quinta-feira, 1 de julho de 2010

“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Oidium caesalpiniacearum.”

Autor: Flávio Henrique da Silva

No Brasil, o único hospedeiro de ocorrência registrada de
Oidium caesalpiniacearum é a Bauhinia forficata, popularmente conhecida como pata de vaca ou unha-de-boi (Mendes e Urben, 2010). O gênero Bauhinia, pertencente à família Fabaceae, subfamília Caesalpinioideae, abriga mais de 200 espécies conhecidas, sendo que na grande maioria são encontradas originalmente no continente asiático, mas pode-se verificar a presença de algumas espécies originárias de outras regiões, como no caso da Mata Atlântica, no Brasil, onde podemos encontrar as espécies B. forficata e B. longifólia (Rosa, et al., 2008).

A forma anamórfica deste fungo pertencente ao gênero Oidium sp. e/ou espécie O. caesalpiniacearum, faz parte do Reino Fungi e grupo dos Fungos mitospóricos, hifomicetes. Seu teleomorfo pertence na divisão Ascomycota, da classe Leotiomycetes na subclasse Leotimycetidae, e por fim pertencente à família Erysphaceae. (Index Fungorum, 2010).

Oidium sp. é um parasita biotrífico, pois é encontrado na natureza somente parasitando tecidos vivos, nunca tecidos em decomposição. Possui a fase anamórfica (assexuada). Este tipo de reprodução ocorre através da esporulação que consiste na emissão de estruturas reprodutivas (conidióforos) para produção de conídios. Este fenômeno é essencial para a reprodução assexuada de fungos multicelulares. A esporulação implica a existência de estruturas especializadas formadas por hifas verticais, separadas por septos do restante micélio. O processo de propagação vegetativa se define por fragmentação somática, onde cada fragmento se desenvolve em um novo indivíduo. A hifa (menor unidade do micélio) se quebra em seus componentes celulares, devido a isso a doença causada por esse patógeno é denominada de oídio (Grego: oidio = pequeno ovo). (Kar e Das, 1998).

O surgimento do fungo fica mais propício em um ambiente onde há elevada temperatura e umidade. Produz importantes doenças em plantas cultivadas, trazendo ou não sérias conseqüências, como a morte da planta hospedeira. Esse patógeno coloniza ambas as faces das folhas da planta, forma inicialmente áreas esbranquiçadas irregulares e posteriormente, ao recobrir toda a superfície, ocasiona um aspecto branco e pulverulento às folhas. Essa infestação provoca a desfolha das plantas, como conseqüente redução na produção (Kimati. et al., 1978). Assim o patógeno causa o estrangulamento e deformação dos limbos mais novos e morte dos rebentos foliares.

Exatas 482 espécies de Oidium sp. são descritas e válidas em literatura (Index Fungorum, 2010). Sendo que quatro espécies de Oidium sp. hospeda-se em nove espécie de Bauhinia, ocorrendo em vários países, como: Bauhinia galpinii (África sul), Bauhinia purpurea (Índia), entre outras (Farr, e Rossman, 2010). No banco de dados brasileiro são conhecidas 31 espécies de Oidium descritas em plantas hospedeiras, contudo em pata-de-vaca (Bauhinia forficata) só foi registrado a ocorrência de O. caesalpiniacearum (Mendes e Urben, 2010).

Em humanos, alguns tipos de Oidium sp. podem causar malefícios a saúde, como é o caso do Oidium albicans que instala-se no tecido pulmonar, causando monilíase pulmonar, que se manifesta com tosse, emissão de líquido purulento misturado com sangue, febre e depauperamento orgânico. O mesmo fungo quando se instala na mucosa oral, provoca monilíase oral ou sapinho (Saudeakira, 2010). Todavia o patógeno O. caesalpiniacearum encontra-se especialização fisiológica apenas para a planta unha de boi.

Até o presente não há informações disponíveis sobre quaisquer efeitos tóxicos, industriais ou farmacêuticos do Oidium caesalpiniacearum.

O objetivo deste trabalho é apresentar uma descrição micológica de Oidium caesalpiniacearum incidente em folhas de unha-de-boi.

Amostras de folhas de unha de boi (Bauhinia sp. foram analisadas no Laboratório de IFGoiano campus Urutaí-Go.

O isolado fúngico foi observado parasitando folhas da planta unha-de-boi que estava presente em viveiro de mudas do Instituto Federal Goiano campus Urutaí.

Sob microscópio estereoscópico processou-se a amostra.

Retirou-se estruturas fúngicas da folha, e depositou-se numa gota de corante azul-de-algodão (ácido acético, ácido lático, glicerina e água) numa lamina de microscópio e logo após depositou-se uma lamínula. A amostra preparada para visualização em microscópio composto foi selada com esmalte ao redor para preservação e identificação das estruturas fúngicas.

Utilizando literatura especializada o fungo identificado a nível de gênero.

Registros micro e macrofotográficos foram realizados em microscópio ótico utilizando a câmera digital Canonr modelo Power Shot A580.


Figura 1 – Oidium caesalpiniacearum em Bauhinia unguiculata. A. Folha apresentando sintomas de Oidium, B. Aspecto do micélio esbranquiçado na superfície foliar, C. Conidióforo e célula pé ampuliforme (bar = 10µm) (c), D. Conidióforo e conídio em início de processo de sucessão (bar = 13µm), E. Apressório (seta) (bar = 13µm), F. Conídio (bar = 16 µm).


Descrição micológica

Observou-se na folha de Bauhinia unguiculata aspecto do micélio esbranquiçado de Oidium caesalpiniacearum, apresentou conidióforo (Fig. 1CD) solitário, e célula-pé ampuliforme com base larga(c), que é raramente encontrada, além da presença de apressórios (Fig. 1E, seta), conídios hialinos e conídios em forma de ovóide, ameroseptados (Fig. 1F).

O fungo Oidium caesalpiniacearum apresenta hifa hialina, ramosa, 2,5-8 μm, o apressório não é tipicamente lobado, conidióforo simples, oriundo de hifa estéril, apresenta em sua base um espessamento ampuliforme, é reto e apresenta dimensões de 30-55 x 5,5-8 μm. Os conídios são solitários, elipsóides, cilíndricos, ovóides e apresenta as dimensões de 24-43 x 11-20 μm. (Index Fungorum, 2010). Foi registrado incidindo sobre espécies de Bauhinia unguiculata.

As novas espécies são bem caracterizadas por apresentar infecções hipófilas, causam descoloração foliar alaranjada ou marrom escura. O apressórios é ligeiramente lobado. Oidium Bauhinia recentemente descrito na África do Sul, é claramente distinguível por possuir apressório multilobado e de distinta aparência infectiva (Index Fungorum, 2010).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:

FARR, D.F., & ROSSMAN, A.Y. Fungal Databases, Systematic Mycology and Microbiology Laboratory, Disponível em: http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/. Acessado em 2010.

INDEX FUNGORUM Disponível em: http://www.indexfungorum.org/Names/NamesRecord.asp?RecordID=104573. Acessado em 2010.

INDEX FUNGORUM Disponível em: http://www.indexfungorum.org/Names/Names.asp?pg=2. Acessado em 2010.

INDEX FUNGORUM Disponível em: http://www.librifungorum.org/Image.asp?ItemID=74&ImageFileName=0267b.jpg. Acessado em 2010.

KAR, A.K.; DAS, A. New records of fungi from India. Indian Phytopathology, v. 41, p. 505.1998.

KIMATI, H. ; In: GALLI, F.; TOKESHI, H.; CARVALHO, P.T.C.; BALMER,T.L.; CARDOSO; CON, SALGADO, C.L.; KUGNER, T.L.; CARDOSO, E.J.V.B.; BERGAMIM Filho, A. Manual de Fitopatologia. Editora Agronômica, Ceres, 2ª ed. São Paulo, SP, 1978.

MENDES, M. A. S.; URBEN, A. F.; Fungos relatados em plantas no Brasil, Laboratório de Quarentena Vegetal. Brasília, DF: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Disponível em: http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/fgbanco01.asp. Acesso em 2010.

ROSA D.D; BASSETO M.A; OHTO C. T; SOUZA H.G; SOUZA N.L; EDSON LUIZ FURTADO E.L, Ocorrência De Oídio (Oidium caesalpiniacearum Hosag & W. Braum) em Pata de Vaca (Bauhinia forficata Link.) no Brasil, Summa Phytopathologica. 34(2): 2008.

SAUDEAKIRA Disponível em: http://saudeakira.blogspot.com/2009/07/dicionario-medico-letra-m.html. Acessado em 2010.

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