sábado, 24 de agosto de 2013

Trabalho Acadêmico pertencente a disciplina de Microbiologia II: Sintomatologia, epidemiologia e controle de Micrococcus sp.

Gessyca Mendes Lima
Acadêmica do Curso Ciências Biológicas


INTRODUÇÃO
Micrococcus é um gênero de bactérias gram-positivas, possuem formato esférico, são aeróbicas, pertencente à família Micrococcaceae, são comumente não móveis não formadoras de esporos   e são geralmente encontradas nos solos  próximos a águas frescas e/ou frequentemente, sobre a pele do homem e de outros animais. (CRISP 2007)
            A infecção é uma das principais complicações de cateteres permanentes utilizados para diálise em longo prazo. Busca-se sempre a melhor abordagem para se tratar o paciente e essa é estabelecida de acordo com os fatores que infectam o organismo, a idade e a imunocompetência do mesmo. (CRISP 2007)
Espécies de Micrococcus são geralmente consideradas como não patogênicas comensais que colonizam a mucosa, pele e orofaringe. No entanto, reconhece-se agora que Micrococcus spp. podem ser agentes patogénicos oportunistas em pacientes imunodeprimidos. (Indivíduo que tem as suas defesas imunológicas fracas) (CRISP 2007).

OBJETIVO
Apresentar informações a respeito da sintomatologia, epidemiologia e controle do Micrococcus sp.


DESNVOLVIMENTO
Peces (1997) avaliou em uma mulher de 48 anos de idade, com estágio final da doença renal devido à nefrite lúpica (inflamação do rim) começou a hemodiálise. Houve várias operações de acesso vascular em ambos os braços dessa paciente que desenvolveu trombose, e a criação de um acesso de hemodiálise mais periférica se tornou impossível. Posteriormente colocou-se um duplo lúmen cateter Perm-cath na veia jugular interna direita. Vários episódios de infecção, devido a estafilococos coagulasse negativos, foram detectados, e haviam respondido à vancomicina (antibiótico glicopéptidico usado no tratamento das infecções bacterianas). Houve também vários episódios de febre também tratados com vancomicina. Em cada cultura de episódios febris de sangue, obtidas a partir do cateter, eram positivas para Micrococcus spp.
Antes do fim das sessões de hemodiálise, cerca de 30 a 60 min, Peces (1997) e seus colaboradores, observaram que a paciente começou a ter episódios de arrepios. Posteriormente, foi seguido por um aumento da temperatura corporal (38-39 ° C), com duração de 4-5 h. Houve tratamento, com prednisona 5mg/dia (um fármaco corticoide sintético) e paracetamol ocasional, onde os sintomas regrediram. A paciente não experimentou nenhuma febre durante o resto do tratamento da hemodiálise. Obtendo sempre a mesma reação durante as sessões de hemodiálise subsequentes. A hemodiálise foi realizada de acordo com uma programação standard (4h×3), utilizando um filtro de membrana de AN69 e um sistema de cartucho de bicarbonato de pó.
Um exame físico revelou que uma mulher mal alimentada, com um peso de 46 kg. Não havia qualquer sinal de infecção no local de saída associada com o cateter. Sem outros achados anormais encontrados. Hemoculturas seriadas (exame que pesquisa bactérias no sangue através do uso de meios de cultura específicos) tomadas através do cateter foram sempre positivas para Micrococcus spp. Os quais foram identificados como Micrococcus luteus. Antibiograma mostrou que o agente patogénico foi sensível à vancomicina, cloxacilina, eritromicina e rifampicina. Exame angiográfico cateter foi realizada por causa do fluxo de sangue durante a hemodiálise foi detectada a trombose intraluminal. Ela foi tratada com vancomicina por 2 semanas. Os sintomas não melhoraram e tratamento oral com cloxacilina foi administrado durante 1 semana. Mais uma vez, este tratamento não foi bem sucedido. Cloxacilina foi interrompido e substituído por azitromicina oral. Uma dose padrão de 500 mg, uma vez por dia, durante 3 dias consecutivos foi dada a paciente. Um curso total de 2 semanas foi administrado e a paciente não respondeu satisfatoriamente ao tratamento e os sintomas não desapareceram. O cateter, então foi removido, e as culturas demonstraram um enorme crescimento de Micrococcus luteus. Hemoculturas foram posteriormente sempre negativas. Depois disso, ela manteve-se bem em hemodiálise, e até o final da pesquisa o Micrococcus não havia reaparecido. (Peces, et all, 1997).
Patogenicidade: Micrococcus spp. são geralmente consideradas saprófitas inofensivas que habitam a pele, mucosa, e a orofaringe, no entanto, eles podem ser agentes patogénicos oportunistas para os imunodeprimidos. Elas têm sido associadas com várias infecções, incluindo bacteremia, a diálise peritoneal, a hemodiálise, e infecções associadas a cateteres venosos. Micrococcus luteus, tem sido relatada como agente causador em casos de furúnculos intracranianos, pneumonia, artrite séptica, endocardite e meningite. (CRISP, 2007)
EpidemiologiaMicrococcus spp. ocorre em todo o mundo, são onipresentes. Encontram-se na pele de humanos e de outros animais, na água do mar, no solo, em água doce, plantas, e também no ar. Em seres humanos, eles são mais frequentemente encontrado na pele exposta do rosto, braços, mãos e pernas. Micrococcus luteus é a mais comum e é encontrada na natureza e em amostras clínicas. 
Um estudo realizado nos EUA (de 115 pessoas) relata que 96% dessas, possuem Micrococcus, a maioria sendo Micrococcus luteus. As taxas de transporte foram maiores na pele da cabeça, pernas, braços. (CRISP, 2007)
Modo de transmissão: A transmissão é possível através do contato com objetos superfícies  contaminadas (demonstrado por meio de transferência bacteriana associada com papel-toalha dispensa).  A transmissão através de inalação de gotículas contaminadas como, por exemplo, em aerossóis, também é possível (MESH, 2007)
Tratamento: Terapia com antibióticos adequados, administrados conforme o necessário(MESH,2007).
CONCLUSÃO

Através desse trabalho podem-se observar características relacionadas à epidemiologia, sintomatologia e controle de enfermidades causadas por Micrococcus sp.
O modo de tratamento é realizado através de terapia com antibióticos adequados, administrados conforme o necessário. Micrococcus spp. são geralmente consideradas saprófitas inofensivas. Mas podem ser agentes patogénicos oportunistas para os imunodeprimidos.
Nas pesquisas realizadas e no estudo de caso, ambos citados nesse trabalho ultimaram-se na seguinte conclusão: Micrococcus sp atua como agente patogênico  em pacientes imunodeficientes ou imunodeprimidos.


LITERATURA CITADA:

Leitner R., Ouellette M. e Ugwu K. Diretrizes Laboratório de Biossegurança. 3ªed. Agência de Saúde Pública do Canadá, 2004. 

Disponível em: Right Diagnosis <http://www.rightdiagnosis.com/medical/micrococcus.htm> Acessado em: 03. abr. 2013, Por: CRISP 2007, MESH 2007.

Peces, et all. Relapsing Bacteraemia Due to Micrococcus luteusin a Haemodialysis Patient With a Perm-Cath Catheter. Nephrol Dial Transplant, 1997.

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