quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Aspectos gerais e morfológicos do fungo Fusarium verticillioides

Aspectos gerais e morfológicos do fungo Fusarium verticillioides 

Lucas Vieira Damaceno
Acadêmico do Curso de Agronomia

1.      INTRODUÇÃO
           
            As espécies do gênero Fusarium possuem classificação baseada nas suas características morfológicas. As principais características consideradas para designar espécies são: morfologia da colônia, pigmentação e taxa de crescimento, especificidade de hospedeiros e perfil de metabólitos secundários (THARANE, 1990). Devido à plasticidade e variações de características fenotípicas desse gênero, os marcadores morfológicos não são suficientes, o que tem levado a uma série de discordâncias na especiação desses fungos (OLIVEIRA e COSTA, 2002).
            Sendo assim, a sistemática molecular, que tem por base as relações filogenéticas, é uma ferramenta que oferece considerável segurança no estabelecimento de um sistema complementar de classificação para fungos, auxiliando na definição de alguns grupos taxonômicos e na designação mais precisa da posição desses microrganismos (SCIELO, 2011).
            O gênero Fusarium se destaca entre fitopatógenos de interesse mundial na produção de grãos perante redução na qualidade e valor econômico, além de micotoxinas produzidas. Fusarium verticillioides (Sacc.) Nirenberg  destaca-se entre os fungos envolvidos na pós-colheita de milhoe outros grãos, cujo metabólito tóxico principal, as fumonisinas, representam perigo à saúde da população e de animais, podendo causar sérias intoxicações à quem consome esses vegetais infectados (HIROOKA et al., 2007).
            Os fungos que produzem micotoxinas dividem-se, de modo geral, em dois grupos: aqueles que atacam antes da colheita, comumente chamadas fungos de campo, e aqueles que ocorrem somente após a colheita, chamadas fungos de armazenamento. Fusarium verticillioides é, provavelmente um dos mais significativos fungos de campo, produtores de micotoxinas encontradas em paises tropicais em desenvolvimento (HIROOKA et al., 2007).
            F. verticillioides pertence ao reino Fungi, divisão Ascomycota, classe Sordariomycetes, sub-classe Hypocreomycetidae, ordem  Hypocreales, família Nectriaceae, gênero Fusarium, espécie F. verticillioides. Seu teleomorfo, Gibberella fujikuroi, apresenta o seguinte posicionamento taxonômico: reino Fungi, divisão Ascomycota, classe Sordariomycetes, sub-classe Hypocreomycetidae, ordem Hypocreales, família Nectriaceae.  (INDEX FUNGORUM, 2011).
            De acordo com o Index Fungorum (2011),  há apenas uma sinonímias para o fungo em questão, sendo ela Fusarium moniliforme.

             Existem mais de 1000 registros de espécies, formae speciales e variedades de Fusarium spp. registrados em literatura.
            Há relatos de ocorrência de F. verticillioides em países como Canadá, Índia, Estados Unidos, França, México, Tailândia, China, Indonésia, África do Sul, Polônia, Cuba, Egito e Arábia Saudita, infectando mais de 54 espécies de plantas, entre elas, Zea mays, Glycine sp., Phaseolus vulgaris, Bemisia tabaci, Gossypium hirsutum, Oryza sativa, Sorghum bicolor, Musa spp., Pinus sp.   (FARR E ROSMAN, 2011).
            O objetivo deste trabalho foi apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Fusarium verticillioides.        


2.      MATERIAIS E MÉTODOS

            O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano Campus Urutaí, onde foi analisado em microscópio óptico,  uma lâmina semi- permanente, pertencente à coleção micológica do Laboratório de Microbiologia. Nesta lâmina semi-permanente estavam presentes as estruturas do fungo, colocadas em corante azul de algodão, sob lamínula e vedadas com esmalte.
            As lâminas foram visualizadas em microscópio óptico 10x e 40x para identificação das estruturas do fungo presentes na lâmina. Foram feitas as medições das estruturas do patógeno em microscópio óptico e tiradas fotos com câmera digital Canon® modelo Power Shot A580, dos frutos de pêssego com os sintomas e sinais do patógeno em microscópio estereoscópio e das estruturas do fungo presentes nas lâminas visualizadas no microscópio óptico em ocular 40x. A prancha de fotos foi confeccionada utilizando o programa Microsoft Office Power Point e programa de edição de imagens PhotoScape.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Figura 1: Aspectos gerais e morfológicos do fungo Fusarium verticillioides. A Microconidios hialinos, ovais (bar= 6 μm, B. Filálides e microconídios (bar= 12 μm), C. Conidióforo e conidios hialinos, com presença de microconídios ovais (bar= 18 μm), D. Conídios hialinos, ligeiramente curvada, duas células cilíndricas central, ligeiramente curvada (bar= 4μm). E. Milho (Zea mays) apresentando sinais do fungo na espiga.
 Descrição micológica
Os macroconidios hialinos, são septados, fusiformes ou com típico aspecto “em forma de foice” característico do gênero, muitas vezes com célula apical alongada e célula basal pedicelada, com dimensões de 8-14 x 2-4µm (Tab. 1). Apresentam conidióforo e microconidios hialinos, piriformes ou ovais (Fig. 1AB) com possível presença de clamidósporos (VIDOTTO, 2004).
Características dos conidióforos hialinos, apresentam esporos rolamentosos, simples no vértice e mais alto que o comprimento de macroconídios por algumas vezes (Fig. C). Os conídios hialinos com dimorfismo filamentoso são: macroconídios com célula apical ligeiramente curvada, duas células cilíndricas central, muitas vezes ligeiramente curvada de um lado, e a célula da base, normalmente de 2 a 4 septos (Fig. 1D) (BERGAMIN FILHO et al., 1995).
Os vegetais infectados apresentam massa pulverulenta branco-acinzentada espalhada por todo órgão afetado (Fig.E) (BERGAMIN FILHO et al.,  1995).
Apresentam colônias de crescimento rápido, claras ou levemente coloridas de marrom, rosa ou vermelho, de acordo com a espécie e podem, ou não, apresentar micélio aéreo cotonado evidente (VIDOTTO, 2004).

Tabela 1. Comparação dos elementos morfológicos e morfométricos do isolado em estudo com os descritos por Teixeira et al. (2011).

Descrição morfológica e morfométrica
Isolado em estudo
Teixeira et al. (2011)
Coloração
Hialino
Hialino
Septos
2 a 4 septos
Pluricelulares
Dimensões (macroconídios)
8-14 x 2-4µm
11 (8-13) x 3 (2-4) μm
Forma (microconídios)
Piriformes ou ovais
nd
Forma (macroconídios)
Forma de “foice”
Forma de “foice”





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGRIOS, G. N. Plant Pathology. Academic Press, London. 1988.

BERGAMIN FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L. Manual de Fitopatologia. 3 ed. vol. 1. São Paulo. Agronômica Ceres, 1995.

EMBRAPA BANCO BRASILEIRO DE MICOLOGIA. Disponível em:   Acessado em: 02/11/2011.

FARR e ROSMAN, SBML Systematic Botany of Mycological Resources. Disponível em: . Acessado em: 04/11/2011.

HIROOKA, E.Y., ONO, E.Y.S., ITANO, E., HOMECHIN, M., KAWAMURA, O. GARCIA, G.T., BERND, L.P.; SILVA, M., SILVA, R.T.V., FUJII, S., HAYASHI, L., SANTOS, J.S., SCHIABEL, V.C., MORENO, E.C., SCHOLZ, M.B.S., KADOZAWA, P., FIGUEIRA, E.L.Z., MARSARO Jr, A.L., FUNGARO, M H P, ONO, M.A., OLIVEIRA, T.C.R.M., GERAGE, A.C. Micotoxinas em grãos armazenados: Monitoramento e controle na perda de qualidade pós-colheita.  Fitopatologia Brasileira 32 (Suplemento). 2007.

INDEX FUNGORUM. Disponível em: . Acessado em: 18/11/2011.

OLIVEIRA, C. V.; COSTA, S. L. J. Análise de restrição de DNA ribossomal amplificado (ANDRA) pode diferenciar Fusarium solani f. sp. phaseoli de F. solani f. sp. glycines. Fitopatologia Brasileira, Brasília, DF, v. 27, p. 631-634, 2002.

SCIELO. Fusarium verticillioides strains isolated from corn feed: characterization by fumonisin production and RAPD fingerprinting. Disponível em: Acessado em: 18/11/2011.

TEIXEIRA, R.N. V., SILVA, J.L., OLIVEIRA, T.S., NASCIMENTO, A.V.S., SCHUTZ, S. Avaliação do crescimento micelial e esporulação de diferentes espécies de Fusarium em diferentes meios de cultura e de luminosidade. In: XLIV Congresso Brasileiro de Fitopatologia, 2011. Bento Gonçalves - RS. Summa Phytopatologica, 2011. v. 37.

THARANE, U. Grouping Fusarium section Discolor isolates by statistical analysis of quantitative high performance liquid chromatographyc data on secondary metabolite production. Journal Microbiological Methods, St. Louis, US, v. 12, p. 23-39, 1990.

VIDOTTO, V. Manual de micologia médica. Ribeirão Preto, SP: Tecmed, 2004.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Postagens populares da Ultima Semana