quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Doenças incidentes na cultura do milho (Zea mays)

Cássio Jardim Tavares1

1Acadêmico do curso de Agronomia.

1.0. INTRODUÇÃO

Se no passado, a cultura do milho, frequentemente cultivado no consórcio com o feijão, sempre esteve relacionado a noção de subsistência , no presente a produção desse cereal é mais facilmente associada a cultivos convencionais , baseados na utilização de tecnologias modernas, nos quais a relação mais importante e com a soja , que sucede na rotação de cultura , ou com ele disputa espaço como opção de plantio (Embrapa, 2010).

O milho é uma cultura plantada em todo território brasileiro, destacando-se das demais por ocupar a maior área cultivada no pais. Sua importância reside ainda em sua capacidade de empregar mão-de-obra, visto que, em virtude de suas características de produção ,essa cultura tem grande participação na geração de emprego na zona rural. Alem disso, no Brasil, o milho se destaca entre os grãos, como o produto de maior volume produzido, respondendo pelo segundo maior valor de produção, sendo superado apenas pela soja. O milho é ainda o principal insumo para a confecção de rações utilizadas na criação de animais (Embrapa, 2010).

A importância do milho para a produção animal, e vice-verso pode ser aquilatada pelo fato de que quase 80% de todo milho produzido no pais é consumido na forma de ração. O emprego do milho na alimentação humana, por sua vez, e de expressão bem reduzida, se for comparado ao volume destinado a produção de ração. Desde o inicio da década de 1980 o processamento com vistas ao consumo humano tem se mantido estável , representado por algo em torno de 13% do consumo total de milho (Embrapa, 2010).

Não obstante a importância econômica e social da produção de milho e os aumentos da produtividade atingidos, fruto do trabalho de pesquisa, melhoramento genético e desenvolvimento tecnológico alcançado, vario entraves impedem que todo potencial dessa cultura seja explorado, principalmente quando se considera todas as etapas do agronegócio do qual, direta ou indiretamente ele faz parte (Embrapa, 2010).

O desenvolvimento da produção e do mercado do milho devem ser analisados, preferencialmente, sob a ótica das cadeias produtivas ou dos sistemas agro-industriais (SAG). O milho é insumo para produção de uma centena de produtos, porém na cadeia produtiva de suínos e aves são consumidos aproximadamente 70% do milho produzido no mundo e entre 70 e 80% do milho produzido no Brasil. Assim sendo, para uma melhor abordagem do que está ocorrendo no mercado do milho torna-se importante, além da análise de dados relativos ao produto milho "per si", também uma visão, ainda que superficial, do panorama mundial e nacional da produção e consumo da carne de suíno e de frango e de como o Brasil se posiciona neste contexto, para que seja possível o melhor entendimento das possibilidades futuras do milho no Brasil (Embrapa, 2010).

Entretanto, a produção de milho é prejudicada por diversos fatores, dentre eles, a ocorrência de doenças, plantas daninhas e insetos pragas, juntos ou individualmente podem afetar significativamente o potencial produtivo da planta de milho. Também as doenças em especial, podem afetar de maneira total ou parcial esse potencial produtivo (Embrapa, 2010).

O objetivo deste trabalho é identificar, descrever e apontar praticas de manejo para as doenças incidentes em milho.

2.0 Doenças incidentes no milho

A cultura do milho está sujeita à ocorrência de várias doenças que podem afetar a produção, a qualidade, a palatabilidade e o valor nutritivo dos grãos e da forragem. Dentre as doenças que ocorrem na cultura do milho, merecem destaque, pela sua importância: Doenças foliares; Podridões do colmo e das raízes; Doenças causadas por molicutes e por vírus; Doenças causadas por nematóides (Embrapa, 2010).

2.1. Cercosporiose (Cercospora zea-maydis e C. sorghi f. sp. maydis)

A mancha de cercospora foi relatada pela primeira vez no Brasil no ano de 1953. Atualmente é considerada uma das doenças de maior importância desde os surtos epidêmicos das safras de 2000 e 2001 nos híbridos altamente produtivos na região sudoeste do estado de Goiás. Severas perdas na produção de milho foram posteriormente constatadas nas regiões de Paracatu em MG e de Dourados no MS. Os componentes da produção mais afetados pela doença são o número de grãos por espiga e o tamanho do grão (Ufrgs, 2010).

A doença foi observada inicialmente no Sudoeste do estado de Goiás em Rio Verde, Montividiu, Jataí e Santa Helena, no ano de 2000. Atualmente a doença está presente em praticamente todas as áreas de plantio de milho no Centro Sul do Brasil. A doença ocorre com alta severidade em cultivares suscetíveis, com as perdas podendo ser superiores a 80% (Embrapa, 2010).

2.1.1. Sintomatologia

Os primeiros sintomas são geralmente observados na fase de floração nas folhas inferiores. A colonização ocorre no limbo foliar, podendo abranger extensas áreas necrosadas. As lesões apresentam formato linear-retangular e são delimitadas, em sua largura, pelas nervuras principais da folha. Essa é uma característica de lesões causadas pelo gênero Cercospora sp. em gramíneas que a distingue das outras doenças foliares do milho. Sob condições de alta umidade, as lesões ficam cobertas por esporos e passam de uma coloração verde-oliva para cinza. As lesões mais jovens apresentam um halo amarelado característico, quando observadas através da luz. Em um período de 14 a 21 dias, essas lesões ficam mais alongadas, formando estrias, antes de atingirem a sua forma retangular característica. Quando as lesões cobrem a maior parte da área fotossintética, a perda de água resultante determina também a deterioração do colmo e o acamamento. Isso pode ocorrer quando a infecção ocorre muito cedo e há formação de grande quantidade de lesões foliares (Ufrgs, 2010) (Fig 1).

2.1.2. Epidemiologia

As condições ambientais favoráveis ao patógeno são de temperaturas na faixa de 22 a 30°C e umidade do ar elevada, mas sem água livre sobre as folhas, já que o desenvolvimento do tubo germinativo é reduzido sob a presença de água. A disseminação ocorre através de esporos e restos de cultura levados pelo vento e respingos de chuva. Os restos de cultura são, portanto, fonte local e fonte para outras áreas (Embrapa, 2010).

2.1.3. Etiologia

Cercospora zea-maydis infecta apenas o milho e não há relatos de que seja transmitido pela semente, sendo um fraco competidor frente aos microrganismos do solo e, na ausência do hospedeiro, tem melhores condições de sobrevive em restos de cultura presentes na superfície do solo. Após um período de alta umidade o fungo presente nos restos culturais produz conídios que são disseminados pelo vento e provocam as infecções primárias (Ufrgs, 2010). Este patógeno possui um longo período latente comparado com outros patógenos foliares e alto potencial de esporulação.

2.1.4. Praticas de manejo

A medida mais eficiente de controle é a resistência genética. Fungicidas são eficientes no controle da cercosporiose, mas é uma prática de custo elevado. A rotação de culturas com espécies não suscetíveis é uma forma eficiente para reduzir a fonte de inóculo primário. Plantar cultivares diferentes em uma mesma área e em cada época de plantio dificulta a adaptação do patógeno e a realização de adubações de acordo com as recomendações técnicas, evita desequilíbrios nutricionais nas plantas de milho que são favoráveis ao desenvolvimento deste patógeno, principalmente a relação nitrogênio/potássio (Ufrgs, 2010).

2.2. Antracnose – podridão do colmo (Colletotrichum graminicola (Ces.) Wilson.;Glomerella graminicola Politis).

O fungo que causa a antracnose ataca todas as partes da planta. O surgimento de biótipos mais agressivos juntamente com as condições climáticas favoráveis tem aumentado a importância desta doença. A antracnose é atualmente encontrada em todas as regiões produtoras de milho do país, sendo considerado o maior fator limitante da produção de milho no mundo, com danos à produção podendo chegar a 40% (Ufrgs, 2010).

O aumento desta doença está associado ao cultivo mínimo e ao plantio direto e também pela não utilização da rotação de cultura. A doença está presente nos estados de GO, MG, MT, MS, SP, PR e SC ( Embrapa, 2010).

2.2.1.Sintomatologia

Os sintomas iniciais da antracnose foliar são pequenas lesões, de aspecto encharcado, formato oval a irregular, nas folhas inferiores. Estas lesões evoluem tornando-se escuras, com tamanho de 0,5 a 1,5 cm e formato oval a elíptico, apresentando acérvulos no centro. As lesões podem acontecer resultando em seca prematura da folha. No colmo, surgem cascas de lesões escuras, estreitas e alongadas nos entrenós inferiores da plantas, que podem acontecer formando áreas de coloração escura brilhantes. Tecidos vasculares apodrecem e tornam-se marrom-escuro. Com a evolução destes sintomas a planta sofre senescência e acamamento precoce. Na fase foliar, a doença caracteriza-se pela presença de lesões de formas variadas, sendo às vezes difícil o seu diagnóstico. Nas nervuras, é comum a presença de lesões elípticas com frutificações (acérvulos do patógeno) (Ufrgs, 2010).

2.2.2. Epidemiologia

A taxa de aumento da doença é uma função da quantidade inicial de inóculo presente nos restos de cultura, o que indica a importância do plantio direto e plantio em sucessão para o aumento do potencial de inóculo. Um outro fator a influir na quantidade de doença é a taxa de reprodução do patógeno, que vai depender das condições ambientais a da própria raça do patógeno presente. Condições climáticas favoráveis à doença são de altas temperaturas e umidade (Ufrgs, 2010).

2.2.3. Etiologia

Este fungo produz acérvulos de formato oval e cilíndrico, coloração escura e aonde são produzidos conidióforos eretos, hialinos e não septados. Conídios hialinos, unicelulares, não septados, falciformes, medem 4,9 a 5,2, por 26,1, a 30,8 µm e são envoltos por uma matriz mucilaginosa. O patógeno sobrevive nos restos culturais, como saprófita e na forma de conídios, e em sementes por até três anos. Conídios são disseminados pela água da chuva e de irrigação. O inóculo primário é originário de restos culturais e só infectam as folhas, já o inóculo secundário causa infecções em outros órgãos. A infecção ocorre nos pontos de junção das folhas com o colmo ou através das raízes das plântulas. Plantas na fase pós-antese são mais suscetíveis à infecção (Camargo et al., 2005).

2.2.4. Praticas de manejo

Utilização de cultivares resistentes, rotação de culturas, tratamento de sementes com fungicidas, correta adubação a fim de evitar desequilíbrios nutricionais nas plantas de milho, e eliminação de restos culturais ( Ufrgs, 2010).

2.3. Carvão-comum (Ustilago maydis (DC.) Corda; Ustilago zeae (Schwein.) Unger)

O carvão-comum é considerado uma doença de importância secundária no Brasil e ocorre em todas as regiões produtoras do país. Podem ocorrer sintomas em plantas isoladas e perdas econômicas de até 10%. No México, as galhas resultantes da doença são usadas na culinária e chamadas de Cuitlacoche (Ufrgs, 2010).

2.3.1. Sintomatologia

Os sintomas típicos do carvão são galhas de até 30 cm de diâmetro e recobertas por uma membrana branca, podendo ocorrer em qualquer parte aérea da planta, sendo mais comuns nos grãos da espiga. O interior destes se transforma numa massa negra pulverulenta de esporos (teliósporos), que é liberada mediante o rompimento da membrana envolvente. As galhas são aparentes de 10 a 14 dias após a infecção e tornam-se maduras na espiga após três semanas. Quanto aos grãos, tornam-se descoloridos ou desfigurados em três a seis dias após a infecção, evoluindo para uma forma acinzentada contendo teliósporos no seu interior em 14 a 15 dias. Em 21 a 23 dias após a infecção, as galhas se rompem e expõem a massa de teliósporos (Ufrgs, 2010).

2.3.2. Epidemiologia

A sobrevivência do patógeno ocorre na forma de teliósporos em restos culturais ou no solo, podendo manter-se viável por muitos anos. O patógeno é disperso pelo vento e gotas de chuva. Quando hesperídios geneticamente compatíveis combinam-se, formam hifas dicarióticas que penetram o hospedeiro. O desenvolvimento da doença é favorecido por períodos secos, com temperatura variando entre 26 a 34°C, principalmente quando a planta passa por um período de estresse na época do florescimento. Toda a parte aérea da planta pode ser infectada, especialmente partes novas com desenvolvimento meristemático ativo (Ufrgs, 2010).

2.3.3. Etiologia

O agente causal Ustilago maydis é um basidiomiceto. Produz teliósporos marrom-escuro, diplóides, esféricos a elipsóide, opacos, equinulados, de 8 a 1µm de diâmetro. Os teliósporos germinam e produzem quatro ou mais hesperídios haplóides, hialinos e fusiformes. Sob condições ambientais favoráveis, hesperídios geneticamente compatíveis combinam-se e formam hifas dicarióticas capazes de infectar milho e teosinto (Camargo et al., 2005) (Fig 2).

2.3.4. Praticas de manejo

Segundo, Pereira, et al., 1997, as medidas de controle recomendadas são o uso de variedades ou hídridos resistentes com bom empalhamento de espiga, evitar ferimentos nas plantas que sirvam como porta de entrada para o patógeno, manter uma fertilidade balanceada do solo, evitar doses excessivas de nitrogênio, evitar injúrias por tratos culturais, controlar lagartas que afetam as espigas, eliminação da plantas, espigas e panículas, tratamento químico do solo no sulco de plantio, visa eliminar o patógeno do solo. Em casos de ocorrências severas, poderá se pensar em rotação de culturas, visando diminuir o potencial de inoculo existente no solo.

2.4. Ferrugem-comum (Puccinia sorghi Schwein)

A ferrugem-comum é encontrada em praticamente todas as regiões onde o milho é cultivado. Assim como outras ferrugens podem causar seca prematura da planta, comprometendo grandemente a produção. No Brasil, a ferrugem é mais freqüente e severa na região sul, principalmente nos cultivos de safrinha. No Brasil, a doença tem ampla distribuição com severidade moderada, tendo maior severidade nos estados da região Sul (Embrapa, 2010).

Das três ferrugens que ocorrem no milho Puccinia sorghi Schw., a ferrugem comum é a menos severa, provavelmente por ser uma doença antiga e bastante disseminada no país, fato que proporcionou amplas possibilidades para a seleção de genótipos resistentes. A doença é mais importante na região Sul e, esporadicamente, na região central do Brasil (Camargo et al., 2005).

A intensidade do ataque da ferrugem do milho varia entre anos como também entre diferentes materiais em uma mesma localidade (Camargo et al., 2005).

2.4.1. Sintomatologia

Em ambas as faces das folhas, se observam pústulas de formato predominantemente alongadas, de cor marrom-clara em plantas jovens e que tornam-se marrom-escuras à medida em que a planta se aproxima da fase de maturação. Essas pústulas promovem o rompimento da epiderme, resultando em uma fenda visível. As pústulas são formadas na parte área da planta e são mais abundantes nas folhas. Em contraste com a ferrugem polissora, as pústulas são formadas em ambas as superfícies da folha, apresentam formato circular a alongado e se rompem rapidamente (Ufrgs, 2010) (Fig 3).

2.4.2. Epidemiologia

A fonte primária de inóculo para o milho são os uredósporos formados no próprio milho ou os aeciósporos produzidos no hospedeiro alternativo (trevo), cuja disseminação se dá principalmente pelo vento. O trevo é infectado pelo micélio proveniente da germinação dos basidiósporos, os quais são formados após a germinação dos teliósporos no solo. É uma doença favorecida por temperaturas entre 16 e 23 ºC, umidade relativa alta e altitudes superiores a 900m. As folhas mais velhas da planta são menos suscetíveis à infecção do que folhas mais jovens (Ufrgs, 2010).

2.4.3. Etiologia

O patógeno é um basídiomiceto, seus uredósporos são arredondados, binucleados, de cor marrom-ferruginosa. Os teliósporos são de cor marrom-escura, bicelulados, com leve constrição no septo. São ligados à pedicelos, cujo comprimento é de uma a duas vezes o comprimento do teliósporo. O dano à produção decorre de dois mecanismos. O fungo é um parasita que retira os nutrientes da planta para seu crescimento então os carboidratos e outros nutrientes que seriam utilizados para o crescimento do vegetal e enchimento de grãos são desviados para o crescimento do fungo. As pústulas que se formam causam o rompimento da epiderme o que afeta a habilidade da planta em regular sua economia de água. Uma planta severamente atacada apresenta sintomas de estresse hídrico sob condições ambientais de alta temperatura e ventos fortes, embora a umidade do solo seja adequada (Camargo et al., 2005).

2.4.4. Praticas de manejo

As principais medidas de controles envolve a utilização de cultivares resistentes; eliminação de plantas hospedeiras, como trevo e plantas voluntárias de milho; a rotação de culturas e o plantio em locais e épocas menos favoráveis ao desenvolvimento da doença. O plantio de cultivares suscetíveis em ambientes com temperatura amena, como nos meses de agosto e setembro na região sul, não é recomendado. O controle químico com fungicidas é recomendado quando a doença surge nos estágios iniciais de desenvolvimento da cultura (Ufrgs, 2010).

2.5. Ferrugem-polisora (Puccinia polysora Underw)

A ferrugem-polisora é encontrada em áreas tropicais e subtropicais onde é considerada a mais destrutiva ferrugem que ataca o milho. Danos na produção de mais de 50% já foram relatados em híbridos suscetíveis. No Brasil, esta ferrugem é uma das mais comuns na cultura do milho tendo, desde o início dos anos 80, despontado como um problema sério nas regiões produtoras no sudoeste de Goiás e no triângulo mineiro. Após os anos 90, esta ferrugem se tornou também importante no Noroeste de São Paulo, no Leste e no Norte do Paraná e no Mato Grosso do Sul. A sua importância tem aumentado com a expansão da cultura do milho para áreas não tradicionalmente usadas para cultivo do milho. O cultivo sucessivo de milho tem resultado no aumento do inóculo para os cultivos mais tardios, tornando-se problemático. Os plantios tardios, de janeiro a março, representam mais de 20% da área total de milho no Brasil, sendo que o período normal de plantio vai de meados de setembro a meados de novembro (Camargo et al., 2005).

2.5.1. Sintomatologia

Pústulas pequenas e circulares a elípticas de coloração amarela a dourada inicialmente observadas nas folhas baixeiras. Em fases mais avançadas da doença surgem pústulas marrom-escuras (teliósporos). Essas pústulas encontram-se densamente distribuídas em ambas as faces das folhas e podem ser normalmente observadas ainda cobertas pela epiderme. Aquelas que já romperam a epiderme apresentam aspecto pulverulento. Em ataques a cultivares suscetíveis, ocorre a morte prematura em virtude da destruição foliar. A ferrugem polisora (Puccinia polysora) pode ser confundida com a ferrugem comum (Puccinia sorghi), porém é possível distingui-las com base nas características de suas pústulas, sob o microscópio, baseando-se nas diferenças morfológicas dos uredósporos. Pústulas circulares a ovais marron claras, distribuídas na face superior das folhas e, com muito menor abundância, na face inferior da folha (Camargo et al., 2005) (Fig 4).

2.5.2. Epidemiologia

Até o momento não são conhecidos hospedeiros alternativos desse patógeno. As fontes primárias e secundárias de inóculo para o milho são constituídas pelos uredósporos produzidos nas próprias lavouras de milho. Sua disseminação ocorre principalmente e facilmente pela ação do vento. A severidade desta ferrugem é favorecida por alta umidade e temperaturas em torno de 27ºC. A influência da interação de temperatura e molhamento foliar no desenvolvimento da doença foi estudado em condições de ambiente controlado. A infecção é favorecida por temperaturas entre 23 ºC e período de molhamento da folha de 2 a 24 horas. Em temperaturas mais altas (25 a 27 ºC), a colonização é favorecida independente do período de molhamento. A doença é menos problemática em regiões de altitude acima de 1200m (Ufrgs, 2010).

2.5.3. Etiologia

O agente causal Puccinia polysora é um basídiomiceto e os seus uredósporos são amarelo-dourados, com forma elipsoidal a ovóide, medindo de 20 a 29 por 29 a 40 μm, equinulados, com 4 a 5 poros equatoriais. Os teliósporos são de coloração marrom-castanha, elipsóides ou oblongos, com duas extremidades arredondadas. Mais de 11 raças desta patógeno já foram descritas nos últimos anos no Brasil (Camargo et al., 2005).

2.5.4. Praticas de manejo

O controle de P. polysora deve ser feito com o uso de cultivares resistentes, escolha correta da época e local de plantio e em último caso com aplicação de fungicidas.

O método de controle mais eficiente e menos oneroso para o produtor é o uso de híbridos ou variedades resistentes. Foram já identificados 11 genes de resistência vertical, denominados de Rpp1 a Rpp11, entretanto esse tipo de resistência, tem sido de pouca utilidade em programas de melhoramento, devido à alta variabilidade genética de P. polysora, possibilitando ao patógeno uma rápida adaptação pela seleção de raças de maior virulência (Galvão e Miranda, 2004).

Evitar semeadura nos meses de dezembro e janeiro, nas regiões propícias para a ocorrência da doença, também é pratica recomendada para diminuir os danos causados pelo patógeno. A severidade da doença é maior em regiões com altitude inferior a 650 metros, em locais em que as condições climáticas favoráveis ocorrem apenas em determinadas épocas, é possível fugir da doença realizando-se o cultivo nos meses em que essas condições são desfavoráveis. Nessas condições, portanto, não deve ser usado cultivares suscetíveis, principalmente na região central do Brasil.

O controle químico é eficiente para controlar a doença. Justifica-se sua utilização, porém, somente em campos cultivados com materiais que apresentem um alto valor econômico estratégico.

Pinto, (2004), avaliando o controle da ferrugem polisora, o fungicida azoxystrobin foi altamente eficiente, seguido por tebuconazole. A eficiência de tebuconazole no controle dessa ferrugem também foi relatada por Galli et al. (1993). Silva et al. (2007) em um trabalho avaliando a eficiência de fungicidas no controle de doenças do milho (Puccinia polysora e Diplodia maydis), chegou a conclusão que azoxystrobin + cyproconazole na dosagem de 0,4 L/ha, (as aplicações sendo realizadas a cultura do milho apresentando 10 folhas e a segunda no estádio de emborrachamento) foi o produto mais eficiente de controle para aquelas condições ambientais.

É necessário realizar um manejo visando eliminar espécies vegetais hospedeiras alternativas do patógeno para efetivar o controle, mas sempre analisando o custo-benefício desse manejo.

2.6. Ferrugem-tropical (Physopella zeae (Mains) Cummins e Ramachar; Angiospora zeae (Mains)

No Brasil, a ferrugem tropical encontra-se distribuída principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. A doença tem alto potencial destrutivo e é encontrada em áreas de semeaduras mais tardias, plantios contínuos e áreas irrigadas. Seu primeiro relato no Brasil foi no ano de 1985. A partir do início da década de 1990, a ferrugem branca tem se destacado devido à severidade de sua ocorrência em vários municípios do sudoeste do Estado de Goiás. O problema é maior em plantios contínuos de milho, principalmente em áreas de pivô (Embrapa, 2010).

2.6.1. Sintomatologia

Facilmente identificada no campo pela coloração branca ou amarelada de suas pústulas de forma variando de arredondadas a ovaladas. As pústulas são pequenas (0,3 a 1,0 mm), ocorrem em pequenos grupos na face superior das folhas, paralelamente às nervuras. Com o desenvolvimento da doença, os grupos de pústulas tornam-se circundados por um halo escuro freqüentemente avermelhado (Embrapa, 2010).

2.6.2. Epidemiologia

O inóculo primário e secundário é formado por uredósporos originados de plantas de milho ou teosinto. Não são conhecidos hospedeiros intermediários para esse fungo. A sua disseminação se dá principalmente pelo vento ou por material infectado. Condições ambientais como alta umidade e temperaturas altas (22 a 34 °C) favorecem o desenvolvimento da doença. A ferrugem tropical caracteriza-se por ocorrer com maior freqüência em plantios tardios, a partir de novembro, em regiões de baixa altitude, devido às condições mais favoráveis como maior umidade. Por ser um patógeno de menor exigência em termos de umidade o problema tende a ser maior na safrinha (Ufrgs, 2010).

2.6.3. Etiologia

O agente causal Physopella zeae é um basídiomiceto. Apresenta uredósporos hialinos, Teliósporos cilíndricos e sésseis, marrom-claros, unicelulados, ocorrendo em cadeias de dois ou mais teliósporos. Pelo menos duas raças de Physopella zeae são conhecidas (Camargo et al., 2005).

2.6.4. Pratica de manejo

As práticas de manejo mais eficiente e econômico é o uso de cultivares resistentes. Práticas como a escolha correta do local e da época de plantio, além do uso de fungicidas, também podem ajudar no controle, sendo que este último nem sempre é viável devido ao alto custo. O problema tende se agravar em sistema de monocultura. Se recomenda a alternância de genótipos de milho e a interrupção no plantio durante um certo período para que ocorra a morte dos uredósporos (Embrapa, 2010).

2.7. Mancha-foliar-de-bipolaris-maydis (Bipolaris maydis (Nisik.) Shoemaker); Cochliobolus heterostrophus (Drechs.)

Uma das doenças mais antigas e importantes na cultura do milho no Brasil, causando perdas na produção particularmente em condições de alta umidade relativa temperaturas amenas. Plantios de safrinhas no estado do Mato Grosso podem causar danos conideráveis. A doença tem uma importância histórica por causar epidemias de grande proporção que ficaram famosas. Em 1970, uma nova raça do fungo Bipolaris maydis, denominada raça T, especialmente adaptadapara atacar híbridos portadores de citoplasma macho-estéril, foi detectada no Estado da Florida, EUA. Em dois meses o patógeno chegou aos grandes estados produtores de Iowa e Illinois e, 15 dias depois, em todos os estados do nordeste americano, resultando na destruição de 15% da produção americana e numa grande elevação dos preços a nível mundial (Embrapa, 2010).

2.7.1. Sintomatologia

As lesões causadas pela raça O são alongadas, marrom-claras a marrom-escuras, com bordas paralelas, podendo apresentar uma coloração mais escura no centro, medindo 0,2 a 0,6 cm por 0,6 por 1,2 cm. As lesões causadas pela raça T são maiores, medindo 0,6 a 1,2 cm por 0,6 a 2,7 cm, de forma elíptica ou fusiforme, castanha, podendo aparecer um halo clorótico. Em geral os patógenos provocadas por este patógeno assemelham-se aos sintomas provocados pelo fungo Cercospora zeae-maydis Embrapa, 2010).

2.7.2. Epidemiologia

A sobrevivência do fungo ocorre em restos culturais infectados e em grãos, no caso da raça T. Os conídios são transportados pelo vento e por respingos de chuva. A temperatura ótima para o desenvolvimento da doença é de 22 a 32ºC, a qual é favorecida por alta umidade relativa. A ocorrência de longos períodos de seca e dias de muito sol entre dias chuvosos são desfavoráveis à doença (Embrapa, 2010).

2.7.3. Etiologia

O fungo Bipolaris maydis, anteriormente conhecido como Helmintosporium maydis, apresenta conídios de coloração verde-oliva, forma curva, com 10 a 17 por 30 a 115 μm, afilados nas extermidades, com 3 a 13 septos. A fase sexual é raramente encontrada na natureza onde são produzidos ascósporos em peritécios. Existem duas raças conhecidas deste fungo, a raça O mais antiga e menos destrutiva e a raça T, responsável por grandes epidemias e específico para plantas portadoras do citoplasma T (Camargo et al., 2005).

2.7.4. Praticas de manejo

As práticas de controle indicadas são o plantio de cultivares resistentes e sementes sadias, rotação de cultura com espécies não hospedeiras, maior espaçamento entre as linhas, eliminação de restos culturais contaminadas e controle químico com fungicidas. Os híbridos atuais não possuem o citolasma T, portanto são resistentes a esta raça (Camargo et al., 2005).

2.8. Míldio-do-sorgo-em-milho (Peronosclerospora sorghi (Weston & Uppal) C. G. Shaw)

Doença relatada primeiramente no sorgo. Primeiramente observada no Brasil no início da década de 70, tem sido problema na cultura de milho, principalmente nos três estados da região sul do Brasil. O míldio do sorgo causa esterilidade quando as plantas são infectadas nos primeiros estádios de desenvolvimento, acarretando perda total na produção (Ufrgs, 2010).

2.8.1. Sintomatologia

Plantas sistematicamente atacadas apresentam-se cloróticas e ocasionalmente exibem folhas com estrias e faixas brancas mais estreitas e eretas em relação às plantas sadias. Nas folhas inferiores encontram-se folhas com uma divisão transversal nítida entre o tecido doente e sadio, dando à folha um aspecto de meia folha doente. Os colmos apresentam-se mais finos, acamados e possuem uma quantidade menor de raízes adventícias. Os pendões das plantas atacadas podem apresentar uma proliferação de estruturas filóides (pendão louco ou crazy top ), em que as estruturas florais tomam o aspecto de pequenas folhas, ou apresentam folhas estreitas e eretas, sem a presença de pendão. Em ambos os casos, não há formação de espigas (Ufrgs, 2010).

2.8.2. Epidemiologia

No período noturno e em temperaturas entre 21 e 23 ºC e presença de orvalho ocorre abundante produção de esporângios pelo fungo, os quais são disseminados pelo vento, nas primeiras horas da manhã. Ainda, sob as mesmas condições ambientais, os esporângios germinam e infectam rapidamente as plantas de milho, causando lesões localizadas onde ocorre nova produção de esporângios. Após a infecção, se a temperatura ambiente se mantiver abaixo de 22 ºC, a severidade dessa doença pode atingir níveis epidêmicos. Ao final do ciclo, são formados os oósporos, que podem sobreviver nos restos de cultura e no solo por diversos anos. Dessa forma, o plantio de milho em uma área onde ocorreu severa epidemia de míldio corre o risco de ter reincidência severa dessa doença. O plantio direto é uma prática que aumenta o risco da doença por manter os resíduos com as estruturas do patógeno (Ufrgs, 2010).

2.8.3. Etiologia

O oomiceto Peronosclerospora sorghi produz dois tipos de esporos. Os conídios são hialinos, ovalados, com paredes finas, sem papilas deiscentes, germinam através de tubo germinativos e forma-se sobre conidióforos que emergem sobre estômatos. Os oósporos localizam-se no mesófilo, entre feixes fibrovasculares, são hialinos a amarelados, esféricos, possuem paredes espessas e são capazes de sobreviver sob condições adversas por longos períodos (Ufrgs, 2010).

2.8.4. Praticas de manejo

Recomenda-se o uso de variedades resistentes. A aração, a gradagem e rotação de cultura são práticas que reduzem a quantidade de restos de cultura na área e, conseqüentemente, a quantidade de inóculo do patógeno. O tratamento de sementes com fungicidas auxilia no controle da doença. A alteração na época de plantio, evitando-se períodos com temperaturas favoráveis ao desenvolvimento do patógeno e da doença, tem-se mostrado eficiente no controle da doença (Ufrgs, 2010).

2.9. Podridão-branca-da-espiga ou podridão-da-espiga-de-Diplodia (Diplodia macrospora (Earle); Diplodia maydis (Berk.) Sacc)

As podridões causadas por fungos do gênero Diplodia (ou Stenocarpella) são as mais freqüentes no milho, causada pelas espécies D. macrospora e D. maydis. Esta doença é encontrada em todo o país, mas a ocorrência de D. maydis é mais frequente na região sul e D. macrospora nas demais regiões do Brasil. Os grãos infectados por estes fungos são chamados de “grãos ardidos”, estes apresentam menores valores nutricional e baixa palatabilidade. Além das perdas de produção, os grãos ardidos por Diplodia spp. constituem um dos principais problemas da qualidade do milho, devido à possibilidade da presença de micotoxinas. A toxina produzida por D. macrospora é denominada diplodiol e é tóxica para aves e bovinos, já a toxina produzida por D. maydis é denominada diplodiatoxina e é tóxica para aves, bovinos e ovinos (Embrapa, 2010).

2.9.1. Sintomatologia

Os primeiros sintomas da podridão aparecem geralmente na base da espiga. Entre os grãos, desenvolve-se um micélio branco e as espigas severamente afetadas tornam-se mais leves do que as sadias e apresentam grãos de cor marrom. Pequenos pontos negros podem ser encontrados no interior da espiga, na palha e em lesões de coloração variando de marrom-claras a quase negras próximo aos entrenós inferiores. O tecido interno dos entrenós adquire uma coloração marrom e se desintegra, sobrando apenas os vasos lenhosos também cobertos pelos mesmos pontos negros. Estes pontos negros são os picnídios, as estruturas de frutificação do patógeno. Espigas infectadas no estádio de grãos leitosos podem apodrecer completamente (Embrapa, 2010).

2.9.2. Epidemiologia

O agente causal D. macrospora ocorre em regiões quentes, com altitudes abaixo de 500 m e em ambiente úmido, já D. maydis ocorre em regiões de temperatura moderada, com altitudes acima de 700 m, e em ambiente úmido. Os esporos sobrevivem no interior dos picnídios que se mantêm no solo, nos restos de culturais contaminados e nas sementes. Nas sementes, o fungo também sobrevive na forma de micélio dormente. Os conídios são disseminados pela ação do vento ou da chuva. As condições climáticas do sul do país que apresenta temperaturas diárias de 25 a 27 °C e noturnas de 12 a 15°C são favoráveis ao desenvolvimento da doença, assim como abundância de chuva na época da maturação dos grãos. As espigas mais suscetíveis ao fungo são aquelas com mau empalhamento, com palha frouxa ou não decumbente (Embrapa, 2010).

2.9.3. Etiologia

O agente causal Diplodia macrospora produz micélio de cor cinza a marrom-claro e picnídios marrom-escuros a pretos, globosos, com paredes multicelulares, com uma abertura denominada ostíolo e medindo de 200 a 300 µm de diâmetro. Conídios marrom-claro, retos, raramente curvos, fusiformes, paredes espessas e lisas, com até três septos, medindo 44 a 82 por 7,5 a 11,5 µm. D. maydis apresentar conídios menores de 15 a 34 por 5 a 8 µm com até dois septos (Camargo et al., 2005).

2.9.4. Praticas de manejo

As práticas culturais recomendadas são o uso de cultivares resistentes e outros métodos que visam acabar com as formas de sobrevivência do patógeno, eliminando os restos de cultura, usando sementes sadias e fazendo rotação de cultura já que o milho é o único hospedeiro de D. macrospora. Cana também é hospedeiro de D. maydis, portanto evitar fazer rotação milho-cana. Existe no mercado fungicidas e mistura de fungicidas capazes de erradicar o fungo (Embrapa, 2010).

2.10. Podridão-do-colmo-de-fusarium ou podridão-rosada-do-milho (Fusarium moniliforme Sheld.; Gibberella fugikuroi Wineland)

A ocorrência da podridão do colmo de milho tem aumentado significativamente nos últimos anos nas principais regiões produtoras de milho do país. Vários patógenos podem estar associados a esta doença, sendo que o mais freqüente é o fungo Fusarium moniliforme e sua forma perfeita Gibberella fujikuroi (sinônimo: Gibberella moniliforme). É considerado o principal patógeno associado a sementes de milho no Brasil (Embrapa, 2010).

2.10.1. Sintomatologia

Os tecidos internos dos entrenós e das raízes adquirem coloração avermelhada que progride de forma uniforme e contínua, da base em direção à parte superior da planta. A parte inferior do colmo torna-se mole e, eventualmente, entra em colapso. A medula dentro da haste torna-se esbranquiçada, bronzeada a rosada e é desintegrada, deixando os feixes vasculares intactos. Tanto as raízes quanto a parte basal do colmo podem apresentar lesões internas e externas e as plantas severamente atacadas secam prematuramente em relação às plantas sadias. Em estágios avançados da doença, o tecido atacado pode apresentar-se fendilhado. Sinais da doença, como esporodóquios do anamorfo e peritécios do teleomorfo deste fungo podem ser constatados nos tecidos atacados. Embora a infecção do colmo possa ocorrer antes da polinização, os sintomas só se tornam visíveis logo após a polinização e aumentam em severidade à medida que as plantas entram em senescência (Ufrgs, 2010).

2.10.2. Epidemiologia

Fungos do gênero Fusarium são tipicamente habitantes de solo sobrevivendo em peritécios e na forma de micélio nos tecidos das plantas, ou na forma de clamidósporos no solo ou associados a restos orgânicos. A disseminação, no caso de esporos pode ocorrer pelo vento, e os fragmentos de hifas pelo solo. O fungo pode iniciar sua infecção pelas raízes ou penetrar diretamente ou por ferimentos no colmo. Em geral, a podridão de colmo causada por Fusarium ocorre associada ao ataque de nematóides ou de pragas subterrâneas que debilitam as plantas e causam ferimentos nas raízes, facilitando a penetração do fungo. A podridão começa a se manifestar algumas semanas após a polinização, tornando-se mais severa a partir deste ponto, quando a polinização é antecedida por período seco e seguida de período chuvoso. Estresse de seca e injúrias às plantas, bem como condições quentes e úmidas pouco após a polinização, parece favorecer a infecção pelo patógeno. A faixa ótima de temperatura para o desenvolvimento da doença se situa entre 20 a 25 ºC (Embrapa, 2010).

2.10.3. Etiologia

O agente causal F. moniliforme produz dois tipos de conídios: macroconídios curvos nas extremidades com 3 a 7 septos (2,4-4,9 x 15-60 µm) e microconídios asseptados (2-3 x 5-12 µm) que são produzidos em cadeias ou falsas cabeças sobre conidióforos ramificados a partir da hifa, isolados ou agregados em esporodóquios. A fase sexual se caracteriza pela produção de ascósporos dentro de ascos em peritécios. Os peritécios produzem ascos (75-100 x 10-16µm) com 8 ascosporos retos, a maioria com um septo (4,5-7 x 12-17µm) . F. moniliforme var. subglutinans possui macroconídios menos curvos e geralmente com 3 septos. Os microconídios nunca são produzidos em cadeia neste fungo (Embrapa, 2010).

2.10.4. Praticas de manejo

Escolha de cultivares resistentes e práticas culturais, dentre as quais, destaca-se densidade correta de plantio, manutenção da cultura livre de plantas daninhas, colheita na época apropriada e rotação de culturas. Plantios com estandes adensados requerem híbridos resistentes. Não há controle químico para esta doença (Ufrgs, 2010).

2.11. Podridão-rosada-da-espiga ou podridão-da-espiga-de-fusário (Fusarium verticillioides (Sacc.) Nirenb.; Fusarium moniliforme Sheld)

Esta doença é causada pelos fungos Fusarium moniliforme (sinônimo = F. verticillioides) e Fusarium subglutinans, sendo a mais freqüente causa de podridão de espiga e caule do milho. Com o patógeno cosmopolita, a doença é responsável por importantes perdas na produção de milho no mundo, sendo altamente transmissível por sementes e com alta capacidade de multiplicação em restos de cultura. Produtor de micotoxinas, inviabiliza, em casos de elevadas infestações, o uso dos grãos para consumo humano ou animal. Como exemplos de toxinas produzidas pelo patógeno citam-se o ácido fusárico, fusarinas, moniliforminas, zearalenona e fumonisinas. Algumas linhagens de F. moniliforme produzem giberelinas (Embrapa, 2010).

2.11.1. Sintomatologia

Uma massa cotonosa avermelhada pode recobrir os grãos infectados ou a área da palha atingida. Em alguns grãos pode haver o aparecimento de estrias brancas no pericarpo. Os grãos podem estar em grupos ou isolados na espiga, podendo ser possível observar a presenças de um micélio branco em estádios avançados da doença. Muitos grãos, aparentemente sadios, podem conter o patógeno em seu interior (Embrapa, 2010).

2.11.2. Epidemiologia

A infecção pode se iniciar pelo topo ou por qualquer outra parte da espiga, mas sempre associada a alguma injúria causada por insetos ou pássaros. Quando a infecção ocorre via pedúnculo da espiga, todos os grãos podem se tornar infectados. No entanto, a infecção só se desenvolverá naqueles que apresentarem alguma injúria no pericarpo. O desenvolvimento da doença nas espigas é paralisado quando o teor de umidade dos grãos está ao redor de 18%, em base úmida. Como estes fungos possuem fase saprofítica ativa, sobrevivem e se multiplicam na matéria orgânica, no solo, sendo essa a fonte principal de inóculo. Esses patógenos tem uma faixa de temperatura ótima para o seu desenvolvimento situada entre 20 a 25 ºC. Contudo, suas toxinas são produzidas à temperaturas baixas e a alternância das temperaturas, principalmente a diurna e a noturna favorece a produção das mesmas (Embrapa, 2010).

2.11.3. Etiologia

A forma perfeita é Gibberella fujikuroi (Sawada) S.Ito. F. moniliforme produz micélio com aparência pulverulenta devido a abundante produção de microconídios, geralmente com coloração salmão, podendo apresentar-se laranja, púrpura ou violeta. Macroconídios as vezes presentes, hialinos, delicados, fusóides, com 3 a 7 septos, medindo 25 a 60 por 2.5 a 4 µm, com célula basal em forma de pé e célula apical curva e pontiaguda. Clamidósporos ausentes. Microconídios hialinos, fusóides, 5 a 12 por 1.5 a 2.5 µm, produzidos em cadeia por fiálides curtas. Ocasionalmente podem apresentar um septo (Camargo et al., 2005).

2.11.4. Praticas de manejo

A principal medida de controle desta doença é o uso de cultivares resistentes. Além disso, deve-se fazer rotação de culturas, promover o controle de plantas invasoras hospedeiras do patógeno e usar sementes sadias (Embrapa, 2010).

2.12. Helmintosporiose ou mancha-de-turcicum (Helminthosporium turcicum Pass.; Setosphaeria turcica (Luttr.) KJ Leonard & Suggs)

A Helmintosporiose é uma doença que no Brasil causa maiores problema em plantios de safrinha, quando pode causar perdas de até 50% em ataques severos antes do período de floração (Embrapa, 2010).

2.12.1. Sintomatologia

Sintomas típicos nas folhas surgem inicialmente nas folhas mais baixas, na forma de lesões elípticas de coloração palha, 2,5 a 15 cm, com bordos bem definidos, que se tornam escuras devido à frutificação do fungo. Devido ao coalescimento destas lesões, as folha adquirem um aspecto de queima. Lesões com bordas amareladas indicam a presença do gene Ht1 de resistência. Nestas lesões praticamente não ocorre esporulação do fungo (Camargo et al., 2005).

2.12.2. Epidemiologia

A sobrevivência do patógeno ocorre em restos culturais na forma de micélio e conídios. A dispersão dos esporos ocorre pelo vento a longas distâncias. A germinação ocorre 3 a 6 após a inoculação. O túbulo germinativo do fungo cresce paralelamente aos veios da folha, aonde penetra diretamente após o desenvolvimento do apressório e do tubo de penetração. Outros hospedeiros são o sorgo, o capim sudão, o sorgo de halepense e o teosinto. Condições ambientais que favorecem a doença são de temperaturas entre 18 e 27°C, alta umidade e abundante formação de orvalho. Já a estiagem reduz significativamente o seu desenvolvimento (Camargo et al., 2005).

2.12.3. Etiologia

O patógeno produz conidióforos isolados ou em grupos de 2 a 6, cilíndricos, marrom oliváceos tornando-se mais claros no ápice, com até 300 por 8 a 9 µm. Conídios elipsóides a obclavados, retos ou ligeiramente curvos, marrom oliváceos, lisos, 4 a 9 septos, medindo de 50 a 144 por 18 a 33 µm. Hilo protuberante, medindo 2 a 3 por 2 a 3 µm. Outros sinônimos: Exserohilum turcicum, Bipolaris turcicum, Drechslera turcicum (Camargo et al., 2005).

2.12.4. Praticas de manejo

Recomenda-se a utilização de cultivares resistentes (genes Ht). Rotação com culturas não suscetíveis também diminui significativamente o número de focos da doença. Controle químico com base em fungicidas é recomendado em áreas de produção de sementes no período de polinização (Ufrgs, 2010).

2.13. Mancha-branca-das-folhas ou mancha-foliar-de-Phaeosphaeria (Phaeosphaeria maydis (P. Henn.) Rane et al.; Leptosphaeria zeae Stout)

A incidência da doença tem aumentado significativamente no Brasil a partir da década de 90 estando disseminada por todas as regiões produtoras de milho, principalmente em plantios que coincidem com períodos chuvosos e temperaturas amenas. Em cultivares suscetíveis, a mancha branca das folhas pode reduzir a produção de grãos em cerca de 60% ou ainda causar seca prematura das folhas, redução no ciclo da planta, no tamanho e no peso dos grãos. Embora se use o nome Mancha foliar de Phaeosphaeria em milho, existem muitas controvérsias sobre o agente causal desta doença no Brasil (Embrapa, 2010).

2.13.1. Sintomatologia

Inicialmente, as lesões são pequenas, cloróticas tipo anasarca, evoluindo para necróticas com diâmetro variando aproximadamente entre 0,3 a 2,0 cm e formato variando de arredondado a oblongo apresentando bordos escuros e centro esbranquiçado com a presença de pontuações escuras correspondentes as frutificações do patógeno. Pode haver coalescência de lesões, levando à morte parcial ou total da folha. Em geral, os sintomas aparecem primeiro nas folhas inferiores, progredindo rapidamente em direção ao ápice da planta, sendo mais severos após o pendoamento e nunca ocorre em plântulas de milho. Em grande número, as lesões juntam-se e causam requeima das folhas, que cessam a fotossíntese na fase de enchimento dos grãos, os quais secam prematuramente antes de atingir o seu tamanho normal. Conseqüentemente, as espigas reduzem o seu tamanho e os grãos ficam parcialmente cheios, de cor desbotada, chochos e muitas vezes ardidos (Embrapa, 2010).

2.13.2. Epidemiologia

As perdas são dependentes das condições ambientais e do estádio de desenvolvimento no qual a planta é infectada. Plantas infectadas precocemente podem ter sua produtividade reduzida sob condições de umidade relativa elevada, preferencialmente com água livre na superfície da folha, temperaturas moderadas e baixa luminosidade. Essas condições são comumente encontradas em regiões acima de 600 m de altitude, sendo a doença mais severa em semeaduras a partir da segunda quinzena de novembro. Há o envolvimento de bactérias da espécie Pantoeae ananas nas causando as lesões tipo anasarca. O inóculo primário se origina nos restos da cultura. A disseminação se dá pelo vento e por respingos de chuva (Embrapa, 2010).

2.13.3. Etiologia

O agente causal Phaeosphaeria maydis é um ascomiceto. As suas ascas são hialinas e possuem oito ascósporos hialinos, retos ou ligeiramente curvos, com três septos, medindo 14,5 a 17,5 por 3,5 a 5 µm. Os picnídios são escuros, contendo esporos hialinos. A forma imperfeita desse fungo é denominada Phyllosticta sp. A etiologia dessa doença está em estudo, e atualmente é atribuída a diferentes agentes causais como Phyllosticta sp., Phoma sorghina, Phoma sp. e Sporomiella sp. (Embrapa, 2010).

2.13.4. Praticas de manejo

Usar cultivares resistentes, evitar o plantio de cultivares mais suscetíveis em épocas ou locais que sejam muito úmidos ou chuvosos, principalmente durante os períodos vegetativos e de florescimento da cultura. A rotação de culturas e a destruição dos restos culturais ajudam a complementar o manejo da doença. Devem ser feitas também adubações equilibradas entre nitrogênio, fósforo e potássio, pois o nitrogênio em excesso favorece a doença (Embrapa, 2010).

2.14. Podridão de Stenocarpella (Stenocarpella maydis ou S. macrospora)

2.14.1 Sintomatologia

Plantas infectadas por qualquer um desses fungos apresentam, externamente, próximas aos entrenós inferiores, lesões marrom-claras, quase negras, nas quais é possível observar a presença de pequenos pontinhos negros (picnídios). Internamente, o tecido da medula adquire coloração marrom, pode se desintegrar, permanecendo intactos somente os vasos lenhosos sobre os quais é possível observar também a presença de picnídios (Embrapa, 2010).

2.14.2. Epidemiologia

As podridões do colmo causadas por Stenocarpella sp. são favorecidas por temperaturas entre 28 e 30oC e alta umidade, principalmente na forma de chuva. Esses fungos sobrevivem nos restos de cultura na forma de picnídios e, nas sementes, na forma de picnídios ou de micélio. Apresentam como único hospedeiro o milho o que torna a rotação de culturas uma medida eficiente no controle dessa doença. A disseminação dos conídios pode ocorrer pela ação da chuva ou do vento (Embrapa, 2010).

2.14.3. Etiologia

Pode ser causada pelos fungos Stenocarpella maydis ou S. macrospora, os mesmos agentes causais da podridão branca das espigas. Stenocarpella. macrospora pode também causar lesões foliares em milho. As duas espécies diferem entre por S. maydis apresentar conídios duas vezes menores que os de S. macrospora e por não causar lesões foliares (Embrapa, 2010).

2.14.4. Praticas de manejo

Utilização de cultivares resistentes e rotação de culturas, principalmente em áreas onde se utiliza o Sistema Plantio Direto. Evitar altas densidades de semeadura. Realizar adubações de acordo com as recomendações técnicas para evitar desequilíbrios nutricionais nas plantas de milho (Embrapa, 2010).

2.15. Podridão Seca do Colmo (Macrophomina phaseolina)

2.15.1. Sintomatologia

A infecção das plantas se inicia pelas raízes. Embora essa infecção possa ocorrer nos primeiros estádios de desenvolvimento da planta, os sintomas são visíveis nos entrenós inferiores, após a polinização. Internamente, o tecido da medula se desintegra permanecendo intactos somente os vasos lenhosos (Embrapa, 2010).

2.15.2. Epidemiologia

A podridão de Macrophomina é favorecida por altas temperaturas (37° C) e baixa umidade no solo. A sobrevivência de M. phaseolina no solo, bem como sua disseminação, ocorrem na forma de esclerócios. Esse fungo apresenta um grande número de hospedeiros, inclusive o sorgo e a soja o que torna a rotação de cultura uma medida de controle pouco eficiente (Embrapa, 2010).

2.15.3. Etiologia

A podridão seca do colmo é causada pelo fungo Macrophomina phaseolina.

2.15.4. Praticas de manejo

Utilização de cultivares resistentes Promover uma irrigação adequada em anos de pouca chuva. Evitar altas densidades de semeadura. Realizar adubações de acordo com as recomendações técnicas para evitar desequilíbrios nutricionais nas plantas de milho (Embrapa, 2010).

2.16. Podridão causada por Pythium (Pythium aphanidermatum)

2.16.1. Sintomatologia

Essa podridão é do tipo aquosa, assemelhando-se às podridões por bactéria. Difere dessas por ficar típicamente restrita ao primeiro entrenó acima do solo, enquanto que as bacterioses atingem vários entrenós. As plantas, antes de tombarem, geralmente sofrem uma torção. Plantas tombadas permanecem verdes por algum tempo, visto que os vasos lenhosos permanecem intactos (Embrapa, 2010).

2.16.2. Epidemiologia

Esse fungo sobrevive no solo, apresenta elevado número de espécies vegetais hospedeiras e é capaz de infectar plantas de milho jovens e vigorosas, antes do florescimento. Essa podridão é favorecida por temperaturas em torno de 32°C e por alta umidade no solo proporcionada por prolongados períodos de chuva ou irrigação excessiva (Embrapa, 2010).

2.16.3. Etiologia

É causada pelo fungo Pythium aphanidermatum.

2.16.4. Praticas de manejo

Manejo adequado da água de irrigação.

2.17. Podridão-bacteriana ou mole (Erwinia chrysanthemi pv. zeae Burkholder; Erwinia carotovora var. zeae Hingorani)

Podridões do colmo estão entre as mais sérias doenças do milho e causam perdas na produção pela redução do enchimento de grãos, morte prematura e tombamento de plantas. A podridão-bacteriana é comum em todas as regiões produtoras de milho no mundo sendo um problema em regiões com alta umidade do solo, como em áreas irrigadas. Quando as cultivares atacadas são suscetíveis ao patógeno os reflexos sobre a produtividade da lavoura podem ser significativos, principalmente em campos de produção de sementes, onde a doença é encontrada com maior freqüência (Embrapa, 2010).

2.17.1. Sintomatologia

Um dos sintomas típicos da doença é o súbito aparecimento de plantas tombadas na lavoura, assim como a seca prematura de plantas. Sinais típicos são odores desagradáveis exalados pelos tecidos afetados. Os sintomas nos entrenós atacados são o encharcamento dos tecidos e a perda de firmeza ou rigidez dos tecidos do colmo, que provoca o tombamento das plantas. Em fases mais adiantadas da doença, os tecidos necrosados nos entrenós apresentam-se marrom-claros. O patógeno se alcançar as espigas pode causar a podridão-mole, sendo que os sintomas típicos nestas são a murcha e a seca das folhas do cartucho decorrentes de uma podridão aquosa na base (Embrapa, 2010).

2.17.2. Epidemiologia

As bactérias são saprófitas e sobrevivem em restos culturais de milho e sorgo. Com a disseminação da bactéria por vento ou respingos estas infectam plantas de milho através de aberturas naturais ou ferimentos como os causados por insetos e granizo. O patógeno coloniza os vasos por onde pode ser transportado pela planta. A umidade proporcionada pelas chuvas e o excesso de água de irrigação, associada a temperaturas altas (29 a 35°C), favorece a ocorrência desta doenças causada por bactérias. A água acumulada no cartucho da folha favorece a ocorrência da podridão na espiga (Embrapa, 2010).

2.17.3. Etiologia

O agente causal Erwinia chrysanthemi pv. zeae é uma bactéria gram-negativa, com dimensões de 0,6 a 0,9 por 0,8 a 1,7 µm, formato de bastão e provida de flagelo. Outras bactérias, como Erwinia carotovora subsp. carotovora (Jones) Bergey et al., Enterobacter dissolvens (Rosen) Brenner et al., e Pseudomonas aveae subsp. avenae manns, também podem causar esta doença, porém com menor freqüência. Outras espécies de bactérias do gênero Pseudomonas também causa doenças em milho (Embrapa, 2010).

2.17.4. Praticas de manejo

Manejar adequadamente a irrigação, em quantidade e qualidade da água, sistema de drenagem do solo e uso de cultivares resistentes (Embrapa, 2010).

2.18. Raiado fino (Maize Rayado Fino Virus)

A virose rayado fino, também denominada de risca, pode reduzir a produção de grãos em até 30% e ocorre nas principais regiões produtoras de milho. Essa doença é transmitida e disseminada por uma cigarrinha de cor palha, tamanho de 0,5cm, denominada Dalbullus maidis (Embrapa, 2010)

2.18.1. Sintomatologia

Os sintomas característicos são riscas formadas por numerosos pontos cloróticos coalescentes ao longo das nervuras, que são facilmente observados quando as folhas são colocadas contra a luz (Embrapa, 2010).

2.18.2. Epidemiologia

O vírus do rayado fino ocorre sistemicamente na planta de milho e é transmitido de forma persistente propagativa pela cigarrinha Dalbullus maidis que, ao se alimentar em plantas doentes, adquire o vírus que é transmitido para plantas sadias. O período latente entre a aquisição desse vírus e sua transmissão varia de 7 a 37 dias. A incidência e a severidade dessa doença são influenciadas por grau de susceptibilidade da cultivar, por semeaduras tardias e por população elevada de cigarrinha coincidente com fases iniciais de desenvolvimento da lavoura de milho. O milho é o principal hospedeiro tanto do vírus como da cigarrinha (Embrapa, 2010).

2.18.3. Etiologia

A virose é causada pelo víus Maize Rayado Fino Vírus.

2.18.4. Praticas de manejo

O método mais eficiente e econômico para controlar o vírus rayado fino é a utilização de cultivares resistentes. Práticas culturais recomendadas que reduzem a incidência dessa doença no milho são: eliminação de plantas voluntárias de milho, fazer o pousio por um período de dois a três meses sem a presença de plantas de milho, alterar a época de semeadura, evitando as semeaduras tardias e sucessivas de milho (Embrapa, 2010).

2.19. Mosaico comum do milho (Potyvirus)

O mosaico comum do milho ocorre praticamente em toda região onde se cultiva o milho. Calcula-se que essa doença pode causar uma redução na produção de 50% (Embrapa, 2010).

2.19.1. Sintomatologia

Os sintomas caracterizam-se pela formação nas folhas de manchas verde claro com áreas verde normal, dando um aspecto de mosaico. As plantas doentes são, normalmente, menores em altura e em tamanho de espigas e de grãos (Embrapa, 2010).

2.19.2. Epidemiologia

A transmissão do mosaico comum do milho é feita por várias espécies de pulgões. Os vetores mais eficientes são as espécies Ropalosiphum maidis, Schizophis graminum e Myzus persicae. Os insetos vetores adquirem os virus em poucos segundos ou minutos e os transmitem, também, em poucos segundos ou minutos. A transmissão desses vírus pode ser feita, também, mecanicamente. Mais de 250 espécies de gramíneas são hospedeiras dos vírus do mosaico comum do milho (Embrapa, 2010).

2.19.3. Etiologia

O mosaico comum do milho é causado por um complexo viral pertencente ao grupo Potyvirus. Dentre eles, incluem-se o “Maize Dwarf Mosaico Virus” (MDMV), O “Sugar Cane Mosaico Virus” (SCMV), o “Johnson Grss Mosaico Virus” (JGMV) e o “Sorghum Mosaico Virus” (SrMV) (Embrapa, 2010).

2.19.4. Praticas de manejo

A utilização de cultivares resistentes é o método mais eficiente para controlar essa virose. A eliminação de outras plantas hospedeiras pode contribuir com a redução da incidência dessa doença. A aplicação de inseticidas para o controle dos vetores não tem sido um método muito efetivo no controle do mosaico comum do milho (Embrapa, 2010).

2.20. Enfezamento pálido (Spiroplasma) e enfezamento vermelho (Phytoplasma)

Os enfezamentos do milho, causados por Spiroplasma e por Phytoplasma, são considerados doenças importantes para a cultura do milho por afetarem a produtividade desse cereal e por sua ocorrência generalizada nas principais regiões produtoras de milho. Essas doenças são transmitidas e disseminadas por uma cigarrinha de cor palha, tamanho de 0,5cm, denominada Dalbulus maidis (Embrapa, 2010).

2.20.1. Sintomatologia

Enfezamento pálido: Os sintomas característicos são estrias esbranquiçadas irregulares na base das folhas que se estendem em direção ao ápice. Normalmente as plantas são raquíticas devido ao encurtamento dos entrenós e pode haver uma proliferação de espigas pequenas e sem grãos. Quando há produção de grãos, eles são pequenos, manchados e frouxos na espiga. As plantas podem secar precocemente. Enfezamento vermelho: Os sintomas típicos dessa doença são o avermelhamento das folhas, a proliferação de espigas, o perfilhamento na base da planta e nas axilas foliares e encurtamento dos entrenós (Embrapa, 2010).

2.20.2. Epidemiologia

Molicutes Spiroplasma e Phytoplasma ocorrem somente em células do floema de plantas doentes de milho e são transmitidos de forma persistente propagativa pela cigarrinha Dalbulus maidis que, ao se alimentar em plantas doentes, adquire os molicutes que são transmitidos para as plantas sadias. O período latente entre a aquisição do patógeno e sua transmissão pela cigarrinha varia entre 12 e 28 dias para Spiroplasma enquanto para Phytoplasma a variação é de 22 a 26 dias. A incidência e a severidade dessas doenças são influenciadas por grau de susceptibilidade da cultivar, por semeaduras tardias, por temperaturas elevadas e por densidade elevada de cigarrinhas coincidente com fases iniciais de desenvolvimento da lavoura de milho (Embrapa, 2010).

2.20.3. Etiologia

O enfezamento pálido é causado por procarionte pertencente ao gênero Spiroplasma denominado pelo nome comum espiroplasma. O enfezamento vermelho é causado por procarionte pertencente ao gênero Phytoplasma denominado pelo nome comum fitoplasma (Embrapa, 2010).

2.20.4. Praticas de manejo

O controle dessas doenças mais eficiente é a utilização de cultivares resistentes. Outras práticas recomendadas para o manejo dessas doenças são: evitar semeaduras sucessivas de milho, fazer o pousio por período de dois a três meses sem a presença de plantas de milho e alterar a época de semeadura, evitando-se a semeadura tardia do milho (Embrapa, 2010).

2.21. Doencas Causadas por Nematóides

Mais de 40 espécies de 12 gêneros de nematóides têm sido citadas como parasitas de raízes de milho em todas as áreas do mundo onde esse cereal é cultivado. No Brasil, as espécies mais importantes, devido à patogenicidade, à distribuição e à alta densidade populacional, são Pratylenchus brachyurus, Pratylenchus zeae, Helicotylenchus dihystera, Criconemella spp., Meloidogyne spp. e Xiphinema spp. Resultados de pesquisa demonstram que o controle químico de nematóides na cultura do milho permitiram o aumento da produção de grãos em 39% em área naturalmente infestada por Pratylenchus zeae e Helicotylenchus dihystera. Há também em grãos de milho relatos de aumento de produtividade de 699 kg/ ha, em parcelas experimentais, devido ao controle químico de Pratylenchus sp. E de Helicotylenchus sp. A ocorrência de nematóides do gênero Meloidogyne parasitando o milho e causando prejuízos significativos em condições naturais foi relatada no Brasil em 1986, tendo sido identificado como Meloidogyne incognita raça 3 em raízes de plantas de milho que não se desenvolveram. Contudo, o milho está entre as culturas mais recomendadas para a rotação em áreas infestadas por Meloidogyne spp. Atualmente, devido à necessidade de se controlar o nematóide do cisto (Heterodera glycines) na cultura da soja, o milho tem sido uma alternativa para a rotação de cultura, pois não é parasitado por esse nematóide (Embrapa, 2010).

2.21.1. Sintomatologia

As injúrias causadas por nematóides variam com o gênero e a população do nematóide envolvido, com as condições do solo e a idade da planta de milho. Os sistemas radiculares parasitados por nematóides são menos eficientes na absorção de água e nutrientes da solução do solo. Conseqüentemente, uma planta parasitada tem seu crescimento reduzido, apresenta sintomas de deficiências minerais e a produção é reduzida. Uma cultura de milho atacada por nematóides apresenta, em sua parte aérea, os seguintes sintomas: plantas enfezadas e cloróticas, sintomas de murcha durante os dias quentes, com recuperação à noite, espigas pequenas e mal granadas. Quando esses sintomas, observados na parte aérea, são causados por nematóides, as raízes apresentam os seguintes sintomas: Encurtamento e engrossamento das raízes: Trichodorus spp., Longidorus spp. e Belonolaimus spp. Sistema radicular praticamente destituído de radicelas: Xiphinema spp., Tylenchorhynchus spp., Helicotylenchus spp., Belonolaimus spp. E Macroposthonia spp. Sistema radicular praticamente destituído de radicelas e com lesões radiculares e raízes apodrecidas: Pratylenchus spp., Xiphinema spp., Hoplolaimus spp. e Helicotylenchus spp. Sistema radicular com pequenas galhas: Meloidogyne spp (Embrapa, 2010).

2.21.2. Praticas de manejo

A utilização de cultivares resistentes é a medida mais eficiente e econômica de controle dos nematóides que parasitam a cultura do milho. A rotação de culturas com espécie botânica não hospedeira do nematóide presente na área de cultivo do milho também é recomendada. Ademais, a utilização de plantas armadilha como Crotalaria spectabilis, as quais atraem e aprisionam larvas de nematóides, é especificamente recomendada para o controle de Meloidogyne spp. Não obstante, a Crotalaria juncea possui alto potencial de multiplicação dos nematóides Pratylenchus spp. E Helicotylenchus spp., enquanto que a rotação com mucuna preta (Mucuna aterrima) diminui as populações iniciais de Pratylenchus spp. O controle químico dos nematóides parasitas do milho depende da disponibilidade de produtos registrados, bem como da análise econômica da utilização dessa tecnologia (Embrapa, 2010).

3.0. CONCLUSÃO

Dessa forma existe várias doenças que afetam a produção de milho, porém há medidas que podem serem tomadas para minimizar os danos causados pelas doenças. Dentre essas medidas pode citar o plantio em época adequada, de modo a se evitar que os períodos críticos para a produção não coincidam com condições ambientais mais favoráveis ao desenvolvimento da doença. A utilização de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas. A utilização da rotação com culturas não suscetíveis. O manejo adequado da lavoura – adubação, população de plantas adequada, controle de pragas e de invasoras e colheita na época correta (Embrapa, 2010).

Essas medidas trazem um benefício imediato ao produtor por reduzir o potencial de inóculo em sua lavoura, mas, principalmente, contribuem para uma maior durabilidade e estabilidade da resistência genética presentes nas cultivares comerciais por reduzirem a população de agentes patogênicos. A mais atrativa estratégia de manejo de doenças é a utilização de cultivares geneticamente resistentes, uma vez que o seu uso não exige nenhum custo adicional ao produtor, não causa nenhum tipo de impacto negativo ao ambiente, é perfeitamente compatível com outras alternativas de controle e é, muitas vezes, suficiente para o controle da doença (Embrapa, 2010).

4.0. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. AGROFIT: Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários. Disponível em: . Acesso em: outubro de 2010.

CAMARGO, L.E.A.; PEREIRA, O.A.P.; DE CARVALHO, R.V. Doenças do milho. In: KIMATI, H.; AMORIM, L.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A.; REZENDE, J.A.M. (Eds.) Manual de fitopatologia: doenças das plantas cultivadas. 4. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 2005. v.2, p. 477-488.

EMBRAPA. Sistema de produção de milho. Disponível em: . Acessado em outubro de 2010.

GALLI, M. A.; SALVO, S.; CERVO, J. C.; PARADELLA, A. Avaliação da eficiência de fungicidas sistêmicos no controle da ferrugem (Puccinia polysora Underw.) na cultura do milho (Zea mays L.). Fitopatologia Brasileira, Brasília, v18, p310, 1993. Suplemento.

GALVÃO, J. C. C.; MIRANDA, G. V., Tecnologias de Produção do Milho. editores. – Viçosa, UFV, 366 p. 2004.

PEREIRA, O.A.P., CARVALHO, R.V., CARMAGO, L. E. A. – Doenças do Milho (Zea mays), KIMATI, H; AMORIM, L.; BERGAMIN F., A.; CAMARGO, J. F. A. C.; REZENDE, J. A. M. - Manual de fitopatologia: Doenças das plantas cultivadas. 3a Ed. Vol. 2, Editora Agronômica Ceres Ltda. São Paulo SP, 774 p.1997.

PINTO N. F. J. A. Controle químico de doenças foliares em milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v.3, n.1, p.134-138, 2004.

SILVA J. V. C., SILVA, J. R. V., SILVA, G. D., PAIVA, S. B, FRANÇA R.O.. Efeito de fungicidas no controle de manchas foliares do milho. Universidade Federal de Uberlândia, Syngenta Proteção de Cultivos, Unitri. Fitopatologia Brasileira, Maringá, Vol32, p.367, 2007.Suplemento.

UFRGS. Herbário virtual de fitossanidade. Disponível em: . Acesso em outubro de 2010.


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