em muitas situações é considerada uma planta invasora causando alguns problemas de difícil solução, principalmente quando aparece junto com as relvas dos jardins. Em contrapartida, há regiões onde esta espécie e outras semelhantes, são cultivadas extensivamente e usadas para alimentar o gado. Sob certas condições fixa certos nutrientes ao solo pelo que muitas vezes é cultivada e enterrada, antes da floração, servindo como adubo (PLANTAS E FLORES DO AREAL, 2011).
   O trevo branco pertence às Fabaceae, uma das maiores famílias botânica também conhecida por Leguminosae e que compreende cerca de 20.000 espécies divididas em mais de 700 gêneros. O gênero Trifolium possui mais de duzentas espécies diferentes de plantas similares que são vulgarmente conhecidas como trevos. Embora existam algumas destas espécies que apresentam 4, 5 e até mais de 20 folhas, as mais conhecidas nas nossas regiões temperadas são as que apresentam apenas três folhas (PLANTAS E FLORES DO AREAL, 2011).
    Foi encontrada apenas uma espécie pertencentes ao gênero Cymadothea trifolii (Pers) F. A. na natureza ao qual possui o posicionamento taxonômico da seguinte forma: reino Fungi, divisão Ascomycota, classe Dothideomycetes, subclasse Dothideomycetidae, ordem Capnodiales e família Mycosphaerellaceae (ÍNDEX FUNGORUM, 2011).
    O fungo C. trifolii (Pers) F.A. tem várias hospedeiras pelo mundo como: Trifolium alpestre na Polônia (MULENKO et al., 2008), Trifolium cyathiferum em Washington (SHAW, 1973), Trifolium fendleri em Novo México (ANONYMOUS, 1960) e Nevada (ANONYMOUS, 1960), Trifolium hybridum em Minnesota ( RENFRO e  WILCOXSON, 1960), estados do Nordeste (KILPATRICK, 1956), Nova York (KILPATRICK, 1956), Oregon (SHAW, 1973), Faixa de host (ANONYMOUS, 1960) e Washington (SHAW, 1973), Trifolium incarnatum nos países do Oriente (ANONYMOUS, 1960) em Georgia (HANLIN, 1963), Louisiana (ANONYMOUS, 1960) e entre outros países.
   Em um estudo observou-se que mancha fuliginosa era "a doença mais freqüentemente presemte" em locais de amostragem em Inglaterra e País de Gales, com número de folhas danificadas que vão 4-21% (Lewis & Thomas 1991). Cymadothea trifolii é comum em espécies  Trifolium (Fabaceae), mas também foi relatado em alfafa (Medicago sativa) (PUSCHNER, 2005).
   Embora o fungo não seja considerado um patógeno agrícola sério, tem um impacto significativo nas plantações de trevo utilizadas para a nutrição animal, e é freqüentemente encontrado em local natural (SIMON et al., 2009).
   Apesar de a morfologia de C. trifolii ter sido devidamente documentado (WOLF, 1938), nenhuma evidência molecular está atualmente disponível para esclarecer sua taxonomia por ser um parasita obrigatório (SIMON et al., 2009).
   Infectando trevo branco têm-se vários patógenos causadores de doenças registrados, como: Absidia sp. em New Hampshire (KILPATRICK, 1959), Aphanomyces euteiches em  New Zealand (PENNYCOOK, 1989), Ascochyta trifolii em Scotland (FOISTER,  1961), Aspergillus flavus em New Hampshire (KILPATRICK, 1959), Colletotrichum sp. no Brazil ( MENDES, et al, 1998), Cymadothea trifolii em Alaska (CASH,  1953), Gibberella avenacea em New Zealand (PENNYCOOK, 1989)  e  Phomopsis sp. em Nova Zelandia (PENNYCOOK, 1989).
O objetivo do trabalho é identificar, descrever e apontar a sintomatologia, etiologia, epidemiologia e o controle de Cymadothea trifolii incidente nas folhas de trevo branco.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

   O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do IFGoiano- Campus Urutaí-GO, e o material coletado para descrição  da doença foi em Bento Gonçalves/ RS no dia 18 de agosto de 2011.        
   Para o preparo de lâminas semi-permanentes foi utilizado o método de “pescagem direta” onde coletou-se os esporos e os depositou sobre uma lâmina com uma gota do fixador cotton-blue, constituído por 2,6 mL de ácido acético, 62,5 mL de ácido lático, 100 mL de glicerina, 100 mL de água destilada. Em seguida colocou-se uma lamínula sobre a lâmina, limpou-se o excesso do fixador com papel higiênico e vedou-se com esmalte.
   Para o preparo do corte histológico foi utilizado gilete e parte do tecido com presença de estruturas do fungo e lesão. Os cortes foram realizados com auxílio do microscópio estereoscópico e colocados em uma lâmina contendo fixador, cotton-blue, e vedados com esmalte.
   Todas as lâminas foram analisadas no microscópio óptico com objetivo de visualizar estruturas do fungo e suas fases de desenvolvimento. As microfotografias foram feitas com câmera digital Canon® modelo Power Shot A580. As fotografias foram agrupadas utilizando o programa da Microsoft Office denominado de Power Point 2007.

3.RESULTADOS E DISCUSSÃO

Hospedeiro/cultura: Trevo branco (Trifolium repens L)
Família Botânica: Fabaceae
Doença: Fuligem ou mancha preta do trevo.
Agente Causal: Cymadothea trifolii (Pers) F. A.
Local de Coleta: Bento Gonçalves/RS.
Data de coleta: 18/08/2011.
Taxonomia: Pertence ao reino Fungi, divisão Ascomycota, classe Dothideomycetes, subclasse Dothideomycetidae, ordem Capnodiales e família Mycosphaerellaceae, sua fase anamórfica é conhecida como Cymadothea Kunze Kunze & Schmidt (INDEX FUNGORUM, 2011).


Sintomatologia: Nas folhas jovens e maduras, surgem pequenos aglomerados  aveludadas  pretas espalhadas pela folha da planta parasitada (DOMINGUEZ, 2011).
O primeiro sintoma ocorre em superfícies inferiores da folha com pontos minúsculos de cor verde-oliva. Ampliando os pontos, tornam-se mais espessa e mais escura, e, eventualmente, se assemelham a uma almofada aveludada, de cor preta elevado. No outono, as almofadas são substituídas por outras áreas pretas que têm uma superfície brilhante. Manchas cloróticas que se tornam necróticas aparecem na superfície superior da folha em frente à almofada. Doença grave faz com que a folha inteira fique marrom, causa a desfolha e morte (NYVALL, 1991).
     O fungo C. trifolii diferencialmente, dissolve o anfitrião  da  parede celular na área de contato: elementos esqueléticos (celulose e xiloglucanos) são deixados intactos, enquanto a matriz de pectina fica degradado (SIMON et al. 2005b). Assim, o patógeno presumivelmente aumenta o tamanho dos poros da célula da parede celular da  hospedeira sem romper totalmente a integridade da célula atacada (SIMON et al, 2009).
O plasmalema da planta, em frente ao aparelho de interação, invagina para produzir uma bolha no hospedeiro. O aparelho interação e bolha de acolhimento são apoplástica e são ligados por um tubo com uma bainha de elétron denso que pode canalizar os nutrientes do hospedeiro ao patógeno. Dentro do tubo, as paredes das células do hospedeiro e parasita aparecem alteradas. O aparelho interação e bolha de acolhimento poderá ser análogo ou haustório em outros fungos biotrófico obrigatório (SIMON et al , 2004).


Etiologia (Sinais): O fungo apresenta colônias puntiformes ou efusas de coloração marrom oliváceas. O micélio é imerso, o estroma  é pseudoparenquimatoso, marrom a escuro. As cetas e os hifopódios são ausentes.  Conidióforos macronematosos, mononematosos, cespitosas, não ramificados ou com várias ramificações ao redor de um ponto, acima pode apresentar uma curvatura ou muitas vezes um afinamento em um lado da curvatura, muitas vezes podem ser torcido, de coloração medianamente marrom palha, e apresenta superfície lisa. A célula conidiogênica poliblástica, terminal, integrada,  simpodial, cilíndrica, ondulada, cicatrizada, apresenta cicatrizes largas, plana, unilateral (ELLIS, 1971).
Apresenta colônias efusas ou puntiformes de coloração marrom oliváceas.  Micélio imerso. Estroma pseudoparenquimatoso, marrom a preto.  Pseudoparenquimatoso indistinta. Conidióforo em grupos, parte, não ramificados na curvatura superior, muitas vezes espessa no lado de distância da curvatura, ondulado, muitas vezes torcido, de coloração média a castanho claro, liso, até 100x 6-9µ.  Células conidiogênica  terminal, simpodial, ondular, cilíndrico, cicatrizada, com grandes cicatrizes unilaterais plana. Conídios macronematosos solitária, simples, cuneiformes ou piriforme, hialino a castanho claro, liso ou verrucoso, 1-septado, 17-24 µ de comprimento, 13-24 µ de espessura  na  parte mais larga, M 4-5µ na base. Em folhas de Trifolium a doença que causa mancha de fuligem foi encontrada nos países de Etiópia, Europa, Índia, Iraque, Israel, Jamaica, Quênia, Nova Zelândia, América do Norte, Paquistão (SCHMIDT, 1817).
O fungo C. trifolii foi descrito por (Pers.) F.A. Wolf 1935 e possui uma sinonímia sendo: Sphaeria trifolii Pers. 1801 (INDEX FUNGORUM, 2011). Segundo Farr & Rossman 2011, possui três sinonímias sendo: Plowrightia trifolii Kill. 1923, Mycosphaerella killianii Petr. 1941 e Dothidella trifolii Bayliss-Elliott & Stansfield 1924 (FARR & ROSSMAN, 2011).
Cymadothea trifolii, um patógeno biotrófico de folha, forma uma estrutura única dentro de suas próprias hifas, presumivelmente para a absorção de nutrientes de seu hospedeiro. Esta estrutura, chamada de um aparelho de interação, consiste de longas, finas, muitas vezes, rede, como cisternas rodeadas por uma membrana contínua, com a membrana plasmática fúngica.  Entrar na fase de conídios no estroma é estabelecido sob a epiderme inferior.  Células  no estroma produzem conídios e conidióforos de paredes espessas, que crescem simpodialmente. Ambos os conidióforos e conídios contêm uma estrutura que nós consideramos como uma organela nova com a função ainda desconhecida (SIMON et al, 2005).

Tabela 1. Características morfológicas e morfométricas dos isolados encontrados.








Figura 1. Fuligem preta (Cymadothea trifolii) no trevo branco (Trifolium repens L.) A. Trevo branco, B. Sintoma na parte inferior da planta, mancha foliar, C. Detalhes da lesão, mancha clorótica na superfície da folha, D. Conidióforos agrupados (bar= 1.83µ), D. célula conidiogênica poliblástica (bar= 1.6 µ), E. Conídios macronematosos (bar= 22.86 µ), G. Conídio (bar= 15 µ) e conidióforo (bar= 10 µ), H. Conídio com um septo (bar= 32.5 µ), I. Conidióforo não ramificado (bar= 65.62 µ).

Epidemiologia: O ascomiceto Cymadothea trifolii, um membro de Dothideomycetes, é único entre os fungos biotróficos obrigatórios e possui a capacidade para apenas degradar parcialmente a parede celular do hospedeiro e na formação de um aparelho de interação incrivelmente complexa (IA) em suas próprias hifas, enquanto a célula da planta é atacada, o anfitrião é acionado para produzir uma bolha membranosa em frente ao IA (SIMON et al., 2009). 
   Embora o fungo não seja considerado um patógeno sério agrícola, tem um impacto significativo nas plantações de trevo utilizadas para a nutrição animal, e é freqüentemente encontrado em locais natural. Em um estudo observou-se que a fuligem preta era "a doença mais freqüentemente gravado" em locais de amostragem em Inglaterra e País de Gales, com o número de folhas danificadas que vão 4-21% (LEWIS & THOMAS, 1991).   O fungo C. trifolii é comum em espécies de Trifolium (Fabaceae), mas tambémfoi relata do em alfafa (Medicago sativa) (PUSCHNER, 2005).    O patógeno entra na folha através dos estômatos e prolifera intercelularmente.  Nutrientes são assumidamente obtidas através de uma interação aparelho produzidas dentro do hospedeiro pelas hifas, em frente ao qual a célula hospedeira é acionada onde invaginam seu  plasmalema. Raras tentativas de “auto-parasitismo "também foram vistos.

Controle: Para controle químico não foi encontrado nenhum registro no Agrofit.
Para um controle cultural fazer monitoramento no local e arrancar as plantas que apresentarem os sinais da doença.
Por ser uma doença pouco conhecida não há registros de melhoramento genético para Trifolium repens.




LITERATURA CITADA
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sábado, 7 de janeiro de 2012

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