quinta-feira, 1 de julho de 2010

ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Cladosporium sp.

O fungo Cladosporium sp pode apresentar as formas anamórficas e teleomorficas. O anamorfo encontra-se classificado dentro do Reino Fungi, Grupo dos Fungos Mitósporicos, Subdivisão Hyphomycetes. A forma teleomorfica encontra-se classificada dentro do Reino Fungi, Divisão Ascomycota, a classe Dothideomycetes, sub-classe Dothideomycetidae, Ordem Capnodiales e a Família Davidiellaceae (INDEX FUNGORUM, 2010).
O gênero Cladosporium sp. possui exatas 735 espécies válidas na literatura, apresentando 73 variedades e 40 formae especiales (Index Fungorum, 2010). O Cladosporium sp possui 915 hospedeiras ocorrendo em vários países, como: Acacia decurrens (Malásia), Bauhinia variegata (Índia), Tabebuia sp. (Brasil), Citrus aurantifolia (México), Phoenix dactylifera (Califórnia) entre outras (SBML, 2010). São conhecidas 26 espécies de Cladosporium sp no Brasil (Cenargen, 2010).
O fungo Cladosporium sp. apresenta a seguinte morfologia: colônias efusas ou ocasionalmente puntiformes, possuem coloração muitas vezes olivácea podendo ser também acinzentadas à marrom escuro. A superfície desse fungo pode ter aparência de pelos ou flocosas. O micélio normalmente é imerso ou muitas vezes superficiais. Os estromas algumas vezes presentes apresentam setas e os hifopódes são ausentes. Os conidióforos são macronematosos ou semi–macronematosos e em alguns casos podendo ser micronematosos. Os conidióforos macronematosos normalmente são retos ou flexuosos (curvados), muitos não ramificados ou com ramificações restritas na região apical, formando um estipe ou uma cabeça de coloração marrom olivácea à marrom, podem ter superfície lisa ou verrugosa. As células conidiogênicas são poliblásticas usualmente integradas, terminais, intercalares, mais muitas vezes discretas, simpodiais e de formato cilíndrico, cicatrizadas, com proeminência na célula conidiogênicas. Os conídios podem ser produzidos em cadeias, sendo catenulados, podem ser muitas vezes solitários em algumas espécies, onde os conídios são mais largos e algumas vezes são ramificados em cadeia acropleurógena, são simples, cilíndricos, ovóides, doliformes, fusiformes, elipsóides, esféricos ou sub esféricos. Muitas vezes com distinto a protuberância em conseqüência do resíduo de secessão no final de cada conídio. Possuem coloração marrom olivácea escuro ou marrom, a superfície do conídio pode ser lisa, verrugosa ou equinulada com 0–3 septos ocasionalmente (Ellis, 1971).
O Cladosporium sp pode atacar toda a parte aérea da planta, mas a maior incidência ocorre nas folhas e no caule. Uma pesquisa avaliou que diferentes dosagens de Azadirachta sp. indica redução do Cladosporium sp. em sementes de tomateiro (Barbosa et al., 2009).
O Cladosporium sp. tem sido relatado como agente patogênico em frutos de pessegueiro (Prunnus persicae) provocando danos em pós-colheita (Martins et al., 2006); fazendo parte da microbiota das sementes de cagaiteira (Eugenia dysenterica) (Gomide et al., 1994); provocando verrugose em maracujazeiro (Passiflora edulis), sendo esta doença uma das mais importantes da cultura (Negreiros et al., 2004). Das doenças registradas no mundo existem 4786 registros de ocorrência de doenças em vários hospedeiros no mundo (Farr & Rosman, 2010).
Um experimento com o objetivo de avaliar os efeitos da temperatura de 20, 25 e 30°C na infecção de mudas de maracujazeiro, por Cladosporium sp. e na germinação de conídios de três isolados do fungo, constatou que houve um efeito significativo da temperatura sobre germinação dos conídios e infecção das mudas. No tratamento de 25°C foram observados os maiores percentuais de germinação e o maior número de lesões esporulantes. A incidência e a severidade foram menores na temperatura de 30 °C (Souza et al., 2009).
Foi feito um trabalho para avaliar a microflora fúngica de três cultivares de sementes de urucum, provenientes do município de Tomé-Açu, PA. Os tratamentos foram: sementes de três cultivares de urucum, com desinfestação superficial por hipoclorito de sódio 2 %, durante 5 minutos e sementes sem desinfestação. Após vários testes os gêneros de fungos detectados com maior freqüência nas três cultivares foram: Aspergillus sp., Calcarisporium sp., Cladosporium sp., entre outros. A conclusão da pesquisa foi que o tratamento com hipoclorito de sódio reduziu a percentagem de ocorrência dos fungos na três cultivares de urucum (Santos et al., 2008).
A colheita mecanizada pode influenciar a qualidade sanitária das sementes ao provocar danos mecânicos nestas. Um trabalho com o objetivo de avaliar a qualidade sanitária de sementes de milho colhidas por duas colhedoras operando em duas velocidades, com e sem desinfestação superficial avaliou a sanidade pelo método do papel de filtro com congelamento, com quatro repetições de 50 sementes, sendo detectados os fungos Aspergillus flavus, A. niger, A. ochraceus, Cladosporium sp., Fusarium verticilioides e Penicillium sp. Somente para o fungo Cladosporium sp. e Penicillium sp., houve interação siginificativa entre colhedora e velocidade, sendo todas as demais interações não significativas. A influência isolada dos fatores colhedora e velocidade foram variáveis para cada fungo; e sementes com desinfestação tiveram menores índices de contaminação (Gomes, 2008).

O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do IF Goiano campus Urutaí.
O fungo Cladosporium sp., foi retirado da folha de Tabebuia sp., popularmente conhecida como unha-de-boi, coletada no campus do Instituto Federal Goiano, Urutaí, GO, e levada para análise no Laboratório de Microbiologia.
Primeiramente foi colocada a folha unha-de-boi no microscópio estereoscópico para observar e coletar com o estilete as estruturas fúngicas. Em seguida depositou-se fixador lactofenol cotton-blue (62,5 mL ácido lático, 2,6 mL ácido acético, 100 mL água e 100 mL glicerina), na lâmina (para visualização e conservação das estruturas do fungo), assim fez-se a retirada do fungo da folha, colocando-o na lâmina, para posteriormente cobri-la com a lamínula e realizar a vedação com esmalte.
Essa lâmina foi levada ao microscópio óptico para visualização das estruturas fúngicas.
Em seguida foram sendo identificadas as estruturas do fungo. As microfotografias foram tiradas no microscópio óptico. Os registros microfotográficos foram realizados utilizando a câmera digital Canon® modelo Power Shot A580.


Figura 1. Aspectos morfológicos do fungo Cladosporium sp. A. Conídio uniseptado e escuro (bar=2µm). B. Conidióforo com célula conidiogênica ampuliforme (bar=7µm). C e D. Conidiogênese enteroblástica (bar=9µm). E. Ramificação do conidióforo multiseptado e escuro (bar=35µm). F. Hifa (bar=32µm) escura e conglomerado de conídios (bar=6µm).


DESCRIÇÃO MICOLÓGICA:


Na folha de Tabebuia sp., foi encontrado o fungo Cladosporium sp., onde esse causou na face adaxial da folha lesões cloróticas, com margens pouco definidas, já na superfície inferior, correspondente a clorose, as manchas foram de formato e tamanho irregulares, com produção de massa de esporos de com verde oliva à marrom.
Foi possível observar no gênero encontrado conidióforo com células conidiogênica ampuliforme (Fig. 1 B), a conidiogênese enteroblástica foi visível (Fig. 1C e D), além de conidióforos multiseptados de coloração escura apresentando ramificações (Fig. 1E), hifas escura e conglomerado de conídios (Fig. 1D) e conídios uniseptado e escuro (Fig. 1F).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


BARBOSA, K. A.; GARCIA, R. A.; CORRADINI, H. T.; OLIVEIRA, E.; SOUZA, A. M.; OLIVEIRA, A. L.; MELLO, R. F.; BORGES, H. A.; & MARQUES, E. P.; Efeito de diferentes dosagens de Azadirachta indica na redução de Cladosporium sp. associado a sementes de tomateiro. Fitopatologia Brasileira, vol. 30, p.103, agosto 2005.


CENARGEN disponível em: http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/micbanco01a.asp >, acessado em abril de 2010.


ELLIS, M.B., Dematiaceous Hyphomycetes, Commonwealth Mycological Institute, Surry, England, 1971.


FAR & ROSSMAN SYSTEMATIC BOTANY OF MYCOLOGICAL RESOURCES disponível em: http://nt.ars-grin.gov > ,acessado em abril de 2010.


FARR, D.F. & ROSSMAN, A.Y. Fungal Databases, Systematic Mycology and Microbiology Laboratory, ARS, USDA. Retrieved June 5, 2010, fromDisponível em: < http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/>, acessado em junho de 2010.


GOMES, D. P.; KRONKA, A. Z.; BARROZO, L. M.; SILVA, B. M.; SILVA, R. P.; PANIZZI, R. C.; Efeito de tipos e velocidades de operação de colhedoras e desinfestação na sanidade de sementes de milho. Tropical Plant Pathology, vol. 33 (Suplemento), p. 277, Agosto 2008.


GOMIDE, C.C.C.; FONSECA, C.E.L.; NASSER, C.B.; CHARCHAR, M.J.D.; FARIAS NETO, A.L. Identificação e controle de fungos associados a sementes armazenadas de cagaita (Eugenia dysenterica DC.). Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasíilia, vol. 29, n.6, p.885-890, jun.1994.

INDEX FUNGORUM disponível em:http://www.indexfungorum.org/Names/Names.asp >, acessado em abril de 2010.


MARTINS, M.C.; LOURENÇO, S.A.; GUTIERREZ, A.S.D.; JACOMINO, A.P.; AMORIM, L. Quantificação de Danos Pós- Colheita em Pêssegos no Mercado Atacadista de São Paulo. Fitopatologia Brasileira, vol. 31(1), p.5-10, jan - fev 2006.

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