domingo, 18 de dezembro de 2011

Aspectos gerais e morfológicos de Fusarium Graminearum



Aspectos gerais e morfológicos de Fusarium graminearum

Natália Santana Rincon
Acadêmica do curso de Agronomia



INTRODUÇÃO
 

A maioria das espécies de Fusarium Link ex Fr. São parasitas facultativos de plantas e, em alguma fase da vida, são encontradas no solo, associadas a matéria orgânica viva ou morta, na forma de micélio, conídios ou de clamidósporos.(TORTORA et al., 2005).

Foram descritas 1419 espécies  em literaturas (INDEX FUNGORUM, 2001).
As espécies parasitas de plantas causam doenças de diferentes tipos como: tombamento de mudinhas, podridões de frutos e de tecidos jovens, murchas, superalongamento de colmos, podridões de raízes e de colo, cancros, deformações, etc., além de produzirem toxinas importantes por afetarem plantas (ácido fusárico, licomarasmica, etc.), micotoxinas (tricoecanos, tricotecenos, zealearona, etc.) com graves efeitos sobre animais e o próprio homem, além de hormônio vegetal (ácido giberélico) envolvido em processos patológicos , resultando em distúrbios de alongamento de colmos e outras alterações. Por outro lado, proteína “não vegetal e não animal”, produzida em cultura por Fusarium graminearum constitue-se em alimento humano dietético comercializado na Inglaterra, sob o nome “Kuorn”. (TORTORA et al., 2005).


 O gênero Fusarium apresenta grandes dificuldades taxonômicas devido à grande variabilidade e mesmo à instabilidade de certas características usadas em sua classificação por certos autores como é o caso de tamanho de conídios e septação de conídios. A coloração da colônia, apesar de instável é usada em taxonomia de Fusarium, com devida padronização do meio de cultura e das condições ambientais.
  
Em geral, pode-se dizer que Fusarium é um gênero de hifomiceto moniliáceo com as seguintes características principais:
1.       Micélio e conidióforos hialinos, podendo estes serem ramificados e terminando em tufos ou esporodóquios de fiálides, as quais dão origem a dois tipos de conídios;
2.      Macroconídios com 1 ou vários septos transversais, hialinos, fusóides, acrógenos e frequentemente pedicelados;
3.      Microconídios também hialinos, geralmente sem septos, produzidos isoladamente, formando cabeças úmidas ou em cadeias;
4.   Clamidósporos terminais ou intercalares, unicelulares ou com septo, paredes grossas;
5.    Teleomorfos nos gêneros Nectria, Colonectria, ou Giberella . (TORTORA et al., 2005).
  
O Fusarium graminearum foi descrito por Schwabe (1839). Também pode ser chamado de Gibberella zeae, (Schwein,1936), forma do telemorfo. Existem 2 formae speciales: Fusarium graminearum var. caricis ( Wollenw. 1931) e Fusarium graminearum var. graminearum (Schwabe 1839), (INDEX FUNGORUM 2011).
        
   O F. graminearum pertence ao Reino Fungi; Filo Ascomycota; Classe Sordariomycetes; Ordem Hypocreales; Família Nectriceae; Gênero Fusarium (ZIPCODEZOO, 2009).

Fusarium graminearum é um ascomiceto que produz esporos sexuais em um saco conhecido como asca. A fase assexual do fungo produz esporos denominados de macroconídios e a fase sexual produz esporos denominados de ascósporos.( APS NET, 2011).

 As espécies de F. gramienarum  são bastante difundidas, sendo registradas em diversos paises dos continentes Americano, Europeu, Asiático, Africano e Oceania. Foram registrados 364 ocorrencias de F. graminearum em plantas hospedeiras. Uma das principais hospedeiras é a cevada (Hordeum vulgare), com mais de 20 registros de ocorrências. (FARR & ROSSMAN, 2011).
  
Ocorrem em cereais e outras gramíneas, mas também em uma vasta gama de plantas dicotiledôneas. (GARY J. SAMUELS, et. al., 2006)
      
     Foram encontrados relatos de F. graminearum hospedando 164 especies de plantasem por todo o mundo. No Brasil eles parasaitam as espécies de Brachiaria brizantha, Brachiaria plantaginea, Brachiaria ruziziensis, Digitaria sanguinalis(capim- colchão), Echinochloa crus-galli(capim-arroz), Hordeum vulgare (cevada), Oryza sativa (arroz), Pennisetum purpureum (capim elefante), Richardia brasiliensis (poaia branca), Secale cereale (centeio), Triticum aestivum (trigo), Triticum secale (trigo), Vigna unguiculata (feijão-de-corda), Zea mays (milho) (FARR & ROSSMAN, 2011).
  
As condições climáticas das principais regiões produtoras de trigo, do Brasil e de outros países tradicionalmente fornecedores, favorecem o aparecimento de doenças importantes dessa cultura, dentre elas a fusariose ( ou giberela) causada principalmente pelo fungo Fusarium graminearum (Schwabe). No Brasil a fusariose alcançou status de principal doença nas regiões tritícolas, principalmente  na região Sul do país (DEL PONTE et al., 2004)
   
 Além dos danos diretos à cultura causados pela doença, os grãos infectados podem apresentar contaminação com micotoxinas, sendo tóxicas tanto para o homem quanto para os animais. Dentre as micotoxinas, destaca-se o desoxinivalenol (DON ou vomitoxina), que pode causar vômitos, desordens intestinais e recusa alimentar no homem e em animais principalmente suínos (RENATA ALMEIDA, 2006).

  A quitosana, uma forma desacetilada da quitina, é um produto biodegradável derivado do exoesqueleto de crustáceos e abundante na natureza. Tem sido utilizada com sucesso no controle fitonematóides e fungos causadores de podridões radiculares como Fusarium (FITOPATOL. BRAS, 2006).
    
O objetivo desse trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos de Fusarium graminearum.


MATERIAIS E MÉTODOS


  O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano campus Urutaí.

Os propágulos do fungo foram retirados de grãos de sorgo (Sorgum bicolor). Os grãos foram colocados em uma caixa do tipo Gerbox com papel filtro e água destilada, para o desenvolvimento das colônias fúngicas , após 48h (quarenta e oito horas), apanhou-se o grãos para observação em microscópio ótico, com a finalidade de se observar propágulos fúngicos.


Após a visualização dos propágulos devemos coletá-los da superfície granular com o auxílio de uma pinça e colocá-los numa lâmina contendo uma gota de corante fixador fuccina (ácido lático, ácido acético, glicerina e água), em seguida colocou-se uma lamínula sobre a lâmina. Retirou-se o excesso de corante com papel higiênico e em seguida a lâmina foi vedada com esmaltee levar o conjunto para ser observado em microscópio ótico. No microscópio a primeira objetiva a ser usada deve ser a menor (4x), para que possamos observar se os propágulos foram depositados na lâmina, após a observação destes, aumentamos as objetivas para os aumentos de 10x e 40x, para se observar as estruturas fúngicas com mais detalhes.


Comparamos as estruturas observadas com estruturas descritas em literatura para identificar o gênero ao qual o fungo pertence. Nesse trabalho o fungo identificado pertenceu ao gênero Fusarium graminearum.  


Para esse trabalho foram realizadas microfotografias das estruturas fúngicas no microscópio ótico e das frutificações fúngicas na epiderme dos grãos no microscópio estereoscópico, utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580 do professor Milton Luiz da Paz Lima.



RESULTADOS E DISCUSSÕES




 Figura 1. Aspectos Morfológicos de Fusarium graminearum. A. Placa com meio de cultura contendo F. graminearum (bar =  foto em tamanho real),  B. Célula conidiogenica (bar =3,5-4x2 -3  µm), C. Conidiósporo (bar =2,5-4,5x2-3  µm),  D. Conídio-macroconídio (bar =3,75-5,0x2,5-5,0  µm).

DESCRIÇÃO MICOLÓGICA:


  O gênero Fusarium graminearum apresenta macroconídios relativamente delgados em forma de foice para quase reta, com uma célula apical cônica e uma célula basal em forma de pé (Fig. 1D). Os esporodóquios são muitas vezes escassos, mas quando aparecem são de cor laranja pálido e se escondem sob o micélio. Produz grande quantidade de micélio que pode variar do vermelho marrom ao laranja (Fig. 1A). Não apresenta microconídios. Possuem de 5 a seis septos que podem ser bem identificados. A formação de clamidósporos varia, e muitas vezes eles são formados na macronídia. Possui ascósporos hialinos à luz (Fig. 1 B). Ascos clavados 4-8 septos (Fig. 1C).


Tabela 1. Comparação dos elementos morfológicos e morfométricos de Fusarium graminearum. com os elementos morfológicos e morfológicos descritos por outros autores.

Descrição Micológica
Diâmetros (µm)
Tamanho dos Conídios por Sivanesan
Resultados
Dimensões dos macroconídios.
3,37-5,0 x2,5-5,0
5,0-5,0 x 3,0-4,0
Houve uma pequena alteração nas medidas dos conídios com as descritas em literatura
Número de septos
5 a 6
5 a 6
O número de septos apresentados é o mesmo que está descrito em literatura













LITERATURA CITADA
ALMEIDA, RENATA RODRIGUES – Ocorrência de Fusarium graminearum e desoxinivalenol em grãos de trigo utilizados no Brasil, 2006; Piracicaba. Disponível em :   Acesso em : 25/10/2011.
 APS NET Disponível em : < http://www.apsnet.org/edcenter/intropp/lessons/fungi/ascomycetes/Pages/FusariumPort.aspx> Acesso em : 25/10/2011.
DEL PONTE, E. M.; FERNANDES, J.M.C. ; PIEROBOM, C.R.;BERGSTROM, G.C. Giberela do trigo- aspectos epidemológicos e modelos de previsão. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 29, n. 6, p. 587-606, 2004.
Farr, D.F., & Rossman, A.Y. Fungal Databases, Systematic Mycology and Microbiology Laboratory, ARS, USDA. Ddisponível em: . Acesso em: 08/10/2011.
GARY J, Samuel,  Amy V. Rossman, Priscila Choverri, Bavie E. Overton e Kadri ; Hypocreales of the Southeostern United States: On Identification on Guide, Utrecht, 2006.

GILSON S. S.; In: Substancias Naturais: Uma alternativa para o controle de doenças; Fitopatol. bras. 31(Suplemento),; 14;  São Luiz do Maranhão, MA, 2006
INDEX FUNGORUM Disponível em: . Acesso em: 08/10//2011.
INDEX FUNGORUM Disponível em: . Acesso em: 08/10/2011.
SIVANESAN, A. List of sets, índex os species and list of accepted names for some absolecete species names in description of pathogenie fungi and bacteria sets 1-1000, nº 1-1000, Micopathologia 111: 91- 108, 1990
TORTORA, Gerald J. ; Funke, Burdell R. ; Case, Christine L. , Microbiologia, 8ª ed. , Porto Alegre; Artemed, 2005.
ZIPCODEZOO Disponível em :   Acesso em : 25/10/2011. 













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