sexta-feira, 2 de julho de 2010

MELHORAMENTO GENÉTICO DA UVA (Vitis vinifera L.)

ÉRICA CRISTINA DOS REIS
INTRODUÇÃO

Os primeiros cultivos que se tem registro de uva tem origem na região de Ararat (Armênia),Transcaucásia, Ásia Menor e Iran. A produção nacional de uva é destinada ao mercado doméstico e internacional. O mercado tem exigência em uvas média, de cachos médios, bagas grandes e principalmente sem sementes.
O Brasil, graças à evolução tecnológica em viticultura tropical, apresenta condições ambientais para a produção de uvas de mesa de alta qualidade durante todo o ano. Esta condição, além de garantir o abastecimento interno, possibilita a exportação em períodos de escassez no mercado internacional.
Tem grande importância econômica, pois o cultivo da videira representa uma parcela econômica e social importante na fruticultura brasileira, movimentando cerca de R$ 2,5 bilhões/ano e gerando cinco empregos/ha, um dos maiores índices do setor (Embrapa).
Com o início das exportações da uva o mercado tem se a necessidade de aprimorar os sistemas produtivos da videira, e tendo assim a necessidade de produzir uvas sem sementes e de adaptação ao ambiente tropical, que através da tecnologia dos órgãos de pesquisa foram desenvolvidas diversas cultivares visando tornar a atividade competitiva e sustentável.



DESENVOLVIMENTO

A uva pertence à Família Vitaceae, que é formada por 14 gêneros e mais de 1000 espécies, amplamente distribuídas em todo o mundo (REISCH; PRATT, 1996). O gênero Vitis é aquele que apresenta maior importância econômica, já que inclui espécies que são consumidas como fruta fresca ou seca (passas), e também na forma de vinhos e sucos de uva. Distribui-se por três centros de origem, que têm contribuído para o melhoramento genético e para a produção comercial: Centro Euroasiático, Centro Asiático e o Centro Americano (ALLEWELDT et al., 1990; REISCH; PRATT, 1996).
No Brasil é uma cultura que vem sendo adaptada nas regiões tropicais. Porem o melhoramento tem como função a adaptação aos climas quentes principalmente, por problemas relativos ao comportamento fisiológico e sanitário da videira nessas condições. Como a necessidade de quebra de dormência das gemas, reguladores de crescimento para promover a brotação e regular a produtividade e especificamente para as uva sem sementes. E também para tornar menos suscetível a agressividade de algumas doenças da videira, como míldio, antracnose (Elsinoe ampelina) e oídio (Uncinula necator).
O principal estado produtor é o Rio Grande do Sul, responsável por cerca de metade da produção, seguido por São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais (IBGE, 2005). As variedades mais plantadas são Itália, Niágara branca, Centenial Seedles, Rubi, Niágara rosada, Benitaka, Takashumy Brasil, Kioho, Red Globe, Ribier.
A reprodução determina o métado de melhoramento e busca por alternativas para o controle de doenças e pragas na videira, visando à redução do uso de insumos agrícolas na cultura. Os principais critérios a serem observados na seleção do porta-enxerto de videira são:resistência a filoxera; resistência a nematóides; adaptação aos solos ácidos, calcários ou salinos; adaptação à seca ou à umidade excessiva do solo; resistência a doenças fúngicas da folhagem; tolerância à deficiência nutricional; boa afinidade com a variedade produtora; compatibilidade na enxertia; facilidade de enraizamento e de pegamento na enxertia.
Cada porta-enxerto adapta-se a determinadas condições de solo e clima. Estes podem ser feita a partir de porta enxertos, de acordo com as seguintes meios limpeza das estacas, estacas com 15 cm e 1 a 2 gemas acima da terra, tratamento: imersão em melaço 5% por 10 horas, substrato(solo de barranco + fósforo + potássio), plantio definitivo: 90 a 120 dias após o plantio no saquinho;
O mercado de uvas in natura apresenta tendência de aumento do consumo de uvas sem sementes, substituindo as tradicionais uvas com sementes. Nos Estados Unidos, as uvas apirênicas já dominaram o mercado e na Europa é crescente a demanda por uvas sem sementes. Certamente em outros mercados, como o brasileiro, os consumidores estão susceptíveis a mudanças de hábito de consumo, dando preferência às uvas apirênicas, consideradas de melhor qualidade. Para suprir as demandas do mercado, atualmente a criação de cultivares de uvas de mesa sem sementes é uma das grandes prioridades dos programas de melhoramento da videira em todo o mundo (CAMARGO, 2002).
Entre as técnicas de melhoramento está a de Estenospermocarpia, que consiste em uva sem sementes, que são feitas através do resgate de embriões em videiras foi primeiramente a partir de estudos desenvolvidos nos Estados Unidos, ocorrem polinização e fertilização normais, seguidos por um aborto do embrião ainda imaturo, devido à ausência ou má formação do endosperma. Desse processo, originam-se frutos maduros. Aclimatação é a fase de adaptação das plantas, desde a saída da condição in vitro até estarem aptas para o cultivo em condições normais de campo. As plantas com desenvolvimento mínimo de cinco folhas, e vigoroso sistema radicular, estão aptas para iniciar o processo de aclimatação. Elas são retiradas dos tubos-de-ensaio e plantadas em copos plásticos contendo um substrato composto por solo corrigido (pH=6,0), vermiculita e substrato comercial (PLANTMAX) na proporção 1:2:1. A mistura é esterilizada em autoclave por 60 minutos a 1200C (CAMARGO, 2002).
Entre as instituições de melhoramento destaca se a EMBRAPA onde ha um banco de germoplasma, que inclui mais de 40 espécies de Vitis, com grande número de variedades das espécies cultivadas (V. vinifera, V. labrusca, V. bourquina, V. rotundifolia), variedades híbridas interespecíficas e espécies silvestres dos três centros de dispersão da videira: Americano, Euroasiático e Asiático. Foram lançadas as variedades: A BRS Clara é uma cultivar vigorosa e fértil, obtida através de cruzamento entre as uvas 154-147 x Centennial Seedless. Destaca-se pelo sabor moscate (suave e agradável), pela coloração verde-amarelada e pela textura crocante da polpa. Possui produtividade elevada (30ton/ha/ano) e os cachos apresentam boa conformação, sendo naturalmente cheios.
A BRS Morena, por sua vez, é uma cultivar precoce, com alta fertilidade, vigor moderado e produtividade na ordem de 20 a 25 ton/ha. Foi obtida a partir do cruzamento entre as uvas Marroo Seedless x Centennial Seedless. Polpa com textura firme e crocante. Mas como as uvas se soltam com facilidade (fraca aderência ao pedicelo).
No mercado também destacam outras variedades que vem sendo melhorada afim de atender as necessidades do mercado, entre elas estão: A Benitaka , originada de mutação somática na variedade Itália, destaca-se pelo intenso desenvolvimento da coloração rosada escura, mesmo quando ainda imatura, em qualquer época do ano. Os cachos são grandes, com peso médio de aproximadamente 400g e bagas grandes (8 a 12 g). A polpa é crocante, com sabor neutro. Apresenta boa conservação pós-colheita.
A Itália ou Piróvano 65 principal variedade de uva fina de mesa do país. A planta apresenta vigor mediano, maior fertilidade, ciclo fenológico por volta de 120 dias, e produtividade média de 30 t/ha/ano, podendo atingir até 50 t/ha/ano em parreirais bem manejados. Apresenta-se bastante sensível às doenças fúngicas. Os cachos são grandes, com peso médio de 450 g, cilíndrico-cônicos, alongados, alados e muito compactos, com boa resistência ao transporte e armazenamento.
A Red Globe apresenta vigor de mediano a elevado quando enxertada sobre porta-enxerto IAC 572,. Os cachos são grandes, soltos, com excelente aspecto visual. As bagas são arredondadas, muito grandes (12 a 13 g), podendo atingir diâmetros superiores a 25 mm. São de coloração rosada, textura firme, sabor neutro inexpressivo e boa aderência ao pedicelo. O principal fator limitante a utilização desta variedade nos últimos anos, tem sido a elevada suscetibilidade ao cancro bacteriano causado por Xanthomonas campestris pv. viticola, quando as condições de alta umidade relativa e precipitações favorecem o desenvolvimento da doença.
Patrícia híbrido IAC de terceira geração. Suas plantas são produtivas e muito vigorosas. Seus cachos são grandes pesando entre 350 a 500 g, cilíndricos, muito compactos, com boa aderência ao pedicelo, engaços fortes, bem desenvolvidos e ramificações abundantes. Apresenta menor sensibilidade às doenças fúngicas e boa conservação pós-colheita. As bagas são pequenas, arredondadas, vermelha escura, textura crocante, casca espessa que assegura grande resistência ao rachamento. Não necessita de raleio de bagas considerando-se como uma vantagem que proporciona a redução dos custos de produção.
Crimson Seedless uma variedade de uvas sem sementes. O tamanho das bagas nesta variedade é pequeno, inferior aqueles exigidos para a exportação, o que exige que sejam realizados trabalhos com reguladores de crescimento que promovam o aumento do tamanho de bagas (Figura 2B). Os frutos apresentam textura da polpa crocante, sabor neutro e baixa aderência das bagas ao pedicelo, característica que pode causar problemas durante o manuseio e conservação pós-colheita dos frutos.
Vênus foi obtida pela Universidade do Arkansas, Estados Unidos e introduzida no Brasil pela. Apresenta características como: precocidade, tamanho de bagas, boa fertilidade de gemas quando comparada a outras variedades sem sementes e produtividade média estimada de 24 t/ha/ano (Souza Leão, 1999). Os seus cachos apresentam formato cônico e são muito compactos (Figura 2F). As bagas são esféricas, com consistência de polpa mucilaginosa e baixa aderência ao pedicelo.
Marroo Seedless obtida pelo cruzamento Carolina Blackrose x Ruby Seedless, é originária da Austrália. Apresenta cachos medianos, cônicos e medianamente compactos. As bagas são grandes, elípticas e de coloração vermelho intenso. Essa variedade apresentou tamanho de bagas, fertilidade de gemas e produtividade média estimada em 20t/ha/ano (Souza Leão, 1999).



CONCLUSÃO

Os programas de melhoramento genético visam à criação de cultivares resistentes as temperaturas tropicais, sendo menos agredidas por pragas e doenças e uvas sem sementes, com melhor aparência, sabor, textura e qualidade superior para atrair o mercado nacional e internacional. Contando para os devidos fins, ampla base genética, devidamente caracterizada e avaliada, disponível em bancos ativos de germoplamas e cruzamentos entre linhagens e metodologia de seleção.



LITERATURA CITADA:

http://www.agrobyte.com.br/uva.htmcultura da uva
AGRIANUAL, Anuário da agricultura brasileira. São Paulo: FNP Consultoria e Comércio, 145 p.,2002.
BLEINROTH, E. W. Normas para seleção e classificação da uva. In: Gorgatti Netto, A.; Gayet, J. P.; Bleinroth, E. F. G.; Matallo, M.; Garcia, E.; Garcia, A. E.; Ardito, E. F. G.; Bordin, M. Uvas para exportação, procedimentos de colheita e pós-colheita. Brasília: EMBRAPA-SPI. (Série Publicações Técnicas Frupex, 2), 40 p., 2002.

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