terça-feira, 6 de agosto de 2013

Trabalho Acadêmico pertencente a disciplina de Microbiologia II: Descrição dos sintomas, epidemiologia, diagnóstico, tratamento, prevenção e controle da patologia causada pela Bacillus anthracis.


MONIQUE ANDRADE DIAS

Acadêmica do Curso de Ciências Biológicas


INTRODUÇÃO

 

O Bacillus anthracis é causador de uma doença conhecida como carbúnculo. É uma doença infecto contagiosa dos animais da espécie bovina, e principalmente de animais jovens, conhecida vulgarmente em nosso país por Peste da Manqueira ou Mal de Ano, e nos países de língua Inglesa por Black Leg. O carbúnculo é uma doença de caráter agudo (intenso, forte) que afeta inicialmente herbívoros domésticos e selvagens (AMBIENTE BRASIL, 2013).

O antraz (antrax, anthrax ou carbúnculo) é uma doença que já havia sido descrita por romanos, gregos, hindus e provavelmente é a quinta praga descrita em Êxodo. Devido a suas lesões semelhantes ao carvão (do grego anthrakis) recebeu o nome de antraz. Em meados do Século XIX, durante uma epidemia no gado em Wollstein, o cientista alemão Robert Koch provou ser o Bacillus anthracis o responsável pelo antraz após injetar a bactéria em ratos que então desenvolviam a doença semelhante à do gado. Cultivando as bactérias e observando a transformação delas em esporos, Robert Koch descobriu que o B. anthracis era capaz de resistir à falta de alimento e ao calor (ESTUDMED.COM, 2013).

O Bacillus anthracis é um bacilo grande, formador de esporos (germes resistentes), gram-positivo e que pode ser encontrado em todo o mundo. Os esporos são muito resistentes ao calor e a dessecação e podem sobreviver durante décadas dependendo das condições do solo. Os animais domésticos e selvagens são infectados através da ingestão de esporos por pastarem em terra contaminada ou comerem alimentos com o bacilo. Em condições normais, o Homem é infectado através da ingestão de carnes contaminadas ou por exposição agrícola ou industrial a carcaças, pele, lã, pelos e ossos contaminados. Com o uso de vacinas em trabalhadores de alto risco, como também vacinas para animais, tem sido notificado cerca de 1 caso de antraz por ano nos Estados Unidos. Entretanto, as dezenas de casos que ocorreram naquele país em outubro de 2001 levam a crer que as infecções foram causadas intencionalmente por bacilos manipulados em laboratório, especulando-se até mesmo relacionar-se aos atentados terroristas do dia 11 de setembro de 2001. A maioria dos casos humanos naturais hoje acontece na África e Ásia onde o uso da vacina ainda não é tão difundido (ESTUDMED.COM, 2013).

O agente causador do antraz é mundial comum, na Europa, as infecções em humanos são muito raras. Na Alemanha, foi nos anos de 1996 a 2008, nenhuma mensagem, e a doença foi última aqui em 1975, um homem que estava sobre o consumo de carne e produtos de carne sofrem de sepse antraz e morreu desconhecido. Ocorrer em animais (especialmente os herbívoros, como bovinos, ovinos, e na Europa), que gravam Erdsporen (BACILLUS ANTHRACIS, 2013).

            Esse trabalho tem como objetivo descrever os sintomas, epidemiologia, diagnóstico, tratamento, prevenção e controle da doença causada pelo B. anthracis.

 

 

DESENVOLVIMENTO

 

Sinais/Sintomas

 

Os sintomas e período de incubação do antraz em humanos variam em dependência da via de transmissão da doença. Geralmente, os sintomas iniciam-se 7 dias após a exposição. O período de incubação da infecção natural em animais é tipicamente de 3 a 7 dias, podendo ter variação de 1 a 14 dias ou mais (GARCIA e MARTINS, 2013).

 

Bovinos e Ovinos

 

Sinais clínicos, como febre, tremores musculares, dificuldade respiratória e convulsões, normalmente passam despercebidos. Após a morte, pode ocorrer sangramento dos orifícios naturais do corpo, rápido inchaço, falta de rigor mortis e presença de sangue não coagulado. Esta falha na coagulação é devido a uma toxina liberada pelo bacilo (GARCIA e MARTINS, 2013)

 

Cavalos

 

A doença é aguda e pode durar até 96 horas. Manifestações clínicas dependem de como a infecção ocorreu. Se foi devido à ingestão de esporos, septicemia, febre, cólica e enterite proeminente. Se devido à transmissão mecânica pela picada de insetos é caracterizado por inchaço subcutâneo no local da picada, que fica dolorido edematoso e quente, e que se espalha para a garganta, nuca, tórax, abdômen, prepúcio e glândulas mamárias. Estes animais podem ter febre alta e dispneia devido ao edema de garganta ou cólica devido ao envolvimento do intestino (GARCIA e MARTINS, 2013).

 

Suínos, cães e gatos.

 

Normalmente apresentam um inchaço característico do pescoço e acometimento dos linfonodos regionais, que causam disfagia e dispneia. A forma intestinal causa enterite severa. Muitos carnívoros aparentemente tem uma resistência natural e não é incomum se recuperarem (GARCIA e MARTINS, 2013).

 

Homem

 

Forma Cutânea

 

Maioria (mais de 95%) da ocorrência natural de infecções por B. anthracis é por via cutânea e ocorre quando a bactéria entra pela pele lesionada (corte ou abrasão), durante o manuseio de carne, lã, couro ou pêlos de animais infectados. A infecção cutânea inicia-se com uma pequena pápula, que progride para uma vesícula em 1-2 dias, e erupciona, deixando uma úlcera necrótica com centro enegrecido. Vesículas secundárias podem ser observadas. A lesão é normalmente indolor. Outros sintomas podem incluir aumento dos linfonodos adjacentes, febre, mal-estar e dor de cabeça (GARCIA e MARTINS, 2013).

 

Forma gastrointestinal

 

A forma intestinal de antraz normalmente ocorre após ingestão de carne contaminada e é caracterizada por uma inflamação aguda do trato digestivo. O envolvimento da faringe é caracterizado por lesões na base da língua ou nas amígdalas, com dor de garganta, disfagia, febre e linfoadepatia regional. O envolvimento do intestino é caracterizado pela inflamação aguda do intestino. Sinais iniciais de náusea, perda de apetite, vômito e febre são seguidos por dor abdominal, hematêmese e melena (GARCIA e MARTINS, 2013).

 

Forma inalatória

 

Antraz inalatório é resultado da inspiração de esporos de B. anthracis. O período de incubação está inversamente relacionado com a dose de exposição. Além disso, a administração de quimioprofilaxia pós-exposição pode prolongar o período de incubação. Estudos com animais de laboratório sugerem o B. anthracis continua na forma de esporos por várias semanas após a infecção do hospedeiro. Este fenômeno de retardo do início da doença não é observado nas formas de exposição gastrointestinais e cutâneas. Então os esporos germinam e iniciam a multiplicação nos macrófagos alveolares. Os sintomas iniciais incluem dor de garganta, febre moderada e dores musculares. Depois de alguns dias, estes sintomas podem evoluir para dispneia e choque. Frequentemente se desenvolve meningite (GARCIA e MARTINS, 2013).

 

Etiologia

 

A doença é causada pelo B. anthracis, uma bactéria gram-positiva, encapsulada, imóvel e formadora de esporos. Quando as bactérias são expostas ao oxigênio, formam esporos. Estes esporos são altamente resistentes ao calor, frio, desinfetantes químicos e dessecação, ficando viáveis e infectivos no solo por muitos anos. Os animais normalmente se infectam ao ingerir esporos presentes no solo, assim como água ou comida contaminada. Os esporos podem se espalhar através de água de rios, insetos, animais selvagens e aves (GARCIA e MARTINS, 2013).

 

Epidemiologia

 

O B. anthracis no humano resulta numa infecção cutânea e, por ingestão de carne (animais contaminados) ou inalação de esporos. No começo de 1980, relatos surgiram na imprensa ocidental sobre uma epidemia de Carbúnculo em Sverdlovsk, 1400Km à leste de Moscou. No final daquele ano, artigos publicados na imprensa soviética relataram uma epidemia de Carbúnculo entre os rebanhos do sul da cidade, na primavera de 1979, e noticiaram que pessoas desenvolveram carbúnculo gastrointestinal, após ingestão de carne contaminada, e carbúnculo cutâneo após contato com animais doentes (AMBIENTE BRASIL, 2013).

O germe causador do Carbúnculo (B. anthracis ) necessita de oxigênio para assumir a forma de esporo, formando seus esporos mesmo no interior dos tecidos onde se localiza causando a infecção. Sua forma esporulada tem excepcional resistência ao calor, necessitando de cerca de duas horas em água fervente para ser destruído. Quando situado em tecidos animais infectados, conserva sua virulência por cerca de oito a nove anos. Dessa particularidade do germe, se tira partido, para o preparo de produtos imunizantes, já que o calor e o próprio envelhecimento das culturas atenua sua virulência possivelmente por destruição de sua toxina (AMBIENTE BRASIL, 2013).

As bactérias, em geral, penetram no organismo através de escoriações e pequenos ferimentos produzidos por espinhos ou arame farpado (p.ex.). A morte geralmente ocorre depois de 12 a 36 horas depois do aparecimento dos primeiros sintomas da enfermidade. Essa doença também é conhecida como uma enfermidade do pasto, já que seu agente causador encontra-se normalmente no solo das localidades em que tenha ocorrido (AMBIENTE BRASIL, 2013).

Além dos bovinos, são também suscetíveis ao mal, vários animais de laboratório, as populares cobaias. Já coelhos e camundongos são bastante resistentes, sendo utilizadas essas espécies de laboratório para a diferenciação entre a Peste da Manqueira e o Edema Maligno, causado pelo Carbúnculo (B. anthracis), já que essas espécies são receptíveis a esta última (AMBIENTE BRASIL, 2013).

Por uma forma de cápsula, a célula bacteriana é protegida contra o sistema imunitário. É crucial a produção de toxinas [plasmídeo binários codificados toxinas: "toxina letal", eficaz como protease (LF) e "toxina edematosa", com efeito, como a adenilato-ciclase (EF), em combinação com um Bindepotein (PA)] de dividir as células bacterianas. A multiplicação do patógeno ocorre no local da infecção e de drenagem para os nódulos linfáticos. A forma mais comum é o antraz cutâneo chamado (pústula maligna, antraz), com localização na mão e no antebraço, mas também lábios (Webern), olhos (de esfregar poeira contendo esporos), pescoço e costas por pessoas que usam couro ou pele, nos espaços entre os dedos dos pés, com o seu cinto ou colar (atrito da pele). O período de incubação é de 2-12 dias, às vezes em questão de horas. Com os resultados de inoculação em uma pápula indolor com um empolamentoedematoso circundante inflamado e posterior, indolor centro necrótico é dentro de algumas horas (BACILLUS ANTHRACIS, 2013).

 

Recomendações de tratamento

 

O tratamento deve ser começado com antibióticos e deve-se ter cuidado intensivo ao primeiro sinal da doença. Historicamente, penicilina era o tratamento de escolha para antraz. Porém, na ausência de informação relativo à sensibilidade antibiótica, o tratamento recomendado atualmente é ciprofloxacina 400 mg IV a cada 8-12 horas ou doxicilina 200 mg IV seguido de 100 mg IV a cada 12 horas, junto com tratamento de suporte em unidade de terapia intensiva. Antibióticos também são usados como tratamento de pós-exposição dentro de 24 horas e antes de iniciar os sintomas e proteger as pessoas assintomáticas depois de exposição de esporos de antraz de aerossóis. Se uma exposição de antraz é descoberta, e tratamento antibiótico é confirmado, tratamento com antibiótico oral deve ser iniciado imediatamente, utilizando-se ciprofloxacina 500 mg ou dox 100 mg duas vezes por dia durante pelo menos 30 dias. Uma vez expostos, os indivíduos assintomáticos também têm que receber pelo menos as primeiras 3 doses de vacina de antraz (ESTUDMED.COM, 2013).

A taxa de mortalidade em doentes não tratados é de 5 a 20%, com a terapia em menos de 1%. Antraz de inalação é causado pela inalação de esporos, a dose infecciosa deve ser relativamente elevada (> 8000-40000 esporos), para permitir o tratamento da infecção. No entanto, também há relatos de que os esporos, muito 1-3, podem causar doenças. O período entre a exposição e o início da doença é de cerca de quatro a seis dias, possivelmente até seis semanas. Os esporos persistem durante um longo período de tempo (até 100 dias) nos macrófagos. A doença começa após um curto período prodrômico (tosse não produtiva, dor de garganta, febre baixa, dores musculares, dor de cabeça), com febre alta súbita, calafrios e sudorese profusa e dispneia, hipóxia e taquicardia. Radiologicamente, um mediastino alargado é característica, infiltrações e derrame pleural. A taxa de mortalidade com a terapia adequada é de 50-75% e sem terapia em cerca de 100% (BACILLUS ANTHRACIS, 2013).

 

Prevenção/Controle

 

Em humanos

 

QUIMIOPROFILAXIA

 

É usada para prevenir casos de antraz por inalação. Autoridades em saúde pública normalmente iniciam a profilaxia antes de se conhecer a extensão da exposição. Dados subsequentes de epidemiologia e testes laboratoriais podem demonstrar que algumas pessoas que iniciaram a profilaxia não foram expostas. Estas pessoas devem parar com a medicação. Pessoas expostas devem completar os 60 dias de terapia (GARCIA e MARTINS, 2013).

 

VACINAÇÃO

 

Vacina de antraz adsorvida, com hidróxido de alumínio (AVA), é a única permitida nos EUA e é preparada com um filtrado de cultura de B. anthracis que não contém bactérias vivas nem mortas (livre de células). Primovacinação consiste em 3 injeções SC nas semanas 0, 2 e 4 e 3 reforços aos 6, 12 e 18 meses. Para manter imunidade, o fabricante recomenda reforço anual. A base de sustentação deste protocolo não está bem definida (GARCIA e MARTINS, 2013).

Vacinação de rotina (pré-exposição) é somente indicada para pessoas que trabalham na produção de culturas de B. anthracis e em atividade industrial com alto potencial de formação de aerosóis. Vacinação de rotina de veterinários não é recomendada nos EUA devido à baixa incidência de casos em animais. Entretanto, em áreas com alto índice de casos de antraz, a vacinação de veterinários e outras pessoas que lidam com animais são indicadas (GARCIA e MARTINS, 2013).

Mesmo com a ameaça do bioterrorismo, a vacinação indiscriminada da população como medida profilática não é recomendada. Estas recomendações devem seguir análises de risco previamente calculadas, devido aos efeitos colaterais da vacinação (GARCIA e MARTINS, 2013).

 

CONTATO COM ANIMAIS

 

Não há evidência que antraz é transmitido pelos animais antes do aparecimento de sinais clínicos e patológicos. A doença em humanos é controlada através da redução da doença no rebanho, detecção rápida de surtos, quarentena das propriedades acometidas, destruição dos animais e comitês infectados, supervisão veterinária no abate para evitar contato com animais potencialmente infectados e restrição da importação de peles e lãs de países onde ocorre carbúnculo hemático. Veterinários e trabalhadores rurais devem minimizar o contato direto com animais suspeitos de terem morrido por carbúnculo hemático, usando luvas e roupas protetoras ao manusear carcaças suspeitas e nunca coçar os olhos ou a face (GARCIA e MARTINS, 2013).

O risco de contrair antraz pulmonar ao lidar com animais infectados é próximo de zero. Ele é mais importante no processamento dos subprodutos dos animais – couro, pele, lã (é o chamado antraz industrial) (GARCIA e MARTINS, 2013).

           

Em animais – carbúnculo hemático

 

No mundo todo, a doença entre animais de produção é controlada através de programas de vacinação, rápida detecção de casos e incineração/enterro de animais suspeitos ou com a doença confirmada. A vacinação de animais domésticos é feita com suspensão de esporos preparados com a cepa não capsulada de B. anthracis (Sterne) e deve ser feita anualmente (GARCIA e MARTINS, 2013).

Para confirmação por esfregaço ou cultura, a carcaça não deve ser aberta e uma amostra asséptica de sangue após a morte deve ser obtida da veia jugular do animal. Amostras também podem ser obtidas pelo exsudato de hemorragias nasais, bucais ou anais. Se possível, a carcaça deve ser queimada ou enterrada onde foi encontrada. Para diminuir a contaminação ambiental, a incineração da carcaça é o método de descarte de escolha (GARCIA e MARTINS, 2013).

Cama ou outros materiais encontrados perto da carcaça (ex: solo contaminado) também devem ser queimados ou enterrados, e os animais restantes devem ser imediatamente removidos da pastagem afetada. As fazendas onde as mortes por B. anthracis dos animais do rebanho forem confirmadas devem ser quarentenadas e todos os animais saudáveis da fazenda e vizinhança devem ser vacinados (vacina Sterne) (GARCIA e MARTINS, 2013).

 

CONCLUSÕES

 

O antraz é uma zoonose de ocorrência global, mais comum em regiões rurais com programas inadequados de controle de carbúnculo hemático no gado. Nestas regiões, os animais infectados podem direta ou indiretamente infectar humanos, e a forma cutânea é a que ocorre em mais de 95% dos casos.

            O B. anthracis é considerado uma das mais prováveis armas biológicas por sua habilidade de se transmitir pela via respiratória através de esporos, pela alta mortalidade da infeção por via inalatória e a grande estabilidade dos esporos, se comparado com outros potenciais agentes de bioterrorismo. Tem sido foco de pesquisas como arma biológica há aproximadamente 60 anos.

 

LITERATURA CITADA

 

Ambiente Brasil

Disponível em http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agropecuario/doencas_agropecuarias/antraz_-_bacillus_anthracis.html. Acesso em 01/04/2013.

Bacillus anthracis

Disponível em http://bacillusanthracis.org/. Acesso em 01/04/2013.

Disponível em http://estudmed.com.sapo.pt/microbiologia/bacillus_antracis.htm. Acesso em 03/07/2013.

GARCIA, M.; MARTINS, L. S. Antraz.  Disponível em http://www.mgar.com.br/zoonoses/aulas/aula_antraz.htm. Acesso em 03/07/2013

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