sábado, 24 de agosto de 2013

Trabalho Acadêmico pertencente a disciplina de Microbiologia II: Rickettsia ricketsii

Solange Aline de Carvalho
Acadêmica do Curso Ciências Biológicas

INTRODUÇÃO


As infecções causadas pelas espécies do gênero Rickettsia sp são denominadas riquetsioses. A natureza infecciosa das riquetsioses foi demonstrada pela primeira vez pelo patologista norte-americano H. T. Hickets, ao cultivar em animais a riquetsia presente no sangue de pacientes portadores de febre maculosa das montanhas rochosas dos EUA, na primeira década de 1900 (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).
Rickets foi o primeiro a identificar o organismo infeccioso causador da doença. Ele e outros descreveram as características epidemiológicas básicas da doença, incluindo o papel dos carrapatos vetores (HAMADA, 2011).
As riquetsioses são doenças relativamente raras, mas que podem ser graves e fatais. A sua frequência é fortemente influenciada por condições que favorecem o contato com os seus vetores artrópodes (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).
Os carrapatos tanto são vetores como um reservatório da infecção, os principais animais acometidos são os pequenos animais silvestres, como ratos, coelhos, camundongos, doninhas, esquilos, nos Estados Unidos, e no Brasil, animais domésticos como o cavalo, o boi e o cachorro e animais silvestres como a capivara, abundante em todo território nacional. A maior incidência da doença em humanos anteriormente atingia adultos do sexo masculino, mas atualmente mais da metade dos casos são crianças com menos de 15 anos de idade (BENSON; MCDERMOTT, 1997).
O gênero Rickettsia é hoje constituído pelas espécies R.  prowasekii, R.  typhi e as espécies do grupo da febre maculosa, que será explicada posteriormente, entre as quais se encontra a R. ricketsii, que é a espécies mais importante e maior interesse para o Brasil (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).
As riquetsias são bacilos ou cocobacilos Gram-negativos pequenos que não crescem em meios de cultura artificiais e, assim só podem ser cultivadas em culturas de células, ovos embrionados e em algumas espécies de animais. Embora sejam parasitas intracelulares estritos, elas produzem ATP, possuem o ciclo de Krebs, a cadeia de citocromos e são capazes de sintetizar os polímeros de sua estrutura celular. Entretanto, para crescer, elas dependem de outros produtos do metabolismo celular, tais como aminoácido e outros (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).
Conforme ensina Meldau (2010), também conhecida como febre do carrapato, a febre maculosa é uma doença infecciosa aguda transmitida pela Rickettsia ricketsii, da  família das ricketisioses, cujo vetor biológico é o carrapato, cientificamente denominado de Amblyomma cajennense ou carrapato estrela.
Por considerar que a febre maculosa se trata de uma doença pouco ou quase nada divulgada no país, torna-se interessante conhecer sobre essa enfermidade e a origem da mesma.
Este trabalho tem como objetivo apresentar informações a respeito da doença, transmissão, sintomatologia, epidemiologia e tratamento e profilaxia da doença causada pela Rickettsia ricketsii.

DESENVOLVIMENTO


Transmissão
Sobre a forma de transmissão, existem literaturas que afirmam que ela se dá por meio da picada do carrapato, tanto no ser humano quanto no animal, depois de ficar fixado no hospedeiro por um período aproximado de 4 a 6 horas e ficando incubado por cerca de 2 a 14 dias. Não há transmissão homem a homem, não sendo necessário o isolamento do paciente (HAMADA, 2011).
Patogenia
As riquetsioses podem ser classificadas em dois grupos: tifo e febre maculosa. O grupo do tifo inclui o tifo epidêmico e o tifo endêmico ou murino. O grupo da febre maculosa inclui diferentes tipos de febres, cujas designações têm por base a região geográfica onde ocorrem e menos frequentemente o quadro clínico dominante. A doença de Brill-Zinsser é uma variedade do tipo epidêmico, que aparece anos depois da cura da infecção aguda, que tem como causa a própria R. prowasekii, que pode permanecer no organismo durante muitos anos sem causar qualquer tipo de manifestação clínica. A doença de Brill-Zinsser é também conhecida como tifo recrudescente. As principais manifestações clínicas das requitsioses incluem o quadro infeccioso típico e exantemas, que no grupo do tifo se localizam no tronco e, no da febre maculosa, nas extremidades. Tanto num caso como no outro, a exantema tende a se disseminar (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).

Sintomatologia
A respeito dos sinais clínicos, Galvão (1999) afirma que os primeiros deles têm início, de forma brusca, com febre alta, cefaleia, mialgia, calafrios e congestão das conjuntivas. Segundo o autor, do segundo ao sexto dia, ocorrem as manifestações cutâneas e, comumente surgem também os edemas nos membros inferiores, oligúria nos casos mais graves e hepato e esplenomegalia pouco acentuada. A febre, de moderada a alta, dura geralmente 2 a 3 semanas. A cefaleia costuma ser intensa e a mialgia ocorre por importante rabdomiólise e necrose focal múltipla (HAMADA, 2011).
A cefaleia e a febre podem vir acompanhadas por calafrios brandos, nos primeiros dias o paciente queixa-se de dores nos ossos, nas juntas e músculos, fotofobia e crescente prostração. Observa-se um rubor cutâneo, congestão das conjuntivas e tosse seca. No segundo dia aparece febre acima dos 40°C, iniciando o aparecimento das máculas, assemelhando a erupção de sarampo, tornando-se petequial e nos casos graves hemorrágicas. Podendo aparecer distúrbios no sistema nervoso central, como agitação, insônia, delírio e até coma. Na segunda semana podem ocorrer as complicações circulatórias e respiratórias mais graves, com gangrena das extremidades e pneumonias (BEESON; MCDERMOTT, 1977).
Ocorrem também precocemente no curso da doença, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal difusa. A doença evolui rapidamente com toxemia, hiperemia e congestão conjuntival (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).
O exantema é o passo posterior a mácula, ocorrendo a partir do terceiro dia com cerca de um a cinco milímetros de diâmetro, ocorrendo principalmente na região palmo-plantar, chegando a formar petéquias hemorrágicas, necrose da pele e gangrena, sendo importante assinalar que em cerca de dezesseis por cento dos casos ele é ausente. O esmaecimento e a descamação do exantema costuma coincidir com a queda da temperatura, no final da segunda semana (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).

Diagnóstico
O diagnóstico não é difícil, se já houver suspeita da doença, devido à facilidade com que a rickettsia é encontrada nos leucócitos. A restrição estritamente geográfica da doença e sua relação com a infestação por carrapatos são aspectos diagnosticáveis (HAMADA, 2011).
Pode ser feito por cultura, testes sorológicos, imunofluorescência e por PCR. Sangue deve ser recolhido o mais precoce possível. Para o isolamento deve-se utilizar
sangue heparinizado, antes da introdução da antibiotecoterapia. Sangue colhido com EDTA ou citrato pode ser utilizado para diagnóstico utilizando PCR. As culturas, além de demoradas, só devem ser feitas em laboratórios especializados com nível de segurança. O risco de contaminação dos técnicos é bastante grande. Existe uma variedade de testes sorológicos, porém o mais recomendado atualmente é a microimunoinfluorescência, não só pela sua sensibilidade e especificidade, mas também porque existem kits comerciais para o diagnóstico. Vale à pena mencionar que a reação de Weil e Felix (aglutinação de antígenos de Proteus vulgaris) muito usada no passado foi praticamente abandonada, devido à baixa sensibilidade e pouca especificidade. Um dos melhores métodos de diagnóstico é imunofluorescência de biopsias retiradas de lesões cutâneas. Este tipo de material tem-se mostrado excelente para PCR, um método que tem oferecido bons resultados até agora. A técnica de PCR é também bastante utilizada para detecção de riquetsias em artrópodes. Diferentes primers ou iniciadores podem ser utilizados (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).

Epidemiologia
A distribuição geográfica da doença está limitada à América do Norte e do Sul (HAMADA, 2011). Com poucas exceções, as riquetsias são antropozoonoses em que diferentes espécies de artrópodes constituem os vetores da bactéria. De modo geral, os reservatórios naturais destes microorganismos podem se: o homem, pequenos mamíferos e carrapatos que também servem como vetores (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).
O reservatório de R. ricketsia é constituído por ratos, cães, coelhos e por carrapatos. Nestes artrópodes, a riquetsia é mantida por longos períodos de tempo porque é transmitida por via transovariana. Os carrapatos transmissores podem pertencer a diferentes espécies. O homem adquire a infecção quando é picado pelo carrapato que regurgita a saliva contendo a riquetsia no local da lesão, após sugar do indivíduo. Há evidências de que R. ricketsia pode ser transmitida por via respiratória e por transfusão sanguínea (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).
A febre maculosa é a riquetsiose mais importante no Brasil, onde é também conhecida como febre maculosa brasileira ou febre maculosa de São Paulo e tem como causa a R. ricketsia. A maioria dos casos tem sido proveniente de áreas rurais de São Paulo e Minas Gerais (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).



Tratamento e Profilaxia
As riquetsias são sensíveis a vários antibióticos, mas o tratamento é geralmente feito, em primeiro lugar, com tetraciclinas e, em segundo, com cloranfenicol (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).
Vacinas preparadas com riquetsias mortas são disponíveis e devem ser tomadas não só por pesquisadores e pessoal técnico que trabalham com riquetsias, como também indivíduos que residem em regiões de alta endemicidade. Existem vários inseticidas ativos contra os vetores. As infestações por piolhos devem ser tratadas e sempre evitadas (MARTINEZ; TRABULSI, 2008).

CONCLUSÃO


Conclui-se que a Rickettsia ricketsii é a espécie mais importante e de maior interesse para o Brasil e que não podem crescer em meios artificiais. Esta espécie causa inflamações chamadas de riquetsioses, que são raras, mas que podem ser graves e levar à morte. A sua transmissão é feita por meio da picada do carrapato, tanto no humano quanto no animal.
As riquetsioses são classificadas em dois grupos: tifo e febre maculosa. Os sinais clínicos são febre alta, cefaleia, mialgia, calafrios e congesto das conjuntivas. Pode ocorrer ainda, náuseas, vômito, diarreia e dor abdominal difusa. A restrição geográfica ajuda no diagnóstico, que pode ser feto por cultura, testes sorológicos, imunofluorescência e PCR.
A doença está limitada à América do Norte e do Sul, entretanto, a febre maculosa é a riquetsiose mais importante no Brasil, no qual a maioria dos casos tem sido provenientes de áreas rurais de São Paulo e Minas Gerais. Seu tratamento é feito com vários antibióticos e vacinas existem como método profilático.

LITERATURA CITADA:

BEENSON, P. B.; MCDERMOTT, W. Tratado de Medicina Interna. 14. Ed. Editora Interamericana, 1997.

GALVÃO, M. A. M. Febre Maculosa. Departamento de Nutrição Clínica e Social, Ouro Preto, 1999.


HAMADA, S. T. Febre Maculosa – Alastramento no Brasil, Patogenia e Profilaxia. 2011. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2011.

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