sábado, 24 de agosto de 2013

Trabalho Acadêmico pertencente a disciplina de Microbiologia II: Aspectos sintomatológicos, etiológicos, epidemiológicos e controle de Legionella





Marcielly Cristina Pícoli
Acadêmica do Curso Ciências Biológicas

INTRODUÇÃO


O gênero Legionella  foi incluído entre as bactérias patogênicas para o homem quando uma de suas espécies foi implicada em um surto de pneumonia que acometeu os EUA, a espécie implicada foi denominada Legionella pneumophila, uma vez que os doentes eram legionários e a infecção uma pneumonia. A legionelose é considerada uma doença rara e exótica, devidamente ao fato de se desconhecer a clínica da doença e a dificuldade de se isolar e identificar o microrganismo.(TRABULSI; MARTINEZ, 2008).
O gênero Legionella pertence à família Legionellaceae. Até o momento foram identificadas 39 espécies, sendo as mais comuns: Legionella pneumophila, Legionella longbeachae, Legionella micdadei, Legionella bozemanii e Legionella dumoffii. São reconhecidos 15 sorogrupos de Legionella pneumophila. As legionelas são bacilos Gram-negativos, apresentam mobilidade por um ou mais flagelos polares, não possuem as enzimas oxidase, nitrato redutase e urease, são auxotróficas e quimio-organotróficas e apresentam um crescimento lento, em média de três a sete dias para visualização de colônias em meios específicos. (OPLUSTIL et al., 2000; GOLDMAN; BENNETT, 2000).
Estudos filogenéticos mostraram que o gênero Legionella constitui um grupo monofilético de bactérias na divisão gama das proteobactérias. Compreende em torno de 40 espécies, muito das quais ainda não foram isoladas do ser humano. Em torno de 90% das infecções humanas são causadas pela Legionella pneumophila.
O objetivo deste trabalho é apresentar as características que abrangem a doença causada por Legionella, como acomete os humanos, como é realizado seu diagnóstico, as melhores formas de prevenção e os fármacos utilizados  no tratamento da doença.

DESENVOLVIMENTO

Legionelas produzem proteínas superficiais exoproteínas que podem estar associadas à sua virulência, embora as evidências não sejam convincentes para a maioria delas. As Legionelas são dotadas de capacidade de impedir a fusão do fagossomo com o lisossomo, proliferando abundantemente no primeiro compartimento. O sistema excretor da Legionelas tem como principal função a injeção de proteínas efetoras no citoplasma dos macrófagos, através da membrana dos fagossomos, essas proteínas efetoras seriam responsáveis pela inibição da fusão dos fagossomos com os lisossomos. (TRABULSI; MARTINEZ, 2008).
Patogênese
As Legionelas penetram nos pulmões por aspiração de aerossóis ou contato direto da agua com os pulmões. Quando chegam aos alvéolos pulmonares, elas são prontamente fagocitadas pelos macrófagos residentes e, em seguida pelos monócitos normalmente recrutados para o sitio de infecção, com a invasão destas células, tem inicio o ciclo infeccioso.
1.      A Legionela adere ao macrófago e em seguida é fagocitada;
2.      Depois de fagocitada a Legionela passa a residir no fagossoma formado e prolifera até rompe-lo;
3.      A última etapa do ciclo consiste na morte do macrófago com a liberação das Legionelas virulentas que se desenvolvem nos fagossomas. A morte dos macrófagos ocorre em duas etapas: apoptose e lise. (TRABULSI; MARTINEZ, 2008).

Doenças
As infecções causadas pelas legionelas são também conhecidas como doença do legionário e febre de pontiac . A doença do legionário é uma pneumonia aguda e a febre de pontiac assemelha-se a uma gripe relativamente grave. As duas são adquiridas pela via respiratória. (TRABULSI; MARTINEZ, 2008).

Diagnóstico
Incluem culturas das secreções respiratórias em meios seletivos, imunoflorescência direta das secreções, pesquisa de anticorpos séricos e de antígenos de legionela eliminados pela urina e PCR. As culturas devem ser feitas em meios onde contem os nutrientes necessários, substancias desintoxicantes como carvão, antibióticos inibidores da microbiota normalmente presente nas secreções e corantes que permitem diferenciar as colônias da legionelas. O teste de imunoflorescência direta oferece resultados em poucas horas e sua sensibilidade é baixa. A pesquisa de antígenos na urina é um método extremamente pratico envido a facilidade em se obter urina do paciente e também porque os resultados são oferecidos em horas ou mesmo minutos. (TRABUSLI; MARTINEZ, 2008).
O antígeno pesquisado é o LPS, a pesquisa de anticorpos séricos tem valor diagnostico bastante limitado devido a demora em se obter resultados. O método de PCR das secreções não oferece resultados superiores ao das culturas. A maioria dos pacientes mostra soroconversão dentro de três semanas. Reações cruzadas tem sido demonstradas com diversas espécies.(TRABULSI; MARTINEZ,2008).
Epidemiologia
Em hospitais e hotéis onde ocorrem os surtos da doença do legendário é isoladas a agua da torneira, de chuveiros, em alguns aspectos, Legionella pneumophila é particularmente bem adaptada a estes ambientes, ela cresce a temperaturas superiores a 40ºC e é mais resistente do que outras bactérias as concentrações usuais de cloro na agua potável.(TRABULSI; MARTINEZ,2008).
São bastante frequentes em mananciais de agua doce como rios, lagos e correntes, e são provenientes de amebas e de outros protozoários. A doença do legionário é quase sempre uma infecção pulmonar primaria que nunca se transmite de pessoa a pessoa, ao contrario o homem adquire a infecção de uma fonte ambiental. O risco de adquirir a infecção depende da quantidade de legionela inalada e da suscetibilidade dos indivíduos expostos. São mais suscetíveis os indivíduos idosos, os tabagistas, os portadores de doenças pulmonares crônicas e os imunosuprimidos.(TRABULSI; MARTINEZ, 2008).
Tratamento e Controle
O antibiótico mais usado é a eritromicina, mas outros macrolideos se apresentam bastante promissores, uma maneira de se eliminar as legioneloses seria eliminar as legionelas da agua. Há também estudos visando a obtenção de vacinas.(TRABULSI; MARTINEZ, 2008).
Conclusões
Infecções do trato respiratório inferior são a maior causa de morbidade e mortalidade no mundo (MURRAY, 1982). Segundo Evenson (1998), nos Estados Unidos ocorrem cerca de 23.000 casos por ano de legionelose (doença dos legionários). Legionella pneumophila é a segunda maior causa de pneumonia, suplantada apenas por Streptococcus pneumoniae e é responsável por diversos surtos anuais de pneumonias de origem hospitalar.

LITERATURA CITADA:

EVENSON, L. J. Legionnaires’disease. Prim. Care Update Ob./Gyns., Gainesville, v. 5, n. 6, p. 286-289, 1998, apud SCHULZ,D. et al. Doença dos Legionários: uma revisão,2005.

OPLUSTIL, C. P. et al. Procedimentos básicos em microbiologia clínica. São Paulo: Sarvier, 2000. 254 p apud SCHULZ, D. et al. Doença dos Legionários: uma revisão, 2005.

TRABULSI, L.R; MARTINEZ, M.B. Legionella: TRABULSI, L.R.(ed.); ALTERTHUM, F. (ed.). Microbiologis. 5. Ed. São Paulo: Atheneu, 2008. p.267-270.




  

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