sexta-feira, 2 de julho de 2010

REVISÃO DE LITERATURA DO MELHORAMENTO GENÉTICO DA BRAQUIÁRIA (Brachiaria sp.)

1. INTRODUÇÃO

Plantas forrageiras podem ser classificadas como todas aquelas consumidas por animais herbívoros e, por isso, abrangem variada gama de gêneros, desde herbáceas até arbustivas. Poucas ganharam destaque comercial, seja por terem efeito em maior produtividade animal, ou pela facilidade de cultivo, ou por apresentarem aversão a estresses bióticos e, ou, abióticos. Assim, nas regiões de clima temperado sobressaíram-se, especialmente, as leguminosas e nas regiões tropicais, as gramíneas de origem africana (Panicum, Brachiaria, Pennisetum) (Valle et al, 2002).
As gramíneas africanas como as braquiárias, são as mais usadas para formação de área para pastejo no mundo tropical. As gramíneas e leguminosas forrageiras nativas do Brasil são menos utilizadas, por não possuírem a capacidade de suporte e a rápida rebrota necessária aos sistemas de produção animal a pasto, provavelmente por não terem evoluído sob forte pressão de herbívoros. A partir daí percebemos a importância da obtenção de cultivares melhoradas no emprego da agropecuária brasileira (Sousa, 2007).
Por volta da década de 60, a pecuária brasileira era baseada em pastagens nativas ou em pastagens formadas com gramíneas africanas que se naturalizaram no país, como o caso dos capins colonião (Panicum maximum), jaraguá (Hyparrhenia rufa) e gordura (Melinis minutiflora). No início dos anos 70, programas estratégicos para pecuária de corte e de leite, estabelecidos pelo governo para as regiões do Cerrado, criaram uma grande demanda por forrageiras adaptadas às ofertas ambientais dessas regiões. Essa demanda foi atendida por cultivares comerciais australianas que mostraram excelente adaptação às condições climáticas e edáficas dessas duas regiões. A Brachiaria decumbens cv. Basilisk, por exemplo, devido à sua adaptação a solos de baixa fertilidade, se tornou o capim mais importante na região do Cerrado, durante a década de 70 (Sousa Sobrinho, 2005)
O objetivo deste trabalho é realizar uma revisão bibliográfica a respeito do melhoramento genético da cultura da braquiária, levado em consideração inúmeros aspectos (Sousa, 2007).

2. DESENVOLVIMENTO

As braquiárias são um gênero botânico pertencente à família Poaceae sub-família Panicoideae. O gênero Brachiaria apresenta as seguintes características diferenciais: colmo herbáceo florescendo todos os anos, flor hermafrodita masculina ou feminina com um a três estames, espiga unilateral ou panícula, espiqueta comprimida dorsiveltralmente, biflora, com o antecio terminal frutifero, o basal neutro ou masculino (Wikipédia, 2010).
As braquiárias na sua maioria são nativas da África e foram introduzidas no Brasil como forrageira e transformou-se em uma espécie invasora de diversos ecossistemas brasileiros, como o Cerrado. Como invasora, ela impede o desenvolvimento das gramíneas nativas e sufoca o desenvolvimento dos campos nativos. O gênero é composto por aproximadamente 200 espécies. Podem ser encontradas na Europa, África, Ásia, Pacífico, América do Norte e América do Sul (local de origem das braquiarias) (Wikipédia, 2010).
Sua entrada nas Américas incidiu em 1952 e depois, de forma mais intensa, a partir de 1965, mais atualmente, portanto, do que os outros gêneros, como Panicum (capim-colonião), Pennisetum (capim-elefante), Melinis (capim-gordura) ou Hyparrhenia (capim-jaraguá), trazidos da África na época colonial. Por uma adaptação excepcional a solos ácidos e de baixa fertilidade natural, alguns poucos ecotipos de Brachiaria, introduzidos entre 1965 e 1975, tiveram, nas três décadas seguintes, ampla expansão nos cerrados brasileiros e savanas da América tropical. Fala-se nas eras antes e após a Brachiaria no Brasil Central pecuário. Nesse tempo, a tecnificação da produção de sementes para suprir esse grande mercado colocou o Brasil como o maior produtor e exportador de sementes de Brachiaria do mundo. Assim, cultivares produzidos para os ecossistemas brasileiros acabam por atingir sistemas de produção de forrageiras em áreas tropicais, constituindo um enorme desafio, oportunidade e responsabilidade para os programas brasileiros de melhoramento de forrageiras (Valle et al, 2002).
Existem diversas empresas estatais e privadas que trabalham no melhoramento desse gênero. A Embrapa Gado de Corte vem realizando o melhoramento da Brachiaria sp. por meio de cruzamentos feitos com plantas sexuais polinizadas por ecotipos apomíticos, como Brachiaria brizantha. (Lima et. al). O Centro Nacional de Agricultura Tropical também conduz um programa de melhoramento desse gênero (Valle et al, 2002).
Extremamente importante nesse programa tem sido a inclusão, desde 2002, do setor privado (Unipasto – Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras Tropicais), no financiamento de algumas das atividades de pesquisa. Como multiplicadores exclusivos e responsáveis pela comercialização, os associados da UNIPASTO agem como transferidores dessas tecnicas, no Brasil e no exterior, facilitando a disseminação e adoção dos cultivares (Valle et al, 2002).
Os programas de melhoramento visam diversos fatores no seu programa, estes que vão variar de acordo com o órgão de pesquisa e melhoramento.
O alcance de novas variedades que agrupam características como adaptação à baixa fertilidade do solo e resistência à cigarrinha das pastagens (Deois sp. e Mahanarva sp.), mas, sobretudo, um bom valor nutritivo (Valle et al, 2002).
O melhoramento de forrageiras tem alvos semelhantes aos das grandes culturas, como, o aumento da produtividade e da qualidade, a resistência a pragas e doenças, a produção de sementes de boa qualidade, o uso eficiente de fertilizantes e a adaptação a estresses edáficos e climáticos (Valle et al., 2008). Forrageiras têm, porém, o aditivo da utilização animal, uma vez que seu valor é mensurado quando transformado em proteína e produtos animais de alto valor agregado, como carne, leite, couro e peles, portanto, de mensuração indireta.
Outra propriedade procurada no melhoramento é a relação entre folhas e colmos (Sousa, 2007). Esse valor indica a qualidade da forragem uma vez que as folhas apresentam melhores qualidades nutricionais que os colmos, além disso, os animais procuram no momento do pastejo preferencialmente as folhas do que os colmos.
Para efeito de um melhoramento eficiente deve realizar estudos básicos do número de cromossomos e modo de reprodução em braquiária. Tais estudos mostraram que predominam espécies apomíticas e poliplóides, sendo o número de cromossomos iguais a 7 ou 9 (Sousa, 2007). As espécies de maior importância agronômica (B. decumbens e B. brizantha) são predominantemente tetraplóides (2n=4x=36) e apomíticas. A apomixia é caracterizada pelo desenvolvimento do embrião a partir de uma célula não-fertilizada, ou seja, a formação do embrião ocorre sem a fundição dos gametas masculinos e femininos. Assim, a sucessão contém exatamente a constituição genética da planta-mãe. Esse fato também dificulta o aumento da variabilidade genética desse gênero (Assis et al., 2002).
No programa de melhoramento de Brachiaria, são reconhecidas algumas deficiências dos cultivares utilizadas comercialmente: B. decumbens cv. Basilisk é susceptível à cigarrinhas-das-pastagens; B. brizantha cv. Marandu é resistente ao inseto, mas susceptível a Rhizoctonia sp. e menos persistente em solos ácidos, pobres e mal drenados; B. humidicola é bem adaptada a condições de solos mal drenados, mas apresenta menor valor nutritivo e é apenas tolerante a cigarrinhas-das-pastagens; B. ruziziensis, a única espécie sexual, mas diplóide, entre essas, apresenta o melhor valor nutritivo, porém é suscetível a cigarrinhas-das-pastagens e não persiste em solos ácidos nem tolera longos períodos secos .
Algumas das distintas fases no desenvolvimento de cultivares de Braquiaria são: a conservação de germoplasma, passando por cruzamentos controlados; a avaliação de progênies; os ensaios de Valor de Cultivo e Uso; os ensaios de apoio, como os de resistência a cigarrinhas-das-pastagens e os ensaios sob pastejo (Assis et al, 2002).
Híbridos sexuais prósperos podem ser reaproveitados em novos cruzamentos, enquanto híbridos apomíticos podem ser prontamente incorporados a avaliações agronômicas para identificação de novos cultivares. Os cruzamentos são feitos em casa de vegetação, com plantas sexuais em vasos e o pólen apomítico trazido de inflorescências cortadas no campo. As sementes geradas são germinadas individualmente e, quando as plantas florescem, a maneira de reprodução é determinada por meio de análises dos ovários clarificados e por microscopia com contraste de interferência (Valle et. al, 2008).
Na conservação do material empregado no melhoramento a Embrapa Gado de Corte é responsável pelos dois maiores e mais importantes Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) de Forrageiras dos gêneros Brachiaria e Panicum sp.. Estes são compostos por gramíneas de origem africana, coletadas nas décadas de 70 e 80. O germoplasma vem sendo mantido em parcelas no campo, uma vez que a conservação por sementes é problemática para grande quantidade de acessos, seja pelo desconhecimento da fisiologia de produção de sementes ou das condições ideais de conservação em câmara fria. Ultimamente o BAG-Brachiaria conta com 461 acessos de 16 espécies, sendo que 449 encontram-se no campo e 261 por sementes. Dos 461 acessos introduzidos, 416 foram avaliados agronomicamente, 397 morfologicamente, 258 citogeneticamente e 222 molecularmente (Valle et. al, 2008 ).
A primeira cultivar híbrida a chegar ao mercado brasileiro foi a cultivar Mulato, originário do programa de melhoramento do CIAT e comercializada pelo grupo mexicano Papalotla. Esse híbrido é fruto do cruzamento da Brachiaria ruzizienses tetraploidizada com Brachiaria brizantha cv. Marandu (Sousa Sobrinho, 2005).
No dias atuais a Brachiaria brizantha cv. Piatã, fruto do melhoramento da EMBRAPA e seus parceiros em 2006, é líder de comercialização juntamente com a Brachiaria brizantha cv. Xaraés, fato devido às vantagens agronômicas apresentadas por elas, como a resistência a pragas, boa qualidade de forragem, colmos mais finos, dentre outras qualidades.
Porém no mercado encontram-se as variedades usadas no melhoramento para comercialização, como a B. brizantha, B. ruzizienses e B. decumbes, pois estas apresentam qualidades interresantes ao produtor, como por exemplo, a tolerância à acidez da B. decumbens.



3. CONCLUSÕES

As atividades do programa de melhoramento da Braquiária, têm gerado conhecimentos e procedimentos para a melhoria da eficiência de triagem de gramíneas do gênero Brachiaria sp. e, com isso, tem agilizado a liberação de novos cultivares para diversificar as pastagens brasileiras. A adoção de cultivares aprimorados deverá aumentar a produtividade por animal e por área, bem como colaborar para a diversificação de pastagens no Brasil tropical.
A venda de cultivares com um pacote tecnológico, maior produtividade, resistência a estresses bióticos e abióticos, traz benefícios diretos aos produtores agropecuários que utilizam esse material no seu sistema de produção.
Portanto nota-se a essencialidade do melhoramento das forrageiras, mas especificamente das braquiárias, devido a sua extensa utilização, para melhorar as condições de maximização da produtividade, com o uso de demais técnicas para o mesmo.













4. LITERATURA CITADA.

ASSIS G. M. L.; EUCLYDES R. F.; CRUZ C. D.; VALLE C. B.. Discriminação de espécies de Brachiaria baseada em diferentes grupos de caracteres Morfológicos. 12p. 2002.

LIMA L. C. P., SILVA L., VALLE P. C. B.; LEGUIZAM G. O. A cultura de tecidos da Brachiaria brizantha. EMBRAPA, 2003.

VALLE C. B., SIMIONI C., RESENDE R.M.S., JANK L. e CHIARI L. Melhoramento genético de Brachiaria. In: Resende, R.M.S., Valle C.B. & Jank L. (Editores.) Melhoramento de Forrageiras Tropicais. 1ª ed.Campo Grande, Embrapa. p. 13-53. 2008.

SOUSA SOBRINHO, F. Melhoramento de forrageiras no Brasil. In: SIMPOSIO DE FORRAGICULTURA E PASTAGENS, 5., 2005, Lavras. Anais... Lavras: UFLA/FAEPE, 2005.

SOUSA F. F., Produção e qualidade de forragem de progênies de Brachiaria ruzizienses. Lavras: UFLA,. 91 p.: il. 2007.

WIKIPÉDIA, 2010. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Brachiaria.Acessado em, Junho de 2010.

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