sábado, 24 de agosto de 2013

Trabalho Acadêmico pertencente a disciplina de Microbiologia II: Aspectos sintomatológicos, etiológicos, epidemiológicos e controle de Streptococcus agalactiae

Camila Ferreira Vaz
Acadêmica do Curso Ciências Biológicas

INTRODUÇÃO

As bactérias do gênero Streptococcus, pertencentes à família Streptococcaceae, caracteristicamente se apresentam como cocos Gram-positivos, catalase-negativos, dispostos aos pares ou em cadeias, o que deu origem à denominação de estreptococo. São microrganismos nutricionalmente exigentes, que crescem bem em meios de cultura enriquecidos pela adição de sangue. São anaeróbios facultativos, homofermentadores, sendo que algumas espécies se multiplicam mais rapidamente em atmosfera rica em dióxido de carbono (CO2), em torno de 5 a 10%. (CAETANO, 2008).
            O gênero Streptococcus agalactiae foi inicialmente isolado de leite bovino, em 1887, e associado basicamente à etiologia da mastite bovina. Na década de 1930 foi descrita a presença do patógeno em secreções vaginais de pacientes assintomáticos e sua associação com sepse e pneumonia puerperal, assim como em neonatos. Entretanto, somente a partir da década de 1970 foi confirmada a atuação desses microorganismo como patógeno em seres humanos. Assim sendo, foi demonstrada a emergência deste agente como causa de bacteremias, pneumonias e meningites em crianças com idade inferior a 3 meses de idade, assim como de infecções em adultos, homens ou mulheres (parturientes ou não). A gravidade do problema estimulou a implantação de medidas profiláticas, tais como o uso de antibióticos durante o parto e estudos relacionados à elaboração de vacinas. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008).
A doença neonatal causada pelo EGB pode ser de início precoce ou tardio. A forma precoce ocorre nas primeiras 24 horas ou até o sétimo dia de nascimento e correspondente a 85% das infecções neonatais. A doença de início tardio manifesta-se entre o oitavo e nonagésimo dia de vida, com média no vigésimo sétimo dia (SCHRAG et al., 2002).
O objetivo deste trabalho é fazer uma revisão bibliográfica a respeito da bactéria Streptococcus agalactiae levando em consideração aspectos de sintomatologia, etiologia, epidemiologia e controle da bactéria.




DESENVOLVIMENTO

Sintomatologia
     Em recém-nascidos: dois tipos de síndromes clínicas são descritos em neonatos: a síndrome precoce e a síndrome de ocorrência tardia. As infecções precoces ocorrem na primeira semana de vida e as tardias 7 a 90 dias após o nascimento. As infecções precoces podem ser adquiridas no útero em cosequência da aspiração do líquido amniótico contaminado ou durante a passagem pelo canal do parto colonizado pelo GBS. As manifestações clínicas precoces mais comuns incluem a pneumonia, artrite séptica, sepse e meningite. A infecção tardia mais comum é a bacteremia associada à meningite. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008).
     Em parturientes: em parturientes, os estreptococos do grupo B estão associados a doenças que variam desde a infecção urinária branda até quadros de sepse grave, trombofeblite séptica e meningite. A maior parte das infecções invasivas é relacionada à corrente sanguínea, mas quadros de osteomielite, endocardite e meningite também podem ocorrer. Além das infecções do trato urinário, frequentemente representadas por bacteriúria assintomática, às síndromes não invasivas, associadas aos S. agalactiae durante a gravidez e o período após o parto, incluem quadros de infecção intra-amniótica (corioamnionite), endometrite (frequentemente com bacteremia), infecções de ferida cirúrgica (pós-cesariana ou outros), celulite e fastite. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008).
     Em homens e em mulheres não parturientes: o trato gastrointestinal é um reservatório importante para os estreptococos do grupo B em indivíduos adultos, e o trato genital masculino é também considerado como uma importante fonte de pielonefrite e prostatite associadas a este microorganismo em idosos. Entre os adultos, as infecções de pele e de tecidos moles e a bacteremia sem um foco identificável são manifestações mais comuns. Várias destas infecções são adquiridas durante o período de hospitalização devido outras doenças. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008).

Epidemiologia

             O papel dos fatores socioeconômicos que influenciam direta ou indiretamente as taxas de prevalência e incidência de infecções por estreptococos do grupo B é pouco conhecido. A incidência de doenças neonatais por S. agalactiae ocorre em 0,5 a 5,7 nascidos vivos, considerando-se cada 1.000 nascimentos. Cerca de 1% a 2% dos recém-nascidos, de mães colonizadas, desenvolvem infecções invasivas do tipo precoce, mas o risco destas infecções aumenta quando um dos seguintes fatores está presente: nascimento prematuro, poucos pesos ao nascer elevado intervalam de tempo entre o rompimento das membranas e o parto, ruptura das membranas anteriores ao início do trabalho de parto, aminionite, colonização vagino-retal da parturiente, densa colonização materna por estreptococos do grupo B, idade materna (< 20 anos de idade), bacteriúria durante a gestação, infecção urinária durante a gravidez, baixos níveis de anticorpos maternos específicos para a cápsula bacteriana, histórica de perda de feto ou aborto espontâneo, múltiplas gestações, cesariana e a prolongada duração do monitoramento intrauterino. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008).
            O trato     gastrointestinal parece ser o reservatório primário de S. agalactiae e o trato geniturinário, o secundário. O microorganismo também pode ser encontrado na uretra de parceiros sexuais de mulheres colonizadas e na orofaringe de homens e mulheres. Durante a gravidez, pode colonizar o trato urinário provocando bacteremia assintomática. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008).

Tratamento, prevenção e controle
             O antibiótico de escolha continua sendo a penicilina, em doses 10 vezes superiores às usadas, por exemplo, para o tratamento das infecções causadas pelo S. pyogenes. Como pode ocorrer tolerância, uma alternativa recomendada é uma associação de penicilina com gentamicina ou outro aminoglicisídeo.                                                                                                                                     No sentido de prevenir as infecções do recém-nascido, os obstetras têm usado, com relativo sucesso, a administração parental de ampicilina intra-partum, quando as condições de parturiente sugerem a possibilidade de infecção. Existem vários estudos em andamento sobre vacinas à base de polissacarídeos capsulares que, em estudos experimentais, estimulam a formação de anticorpos altamente protetores. Outra alternativa consiste na utilização de proteínas da família Alp, C5a peptidase, proteína C e outras, como antígenos vacinais de forma que obtenha proteção para todas as idades. Os resultados destes estudos são bastante promissores, principalmente os obtidos com vacinas contendo o polissacarídeo conjugado de proteína carreadora, como, por exemplo, o toxóide tetânico ou carreador proteico da própria espécie S. agalactiae. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008).              





CONCLUSÃO

            Através desse trabalho notou-se que Streptococcus agalactiae é um patógeno que causa infecções em neonatos podendo se manifestar de forma precoce (1 a 7 dias após o nascimento) ou tardia (7 a 90 dias após o nascimento). Em parturientes, estão associados a casos de infecção urinária branda até quadros de sepse grave, assim como bacteremias, pneumonias e meningites. O controle é feito com a penicilina, com doses 10 vezes maiores do que a usada em S. pyogenes. E informações a respeito de sintomatologia, epidemiologia e controle.




LITERATURA CITADA:

CAETANO M.S.S.G. Colonização pelo Streptococcus agalactiae (EGB) em gestantes atendidas na rede pública de Uberaba-MG. Minas Gerais – 2008.

SCHARG S, GORWITZ R, FULTZ-BUTTS K, SCHUCHAT A. Prevention of Perinatal Group B Streptococcal Disease. Revised Guidelines from CDC. MMWR recomm Rep 2002; 51 (RR-11):1-22.

TRABULSI, L.R.; ALTERTHUM, F.; Microbiologia. 5°edição. Editora Atheneu. São Paulo – 2008.


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