terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Aspectos gerais e morfologicos de Monilia fructicola (Wint.) Honey


Amauri de Queiroz Júnior
Acadêmico do curso de agronomia  


INTRODUÇÃO
           
            Os fungos constituem um grupo numeroso de organismos, bastante diversificado filogeneticamente e de grande importância ecológica e econômica. Um grupo numeroso e diversificado infecta as plantas e seus produtos, causando os mais variados tipos de sintomas, acarretando prejuízos na produção (alimentos, fibras e energia) (BERGAMIN FILHO et al., 1995).
            Fungos mitospóricos são também denominados de fungos imperfeitos pois há a ausência ou não constatação de estruturas sexuais de reprodução. A classe Hiphomycetes, pertencente à divisão dos fungos mitospóricos, se caracteriza pela ausência de corpo de frutificação e presença de conídios que, quando presentes, são livres (BERGAMIN FILHO et al., 1995).
            O gênero Monilia possui espécies como M. acremonium, M. alpina, M. angustior, M. aureofulva, M. brunnea - (Raffaelea brunnea), M. carbonaria, M. cinerea - (Monilia laxa), Monilia cinerea f. americana - (Monilia fructicola), M. concentrica, M. corni, M. coryli, M. crassa, M. crataegi, M. cydoniae, M. fragrans, M. fructicola, M. fructigena, M. geophila, M. hammonis, M. implicata - (Acremonium implicatum), M. laxa, M. linhartiana, M. martinii, M. mespili, M. peckiana, M. pistaciae, M. polystroma, M. pruinosa, M. roreri - (Moniliophthora roreri), M. sitophila - (Chrysonilia sitophila), M. urediniformis, M. vaccinii-corymbosi e M. versiformis (FARR e ROSMAN, 2011).
            O fungo Monilia fructicola (Wint.) Honey é um anamorfo pertencente ao reino fungi, grupo incerto Fungos Mitospóricos, sub-grupo Hifomicetos (INDEX FUNGORUM, 2011).
            De acordo com o Index Fungorum (2011), não há descrição e/ou identificação da fase anamórfica do fungo em questão.
            Para M. fructicola, são descritas as seguintes sinonímias: Ciboria fructicola G. Winter, Monilia fructicola L.R. Batra, Sclerotinia americana (Wormald) Norton & Ezekiel e  Sclerotinia fructicola (G. Winter) Rehm (INDEX FUNGORUM, 2011).
            A espécie M. fructicola foi relatada infectando hospedeiros como Manihot esculenta, Saccharum officinarum, Cydonia oblonga, Prunus sp. Vitis vinifera, Theobroma cacao, Malus asiatica, Chaenomeles japonica e Corylus avellana, em países como Canadá, Itália, Polônia, Ucrânia, Estados Unidos, Austrália, Japão, Coréia, China, África do Sul e Brasil (FARR e ROSMAN, 2011).
            M. fructicola é um patógeno saprófita, responsável por causar em plantas, uma doença chamada moniliose ou podridão parda, que incide principalmente em frutas, como pêssego e nectarina. As frutas são excelentes substratos para o desenvolvimento de patógenos, com açúcares, ácidos, vitaminas e água e, à medida que vão amadurecendo, sofrem uma série de modificações em sua morfologia e metabolismo, que explicam a sua maior sensibilidade aos processos patológicos que originam as podridões (KLUGE et al., 2002).
            O consumo excessivo de frutos infectados com o patógeno pode causar intoxicações alimentares e infecções intestinais (BASSETTO, 2006).
            A podridão causada por M. fructicola pode causar sérios danos atacando ramos, flores e principalmente frutos, diminuindo consideravelmente a quantidade e qualidade da produção (MARTINS et al., 2006).
            Os sintomas da infecção de M. fructicola em flores são necroses das anteras, prosseguindo para o ovário e pedúnculo. As infecções podem se estender internamente até o ramo, resultando no desenvolvimento de cancros, anelando-o e conseqüentemente ocasionando a morte da parte terminal. Flores infectadas murcham, tornam-se marrons e fixadas ao ramo por uma goma exsudada. Na fase de pré-colheita, frutos infectados apresentam lesões pequenas pardacentas, com aspecto encharcado que evoluem para manchas marrons (FITOPATOLOGIA.NET, 2011).
            Frutificações acinzentadas das estruturas do patógeno são facilmente vistas no campo, sobre a podridão. Com o passar do tempo os frutos infectados tornam-se completamente cobertos de esporos, que contribuem com inóculo para novas infecções no pomar. Infecções quiescentes podem ocorrer nos frutos verdes. Os frutos maduros depois de colonizados desidratam-se, ficando mumificados e presos à planta ou caem sobre o solo (FITOPATOLOGIA.NET, 2011).
            O desenvolvimento de M. fructicola é favorecido por temperaturas de 25°C e umidade acima de 80%. Um período de no mínimo 18 horas a 10°C e 5 horas a 25°C é necessário para a ocorrência de infecção do patógeno na planta. Os conídios são facilmente dissemidados pelo vento, água e insetos (mosca das frutas, afídeos, entre outros), se constituindo em uma importante fonte de inóculo (ABREU, 2006).
            Sob certas condições, os escleródios do fungo são formados e germinam formando apotécios onde são produzidos os ascos. Por meio desta estrutura, os ascósporos são projetados e disseminados (BASSETTO, 2006).
            No Brasil a podridão-parda é causada pelo fungo M. fructicola, porém em outros países da América do Sul e do Norte esta doença também pode ter como agente causal fungos da espécie M. laxa e na Europa fungos das espécies M. laxa e M. fructigena (ABREU, 2006).
            O objetivo deste trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Monilia fructicola.           

 MATERIAIS E MÉTODOS

            O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano Campus Urutaí, onde foi analisado em microscópio óptico,  uma lâmina semi- permanente, pertencente à coleção micológica do Laboratório de Microbiologia. Nesta lâmina semi-permanente estavam presentes as estruturas do fungo, colocadas em corante azul de algodão, sob lamínula e vedadas com esmalte.
            As lâminas foram visualizadas em microscópio óptico 10x e 40x para identificação das estruturas do fungo presentes na lâmina. Foram feitas as medições das estruturas do patógeno em microscópio óptico e tiradas fotos com câmera digital Canon® modelo Power Shot A580, dos frutos de pêssego com os sintomas e sinais do patógeno em microscópio estereoscópio e das estruturas do fungo presentes nas lâminas visualizadas no microscópio óptico em ocular 40x. A prancha de fotos foi confeccionada utilizando o programa Microsoft Office Power Point e programa de edição de imagens PhotoScape.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Descrição Micologica: 
 
M. fructicola é um hifomiceto, com conidióforos e conídios hialinos (Fig.1C), catenulados, com dimensões de 14,5-17 x 10-13 μm (Fig.1D) (Tab. 1) (BERGAMIN FILHO et al., 1995).
            Os frutos infectados apresentam lesões pequenas pardas, com aspecto encharcado que evoluem para manchas marrons (Fig. 1A). Frutificações branco-acinzentadas das estruturas do patógeno são facilmente vistas no campo, sobre a podridão (Fig. 1B). Com o passar do tempo os frutos infectados tornam-se completamente cobertos de esporos (FITOPATOLOGIA.NET, 2011)
            No Brasil, há relatos de Monilia fructicola nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul em pêssego, nectarina e ameixa (EMBRAPA BANCO DE DADOS BRASILEIRO DE MICOLOGIA, 2011).
            Além do Brasil, houve relatos M. fructicola no Uruguai, Argentina, Nigéria, Japão, Coréia, Canadá, Hungria e África do Sul, em Prunus mume, Prunus pendula f. ascendens, Prunus pendula f. pendula, Prunus persica e Manihot esculenta (FARR E ROSMAN, 2011).

Tabela 1. Comparação dos elementos morfológicos e morfométricos do isolado em estudo com os descritos por Batista et al. (2011).

Descrição morfológica e morfométrica
Isolado em estudo
Batista et al. (2011)
Coloração
Hialino
Hialino
Disposição dos conídios
Catenulado
Catenulado
Dimensões
14,5-17 x 10-13 μm
14 (12-16) x 11 (9-12) μm

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABREU, F.M. Quantificação de danos e controle pós-colheita de podridão parda (Monolinia fructicola) e podridão mole (Rhizopus spp.) em pêssegos. Piracicaba, 2006. 49p. Dissertação (mestrado) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, 2006.

BASSETTO, E. Quantificação de danos ao longo da cadeia produtiva de pêssegos e avaliação de métodos alternativos de controle de doenças pós-colheita. Piracicaba, 2006. 126p. Tese (doutorado) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, 2006.

BATISTA, D.C., BARBOSA, M.A., AMORIM, C.C., BARBOSA, J.S. Identificação de fungos em frutos de pêssego e ameixa apresentando podridão. In: XLIV Congresso Brasileiro de Fitopatologia, 2011. Bento Gonçalves - RS. Summa Phytopatologica, 2011. v. 37.

BERGAMIN FILHO, A.; Kimati, H.; Amorim, L. Manual de Fitopatologia. 3 ed. vol. 1. São Paulo. Agronômica Ceres, 1995.

EMBRAPA BANCO DE DADOS BRASILEIRO DE MICOLOGIA. Disponível em:   Acessado em: 06/11/2011.

FARR E ROSMAN, SBML Systematic Botany of Mycological Resources. Disponível em: . Acessado em: 05/11/2011.

FITOPATOLOGIA.NET. Disponível em:    Acessado em: 04/11/2011.

INDEX FUNGORUM. Disponível em: . Acessado em: 03/12/2011.

KLUGE, R.A; NACHTIGAL, J.C.; FACHINELLO, J.C.; BILHALVA A.B. Fisiologia e manejo pós-colheita de frutas de clima temperado. 2.ed. Piracicaba: Livraria e Editora Rural, 214 p. 2002.

MARTINS, M.C.; LOURENÇO, S.A.; GUTIERREZ, A.S.D.; JACOMINO, A.P.; AMORIM, L. Quantificação de danos pós-colheita em pêssegos no mercado atacadista de São paulo. Fitopatologia Brasileira, v. 31, n1, p.5-10, 2006.


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