quinta-feira, 8 de julho de 2010

REVISÃO DE LITERATURA DO MELHORAMENTO GENÉTICO DE MARACUJÁ (Passiflora edulis)

Rayanne Canêdo Silva

1 INTRODUÇÃO

O maracujazeiro (Passiflora edulis) é uma planta de clima tropical com ampla distribuição geográfica, encontrando no Brasil excelentes condições ecológicas para seu cultivo. Originário da América do Sul é uma planta trepadeira, lenhosa, sendo uma cultura perene.

Existem mais de 400 variedades diferentes de maracujá cultivadas no mundo. Destas 400 variedades há 150 espécies nativas do Brasil, mais de 60 produzem frutos que podem ser aproveitados direta ou indiretamente como alimentos. Entre estas, as que correspondem ao maracujá-azedo ou maracujá-amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa), maracujá-roxo (Passiflora edulis) e ao maracujá-doce (Passiflora alata) são as mais cultivadas sendo utilizada principamente no preparo de sucos.

No cenário mundial, o Brasil é o maior produtor dessa fruta. A cultura do maracujá ganhou importância no Brasil a partir da década de 70, que coincide com as primeiras exportações de suco para o mercado externo.

O Brasil, por ser centro de origem do maracujá, possui ampla variabilidade genética, que é o ponto de partida para qualquer programa de melhoramento genético de uma espécie, e cuja caracterização e avaliação são ferramentas indispensáveis aos trabalhos de fitomelhoramento, pois são responsáveis pelo desenvolvimento sustentável da agricultura e da agroindústria. A pesquisa sobre a espécie é incipiente, e a grande maioria refere-se ao manejo da cultura. Estudos de melhoramento genético normalmente visam ao desenvolvimento de materiais superiores, principalmente com relação a caracteres de interesse agronômico e tendem a utilizar a hibridação intra-específica para a transferência de genes de interesse (Bruckner, 1997).

Este trabalho teve por objetivo, apresentar aspectos importantes sobre a cultura do maracujá juntamente com sua variabilidade e melhoramento genético.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Botânica

Os maracujazeiros pertencem à família Passifloraceae e ao gênero Passiflora, reunindo mais de 500 espécies distribuídas pelos trópicos, principalmente no Brasil, centro de origem de pelo menos 1/3 das espécies (Scielo1).

Na axila de cada folha trilobada existe uma gavinha e uma gema florífera que irá originar uma flor e uma gema vegetativa dando origem a um ramo.

As flores do maracujazeiro possuem pétalas e sépalas e sépalas brancas, oblongas. É completa, destacando-se uma coluna chamada androgimóforo bem desenvolvida. Nesta coluna encontram-se duas partes: a masculina e feminina.

A parte masculina é denominada androceu, formado por cinco estames com antenas grandes e grãos de pólen amarelos.

A parte feminina é conhecida como gineceu, composta de um ovário tricarpelar, unilocular e multiovulado, com o estigma tripartido.

A flor abre um único dia no período da tarde caindo no terceiro ou quarto dia caso não ocorra a polinização.

A quantidade de frutos depende de uma polinização eficiente para sua formação. Ele murcha e adquire uma forma irregular em decorrência principalmente de uma polinização deficiente.

O peso do fruto depende do número de sementes. Quanto maior o número de sementes, mais rendimento em suco, este é extraído do arilo que envolve a semente, não havendo a fertilização do ovóide não haverá suco.

2.2 Solo

Os solos para o cultivo do maracujazeiro devem ser profundos (maior 60 cm), bem drenados, ricos em matéria orgânica, de textura areno-argilosos e com relevo plano a ligeiramente inclinado (Lima, 1999).

O solo deve ser arado e gradeado a uma profundidade de 30 cm. Aproveita-se a operação para fazer a calagem utilizando-se metade da quantidade recomendada de calcário antes da aração e outra metade antes da gradagem. Assim, o produto fica intimamente incorporado ao solo, favorecendo a sua reação.

Algumas características importantes indicadas na escolha do solo podem ser expressas na boa capacidade de armazenar nutrientes e água, necessários ao crescimento e produção da planta, e uma adequada drenagem superficial.

Os solos mais indicados para o maracujazeiro são os areno-argilosos, profundos e bem drenados; solos arenosos normalmente são considerados de baixa fertilidade natural, mais quando bem adubados, satisfazem plenamente na produção de maracujá, especialmente com aplicações elevadas de matéria orgânica; solos com boa fertilidade e com pH entre 5 e 6 são requisitos desejados para a implantação desta cultura.

A profundidade do solo é uma condição considerável, já que o maracujazeiro não suporta encharcamento, mesmo que por curtos períodos. Os solos quando inundados parcialmente, a umidade nas raízes favorece o ataque de organismos que causam podridões nas raízes, ocasionando o enfraquecimento nas plantas e posteriormente na morte dela. Deve-se, ainda, evitar os solos recém desbravados.

Do ponto de vista químico, a saturação por bases e o correspondente teor de cálcio e magnésio e o alumínio livre são pontos relevantes, porém corrigíveis pela calagem. Os demais nutrientes podem ser fornecidos através de adubações.

2.3 Local e Clima

A temperatura favorável ao crescimento do maracujazeiro está entre 23 a 25°C, podendo ser cultivado na maioria das regiões tropicais e subtropicais. O clima é um fator muito importante para o seu bom desenvolvimento e produção.

Outro aspecto importante que deve ser observado nesta cultura é a luminosidade, sendo favoráveis dias longos e temperaturas elevadas. Exigindo ausência de ventos frios e geadas.

Devem-se instalar quebra-ventos de maneira que, quando a cultura for instalada o quebra-vento já esteja bem desenvolvido.

Regiões com altitudes entre 100 m a 1000 m são as mais indicadas para o cultivo. Em altitudes mais baixas o tempo de exploração é menos do que naquelas com altitudes mais altas.

2.4 Propagação

O maracujazeiro pode se multiplicar por dois processos: através de sementes (propagação sexuada) ou por meio de estaquia, alporquia e enxertia (propagação assexuada).

As sementes do maracujá para a produção de mudas devem ser de alta qualidade. Um aspecto importante a ser mencionado é que o fruticultor deve retirar sementes de vários frutos colhidos em diferentes plantas, diminuindo assim a incompatibilidade das plantas na lavoura.

2.5 Tratos Culturais

O maracujá para uma boa formação necessita de alguns cuidados especiais na condição das árvores frutíferas, como: a poda para dirigir o seu desenvolvimento.

Segundo Murayama (1973), a finalidade da poda é:

  • Conduzir a planta de modo que a mesma se desenvolva convenientemente e adquiria uma forma desejável.
  • Equilibrar a distribuição da seiva de modo a manter a planta em boas condições.
  • Impedir a frutificação de plantas combalidas a fim de que revigorem devido à supressão dos órgãos florais.
  • Manter a planta e produção uniforme e durante o ano todo.

A poda visa a eliminação dos galhos doentes, secos, mal situados e reduz o comprimento dos que tendem a desenvolver demasiadamente para garantir uma perfeita distribuição da seiva em todos os seus ramos.

Além da poda, é importante que o produtor mantenha as entrelinhas permanentemente roçadas, trilhe as linhas de 0,5 m de cada lado, escore espaldeiras em áreas sujeitas a ventos fortes e durante o pico de produção.

2.6 Polinização

O maracujazeiro, além de ser auto-estéril depende da polinização cruzada para produzir frutos, apresenta alto insucesso na polinização pelo vento, devido ao grande peso e a viscosidade do grão de pólen, necessitando assim de um agente transportador (Lima, 1999).

O principal agente polinizador das flores do maracujá no Brasil é a abelha mamangava, do gênero Xylocopa que visita a flor do maracujá, encostando seu dorso nos estames onde estão os grãos de pólen. Por ser de grande porte consegue alcançar o estigma de outras flores, efetuando a polinização. Esta é chamada polinização natural.

A polinização artificial é feita através da transferência de grãos de pólen de uma flor pra outra de plantas diferentes, com os dedos ou com auxílio de dedeiras de feltro.

Porém, a necessidade de se realizar a polinização artificial ou aumentar a população de mamangava, é quando se observa uma grande quantidade de flores caídas. Isso geralmente ocorre quando a flor do maracujá não é fecundada.

2.7 Principais Doenças do Maracujazeiro

A cultura do maracujazeiro está sujeita à perdas causadas pela ação de fungos, bactérias, vírus e nematóides, associados ou não. Tais perdas são acentuadas em função de alguns fatores, entre eles temperatura, umidade relativa do ar, procedência das sementes, sendo que algumas doenças são mais devastadoras, reduzindo assim a produção.

As principais doenças da cultura do maracujazeiro são:

Antracnose é causada pelo fungo Colletrotrichum gloeosporioides. Ele ataca os ramos, as folhas e os frutos. Essa doença causa enorme perda na produção. O fungo causador da antracnose prefere as folhas mais novas e os ramos com lançamentos novos. O controle se faz com a aplicação de produtos à base de benomil, oxicloreto de cobre mais mancozeb e chlorotalonil.

Verrugose, causada pelo fungo Cladosporium herbarum, ataca folhas, ramos e frutos, local onde exerce a sua maior ação destrutiva, tornando-os imprestáveis para o comercio de frutas frescas. As lesões limitam-se apenas à casca, não causando nenhum apodrecimento interno na polpa dos frutos. Para seu controle, mostra-se eficaz uma cobertura com caldas fungicidas, destacando-se por sua eficiência o benomil e os produtos à base de cobre, em aplicações semanais, sob chuvas, ou quinzenais, em períodos com chuvas esparsas e menor umidade. Não se recomenda a aplicação nos frutos, quando o seu destino é a indústria de suco, pois a doença não atinge a polpa.

Septoriose, causada pelo fungo Septoria passiflorae, é uma doença rara, mais potencialmente grave devido ao intenso desfolhamento, na maioria das vezes sem apresentar sintomas visuais na folha. As medidas de controle recomendadas para verrugose e antracnose também são eficientes no controle desta doença.

Murcha ou Fusariose, é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. Passiflorae e apresenta sintomas nas raízes, no colo e nas folhas. O controle é muito difícil, devido à natureza sistêmica do fungo e às suas formas de resistência, as quais permanecem em descanso no solo por muitos anos.

Obs.: A respeito das doenças citadas acima, mais informações poderá ser encontradas na Bibliografia de Lima, 1999.

2.8 Principais Pragas do Maracujazeiro

As principais pragas que atacam a cultura do maracujazeiro são:

LagartasDione juno juno Cramer, 1779 (Lepidoptera: Meliconiidae); Agraulis vanillae Linn., 1758 (Lepidoptera: Meliconiidae). Essas lagartas consomem folhas, retardando o crescimento da planta e afetando sensivelmente a produção. Para seu controle, recomenda-se a catação e eliminação de ovos e lagartas, isto em áreas pequenas. Já em áreas extensas, tal medida pode tornar-se dispendiosa e ineficaz, havendo necessidade da utilização de inseticidas.

Moscas – Anastrepha spp., Ceratitis capitata Wied., 1824 (Díptera: Tephitidae); Protearomyia sp., Silba pendula Benzzi, 1919 (Díptera: Tephitidae). Os principais danos causados por Anastrepha spp. são decorrentes da ovoposição em frutos ainda verdes, provocando o seu murchamento antes de atingirem a maturação. As larvas de Cerotitis capitata podem destruir a polpa dos frutos, os inutilizado para o consumo. Em frutos mais desenvolvidos, estes não amadurecem e murcham. A catação e enterrio de frutos atacados auxiliam na redução populacional das moscas-das-frutas. Quanto ao controle químico, utiliza-se isca tóxica.

PulgõesMyzus persicae (Sulzer, 1776); Aphis gossypii (Glover, 1877). São duas das espécies mais comumente relacionadas como transmissoras de viroses às plantas cultivadas, assim, apesar de causarem deformações foliares, sua importância está ligada à transmissão do vírus do endurecimento dos frutos do maracujazeiro.

Obs.: Mais informações a respeito das pragas acima, poderão ser encontradas na Bibliografia de Lima, 1999.

2.9 Colheita

A colheita do maracujá inicia-se de cinco a nove meses após o plantio das mudas no campo. O período de colheita é bastante longo, na maioria das regiões, sendo maior nas zonas com suficiente calor, luminosidade e umidade, num prolongado período de frutificação, e menor naquelas regiões sujeitas a frio mais intenso ou a um período de seca mais notável.

Os frutos do maracujá, uma vez maduros, desprendem-se das plantas e caem no chão. Diante disso, a colheita consiste na catação dos frutos caídos, de preferência pela manhã.

Os frutos colhidos na planta apresentam sabor agreste e pouco agradável, razão pela qual só devem ser apanhados aqueles frutos que já se desprenderam da planta.

Após a maturação e queda, os frutos rapidamente perdem água e murcham, além de ser facilmente atacado por podridões, razão pela qual esta operação deverá ser feita diariamente, em especial no período chuvoso e quente do ano, mas nunca em intervalos maiores que duas vezes por semana.

2.10 Pós-colheita

Para conservar os frutos em bom estado, por um período mais longo, visando um comercialização mais eficiente, deve ser feita a lavagem dos frutos em água contendo 10 miligramas de cloro por litro, de forma a eliminar todos os resíduos de sua superfície externa. Após secarem, os frutos devem ser separados conforme o tamanho e aparência. Ele pode ser classificado em 3 classes: Classe A que são considerados de primeira; Classe B que são considerados de segunda e os da Classe C de terceira.

Na classificação, os frutos de melhor padrão são destinados ao mercado de frutas frescas. Aqueles menores ou que apresentam lesões de verrugose, podridões ou elevado estado de murchamento são encaminhados para as indústrias que fazem o seu processamento. Alternativa, com possibilidade de agregar valor aos frutos, especialmente aqueles de podridões inferiores, é o despolpamento e envasamento da polpa, utilizando-se diferentes equipamentos, seguindo de imediato congelamento, com destino ao mercado local ou regional.

2.11 Armazenamento

O armazenamento das frutas é feito para adquirir uma duração maior dos frutos. Através deste pode-se propiciar melhores condições para facilitar o transporte dos frutos.

Os frutos são embalados em sacos de telado plástico, com capacidade para 20 Kg, caixa tipo goiaba, com 410 mm de comprimento, por 235 mm de largura e 80 mm de altura, de madeira ou papelão, uma alternativa própria para o mercado de frutas frescas; caixa tipo mercado, com 520 mm de comprimento, por 290 mm de largura e altura; saco plástico transparente, com paredes de 0,10 mm, com capacidade de até 20 Kg. Nessa embalagem, após a colocação dos frutos, o ar é retirado, com auxílio de um aspirador, seguido de amarrilho da boca, para vedação. Os frutos assim acondicionados, duram em perfeitas condições por 4 a 5 dias, em condições ambientais, e até duas semanas, se em temperaturas de 10 a 12° C.

2.12 Melhoramento Genético

Como centro de origem de um grande número de espécies de maracujá e maior centro de distribuição geográfica do gênero Passiflora, o Brasil possui variabilidade natural extremamente valiosa como fonte de germoplasma para o melhoramento genético.

Apesar disto, poucos são os relatos sobre o assunto, embora se saiba que o melhoramento pode contribuir significativamente para o aumento da produtividade da cultura. Sendo uma cultura de importância e cultivo comercial recentes, esta variabilidade ainda está por ser explorada (Scielo2).

Para desenvolver um cultivar de maracujá, é preciso, primeiramente, conhecer, explorar e manusear convenientemente a variabilidade genética disponível, dentro de um programa de melhoramento bem conduzido. Um pré-requisito é a caracterização de germoplasma, recentemente iniciada no Brasil (Giacometti e Ferreira, 1977; Oliveira et al.,1980; Oliveira, 1987; Oliveira et al., 1988; Meletti et al., 1992; 1994; Meletti, 1998).

Os recursos genéticos vegetais podem ser considerados como reservatório genético, funcionando como matéria-prima para o desenvolvimento da agricultura (Nass, 2001). A conservação ex situ de germoplasma realizada em Bancos Ativos de Germoplasma (BAG) permite manter e garantir a disponibilidade de materiais essenciais aos programas de melhoramento genético (Goedert, 2007).

Um BAG tem um papel fundamental na preservação da variabilidade genética, sendo fundamental a manutenção de acessos que possam ser efetivamente utilizados em programas de melhoramento.

Segundo Goedert (2007), as ações de manejo e conservação em BAGs devem objetivar, dentre outros, tanto enriquecer a variabilidade genética disponível das espécies de interesse por meio de ações de coleta, introdução e intercâmbio, quanto caracterizar e avaliar o germoplasma em atividades de pré-melhoramento e divulgar esse conhecimento para uso em programas de melhoramento.

No Brasil há em torno de 67 espécies mantidas em diferentes BAGs: CNPMF, UNESP, IAPAR, IAC, CPAC, ESALQ, UENF e UFRRJ (Ferreira, 2005).

A caracterização e a avaliação do germoplasma, quando bem conduzidas, apresentam vantagens, como permitir a identificação de acessos duplicados, o estabelecimento de coleções nucleares, e a identificação dos modos de reprodução predominantes nos acessos, bem como da ocorrência ou não de variabilidade intrínseca em acessos individuais (Valls, 2007).

Valls (2007) relata que a caracterização reprodutiva, ou seja, o conhecimento do modo de reprodução das espécies é essencial, devendo ser uma das etapas da caracterização e avaliação preliminar, uma vez que o desconhecimento do modo de reprodução pode levar a rápida descaracterização dos acessos nos BAGs, já que as sementes poderão ser resultado de cruzamentos entre acessos distintos e quando germinadas, os novos indivíduos não expressarão as características anotadas da planta-mãe.

Segundo Valls (2007), as etapas de caracterização e avaliação de cada acesso mantido nos BAGs são cinco: correta identificação botânica; elaboração de cadastro de acessos disponíveis por acesso; caracterização propriamente dita de aspectos morfológicos, fenológicos, que consiste na anotação de caracteres botânicos de alta herdabilidade, facilmente visíveis e mensuráveis, e que se expressem consistentemente em todos os ambientes; avaliação preliminar, voltada para dentro da espécie, para busca de caracteres descritivos que conduzam à discriminação entre acessos, também se utilizando marcadores moleculares; avaliação aprofundada ou complementar, com o aumento na intensidade de análise dos acessos individuais.

Em diferentes espécies de maracujazeiros, alguns estudos têm se voltado para a caracterização do germoplasma. Meletti et al. (1992) avaliaram características morfológicas, citogenéticas, físicas e químicas em introduções de germoplasma da coleção de maracujazeiros do IAC-SP, totalizando sete espécies e um híbrido interespecífico (P. alata x P. macrocarpa). Porém, as principais características analisadas foram dos frutos. Crochemore et al. (2003a) descrevem a variação genética de 55 acessos de Passiflora spp. e um híbrido interespecífico (P. macrocarpa x P. alata). Vinte e dois descritores morfológicos foram avaliados e permitiram estruturar a diversidade encontrada, sendo observada variabilidade intra-específica em P. alata e P. edulis. Martins et al. (2003) e Meletti et al. (2003) avaliaram, principalmente, características morfológicas em populações de maracujazeiro-doce (P. alata), sendo demonstrada a variabilidade entre os acessos. Viana et al. (2003) avaliaram a diversidade genética em diferentes acessos de P. edulis f. flavicarpa e em outras sete espécies, observando baixa variabilidade entre os indivíduos de P. edulis f. flavicarpa estudados, e grande variabilidade para as demais espécies analisadas. Viana et al. (2007) têm analisado a diversidade genética em acessos do BAG-Passifloras da UESC, porém o número de espécies estudadas ainda é reduzido. A variabilidade intra-específica é alta na maioria das espécies. Tais estudos estão em continuação, e são necessários e imprescindíveis como pré-requisito para o sucesso de hibridações interespecíficas em Passiflora e, conseqüentemente, para obtenção de plantas com características ornamentais.

2.12.1 Pesquisas em Andamento: Recursos Genéticos e Melhoramento – Situação Atual

O projeto “Banco Ativo de Germoplasma de Fruteiras Tropicais e Subtropicais” abriga 12 subprojetos de bancos de germoplasma, sendo um deles o de maracujá (Embrapa, 2010).

As atividades são introdução de germoplasma, com ênfase no gênero Passiflora, intercâmbio, caracterização e avaliação dos acessos, com base em descritores. Os acessos que já compõem o BAG-Maracujá, em número de 45, mais aqueles introduzidos ao longo do tempo, são estudados com base inicialmente em 20 descritores. Os acessos, cada um representado por 20 plantas, sendo duas por cova, estão distribuídos no espaçamento de 2,0m x 5,0m, seguindo-se as recomendações preconizadas para o manejo de plantios de maracujazeiro (Embrapa, 2010).

O Banco Ativo de Germoplasma de Passiflora spp. está implantado na sede da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Cruz das Almas, Bahia (Embrapa, 2010).

As características observadas nos estudos são:

· Vigor vegetativo: notas de 1 a 10, com a nota máxima sendo atribuída às plantas mais vigorosas, com bom aspecto visual e bom desenvolvimento vegetativo;

· Produtividade, em kg/ha;

· Época de florescimento: meses do ano em que a planta floresce;

· Horário de abertura das flores;

· Coloração e tamanho das flores;

· Número de frutos;

· Peso médio de 100 frutos, em kg;

· Tamanho dos frutos: distância entre o ápice e a região do pedúnculo e o diâmetro mediano do fruto;

· Coloração externa e interna do fruto maduro;

· Número de sementes por fruto maduro;

· Espessura de casca: avaliada na região mediana do fruto e em local onde não há resíduos de inserção das sementes, em mm;

· Cor do suco;

· Teor de sólidos solúveis totais (ºBrix): avaliado por refratômetro;

· Acidez titulável: titulação de um volume conhecido de suco com uma

· Solução padrão de hidróxido de sódio;

· Rendimento em suco: relação entre volume de suco e peso da amostra de frutos;

· Ocorrência de insetos-praga e inimigos naturais;

· Avaliação visual de doenças;

· Ocorrência de definhamento precoce;

· Viabilidade de pólen;

· Avaliação do grau de incompatibilidade: auto-polinizações e polinizações cruzadas recíprocas serão efetuadas, observando-se as escalas reação totalmente incompatível (menos de 5% de produção de frutos), reação Parcialmente compatível (5 a 59% de produção de frutos) e reação compatível (60% ou mais de produção de frutos) (Knight Jr. e Winters, 1962).

Diversas outras características das folhas, flor e fruto são também utilizadas como fatores da correta identificação dos acessos existentes no banco de germoplasma. Esta é uma coleção em plena atividade, concorrendo para o número de acessos hoje em disponibilidade no mundo (Cunha, 1996, 1998b; Cunha e Rocha, 1997a).

O projeto intitulado “Desenvolvimento de Variedades e Híbridos Intra e Interespecíficos de Maracujazeiro Resistentes a Doenças” é composto de sete subprojetos de pesquisa, conduzidos por pesquisadores de sete instituições de ensino e pesquisa de seis estados brasileiros.

Uma população de maracujá roxo e uma de maracujá amarelo estão sendo melhoradas por seleção massal estratificada modificada, no sentido em que as plantas selecionadas pelo vigor vegetativo, produção pendente e dados obtidos na primeira colheita são polinizadas manualmente na segunda safra, sendo também as fornecedoras de pólen, com seleção assim em ambos os sexos. O método modificado de seleção entre e dentro de famílias de meios-irmãos é aplicado em uma população de maracujá roxo e uma de maracujá amarelo. A modificação proposta é de polinização controlada no lote de recombinação, na medida em que cinco flores das plantas das melhores progênies, identificadas nas três repetições plantadas anteriormente, são polinizadas por um composto de pólen também das plantas das progênies selecionadas, praticando-se assim a seleção nos dois sexos. Estas modificações, ao lado do melhor controle ambiental e do teste de progênies, permitirão também um maior aproveitamento da variância genética aditiva (Cunha, 1996, 1997a, 1997b, 1998c; Cunha e Rocha, 1997b).

Este projeto de melhoramento genético é conduzido pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas, Bahia.

Os programas de melhoramento genético utilizam as espécies selvagens como fontes de genes de resistência a doenças. Esses genes são introduzidos nas espécies cultivadas por hibridação interespecífica. Para que tal procedimento seja bem sucedido é necessário que as espécies apresentem homologia cromossômica reduzindo assim as chances de resultados negativos. Este subprojeto estuda as relações genômicas entre o maracujá cultivado, Passiflora edulis f. flavicarpa Deg., e as espécies afins do gênero Passiflora, por meio da análise citogenéticas e palinológica (Embrapa, 2010).

2.12.2 Prioridades de pesquisa para a cultura do maracujá

As prioridades de pesquisa para a cultura, estabelecidas em reuniões técnicas (Cunha, 1998a), são as seguintes:

· Aumentar a variabilidade genética existente nas coleções seja por meio de coleta de germoplasma, seja por ações que viabilizem o intercâmbio entre as diversas coleções.

· Realizar estudos e criar estrutura para conservação do germoplasma sob a forma de semente e in vitro.

· Caracterizar e avaliar o germoplasma existente nas coleções.

· Utilizar os recursos genéticos existentes em programas de melhoramento.

Os estudos nesta área devem ser intensificados, haja vista que só 11,9% das espécies existentes tiveram o número de cromossomos estudado e existe apenas um subprojeto que se encarrega de aspectos ligados às relações genômicas do maracujá amarelo (Embrapa, 2010).

Devem-se ter mais dados sobre a polinização e a sua eficiência, antese nas diversas espécies e conservação de grãos de pólen (Embrapa, 2010).

A importância do conhecimento de correlações no melhoramento já é conhecida, mas pouco se sabe no maracujá, como é o caso também da herança de caracteres. Mais esforço deve ser empregado em estudos dessa natureza (Embrapa, 2010).

2.12.3 Variedades

Basicamente, o maracujá amarelo e o maracujá doce (P. alata Ait) são os únicos utilizados como atividade econômica. No entanto, há que atentar-se para o número de espécies existentes, sendo que um estudo acurado nas coleções poderá indicar outras opções, seja para introduzir outra espécie nos sistemas de produção, seja no uso de genes de espécies silvestres ou selvagens no melhoramento das espécies cultivadas (Embrapa, 2010).

Em que pese à seleção massal e a seleção entre e dentro de meios-irmãos e de irmãos germanos estarem sendo utilizados em maracujá, esses estudos precisam ser conduzidos de forma sistematizada. Isso está sendo feito pelas instituições citadas quando se apresentou o projeto de melhoramento e, embora não se descarte outras opções, tais como variedades sintéticas e compostas não se devem perder de vista que tanto a escassez de recursos humanos, poucos se dedicando integralmente ao maracujá, como também financeiros, não permite, no momento, uma ampliação nas ações de pesquisa (Embrapa, 2010).

As linhagens endogâmicas de maracujazeiro podem ser obtidas por cruzamentos entre plantas irmãs, retrocruzamento e autopolinização, quando então se usa um dos meios já citados para contornar a auto-incomptabilidade. Portanto, não há problemas com relação à técnica de hibridação e utilização da heterose em maracujá, devendo-se levar adiante programas de hibridação como prioridade (Embrapa, 2010).

Os avanços nessa área são poucos, uma vez que a fitossanidade tem encontrado dificuldades inclusive na identificação de agentes causais de algumas doenças/anomalias e a herança de caracteres e a genética quantitativa têm evoluído lentamente em maracujá. Também neste caso necessita-se de mais estudos em porta enxertos que sejam resistentes a organismos de solo causadores de doenças (Embrapa, 2010).

As implicações da auto-incompatibilidade, tanto para o melhorista, quanto para o produtor, apontam na direção de mais ênfase nos estudos, inclusive na busca de alelos para autocompatibilidade, por suas ligações com possíveis trabalhos de obtenção de híbridos, apesar de já saber-se que essa é uma barreira que pode ser vencida, como citado no item que tratou da incompatibilidade (Embrapa, 2010).

Os estudos nesta área estão no início no Nordeste, com a avaliação agronômica em Cruz das Almas, Bahia, de híbridos somáticos de Passiflora spp. desenvolvidos na ESALQ/USP, em Piracicaba, devendo merecer uma maior atenção em futuros projetos de pesquisa (Embrapa, 2010

3. CONCLUSÕES

Através deste trabalho podemos concluir que, o melhoramento contribui significativamente para o aumento da produtividade da cultura.

O melhoramento genético visa também, a criação de novas cultivares, que apresentem frutos com maior tamanho e cor desejável, grau de acidez e cor do suco de acordo com o paladar do consumidor, visando importação e exportação da fruta, bem como industria de cosméticos, etc., além de buscar caracteres de resistência e tolerância as doenças, melhoramento de sua biologia floral para melhor polinização e conseqüentemente para melhor propagação.

Sendo o maracujá uma cultura de cultivo comercial recente, os estudos para o melhoramento genético possuem poucos resultados, havendo muitos programas de melhoramento em andamento. Porém, podemos citar alguns resultados obtidos através dos programas de melhoramento como a obtenção de cultivares que proporcionam maior produtividade e resistência à algumas pragas e doenças.

Como o preço do maracujá, tanto no mercado interno quanto no mercado internacional continua em elevação dada à escassez do produto, acredita-se que a demanda pelo trabalho dos melhoristas irá aumentar. Uma vez fortalecidas as equipes atuantes, aumentará significativamente os estudos na área, de modo a permitir que as cultivares já lançadas e a serem lançadas se estabeleçam definitivamente nos pomares.

4. LITERATURA CITADA

BRUCKNER, C.H. Perspectivas do melhoramento genético do maracujazeiro. Maracujá: temas selecionados. Porto Alegre: Cinco Continentes Editora, 1997. p. 25-46.

CROCHEMORE, M.L.; MOLINARI, H.B.; STENZEL, N.M.C. Caracterização agromorfológica do maracujazeiro (Passiflora spp.). Revista Brasileira de Fruticultura, v. 25, n. 1, p. 5-10, 2003a.

CUNHA, M.A.P. da. Recursos genéticos e modificações em métodos de seleção para produtividade em maracujá. Cruz das Almas, BA: Revista Brasileira de Fruticultura, Cruz das Almas, v.18, n.3, p.413-423, 1996.

CUNHA, M.A.P. da. Seleção para produtividade em populações de maracujazeiro. I. Seleção massal estratificada modificada. Cruz das Almas, BA. EMBRAPA-CNPMF, 1997a. 4p. (EMBRAPA-CNPMF. Comunicado Técnico, 48).

CUNHA, M.A.P. da. Seleção para produtividade em populações de maracujazeiro. II. Seleção entre e dentro de famílias de meios-irmãos modificada. Cruz das Almas, BA. EMBRAPA-CNPMF, 1997b. 4p. (EMBRAPACNPMF. Comunicado Técnico, 49).

CUNHA, M.A.P. da; ROCHA, E.S. Banco ativo de germoplasma de maracujazeiro da Embrapa Mandioca e Fruticultura. Cruz das Almas, BA. EMBRAPA-CNPMF, 1997a. 4p. (EMBRAPA-CNPMF. Pesquisa em Andamento, 46).

CUNHA, M.A.P. da. Banco ativo de germoplasma de maracujá. In: REUNIÃO TÉCNICA: PESQUISA EM MARACUJAZEIRO NO BRASIL, 1997, Cruz das Almas, BA: EMBRAPA/CNPMF, 1998b. p.15-23 (EMBRAPA-CNPMF. Documentos, 77).

CUNHA, M.A.P. da. Criação e seleção de variedades de maracujazeiro. In: REUNIÃO TÉCNICA: PESQUISA EM MARACUJAZEIRO NO BRASIL, 1997, Cruz das Almas, BA: EMBRAPA/CNPMF, 1998c. p.77-94 (EMBRAPA-CNPMF. Documentos, 77).

EMBRAPA: Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro. Variabilidade genética e melhoramento do maracujá. Disponível em . Acessado em: 26/04/2010.

FERREIRA, F.R. Recursos genéticos de Passiflora. In: FALEIRO, F.G.; JUNQUEIRA, N.T.V.; BRAGA, M.F. (Eds.). Maracujá, germoplasma e melhoramento genético. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2005. p. 41-51.

GIACOMETTI, D.C.; FERREIRA, F.R. Situação do germoplasma de espécies frutíferas mais importantes no Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO FRUTICULTURA, 5., Pelotas, 1977. Anais. Pelotas: Sociedade Brasileira de Fruticultura, 1977. v.3, p.1245-1258.

GOEDERT, C.O. Histórico e avanços em recursos genéticos no Brasil. In: NASS, L.L. (Ed.). Recursos genéticos vegetais. Brasília: Embrapa, 2007. p. 23-60.

LIMA, A. de A. coord. O cultivo do maracujá. Cruz das Almas-Ba: Embrapa Mandioca e Fruticultura, 1999. 130p. (Embrapa Mandioca e Fruticultuta, 35).

MANICA, I. Fruticultura Tropical: Maracujá/Ivo Manica – São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 1981.

MARTINS, M.R.; OLIVEIRA, J.C.; DI-MAURO, A.O.; SILVA, P.C. Avaliação de populações de maracujazeiro-doce (Passiflora alata Curtis) obtidas de polinização aberta. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 25, n. 1, p. 111-114, 2003.

MEDIMA, J.C. et al. Maracujá: cultura . 2. Matéria-prima, processamento e aspectos econômicos, 2a.ed. Ver. E ampl. Campinas, ITAL, 1987. 285p.

MELETTI, L.M.M.; SOARES-SCOTT, M.D.; PINTO-MAGLIO, C.A.F; MARTINS, F.P. Caracterização de germoplasma de maracujazeiro (Passiflora sp). Revista Brasileira de Fruticultura, v.14, p.157-162, 1992.

MELETTI, L. M. M.; SOARES-SCOTT, M.D.; BERNACCI, L.C.; PINTO-MAGLIO, C.A.F; MARTINS, F.P. Caracterização Agronômica e seleção de germoplasma de maracujá (Passiflora spp). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 13., Salvador, 1994. Resumos. Cruz das Almas: Sociedade Brasileira de Fruticultura, 1994. v.3, p.821-822.

MELETTI, L.M.M. Caracterização agronômica de progênies de maracujá amarelo (Passiflora edulis Sims. f. flavicarpa Degener). Piracicaba, 1998. 92p. Tese (Doutorado) ¾ Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiróz", Universidade de São Paulo.

MELETTI, L.M.M.; BERNACCI, L.C.; SOARES-SCOTT, M.D.; FILHO, J.A.Z.; MARTINS, A.L.M.Variabilidade genética em caracteres morfológicos, agronômicos e citogenéticos de populações demaracujazeiro-doce (Passiflora alata Curtis). Revista Brasileira de Fruticultura, v. 25, n. 2, p. 275-278, 2003.

MURAYAMA, S. 1914-Fruticultura. 2 ed.Campinas, Instituto Campineiro de Ensino Agrícola, 1973.

NASS, L.L. Utilização de recursos genéticos vegetais no melhoramento. In: NASS, L.L.; VALOIS, A.C.C.; MELO, I.S.; VALADARES-INGLIS (Eds.). Recursos genéticos e melhoramento – plantas. Rondonópolis: Fundação MT, 2001. p. 29-55.

OLIVEIRA, J.C. de; SALOMÃO, T.A.; RUGGIERO,C. Observações sobre o cultivo da Passiflora alata (maracujá guassú). Revista Brasileira de Fruticultura, v.2, p.59-63, 1980.

OLIVEIRA, J.C. de. Melhoramento genético. In: RUGGIERO, C. A cultura do maracujazeiro. Ribeirão Preto: Legis Summa, 1987. p.218-246

Scielo1 Brasil. Revista Brasileira de Fruticultura. GENÉTICA E MELHORAMENTO DE PLANTAS. Disponível em:< pid="S0100-29452004000300029&script="sci_arttext">. Acessado em: 24/04/2010.

Scielo2 Brasil. Revista Brasileira de Fruticultura. Melhoramento do maracujazeiro-amarelo: obtenção do cultivar 'COMPOSTO IAC-27'. Disponível em . Acessado em: 26/04/2010.

VALLS, J.F.M. Caracterização de recursos genéticos vegetais. In: NASS, L.L. (Ed.). Recursos genéticos vegetais. Brasília: Embrapa, 2007. p. 281-305.

VIANA, A.P.; PEREIRA, T.N.S.; PEREIRA, M.G.; SOUZA, M.M.; MALDONADO, J.F.M.; AMARAL JÚNIOR, A.T. Diversidade genética entre genótipos comerciais de maracujazeiro-amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa) e entre espécies de passifloras nativas determinada por marcadores RAPD. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 25, n. 3, p. 489-493, 2003.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Postagens populares da Ultima Semana