terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ASPECTOS GERAIS E MORFOLOGICOS DO Cercospora apii

Elisângela de Fátima Lopes

Acadêmica do Curso de Agronomia

INTRODUÇÃO

Os fungos, entre os agentes oportunistas, são aqueles com maior distribuição na natureza. Estão presentes no ar, na superfície inanimada de hospitais e dos domicílios, nas plantas, no solo, na água e nos animais domésticos. (Colombo A. L. 2007)

Os fungos patogênicos vêm sendo estudados desde a década de 1980, como uma fonte potencial de agentes biológicos para ser usado no combate de ervas daninhas no Brasil” (Barreto, R.w. et al, 1994). A primeira descrição de Cercospora Apii foi por Fresen. (1863), e Miura. (1957), com as características a seguir, forma anamórfica e pertence ao Reino Fungi, Divisão Hifomicetes, e as demais divisões estão de acordo com a descrição antiga, sendo esta:Subdivisão; Ascomycota, Classe; Dothideomycetes, Subclasse; Dothideomycetidae, Ordem; Capnodiales, Família; Mycosphaerellaceae, Gênero; Cercospora. “Cercospora Apii lato sensu é o mais antigo nome para um grande complexo de morfologicamente indistinguíveis Cercospora spp. ocorrendo em uma grande gama de hospedeiros. O Gênero Cercospora é um dos maiores gêneros do Hyphomycetes, e atualmente existindo 659 reconhecidas Cercospora spp. e nomes de outras 281 espécies morfologicamente idênticas estão incluídos na sinonímia de C. lato sensu APII”.

Segundo o site USDA – United States Departament of Agriculture, tem – se registros de 460 casos em todo o mundo de Cercóspora Apii, causando manchas foliares em várias espécies de plantas. Tais paises como; Alabama, Argentina, Andaman Islands, Austrália, Austria, Bermuda, Brasil, Brunei Dalussalam, Bulgaria, California, Colombia, Colorado, Connecticut, China, Cuba, Czech Republic, Cyprus, Dominican Republic, Estonia, Florida, França, Guatemala, Ghana, Greece, Guinea, Haiti, Hawai, Hong Kong, Hungary, Illinois, Índia, Italy, Iowa, Islands, Jamaica, Japan, Kansas, Korea, Laos, Latvia, Louisiana, Malawi, Myanma, Maryland, Mauritius, Malta, Mississippi, Malaysia, Minnesota, Malay Península, México, Micronésia, Nepal, New Zealand, New York, New Guinea, New Jersey, New Caledonia Nigeria, Netherlands, Nicobar, North Carolina, Kenya, Oklahoma, Panamá, Papua New Guinea, Pakistan, Philippines, Poland, Puerto Rico, Range of host, România, Rússia, Singapore, Solomon Islands, Sierra Leone, Somalia, Singapore, South África, South América, Southern Africa, Thailand, Taiwan, Tanzânia, Trinidad and Tobago, Tristan da Cunha, Texas, Togo, Turkey, Uganda, Unknown, Uganda, United State, Virgin Islands, Washington, West Africa, West Virginia, Widespread, Wisconsin, Zâmbia e Zimbabwe, e destes acima citados o que têm maior ocorrência de Cercóspora apii, é na Índia de 85 casos dos 460, ou seja, 18%. (USDA – united states department of agriculture).

De acordo com estudos realizados pela Embrapa Cernagem, na Revista Ciência Agronômica, há registros de Cercospora apii Fresen. (anam.), foram encontrado lesões com maior freqüência no Nordeste mais precisamente no estado do Ceará, nas culturas descritas a seguir; Agastache rugosa Kuntze (Lamiaceae), Amaranthus sp. L. (Amaranthaceae), Angelonia sp. Humb. e Bonpl. (Scrophulariaceae), Anthurium sp. Schott (Araceae), Apium graveolens Cham. (Apiaceae), Apium graveolens L. var. dulce (Mill.) DC. (Apiaceae, Apium rapaceum Mill. (Apiaceae), Carica papaya L. (Caricaceae), Chamaecrista sp. Moench (Fabaceae), Chenopodium ambrosioides L. (Amaranthaceae), Citrullus vulgaris Schrad. ex Eckl. & Zeyh. (Cucurbitaceae), Cucumis melo L. (Cucurbitaceae), Erythrina xinguensis Ducke (Fabaceae), Cyclanthera pedata Schrad. (Cucurbitaceae), Gerbera jamesonii Bolus (Asteraceae), Gloxinia maculata L'Hér. (Gesneriaceae), Malpighia emarginata ex DC. (Malpighiaceae), Mimosa sensitiva L. (Fabaceae), Momordica charantia L. (Cucurbitaceae), Morus alba Linn. (Moraceae), Nyctanthes arbor-tristis Linn. (Oleaceae), Petroselinum crispum (Mill.) A.W. Hill (Apiaceae) Petroselinum hortense Hoff. (Apiaceae, Physalis sp. L. (Solanaceae), Pueraria hirsuta Kurz (Fabaceae), Raphanus sativus Linn. (Brassicaceae), Senna alata Roxb. (Fabaceae), Senna occidentalis Link (Fabaceae), Spigelia anthelmia Linn. (Loganiaceae), Tagetes sp. L. (Asteraceae), Terminalia catappa Linn. (Combretaceae), Vigna unguiculata (L.) Walp. (Fabaceae), Vitex agnus-castus Kurz (Verbenaceae) Wedelia paludosa DC. (Asteraceae), Zinnia elegans Jacq. (Asteraceae). Cercospora espécies, estão distribuídas em todo o mundo, e causa cercosporiose na maioria das famílias de plantas mais importantes. Numerosas espécies descritas a partir de diversos hospedeiros e localidades são morfologicamente indistinguíveis de C. APII e, posteriormente, são referidos como C. lato sensu APII. A importância e o papel ecológico que desempenham diferentes hospedeiros na delimitação táxon e reconhecimento dentro deste complexo permanecem obscuros. Os propágulos de fungos cercosporóides são notoriamente difíceis de produzir em massa e, portanto, seria provavelmente difícil desenvolver um micoherbicidas com APII C. No presente estudo, os dados de seqüência multilocus, de fragmentos amplificados de análise de polimorfismo de comprimento, e as características culturais foram utilizados como recursos adicionais para caracterizar cepas morfologicamente semelhantes Cercospora ocorrendo no aipo e beterraba. A partir dos dados obtidos, é mostrado que beticola APII C. e C., embora morfologicamente semelhantes e capazes de atravessar a infectar máquinas uns dos outros, são espécies distintas funcionais que devem ser mantidas como entidades separadas. Além disso, uma terceira espécie, ainda não descritas de Cercospora foi detectado em campos de aipo na Coréia e Venezuela, sugerindo que outras espécies não descritas também podem ser encontrados para causar cercosporiose em aipo. (Marizete G. et al, 2005)

Segundo o infectologista Prof. Arnaldo Lopes Colombo (UNIFESP), alguns fungos causam doenças em vários tecidos humanos, podendo causar desde irritações até infecções graves, e com tratamento não adequado ao caso podendo levar a morte. Com base nessa prática hospitalar, afirmo que entre os agentes patogênicos encontrados, não está nenhum do gênero Cercospora. E o fungo em questão não causa doença em seres humanos.

Foram encontradas plantas daninhas da espécie Solanum glaucophyllum (Solanaceae), conhecida como “espichadeira” e Xanthium Strumaruium L. (Asteraceae), conhecida como “carrapicho-de-caneiro”, apresentando sintomas de manchas foliares causados por Cercospora Apii. Estes são os primeiros relatos desse fungo nestes hospedeiros no Brasil, e primeiro relato de sua ocorrência em S. glaucophyllum no mundo” (Barreto, R.W et al ,1994).

O objetivo desse trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do Cercospora apii.

MATERIAIS E MÉTODOS

O Material foi coletado na cidade de Urutaí – GO, Próximo ao IF Goiano. Na análise da superfície foliar, foi usado o microscópico estereoscópico com o objetivo de melhor visualizar e extrair os propágulos fúngicos contido nesta.

O Trabalho foi feito no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano Campus Urutaí. O material a ser extraído a seguir, são os propágulos de um fungo na superfície foliar da Salsinha (Petroselinum crispum). Após a visualização dos propágulos, foi feita a “pescagem direta” dos propágulos da superfície foliar com o auxilio de uma pinça e foi depositado em uma lâmina contendo uma gota de fixador e corante azul de metileno, em seguida colocou-se em uma lamínula sobre a lâmina. E com o papel higiênico tirou-se o excesso, para vedar-se com o esmalte, e em seguida foi levado à visualização em microscópio ótico.

No microscópio a primeira lente que foi usada, é a menor (4x), para identificar os propágulos que foram depositados nesta, e logo após colocamos a lente de maior precisão (40x) para identificação de estruturas fúngicas.

Foi feita a comparação das estruturas identificadas, com a literatura para uma identificação. Chegou-se a conclusão de que neste trabalho o fungo encontrado foi Cercospora apii.

Na composição desse trabalho, foram realizadas microfotografias no microscópico ótico, para identificar os propágulos e estruturas fúngicas, retirados da epiderme da salsinha, utilizando câmera digital Cânon® modelo Power Shot SD750, 12.1 mega pixels.

Para melhor definir as estruturas fungicas foram medidas 50 unidades de hifas e conídios, utilizando uma lente com uma régua em µm, a ser usada no microscópio ótico. As hifas encontradas foram com comprimento de: 2,5 a 5,3 µm sendo a média 3,9 µm, com 1,3 µm de espessura. Os conídios com medida de 4,5 a 6,5 µm e a media de 5,5 µm, e espessura de 1 µm.

DISCRIÇÃO MICOLÓGICA

(Figura 1 A) Lesões causadas por Cercospora apii em folhas de Petroselinum crispum (Salsinha). (Figura 1 B e C) Hifas de cores castanhas escuras e hialinas, formato cilíndrico e cônico e na extremidade com fisuras por onde são produzidos conídios. (Figura 1 D) Célula conidiogênica de vários tamanhos com cores hialina e turva, na extremidade cicatriz de secessão, na qual se origina o conídio. (Figura 1 E) Conídio levemente encurvado, hialino e didioseptado, 8 septos. (Figura 1 F) Conídio filiforme com 12 septos. . (Figura 1 G) Conídio com 7 septos alongado. (Figura 1 H) Aglomerado de conídios com variação septal de 6 a 17 septos.

LITERATURA CITADA:

Barreto, R.W.; Pereira O. L.; Rocha F. B. (1994). Disponível em; http://www.scielo.br/pdf/bjm/v38n1/arq29.pdf . Acessado em Novembro de 2010



Diagnostico de doenças fungicas oportunistas: O grande desafio para os centros médicos de atendimento ao terciário. Prof. Arnaldo Lopes Colombo (UNIFESP), Julho-Agosto/2007 Pratica Hospitalar.Disponivel em: www.praticahospitalar.com.br/pratica%2052/pdfs/mat%2007.pdfAcessado em novembro de 2010.


Hosts, espécies e genótipos: pareceres versus dados. P. W. Crous e J. Z. Groenewald
Jan Australasian Plant Pathology 2005, Volume 34, Número 4: 463 Disponível em:
http://apsjournals.apsnet.org/doi/abs/10.1094/PHYTO-95-0951 Acessado em novembro de 2010

KIMATI H., AMORIM L, REZENDE J.A.M., BERGAMIN FILHO A, CAMARGO, L.E.A. CAMARGO. Manual de fitopatologia/edição de hiroshi Kimati. (et.al.) - 3ed. -, São Paulo; Agronômica Ceres. 2005. p.58.


MENDES, M.A. S.; URBEM, A. F.; Fungos relatados em plantas no Brasil, Laboratório de Quarentena Vegetal, Brasília, DF: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Disponível em: www.cenargen.embrapa.br/publica/trabalhos/doc104.pdf Acessado em 25/10/2010.


Scielo Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-83822007000100029&script=sci_arttext Acessado em Outubro de 2010


SMML Fungos - Host Distribution Database Results Farr, D.F., & Rossman, A.Y. Fungal Databases Disponível em: http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/new_allView.cfm?whichone=all&thisName=Cercospora%20apii&organismtype=Fungus&fromAllCount=yes Acessado em outubro de 2010.


Worldlingo Apii f.sp de Cercospora. clerodendri Disponível em: http://www.worldlingo.com/ma/enwiki/pt/Cercospora_apii_f.sp._clerodendri Acessado em Outubro de 2010





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