terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DE Phomopsis sp.

Alicionon Oliveira Caetano

Acadêmico do curso de Agronomia


1. INTRODUÇÃO

O Phomopsis sp. tem como basiônimo, Phomopsis brassicae descrito por Toulose em (1884) e apresenta como sinonímias Zythia brassicae descrito por Abellini – 1884.

A forma anamórfica de Phomopsis sp. pertence ao Reino Fungi, divisão (informal) fungos mitospóricos, subdivisão (informal) Coelomycetes. A forma teleomórfica pertence ao Reino Fungi, divisão Ascomycota, subdivisão Sordariomycetes, Classe Sordariomycetidae, Ordem Diaporthales e Família incertae sedis. O gênero Phomopsis sp. possui 931 espécies, sendo 29 variedades e 16 formae speciales descritas em literatura (Index Fungorum 2010).

Espécies de Phomopsis sp. normalmente são encontradas com grande frequência em pecíolos secos de plantas que permanecem presos as árvores. Durante períodos de chuva os conídios são descarregados e depositados na superfície dos frutos. A doença é raramente vista em frutos verdes, sendo mais comumente observados em frutos totalmente maduros. Para seu crescimento, necessita de ferimentos, tais como pedúnculos quebrados, perfurações de insetos, e abrasões no epiderme foliar ou na superfície do fruto.

A área infectada pelo fungo, em condições de alta umidade, pode ficar coberta por micélio branco e cinza, além de encarquilhamento por onde o fungo se espalha. O tecido que fora infectado se torna mole e úmido, com sintomas de podridão, amolecimento e excreção de líquidos, sintomas similares ao Rhizopus sp.

A partir de amostras de frutos de bacurizeiro sintomáticos foi realizado o teste de patogenicidade, sendo verificado o aparecimento de sintomas e a formação de picnídios escuros com o ostíolo em forma de pêra, conidióforos simples, sem septos, com forma ovóide e unicelulares, características do fungo Phomopsis sp. inicialmente identificados (Barnett & Hunter, APS PRESS, 1988). Confirmando então que a podridão dos frutos do bacurizeiro é um fungo do gênero Phomopsis sp. (Dinaldo R. Trindade 2002).

O fungo Phomopsis sp. foi consistentemente isolado de plantas da espécie Aroeira (Myracrodruon urundeuva) causando sintomas causando sintomas queima das folhas. Testes de patogenicidade em casas de vegetação confirmaram Phomopsis sp. como agente etiológico da doença e 16 de outras 20 espécies vegetais, inoculadas em condições similares, também foram suscetíveis ao fungo (José R.N. dos Anjos 2001).

Em 1999, no Distrito Federal, foi feito uma análise em plantas de jatobá (Hymenaea stigonocarpa) em que foram observados lesões foliares na qual foi isolado o fungo Phomopsis sp. Foram inoculados em folhas sadias o fungo e colocou-as em condições naturais, com o mesmo controle. Em condições naturais, este é o primeiro relato do fungo em folhas de jatobá no Brasil. De 13 espécies vegetais testadas, 12 foram suscetíveis e apenas o maracujá-azedo (Passiflora edulis f. flavicarpa) não apresentou sintomas (Maria José d’ A Charchar 2003).

Espécies de Phomopsis sp. causam severas doenças na cultura da soja, influenciando na qualidade e na quantidade da produção de grãos (Morgan-Jones,1989; Ploper, 1989; Rupe, 1989), sendo que as mais importantes segundo Ploper (1989), são as que causam cancro da haste (P. phaseoli (Cke. & Ell.) Sacc. f.sp. meridionalis) e na seca da haste e da vagem (P.sojae Lehman).

O objetivo desse trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos de Phomopsis sp.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano campus Urutaí.

Os propágulos do fungo foram retirados de folhas de Azaléia (Rhododendron sp.). As folhas encontravam-se já desidratadas em uma caixa do tipo Gerbox, apanhou-se as folhas desidratadas da caixa e levou-as para a visualização em microscópio estereoscópico com a finalidade de se encontrar propágulos fúngicos.

Após a verificação dos propágulos fúngicos, foram então coletados com o auxilio de uma pinça e colocados em seguida em uma lâmina contendo uma gota de fixador fucsina, em seguida colocou-se a lamínula sobre a lâmina. Retirou-se o excesso do fixador, em seguida vedou-se a lamínula com esmalte. Então levou-se a lâmina pronta para ser observada em um microscópio ótico.

No microscópio ótico a primeira objetiva a ser usada deve ser a menor (4x), para que seja observados os propágulos depositados na lâmina, após serem observados, aumentou-se as objetivas para aumentos maiores (10x e 40x), para observar com maior detalhe as estruturas fúngicas.

Comparando estruturas observadas no microscópio com estruturas descritas em literaturas para identificar a qual gênero o fungo pertence. Nas observações e comparações, chegamos à conclusão que o fungo pertence ao gênero Phomopsis sp.

Foi realizado 50 medições dos conídios alfa e beta do fungo Phomopsis sp. através de um microscópio ótico, equipado com uma lente micrométrica, na qual colocava-se a estrutura observada o mais sobreposto à régua da lente e media-se o tamanho da estrutura. Então, os valores das medidas foram anotados, determinando assim a media da estrutura, o seu maior e seu menor valor.

Para esse trabalho foram feitas microfotografias das estruturas fúngicas e frutificações fúngicas na epiderme foliar, usados microscópio ótico e o microscópio estereoscópico, respectivamente, utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580.


3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Figura 1. Aspectos morfológicos de Phomopsis sp. A. lesão necrótica de centro páleo, B. picnídio produzindo expelindo massa de conídios, C. picnídios, D. conídios hialinos e esféricos, E. Conídios alfa (bar=22µm), F. conídios, G. Conídios (bar=6 µm).

4. Descrição micológica

O gênero Phomopsis sp. é caracterizado por apresentar queimaduras e manchas avermelhadas e ou amareladas na superfície do epitélio foliar (Fig. 1A e 1B). Apresentam picnídios escuros (Fig. 1C), ostiolado, imerso erupente, possui formado arredondado. Os conidióforos são agrupados, possuem corpo de frutificação, sendo assim protegidos, possuindo picnídio em formas arredondadas. Possuem conidióforos simples e unicelular (Fig. 1D), seus conidióforos são de dois tipos, ovóides fusóides (alfa) e conídios filiformes (Fig. 1E), curvados e ou dobrados (beta) (Fig. 1F). O gênero apresenta-se como parasita, causando manchas e queimaduras em inúmeras partes da planta. Estes elementos morfológicos se adequaram às informações descritas para o gênero por (Burnett e Hunter 1973) e (Menezes & Oliveira 1993).


5. LITERATURA CITADA

ANJOS, J.R. et. al Ocorrência de queima das folhas causada por Phomopsis sp. em aroeira no Distrito Federal. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-41582001000300012&script=sci_arttext> Acessado em Outubro de 2010.

BARNETT, HUNTER. Illustrated genera of imperfect fungi. Vol. I. APS Press. 1998. pp.164.

CHARCHAR, M. J. Infecção natural de jatobá por Phomopsis sp. no distrito federal. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-41582003000300016> Acessado em Outubro de 2010.

INDEX FUNGORUM. Disponível em: <http://www.indexfungorum.org/names/NamesRecord.asp?RecordID=118718> Acessado em Novembro de 2010.

NISHIJIMA, W. Wet fruit rot of papaya. Disponível em: <http://www.extento.hawaii.edu/kbase/crop/type/phomopsi.htm> Acessado em Outubro/Novembro 2010.

SEGALIN, M. (2007) Efeito da rotação de cultura sobre a emergência de plântulas, incidência de podridões radiculares e rendimento de grãos de soja. Universidade de Passo Fundo Minas Gerais. pp. 36 e 37.

TRINDADE, D.R et al. Phomopsis sp. causando podridão em frutos de bacurizeiro. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-41582002000400018> Acessado em Outubro de 2010.

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