sexta-feira, 2 de julho de 2010

MELHORAMENTO GENÉTICO DA MANDIOCA (Manihot esculenta)

1 - INTRODUÇÃO

A mandioca é uma planta originaria da América do Sul e exerceu um papel relevante para as populações nativas, e desempenhou papel importante nos primórdios da colonização do Brasil, como cultura de subsistência e também como produto de valor comercial.
A mandioca é uma cultura rústica, adaptada às condições marginais de clima e solo. Constitui uma das mais importantes fontes de carboidratos de 600 milhões de pessoas em vários países tropicais do mundo. É considerada uma planta completa com suas raízes ricas em carboidratos, e folhas ricas em proteínas, vitaminas A e C, além de outros nutrientes. (Fukuda, 2005)
A mandioca destaca-se como uma planta muito usada, tanto em alimentação humana e animal quanto em uso industrial. É uma fonte de carboidratos usada em vários países como Brasil, África, Ásia e América Latina entre outros. R
As mudanças demográficas tanto impõem restrições como criam oportunidades para o incremento da demanda de mandioca, onde as migrações das áreas rurais para as urbanas levam à redução no consumo da mandioca e derivados; mas também, o processo de urbanização cria oportunidades para produtos com maior valor agregado e para produtos que usam os derivados da mandioca como insumo no processo de produção.
Mesmo nas situações em que havia um cultivo comercial importante e com reconhecido valor econômico, a cultura da mandioca dava sustentabilidade ao sistema agroexportador; o cultivo da mandioca predomina nas pequenas unidades de produção, mas há também nas unidades maiores, mesmo com a mandiocultura em grande escala nas Regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil.
As transformações ocorridas com a cultura da mandioca não se dão de forma linear, elas se relacionam com outras mudanças ocorridas nos sistemas produtivos e se refletem diretamente na organização da produção, bem como na alocação da mão-de-obra envolvida.


2 - MELHORAMENTO GENETICO

O melhoramento genético da cultura da mandioca tem se desenvolvido em diferentes estágios, tais como avaliação de variedades nativas, coleta e intercambio de germoplasma regional e global, recombinação e seleção de clones e uso de espécies silvestres para ampliar a base genética A partir dos anos 80, a biotecnologia tem sido desenvolvida e aplicada para facilitar e aumentar a eficiência do melhoramento da mandioca. Como consequência, novos horizontes tem sido abertos para o melhoramento da mandioca. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.326)
As atividades do Programa de Melhoramento Genético de Mandioca do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) iniciaram-se na década de 1930. O projeto é o mais antigo existente na área e conta com a maior variabilidade genética dos bancos de germoplasma do mundo. O programa gerou as primeiras técnicas de produção comercial da cultura, que até então encontravam-se em níveis de subsistência e ainda com traços de exploração indígena. (Bazzo, 2007)
Atualmente, o programa trabalha no desenvolvimento de novos clones (genótipos ainda não cultivados) que estão em fase final de avaliação, aguardando a validação agronômica para serem disponibilizados aos produtores. O principal objetivo do IAC é a obtenção de novas variedades com maiores teores de matéria-seca e maior produtividade para as variedades voltadas à indústria. O pesquisador acredita que o principal benefício decorrente do desenvolvimento de novas cultivares para os produtores é a valorização da plantação. (Bazzo, 2007)
Segundo o pesquisador, no início, o instituto diagnosticou as principais cultivares plantadas, orientando os produtores para aquelas mais produtivas. Posteriormente, houve a preocupação em identificar as variedades que possuíam maiores teores de matéria-seca (indicativo de maiores teores de amidos e, conseqüentemente, mais rendimento industrial) e com maior tolerância à bacteriose, principal doença que ataca os mandiocais. Ele acredita na necessidade de fortalecer o sistema produtivo da mandioca e buscar recursos que viabilizem o desenvolvimento de novas tecnologias. (Bazzo, 2007)
Um dos trabalhos pioneiros no Brasil, quanto ao melhoramento genético da mandioca, teve início, em São Paulo, com a criação, em 1935, da Seção de Raízes e Tubérculos do Instituto Agronômico (IAC). Naquela época, os trabalhos iniciaram-se com a constituição de uma coleção de variedades da região e de outros estados e avaliação desses materiais. (Cordeiro, 2003)
Os trabalhos de melhoramento genético com a cultura da mandioca no Brasil iniciaram em meados do século 20, sendo intensificados no anos 40 por instituições de pesquisa regionais que procuraram atender as demandas de cada região; concentraram-se principalmente, na introdução e avaliação do germoplasma disponível. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.326)
Na Região Sudeste, as primeiras pesquisas de melhoramento genético da mandioca foram realizados pelo Instituto Agronômico de Campinas, a partir do ano de 1940, utilizando-se a recombinação entre as variedades, por meio de cruzamentos controlados entre parentais heterozigóticos e seleções durante gerações sucessivas de multiplicação vegetativa. A partir de 1969, o programa foi ampliado, com o aumento significativo da geração de novos clones. Paralelamente aos trabalhos de cruzamento o Instituto Agronômico de Campinas efetuou coletas sistemáticas de germoplasma de mandioca no Estado de São Paulo. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.326)
No Estado de Minas Gerais, os trabalhos de melhoramento genético com a cultura tiveram inicio nos anos 50, pelo Instituto de Pesquisa Agropecuária do Centro-Oeste, com a coleta e seleção de variedades adaptadas ao Estado. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.326)
No Estado do Rio de Janeiro, as pesquisas de melhoramento da mandioca foram iniciadas pelo Instituto de Pesquisa Agropecuária do Centro-Sul e resumiram-se a introdução e avaliação de germoplasma. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.327)
Na Região Norte do Brasil, as primeiras pesquisas em melhoramento genético da mandioca foram conduzidas pelo Instituto de Pesquisa Agropecuária Norte, a partir de 1947, quando se efetuaram os primeiros cruzamentos controlados e autofecundações, alem de coletas de variedades regionais. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.327)
Na Região Nordeste, o melhoramento da mandioca foi iniciado em 1952 pelo Instituto de Pesquisa Agropecuária do Leste, na Bahia, com a coleta e avaliação de variedades regionais e cruzamentos abertos. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.327)
Em 1969, a Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia, iniciou um amplo programa de melhoramento genético da mandioca para o Nordeste, com a formação de um banco de germoplasma e a geração e avaliação de milhares de híbridos. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.327)
No Sul do Pais, os trabalhos de melhoramento com a mandioca foram iniciados em 1942, pela Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, com a formação e avaliação de um banco de germoplasma com 500 acessos e a geração de novos clones por recombinação Muitas das variedades recomendadas nesse período ainda continuaram em uso pelos produtores de mandioca. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.327)
A partir de 1976, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em parceria com as Unidades Estaduais de Pesquisa e Universidades, passou a desenvolver e coordenar projetos de melhoramento genético com a cultura da mandioca, visando atender diferentes ecossistemas do Pais. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.327)
A geração e seleção de novos clones, por meio de recombinações, tem sido desenvolvidas por poucas instituições de pesquisa no Brasil. Nesse aspecto, destacam-se trabalhos de melhoramento da mandioca para as condições de cerrados e para diferentes ecossistemas e formas de utilização. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.327)
Com resultados principais desses trabalhos foi ampliada a base genética de mandioca nos bancos de germoplasma do Pais, identificados e gerados novos clones resistentes as principais pragas e doenças, com alto potencial de rendimento de raízes e adaptados aos diferentes ecossistemas onde se cultiva a mandioca no Brasil. (Farias; Fukuda, 2006, p.328)
A intensificação dos trabalhos de recombinação por meio de cruzamentos tem apresentado ganhos significativos nos últimos anos, com o lançamento de vários híbridos resistentes a pragas e doenças, com alto potencial de rendimento de raízes e aceitação por parte dos produtores de mandioca. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.328)


2.1 - ORIGEM E DOMESTICAÇÃO

Consideráveis conhecimentos tem sido gerados nos últimos 10 anos sobre os aspectos botânicos, origem geográfica e centros de domesticação do cultivo da mandioca. A mandioca foi domesticada a partir de espécies silvestres, sugerindo que a Manihot esculenta Crantz flabellifolia e a Manihot esculenta Crantz peruviana foram os possíveis ancestrais da mandioca. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.328)
Recentemente a foi agregada como outro possível ancestral da mandioca, com base em dados de cruzamentos e marcadores moleculares gerados. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.328)
Essas espécies estão distribuídas nas Regiões de Floresta Tropical, Marginal, Cerrados e Centro-Oeste do Brasil. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.328)
Analises filogenéticas do gênero Manihot realizadas baseadas em marcadores moleculares, indicaram que a mandioca originou-se na América do Sul. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.328)
Estudos de caracterização da mandioca incluindo polimorfismo de comprimento de fragmento amplificado e microsatélites, usado em quatro espécies de mandioca da América do Sul, confirmaram que a mandioca esta relacionada com a Manihot esculenta silvestre. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.328)
A mandioca e uma espécie cultígena de origem americana; não se encontra sob a forma silvestre aparentemente evoluiu como uma espécie cultivada, por seleção natural e com o cuidado do homem. Foi domesticada por povos pré-colombianos, visando à produção de raízes a partir de espécies silvestres. Evidencias encontradas indicam que o cultivo da mandioca é praticado há cerca de 3.000 a 7.000 anos. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.329)


2.2 - CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA E RELAÇÃO COM OUTRAS ESPECIES

Dentro da sistemática botânica de classificação hierárquica a mandioca pertence à classe das Dicotiledôneas, a subclasse Archiclamydeae, a ordem Euphorbiales, a família Euphorbiaceae, a tribo Manihoteae, ao gênero Manihot e a espécie Manihot esculenta Crantz. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.329)
No gênero Manihot já foram identificadas cerca de 98 espécies. A Manihot esculenta Crantz é a única espécie desse gênero cultivada comercialmente para a produção de raízes comestíveis e apresenta as seguintes sinonímias: M. utilissima, M. edulis e M. aipi. É conhecida na América Latina como mandioca e yuca; no Continente Norte-Americano e países da Europa, como cassava, manioc, manioca e tapioca; e nos países da Ásia e da África, como suahili, mhogo e omowgo. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.329)
Em todos os cultivos do Hemisfério Ocidental os agricultores costumam classificar as variedades de mandioca em doces e amargas, de acordo com o teor de acido cianídrico contido em suas raízes, não havendo nenhuma relação com a sua classificação taxonômica. As espécies do gênero Manihot apresentam ampla variabilidade genérica para caracteres de interesse agronômico e perspectiva promissoras de introgressão com a espécie M. esculenta. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.329)

2.3 - MODO DE REPRODUÇÃO E BIOLOGIA FLORAL

A mandioca reproduz-se por propagação vegetativa, embora a produção de sementes sexuais acorra facilmente nessa espécie, gerando diversidade genética no âmbito de agricultores; isso constitui a principal fonte de diversidade da mandioca para as comunidades indígenas situadas na Floresta Amazônica. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.330)
Em função da ampla segregação das plantas oriundas de sementes sexuais, originando populações altamente desuniformes para quase todos os caracteres da planta, as sementes da mandioca tem sido utilizadas em programas de melhoramento genético, para criar variabilidade. A semente sexual da mandioca também atua como um filtro para vírus e outras doenças, e poderia ser usada como uma alternativa de propagação da mandioca destinada ao processamento de raízes. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.330)
A estrutura orgânica reprodutiva de M. esculenta é típica de espécies alógamas. Para fins de melhoramento genético, a taxa de cruzamento é facilmente manejável, permitindo desde 100% de autofecundação ate 100% de cruzamentos. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.330)
A mandioca é uma espécie monóica, com flores masculinas e femininas dispostas na mesma inflorescência. As flores masculinas são formadas na pare superior das inflorescências, em maior numero, enquanto as flores femininas encontram-se na parte basal, em numero inferior. Apresenta protoginia, ou seja, as flores femininas abrem uma semana antes da flores masculinas. Entretanto, as inflorescências da mesma planta pode ocorrer à abertura simultânea das flores masculinas e femininas. Desta forma, tanto a autofecundação como o cruzamento ocorrem naturalmente. É considerada uma espécie preferencialmente alógama e altamente heterozigota, em função do caráter protogênico da antese floral, da ocorrência de macho esterilidade e da forte depressão endogâmica ocasionada pelas autofecundações, apesar de não existir nenhuma barreira genética ou fisiológica que impeça a ocorrência de autofecundações. A forte depressão endogâmica, em adição à sua forma de propagação vegetativa, atua como um mecanismo biológico pelo qual a alta taxa de heterozigose da espécie é mantida. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.330)


2.4 - GENÉTICA E CITOGENÉTICA

A mandioca é considerada uma espécie diplóide, possuindo 2n=36 cromossomos, com meiose regular de 18 bivalentes, mas de origem alotetraplóide segmental com um numero básico de cromossomo X=9. A ausência de series poliplóides indica ser este o grau de ploidia que permite a melhor adaptabilidade do gênero, mas não contribui para o conhecimento da filogenia da espécie. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.331)


2.5 - OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS DO MELHORAMENTO

Os objetivos de um programa de melhoramento genético com mandioca são estabelecidos em função das demandas de produção, processamento e mercado e são específicos para cada pais ou região, apesar de observar-se que muitos são comuns, principalmente no que se refere ao incremento de produtividade de raízes e a resistência à praga e doenças. No entanto, os objetivos devem ser dinâmicos e ajustados à evolução do cultivo, a diversificação do produto final e as oportunidades de mercados alternativos. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.331)
Em mandioca, dificilmente os objetivos tem se limitado ao melhoramento de um único caráter e geralmente são envolvidos caracteres múltiplos. As evidencias mostraram que a maioria dos caracteres de interesse agronômico em mandioca é controlada por vários genes com defeitos aditivos. Dessa forma, o melhoramento visando caracteres múltiplos é bastante complexo e pode tornar-se um processo demorado. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.332)
Independente do numero de caracteres, os objetivos do melhoramento genético da mandioca consideram os seguinte aspectos: o ecossistema e a finalidade de exploração do cultivo. Apesar de adaptar-se a diferentes condições edafoclimáticas , a mandioca apresenta alta interação dos genótipos com o ambiente, indicando que um mesmo genótipo dificilmente comporta-se da mesma maneira em todas as regiões ecológicas. Uma das causas fundamentais disso é o grande numero de pragas e doenças que afeta o cultivo, cuja incidência e gravidade estão limitadas a condições edafoclimáticas especificas, restritas a determinados ecossistemas. Além disso, a mandioca é afetada por inúmeros estresses ambientais que limitam ou inviabilizam o desenvolvimento de uma única variedade em diferentes ecossistemas. Em consequência, a adaptação, a estabilidade de produção e a resistência a pragas e doenças são os objetivos básicos dos programas de melhoramento da mandioca. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.332)
Com respeito às doenças, destacam-se:
• Bacteriose
A bacteriose, causada por Xanthomonas axoponodis pv. manihotis, é a principal doença da mandioca, sobretudo no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Os sintomas da bacteriose caracterizam-se por manchas angulares, de aparência aquosa, nos folíolos, murcha das folhas e pecíolos, morte descendente e exsudação de goma nas hastes, além de necrose dos feixes vasculares e morte da planta. Os prejuízos causados pela bacteriose variam com as condições climáticas, suscetibilidade ou tolerância das variedades, práticas culturais empregadas, épocas de plantio e nível de contaminação do material de plantio. A variação brusca de temperatura entre o dia e a noite é o fator mais importante para a manifestação severa da doença, sendo que a amplitude diária de temperatura superior a l0ºC durante um período maior que cinco dias é a condição ideal para o pleno desenvolvimento da doença. As perdas de produção estão em torno de 30% em cultivos usando variedades suscetíveis e, em locais com condições favoráveis para a doença, os prejuízos podem ser totais A utilização de variedades resistentes é a medida mais eficiente para o controle da bacteriose; mas, também, contribuem as práticas culturais como a utilização de manivas sadias e a adequação das épocas de plantio. (Cordeiro, 2003)
• Podridão Radicular
A podridão radicular é a doença de pouca expressão nas Regiões de Cerrado, sendo mais limitante na Região Nordeste, cujas perdas de produtividade de raízes nas áreas de maior ocorrência estão em torno de 30%. Na Região Norte ela é particularmente importante nos ecossistemas de Várzea e de Terra Firme, nos quais as perdas chegam a ser superiores a 50% no primeiro e atingem até 30% no segundo. Em alguns casos têm-se observados prejuízos totais, principalmente em áreas com solos adensados e sujeitos a constantes encharcamentos. Os mais importantes agentes causadores da podridão radicular são os fungos Phytophthora sp. e Fusarium sp. Alguns estudos mostram que a ocorrência de Phytophthora sp. é mais acentuada em plantios de mandioca implantados em áreas sujeitas a encharcamento, com textura argilosa e de pH neutro ou ligeiramente alcalino. No caso de Fusarium sp. acredita-se que sua sobrevivência está relacionada a solos ácidos e adensados. Outros agentes causais como Diplodia sp. Sytalidium sp. e Botriodiplodia sp. podem, em áreas favorecidas por microclima, tornar-se patógenos prejudiciais à cultura. (Cordeiro, 2003)
Os sintomas da podridão radicular são bastante distintos em função dos agentes causais. Normalmente, Phytophthora sp. ataca a cultura na fase adulta, causando podridões "moles" nas raízes, com odores muito fortes, semelhantes ao de matéria orgânica em decomposição; mostram uma coloração acizentada que se constitui dos micélios ou mesmos esporos do fungo nos tecidos afetados. O aparecimento de sintomas visíveis é mais freqüente em raízes maduras; entretanto, existem casos de manifestação de sintomas na base das hastes jovens ou em plantas recém-germinadas, causando murcha e morte total. No caso do Fusarium sp. os sintomas podem ocorrer em qualquer fase do desenvolvimento da planta e raramente causam danos diretos nas raízes. O ataque ocorre no ponto da haste junto ao solo, causando infecções e muitas vezes obstruindo totalmente os tecidos vasculares, impedindo a livre circulação da seiva e, conseqüentemente, provocando podridão indireta das raízes. Ao contrário de Phytophthora sp. os sintomas provocados nas raízes pelo ataque de Fusarium sp. são caracterizados por uma podridão de consistência seca e sem o aparente distúrbio dos tecidos. (Cordeiro, 2003)
As medidas de controle da podridão radicular envolvem a integração do uso de variedades tolerantes, associado a práticas culturais como rotação de culturas, manejo físico e químico do solo, sistemas de cultivo e outras. (Cordeiro, 2003)
• Superalongamento
O superalongamento, causado por Sphaceloma manihoticola, é uma das doenças causadas por fungos mais importantes da cultura da mandioca. Atualmente a doença encontra-se sob controle, não constituindo problema para a mandioca.
Os principais sintomas caracterizam-se pelo alongamento exagerado das hastes tenras ou em desenvolvimento, formando ram as finas com longos entrenós. Em casos severos as plantas afetadas podem ser identificadas pelas lesões típicas de verrugoses nas hastes, pecíolos e nervuras; também é comum observar retorcimento das folhas, desfolhamento e morte dos tecidos. A disseminação da doença é bastante rápida durante a estação chuvosa, pois os esporos são facilmente transportados a longas distâncias pelo vento e chuva. O estabelecimento da doença em áreas livres da mesma ocorre principalmente por meio de manivas-semente contaminadas.
Os prejuízos causados pelo superalongamento dependem da quantidade de inóculo inicial, da suscetibilidade das cultivares utilizadas e das condições climáticas. As perdas de produção podem atingir de 30% até 70.
As medidas de controle do superalongamento são basicamente a seleção de manivas sadias para o plantio, eliminação de plantas infectadas, uso de cultivares tolerantes ou resistentes e rotação de culturas nas áreas anteriormente afetadas. (Cordeiro, 2003)
• Superbrotamento
O superbrotamento é uma doença causada por fitoplasma, que tem sido encontrada atacando a cultura da mandioca no Brasil, com ocorrência registrada em quase todas as regiões produtoras de mandioca. Em condições altamente favoráveis ao desenvolvimento da doença, pode provocar uma redução de até 70% no rendimento de raízes, e acentuada diminuição nos teores de amido, que chega a 80% em cultivares suscetíveis. O superbrotamento também pode causar perdas na produção de manivas-semente, tendo em vista que, nas plantas afetadas, as hastes apresentam-se com um tamanho muito reduzido e excesso de brotação das gemas. (Cordeiro, 2003)
Os sintomas da doença caracterizam-se pela emissão exagerada de hastes a partir da haste principal, também chamados de envassouramento ou flocos, além de provocar raquitismo e amarelecimento generalizado das plantas afetadas. Acredita-se que a disseminação da doença ocorra por meio de vetores transmissores, normalmente insetos que têm o hábito sugador, além de manivas-semente contaminadas utilizadas para o plantio. (Cordeiro, 2003)
O controle do superbrotamento pode ser efetuado preventivamente evitando a introdução de material de plantio de áreas afetadas, seleção rigorosa do material de plantio em áreas de ocorrência da doença e eliminação de plantas doentes dentro do cultivo. A utilização de variedades resistentes é o método mais eficiente de controle da doença. (Cordeiro, 2003)
• Viroses
O mosaico das nervuras apresenta ampla abrangência geográfica. Os sintomas caracterizam-se pela presença de cloroses intensas entre as nervuras primárias e secundárias, nas plantas afetadas. Em casos severos da doença é comum observar um forte retorcimento do limbo foliar. (Cordeiro, 2003)
O "couro de sapo" tem sido observado de modo muito restrito em algumas lavouras localizadas no Amazonas, Pará e Bahia. Entretanto, a doença é considerada como potencialmente importante, pois sua manifestação severa em plantios de mandioca pode inviabilizar economicamente a produção. O ataque severo do vírus pode provocar redução em torno de 70% na produtividade ou até mesmo perdas totais em variedades suscetíveis. O vírus pode também reduzir drasticamente a qualidade do produto, especialmente os teores de amido nas raízes, cuja diminuição pode variar de 10 a 80%. (Cordeiro, 2003)
O mosaico comum ocorre normalmente em regiões com temperaturas mais amenas, no Sul e Sudeste do Brasil. A manifestação severa da doença em variedades suscetíveis pode causar perdas de produção entre 10 a 20%; o vírus também prejudica a qualidade dos produtos, causando reduções nos teores de amido que variam entre 10 a 50%. Os sintomas são clorose da lâmina foliar e retorcimento dos bordos das folhas, especialmente em folhas em formação. (Cordeiro, 2003)
Como métodos de controle das viroses são sugeridos a seleção de material de plantio, uso de variedades resistentes e eliminação de plantas afetadas dentro do cultivo. (Cordeiro, 2003)
Na África, o principal objetivo dos programas de melhoramento da mandioca é a resistência ao vírus do masaico africano, ainda não registrado na América Latina. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.332)
Dentre as pragas, destaca-se a resistência aos ácaros, muito comuns no Nordeste e Cerrados do Brasil. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.332)
Com respeito à adaptação aos estresses abióticos, destacam-se a resistência à seca e a tolerância a solos com altos teores de alumínio e a condições de frio. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.333)
A mandioca é utilizada sob as mais diferentes formas, aproveitando-se tanto a raiz como a parte aérea da planta. Dessa maneira, alem do potencial de rendimento de raízes, os objetivos específicos do melhoramento da cultura variam em função de sua finalidade de exploração, que pode ser para a indústria, consumo fresco e alimentação animal. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.333)
Para a indústria, os objetivos principais são elevados teores (30%) e a qualidade do amido e da farinha; para o consumo humano, baixos teores de acido cianídrico nas raízes, cozimento rápido e qualidade culinária da massa cozida; e para a alimentação animal, onde se aproveita a planta inteira, os objetivos principais incluem, alem da produção da matéria seca, a produtividade de parte aérea, com boa retenção de folhas e altos teores de proteínas. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.333)

2.6 - MÉTODOS DE MELHORAMENTO GENÉTICO UTILIZADOS EM MANDIOCA


Os métodos de melhoramento genético de um cultivo são definidos em função de seu modo de reprodução, da variabilidade genética disponível, do modo de propagação e dos objetivos do programa. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.333)
Em mandioca, alguns fatores influenciam a escolha dos métodos de melhoramento, tais como as características genéticas e citogenéricas da espécie, o nível de endogamia, o habito de florescimento e de polinização das plantas, a baixa taxa de produção de semente por polinização e o seu modo de propagação vegetativa. Acrescenta-se a isso a macho esterilidade, comum na espécie, e o seu alto grau de heterozigosidade. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.333)
A mandioca, por se tratar de uma espécie alógama, altamente heterozigota, apresenta ampla segregação na primeira geração apos a hibridação. Uma vez identificado um hibrido superior, na primeira geração, o mesmo é fixado por meio da propagação vegetativa, o que, constitui a maior vantagem da mandioca em trabalhos de melhoramento. Por outro lado, apresenta como principais desvantagens a necessidade de trabalhar-se com populações grandes, a dificuldade de estimar-se com precisão a performance dos genótipos gerados e a baixa taxa de propagação vegetativa. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.333)
Não existem métodos clássicos de melhoramento desenvolvidos para culturas de propagação vegetativa. Os métodos desenvolvidos para culturas alógamas aplicam-se a cultura da mandioca, modificados em função de suas características especificas. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.334)
Os principais métodos de melhoramento genético utilizados na cultura da mandioca são a introdução e seleção de variedades, a hibridação intraespecífica, a hibridação interespecífica e a indução de poliplóides. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.334)
• Introdução e seleção de variedades
A introdução de variedades como um método de melhoramento, em mandioca, é o método mais comum de desenvolvimento de novas variedades. A introdução, seguida de avaliações criteriosas, alem de construir o método mais simples e menos oneroso utilizado em mandioca, apresenta uma grande chance de êxito, em função da ampla diversidade genética disponível, ainda pouco explorada. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.334)
• Hibridação intraespecífica
A hibridação intraespecífica, seguida de seleção, é o método mais comum utilizado em mandioca, quando se deseja criar variabilidade ou transferir características de interesse econômico. Os cruzamentos são realizados entre parentais da mesma espécie, portadores de características complementares, seguidos de seleção fenotípica dos clones, individualmente, baseada na sua performance através de anos e em diferentes locais. O sucesso desse método depende, fundamentalmente, da escolha adequada dos parentais e da eficiência da seleção dos genótipos dentro das progênies resultantes de cada cruzamento. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.334)
• Hibridação interespecífica
Hibridações interespecíficas em mandioca tem potencial, mas devem ser utilizadas em maior escala apos um completo conhecimento e exploração da diversidade genética da espécie M. esculenta ou no caso de desejar-se modificar algumas características próprias dessa espécie. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.335)
O potencial de utilização de outras espécies do gênero Manihot no melhoramento genético da mandioca é discutível, considera-se que, no germoplasma disponível da espécie M. esculenta, já foi identificada diversidade genética para quase todos os caracteres agronômicos de importância econômica. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.335)
Em geral, quando um genótipo cultivado é cruzado com uma espécie silvestre portadora de alelos favoráveis para uma determinada característica, uma serie de alelos desfavoráveis para outra características agronômicas também é transferida, o que requer uma serie de gerações de retrocruzamentos para recuperar as características originais do genótipo. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.335)
• Indução de poliplóides
A indução de poliplóides tem sido um método pouco utilizado e esta baseado na premissa de que a poliploidia esta associada a certas características da planta, tal como o vigor da parte aérea, incluindo as folhas maiores, mais espessas e boa retenção foliar. A indução de poliplóides tem sido objeto de estudos na Índia mediante tratamento com colquicina. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.336)
Poliplóides espontâneos, sexuais e assexuais, de cruzamento intra e interespecíficos tem sido testados quanto ao seu valor agronômico. Esses cruzamentos tem se mostrado muito promissores e representam um novo horizonte para ampliar a base genética da mandioca. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.337)


2.7 - TÉCNICAS DE HIBRIDAÇÃO

As hibridações em mandioca são realizadas utilizando-se de alguns métodos de polinização:
• Polinização aberta
É o método mais simples e econômico para obter-se maior variabilidade genética No entanto, apresenta desvantagens de permitir autofecundações e a perda da identidade do parental masculino. Para o sucesso desse método é importante que os parentais reúnam o maior numero de características desejáveis e complementares. Esse procedimento pode ser ineficiente à medida que uma considerável quantidade de pólen de genótipos indesejáveis participe dos cruzamentos, reduzindo as possibilidades de obter-se segregantes superiores. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.337)
A utilização de técnicas de polinização aberta requer algumas informações básicas, tais como o tipo de agentes polinizadores da espécie, a dinâmica de transporte do pólen por esses agentes e as taxas de autofecundações. As flores da mandioca produzem um néctar que atrai os insetos. As abelhas são os principais agentes polinizadores da mandioca. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.337)
As autopolinizações podem ocorrer na mesma planta, entre inflorescências distintas, ou entre plantas de uma mesma variedade, separadas fisicamente no campo. As maiores probabilidades de autofecundações em mandioca ocorrem em campos onde existe apenas um genótipo. Em função disso, é recomendada a utilização de modelos que maximizem as taxas de hibridações, minimizem as taxas de autofecundações e evitem contaminações por polens estranhos. Para tanto, a técnica de policruzamento é a mais recomendada em mandioca. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.338)
 Policruzamento
Para a eficiência dessa técnica é necessário o cruzamento múltiplo entre um grupo de genótipos, em campos isolados. Existem seis fatores que afetam a eficiência desta técnica: o espaçamento e o arranjo das plantas dentro de cada bloco; o grau de incompatibilidade entre os genótipos; a época e a duração da floração; a qualidade do material de plantio; a atividade dos insetos polinizadores; e a direção predominante dos ventos. Para obter-se uma população equilibrada geneticamente, acrescenta-se a isso informações sobre o habito de florescimento dos genótipos, particularmente a sua capacidade de florescimento, o inicio do florescimento, a quantidade de flores produzidas, a sincronização da época de florescimento dos genótipos e anomalias tais como macho esterilidade e baixa produção de sementes. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.338)
Os modelos para o arranjo das plantas nos blocos de policruzamentos envolvem ate 50 genótipos; em cada bloco de cruzamento , cada clone é repetido o mesmo numero de vezes. Nesse modelo, a probabilidade de cruzamentos recíprocos entre todos os parentais é alta, não se descartando a possibilidade de autofecundações. Todos os genótipos são etiquetados, para facilitar a identificação da planta mãe no momento da coleta das sementes. Os frutos podem ser cobertos, para evitar perdas das sementes . Os indivíduos resultantes desse tipo de cruzamento apresentam uma ampla variabilidade fenotípica. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.338)
• Polinização controlada
É o método mais eficiente, pois permite o controle da identidade de ambos os parentais, femininos e masculinos, descartando-se os riscos de cruzamentos indesejáveis e de autofecundações. No entanto, o numero de sementes produzidas, por cruzamento, é menor, e os custos de obtenção das mesmas mais elevados. A polinização controlada em mandioca pode ser realizada manualmente ou por meio de cruzamentos dialélicos. À semelhança da técnica de policruzamentos, é importante o conhecimento sobre a capacidade de florescimento das plantas, o inicio e a quantidade de flores produzidas, bem como o nível de fertilidade do parental masculino. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.339)
 Técnica de polinização manual
Para o êxito do emprego desta técnica deve-se evitar o máximo de danos mecânicos nas estruturas florais da planta. Normalmente as flores masculinas e femininas não amadurecem ao mesmo tempo, em uma mesma inflorescência, ocorrendo à abertura das flores masculinas alguns dias depois das femininas. A proteção das flores femininas deve ser feita antes de sua abertura, mediante o reconhecimento daquelas que abrirão durante aquele dia. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.339)
Apesar de existirem diferentes tamanhos de flores de acordo com a variedade, este é um indicativo de sua maturação. No entanto, a previsão segura da abertura das flores femininas para o mesmo dia é feira com base na existência de uma gotícula gelatinosa que se forma no interior das flores. No período da manha faz-se uma revisão nos campos de cruzamentos, para identificar os indivíduos cuja flores abrirão naquele dia. Destaca-se cuidadosamente uma pétala das flores femininas e masculinas que alcançaram o seu desenvolvimento máximo. Assim, é possível detectar-se uma gotícula gelatinosa no interior das flores. A presença desta gotícula é um indicio seguro de que as flores abrirão no mesmo dia, encontrando-se aptas e receptivas para a polinização e fecundação. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.339)
 Cruzamentos dialélicos
Para obter-se todas as combinações genéticas possíveis, o numero de blocos de cruzamentos corresponde ao numero de cada parental polinizador. Em cada campo foram plantadas duas fileiras de 20 plantas de cada clone parental feminino, intercaladas por uma fileira de 20 plantas do parental masculino. As plantas utilizadas como fêmeas foram sistematicamente emasculadas. Assim, as sementes coletadas nessas plantas foram oriundas de cruzamentos dessa variedade com a variedade polinizadora, e as sementes coletadas nas plantas polinizadoras resultaram de autofecundações. Nesse caso, o uso de genótipos macho estéreis elimina os risco de autofecundações e reduz os custos com emasculações. Os campos são plantados isoladamente e longe de qualquer plantio de mandioca. Os frutos são protegidos com sacos de pano, à semelhança do que ocorre nos campos de cruzamentos manuais e de policruzamentos. Informações sobre o inicio e a sincronia de florescimento dos genótipos são fundamentais para a eficiência desta técnica. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.341)


2.8 - FATORES QUE INFLUECIAM O FLORESCIMENTO

Dentre os fatores que influenciam o florescimento da mandioca pode-se citar o genótipo, a umidade, a fertilidade do solo, o fotoperíodo e a temperatura. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.342)
A maioria das variedades de mandioca tem a capacidade de florescer. Parece que existe uma associação lógica entre a capacidade de florescimento da planta e o seu habito de ramificação. Observa-se que variedades com pouca ou nenhuma ramificação dificilmente florescem, apesar de que, do ponto de vista fisiológico, a planta inicialmente floresce para depois emitir ramificações. A taxa de ramificação em mandioca reduz quando as plantas são submetidas a estresse hídrico. Em plantas pouco ramificadas, o inicio de florescimento foi suspenso durante o período de estresse, enquanto que em plantas mais ramificadas o florescimento foi apenas reduzido. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.342)
Em solos de baixa fertilidade o inicio do florescimento da mandioca pode ser retardado ou não ocorrer. Com respeito à temperatura o florescimento em mandioca retardou quando a temperatura variou acima ou abaixo de 24°C. Sob condições semi-áridas de altitude e em solos com baixa fertilidade, o florescimento foi intenso na maioria dos acessos componentes do banco de germoplasma de mandioca. (Farias; Mattos; Fukuda, 2006, p.342)


2.9 - FATORES QUE AFETAM A HIBRIDAÇAO E A PRODUÇAO DE SEMENTES

Dentre os fatores que afetam o processo de hibridação em mandioca, pode-se citar o não florescimento ou a baixa taxa de produção de flores por parte de alguns genótipos, a falta de sincronia da época de florescimento dos genótipos e, principalmente, a macho esterilidade. Variados graus de macho esterilidade já foram observados em variedades de mandioca. Estudos sobre a variação morfológica de um grande numero de variedades de mandioca, foi constatado que 20% dessas variedades apresentavam anteras deformadas e eram machos estéreis. A macho esterilidade tem sido atribuída a varias causas, entre elas a não-disjunção do micrósporo; o comportamento anormal do tapetum; a anomalias citológicas e a macho esterilidade funcional, que se reflete na ausência da deiscência das anteras. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.343)


2.10 - ESTRUTURA DE UM PROGRAMA DE MELHORAMENTO

Como as variedades de mandioca são altamente heterozigotas para a maioria dos locos gênicos, a segregação ocorre na primeira geração. A primeira seleção dos híbridos F1 é realizada ainda na fase de seedlings, de indivíduos dentro das famílias segregantes. A partir dai, cada individuo selecionado passa a ser propagado vegetativamente, e o novo clone é avaliado por meio de testes de produtividade, à semelhança do que ocorre quando a seleção incide sobre as variedades das coleções de germoplasma. Como o novo clone é derivado de uma única planta, o processo é mais demorado em função da baixa taxa de propagação do cultivo. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.343)

2.11 - CRITERIOS DE SELEÇAO PARA PRODUTIVIDADE

O rendimento de raízes esta correlacionado com vários caracteres da planta, componentes de produção Entre eles destacam-se o peso de raízes, o peso de parte aérea, o numero de raízes por planta, a altura da planta e o índice de colheita. Foram observadas correlações positivas e significativas entre o rendimento de raízes, numero de raízes por planta e índice de colheita em ensaios com bordadura, indicando que, tanto o numero de raízes por planta como o índice de colheita podem ser considerados bons critérios de seleção para produtividade de raízes. O índice de colheita deve ser considerado como certas reservas no processo de seleção Plantas com altos índices de colheita e pouca produção de parte aérea, mesmo apresentando altos rendimentos de raízes, são indesejáveis, por produzirem pouco material de propagação. Nesse caso, um alto índice de colheita pode não refletir uma alta produtividade de raízes, mas resultar de uma baixa produtividade de parte aérea. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.345)
O rendimento de raízes e o índice de colheita correlacionam-se negativamente com a altura da planta e com o rendimento de parte aérea, indicando que, na seleção para rendimentos de raízes, deve-se evitar genótipos com desenvolvimento vegetativo exagerado. É mais importante observar-se o equilíbrio entre a produção de raízes e de parte aérea. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.345)
Em populações segregantes, o peso das raízes, peso da parte aérea e peso total da planta são critérios eficientes de seleção de indivíduos para a produtividade de raízes. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.345)


2.12 - TRANSFORMAÇAO GENETICA EM MANDIOCA

A engenharia genética tem papel especial no melhoramento de plantas heterozigotas propagadas vegetativamente, tais como a mandioca, isso porque genes importantes podem ser introduzidos em variedades locais ou adaptadas, sem mudanças em outras características desejáveis. Todas as combinações desejáveis que façam com que uma variedade seja preferida pelos agricultores seriam mantidas, proporcionando uma alta taxa de adoção do genótipo melhorado. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.347)
Durante muitos anos essa vantagem, em particular, foi excluída em função da impossibilidade de regenerar-se plantas a partir da transformação de uma simples célula ou de tecidos somáticos. Esses métodos de regeneração abriram novos espaços para a aplicação de diferentes sistemas de transformação. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.347)
O anti-sense construtor para a síntese do grão de amido, isoformes I e II, ramificando a enzima e ADP-glucose pyrophosphorylase foram incorporados no genoma de mandioca, resultado em genótipos tipo “waxy” e outras variantes do amido que poderiam abrir novos mercados para o uso da mandioca na indústria. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.348)
Os avanços nas técnicas de transformação em mandioca contribuirão para uma considerável ampliação da base genética desse cultivo. Com atributos tais como a camada de proteína mediando resistências às principais viroses, amidos com qualidade especifica para a indústria e a ampliação de caracteres fisiológicos, espera-se que a transformação passe a constituir uma rotina de apoio aos programas de melhoramento. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.348)


2.13 - ESTADO ATUAL DO MELHORAMENTO

Uma serie de fatores ocorridos nos anos 90 delineou o estado atual da arte do melhoramento genético da mandioca: redução de órgãos financiadores para pesquisas com mandioca, no âmbito global e na maioria dos países; incremento no interesse do setor privado para promover a produção e o processamento de mandioca e dar suporte a pesquisas aplicadas; incorporação de metodologias de pesquisa participativa com agricultores nos programas de melhoramento convencional; aplicação da biotecnologia como uma ferramenta na solução de aspectos importantes e aumento do intercambio entre os cientistas que se dedicam à pesquisa da mandioca. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.350)
Nos centros internacionais de pesquisa tem sido alocados fundos consideráveis para a pesquisa em mandioca. O Ciat e o IITA tem concentrados esforços para a manutenção, caracterização e utilização de seus bancos de germoplasma, com redução significativa nas atividades de pesquisa em melhoramento e manejo do cultivo. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.351)
Existe um maior envolvimento do setor privado em financiar atividades de pesquisa que possam produzir impactos a curto prazo, sobre o desenvolvimento da mandioca industrial. Entre essas atividades, testes com variedades e multiplicação de sementes tem sido alta prioridade. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.351)
O uso de métodos de pesquisa participativa em melhoramento genético da mandioca representa uma das mudanças mais positivas introduzidas nos anos 90, para tornar os programas mais efetivos. A metodologia consiste em retroalimentar os programas com informações dos agricultores, exposição aos agricultores de uma maior diversidade de genótipos e no envolvimento dos mesmos na multiplicação e difusão dos melhores genótipos por eles selecionados. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.351)
Embora a biotecnologia não tenho sido amplamente desenvolvida e aplicada no melhoramento genético da mandioca, já contribuiu para aumentar a eficiência dos programas estabelecidos. A multiplicação in vitro e a indexação para doenças tem contribuído para a disseminação de material de plantio de boa qualidade. A caracterização molecular de patógenos constitui um guia para a avaliação e descarte de genótipos de mandioca para um manejo integrado de pragas e doenças. Embora ainda não estejam em campo, variedades de mandioca transformadas para a fécula “waxy” e resistência ao herbicida Basta estão sendo testadas de acordo com o protocolo de biossegurança, podendo em breve serem plantadas comercialmente. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.351)
A redução significativa de recursos e esforços dedicados ao melhoramento genético da mandioca tem sido compensada pelo aumento de intercambio de idéias e de germoplasma resultante dos programas , elevando o nível de comunicação entre os melhoristas da cultura, que estão trabalhando menos isolados e com mente mais aberta, voltada para uma maior integração entre cientistas. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.352)


2.14 - PRINCIPAIS RESULTADOS E IMPACTOS

O principal objetivo dos programas de melhoramento é desenvolve variedades superiores àquelas atualmente cultivada, particularmente para aqueles caracteres econômicos ou de importância biológica e que são aceitos pelos agricultores, processadores e consumidores. O sucesso do melhoramento genético da mandioca tem sido impactos econômicos significativos em áreas de maior produção, onde a adoção é mais rápida e existem demandas mais concretas por parte dos agricultores. Com a introdução de metodologias participativas no melhoramento da mandioca, o processo de adoção de variedades melhoradas tem-se ampliado no meio de pequenos agricultores, permitindo assim o estudo de impactos. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.352)


2.15 - O FUTURO DO MELHORAMENTO

A extensa diversidade genética da mandioca disponível será ampliada no futuro, com o uso de fontes genéticas de espécies silvestres, em conjunção com protocolos de transformação genética Essas duas alternativas ajudarão a direcionar para aqueles caracteres que tem diversidade genética restrita, como a qualidade, ou não existentes dentro do germoplasma disponível da espécie cultivada, como a resistência à broca do caule. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.352)
Apesar do fato de que apenas uma porcentagem restrita da diversidade genética total da mandioca disponível tenha sido utilizada pelos programas convencionais de melhoramento, e de vários trabalhos estarem sendo desenvolvidos nas áreas de distancias genéticas, complementação genômica e de detecção de regiões do genoma, com largos efeitos sobre caracteres de alta importância, o germoplasma avaliado continuara sendo utilizado por suas características fenotípicas, como ocorre em outros cultivos. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.352)
Por volta de 2020, as raízes e tubérculos integrarão o mercado emergente por sua eficiência em produção, adaptação e pela grande diversidade de produtos altamente competitivos, de alta qualidade para a alimentação humana, animal e para a indústria. Esses produtos com adaptação a zonas marginais contribuirão para a segurança alimentar, por sua grande flexibilidade em adaptar-se a sistemas de cultivos mistos, tornando-os componentes importantes das estratégias direcionadas para melhorar a vida do pequeno agricultor no campo, vinculando-os a esse mercado emergente e em crescimento. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.354)
Os métodos de melhoramento genético convencional da mandioca tem ainda muito a oferecer a esse cultivo, no que diz respeito à elevação de seu potencial de adaptação, produção e qualidade. Trabalhos em parceria com o usuário final, assim como instituições envolvidas em pesquisa básica, constituirão um importante papel na expressão desse potencial. O potencial de produção e qualidade no campo é resultante da interação de genótipos com ambientes e condições de produção especificas. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.354)
Existem outros desafios que podem requerer investimento e dedicação de uma equipe de melhoristas da mandioca. A pesquisa básica, incluindo a biotecnologia, esta sendo a chave em direção aos seguintes desafios: desenvolvimento de genótipos acianogênicos; redução ou eliminação de deterioração pós-colheita; genótipos com féculas especificas; aumento da tolerância ao estresse combinado com mecanismos de proteção a ambientes pobres; superar os problemas de propagação vegetativa e tornar o cultivo mais adequado à mecanização. (Farias; Souza; Mattos; Fukuda, 2006, p.354)


3 – CONCLUSAO

A mandioca cultivada é uma espécie de grande importância econômica no Brasil e países dos trópicos, sendo o Brasil o principal centro de diversidade desta espécie. Podendo ser usada na alimentação humana e animal e também em uso industrial. Estudos estão sendo realizados para descobrir e melhorar valores nutricionais para a alimentação humana, com isso o cultivo da mandioca ira aumentar.
Ganhos significativos em termos de produtividade, adaptação e qualidade tem sido obtidos com o uso de métodos de melhoramento genético convencionais em mandioca. A engenharia genética é identificada como uma poderosa ferramenta para superar as limitações, a introdução de características desejáveis diretamente em variedades preferidas pelos agricultores.
Com o melhoramento genético da mandioca o objetivo é chegarmos a uma variedade resistente a pragas e doenças e ao mesmo tempo uma variedade bastante produtiva. Com a grande certeza de que estamos no caminho certo com o melhoramento genético, estamos dando um grande passo para termos uma grande produção de mandioca com um baixo custo.
Com o apoio de centros de pesquisas estamos convictos de que teremos um produto de boa qualidade, produção alta, resistente a pragas e doenças e um produto dirigido ao que exatamente o produtor precisa.
Portanto, o melhoramento genético da mandioca é uma pratica viável e de grande interesse aos produtores e consumidores, e são usados na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. A Embrapa mandioca e Fruticultura Tropical vem desenvolvendo trabalhos de melhoramento genético, com os objetivos de identificar e gerar novas variedades de mandioca ricas em carotenóides nas raízes. . A exploração do germoplasma de mandioca para teores de carotenóides nas raízes, e de outros elementos importantes para a nutrição humana, pode dar um novo enfoque à cultura da mandioca como alimento. (Fukuda, 2005)





4 - REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS


CORDEIRO, Zilton José Maciel. Cultivo da mandioca na região centro sul do Brasil (2003). http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Mandioca/mandioca_centrosul/cultivares.htm. Acesso em 20 de junho de 2010.
BAZZO, Raquel. IAC colhe bons resultados no melhoramento de mandioca (2007). www.mandioca.agr.br/portal/index.phpoption=content&task=view&id=3547&Itemid=59. Acesso em 20 de junho de 2010.

FARIAS, Alba Rejane Nunes; SOUZA, Luciano da Silva; MATTOS, Pedro Luiz Pires de; FUKUDA, Wania Maria Gonçalves. Aspectos Socioeconômicos e Agronômicos da Mandioca. 1ª ed. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, 2006.
FUKUDA, Wania Maria Gonçalves. Embrapa pesquisa mandioca para indústrias de amido (2005). www.abam.com.br/revista/revista11/pesquisa_mandioca.php. Acesso em 20 de junho de 2010.

3 comentários:

  1. MEUDEUSDOCÉUQUETRABALHOBOM!

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  2. Simplesmente incrível! Por que não submeteu como um artigo de revisão? Seu texto é melhor do que muitos artigos que encontramos disponíveis online

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