sábado, 24 de agosto de 2013

Trabalho Acadêmico pertencente a disciplina de Microbiologia II: Bactéria: Staphylococcus epidermidis

Janine Aryanne
Acadêmica do Curso de Ciências Biológicas


INTRODUÇÃO

A bactéria Staphylococcus epidermidis é uma espécie de bactéria, entre aquelas pertencentes à categoria dos estafilococos coagulasse-negativos, mais frequentemente encontrada na microbiota antibiótica ou como causa de infecções em seres humanos. S. epidermidis é uma espécie que predomina na pele e nas mucosas de indivíduos normais, e esta dominância está provavelmente relacionada à sua capacidade de produzir bacteriocinas ativas contra outras bactérias Gram-positivas que poderiam competir por nichos de colonização. As bacteriocinas produzidas pelo S. epidermidis são da família dos lantibióticos e são codificadas por genes plasmideais (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 183).
Segundo Trabulsi e Alterthum (2008, p. 183) a S. epidermidis tornou-se um importante agente de infecções hospitalares, através de cateteres, sondas. Entre os múltiplos fatores que podem ter contribuído para isto, está a sua reconhecida capacidade de formar biofilmes em superfícies de polímeros. Os biofilmes dificultam a chegada de drogas antimicrobianas e até mesmo de células fagocíticas ao foco de infecção.
A genética da virulência de S. epidermidis tem sido amplamente estudada com relação à formação do biofilme. Os genes que codificam as principais proteínas envolvidas na formação do biofilme fazer parte do operon cromossômico ica. Algumas enzimas extracelulares já foram identificadas em S. epidermidis, mas sua participação na virulência deste microorganismo ainda é especulada (INGRAHAM; INGRAHAM, 2010, p. 507).

OBJETIVO

Apresentar informações a respeito da sintomatologia, epidemiologia e controle de Staphylococcus epidermidis.


DESENVOLVIMENTO

S. epidermidis não apresenta um grande arsenal de enzimas e toxinas e, por conta disso, o curso das infecções tende a ser subagudo ou até mesmo crônico. O sucesso de S. epidermidis como patógeno está relacionado à sua capacidade de aderir a superfícies de polímeros, formando biofilmes (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 183).

Segundo Trabulsi e Alterthum (2008, p. 183 e 184) o biofilme produzido por S. epidermidis pode ser considerado o seu principal fator de virulência. Além de funcionar como um reservatório de bactérias estrategicamente posicionadas, o biofilme dificulta a penetração e difusão de antimicrobianos e de elementos de defesa do organismo. Na formação do biofilme, as bactérias aderem tanto à superfície livre do polímero como à superfície da camada de proteínas de matriz que mais tarde passa a recobrir o polímero. Uma vez aderidas, as bactérias proliferam formando múltiplas camadas. Os biofilmes de S. epidermidis não contêm outras bactérias, provavelmente devido á ação de suas bacteriocinas.
Até pouco tempo, S. epidermidis, era geralmente considerada como contaminante, tendo pouca importância clínica. Porém, nas últimas décadas, estes organismos vêm sendo reconhecidos como importantes agentes de doenças humanas, principalmente devido ao aumento no número de indivíduos imunocomprometidos e no uso de procedimentos invasivos. A maioria das infecções que causa é de aquisição nosocomial. Raramente, este organismo causa doenças mediadas por toxinas ou infecções piogênicas. Conforme já foi dito, as infecções por S. epidermidis são frequentemente subagudas ou crônicas e, por isto, o diagnóstico nem sempre é fácil. Como patógeno oportunista, o S. epidermidis requer hospedeiros comprometidos para atuar como agente patogênico. Entre os hospedeiros comprometidos estão os recém-nascidos prematuros, nos quais o sistema de opsonofagocitose ainda não está totalmente desenvolvido. Nestes hospedeiros, o S. epidermidis é uma importante causa de septicemia. Pacientes imunossuprimidos também são altamente suscetíveis à septicemia por este microorganismo.
        Usuários de drogas ilícitas intravenosas também se encontram entre os hospedeiros suscetíveis e podem desenvolver endocardite. Normalmente, a porta de entrada deste microrganismo são os cateteres e outros implantes, compostos de vários materiais, como polietileno, poliuretano e silicone. A infecção carreada por esses polímeros ocorre, provavelmente, durante sua implantação, por bactérias encontradas na própria pele e mucosas do paciente. Dependendo do tipo de dispositivo médico e do local de inserção, podem ocorrer diferentes tipos de doenças, incluem bacteremias/septicemias, endocardites, meningites, peritonites, endoftalmetile, osteomielites, artrites, infecções do trato urinário e várias outras. Bacteremias é presença de bactérias no sangue, é o principal meio pelo qual as infecções locais se espalham para órgãos distantes. A endocardite é uma infecção que atinge parte da membrana que encobre as válvulas cardíacas, pode atingir várias partes do coração. A meningite é a inflamação das membranas que revestem o encéfalo e a medula espinhal. Peritonites é a inflamação do peritônio. Já a endoftalmite é uma grave inflamação no globo ocular. A osteomielites é uma inflamação óssea. Artrites é uma inflamação das articulações (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 185).

S. epidermidis pode ser isolado em meios de cultura comuns, tais como ágar tripticase soja, o ágar infuso de coração e cérebro, e o ágar sangue, onde geralmente apresenta colônias não pigmentadas ou esbranquiçadas e não hemolíticas. A diferenciação entre S. epidermidis e as demais espécies de estafilococos coagulase-negativos é baseada em diversos testes bioquímicos (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 185).

S. epidermidis é constituinte da microbiota normal da pele e das mucosas, podendo causar infecções em indivíduos expostos a fatores de risco. A infecção geralmente ocorre em ambientes hospitalares, durante tratamentos e intervenções                               cirúrgicas, onde são utilizados cateteres e implantes plásticos ou metálicos. A contaminação desses materiais biológicos geralmente ocorre no ato da implantação, por bactérias da própria pele e mucosas do paciente ou, até mesmo, do pessoal de atendimento médico (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 186).

Para Trabulsi e Alterthum (2008, p. 186) o tratamento das infecções por S. epidermidis tem se tornado cada vez mais difícil, devido ao aumento da resistência a antibióticos. Possui a existência de uma provável transferência de genes de resistência de uma espécie para outra, através de elementos gênicos móveis, como plasmídios e transposons. Um percentual elevado das amostras circulantes em hospitais apresenta resistência à meticilina/oxacilina e á maioria dos antibióticos recomendados para o uso em casos de infecções estafilocócicas. Um aumenta na resistência a glicopeptídeos também tem sido observado em S. epidermidis. Desta forma, testes de suscetibilidade devem ser realizados antes da prescrição de medicamentos nos tratamentos de infecções estafilocócicas. Além dos genes que conferem resistência, a formação de biofilme por esses organismos dificulta a ação de antibióticos, que normalmente conseguem penetrar o biofilme em concentrações muito baixas, insuficientes para sua ação bactericida. Os métodos de controle de infecções por S. epidermidis incluem as condutas normalmente utilizadas na prevenção de infecções hospitalares, principalmente durante a inserção de cateteres, tais como a adoção de medidas de assepsia e anti-sepsia adequadas, o uso profilático de antibióticos durante cirurgias e a incorporação de agentes antimicrobianos nos materiais a serem implantados.
Os sintomas vão variar de acordo com as características de cada doença que o microorganismo S. epidermidis pode provocar, por exemplo, endocardites que provoca doenças no coração, meningite provoca inflamações das membranas que revestem o encéfalo e a medula espinhal (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 187).
                                                                                                                                                                                                
CONCLUSÃO

S. epidermidis é uma bactéria que possui capacidade de formar biofilmes, por isso a rápida proliferação e o difícil tratamento. Os biofilmes dificultam a penetração de antimicrobianos e de elementos de defesa do organismo, é considerado difícil o tratamento devido essa capacidade.
S. epidermidis pode ocasionar muitas doenças como meningites, peritonites dentre outras, e seu contagio é através de cateteres, sondas e outros instrumentos hospitalares de plástico ou ate mesmo de aço. Ele é considerado um agente de infecções hospitalares.
A melhor forma de tratamento é a prevenção, fazer sempre assepsia antes da implantação dos instrumentos, e também manter uma boa higiene no ambiente hospitalar. Até pouco tempo, essa bactéria tinha pouca importância clínica, mas devido a grande quantidade de casos e a quantidade de doenças que ele pode gerar, hoje, a atenção para essa bactéria tem se tornado maior. Então é necessária, uma atenção maior, quanto a prevenção do contagio de S. epidermidis, pois é a melhor forma de tratamento, já que ele possui capacidade de produzir bacteriocina dificultando o tratamento.


LITERATURA CITADA

TRABULSI. L. R; ALTERTHUM. F. Microbiologia. 5. Ed. ATHENEU: São Paulo, 2008.760p.
INGRAHAM. J.L; INGRAHAM. C.A. Introdução a Microbiologia. 3. Ed. CENGAGE LEARNING: São Paulo, 2010.723p.


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