domingo, 4 de julho de 2010

Oídio (Oidium sp.) incidente em folhas de soja (Glycine max)


Autor:André Cirilo de Sousa Almeida
A soja (Glycine max L. - Fabaceae) é uma planta nativa da Ásia, o cultivo dessa planta foi bastante significativo, na China antiga , a ponto de se tornar a base alimentar de seu povo, alem de ser consumida por animais. Atualmente é cultivada em vários paises do mundo, e se constitui uma importante fonte de proteína e óleo vegetal. (Vermetti, 1983)
O Brasil cada ano que passa aumenta a sua produção, sendo o segundo maior produtor mundial, a cultura ocupa uma área de 20,687 milhões de hectares o que totaliza uma produção de 58,4 milhões de toneladas. A produtividade média da soja brasileira é de 2823 kg por hectares, sendo o estado de Mato Grosso o maior produtor brasileiro de soja. (Embrapa, 2010)
Em conseqüência disso, tem aumentado a incidência de doenças quanto no número quanto na severidade. Uma das doenças importantes na soja é o oídio. O oídio sempre esteve presente em plantas de soja cultivada em casa-de-vegetação, plantas guaxas e em variedades tardias, ao final da safra. As observações a campo eram mais freqüentes e severas na região sul e nas regiões altas do cerrado. A partir da safra de 1996/97, perdas significativas de 30 a 40% foram observadas, sendo sua incidência variável em função da região e das condições climáticas da safra. (Gazzone, 1995)
Os oídios constituem um dos mais importantes grupos de doenças de plantas, são facilmente reconhecidos por formarem colônias esbranquiçadas de aspecto pulverulento sobre a superfície das partes aéreas das plantas. Em relação as alterações fisiológicas no hospedeiro, constataram maior inibição da fotossíntese e transpiração com o aumento da infecção. (Mignucci & Boyer, 1979)
Este trabalho tem por objetivo descrever o oídio da soja enfatizando aspectos de sintomatologia, etiologia, epidemiologia e controle.


As amostras de plantas infectadas com o oídio foram coletadas na área experimental do Instituto Federal Goiano campus Urutaí no mês de março de 2010. Estas foram levadas para o Laboratório de Microbiologia. Para o preparo de lâminas foi retirada uma parte micélio do fungo presente na folha e depositado em lâmina de microscópio contendo o corante azul-de-algodão, e então vedadas com esmalte-de-unha. Após a confecção as laminas foram observadas em microscópio ótico.
Com o auxilio do microscópio estereoscópico foram feitos Cortes transversais do mesófilo foliar com lamina de barbear (gilete), foi colocado os cortes na lâmina com o corante azul-de-algodão e foi vedada também com esmalte-de-unha. Após o preparo da lamina, foi observada no microscópio ótico a interação patógeno-hospedeiro.
Feito as observações no microscópio ótico foram realizados procedimentos de macro e microfotografia digital utilizando câmara digital ( Sony 10 megapixels). As fotos foram identificadas e organizadas em uma prancha de fotos feita com o auxilio do computador.



Hospedeiro/cultura: Soja (Glycine max (L.)Nerril)
Família Botânica: Fabaceae
Doença: Oídio-da-Soja
Agente Causal (Teleomorfo): Oidium sp. cuja fase teleomófica corresponde a Erysiphe diffusa (Cooke & Peck) U. Braun & S. Takam. (2000).
Local de Coleta: Instituto Federal Goiano campus Urutaí
Data de Coleta: 04/03/10.
Taxonomia: O anamorfo pertence ao Reino Fungi, grupo Fungos Mitospóricos, hifomicetos. Já a forma teleomórfica, pertente ao Reino Fungi, Divisão Ascomycota, Classe Leotiomycetes, Ordem Erysiphales, Família Erysiphaceae.

Sintomatologia:Os sintomas são facilmente identificáveis (Fig.1A), pois o fungo ataca toda a parte aérea (folha, pecíolo, hastes e vagens). No qual o fungo se manifesta em forma de inflorescência ou bolor pulverulento (Fig.1B), (“powdery mildew”), de coloração branca. Com o passar dos dias a coloração branca muda para levemente acinzentada. A doença é observada mais frequentemente na face superior das folhas. (Kimati, 1995).
Além da inflorescência a planta afetada pode, eventualmente exibir outros sintomas, como clorose, ilhas verdes, manchas ferruginosas a cinza, desfolha acentuada ou combinações simultâneas desses sintomas. Em condições severas, causa alterações fisiológicas no hospedeiro inibindo a fotossíntese e a respiração. Com 82% da área foliar infectada vai ser perdido mais da metade da atividade fotossintética da folha, e a transpiração vai ser reduzida em 35%. (Mignucci & Boyer, 1979)

Etiologia :. O fungo produz hifas claras e septadas que formam um micélio branco ou cinza claro. As hifas dão origem a conidióforos (Fig.1D), curtos, eretos e não ramificados, a partir do qual se desenvolve os conídios (Fig.1C), arranjados em cadeias. Estes são hialinos, unicelulares, apresentando dimensões que variam de 17,1-21,1 x 27,7-54,1 µm, e um formato elíptico, ovóide ou oblongo.
As hifas formam também os haustórios, que são estruturas especializadas na retirada de nutrientes diretamente das células do hospedeiro. Estas estruturas, proveniente do intumescimento da extremidade das hifas que penetram no interior das células, permitem que o fungo exerça uma forma evoluída de parasitismo, proporcionando uma longa convivência entre patógeno e hospedeiro (Kimati, 1995).
O gênero Oidium possui 482 espécies relatadas até o momento, não possuindo subespécies e patovar, possui três sinonímias. Erysiphe glycines, Microsphaera diffusa, Trichocladia diffusa. (Index Fungorum, 2010)


Epidemiologia: O oídio é um parasita biotrófico, ou seja, é um parasita obrigatório que depende de um hospedeiro vivo para sua sobrevivência, crescimento e reprodução. Pode ser encontrado em paises como Brasil. Estados Unidos, Japão, Venezuela, África do Sul, Coréia do Sul, Havaí. (Usda, 2010).
No Brasil o gênero Oidium ocorre nos estados de Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Santa Catarina. (Embrapa Banco de Dados Brasileiro de Micologia, 2010)
As condições mais favoráveis para ocorrer a doença são temperaturas entre 18º a 22 ºC, ou seja, temperaturas amenas e um clima seco (baixa umidade do ar).
A disseminação é realizada principalmente pelo vento, que distribui os conídios a distâncias relativamente longas, a água pode atuar também como agente de disseminação. As condições desfavoráveis para a disseminação são temperaturas acima de 30 ºC e o molhamento foliar, devido os conídios não germinarem quando se forma um filme de água na superfície. (Reis et al., 2004)

Controle: As principais medidas utilizadas no controle do oídio praticamente estão restritas ao emprego de variedades resistentes e ao controle químico que envolve pulverizações, que podem ser feitas ate o estádio R6, com fungicidas especialistas como Cercobim 700 WP tiofanato-metilico (benzimidazol) aplicar 0,6 Kg/ha, Domark 100 EC tetraconazol (triazol) aplicar 500 ml/ha, Nativo tebuconazol (triazol) + (estrobilurina) aplicar 0,4 L/ ha, Viper700 fofanato-metilico (benzimidazol) aplicar 0,6 Kg/ha . Estes são os quatro fungicidas registrados pelo Ministério da Agricultura (Agrofit, 2010).
Existem também medidas alternativas para o controle da doença como a erradicação parcial do patógeno, como a eliminação de plantas voluntárias, ou hospedeiros alternativos como ervas daninhas ou plantas silvestres que abrigam o patógeno no período da entressafra. A adubação equilibrada também contribui no impacto da doença (Bianchini, 2005).










Figura 1 Oidium sp. incidente em folhas de Soja (Glycine max). A sintomas do oídio na parte adaxial da folha de soja B. sintoma observado na lupa demonstrando pulve rulência C. conídios hialinos (barr = 30 µ) D. corte transversal mostrando a origem de dois conidióforos (barr = 30 µ)


Literatura Citada:

BIANCHINI, A.; MARINGONI, A. C. e CARNEIRO, S.M.T.P.G.; Doenças da soja (Glycine max). KIMATI, H.; AMORIM, L.; REZENDE, J.A.M.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A.; Manual de fitopatologia: Doenças das plantas cultivadas. 4ª Ed. Vol. 2, pag. 574-575 – São Paulo: Agronômica Ceres, 2005.
BERGAMIN FILHO, A., KIMATI, H. & AMORIM, L. Manual de fitopatologia: princípios e conceitos. 3a Ed., Vol. 1, pág 866-871– Editora Agronômica Ceres Ltda., São Paulo SP , 1997.
AGROFIT. disponível em: Acesso em: 19/04/2010

INDEX FUNGORUM. Banco de dados de táxons fúngicos. disponível em: Acesso em: 19/04/2010

MIGNUCCI, J. S.; BOYER, J. S. Inhibition of photosynthesis and transpiration in soybean infected by Microsphaera diffusa Powdery mildew. Phytopathology, Saint Paul, v. 69, p. 227-230, 1979.

USDA. Database search. Disponível em Acesso em 02/07/ 2010.
EMBRAPA Banco de Dados Brasileiro de Micologia. Disponível em < id="1584"> Acesso em 02/07/2010.
REIS, E.M. et al. Doenças na Cultura da Soja. Passo Fundo: Aldeia Norte Editora, 2004.
VERMETTI, F. J; SOJA , Doenças, Clima, Pragas, Moléstias e Invasoras, Vol 1, pág 341- São Paulo, Fundação Cargil,, 1983.
.EMBRAPA Soja Disponível em < op_page="22&cod_pai="> Acesso em 02/07/2010.

GAZZONI , D.L.; YORINORI, J.T. Manual de pragas e doenças da soja Brasilia: EMBRAPA-SPI, 1995. 128 p.

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