quinta-feira, 15 de abril de 2010

“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Puccinia canaliculata”

MARCO ANTÔNIO CABRAL




A tiririca conhecida popularmente tiririca, capim-dandá, junça-aromática, alhotiririca-comum, tiririca-vermelha, três-quinas, junca, capim-alho, alho-bravo. E denominada cientificamente como sendo Cyperus rotundus L., pertencem ao Reino Plantae, Filo Magnoliophyta, Classe Liliopsida, Ordem Cyperales, Família Cyperaceae. Possui como sinonímias para a espécie os seguintes: Cyperus tuberosus, Cyperus tetrastachyos, Cyperus stoloniferum pallidus, Cyperus purpureo-variegatus (Hawksworth et al., 1995).
Possui como características botânicas ser uma planta herbácea com porte entre 15 - 50 cm em nossas condições. A sub-espécie tuberosus pode chegar a 1 m. Pelo intenso desenvolvimento de cadeias de pseudo-tubérculos no solo formam clones de considerável tamanho. De cada bulbo basal forma-se, contudo, apenas um conjunto de folhas e uma haste floral, não sendo as plantas, por isso, cespitosas. A partir do bulbo basal inicia-se a formação de extenso sistema de rizomas que se desenvolve horizontalmente e que pode se aprofundar até 40 cm. Os rizomas em si não têm gemas, mas de espaço a espaço ocorre uma hipertrofia, semelhante a um tubérculo, na qual ocorrem gemas. As hipertrofias tem formato arredondado ou irregular, com até 25 mm de comprimento. Inicialmente são brancas e suculentas, tornando-se depois escuras ou negras, recobertas de escamas membranáceas que quando dessecadas deixam escaras. O sistema radicular é formado a partir de bulbos basais e das hipertrofias é muito extenso. As raízes são fibrosas e finas e aprofundam-se a mais de um metro. A base de cada planta é constituída de uma estrutura engrossada, chamada bulbo basal, da qual emergem as folhas e hastes florais. De cada clone (conjunto de hipertrofias e bulbos interligados por rizomas) emerge um grande número de manifestações aéreas, constituídas por folhas e hastes com inflorescência. Essas emergências podem ser bastante próximas, porém não dão à planta um aspecto cespitoso. Dos diversos clones existentes numa área ocorre um grande número de manifestações aéreas, sendo comum em áreas densamente infestadas, que ocorrem 2.000 a 4.000 emergências por metro quadrado (Hawksworth et al., 1995).
Os caules emergem isoladamente de cada bulbo basal. Sob secção formam trígonas com ângulos arrendondados, com até 5 mm de espessura, sendo que na parte basal, logo acima do bulbo e sob as bainhas a secção pode ser arredondada. Superfície lisa e glabra, verde ou verde-amarelada. As folhas são predominantemente basais, bainhas membranáceas, fechadas. Lígulas ausentes. Lâminas lineares, planas, sulcadas longitudinalmente, de comprimento em geral menor que o do caule, com 3 - 5 mm de largura, de ápice abruptamente agudo, margens escabrosas, coloração verde-escura, brilhante. Na parte apical do caule forma-se uma antela de eixos simples ou pouco ramificados. Os raios, em número de 3 - 9, têm comprimentos irregulares, geralmente não passando de 5 cm, sendo guarnecidos por prófilos. Na parte apical de cada raio há um conjunto de espiguetas lineares, de inserção oblíqua muito vistosas pela coloração purpúrea ou vermelho-acastanhada, típicas da espécie.. A inflorescência possui aspecto típico e coloração vermelho-acastanhada constituem valioso auxílio na identificação. Pode haver certa confusão com C. esculentum. As características a seguir são típicas de C. rotundus: hipertrofias formando cadeias com rizomas finos e fibrosos, sendo que a cadeia não aparece em plantas novas; hipertrofias com gosto amargo; a multiplicação quase só ocorre por hipertrofias; inflorescência com espiguetas avermelhadas ou vermelho-acastanhadas (Hawksworth et al., 1995).
O principal uso econômico é a regeneração de locais inóspitos onde nenhum vegetal se desenvolveu. Os tubérculos já foram muito usados na farmacopéia popular (Hawksworth et al., 1995).
As plantas de C. rotundus produzem compostos alelopáticos que afetam a germinação, a brotação e o desenvolvimento de outras espécies. Essas são formadas especialmente nos tubérculos e liberados mais intensamente durante a decomposição dos mesmos. Parcialmente são adsorvidas por colóides no solo e por isso o efeito alelopático é mais intenso em solos com baixa capacidade de adsorção. A espécie também pode ser hospedeira alternativa para fungos como Fusarium spp. E para diversas espécies de nematóides (Hawksworth et al., 1995).
Muito freqüente em hortas e jardins, em pomares e lavouras. Muitas culturas de importância econômica são afetadas, como milho, feijão, algodão e cana-de-açúcar. Certamente é na cana que mais se reflete, cerca de 1 milhão de hectares apresentam infestação por C. rotundus no Brasil. Os prejuízos decorrem da competição durante todo o ciclo, mas especialmente na fase inicial da cultura e nas reformas é que a invasora ocasiona maiores problemas.
A espécie é susceptível a diversos herbicidas, incluindo glifosato porém, se o controle químico for feito de forma isolada, o resultado é em geral desapontador pois após algum tempo ocorrem rebrotas a partir de tubérculos existentes no solo (Hawksworth et al., 1995).
Área de distribuição onde a espécie é nativa: O provável local de origem é a Índia. Hoje é uma das espécies com maior amplitude de distribuição no mundo (Hawksworth et al., 1995).
A família Pucciniaceae encontra-se dentro da ordem Uredinales, classe Teliomycetes e Divisão Basidiomycota, apresentando como principais gêneros Puccinia sp. e Uromyces sp. importantes fungos causadores de doenças em cultivos agrícolas. Estes patógenos obrigatórios causam danos em diversas plantas cultivadas e selvagens, em praticamente todos os continentes, causando sérias perdas em plantios comerciais por interferir com a fisiologia do hospedeiro, reduzindo a produtividade e depreciando os produtos agrícolas (Cummins & Hiratsuka, 1983;).
O gênero Puccinia sp. possui em torno de 4.000 espécies em vários hospedeiros (Hawksworth et al., 1995). A espécie tipo é Puccinia graminis Pers. ex Pers. (Cummins & Hiratsuka, 1983). O gênero Uromyces possui 600 espécies as quais estão amplamente distribuídas em termos geográficos e de hospedeiros (Hawksworth et al., 1995). A espécie tipo é Uromyces appendiculatus (Pers.) Unger (Cummins & Hiratsuka, 1983).
O objetivo deste trabalho é descrever morfologicamente Puccinia canaliculata incidente em folhas de tiririca.Folhas de tiririca foram coletadas no campus do Instituto Federal Goiano, sendo analisadas no Laboratório de Microbiologia. Utilizando o método de “pescagem direta”, com uma pinça em formato de agulha, foi possível visualizá-los e através de um microscópio estereoscópio preparou-se lâminas semi-permanentes. Nesta lâmina foi depositado duas gotas de corante azul-de-algodão (ácido acético, ácido lático, glicerina e água),. Próximo passo foi depositar uma lamínula sobre a lâmina. As lâminas preparadas foram analisadas utilizando microscópio ótico onde foram tiradas fotos com a máquina digital Canon® Power Shot A580. Foi feita uma prancha com as fotos para poderem ser identificados e explicados descritos.



DESCRIÇÃO MICOLÓGICA

Os sintomas nas folhas infectadas apresentam abundante pulverulência, e em alguns casos é possível verificar o descoramento da epiderme hialina fruto da pressão mecânica promovida pelo fungo. Na amostra analisou observou-se apenas o ciclo uredinial, sendo observado urédias de parede espessas, escuras quando maduras e hialinas quando jovens, pediceladas, com dois poros germinativos.


REFERERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BROMILOW, C, Problem Plants of South Africa, 1, South Africa, Briza Publications, 2001, p.68.
CUMMINS, G.B. & HIRATSUKA, Y. Illustrated Genera of Rust Fungi. 2. ed. rev. Saint Paul: American Phytopathological Society, 1983.
HALL, D W; VANDIVER, V.V; FERRELL, J A, Purple Nutsedge, Cyperus rotundus L., SP 37, Florida, Florida Cooperative Extension Service, Institute of Food and Agricultural Sciences, (1991)
HORUS Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, The Nature Conservancy. Disponível em: , acessado em 23 de novembro de 2009.
KISSMANN, K G, Plantas Infestantes e Nocivas, 2, 1, BASF, 1997, (p.222-228), Livro
OJASTI, J; JIMÉNEZ, E G; OTAHOLA, E S; ROMÁN, L B G, Informe sobre las Especies Exóticas en Venezuela, Caracas, Venezuela, Ministerio del Ambiente y de los Recursos Naturales, 2001.

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