domingo, 12 de dezembro de 2010

ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DE Pseudocercospora musae


“ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DE Pseudocercospora musae.”

Guilherme Rodrigues Araújo

Acadêmico do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental

Instituto Federal Goiano - campus Urutaí

1. INTRODUÇÃO

O fungo Pseudocercospora musae representa a forma anamórfica que pertence ao Reino fungi, grupo incerto Fungo Mitosporico, sub-grupo hifomiceto, gênero Pseudocercospora sp. A fase teleomórfica pertence ao reino Fungi, filo Ascomycota, classe Dothideomycetes, sub-classe Dothideomycetidae, ordem Capnodiales, família Mycosphaerellaceae, gênero Mycosphaerella sp.(Index Fungorum,2010;KIRKET, et al.)

Em banana causa uma doença denominada de Sigatoka-amarela ou Mal-da-sigatoka que foi descrita pela primeira vez no Brasil em 1944, na Região Amazônica. Em 1952 foi detectada no Estado de São Paulo e atualmente ocorre em todos estados brasileiros, causada pelo fungo Mycosphaerella musicola Leach, cuja forma anamórfica corresponde ao fungo P. musae Autoridxade. Os conídios são disseminados por três elementos associados ao clima: chuva, orvalho e temperatura que são fundamentais para que ocorra infecção e produção do inoculo. O vento não é suficiente na disseminação dos conídios.

Os ascosporos de M. musicola têm sua liberação dos peritécios por mecanismos de ejeção violenta, cabendo ao vento disseminá-los.

Os fatores climáticos, principalmente umidade e temperatura, influem grandemente nas diferentes fases do desenvolvimento da doença. No que se refere aos peritécios e ascosporos, as condições que favorecem massiva infecção, são períodos chuvosos com temperatura acima de 21 oC. Na falta de períodos chuvosos que favoreçam a produção de ascosporos, a maior fonte de inoculo são os conídios, visto que a produção de esporodóquio é menos exigente à chuva do que a produção de peritécio. A simples presença do orvalho é suficiente para a produção de algum esporodóquio e conídios na ausência de chuva.

A produção de conídios é muito sensível à temperaturas inferiores a 22 oC. Solos mal arejados, com pH baixo e baixo nível de fosfato disponível, são condições para produção de peritécios o ano inteiro. O fungo resiste às condições desfavoráveis na fase ascospórica. O fungo não apresenta problemas de sobrevivência de um ano para outro, já que o hospedeiro susceptível é disponível o ano inteiro. O primeiro evento para ocorrência da doença é a deposição do esporo sobre uma folha suscetível.

Se houver presença de umidade, na forma de água livre, haverá a germinação do esporo, ocorrendo a seguir a infecção através do estômato. As folhas mais suscetíveis à infecção, em ordem decrescente. Onde as estações estão bem definidas, a produção diária de inoculo pode ser relacionada com a presença de água sobre a folha e com níveis mínimos de temperatura. No Brasil, as temperaturas máximas raramente são limitantes à ocorrência da doença.

É uma das mais importantes doenças para a cultura da bananeira no Brasil. Os danos atribuídos à doença são a perda precoce das folhas, ficando a planta depauperada, refletindo-se na redução da produção em torno de 60%. A planta emite cachos pequenos, com maturação anormal da polpa e no odor. (MICHEREFF, S. J.)

No estádio anamórfico, o fungo forma estromas definidos em ambas as faces da folha. São mais abundantes na face inferior. Sobre os estromas, desenvolvem-se conidióforos, os quais são de coloração pálida ou pardo-olivácea, sem septos, retos ou ligeiramente recurvados, muitas vezes com formato de garrafa. Os conídios com 10 a 110 μm x 2 a 6 μm desenvolvem-se na extremidades dos conidióforos, isoladamente. São de tonalidade levemente parda, lisos, retos, recurvados ou ondulados. Variam de cilíndricos a cilíndricos-obclavulados, o que difere dos conídios do fungo Mycosphaerella fijiensis Morelet (estádio perfeito), denominado Pseudocercospora figiensis Morelet no seu estádio anamórfico, que causa a Sigatoka-negra, tendo seus conídios desenvolvidos à medida que o centro das lesões entram em colapso e os conidióforos, que varia sua coloração de pálida a olivácea, muitas vezes mais clara na extremidade, podendo ser retos ou recurvados medindo de 17 a 63 μm 4 a 7 μm e podem emergir isoladamente ou em pequenos grupos, através dos estômatos, ou podem formar feixes entre os estromas negros, os quais rompem a epiderme . Possuem, em média, três septos, podendo atingir até seis. (Leach, 1941)

Em todo o mundo, a bananeira apresenta-se como hospedeiro de espécies do gênero Pseudocercospora, como Pseudocercospora musae e Pseudocercospora fijiensis, podendo ocorrer no mundo, nos países da China, Taiwan, Indonésia, Tailãndia, Malásia, Flórida e Brasil. (Index Fungorum, 2010)

No Brasil, são registradas ocorrências do fungo em todos os estados brasileiros. (EMBRAPA Banco de Dados de Micologia, 2010)

Os conídios (anamorfo) sobrevivem de três a quatro semanas sobre as folhas e os ascósporos (teleomorfo) sobrevivem 8 semanas, portanto as duas fases do fungo participam do estabelecimento da doença. (Alves et al. 1997)

Os conídios estão presentes nas plantações comerciais e são as principais fontes de inoculo. A produção de conídios geralmente ocorre à noite, sendo necessários 10 a 12 horas de orvalho, mesmo na ausência de chuva, e temperatura acima de 22 °C. (Alves et al. 1997).

Os esporos podem ser disseminados pela água (conídios) e vento (ascósporos). (Alves et al. 1997).

A partir do estádio de mancha podem-se observar frutificações do fungo em forma de pontuações negras. Em estádios avançados da doença, principalmente em ataques severos, ocorre a coalescência das lesões e, conseqüentemente, uma grande área foliar é comprometida, caracterizando o efeito mais drástico, que é a morte prematura das folhas. Manchas oriundas de infecções por ascósporos apresentam predominância apical, enquanto aquelas originadas a partir de conídios apresentam distribuição casualizada, mas com predominância basal, sendo comum a formação de linhas de infecção sobre o limbo foliar. (Kimati et al. 2005)

Estádios de desenvolvimento da produção mitosporo em anteriores Pseudocercospora musae prazo próximo mandato foram examinados por microscopia de luz diferencial interferência contraste, microscopia eletrônica de varredura e microscopia eletrônica de transmissão.

Células Mitosporo endógena consistente originou-se diretamente as células estromática superiores. Organismos concêntricos foram encontrados em ambas as células estromática, mitosporo endógena.

A parede celular de células estromática, mitosporo células endógena, e mitospores, consistiu em duas camadas. Mitospore em gene foi encontrado para ser uma esquizofrênica secessão holoblásticos e mitospore lítico. Após a libertação, o ápice celular mitosporo endógeno e da base mitospore exibiu um septo meio consistindo de uma camada. Um esporo central, fechado por um organismo, foi observado no mitosporo endógena local. Células Mitosporo endógena proliferaram por maneira diferente.

As características morfológicas do ápice do mitosporo células endógeno e da base do mitosporo liberado em P. Musae pelo prazo anterior é de um valor fundamental na definição precisa de cicatrizes grossas como critérios importantes para a separação genérica na aglutinação Cercospora-like. ( GONZALEZ, M.S.; PONS, N.)


2. MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano.

Os propágulos do fungo foram retirados de folhas de Bananeira (Musa paradisíaca.) coletadas na cidade de Urutaí,GO. As folhas foram colocadas em uma caixa do tipo Gerbox e após incubação, levou-as para a visualização em microscópio estereoscópico com a finalidade de preparo de lâminas semi-permanentes.

Após a visualização dos propágulos devemos coletá-los da superfície foliar com o auxílio de uma pinça e colocá-los em uma lâmina contendo uma gota de fixador a base de azul de metileno, em seguida colocou-se uma lamínula sobre a lâmina. Retirou-se o excesso de corante com papel higiênico, logo após vedou-se com esmalte e levar o conjunto para visualização em microscópio ótico. No microscópio a primeira objetiva a ser usada deve ser a menor (4x), após a observação destes, aumentamos as objetivas para os aumentos de 10x e 40x, para se observar as estruturas fúngicas maiores.

Comparamos as estruturas observadas com estruturas descritas em literatura para identificar o gênero ao qual o fungo pertencia. Nesse trabalho o fungo identificado pertenceu ao gênero Pseudocercospora sp. Com base em literaturas especializadas o fungo foi identificado como sendo Pseudocercospora musae.

A lâmina foi vedada com esmalte, passando-o em volta da lamínula para que o fungo permaneça na mesma, para futuras analises.

Para esse trabalho foram realizadas microfotografias das estruturas fúngicas no microscópio ótico e das frutificações fúngicas na epiderme das folhas.

Na prancha de fotos foram usadas 6(seis) fotos desde a visão macro, à visão micro de algumas estruturas como, conídios, conidióforo, estromas etc, e também foi usado o software Power point para confecção da mesma.


3. RESULTADO E DISCUSSÃO

Figura 1. Aspectos morfológicos de Pseudocercospora musae.A. Esporodóquio, pontinhos pretos são estromas B. conidióforos ramificados, sendo produzidos em esporodóquio. C. Conídio em germinação ( bar = 2 µm), D. Conídio Curvado e multi-septado,(bar=1 µm) E.Conídio (bar=1,8 µm) F. Conídios afilados e longos, (bar = 2,5 µm) e (bar=2,3 µm)


Descrição micológica:

O gênero Pseudocercospora sp. apresenta conídios afilados, longos, multi-septados, com localização nas extremidades de conidióforos ramificados, sendo produzidos em esporodóquio. Os espermogônios desenvolvem-se, em quantidade elevada, nos tecidos lesados, em fase de degeneração. Surgem em ambas as faces da folha, porém são mais abundantes na epiderme inferior. São escuros ou pardo-escuros, semi-irrompentes através dos estômatos, obpiriformes, medindo de 30 a 50 μm em diâmetro. (Leach, 1941)

Inicialmente, a doença é caracterizada pela presença de pequenas estrias cloróticas com 2 a 4 mm de comprimento na terceira ou quarta folha a partir do centro. Com a evolução da doença, estas estrias transformam-se em manchas necróticas de forma elíptica, alongadas, com 10 a 12 mm no maior diâmetro e 3 a 4 mm no menor. As manchas, quando completamente desenvolvidas, apresentam o centro de cor cinza, mantendo nas bordas a coloração parda do tecido necrosado. Na parte cinza da mancha, aparecem frutificações do fungo agente causal, sob a forma de pontos pretos, visíveis a olho nu. Em folhas muito afetadas, ocorre coalescência das manchas, com consequente crestamento do limbo foliar, a partir das bordas da folha afetada. Como sintoma secundário, em conseqüência de ataques severos da doença, ocorre à produção de cachos pequenos com frutos que amadurecem precocemente. (MICHEREFF, S. J.)

Comparações entre a literatura citada e minhas medidas:

Literatura

Medidas do meu isolado



bar=2 µm

bar=1 µm

bar=2,5 µm

bar=1,8 µm

bar=4 µm

bar = 2 µm

bar=6 µm

bar=2,3 µm

bar=7 µm

bar = 2,5 µm



LITERATURA CITADA

Alves et al. 1997

EMBRAPA Banco de Dados de Micologia, 2010

GONZALEZ, M.S.; PONS, N. Características dos estágios de desenvolvimento na produção mitospora de Pseudocercospora musae, Disponivel em < http://www.sciencedirect.com/ > Acesso em: 11 de dez. 2010

KIRKET, et al. Index Fungorum,2010;

Kimati et al. 2005

Leach, 1941

MICHEREFF, S. J. Sigatoka-Amarela, Disponível em:

Acesso em:11 de dez. 2010.


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