quarta-feira, 30 de junho de 2010

“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Colletotrichum sp.”

Autor: Paulo Vinícius de Sousa

O gênero Colletotrichum sp. é um dos mais importantes entre os fungos fitopatogênicos do mundo, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais. Ele envolve espécies que causam doenças de expressão econômica em leguminosas, cereais, hortaliças e culturas perenes, incluindo diversas frutíferas (Serra et al., 2008).
O gênero Colletotrichum possui 702 espécies válidas em literatura, dentre eles Colletotrichum Acaciae, Colletrotrichum Caudatum, Colletotrichum Corni, Colletotrichum Dicheae, Colletotrichum Curvatum (Index Fungorum, 2010), e outros variedades e formae speciales de fungo pertencente ao gênero Colletotrichum sp. Esse fungo possui como fase teleomórfica ascomiceto pertencente ao gênero Glomerella sp. A posição taxonômica de Colletotrichum sp. é: Reino Fungi, grupo dos Fungos Mitospóricos e sub-grupo dos Coelomicetos(Kirk et al., 2001).
Entre os fungos existentes no mundo foram encontrados 8508 espécies de Colletotrichum sp.(Sbml, 2010). No Brasil foram registrados 59 fungos Colletotrichum sp., dentre eles consta-se por exemplo o Colletotrichum Andropogonis, é encontrado no sorgo na região de São Paulo, e também o Colletotrichum Manihotis, é encontrado na mandioca na região de São Paulo e Rio de Janeiro. O Colletotrichum sp. foi encontrado em 154 hospedeiras, dentre eles, no pimentão, cravo da India, mamão, café, pepino, eucalipto, algodão jabuticaba, jiló, batata, na maioria destas o fungo ocorreu em sementes, causando doenças como antracnose, mancha foliar, sarna, podridão dos frutos (Embrapa, 2010).
Espécies de Colletotrichum são tradicionalmente diferenciadas com base em caracteres morfológicos e culturais, que devem ser considerados simultaneamente e nunca isoladamente. Morfologicamente o fungo apresenta acérvulos circulares, conidióforos simples. Conídios hialinos, ovais a oblongos ou ovais ou falcados. Massa de conídios de coloração rósea, podem estar presentes no acérvulo, suas setas podem ser longas, septadas e pigmentadas (Galli, 1978). A antracnose em frutíferas é considerada uma doença economicamente importante, ela ataca os ramos novos, folhas, inflorescências e frutos. Nas folhas ha o aparecimento de manchas escuras e de contornos irregulares. As inflorescências afetadas apresentam flores escuras, tomando o aspecto de queimadas pelo fogo, morrendo em seguir. As lesões na ráquis podem levar a queda dos frutos, antes da maturação fisiológica, ou mumificação quando ainda novos. No período de maturação, há o aparecimento de lesões escuras e deprimidas na superfície do fungo, que podem atingir também a polpa. A doença pode ocasionar prejuízos que variam em função do grau de suscetibilidade da planta hospedeira e das condições ambientais (Serra et al. 2008).
A antracnose que possui como agente causal o fungo pertencente ao gênero Colletotrichum sp. pode ser altamente devastadora, proporcionando perdas de até 100% na produção quando os fatores cultivar suscetível, ambiente favorável ao patógeno e sementes infectadas estiverem simultaneamente presentes durante o período de cultivo (Silva, 2004). A disseminação de planta a planta se dá principalmente através dos respingos de chuva, pois os conídios estão aglutinados por uma substância gelatinosa hidrossolúvel e não são facilmente carregados pelo vento. Os conídios uma vez em contato com o hospedeiro, sob condições de umidade, germinam e o pro-micélio resultante, com prévia formação de apressório, penetra diretamente através da cutícula pela emissão do tubo de infecção (Galli et al. 1978).
Entre as medidas de controle desse patógeno, destacam-se: o uso de sementes certificadas, rotação de cultura, controle químico e a resistência genética, sendo esta a mais eficaz, por minimizar os custos de produção e reduzir os danos causados ao ambiente (Silva, 2004).
O objetivo deste trabalho é mostrar os aspectos morfológicos do fungo Colletotrichum sp., através da doença Antracnose que causa nas frutíferas.


Todos esses métodos foram realizados no laboratório de Microbiologia do IFGoiano campus Urutaí-Go.
Folhas de amora foram coletadas no campus do Instituto Federal Goiano, sendo analisadas no Laboratório de Microbiologia.
Estas folhas foram submetidas a condições de câmara úmida por um período de 48 horas. Utilizando o método de “pescagem direta”, com uma pinça em formato de agulha, foi possível fazer a coleta de estruturas fúngicas, e em um microscópio estereoscópico pode retirar fragmentos e depositá-los em uma lâmina contendo fixador lactofenol cotton-blue. Logo após depositou-se uma lamínula sobre a amostra. Estas lâminas foram vedadas com esmalte de unha.
Sob microscopia ótica, verificando as características morfológicas podemos identificar o organismo como sendo Colletotrichum sp. Logo após identificação do fungo foram realizados registros microscópicos utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580. Foi utilizado o programa Microsoft Office Picture manager para a edição das imagens e o Power Point para elaboração da prancha de fotos.

Figura 1. Aspectos morfológicos de Colletotrichum. A. Conídios não septados (bar =3µm). B. Alguns conídios que contém gútulas em forma de bastonetes e cilíndricos. C. Acérvulo setoso que apresentam setas.

Descrição Micológica:

Seu conidióforo é curto e agrupado, podendo ser separado por setas escuras e septadas juntamente a estrutura acervular. Conídios apresentavam formato cilíndrico, são unicelulares (Fig. 1A), de parede fina e delgada; e em seu interior apresentavam elementos denominados de gútulas. Colônias de aspectos acinzentadas a salmão (Fig. 1B). Seu micélio é hialino, septado, pode formar juntamente ao tecido de seu hospedeiro estrutura denominada de acérvulo (Fig. 1C).




REFERERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

EMBRAPA CENARGEN disponível em: http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/fgbd01.asp Acessado em: 27 de junho de 2010.

Farr, D.F., & Rossman, A.Y. Fungal Databases, Systematic Mycology and Microbiology Laboratory, Disponível em:http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/, acessado em 27 de junho de 2010.

GALLI, Ferdinando et al. Manual de Fitopatologia vol.2: doenças das plantas cultivadas. 4.ed. São Paulo: editora Agronômica Ceres, 1978.

INDEX FUNGORUM, Disponível em:http://www.indexfungorum.org/names/names.asp , acessado em abril de 2010.

SERRA, IMRSS, COELHO, R.S.B: MENEZES, M.M.Caracterização fisiológica, patogênica e analise isoenzimática de isolados monospóricos e multiespóricos de Colletotrichum. Universidade Federal de Pernambuco. UFRPE. Departamento de Agronomia/Fitossanidade.Summa Phytopatho. vol. 34. BOTUCATU Apr/June 2008.

SILVA, K.J.D. Distribuição e caracterização de isolados de Colletotrichum linde muthianum no Brasil; Lavras : UFLA, 2004.88. p: il.

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