segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

DESCRIÇÃO MICOLÓGICA: “ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Colletotrichum sp.” Bruna Stefhane Santos, Milton Luiz da Paz Lima.

1. INTRODUÇÃO

O fungo Colletotrichum sp. apresenta a seguinte posição taxonômica: Reino Fungi, insertae Fungos Metospóricos, subgrupo Coelomicetes.

A Classe Coelomicetes compreende os fungos assexuais miceliais com conidióforos dos tipos acérvulos e picnídios (conidiomas). Embora não produzam estruturas de reprodução sexuada ou, ocasionalmente, sequer produzam estruturas de reprodução sob condições naturais, características morfológicas, ultraestruturais e moleculares típicas de Ascomycota ou Basidiomycota ocorrem em diversos fungos assexuais de modo que se pode correlacioná-los com espécies de Ascomycota e Basidiomycota e, desta maneira, fazer a conexão entre uma morfoespécie de um fungo assexual e uma espécie de um grupo taxonômico formal.

O gênero Colletotrichum possui 702 espécies válidas em literatura, dentre eles Colletotrichum Acaciae, Colletrotrichum Caudatum, Colletotrichum Corni, Colletotrichum Dicheae, Colletotrichum Curvatum (Index Fungorum, 2010), e outros variedades e formae speciales de fungo pertencente ao gênero Colletotrichum sp. (Kirk et al., 2001).
Foi feito um estudo para identificar espécies de Colletotrichum sp., que poderiam vir a ser causadores de doenças em Proteaceae, neste estudo obteve-se quatro espécies de Colletotrichum (C. acutatum, C. boninense, crassipes C., C. gloeosporioides) e uma forma especial (C. acutatum f. sp. Hakeae). Nenhuma correlação evidente pode ser observada entre especificidade de hospedeiros e do tipo de sintomas entre as espécies reconhecidas, com exceção de C. acutatum f. sp. hakeae de Hakea, um hospedeiro para que esses isolados parecem ser altamente específicos. (Lubbe et al., 2004).

O fungo Colletotrichum sp., causa doença em plantas como leguminosas, cereais, hortaliças e culturas perenes, incluindo diversas frutíferas, ataca principalmente as partes aéreas da planta (caule, ramo, folha, inflorescência, flor, fruto e semente). (Russomanno, 2008).

A antracnose é causada por fungos do gênero Colletotrichum, que é um grupo muito comum de patógenos de plantas, e eles são responsáveis por doenças em numerosas espécies de plantas do mundo inteiro. Identificação de espécies de Colletotrichum é geralmente baseada em mais de uma característica, como a aparência física e patogenicidade em host (s). Muitas espécies de Colletotrichum infectam mais de um hospedeiro, para que não haja confusão, mais do que um Colletotrichum sp. podem estar presentes em um host. Pelo menos três espécies de fungo (C. gloeosporioides, C. capsici e coccodes C.) são relatados para causar esta doença. (Roberts et al., 2009).

O apressório é uma estrutura desenvolvida por vários fungos, dentre eles o Colletotrichum sp, para romper a superfície foliar do hospedeiro. Sua formação ocorre pelo inchaço no ápice do tudo germinativo. Os apressórios variam em forma e tamanho, apresentando em geral, de 5 a 15 micras em diâmetro e formas que variam entre globosas, ovóides ou oblongas. Cada célula do conídio contém um núcleo. Uma delas dá origem ao tubo germinativo. Enquanto o tubo germinativo alonga-se, simultaneamente o núcleo desta célula submete-se a uma divisão mitótica. Um núcleo permanece no conídio e o outro é transferido para o futuro apressório, o qual separa-se do tubo germinativo através da formação de um septo. A parede celular do apressório imaturo começa a engrossar-se através da deposição de uma camada de melanina. O apressório adere à superfície utilizando uma camada grossa de material adesivo que parcialmente infiltra na cutícula abaixo do apressório imaturo. Este processo completa-se com a emergência da estrutura de penetração “peg”, que rompe a cutícula e entra na epiderme da palnta. A camada de melanina que é depositada sobre a parede celular do apressório em formação é considerada essencial para o processo de penetração. (Funck et al., 2010).

O objetivo deste trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Colletotrichum sp.


2. MATERIAS E MÉTODOS

Este trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano.
Os propágulos foram extraídos da fruta do conde (Annona squamosa L.), que se encontravam no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano Campus Urutaí, enrolados em um jornal. A fruta do conde (Annona squamosa L.), foi levada ao microscópio estereoscópico, para ser observada.

Após a visualização dos propágulos foram coletados da superfície do fruto com o auxilio de uma agulha e colocados em uma lâmina contendo uma gota de fixador a base de fucsina, em seguida colocou-se a lamínula sobre a lâmina. Retirou-se então o excesso de corante com papel higiênico, logo após vedou-se a lamínula na lâmina utilizando esmalte e levou-se o conjunto para visualização em microscópio óptico.
Comparamos as estruturas observadas com estruturas descritas em literatura para identificar o gênero ao qual o fungo pertence. Nesse trabalho o fungo identificado pertenceu ao gênero Colletotrichum sp..

Para esse trabalho foram realizadas microfotografias das estruturas fúngicas no microscópio ótico, utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580 do professor Milton Luiz da Paz Lima.

TESTE DE GERMINAÇÃO


Neste trabalho também foi desenvolvido o teste de germinação de conídios.

Foram coletados propágulos extraídos da superfície do fruto com o auxílio de uma agulha e depositados sobre uma lâmina que continha algumas gotas de água destilada, a lâmina então foi levada até a câmara de fluxo laminar para que com a ajuda de uma alça de platina os propágulos sejam misturados a água destilada até obtenção de uma água de cor branca.

Após feito este procedimento, novamente com o auxílio da alça de platina, pegou-se suspensão de conídios sendo depositados em meio de cultura águar-água (AA), sendo em seguida depositado uma lamínula flambada. Em seguida a placa foi vedada e incubada por 5 dias, à temperatura de 25°C.

Após aproximadamente 5 dias percebeu-se a germinação dos conídios, retirou-se então a placa da B.O.D e preparou-se as lâminas para observação, onde, apanhou-se uma lâmina colocou-se uma gota do fixador de fucsina e depositou-se uma lamínula que se encontrava na placa de Petri em cima da gota, retirou-se então o excesso de corante com papel higiênico, logo após, vedou-se a lamínula na lâmina utilizando esmalte incolor e em seguida levou-se o conjunto para visualização em microscópio ótico. Observamos que houve então o desenvolvimento de apressórios.
Para esse trabalho foram realizadas microfotografias das estruturas fúngicas no microscópio ótico, utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580 do professor Milton Luiz da Paz Lima.


3. RESULTADO E DISCUSSÃO
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Figura 1. Aspectos morfológicos de Colletotrichum sp. A. Conídio (bar = 17,5c µm x 5l µm), B. Setas (bar = 52,5c µm x 7,5l µm), C. Setas célula basal arredondada, D., E. e F. Apressórios Lobados (bar = 12,5 µm).

DESCRIÇÃO MICOLÓGICA

Sua estrutura é formada por, acérvulos, ou seja, células conidiogênicas, seu micélio é hialino, septado, podendo se formar juntamente ao tecido de seu hospedeiro , setas escuras de tons amarronzados com tonalidades pretas, com célula basal arredondada (Figura 1B, C), conidióforos curtos e agrupados, podendo ser separado por setas escuras e septadas juntamente a estrutura acervular, seus conídios apresentavam formato cilíndrico e não possuiam septação, portanto eram amerosseptados, de parede fina e delgada (Figura 1A).

No teste de germinação podemos perceber o surgimento de apressórios, que seria a fase inicial de germinação de conídios. (Figura 1D, E e F).


4. LITERATURA CITADA

COSTA, R. V. da; CASELA, C. R.; ZAMBOLIM, L. e FERREIRA, A. S.. A antracnose do sorgo. Scielo. Fitopatologia Brasileira. Disponível em: Acessado em outubro de 2010.

FUNGOS ASSEXUAIS. FUNGOS ASSEXUAIS OU MITOSPÓRICOS (Deuteromycota). Disponível em: < www.uefs.br/disciplinas/bio221/aula_06_fungos_assexuais.rtf > Acessado em dezembro de 2010.

FUNCK, G. R. D.; ALVES, R. C.; PONTE, E. M. D.. Fitopatologia. Fitopatologia aprenda sobre as doenças das plantas. Disponível em: < http://www6.ufrgs.br/agronomia/fitossan/fitopatologia/ficha.php?id=5 > Acessado em dezembro de 2010.

INDEX FUNGORUM, Disponível em , Acessado em outubro de 2010.
JÚNIOR, H. J. T.; MELLO, M. B. A.; JÚNIOR, N. S. M.. Summa Phytopathologic . Caracterização morfológica e fisiológica de isolados de Colletotrichum sp. causadores de antracnose em solanáceas. Disponível em: Acessado em outubro de 2010.

LUBBE, C. M.; DENMAN, S.; CANNON, P. F.; GROENEWALD, E. J. Z.; LAMPRECHT, S. C.; CROUS, P. W.. MYCOLOGIA. Characterization of Colletotrichum species associated with diseases of Proteaceae. Disponível em: < http://www.mycologia.org/cgi/content/full/96/6/1268#SEC4 > Acessado em dezembro de 2010.

ROBERTS, P. D.; PERNEZNY, K. L.; KUCHAREK, T. A.. University of Florida IFAS Extension. Anthracnose Caused by Colletotrichum sp. on Pepper1. Disponível em: < http://edis.ifas.ufl.edu/pp104 > Acessado em dezembro de 2010.

RUSSOMANO, O. M. R.. Doenças fúngicas das plantas medicinais, aromáticas e condimentares – parte aérea. Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal. Disponível em Acessado em outubro de 2010.

SOUZA, A. Q. L.; SOUZA, A. D. L.; ASTOLFI – FILHO, S.; PINHEIRO, M. L. B.; SARQUIS, M. I. M.; PEREIRA, J. O.. Scielo. Atividade antimicrobiana de fungos endofíticos isolados de plantas tóxicas da amazônia: Palicourea longiflora (aubl.) rich e Strychnos cogens bentham. Disponível em: Acessado em outubro de 2010.
SOUZA, P. V.. “ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DO FUNGO Colletotrichum sp.” . Disponível em < http://fitopatologia1.blogspot.com/2010/06/aspectos-gerais-e-morfologicos-do-fungo_2213.html> Acessado em outubro de 2010.

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