segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Aspectos gerais e morfológicos de Alternaria tenuissima



  1. INTRODUÇÃO


A primeira descrição para o fungo Alternaria tenuissima foi publicada no ano de 1933 por (Kunze) Wiltshire, foram observadas pequenas manchas de cor escura, com uma margem mal definida cerca de 0,5 a 1,5 μm de diâmetro, em pétalas de Dianthus Ranuculus, e segundo sua taxonomia, o fungo Alternaria tenuissima pertence ao reino Fungi , filo Ascomycota, classe dos Ascomycetos, ordem Pleosporales, familia Hypogastruroidea             gênero Alternaria.(INDEXFUNGORUM, 2011)
Alternaria tenuissima possui como forma anamórfica Lewia scrophulariae, não é conhecida sua forma teleomórfica e são conhecidos 6 exemplos de sinonímias deste fungo, Helminthosporium tenuissimum, Macrosporium tenuissimum Clasterosporium tenuissimum, Alternaria tenuissima var., Alternaria godetiae.(INDEXFUNGORUM, 2011)
O gênero Alternaria apresenta em torno de 310 espécies conhecidas, das quais as 100 mais conhecidas são:
A.   abietis · A. abutilonis · A. acalyphae · A. acalyphicola · A. africana · A. agerati · A. agripestis · A. agrispestis · A. albiziae · A. aliena · A. alocasiae · A. alternantherae · A. alternata (Brown Spot) · A. amaranthi · A. americana · A. amorphophalli · A. anagallidis · A. anagallidis var. anagallidis · A. anagallidis var. linariae · A. angustiovoidea · A. anigozanthi · A. antenniforme · A. aquaeductuum · A. arachidis · A. aragakii · A. arborescens · A. arbusti · A. argyranthemi · A. argyroxiphii · A. asphodeli · A. atrans · A. atrocariis · A. azukiae · A. bannaensis · A. basellae · A. bataticola · A. betulae · A. biproliformis · A. blumeae · A. bokurai · A. bonducellae · A. brasiliensis · A. brassicae · A. brassicae f. microspora · A. brassicae f. phaseoli · A. brassicae var. dauci · A. brassicae var. dianthi · A. brassicicola · A. brevicolla · A. breviseptata · A. broussonetiae · A. brunnea · A. burnsii · A. calendulae · A. calystegiae · A. camelliae · A. capsici · A. capsici-annui · A. cardiospermi · A. caricae · A. caricina · A. carolinaeana · A. carotiincultae · A. carthami · A. cassiae · A. catharanthicola · A. celosiae · A. cepulae · A. cepulicola · A. cerasi · A. cercosporioides · A. cercosporoides · A. cetera · A. chartarum · A. chartarum f. stemphylioides · A. cheiranthi · A. chenopodii · A. chenopodiicola · A. chlamydospora · A. chlamydosporum · A. chrysanthemi · A. cichorii · A. cicina · A. cinerariae · A. circinans · A. cirsinoxia · A. citri · A. citriarbusti · A. citrimacularis · A. citri cerasi · A. citri var. cerasi · A. colombiana · A. compacta · A. conjuncta · A. consortiale · A. crassa · A. cretica · A. crotonicola · A. cucumerina · A. cucumerina var. cucumerina.(ZIPCODEZOO, 2011)
Quanto a produção de toxinas por parte de Alternaria tenuissima, o isolamento deste obtido a partir de sementes de algodão, revelou que o mesmo consegue produzir uma micotoxina chamada ácido tenuazóico. (DAVIS, 1977)                   
 Tomando por base para análise referências de Farr e Rossman, é possível se constatar que o fungo Alternária tenuíssima, apresenta uma grande distribuição geográfica, pois existem referencias do fungo parasitando na Índia diversos espécies como Cajanus cajan, Chenopodium álbum, Cyamopsis tetragonoloba, Kalanchoe pinnata, Medicago sativa, Sorghum vulgare, Trifolium alexandrinum, Typha angustata. (SARBHOY, 1971 apud FARR & ROSSMAN)
No período de 1997-2000 no destrito de Gunthur, Andhra Pradesh, na Índia, observou-se sintomas parecidos atacando plantações de berinjela (Solanum melogena). Inicialmente surgiram pequenas manchas  circulares necróticas marrom  em toda a folhagem. Mais tarde as manchas se tornaram irregulares, passaram a se unir, e acabou resultando na secagem e caimento das folhas. Os frutos apresentavam pequenas manchas marrons escuras, com um leve afundamento em seu centro, que iam se unindo e cobrindo toda a superfície. As perdas foram graves pois todos os frutos infectados apodreceram. O agente causal foi isolado em meio de cultura PDA (Ágar batata dextrose), e conseguiu-se identificar o mesmo como o fungo Alternaria tenuíssima. (RAJA, 2005)

No Sudão, há relatos de espécies como Abutilon pannosum, Argemone mexicana, Cajanus indicus, Cucumis melo, Datura metel, Dolichos lablab, Hibiscus esculentus, Indigofera suffruticosa, Mucuna sp., Pennisetum typhoides, Solanum dubium, Triumfetta flavescens, servindo de hospedeiros para Alternaria tenuissima. (TARR, 1963 apud FARR & ROSSMAN)
A China é aonde ocorre um dos maiores relatos de hospedeiros de Alternaria tenuissima, já observou-se em Actinidia chinensis, Allium fistulosum, Althaea rósea, Amygdalus persica, Amygdalus SP, Amygdalus triloba, Angelica sinensis, Armeniaca vulgaris, Artemisia anethoides, Artemisia annua, Artemisia argyi, Calendula officinalis, Callistephus chinensis, Capsicum frutescens, Cephalonoplos segetum, Cerasus pseudocerasus, Chaenomeles sinensis, Crataegus pinnatifida, Dahlia pinnata, Dendranthema morifolium, Erigeron canadensis, Eriobotrya japônica, Ginkgo biloba, Helianthus tuberosusIpomoea batatas, Iris SP, Lactuca sativa, Lycopersicon esculentum, Brunei, Darussalam, Malus pumila, Melia azedarach, Phragmites communis, Robinia pseudoacacia, Rosa chinensis, Rosa sp, Serissa serissoides, Solanum melongena, Solidago decurrens,Taraxacum mongolicum, Triticum aestivum, Ulmus pumil. (ZHANG, 2003, apud FARR & ROSSMAM)
Amaranthus hybridus é um importante cultivo alternativo de vegetais folhosos com potencial para a produção comercial , cultivado no sul da África e outras regiões semi-áridas do mundo. Em maio de 1998, extensas manchas  foram observadas nas folhas de  Amaranthus  hybridus em Potchefstroom, África do Sul. Muitas das folhas tinham sintomas e a maioria deles indicavam ser graves. Os sintomas eram lesões circulares a oval, castanho-escuro a preto, lesões necróticas, com um diâmetro variando de 1 até 7 mm. Tecidos adjacentes as manchas nas folhas permaneceram verdes. Fizeram-se testes de patogenicidade, acabaram por encontrar o fungo Alternaria tenuíssima, e com base nos resultados obtidos, descobriu-se que Alternaria tenuissima é um patógeno causador de manchas foliares de Aramanthus hybridus e uma quantidade mínima de folhas desta cultura de vegetais folhosos contaminadas podem causar até perda total da safra. (BLODJET, 1999)
No Brasil oberva-se a incidência de Alternaria tenuissima principalmente em eucaliptos, Colocasia esculenta, Cordyline cannifolia, Eucalyptus grandis, Eucalyptus sp, Sorghum bicolor, Vigna unguiculata. (MENDES, 1998, Apud FARR & ROSSMAN) Em viveiros de E. ghandis no estado de Minas Gerais, vem se constatando a algum tempo a doença conehcida por “mancha de Alternaria”. A doença se manifesta com a formação de lesões na face superior das folhas, com uma tonalidade que varia de vermelho-arroxeadas a marrom-avermelhadas, irregularmente circulares, de 0,5 a 3mm de diâmetro e vão crescendo, atingindo diametros de até 6mm. Através de isolamento em BDA, identificou-se como agente causal Alternaria tenuissima, por se tratar de uma doença de pouca expressão, não requer medidas muito específicas.(HIROSHI KIMATI, 2005)
Cabane (2009) apresenta em estudo, fungos do gênero Alternaria, dentre eles Alternaria tenuissima, deteriorando a membrana de sementes de Tagetes erecta.
O brócolis é um dos cultivos de maior importância socioeconômica na região do baixo México (Montesinos, 2005 apud Fraire-Cordero, 2010), sem duvidas, durante o verão as condições climáticas de calor e alta umidade relativa favorece a presença de doenças que limitam o crescimento da produção. (NARRO-SANCHEZ et al., 2005 apud FRAIRE-CORDERO,  et al 2010). Durante os meses de julho a outubro de 2005 e 2006, observou-se em Guanajuato, México, o surgimento de manchas necróticas, cor de café escuro em brócolis, foram extraídas amostras dos indivíduos infectados, isolados, e odentificou-se como agente causal das manchas o fungo Alternaria tenuíssima.(FRAIRE-CORDERO, et al. 2010)
Além dos relatos de ações de patogenia de infectando seres humanos, um jardineiro de 50 anos de idade, diabético queixava-se de varias lesões pápulo nodulares em seu cotovelo esquerdo. Estas lesões teriam aparecido 11 meses antes, foi realizada uma biopsia da pele que revelou uma inflamação crônica granulomatosa da derme que continha hifas septadas e esporos grandes. Alguns fragmentos da biópsia foram cultivados em ágar Sabouraud glicose sem cicloheximida, durante 4 dias, e produziu colônias brancas, que mais tarde se tornaram castanho-escuro, especialmente na parte inferior. Com base em caracteres microscópicos dos conidióforos e conídios,identificu-se  Alternaria tenuissima. Este fungo só havia sido isolado anteriormente em outros dois casos na Itália. (ROMANO, 1996)
O objetivo deste trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Alternaria tenuissima.
2. MATERIAIS E MÉTODOS

Este trabalho foi realizado no Laboratório de Micologia da Embrapa Cenargen.
Os propágulos fungicos foram extraídos de amostras contaminadas, e cultivadas em placas de petri envergadas com meio de cultura PDA, mantidas em uma estufa. Estruturas fungicas se desenvolveram no meio de cultura, a placa foi levada a bancada, onde uma lâmina havia sido flambada em um bico de bunsen com a ajuda de uma pinça, colocada sobre a bancada, e em seu centro pingada uma gota de corante azul de algodão lactofenol.
Uma agulha foi flambada no bico de bunsen, e com ela foram extraídos de maneira bem delicada propágulos do fungo que se desenvolvia no meio de cultura, em seguida despejados sobre a gota de corante e macerados com a agulha.
Uma lamínula foi sobreposta à região onde estavam os propágulos, o excesso de corante foi removido com o auxílio de papel toalha, uma lamínula foi sobreposta a região da lâmina com os propágulos e vedada com esmalte.
 Logo após, a lâmina semi-permanente foi levada ao microscópio óptico, com a objetiva de 4x as estruturas foram localizadas dentro da lâmina, após localizadas, as objetivas de 10x e também de 40x foram utilizadas para a visualização mais detalhada das estruturas.
Comparando com literaturas e fotografias, identificou-se o fungo como sendo Alternaria tenuissima.
Com o auxílio de uma objetiva métrica, foram medidas as estruturas e estabelecidas médias de tamanho entre elas.
Com o auxílio de uma câmera digital modelo Canon modelo Power Shot A580, as estruturas foram microfotografadas e editadas no software paint, em seguida organizadas no Powerpoint em formato de prancha, para auxiliar na visualização da descrição.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Descrição micológica:





Figura 1.  Aspectos gerais e morfológicos de Alternaria tenuissima. Fig.A. tufos de hifas que carregam cadeias de conídios simples Fig.B. conídios cônicos e fortes septos medianos (32-45 x 11-13 μm)  Fig.C. Conídio com um conidióforo(C1) (50-60X4-5μm). apical curto secundário Fig.D. conídio cônico com septos medianos.

Descrição Micológica:

Aparência colônia em PCA lembra vagamente algodão. Esporulação perto da superfície do ágar expostas à luz é em anéis de cadeias de até 12 conídios em hifas ramificadas. Em  áreas com luz-excluída as colonias são muito ramificadas, de desenvolvimento, por vezes de tufos de hifas que carregam cadeias de conídios simples ou ramificadas(A) de comprimento moderado. O padrão de crescimento em V-8 agar é o mesmo, exceto que a esporulação em áreas expostas a luz é densamente povoado.
Diferenças na morfologia de conídios de espécies componentes são acentuadas neste meio. A. tenuissima possui conídios cônicos e fortes septos medianos (Fig.B).Os conídios iniciais de cadeias jovens de A. tenuissima são, essencialmente, furados em forma ou pelo menos tem uma forma estreitamente cônica , com apenas septos transversais que estão presentes nestes esporos, que geralmente não ultrapassam 50 x 8 μm. Como conídios secundários são adicionados distalmente para a cadeia, a produção de corpos de esporos com um longo bico afilado pode continuar, com todas as unidades de esporos exibindo estes. Cadeias mais longas e ramificadas incomuns são encontrados em colônias de envelhecimento passado cerca de 7 dias, e em zonas inicialmente sem luz sempre há um desenvolvimento de hifas aéreas, com ramos laterais, cada um dos quais produz uma cadeia curta de poucos conídios .
Uma cadeia normalmente têm apenas septos transversais; apenas um ou dois conídios maduros em uma cadeia que a mediana que é uma característica muito marcante do campo de conídios. Estes conídios da mediana podem ser ovóides com um conidióforo apical curto secundário(Fig.C) ou obclavate e amplamente cônico em um conidióforo apical. Constrição conspícua na  mediana está presente em cerca de 10% dos conídios.
Conídios(Fig.D) maduros que têm apenas transepta chegam a uma faixa de tamanho de cerca de 32-45 x 11-13 μm. Ovóides, muriformes septados tornam-se conídios com 32-45 x 14-18 μm; Os conídios são meio dourados na cor e de perto, obscuros.
Conidioforos fasciculados, de cor escura, geralmente eretos, retos ou ligeiramentecurvados, geniculados, tendo de 1-6 cicatrizes, septados,com septos em intervalos de aproximadamente 10μm, medindo 50-60X4-5μm.

Quadro comparativo
Autor
Dimensões conídios
Dimensões conidióforos
Kunze Wiltshire
33-103x13-20μm
60X4-5μm
Araújo, A.C.D.
35-87x14-22μm
54x5-8 μm


Obs: Medias de Araújo obtidas a partir da medida de 50 estruturas de cada um.


LITERATURA CITADA.

CABANE, M.E.; FREITAS, M.A.; CHAVES, Z.M.; CASTRO, A.L.F.G.; CAFÉ FILHO, A.C. Ocorrência de fungos e avaliação da qualidade fisiológica de sementes de Tagetes erecta. Tropical plant pathology volume 34 (suplemento) I a LIII - S1 a S370 - AGOSTO 2009

DAVIS, N. D. ; U. L. DIENER, U. L. ; &  MORGAN-JONES, G. Applied and environmental microbiology. Aug. 1977, p. 155-

FARR e ROSSMAN,Banco de dados para consulta de hospedeiros de fungos. Disponível em < http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/new_allView.cfm?whichone=all&thisName=Alternaria%20tenuissima&organismtype=Fungus&fromAllCount=yes>. Acessado em dezembro de 2011.

FRAIRE–CORDERO, M. L.; NIETO–ANGEL, D.;  CÁRDENAS–SORIANO,E. GUTIÉRREZ–ALONSO,G.; BUJANOS–MUÑIZ,R.; & VAQUERA–HUERTA, H. Alternaria tenuissima, A. alternata y Fusarium oxysporum Hongos Causantes de la Pudrición del Florete de Brócoli. Rev. mex. fitopatol vol.28 no.1 Ciudad Obregón  2010 157 Vol. 34, No. 2

HIROSHI KIMATI ...(et al), Mancha de Alternaria. Manual de fitopatologia, 4 edição, São Paulo, Agronomica Ceres, 2005.

INDEXFUNGORUM, Banco de dados para consulta de taxons fungicos. Disponível em < http://www.indexfungorum.org/Names/NamesRecord.asp?RecordID=280005>. Acessado em novembro de 2011.

RAJA, P. ;  RAMANA, A.V. ; & ALLAM, U.S. First report of Alternaria tenuissima causing leaf spot and fruit rot on eggplant (Solanum melongena) in India. New Disease Reports (2005) 12, 31.

ROMANO, C.; FIMIANI, M.; PELLEGRINO, M; VALENTI, L; CASINI, L; MIRACCO, C.; FAGGI, E. Cutaneous phaeohyphomycosis due to Alternaria tenuissima. Mycoses. 1996 May-Jun;39(5-6):211-5.

ZIPECODZOO, Alternaria tenuissima. Disponível em < http://zipcodezoo.com/Fungi/A/Alternaria_tenuissima/#SimilarSpecies>. Acessado em outubro de 2011.




Um comentário:

  1. queria saber o que é tenue,fiz uma tomogrfia e o medico me disse que apresentou uma tenue,maie ainda nao sei o que realmente é,gostaria de saber quem souber comente.

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