terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Aspectos Gerais e Morfológicos do Fungo Puccinia mogiphanis

Guilherme de Souza Borges Cruvinel

Acadêmico do curso de Agronomia

1.INTRODUÇÃO

Muitas espécies de plantas são atacadas pela doença mais conhecida como ferrugem, mas embora o nome seja o mesmo, muitas vezes o agente causador da ferrugem não é o mesmo em se tratando de plantas distintas. As ferrugens são assim denominadas devido à lesão com massa de esporos pulverulenta de coloração amarela a avermelhada (Del Ponte, E.M. (Ed.) Fitopatologia.net 2010).

Com mais de 6.000 espécies, distribuídas por todo o mundo, as Uredinales (Ferrugens) constituem uma das maiores ordens naturais de fungos, compreendendo mais de um terço de todos os basidiomicetos conhecidos. Como organismos parasitos ecologicamente obrigados e que apresentam uma alta especificidade em relação aos seus hospedeiros, as ferrugens possuem a capacidade de infectar um grande número de plantas vasculares (Ainsworth, 1971).

Os fungos da ordem Uredinales são responsáveis por algumas das mais devastadoras doenças das plantas cultivadas, e consideradas como de distribuição mundial. Nenhum outro grupo de fitopatógenos apresenta, como as Uredinales, a capacidade de infectar um número tão grande de plantas de interesse econômico (Hiratsuka, 1983).

Apesar da importância incontestável das ferrugens como fitopatógenos, certas particularidades da biologia desse grupo de organismos fazem com que ainda se saiba muito pouco sobre a maioria de seus representantes. Entre essas particularidades está o fato de se tratarem de fungos biotróficos, não podendo ser facilmente cultivados à parte de seus hospedeiros (Hennen et al., 1982).

Puccinia mogiphanis é um fungo pertencente ao Reino Fungi, Divisão Basidoiomicota, Classe Teliomycetes, Ordem Urediniales, Família Pucciniaceae, Gênero Puccinia, Espécie Puccinia mogiphanis, causando doença em terramicina (Alternanthera brasiliana L. – Amaranthaceae), que é uma planta encontrada amplamente na América do Sul, sendo utilizada pela população pelas suas propriedades analgésicas e antiinflamatórias (Embrapa Cenargem, 2010, Delaporte, 2001).

O micélio da ferrugem é uninucleado. Após a penetração, o micélio cresce internamente no hospedeiro (Fig. C), sendo inteiramente endobiótico, extraindo os alimentos por meio de haustórios que se formam a partir das hifas intercelulares penetrando as células do hospedeiro e localizando-se entre a parede celular e a parede plasmática. Não produzem basidiocarpo e a estrutura na qual a cariogamia toma lugar é um tipo de esporo especial denominado teliosporo (Martins et al., 1995).

Os esporos são estruturas de dispersão dos fungos, semelhantes às sementes das plantas. Seu tamanho é diminuto e cada lesão pode conter milhões de esporos sendo que, para haver nova infecção, basta que um único esporo germine em condições ideais de temperatura e umidade. No entanto a viabilidade germinativa dos esporos é restrita e nem todos os produzidos acabam por gerar novas infecções (Fitopatologia. net, 2010).

As ferrugens geralmente se beneficiam de climas amenos, com temperaturas moderadas e alta precipitação. Observa-se maiores incidências em anos chuvosos e propensos a formação de orvalho sobre as folhas. Estes fatores se relacionam com a necessidade de haver molhamento das folhas para que o esporo germine. Por isso, irrigação mal manejada pode favorecer aparecimento de ferrugem, o ideal é irrigar o solo ou substrato e evitar molhar em demasia as folhas, principalmente se há histórico da doença no local (Alves, R.C(Ed.) Fitopatologia.net 2010).

Resultados de laboratório e experiências de campo indicam claramente que vento não é um fator limitante para dispersão do esporo da ferrugem em uma escala curta. Até mesmo a baixa velocidade, vento é capaz de remover esporos de folhas, e a eficiência da remoção é aumentada drasticamente através de turbulência local. Então, a dispersão do vento dependerá mais da quantidade de esporos disponíveis do que as características do vento (Sache, 2000).

No Brasil, há relatos de Puccinia mogiphanis nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba e Ceará (Embrapa Cernagem, 2010)

Além do Brasil, houve relatos de Puccinia mogiphanis em terramicina nos seguintes países: Quito, Equador, Peru, México, Argentina, Nigéria, Costa Rica, Estados Unidos, Venezuela, Caribe e África (Farr & Rosman, 2010).

O objetivo deste trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Puccinia mogiphanis.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano campus Urutaí, onde foi analisado em microscópio óptico, uma lâmina semipermanente à coleção micológica do Instituto Federal Goiano campus Urutaí contendo as estruturas urediniais.

Das folhas da planta terramicina (Alternanthera brasiliana), foram retirados propágulos do fungo Puccinia mogiphanis. Este material foi coletado nos entornos do Instituto Federal Goiano-Campus Urutaí, sendo armazenado em um envelope e guardado desde então no laboratório de microbiologia do instituto. Depois apanhou-se as folhas do envelope e levou-as para a visualização em microscópio estereoscópico com a finalidade de se encontrar propágulos fúngicos. Houve a necessidade de um corte anatômico uma vez que na lâmina semi-permanente a visualização do corpo de frutificação ficou bastante dificultado. Olhando sempre na lupa e com auxilio de uma pinça e um gilete foram feitos cortes bem pequenos e transversais em cima de uma lâmina, depois foram colocados em outra lâmina contendo uma gota de fixador fucsina e em seguida colocou-se uma lamínula sobre esta e levou-se ao microscópio óptico. No microscópio a primeira objetiva a ser usada deve ser a menor (4x), para que se possa observar os propágulos que foram depositados na lâmina, após a observação destes, aumentou-se as objetivas para os aumentos de 10x e 40x, para que se fossem observadas as estruturas fúngicas com mais detalhes.

Foram realizadas microfotografias das estruturas fúngicas no microscópio ótico utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580 do professor Milton Luiz da Paz Lima para confecção da prancha de fotos que foram editadas com o Windows Picture Manager e a prancha confeccionada no Microsoft Office Power Point 2010.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO



Figura 1: Aspectos gerais e morfológicos do fungo Puccinia mogiphanis Arthur. A. Urediniósporo onde observa-se na sua superfície a presença de equinulações (bar = 4 µm). B. Urediniósporos unicelulares, circulares, de paredes duplas espessas (bar = 2 µm). C. Urediniósporos de Puccinia mogipahanis presentes na folha de terramicina. D. Interação do patógeno Puccinia mogiphanis com o hospedeiro Alternanthera brasiliana L, mostrada por um corte histológico(anatômico).

Descrição micológica

Puccinia mogiphanis é um parasita obrigatório, apresentando urediniósporo (Fig. B) unicelular, esférico , medindo 28-43 × 24-40 μm, com paredes duplas espessas. A urédia apresenta-se de coloração escura, circular, de cerca de 1 mm de diâmetro (Eboh, 1985).

Sua superfície é ornamentada com equinulações ou verrugosidades (Fig. A e Fig. B). Há também a presença de poro germinativo e de células marginais não esporogênicas que são denominadas paráfises (Fig. A).

.Uredósporos são amarelados, unicelulares e equinulados, medindo de 21 a 34 por 17 a 27 µm e dimensões médias de 28 por 21 µm.

Tabela 1. Comparação dos elementos morfológicos e morfométricos de Puccinia mogiphanis com os elementos morfológicos e morfométricos descritos por outros autores.

Descrição morfológica

Diâmetro (µm)

Eboh

Resultado

Urediniósporo

21-34 µm

20-40 µm

Coerente

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AINSWORTH, B.C. Ainsworth & Bisbys Dictionary of the fungi. New Surrey: Commonwealth Mycological Institute, 1971. 663p.

DELAPORTE, R.H. Estudio farmacognóstico, farmacológico y químico de Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze y Bouchea fluminensis (Vell.) Mold. Havana - Cuba, 77p. Tese de doutorado - Universidade de Havana – Cuba. 2001.

EBOH, D.O. 1985a. Nigerian graminicolous Uredinales: grass rusts from Nsukka - II. Mycologia 77: 205-211.

EMBRAPA Banco de Dados Brasileiro de Micologia. Disponível em: Acessado em: 08/11/2010

FARR & ROSMAN, SBML Systematic Botany of Mycological Resources. Disponível em: . Acessado em: 19/06/2010.

FITOPATOLOGIA.NET. Disponível em: Acessado em: 07/11/2010.

HENNEN, J.F.; HENNEN, M.M.; FIGUEIREDO, M.B. Índice das ferrugens (Uredinales) do Brasil Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v.49, p.1-201, 1982. Suplemento.

HIRATSUKA, Y.; CUMMINS, G.B. Morphology of spermogonia of the rust fungi. Mycologia, v.55, p.487-507, 1983.

MARTINS, E.M.F.; CARVALHO JUNIOR, A.A.; FIGUEIREDO, M.B. Obtenção de culturas axênicas esporulantes de Melampsora epitea Thüm, ferrugem do chorão (Salix sp.) a partir de urediniosporos puros. Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v.62, p.58, 1995. Suplemento. Trabalho apresentado na REUNIÃO ANUAL DO INSTITUTO BIOLÓGICO, 8., 1995, São Paulo. Resumo 071.

SACHE, I. Short-distance dispersal of wheat rust spores by wind and rain. INRA, Laboratoire de Pathologie Végétale, BP 01, 78850 Thiverval-Grignon, France (Received 1 February 2000; revisado: 23 Junho 2000; aceito 3 Agosto 2000.

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