terça-feira, 6 de julho de 2010

REVISÃO DE LITERATURA DO MELHORAMENTO GENÉTICO DA CULTURA DO MILHO (Zea mays. L.)

Autor: André Cirilo de Sousa Almeida



Se no passado, a cultura do milho, frequentemente cultivado no consórcio com o feijão, sempre esteve relacionado a noção de subsistência , no presente a produção desse cereal é mais facilmente associada a cultivos convencionais , baseados na utilização de tecnologias modernas, nos quais a relação mais importante e com a soja , que sucede na rotação de cultura , ou com ele disputa espaço como opção de plantio.
O milho é cultura plantada em todo território brasileiro, destacando-se das demais por ocupar a maior área cultivada no pais. Sua importância reside ainda em sua capacidade de empregar mão-de-obra, visto que, em virtude de suas características de produção ,essa cultura tem grande participação na geração de emprego na zona rural. Alem disso, no Brasil, o milho se destaca entre os grãos, como o produto de maior volume produzido, respondendo pelo segundo maior valor de produção, sendo superado apenas pela soja. O milho é ainda o principal insumo para a confecção de rações utilizadas na criação de animais.
A importância do milho para a produção animal, e vice-verso pode ser aquilatada pelo fato de que quase 80% de todo milho produzido no pais é consumido na forma de ração. O emprego do milho na alimentação humana, por sua vez, e de expressão bem reduzida, se for comparado ao volume destinado a produção de ração. Desde o inicio da década de 1980 o processamento com vistas ao consumo humano tem se mantido estável , representado por algo em torno de 13% do consumo total de milho.
Não obstante a importância econômica e social da produção de milho e os aumentos da produtividade atingidos, fruto do trabalho de pesquisa, melhoramento genético e desenvolvimento tecnológico alcançado, vario entraves impedem que todo potencial dessa cultura seja explorado, principalmente quando se considera todas as etapas do agronegócio do qual, direta ou indiretamente ele faz parte .
Este presente trabalho tem por objetivo destacar o histórico e a importância do melhoramento genético do milho, podendo se uma grande ferramenta, podendo trazer grandes beneficio na produção de milho, como o aumento de produção, redução dos insumos diminuindo os custos de produção e os impactos ambientais.

ORIGEM DA ESPÉCIE
De acordo com estudos arqueológicos, o milho já era utilizado pelo homem , como alimento , de 7 a 10 mil anos atrás no México . A origem do milho tem sido bastante estudada e varias hipóteses foram propostas , destacando-se dentre elas : 1) o milho cultivado é descendente do milho tunicado ( no qual cada grão esta coberto por uma palha individual); 2)o milho originou-se por seleção direta do teosinto ; 3) milho, teosinto, e Tripsacum são descendentes de um único ancestral comum desconhecido, e : 4) ; a teoria tripartile, segundo o qual: a) o milho originou-se do milho tunicado b) o teocinto derivou de um cruzamento entre o milho e Tripsacum e c) as variedades modernas de milho evoluíram do intercruzamento do milho com o teocinto , o Tripsacum ou com ambas (Galvão 2008)
Existem evidencias que suportam as diferentes hipóteses, porem as mais consistentes são aquelas que demonstram que o milho descende do teocinto. O genoma do milho e semelhante ao do milho e eles se cruzam facilmente. O teocinto possui características que conferem menor grau de domestificação do que as variedades modernas de milho. (Peterniani, 1980)

GENETICA
O milho, uma espécie diplóide e alogama , é um dos vegetais mais estudados , sendo aquele que possui a caracterização genética mais detalhada dentre as espécies cultivadas. Por causa da separação das inflorescências masculinas e femininas (monóica), do numero de semente produzido pela inflorescência feminina , da facilidade na manipulação da natureza dos cromossomos e do baixo número de cromossomos (n=10). O milho foi uma das primeiras espécies cultivadas a ser levada aos laboratórios de genética para que se obtivessem conhecimentos básicos de mitose, meiose, segregação cromossômica ligação genética e efeitos de crossing-over e de elementos de transposição (Hallauer, 1988).
Geneticistas moleculares desenvolveram um extenso mapa genético do milho para complementar os mapas desenvolvidos anteriormente. O milho tem sido utilizado em pesquisas com culturas de tecidos, em estudos para relacionar marcadores moleculares e características qualitativas e quantitativas, no sequenciamento de genes, em estudos de elementos transponíveis para a marcação genética e geração de viabilidade, em transformação gênica alem de outros (Galvão, 2008).

HIBRIDAÇÃO EM MILHO
A hibridação é um aspecto fundamental utilizado no melhoramento e na produção de milho. O milho pode haver vários tipos de hibridação nos quais se destacam:
a)Hibrido simples: resulta do cruzamento entre duas linhagens endogamicas divergentes(linhagem A x linhagem B). Caracterizam por maior uniformidade, maior potencial de produtividade. Porem a semente tem um custo elevado, devido a baixa produtividade da linhagem endógama utilizada como fêmea.
b) Hibrido duplo: resultante do cruzamento de dois híbridos simples (AxB x CxD). Apresenta maior variabilidade genética, alem de ter menor uniformidade e custo das sementes.
c) Hibrido triplo: obtido do cruzamento de um hibrido simples(AxB) utilizado como progenitor feminino como uma terceira linhagem (C)
Variedades: populações de base genética ampla, com alguns caracteres agronômicos em comum que se diferenciam de outros materiais. Tem sido chamadas variedades antigas ou variedades locais: populações antigas de milho mantidas por agricultores ou por bancos de germoplasmas como a Oficina de Estudos Especiales do México que é o seu centro de origem, Embrapa Milho e Sorgo em Sete Lagoas Minas Gerais ,onde esta localizado o Banco Ativo de Germoplasma de Milho (BAG Milho). Variedades melhoradas: são populações exóticas que sofreram algum processo de seleção recorrente. (Galvão, 2008)

EVOLUÇAO DAS CULTIVARES DE MILHO NO BRASIL
O vigor do híbrido é sem duvida uma das maiores contribuições praticas da genética a agricultura mundial. No Brasil o programa de milho hibrido teve inicio no Instituto Agronômico de Campinas em 1932, a partir desse trabalho , Krug e colaboradores produziram em 1939 o primeiro hibrido brasileiro de milho, paralelamente a atual Universidade Federal de viçosa
As variedades antigas existentes no Brasil de acordo com os relatórios das cultivares de milho da antiga Seção de Cereais e Leguminosas do IAC são as seguintes: Cateto vermelho que tinha grãos duros de cor alaranjada , Cristal que possuía grãos brancos e duros , Amparo, Amour e Itaici prestando-se para alimentação de animais. Nos quais a produtividade das variedades na época eram de 2.500 a 3.000 kg/há.
Com a obtenção dos primeiros híbridos de milho pelo IAC em seguida pela Sementes Agroceres, houve um aumento significativo na produtividade desses híbridos em relação as variedades, o qual variou de 8 a 19%, que eram os híbridos IA300, IA3531 e Agroceres. (Galvão, 2008)

TRANSGÊNICOS
Plantas geneticamente modificadas são aquelas cujo genoma foi alterado pela introdução do DNA exógeno pode ser derivado de outros indivíduos da mesma espécie ou de outra espécie completamente diferente, podendo ser inclusive artificial, isto é sintetizado em laboratório (Carneiro, 2000).
Os híbridos transgênicos de milho tem sido desenvolvido na sua maioria, de forma a disponibilizar aos produtores novas alternativas no controle de pragas e de espécies daninhas principalmente. Alem disso, diversas instituições de pesquisa estão desenvolvendo variedades geneticamente modificadas com maior qualidade nutricional e com outras características que dificilmente poderão ser obtidas por meio do melhoramento genético clássico. (Borém, 2003)
O milho geneticamente modificado resistente a inseto, que tem como principal exemplo as variedades Bt que são híbridos portadores de versões do gene cry oriundos do Bacillus thuringiensis a mesma utilizada em formulações comerciais B. thuringiensis, de amplo uso na agricultura. Provocando uma redução substancial em inseticidas químicos, alta especificidade e ausência de efeitos negativos em outros insetos mamíferos e seres humanos. (Costa, 2008).
Já o milho geneticamente modificado tolerante a herbicidas foi um grande avanço visto que, as plantas daninhas são responsáveis por enormes prejuízos a agricultura. Uma limitação ate então dos herbicidas não-seletivos é que sua aplicação deve ocorrer antes da emergência cultura, porem após a emergência das espécies daninhas. (Cruz, 2000).
São comercializados híbridos tolerantes a sulfolinureia, ao glifosato, e ao glufosinato. Um grande numero de gramíneas e de espécies de folhas largas é eficientemente controlados pelos herbicidas aos quais variedades transgênicos são tolerantes , permitindo ao produtor maior facilidade no manejo e controle dessas espécies , com menor custo . o uso de híbridos tolerante a herbicidas , alem de permitir controle mais eficiente das espécies daninhas , aumenta a flexibilidade na rotação de cultura e na adoção alternativa de sistemas de cultivo como o plantio direto na palha e o cultivo mínimo de preparo do solo( Costa, 2008).

CULTIVARES MODERNAS E LIDERES DE MERCADO
Atualmente os lideres de mercado no Brasil são empresas multinacionais privadas como Monsanto, Du Pont , Dow Chenical, Novartes , Pioner, Singenta , Nidera Ageo Sciences e empresas governamentais como a EMBRAPA o IAC.(Embrapa, 2010).
A maioria das empresas produz apenas híbridos, sendo que algumas produzem apenas híbridos triplos e simples. As variedades são produzidas por empresas públicas, sendo que apenas uma empresa privada produz variedade. Nos últimos anos, tem se verificado um crescente aumento da disponibilidade de híbridos no mercado, na safra 2009/10 os híbridos simples representam 50,5% das cultivares lançadas no mercado, os híbridos duplos 17,5¨%, os híbridos triplos 22,7, e as variedades apenas 9,3%.. Deve ser enfatizado que a cultura do milho no Brasil apresenta uma taxa de utilização de sementes de 85%
As cultivares comercializadas são BRS4103 , 30F53, 30F35,30F80, 30F90, P4042 , P 30F98, 2A106, 2B655 (Embrapa, 2010)

TENDENCIAS FUTURAS
Em razão das tendências futuras as cultivares modernas deverão sofrer mudanças substanciais, predominando as seguintes características. Porte mais baixo e arquitetura da planta ereta, incorporação do híbridos de aspectos nutricionais , principalmente maiores teores de óleos e proteínas , tolerância as principais doenças da cultura, tipos de grãos semiduros e duros com maior teor de caroteno , ciclo mais tardio em regiões onde não se pode plantar o safrinha (Galvão, 2008).

CONCLUSÕES
Através deste trabalho e possível concluir que o milho é uma das culturas mais estudadas , tendo um melhoramento genético muito avançado devido a sua importância social e econômica de informações genéticas acumuladas desde o século passado. No qual o melhoramento genético da espécie e uma grande ferramenta utilizada pelo homem para se obter grãos de melhor qualidade, melhores produtividades, podendo diminuir os impactos ambientais causados pela agricultura.

LITERATURA CITADA.
MIRANDA, G.V, GALVÃO, J,CC Tecnologia de Produção de Milho, Editora UFV, Lavras , MG, 2008

PETERNIANI, E, VEIGAS, G,P, Melhoramento e Produção de Milho, vol. 1 editora, FUDAÇÃO CARGIL, Campinas, SP, 1980.

EMBRAPA Milho e Sorgo, disponível em
http://www.cnpms.embrapa.br/milho/cultivares/index.php acesso em 20/04/2010

BORÈM, A. GÚDICE, M.P. COSTA. N.M.B. Alimentos Geneticamente Modificados , Editora UFV, Viçosa MG 2003.

HALLAUER, A.R. MIRANDA, J.B. Quantitative genetics in maize breeding, 2 ed, Armes, Iowa, 1988.

COSTA, N.M.B. BORÉM, A. Biotecnologia e nutrição, Editora Folhas de Viçosa, Viçosa, 2008.

CRUZ, J.C. PEREIRA FILHO, I.A. O milho que o Brasil planta, vol 19, ed Cultivar, São Paulo, 2000.

CARNEIRO, M.P. PAIVA, P. Desenvolvimento e contribuições da Biotecnologia no melhoramento genético do milho, Palestra apresentada no XXIII Congresso Nacional do Milho e Sorgo, Uberlândia, 2000.





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