quinta-feira, 1 de julho de 2010

“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Fusarium solani”

Autor: Guilherme Augusto M. Padovani

Existem 1414 registros de espécies, formae speciales e variedades de Fusarium spp. registrados em literatura. A espécie Fusrium solani (Mart.) Sacc. (1881), apresenta 49 tipos de especializações, sendo 30 formae speciales, 18 variedades e uma subespécie denominada de F. solani-tuberosi. O taxon que gerou a espécie valida atualmente é denominado de Fusisporium solani Mart.(1842); (Index Fungorum, 2010).


Fusarium solani (Mart.) Sacc. apresenta como sinonímia F. javanicum e apresenta como teleomorfo o ascomiceto Nectria hematococca. Seu micélio é branco, abundante, difuso, com gotículas de coloração branco leitosa e brilhante em placa de Petri, contem micronídios cilíndricos ou ovais, e suas dimensões são de 8-16x2-4 µ. Seus clamidósporos são globosos podendo ser isolados ou aos pares. As espécies similares apresentam fiálides longas e eretas, medindo 45-80 x 2,5-3 µ e constitue a principal distinção de F. solani da espécie similar F. oxysporum, que apresenta fiálides curtas. Os Hospedeiros mais importantes pertencem aos gêneros Allium sp., Arachis sp., Capsicum, Eupatorium, Foeniculum, Glycine, Gossypium, Hibiscus, Linum, Phaseolus sp., Sesamum, Trifolium, Zea. Diversas formae speciales foram propostas para a espécie. (UFPEL, Patologia de Sementes).


O teleomorfo apresenta o seguinte posicionamento taxonômico, Reino Fungi, Divisão Ascomycota, Classe Sordariomycetes Sub-classe Hypocreomycetidae Ordem Hypocreales, Família Nectriaceae, Este fungo apresenta micélio aéreo filamentoso, denso e cotonoso, formado de hifas ramificadas, septadas; dois tipos de conídios: macro e microconídios e estruturas assexuadas de resistência: clamidósporos. Quando presentes os clanidospóros podem ser terminais, intercalados, isolados ou em cadeias. Nos conídios fusiformes são produzidos esporodóquios (Tuberculiriaceae). (Index Fungorum, 2010).


Existem 860 registros de Fusarium solani encontrado em 416 espécies hospedeiras, em vários países dos continentes Europeu, Asiático, Americano, Africano e Oceania. Sendo que os principais hospedeiros são Solanum sp., Pinus sp., e Phaseolus sp. (Farr & Rossman, 2010)


No Brasil as hospedeiras são: Bellmoschus esculentus M. (Quiabo), Acacia margium Will. (Fabaceae), Allium cepa L. (Cebola), Allium sativum L. (Alho), Anacarcardium occidentalle L. (Cajueiro), Ananas Mill. (Bromiliaceae), Arachis hypogoea L. (Amendoim), Bita vulgaris L. (Beterraba), Capsicum annum L. (Pimentao), Capsicum spp. L.(Solanaceae), Chysanthenum spp. (Asteraceae), Coffea arabica L. (Cajueiro), Colocasia esculenta Schott. (Inhame selvagem), Cucumis nilo L. (Melão), Daucus carota L. (Cenoura), Gladiolus spp. (Iridaceae), Glicyne max Mirr. (Soja), Gossypium hiscutum L. (algodão), Gyprophyla sp. L. (Cariofillaceae), Hancornia speciosa Gomes (Mangaba), Helianthus annus Linn. (girassol), Hervea brasiliensis (Willd. ex A.Juss.) Müll. Arg. (Seringueira), Hervea sp. (Euphorbeaceae), Hibiscus esculentus Linn. (Quiabo), Lycopersicum esculentum Mill. (Tomateiro), Manihot esculenta Crantz (Mandioca), Musa paradisiaca L. (Bananeira), Origanum vulgare L. (Oregano), Oriza sativa L. (Arroz), Passiflora idulis Sims (Maracujá), Passiflora spp. (Passifloracia), Phaseolus lanatus L. (Feijaõ-de-lima), Phaseolus vulgaris L. (Feijão), Piper nigum L. (Pimenta do reino), Piscum sativum L. (Ervilha), Ricnus communis Linn. (Mamona), Schefflera arboricola Hayata (Chefera pequena), Schizolobium amazonicum Huber ex Ducke (Parica), Solanum tuberosum L. (Batata), Triticum aesticum Linn. (Trigo), Urena lobata Linn. (Malvaceae), Vittis spp. (Vitaceae) e Zea mays Linn. (Milho) (Embrapa cenargen, 2010).


Fusarium solani é a espécie mais comum de Fusarium recuperadas em humanos e animais. É um agente etiológico em ceratite, endoftalmite, infecções cutâneas, pacientes queimados, micetoma, onicomicose, sinusite doença pulmonar, endocardite, infecções do cateter, e artrite séptica.


Pacientes neutropênicos com doenças hematológicas malignas e aqueles submetidos a transplante de medula óssea são de alto risco para doença disseminada. Também tem sido relatada em sistemas de distribuição de água do hospital. Caracterização molecular sugere que clinicamente significativas isoladas variam consideravelmente e são mais referidos como membros da "espécie Fusarium solani complexo". Cylindrocarpon lichenicola e Acremonium falciforme foram recentemente adicionados ao complexo de espécies de F. solani baseado em estudos moleculares e um espectro de doenças oportunistas semelhante ao observado para F. solani. (Doctor fungos).


A identificação microbiológica decorre, inicialmente, de provas bioquímicas, porém o uso de técnicas de biologia molecular pode enriquecer o conhecimento a esse respeito, tendo como conseqüências um impacto significativo no nível de resolução taxonômica, na qualidade científica problemas de classificação, no que diz respeito à caracterização e à definição de novos táxons, em diversos grupos de microrganismos (Embrapa cenargen, 2010).


As espécies do gênero Fusarium possuem classificação baseada nas suas características morfológicas. As principais características consideradas para designar espécies são: morfologia da colônia, pigmentação e taxa de crescimento, especificidade de hospedeiros e perfil de metabólitos secundários Tharane, (1990). Devido à plasticidade e variações de características fenotípicas desse gênero, os marcadores morfológicos não são suficientes, o que tem levado a uma série de discordâncias na especiação desses fungos (Oliveira e Costa, 2002). Sendo assim, a sistemática molecular, que tem por base as relações filogenéticas, é uma ferramenta que oferece considerável segurança no estabelecimento de um sistema complementar de classificação para fungos, auxiliando na definição de alguns grupos taxonômicos e na designação mais precisa da posição desses microrganismos (Embrapa cenargen, 2010)


Estes fungos presente no solo ou veiculados pelas sementes, são responsáveis por podridão de raízes, ginóforos, vagens e sementes, ''damping-off'' e murcha vascular, onde, estes fungos causam a redução do desenvolvimento da planta, amarelecimento, queda de folhas e morte da planta, foram relatados também causando podridão de frutos em pós-colheita causando perdas consideráveis .Abrahão, (1949).


A podridão radicular seca do feijoeiro comum, cujo agente causal é o fungo Fusarium solani (Mart.) Hans f. sp. phaseoli, ocorre tanto na Europa como na América onde já foram constatadas reduções de até 86% na produção em situações de limitado crescimento radicular (Bianchini et. al., 1997).


Este patógeno tem sido amplamente relatado no Brasil como agente causal de doenças radiculares no feijoeiro comum (Phaseolus vulgaris L.) e na soja (Glycine Max L.); (Kimati, et. al., 1997).


O objetivo desse trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos de Fusarium solani.

O trabalho foi feito no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano campus Urutaí.


Os propágulos foram retirados de folhas de raízes de feijão (Phaseolus vulgaris L.) coletadas no laboratório em uma caixa do tipo Gerbox com papel filtro e água destilada para o desenvolvimento das côlonias fúngicas, apanhou-se as raízes da caixa e levou-as para a visualização em microscópio estereoscópico com a finalidade de se encontrar propágulos fúngicos.
Após a visualização dos propágulos devemos coletá-los da superfície foliarcom o auxílio de uma pinça e colocá-los em uma lâmina contendo uma gota de fixador lactofenol cotton-blue, em seguida colocou-se uma lamínula sobre a lâmina. Retirou-se o excesso de corante com papel higiênico, logo após vedou-se com esmalte e levar o conjunto para visualização em microscópio ótico. No microscópio a primeira objetiva a ser usada deve ser a menor (4x), para que possamos observar se os propágulos foram depositados na lâmina, após a observação destes, aumentamos as objetivas para os aumentos de 10x e 40x, para se observar as estruturas fúngicas com mais detalhes.


Comparamos as estruturas observadas com estruturas descritas em literatura para identificar o gênero ao qual o fungo pertence. Nesse trabalho o fungo identificado pertenceu ao gênero Fusarium solani.


Para esse trabalho foram realizadas microfotografias das estruturas fúngicas no microscópio ótico e das frutificações fúngicas na epiderme das folhas no microscópio estereoscópico, utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580.


Figura 1. Aspectos morfológicos de Fusarium sp., A. Macroconídios (mac) e conidióforo (cd) (bar = 16µm), B. Conidióforo (bar = 2,5µm), C. Detalhe macroconídio (bar = 3,7µm), D. Macroconídios fusiformes, tipo “aspecto de foice” (bar = 2,5µm), E. Macroconidios fusiformes (bar = 4µm), F. Microconídios (mic), hialinos periformes ou ovais (bar = 16µm).

DESCRIÇÃO MICOLÓGICA:

As características microscópicas apresentadas nas figuras (A, B, C, D, E, F) referme-se a produção de macro e microconidios. Os macroconidios hialinos, fig. (C, D, E) são septados (pluricelulares), fusiformes ou com típico aspecto “em forma de foice” característico do gênero, muitas vezes com célula apical alongada e célula basal pedicelada. A fig. (F) apresenta conidióforo e microconidios hialinos, piriformes ou ovais com possível presença de clamidósporos (Vidotto, 2004).

Características dos conidióforos hialinos, apresentam esporos rolamentosos, simples no vértice e mais alto que o comprimento de macroconídios por algumas vezes. Os conídios hialinos com dimorfismo filamentoso são: macroconídios com célula apical ligeiramente curvada, duas células cilíndricas central, muitas vezes, ligeiramente curvada de um lado, e a célula da base, normalmente de 3 a 5 septos (Vidotto, 2004).

Apresentam colônias de crescimento rápido, claras ou levemente coloridas de marrom, rosa ou vermelho, de acordo com a espécie e podem, ou não, apresentar micélio aéreo cotonado evidente (Vidotto,2004).


LITERATURA CITADA


ABRAHÃO, J. Mancha escura e verrugose do amendoim. O Biológico, São Paulo, v.15, n.11, p.222, 1949.

BIANCHINI, A., MARINGONI, A.C. & CARNEIRO, S.M.T.P.G. Doenças do Feijoeiro. In: Kimati, H., Amorin, L., Bergamin, F.A., Camargo, L.E.A. & Rezende, J.A. (Eds.) Manual de Fitopatologia. 3 ed. 2v. Ceres. 1997. pp.376-405.
DOCTOR FUNGOS Disponível em: , acessado em: 22 junho 2010

FARR, D.F., & ROSSMAN, A.Y. Fungal Databases, Systematic Mycology and Microbiology Laboratory, ARS, USDA. Retrieved July 1, 2010, from http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/
INDEX FUNGORUM Disponível em:<>, acessado em: 29 abril 2010.

KIMATI, H., AMORIM, L., BERGAMIM, F.A & REZENDE (Eds). Manual de fitopatologia. Editora Agrônoma Ceres LTDA Vol. 1. 1997.

MENDES, M. A. S.; URBEN, A. F.; Fungos relatados em plantas no Brasil, Laboratório de Quarentena Vegetal. Brasília, DF: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Disponível em: http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/fgbanco01.asp. Acesso em: 1/7/2010.

OLIVEIRA, C. V.; COSTA, S. L. J. Análise de restrição de DNA ribossomal amplificado (ANDRA) pode diferenciar Fusarium solani f. sp. phaseoli de F. solani f. sp. glycines. Fitopatologia Brasileira, Brasília, DF, v. 27, p. 631-634, 200

THARANE, U. Grouping Fusarium section Discolor isolates by statistical analysis of quantitative high performance liquid chromatographyc data on secondary metabolite production. Journal Microbiological Methods, St. Louis, US, v. 12, p. 23-39, 1990.

UFPEL - PATOLOGIA DE SEMENTES Disponível em:, acessado em: 22 junho 2010
VIDOTTO, V. Manual de micologia médica. Ribeirão Preto, SP: Tecmed, 2004.

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