segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Doenças da cultura do arroz (Oryza sativa)

Aluno: Wallisse Resende Ribeiro

1 INTRODUÇÃO
O arroz (constituído por sete espécies, Oryza barthii, Oryza glaberrima, Oryza latifolia, Oryza longistaminata, Oryza punctata, Oryza rufipogon e Oryza sativa) é uma planta da família das gramíneas que alimenta mais da metade da população humana do mundo. É a terceira maior cultura cerealífera do mundo, apenas ultrapassado pelo milho e trigo. É rico em hidratos de carbono.
Para poder ser cultivado com sucesso, o arroz necessita de água em abundância, para manter a temperatura ambiente dentro de intervalos adequados, e, nos sistemas tradicionais, de mão-de-obra intensiva. Desenvolve-se bem mesmo em terrenos muito inclinados e é costume, nos países do sudeste asiático, encontrarem-se socalcos onde é cultivado. Originário do Japão, onde é cultivado há pelo menos 7 mil anos, o arroz é presença marcante no cotidiano do povo asiático.
O arroz, em todas as fases de desenvolvimento, está sujeito ao ataque de doenças que reduzem a produtividade e qualidade de grãos. A prevalência e a severidade das doenças dependem da presença de patógeno virulento, de ambiente favorável á incidência e da suscetibilidade da cultivar.
Mais de 80 doenças causadas por patógenos, inclusive fungos, bactérias, vírus e nematóides, em diferentes paises, estão registrados. No Brasil, o numero exato de doenças de arroz, ate agora, não esta bem definido e algumas delas, que ocorrem em menor escala não tem sua ocorrência relatada.
Neste trabalho serão apresentadas as doenças mais comuns e economicamente importantes no Brasil.





2 DESENVOLVIMENTO

2.1 DOENCAS DO FÚNGICAS
2.1.1 BRUSONE - Magnaporthe grisea (Pyricularia grisea = P. oryzae)

A brusone é considerada a doenca mais importante do arroz no Brasil e em diversas partes do mundo. Os primeiros registros sobre sua ocorrência foram feitos na China e no Japão em 1637, sendo a doença inicialmente chamada de febre do arroz. A denominação brusone e adaptada do termo italiano “bruzone”. Na Europa, a doença e conhecida de longa data, tendo sido relatada na Itália em 1828. Em Inglês e chamada de “Rice blast”, em razão da queima das folhas quando ocorre de modo severo. A primeira constatação da brusone no Brasil foi feita por Averna-Sacca em 1912 no Estado de São Paulo. A sua distribuição no território brasileiro e bastante ampla, sendo encontrada desde o Rio Grande do Sul ate o Amazonas. Os danos são variáveis em função da variedade e dos fatores climáticos prevalecentes nas áreas de cultivo, sendo maiores nos plantios de terras altas, no Centro-Oeste e Norte, do que em cultivos irrigados feitos nas regiões subtropicais localizadas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nas condições irrigadas em regiões tropicais, como no Estado do Tocantins, que cultiva anualmente cerca de 50 a 70 mil hectares, os danos são significativos e a brusone se constitui em um dos fatores limitantes para a alta produtividade. A brusone, quando ocorre nas folhas durante a fase vegetativa, causa redução na altura de plantas, no numero de perfilhos, no numero de grãos por panícula, na massa de grãos e no índice de colheita. No Brasil, sob infecção natural, estimativas de danos em quatro variedades de terras altas (Bonança, Canastra, Caiapó e Primavera) revelaram redução de 60% na produtividade, considerando severidade de 34% de brusone nas folhas e 50% nas panículas. (kimati, 2005, p.79)
SINTOMAS – A brusone pode ocorrer em todas as partes aéreas da planta, desde os estágios iniciais de desenvolvimento ate a fase final de produção de grãos. Nas folhas, os sintomas típicos iniciam-se por pequenos pontos de coloração castanha, que evoluem para manchas elípticas, com extremidades agudas, as quais, quando isoladas e completamente desenvolvidas, variam de 1-2 cm de comprimento por 0,3-0,5 cm de largura. Estas manchas crescem no sentido das nervuras, apresentando um centro cinza e bordos marrom-avermelhados, as vezes circundadas por um halo amarelado. O centro e constituído por tecido necrosado sobre o qual são encontradas as estruturas reprodutivas do patógeno A dimensão do bordo esta diretamente relacionada com a existência da variedade e com as condições climáticas, sendo estreita ou inexistente em variedades muito suscetíveis. As manchas individualizadas podem coalescer e tomar áreas significativas do limbo foliar; neste caso, aparecem grandes lesões necróticas, que se estendem no sentido das nervuras. A redução da área foliar fotossintetizante tem um reflexo direto sobre a produção de grãos. Quando a doença ocorre severamente nos estádios iniciais de desenvolvimento da planta, o impacto e tão grande que a queima das folhas acaba por levar a planta a morte. (kimati, 2005, p.79)
Nos colmos, mais precisamente na região dos entre-nos, os sintomas evidenciam-se na forma de manchas elípticas escuras, com centro cinza e bordos marrom-avermelhados. As manchas crescem no sentido do comprimento do colmo, podendo atingir grandes proporções. Esporos do patógeno podem estar presentes sobre o tecido necrosado das lesões. (kimati, 2005, p.79)
Os sintomas característicos nos nós são lesões de cor marrom, que podem atingir as regiões do colmo próximas aos nos atacados. As lesões provocam ruptura do tecido da região modal, causando a morte das partes situadas acima deste ponto e a quebra do colmo, que, no entanto, permanece ligado a planta. (kimati, 2005, p.79)
Nas panículas, a doença pode atingir a ranque, as ramificações e o nó basal. As manchas encontradas na ranque e nas ramificações são marrons e normalmente não apresentam forma definida; os grãos originados destas ramificações são chochos. A infecção do nó da base da panícula é conhecida como brusone do pescoço e tem um papel relevante na produção. O sintoma se expressa na forma de uma lesão marrom que circunda a região nodal, provocando um estrangulamento desta. Quando as panículas são atacadas imediatamente após a emissão ate a fase de aparecimento de grãos leitosos, a doença pode provocar o chochatamento total das espiguetas; as panículas se apresentam esbranquiçadas e eriçadas, sendo facilmente identificadas no campo. Quando as panículas são infectadas mais tardiamente, ocorre redução no peso dos grãos ou a quebra da panícula na região afetada, caracterizando o sintoma conhecido por “pescoço quebrado”. (kimati, 2005, p.79)
As espiguetas, quando atacadas, apresentam manchas marrons do tamanho da cabeça de alfinete localizadas nas glumas e glumelas, as quais são facilmente confundidas com manchas causadas por outros fungos. Alem da infecção externa, o patógeno pode ser encontrado no endosperma. No entanto, a presença de micélio não tem sido detectada no embrião. O patógeno pode ser transmitido internamente a semente e causa sintomas nas plântulas. (kimati, 2005, p.80)
ETIOLOGIA – O agente causal da brusone é o fungo Magnaporthe grisea, que corresponde ao estádio anamórfico Pyricularia grisea (=P. oryzae). Originalmente P.oryzae foi descrito na Itália como nova espécie por Cavara em 1891. Na literatura mais antiga, o fungo encontrado no arroz era referido como P. oryzae e aquele que afetava outras gramíneas como P. grisea. As 30 especies de Pyricularia descritas apresentam pequenas variações quanto as dimensões de conídios. Na opinião da maioria dos autores, porem, não existe uma base morfológica para separar P. oryzae de P. grisea. Ambas possuem o mesmo estagio perfeito, M.grisea. Como os dois gêneros são sinônimos e como, pela regra de nomenclatura, o nome mais antigo deve prevalecer, o nome correto do anamorfo é P. grisea. Alguns pesquisadores ainda preferem utilizar o nome do estádio perfeito, M. grisea, para todos os isolados de Pyricularia que afetam gramíneas em geral ou o arroz em particular. O genoma de isolados patogênicos ao arroz possui de 40 a 50 sequências repetitivas de DNA e os isolados patogênicos as outras gramíneas possuem uma ou poucas sequências repetitivas. A analise molecular fornece base genética para diferenciação destas duas espécies, no entanto, morfologicamente, não são distinguíveis. (kimati, 2005, p.80)
Alguns fatores do ambiente podem influenciar o desenvolvimento do fungo. O crescimento pode ocorrer, em meio de cultura, em temperaturas pode ocorrer, em meio de cultura, em temperaturas variáveis de 8°C a 37°C, sendo 28°C a temperatura mais favorável. A faixa ótima para esporulação esta em torno de 28°C, embora possa ocorrer esporulação desde 10°C ate 35°C. A liberação de esporos não é muito influenciada pela temperatura e normalmente ocorre na faixa de 15°C a 35°C. Em relação a germinação, temperaturas compreendidas entre 25°C a 28°C favorecem o processo. Quanto a umidade, a produção de conídios sobre as lesões tem inicio quando a umidade relativa atinge no mínimo 93%. Para a germinação, há necessidade de água livre, pois raramente o esporo germina sob condições de ar saturado. A luz também pode ter influencia sobre o micélio e os esporos. Embora o crescimento do micélio, a germinação de conídios e a elongação do tubo germinativo sejam processos inibidos pela luz, a alternância desta tem um papel importante sobre a produção de esporos. Estes começam a ser liberados tão logo escureça, alcançam um Máximo em poucas horas e praticamente cessam na alvorada; sob condições de luz ou escuro continuo a esporulação cai a níveis muito baixos, voltando a aumentar quando os períodos de luz e escuro novamente voltarem a se alternar. (kimati, 2005, p.80)
O fungo apresenta uma variabilidade muito grande em relação as características culturais, exigências nutricionais e patogenicidade. Uma serie de trabalhos tem demonstrado a ocorrência de variabilidade mesmo dentro de isolados monospóricos. Varias raças patogênicas tem sido identificadas através de reações de variedades de arroz inoculadas com isolados monospóricos. A ocorrência do estagio perfeito na natureza ainda não foi registrada. A maioria dos isolados, no campo, não é fértil. A alta variabilidade tem sido atribuída as mutações genéticas; porem, a frequência é sempre maior que a taxa esperada para mutações. Diversos outros mecanismos, como heterocariose, recombinação parassexual e anormalidades em cromossomos, são considerados responsáveis pela alta variabilidade do fungo. (kimati, 2005, p.81)
O patógeno pode sobreviver, na folha de micélio ou conídio, em restos de cultura, sementes e plantas de arroz permanecem no campo. A semente infectada constitui uma das fontes primarias de inoculo. As sementes, mesmo infectadas, não chegam a provocar epidemia em plantios bem conduzidos, onde a uniformidade de semeadura é mantida. A disseminação dos conídios ocorre principalmente através do vento. Lavouras vizinhas ou distantes e aquelas implantadas mais cedo podem produzir considerável carga de esporos, constituindo-se em importantes fontes de inoculo. (kimati, 2005, p.81)
Os fatores climáticos mais importantes são o molhamento das folhas pelas chuvas ou pela deposição de orvalho. No Brasil Central, alta severidade de brusone é favorecida por oscilações da temperatura entre o dia e a noite, resultando em períodos prolongados de orvalho. A temperatura ideal para o rápido desenvolvimento da brusone varia entre 20 e 25°C. O desenvolvimento da infecção é acelerado quando a umidade relativa do ar for superior a 93%. Um alto índice de produção de esporos ocorre de 3 a 8 dias após o aparecimento da lesão. A esporulação em uma lesão pode continuar por mais de 20 dias. As chuvas lavam os esporos das plantas reduzindo assim a quantidade de inoculo. Também a disseminação de esporos é menor em dias chuvosos, tanto que a incidência da brusone em arroz de terras altas nos anos chuvosos tem sido menor do que em anos com deficiência hídrica. (kimati, 2005, p.81)
A maior susceptibilidade das folhas ocorre na fase vegetativa. O aumento da resistência é observado com a idade da planta a partir dos 55 a 60 dias, resultando na redução da severidade da brusone nas três folhas superiores. Durante o enchimento de grãos, a fase entre grão leitoso e pastoso (10 a 20 dias após a emissão das panículas) é a fase mais suscetível a brusone. A ocorrência de chuvas durante o enchimento de grãos também reduz a severidade da brusone nas panículas. Em geral, a incidência da brusone nas panículas é menor em campos irrigados por aspersão do que naqueles sujeitos a deficiência hídrica. (kimati, 2005, p.81)
A baixa umidade do solo aumenta a suscetibilidade do arroz a brusone devido ao aumento do N solúvel dentro do tecido da planta e a menor absorção de acido sílico A incidência da brusone nas folhas aumenta o efeito da seca, resultando em morte rápida das folhas. As variedades moderadamente resistentes a brusone são menos afetadas pela deficiência hídrica. A suscetibilidade de plantas a brusone das panículas aumenta sob condições de estresse hídrico devido ao acumulo de nutrientes nas ramificações das panículas, em arroz de terras altas. (kimati, 2005, p.81)
O desequilíbrio nutricional aumenta a severidade da brusone nas folhas e panículas, principalmente do nitrogênio em doses excessivas. Também a aplicação de nitrogênio no sulco, na ocasião de plantio, aumenta significativamente a severidade da brusone quando comparada com a aplicação parcelada desse elemento. A influencia do nitrogênio é maior em solos arenosos, de baixa capacidade de retenção, do que em solos argilosos. O grau de suscetibilidade da planta a brusone aumenta quando o nitrogênio é usado na forma de NO-3, em comparação com NH+4. Altas doses de nitrogênio diminuem o conteúdo de sílica na parede celular. O conteúdo de silício no tecido oferece resistência mecânica à penetração do fungo através da silicificação das células da epiderme. A aplicação de quantidades elevadas de nitrogênio causa redução de fungitoxicidade de compostos fenólicos envolvidos em diversos mecanismos de resistência das plantas. O potássio diminui a incidência de brusone em solos deficientes deste elemento e tem pouco efeito na incidência da doença quando em níveis adequados ou excessivos para o crescimento da planta. (kimati, 2005, p.81)
O gênero Pyricularia grisea não possui espécies relatadas até o momento, segundo o Index fungorum (2010).
EPIDEMIOLOGIA – A fase perfeita pertence a classe Ascomycetes, ordem Diaporthales e família Physosporelleaceae, não tendo sendo, ainda, encontrada na natureza. O fungo é perpetuado através da formação de esporos assexuais ou conídios. (kimati, 2005, p.80)
Os conídios são piriformes, obclavados, com base circular e ápice fino, levemente escuros ou hialinos, com pequeno hilo na base, medem 17-23 um por 8-11 um ligam-se ao conidióforo pelo seu do mais dilatado. Normalmente, são encontrados dois septos por esporo, sendo a presença de um ou três septos raramente observada. Os conidióforos são longos, septados, simples ou em pequenos feixes, raramente ramificados, simpodiais, geniculados com a parte basal mais larga do conidióforo, cor marrom-pálido e emergentes através de estômatos. (kimati, 2005, p.8o)
O conídio geralmente germina a partir da célula apical ou basal, sendo a germinação da célula central pouco freqüente. Os conídios aderem a superfície da folha antes da emissão de tubo germinativo. Durante o amadurecimento, o conídio aumenta de tamanho e libera ma gota de mucilagem, estando ainda ligado ao conidióforo. A função da mucilagem é permitir a aderência do conídio a qualquer superfície. A germinação tem inicio na presença de água, após 30 a 90 minutos, sendo o apressório formado na extremidade do tubo germinativo. A hidrofobicidade da superfície da planta é a principal condição exigida para a formação de estruturas de infecção no apressório, através da forca mecânica e da atividade enzimática. A camada de melanina da parede celular do apressório, é considerada essencial para o processo de penetração mecânica durante a patogênese. O crescimento subseqüente da hifa dentro da célula resulta em desenvolvimento da lesão. A colonização dos tecidos é facilitada por toxinas, que provocam a morte de células, e por hifas, que se desenvolvem no tecido morto. Os conídios são liberados e dispersos pelo vento, fornecem o inoculo para um ciclo subseqüente de infecção. As colônias são muito variáveis quanto a densidade e a cor do micélio, sendo encontradas desde colônias ralas ate cotonosas de desde colônias esbranquiçadas ate acinzentadas escuras, em função do meio de cultura e do isolado do fungo. (kimati, 2005, p.80)
Em território brasileiro observou-se cientificamente o patógeno associado à cultura do arroz (Oryza sativa) nos estados de SP, CO, MA, RS, GO, RO, AM, MG, PR, DF, PB, AL, TO, MS, BA, PE, ES, CE, MT e RN (Cenargem, 2010).

CONTROLE – Os prejuízos causados pela brusone em arroz podem ser reduzidos significativamente através do uso de variedades resistentes ou moderadamente resistentes, de praticas culturais e do uso de fungicidas no tratamento de sementes e da parte aérea. (kimati, 2005, p.81)
As variedades plantadas no sistema de sequeiro são, de maneira geral, mais suscetíveis do que aquelas cultivadas no sistema irrigado. Em razão da alta variabilidade do patógeno, a resistência vertical tem sido constantemente quebrada, sendo mais apropriado buscar variedades com alto grau de resistência horizontal, principalmente em arroz irrigado. (kimati, 2005, p.82)
No sistema irrigado, a manutenção de lamina de água uniforme sobre o solo durante todo o ciclo da cultura e a utilização de variedades com bom nível de resistência podem contribuir para minimizar o uso de defensivos e diminuir os riscos da doença. A falta de água na fase vegetativa resulta em alta severidade da brusone, causando ate a morte das folhas e perfilhos secundários. Neste caso, a inundação da lavoura por 48 a 72 horas, seguida por drenagem e manutenção da lamina de água com profundidade adequada durante o resto do ciclo contribuem para o controle da doença e conseqüente recuperação e desenvolvimento das plantas. (kimati, 2005, p.82)
No sistema de sequeiro é comum a deficiência hídrica provocar um aumento no grau de suscetibilidade das variedades. A incidência de brusone em arroz de sequeiro, em anos chuvosos, tem sido menor que em e, em dias chuvosos, a disseminação de esporos é menor. (kimati, 2005, p.82)
Em relação a instalação da cultura de arroz de terras altas, o preparo do solo, com aração profunda, permite o enraizamento da planta em camadas mais profundas e reduz a severidade da brusone pela diminuição do efeito de estresse hídrico. Uniformidade de plantio com semeadura feita a 2cm de profundidade é importante para evitar focos de infecção através da transmissão do fungo por sementes infectadas.
Em plantios seguidos por período chuvoso, as sementes caídas na superfície do solo constituem foco de infecção para a disseminação secundaria. Para prevenir a disseminação do patógeno de um plantio para subseqüente, na mesma área, é recomendado que o plantio seja completado dentro de um período mínimo de tempo e iniciado no sentido contrario a direção predominante do vento; que barreiras de mata sejam mantidas dentro da área de plantio; que plantas de arroz remanescentes do plantio anterior sejam eliminadas. Estes cuidados visam reduzir a disseminação do patógeno na cultura.
A utilização de nitrogênio em excesso aumenta a suscetibilidade ao patógeno nas folhas e nas panículas; por outro lado, sua deficiência pode predispor as plantas a doença, assim como todas as praticas aumentam os efeitos da deficiência hídrica, como a maior densidade de plantas e o menor espaçamento entre linhas. O uso de espaçamento e densidade adequados a duração do ciclo das variedades contribui para o controle, pois promove o arejamento das plantas, impedindo a formação de microclima favorável a doença, alem de evitar a competição por água e favorecer a infecção dos grãos por fungos saprófitas ou parasitas. Recomenda-se que os grãos sejam colhidos com 22% de umidade ou quando a panícula apresentar 2/3 dos grãos maduros. (kimati, 2005, p.82)
O controle da brusone, tanto no sistema irrigado como no sistema de sequeiro, envolve também o emprego de produtos químicos aplicados como tratamento de sementes e pulverização da parte aérea. A utilização de sementes sadias é desejável para evitar a introdução de novos patótipos em novas aéreas de plantio. O tratamento de sementes com fungicidas sistêmicos como carboxin+thiram, pyroquilon e thiabendazole pode dar proteção efetiva na fase vegetativa contra a infecção primaria oriunda de inoculo proveniente de lavouras vizinhas ou de plantios anteriores na mesma área. O efeito residual varia entre os fungicidas. A pulverização com fungicidas não é recomendada na fase vegetativa. A planta é mais suscetível a brusone entre 30 e 60 dias após a semeadura. Após esse período, as folhas adquirem resistência e a brusone não causa danos significativos. (Kimati, 2005, p.82)
A proteção contra a brusone nas panículas é mais importante nas variedades suscetíveis ou moderadamente suscetíveis. Vários produtos tem sido utilizados. Sugere-se o uso de fungicidas com atividade sistêmica, como benomyl, triciclozole, thiabendazole, kasugamicina, IBP, tubeconazole e edifenfos. A escolha dos mesmos pode ser feita de acordo com a eficiência do fungicida, sua disponibilidade no mercado e economicidade. A viabilidade econômica, o numero e a época das aplicações dependem do grau de suscetibilidade da variedade, das condições climáticas e das praticas culturais adotadas. (kimati, 2005, p.82)

2.1.2 MANCHA PARDA – Cochiobolus miyabeanus (Bipolaris oryzae). Sinonimia: Helminthosporium oryzae e Dreschlera oryzae

A mancha parda esta amplamente distribuída nas regiões orizícolas do mundo, sendo particularmente importante nas regiões tropicais. Em termos de danos, a doença carrega o estigma de ter causado a famosa fome de bengala, em 1942. Embora essa doença tenha evidenciado seu potencial destrutivo naquela ocasião, seus danos, normalmente, não são tão drásticos. Apesar disto, chegaram a ser significativo em função na suscetibilidade da variedade e da ocorrência de condições ambientais favoráveis. A importância da mancha parda tem sido subestimada pelo f ato de ser frequentemente confundida com a brusone. (kimati, 2005, p.82)
Os danos associados a doença são decorrentes da infecção dos grãos, da redução da germinação das sementes, da morte das plântulas originadas das sementes infectadas e da distribuição de área foliar. As perdas de produção em termos mundiais são muito variáveis. Redução da ordem de 30% já foi relatada para ensaios conduzidos por seis variedades no norte do Brasil. A mancha parda normalmente ocorre tanto em culturas instaladas sob condições irrigadas como de sequeiro. As sementes infectadas apresentam redução significativa na germinação e a ocorrência do fungo nos grãos resulta em queda acentuada no rendimento do engenho. (kimati, 2005, p.83)
SINTOMAS – Os sintomas são mais freqüentes encontrados nas folhas e nos grãos, embora possam ser observados também no coleóptilo, nas ramificações da panícula e na bainha. As manchas foleares típicas são ovaladas, de coloração marrom e avermelhada e normalmente apresenta um centro cinza, onde podem ser encontradas as estruturas reprodutivas dos patógeno As manchas ocorrem geralmente de forma isolada, porem podem coalescer e tomar considerável a área da folha. Lesões atípicas, observadas em algumas variedades que possuem o pigmento antocianina, apresenta coloração púrpura, formato alongado e são restritos entre as nervuras. As lesões nas bainhas são semelhantes as lesões típicas das folhas. (kimati, 2005, p.83)
Nos grãos, as manchas são de cor marrom escuro ou marrom avermelhado. Em ataques severos, as manchas podem cobrir parcial ou totalmente as superfícies dos grãos; como conseqüência, ocorre chochamento, redução de peso e gessamento. Em grãos severamente atacados, a redução das glumas permite observar o escurecimento do endosperma causado pelo fungo. O gessamento provoca quebra dos grãos durante o beneficiamento, diminuindo o rendimento em termos de grãos inteiros. (kimati, 2005, p.83)
Os coleóptilos originados de semente infectadas podem apresentar pequenas manchas de coloração marrom avermelhado e podem, inclusive, morrer. (kimati, 2005, p.83)
ETIOLOGIA – O fungo Bipolaris oryzae é classificado na classe Hyphomycetes e família Dematiaceae. A fase perfeita corresponde a Cochiobolus miyabeanus, na qual são produzidos peritécios globosos, ascos cilíndricos e ascósporos filamentosos. A forma perfeita ainda não foi constatada no Brasil. (kimati, 2005, p.83)
O desenvolvimento do fungo é influenciado por uma serie de fatores ambientais como temperatura, umidade, luz, pH e fatores nutricionais. Em relação a temperatura a faixa ótima para o crescimento micelial esta em torno de 28°C, enquanto a germinação é favorecida por 25-30°C e a produção de conídios ocorre desde 5°C ate 35-38°C. O patógeno apresenta uma variabilidade muito grande quanto a morfologia, produção de esporos, características culturais e patogenicidade. Isolados obtidos a partir de esporos produzidos numa mesma cultura, ou isolados provenientes de células apicais de hifas, podem mostrar variabilidade patogenicidade marcante; apesar disto, não há consenso entre os pesquisadores em relação a existência de raças do patógeno A esporulação também é variável, podendo ser estimulada ou inibida pela ausência, presença ou alternância de luz, dependendo do isolado considerado. (kimati, 2005, p.83)
A sobrevivência ocorre geralmente em restos de cultura, sementes infectadas ou plantas de arroz e hospedeiros alternativos. O fungo sobrevive nas sementes infectadas de um a quatro anos, dependendo das condições de armazenamento, normalmente, o inoculo primário esta presente na semente ou no solo, sendo o inoculo secundário disseminado pelo vento e pela chuva a partir de plantas infectadas. A infecção é favorecida pela presença de água livre na superfície foliar, porem umidade relativa de 89% já é suficiente para que o processo ocorra. O tubo germinativo forma um apressório, através do qual a hifa penetra diretamente a epiderme e a colonização de desenvolve com a produção de toxinas que matam a célula do hospedeiro. Os sintomas foliares aparecem na forma de manchas e os conídios formados sobre o tecido necrosado passam a ser novamente disseminados pelo vento e pelos respingos de chuva. (kimati, 2005, p.83)
A infecção primaria pela semente é muito comum, embora nem sempre sementes infectadas resultem em plântulas com sintomas. Os coleóptilos e as raízes podem ser infectados, mas as lesões não se desenvolvem rapidamente nas plântulas em condições de campo. Os restos culturais constituem outra fonte importante de inoculo. No entanto, o solo oferece condições favoráveis à sobrevivência do patógeno (kimati, 2005, p.84)
O principal fator que influencia a incidência da mancha-parda no cultivo irrigado é a baixa fertilidade do solo, especialmente em potássio, manganês, magnésio, silício, ferro e calcio. As plantas tornam-se mais sensíveis à B. Oryzae tanto em níveis de nitrogênio muito altos como muito baixos. (kimati, 2005, p.84)
A temperatura ótima para infecção varia entre 20°C e 30°C. A suscetibilidade do arroz à mancha-parda aumenta com a idade da planta. As espiguetas são mais suscetíveis à infecção a partir da floraçao ate a fase leitosa. O estresse de agua aumenta a suscetibilidade, tanto que a planta se torna mais suscetível à doença nos cultivos em várzea úmida ou solo em condições de falta de agua, em arroz irrigado. (kimati, 2005, p.84)
O gênero Cochiobolus miyabeanus não possui espécies relatadas até o momento, segundo o Index fungorum (2010).

EPIDEMIOLOGIA – As hifas são de coloração escura, normalmente marrom. Os conidióforos originam-se como ramificações laterais das hifas. As colonias são geralmente pretas ou acinzentadas, apresentando, porem densidade e cor bastante diversificada em função isolado, meio de cultura e condições de incubação. É comum o aparecimento de setores brancos nas colonias. (kimati, 2005, p.83)
Os conídios são levemente curvos, mais largos no centro e gradativamente mais finos em direção às extremidades, onde a largura corresponde a aproximadamente metade da região central. Quando maduros, possuem coloração marrom e frequentemente germinam através das celulas apical e basal. Os tubos germinativos originários destas celulas formam apressório O numero de núcleos presentes em cada celula do conídio pode variar de 1-14, sendo mais comumente encontradas celulas binucleadas. (kimati, 2005, p.83)
Em território brasileiro observou-se cientificamente o patógeno associado à cultura do arroz (Oryza sativa) nos estados de GO, SP, MG, DF, MS, MT, RS, BA, TO, ES, PA, MA, RS, RR, SC, AL e AC (Cenargem, 2010).

CONTROLE – A mancha parda tem sido relatada em áreas onde algum fator do ambiente desfavorece a planta, tornado-a predisposta à doença. Em outras palavras, a doença não é problema em culturas instaladas em solos de boa fertilidade e que recebem bom suprimento de agua. No Brasil, onde metade da produção de arroz é proveniente do sistema de sequeiro, a doença deve merecer atenção especial, visto que as áreas de arroz de sequeiro são normalmente de solo pobre e sujeitas a períodos de deficiência hídrica. Isto é particularmente verdadeiro para as áreas de cerrado, nas quais esta concentrada a grande maioria das lavouras de arroz de sequeiro. As culturas implantadas no sistema irrigado, na região Sul do pais, também estão sujeitas a danos provocados pela doença, apesar das boas condições do solo e da disponibilidade de agua. Neste caso, a doença tem sido favorecida pelo plantio de variedades suscetíveis e pela maior frequência de plantio. (kimati, 2005, p.84)
Variedade com elevado grau de resistência ainda não estão disponíveis. Há, porem, indicações de materiais razoavelmente resistentes, mesmo para as condições brasileiras. Na verdade, programas específicos de melhoramento visando a obtenção de variedades resistentes são praticamente inexistentes nas nossas condições; o que existe é a avaliação da reação à mancha parda em variedades ou linhagens produzidas em programas de melhoramento dirigidos para resistência à brusone. (kimati, 2005, p.84)
Alem do emprego de variedades com certo grau de resistência, é recomendável a utilização de lotes de sementes sadias ou de sementes tratadas, visando reduzir o inoculo inicial. Os fungicidas carboxin-thiram, quintozene e thiram podem ser utilizados para o tratamento de sementes. O uso de adubação adequada e a manutenção de um bom manejo de agua podem contribuir para minimizar os efeitos da doença. Praticas como rotação de cultura e eliminação de gramíneas das proximidades da área cultivada com arroz podem desfavorecer a sobrevivência do fungo. A utilização de pulverização com produtos químicos é uma opção de controle que deve ser analisada com cuidado, principalmente para cultivos de sequeiros, em função do baixo rendimento da cultura. Se esse tipo de medida for adotado, deve ser lembrado que as fases iniciais do ciclo da planta são as mais criticas e, portanto, a folha bandeira e os grãos devem ser convenientemente protegidos. Alguns fungicidas como mancone, chlorothalonil+tiofanato metilico, fentin acetate, fentin hidroxide, tebuconazole, defeneconazole e azoxistrobine podem ser empregados para o controle preventivo da doença. (kimati, 2005, p.84)

2.1.3 ESCALDADURA – Monographella albescens (Gerlachia oryzae)

O primeiro relato sobre a escaldadura em arroz foi feito no Japão em 1955, embora a doença já fosse conhecida anteriormente por outros nomes. Sua ocorrência é bastante generalizada, tendo sido identificada em diferentes partes do mundo onde o arroz é cultivado. A doença pode provocar perdas consideráveis em vários países da América Latina, inclusive no Brasil.
A escaldadura já foi constatada em praticamente todo o território brasileiro, sendo considerada particularmente importante na região Norte. Na região Centro-Oeste tem sido observado um crescimento significativo da doença. Tanto as culturas instaladas em condições irrigadas quanto as de sequeiro estão sujeitas as ataque do patógeno Na cultura de sequeiro, a ocorrência de chuvas continuas e de longos períodos de orvalho são fatores extremamente favoráveis ao seu desenvolvimento. Em função da prevalência destes fatores nas regiões tropicais, a escaldadura assume um papel relevante nestas regiões (kimati, 2005, p.84)
SINTOMAS – A doença ocorre predominantemente nas folhas, podendo, no entanto, ser observada também na bainha, partes da panícula e grãos Os sintomas típicos das folhas iniciam-se pelo ápice e/ou pelas margens, na forma de manchas de coloração verde-oliva opaca que constata com o verde das áreas não atacadas. Os bordos das manchas não são bem definidos e apresentam-se com aspecto de encharcamento. Posteriormente, nas áreas atacadas exibem uma sucessão de faixas concêntricas, onde pode ser observada uma alternância de faixas marrom-claro e faixas marrom-escuro. Os bordos com aspecto de encharcamento precedem as faixas de com marrom à medida que a doença progride para áreas sadias da folha. Nos bordos de uma mancha jovem com tecidos encharcados é comum a presença de massas esbranquiçadas contendo conídios do patógeno Alem de tipicas manchas em faixas, um outro tipo de sintoma pode aparecer nas folhas na forma de pequenas manchas de coloração marrom, sem formas definidas, que se distribuem por toda a superfície foliar. (kimati, 2005, p.84)
ETIOLOGIA – O agente causal da escaldadura, tanto na sua fase imperfeita como perfeita, foi reclassificado no inicio da década de 80. atualmente, Gerlachia oryzae é o nome que o fungo recebe na faze imperfeita. A fase perfeita corresponde as ascomiceto Monographella albescens. Alguns relatos da literatura anteriores a esta data trazem a denominação de Rhynchosporium oryzae para o estadio conidial e de Mestasphaeria albescens para o estadio ascogeno. (kimati, 2005, p.85)
Escaldadura é mais comum em terras altas nos primeiros anos de plantio apos o desmatamento e nos plantios de arroz em rotação com soja. Em arroz irrigado nas condições tropicais ela é endêmica e favorecida por chuvas continuas entre as fases de perfilhamento máximo e final de emborrachamento. As principais fontes de inoculo primário são as sementes infectadas, os restos de cultura e as plantas voluntarias. O vento é responsável pela disseminação dos conídios a longas distancias. (kimati, 2005, p.85)
O patógeno sobrevive em sementes, restos culturais e hospedeiros alternativos. O desenvolvimento do fungo é favorecido por temperaturas compreendidas entre 20° e 30°C. A germinação do conídio exige a presença de um filme de agua na superfície da folha e origina um tubo germinativo que se desenvolve formando estruturas de vários tamanhos, semelhantes a apressórios. A penetração ocorre através dos estômatos. As hifas desenvolvem-se no mesofilo foliar e emergem pelos estômatos, produzindo massas de esporos que podem ser disseminados através da agua e do vento. (kimati, 2005, p.85)

EPIDEMIOLOGIA – Os conídios são curvos, unicelulares quando jovens e bicelulados quando maduros, hialinos, não-pedicelados e arredondados em ambas as extremidades; raramente apresentam 2 ou 3 septos. A colonias jovens apresentam aspecto cotonoso branco, e, posteriormente, passam a apresentar coloração creme e massas rosadas nas quais os conídios são produzidos. (kimati, 2005, p.85)
Os ascóporos são originários de peritécios esféricos de coloração marrom escura, sendo os ascos cilíndricos, levemente curvos e produzem 8 esporos. Estes apresentam formato elíptico, são hialinos, normalmente com 3 septos. (kimati, 2005, p.85)
Em território brasileiro observou-se cientificamente o patógeno associado à cultura do arroz (Oryza sativa) nos estados de AM, Ne, SP, GO, AL, BA, RS, TO, PE, DF, AC, AP, MA, PA, RO, RR, MG, MT, SC, e CO. (Cenargem, 2010).

CONTROLE – Tem sido relatado que a alta densidade de plantas e o menor espaçamento entre linhas aumentam a intensidade da doença. A utilização de nitrogênio em excesso também favorece o rápido desenvolvimento das manchas. Assim, recomenda-se que sejam observados espaçamento e densidade adequados quanto da instalação da cultura, bem como o uso de adubação balanceada, principalmente em relação ao elemento nitrogênio (kimati, 2005, p.85)
Quanto ao emprego de variedades resistentes no controle da doença, pouca informação existe. Algumas variedades testadas com inoculação artificial mostraram variações quanto ao grau de resistência, demonstrando ser possível utilizar estes materiais em programas de melhoramento ou mesmo usa-los diretamente. (kimati, 2005, p.85)

2.1.4 MANCHA ESTREITA – Sphaerulina oryzina (Cercospora oryzae)

A ocorrência de Cercospora oryzae em plantas de arroz foi relatada pela primeira vez, em 1910, no Japão Atualmente, a doença já foi registrada em todo o mundo, exceto no continente europeu. Mesmo existindo relatos de perdas em algumas regiões do mundo, acredita-se que nas condições brasileiras a doença tenha pouca importância A mancha estreita geralmente ocorre na fase final do ciclo da planta e normalmente passa desapercebida na cultura. Quando a doença se manifesta mais cedo, pode reduzir a área foliar fotossintetizante, provocar redução de peso e rápida maturação dos grãos, alem de diminuir o rendimento durante o processo de beneficiamento. A relevância da doença quanto aos danos esta condicionada principalmente ao uso de variedades muito suscetíveis, fato verificado nas décadas de 30 e 40 nos Estados Unidos. (kimati, 2005, p.85)
SINTOMAS – As manchas tipicas aparecem mais frequentemente nas folhas. No entanto, sob condições de ataque severo, as manchas podem ser encontradas nas bainhas, colmos e glumelas. As lesões características são estreitas, finas, necróticas, alongadas no sentido das nervuras, apresentando coloração marrom-avermelhada. Nas variedades resistentes, as lesões tendem a ser mais curtas, estreitas e escuras. Embora as dimensões sejam bastante variáveis, as manchas medem em media 3-5 x 1-1,5 mm. (kimati, 2005, p.85)
ETIOLOGIA – O agente causal é o fungo Cercospora oryzae. O fungo se desenvolve dentro de um ampla faixa de temperatura. O crescimento ótimo é conseguido entre 25-28°C. Varias raças fisiológicas tem sido detectadas através de uma serie diferencial de variedades de arroz. (kimati, 2005, p.86)
A sobrevivência ocorre nos restos de cultura. Uma vez na superfície da folha, trazidos principalmente pelo vento, os conídios germinam e penetram pelos estômatos. A colonização dos tecidos é feita pelo crescimento intracelular das hifas, que emergem através dos estômatos, produzindo conidióforos e conídios, os quais são novamente disseminados pelo vento. Condições de umidade alta e temperatura elevada (28°C) são favoráveis ao desenvolvimento da doença. (kimati, 2005, p.86)
O gênero Cercospora oryzae não possui espécies relatadas até o momento, segundo o Index fungorum (2010).
EPIDEMIOLOGIA – Os conídios são cilindríticos a clavados, normalmente apresentando de 3 a 10 septos, hialinos ou levemente oliváceos. Os conidióforos são escuros, com 3 ou mais septos, e emergem pelos estômatos isoladamente ou em grupos de dois ou trés. Na fase perfeita, o patógeno é o ascomiceto Sphaerulina oryzae. Apresenta peritécios globosos e escuros, imersos na epiderme da planta. Os ascos tem forma cilíndrica a clavada, sendo os ascóporos fusiformes retos ou levemente curvos, hialinos, com três septos. (kimati, 2005, p.86)
Em território brasileiro observou-se cientificamente o patógeno associado à cultura do arroz (Oryza sativa) nos estados de PR, DF, ES, BA, RS, GO, MG, MT, SP e AM (Cenargem, 2010).
CONTROLE – O uso de variedades resistentes é a medida mais indicada para evitar ou diminuir os danos. Ao longo do tempo, diversas variedades foram produzidas em programas de melhoramento dirigidos para mancha estreita. Embora a doença venha merecendo pouca atenção no Brasil, a incorporação de resistência em variedades nacionais pode ser facilitada graças a existência de material estrangeiro com boas características agronômicas e portador de resistência. (kimati, 2005, p.86)
Outras medidas podem contribuir para o controle da doença, entre as quais o emprego de sementes sadias ou tratadas, a eliminação do arroz vermelho, que se constitui num hospedeiro alternativo, e mesmo a rotação de cultura. Alguns fungicidas, como benomyl, maneb+zinco, mancozeb e ziram tem sido recomendados para o controle do patógeno (kimati, 2005, p.86)

2.1.5 QUEIMA DAS BAINHAS – Thanatephorus cucumeris (Rhizoctonia solani) e MANCHA DAS BAINHAS – Waitea circinata (Rhizoctonia oryzae)

A queima das bainhas foi descrita no Japão em 1910. a doença encontra-se disseminada em praticamente todas as áreas do mundo onde se cultiva o arroz, principalmente em condições irrigadas. A queima das bainhas e a mancha das bainhas do arroz são componentes importantes do complexo de doenças fúngicas do colmo e da bainha em arroz irrigado. No Brasil, a ocorrência da queima das bainhas foi assinalada pela primeira vez em lavouras de arroz de alguns municípios do Estado de São Paulo em 1967. A maioria das variedades do arroz e de soja são suscetíveis a R. solani, conseqüentemente a densidade de inoculo no solo aumenta ao longo dos anos com a rotação arroz-soja. No Rio Grande do Sul, o aumento da incidência da queima das bainhas foi observado nos últimos anos, devido ao plantio do arroz em rotação ou sucessão com a cultura da soja e com pastagens de trevo e azevem. Atualmente, a doença ocorre em todas as lavouras irrigadas do estado do Tocantins, em maior ou menor grau de severidade, e vem assumindo importância relevante para a cultura do arroz. (kimati, 2005, p.86)
SINTOMAS – Os sintomas ocorrem nas bainhas e colmos, sendo inicialmente observados próximos ao nível da lamina de agua presente na cultura irrigada. Sob condições favoráveis, as lesões podem ser encontradas também nas folhas e bainhas localizadas acima da linha da agua. As manchas, nas bainhas e colmos, são ovaladas, elípticas ou arredondadas, apresentam coloração branco-acinzentada, com bordos de cor marrom, bem definidos. Nas folhas, os sintomas são semelhantes, porem as manchas apresentam aspecto irregular. Ataques severos podem causar seca parcial ou total das folhas, alem de provocar acamamento das plantas. (kimati, 2005, p.86)
Os sintomas da mancha das bainhas são caracterizados por manchas ovais, levemente verdes, creme ou brancas, com bordos marrom-avermelhados. As lesões são isoladas e não formam as áreas continuas de infecção, tipicas da queima das bainhas. As folhas de arroz são resistentes à infecção por R. oryzae. (kimati, 2005, p.86)
ETIOLOGIA -O agente causal da queima das bainhas é Rhizoctonia solani, que na fase perfeita corresponde a Thanatephorus cucumeris. O fungo pertence ao grupo de anastomose AG-1 e ao grupo intraespecífico 1-A de R. solani. (kimati, 2005, p.86)
A sobrevivência do fungo no solo ocorre por micélio ou escleródios. O cultivo continuo do arroz na mesma área aumenta os danos, pois os restos de cultura contribuem para o aumento do inoculo. A infecção tem inicio quando os escleródios, disseminados pela agua da cultura irrigada, atingem as partes das plantas localizadas na linha da agua e germinam sobre a superfície vegetal. A penetração pode ocorrer através dos estômatos ou diretamente através da cutícula. O fungo produz apressório para, em seguida, penetrar os tecidos do hospedeiro. O micélio desenvolve-se rapidamente tanto no interior dos tecidos como sobre a superfície externa deles, levando ao aparecimento de manchas tipicas da doença, sobre as quais podem ser encontradas hifas e escleródios. Estas estruturas são novamente disseminadas pela agua de irrigação. (kimati, 2005, p.87)
A ocorrência de temperaturas em torno de 28°C e a presença de alta umidade na cultura são fatores altamente favoráveis à doença. O emprego de adubação pesada e a alta densidade de plantas também contribuem como fatores favoráveis O microclima existente na cultura tem grande influencia no desenvolvimento da doença. Tem sido demonstrado que a severidade é maior em solos com elevados percentuais de matéria orgânica, altas densidades de sementes e altos níveis de nitrogênio e fosforo. Estes elementos promovem o desenvolvimento vegetativo das plantas, favorecendo o ataque de patógenos aos tecidos jovens. Por outro lado, o potássio tem promovido redução na incidência da doença. O patógeno infecta diversas gramíneas e leguminosas, sendo algumas especies daninhas nas lavouras de arroz irrigado. (kimati, 2005, p.87)
O fungo é disseminado rapidamente pela agua de irrigação e pelo movimento do solo durante a aração. Os escleródios sobrevivem ate dois anos e aumentam no solo com o tempo, flutuam na agua, se acumulam ao redor da planta de arroz causando infecção inicial nos colmos, no nível da agua. A doença dissemina-se rapidamente, através da infecção por hifas, para as partes superiores, incluindo as folhas e as plantas adjacentes. A infecção causada por basidiósporos de T. cucumeris é relativamente menos importante na epidemiologia. (kimati, 2005, p.87)
O gênero Thanatephorus cucumeris não possui espécies relatadas até o momento, segundo o Index fungorum (2010).
EPIDEMIOLOGIA – O micélio jovem é claro e torna-se gradativamente marrom, apresentando septação e ramificações tipicas deste fungo. Os escleródios são globosos, brancos e tomam a coloração marrom-escura quando mais velhos, podendo alcançar ate 5 mm de diâmetro. Na planta, são formados na superfície da bainha e das folhas. O micélio de R. solani se ramifica em angulo de 45 a 90°, apresenta constrição no ponto de origem e é septado. O micélio de R. oryzae é idêntico ao de R. solani, mas os escleródios são amorfos, com coloração cariando de salmão a laranja. Nos hospedeiros, os escleródios soa cilíndricos e na colonia são submersos ao longo das ramificações das hifas, em forma de pé-de-pássaro. (kimati, 2005, p.86)
O teleomorfo de R. oryzae é Waitea circinata. Na fase perfeita, o patógeno produz basídios sobre os quais de desenvolvem os basidiósporos em numero de 2-4. a morfologia das estruturas produzidas pelo fungo pode variar dependendo do isolado, tendo sido separados vários grupos morfológicos. (kimati, 2005, p.87)
Em território brasileiro observou-se cientificamente o patógeno associado à cultura do arroz (Oryza sativa) nos estados de SP, AP, MT, SC, DF e RS (Cenargem, 2010).
CONTROLE – As medidas de controle indicadas compreendem, de modo geral, o uso de variedades resistentes. As variedades apresentam diferenças no grau de resistência a R. solani e R. oryzae. Nos Estados Unidos, a queima das bainhas é controlada pelo uso de fungicidas como benomyl, propiconazole e iprodione. Nas regiões brasileiras que cultivam arroz irrigado, a doença não causa danos significativos, pois ela geralmente aparece na fase de grãos pastoso e semimaduro. Preventivamente, porem, certos cuidados devem ser tomados, relacionados principalmente com a adubaçao e com a densidade de plantio. A rotação do arroz com outras gramíneas (milho e sorgo) pode reduzir a incidência da doença. (kimati, 2005, p.87)

2.1.6 QUEIMA DAS GLUMELAS – Phoma sorghina

A queima de glumelas tem sido registrada em vários países e pode causar perdas significativas, dependendo de condições climáticas. No Brasil, a doença é considerada de menor importância Assumiu, porem, serias proporções no ano agrícola de 79-80, na região centro-oeste. Anteriormente a esta data, a doença vinha sendo observada desde 1975, em arroz de sequeiro, porem sempre com baixa intensidade. A causa provável da epidemia de 79-80 foi a ocorrência de chuvas continuas durante a fase de emissão de panículas. Embora mais frequente em arroz de sequeiro, a queima das glumelas pode ser encontrada esporadicamente em arroz irrigado. (kimati, 2005, p.87)
No ano da epidemia, avaliação feita em três campos severamente atacados apontou perdas de produção da ordem de 29%, 41% e 45%. Estes dados demonstram que, embora seja considerada de importância pequena, a doença pode atingir proporções epidêmicas sob condições favoráveis, principalmente se chuvas continuas ocorrerem durante o período de emissão de panículas pelas plantas. (kimati, 2005, p.87)
SINTOMAS – O patógeno pode atacar as panículas desde o inicio da emissão ate o estadio de grão maduro. Quando ocorre infecção inicial, as panículas emergem com grãos manchados, sendo estas manchas de coloração marrom-avermelhada, que surgem na extremidade apical e gradualmente se espalham por todo o grão. Quando a infecção aparece apos a emergência das panículas, durante a formação dos grãos, aparecem as manchas tipicas de coloração marrom-avermelhada com centro claro (cinza ou branco). Sob condições de umidade, numerosos picnídios podem ser encontrados sobre esta região clara da mancha. Em alguns casos, pequenas manchas marrons do tamanho da cabeça de um alfinete podem ser observadas nas glumelas. Em casos de ataques severos, os grãos podem se apresentar parcialmente formados. (kimati, 2005, p.87)
ETIOLOGIA – O agente causal da queima das glumelas é o fungo Phoma sorghina, o qual já foi chamado de Phyllosticta glumarum, P. Oryzina, P.glumicola e P.orizicola. A sobrevivência do fungo pode ocorrer em restos de cultura e sementes contaminadas. As sementes constituem-se na principal via de disseminação do patógeno, alem de atuarem como fonte de inoculo primário. (kimati, 2005, p.88)
O gênero Phoma sorghina não possui espécies relatadas até o momento, segundo o Index fungorum (2010).
EPIDEMIOLOGIA – O fungo apresenta picnídios globosos. Os conídios tem forma ovalada a oblonga. Quando na presença de umidade, a massa de conídios é liberal pelo picnídio na forma de um fluxo espiralado; este tipo de estrusão permite reconhecer prontamente o patógeno (kimati, 2005, p.88)
Em território brasileiro observou-se cientificamente o patógeno associado à cultura do arroz (Oryza sativa) nos estados de CO, MS, MG, MT, RO, SP e GO (Cenargem, 2010).
CONTROLE – O aparecimento esporádico da doença e a baixa intensidade de ocorrência não justificam medidas especificas de controle. Variedades inoculadas artificialmente mostraram diferentes graus de resistência e os materiais mais resistentes poderão ser diretamente utilizados para plantio ou em programas de incorporação de resistência. O uso de sementes provenientes de lotes com boas condições de sanidade é altamente desejável. No entanto, o tratamento de sementes é recomendado como forma de reduzir o inoculo eventualmente presente nelas. (kimati, 2005, p.88)

2.1.7 FALSO CARVAO – Ustilaginoidea virens

Esta doença, apesar da pouca importância econômica que representa para a cultura do arroz, chama a atenção do agricultor em razão dos sintomas exibida pela planta afetada. Sua ocorrência é esporádica e os danos são insignificantes, pois a doença normalmente incide sobre poucas panículas e, dentro da panícula, em pequeno numero de grãos (kimati, 2005, p.88)
SINTOMAS – O falso carvão é observado tipicamente nos grãos, na forma de uma massa arredondada de coloração verde-olivácea e aspecto pulverulento, com tamanho variável de 4-10 mm de diâmetro. Também pode se manifestar como uma massa de tamanho reduzido contida pelas glumelas. O tipi de sintoma depende da época de infecção dos grãos ter ocorrido mais cedo ou mais tarde. Assim, quando a infecção atinge o ovário nos estádios iniciais de desenvolvimento, este é destruído e torna-se gradativamente uma massa estromática crescente, inicialmente lanuginosa, posteriormente amarelo-alaranjada ou amarelo-esverdeada e, finalmente, verde-olivácea, de formato globoso e aspecto pulverulento. Quando a infecção é tardia, a massa estromática não se desenvolve tanto, porem pode substituir o grão, ficando contida pelas glumelas ou recobrindo estas. (kimati, 2005, p.88)
ETIOLOGIA – O agente causal da doença é o fungo Ustilaginoidea virens. O patógeno sobrevive em restos de cultura, sendo disseminado pelo vento e pela agua. As sementes também podem veicular estruturas fúngicas. A infecção pode ocorrer desde os primeiros estádios de desenvolvimento da planta e as hifas são geralmente encontradas nas regiões de crescimento dos perfilhos. A infecção da panícula pode ocorrer durante um curto período que precede a sua emissão, ou seja, ainda no estadio de emborrachamento da planta. Quando a infecção ocorre nos estádios iniciais do florescimento, a panícula exibe massa de esporos de cor verde, que representam o sintoma tipico da doença; na infecção tardia (estado de grão maduro), os esporos acumulam-se nas glumas, incham, separam a palea da lema e, finalmente, todo o grão é substituído e recoberto pelo fungo. Os esporos presentes nas plantas infectadas são novamente dispersados pela agua e pelo vento. A presença de umidade alta (98%), chuvas continuas durante a emissão das panículas, temperaturas altas (28°C), solos de elevada fertilidade e excesso de adubação nitrogenada favorecem a ocorrência da doença. (kimati, 2005, p.88)
O gênero Ustilaginoidea virens não possui espécies relatadas até o momento, segundo o Index fungorum (2010).
EPIDEMIOLOGIA – Os clamidósporos ou conídios maduros são esféricos a elípticos, equinulados, verde-oliváceos; quando jovens são hialinos e quase lisos. Estes esporos originam-se das hifas que compõem a massa estromática presente nos grãos Na fase ascógena, ainda não relatada nas condições brasileiras, o fungo produz peritecios gregarios, ascos cilindricos com 8 ascoporos hialinos e filiformes. (kimati, 2005, p.88)
Em território brasileiro observou-se cientificamente o patógeno associado à cultura do arroz (Oryza sativa) nos estados de SP, CE e DF (Cenargem, 2010).

CONTROLE - O controle especifico do carvão não é comum, devido a pouca importância da doença para a cultura. (Kimati, 2005, p.88)

2.1.8 MAL DO COLO - Fusarium oxysporum (Schel.) Snyder e Hansen

O mal do colo do arroz é uma doença nova da cultura, tendo sido relatada pela primeira vez em 1980, no Brasil. A doença foi inicialmente observada em culturas de sequeiro instaladas em solos de cerrado, na região centro-oeste. A freqüência com que a doença apareceu nos plantios de 1979-1980 chamou a atenção dos pesquisadores, que passaram a investigar a sua causa. (Kimati, 1997, p.94)
SINTOMAS - Os sintomas na parte aérea da planta caracterizam-se por leve amarelecimento das folhas e retardamento no crescimento; estes sintomas são mais evidentes aos 25 dias após o plantio. A diferença entre a altura das plantas afetadas e sadias aumenta com o tempo. Tanto o amarelecimento das folhas como a desuniformidade observada entre as plantas pode ser facilmente confundida com deficiência nutricional, principalmente de nitrogênio. No entanto, quando as plantas são arrancadas,pode ser observada uma descoloração escura no nó basal do colmo, justamente na região de emissão das raízes secundárias e adventícias; o nome da doença deriva deste escurecimento do colo da planta. As plantas doentes apresentam o sistema radicular pouco desenvolvido e produzem poços perfilhos. Apesar do subdesenvolvimento, as plantas afetadas raramente são mortas pela doença. (Kimati, 1997, p.94)
ETIOLOGIA - O patógeno foi identificado como sendo Fusarium oxysporum. A ocorrência do patógeno também pode estar associada a nematóides formadores de galhas nas raízes, pertencentes á espécie Meloidogyne javanica. (Kimati, 1997, p.94)
O gênero Fusarium oxysporum não possui espécies relatadas até o momento, segundo o Index fungorum (2010).
EPIDEMIOLOGIA - Tem presença de microconídios, macroconídeos e clamidósporos. Nos testes de patogenicidade, sintomas idênticos aos observados no campo foram obtidos somente para alguns isolados, sugerindo a ocorrência conjunta de isolados patogênicos e saprofíticos. (Kimati, 1997, p.94)
Em território brasileiro observou-se cientificamente o patógeno associado à cultura do arroz (Oryza sativa) nos estados de CO, BA e GO (Cenargem, 2010).
CONTROLE - A recomendação de medidas de controle exige maior conhecimento sobre a doença. Em razão do aumento de sua importância nas regiões de cerrado, principalmente quando o arroz é cultivado em rotação com pastagens ou por 2-3 anos sucessivamente, seria prudente promover a rotação de culrura. (Kimati, 1997, p.94).

2.1.9 PODRIDAO DO COLO E RAIZES - Pythium arrhenomanes

A podridão do colmo é uma das doenças mais importantes do arroz irrigado nos E. U. A e causa prejuízos na produtividade e qualidade de grãos. No Brasil, essa doença é comumente encontrada nas lavouras de arroz irrigado em todo o território. Não existe informação quanto aos danos causados.(Kimati, 1997, p.98)
SINTOMAS - Os sintomas primários são observados no campo após o estádio de perfilhamento. Inicialmente, as lesões manifestam-se na bainha, como lesões escuras, na altura da lâmina de água, posteriormente, a lesão atinge o colmo, circulando-o e provocando o acamamento da planta e o chochamento das espiquetas. Nos colmos afetados, o fungo desenvolve numerosos escleródios negros. (Kimati, 1997, p.98)
ETIOLOGIA - O fungo sobrevive entre safras como teliósporos nos restos culturais. Os esporídios são disseminados pelo vento para infecção das folhas maduras na fase final do ciclo de arroz e é favorecido por altas doses de N, especialmente nas aplicações tardias. (Kimati, 1997, p.98)
O gênero Pythium arrhenomanes não possui espécies relatadas até o momento, segundo o Index fungorum (2010).

EPIDEMIOLOGIA - Leptosphaeria salvinii Cat. (Sclerotium oryzae Catt. – fase esclerodial e Helminthosporium sigmoideum Cav.- fase conidial). Os escleródios são escuros, globosos com superfície lisa. Os conídios são fusiformes, curvados,com três septos e produzem um esterigmata.(Kimati, 1997, p.98)
Em território brasileiro observou-se cientificamente o patógeno associado à cultura do arroz (Oryza sativa) nos estados de SP, MG, GO, MT e SC (Cenargem, 2010).
CONTROLE - O controle recomendado no caso de incidência severa é a rotação de cultura; também, paliativamente, antes da doença atingir o colmo, pode-se recomendar a drenagem da água, o que evita satisfatorimente o acamamento. (Kimati, 1997, p.98)
2.2 - NEMATOSES
2.2.1 PONTA BRANCA – Aphelenchoides besseyi

Esta doença, causada por um nematóide, foi primeiramente estudada no Japao em 1915. Nas décadas de 40 a 50, vários aspectos relacionados à interação hospedeiro-patogeno e ao controle foram objetos de pesquisas mais detalhadas. A distribuição da ponta branca é ampla, tendo sido registrada em todos os continentes. No Brasil, a doença foi relatada pela primeira vez no Rio Grande do Sul, em 1969, estando atualmente disseminada em praticamente todos os locais onde o arroz é cultivado em escala comercial. (Kimati, 2005, p.88)
As perdas são variáveis de acordo com o local, variedade, ano e manejo da cultura. Em países onde foram feitas estimativas de danos, constatou-se de 10-46% de perdas no rendimento. Em países de regiões tropicais a doença tem merecido pouca atenção por parte dos agricultores e as pesquisa, talvez pelo fato da predominância das culturas de sequeiro, onde a doença é de menor importância. A ponta branca apresenta maior relevância para os plantios realizados sob condição de irrigação com lamina de água. (Kimati, 2005, p.89)
SINTOMAS – Os sintomas mais característicos aparecem na fase adulta da planta. O ápice das folhas exibe uma clorose bastante evidente que se torna esbranquiçada e normalmente estende-se por 5 cm. Com o tempo, esta região pode apresentar rasgamento do tecido e se reduzir a um filamento de tecido necrosado. É comum nas folhas ocorrer o enrolamento da extremidade apical, dificultando a emissão das panículas. A doença pode provocar encurtamento das folhas, amadurecimento tardio das panículas, esterilidade e retorcimento das glumas. As plantas afetadas podem apresentar subdesenvolvimento; produzem panículas pequenas com menor numero de grãos e, em alguns casos, as plantas não mostram sintomas típicos. (Kimati, 2005, p.88)
ETIOLOGIA – O nematoide Aphelenchoides besseyi é chamado de nematóide das folhas. Quando as sementes contaminadas germinam, os nematóides alcançam as regiões de crescimento das plantas e mantêm-se como ectoparasitas, ficando alojados entre as folhas jovens e as bainhas. Durante a sucessão das folhas, permanecem no cartucho das folhas jovens, ate a emissão da ultima folha (folha bandeira), da qual emergira a panícula. Antes do florescimento, ficam na superfície da panícula. Na fase de florescimento, os nematóides atingem as glumas, onde ficam alojados ate a germinação das sementes. A disseminação dentro das plantas e para plantas vizinhas pode ser feita através do movimento ativo do nematóide, quando ocorre molhamento da superfície das folhas devido a chuvas ou deposição de orvalho. O patogeno tem na semente principal via de disseminação e local de sobrevivência, podendo permanecer viável por períodos de ate 8 anos. Alem da semente, varias espécies vegetais, principalmente gramíneas, podem atuar como hospedeiros alternativos, garantindo a sobrevivência do parasita. (Kimati, 2005, p.89)
Um estudo relacionando numero e distribuição de nematóides e estádios de desenvolvimento da planta de arroz mostrou que poucos indivíduos são encontrados em sementes germinando e em plântulas. À medida que a planta perfilha e cresce, aumenta o numero de nematóides encontrados nas folhas jovens. No inicio de formação das panículas, ficam localizados na parte externa e, durante o florescimento, penetram nas glumas. O patogeno é mais freqüentemente encontrado nos colmos principais do que nos colmos dos perfilhos. Na panícula, ocorre com maior freqüência nas partes centrais do que nas extremidades, sendo que os grãos bem formados contem mais nematóides que aqueles vazios. Em campos infestados, estes parasitas sao encontrados em grande numero em plantas que apresentam sintomas, porem plantas aparentemente sadias também podem abriga-los. (kimati, 2005, p.89)
EPIDEMIOLOGIA - As fêmeas apresentam tamanho variável de 0,62-0,88 mm de comprimento, enquanto os machos medem de 0,44-0,72 mm. A temperatura pode influenciar a duração do ciclo do parasita. Em condições de laboratório, o ciclo completa-se em 24 dias a 16ºC e em 18 dias, a 30ºC. a umidade também tem influencia sobre o patogeno, pois o mesmo so se torna ativo quando a umidade atinge valores superiores a 70%. Este nível de umidade pode ser encontrado nas regiões de crescimento da parte aérea da planta, em folhas dobradas e no interior das panículas, locais onde normalmente os nematóides são encontrados. (kimati, 2005, p.89)
CONTROLE – O uso de variedades resistentes é uma das medidas indicadas para o controle da doença e, em vários países, já foram identificadas variedades com diferentes graus de resistência. No entanto, o tratamento químico das sementes tem se constituído num método de controle altamente viável e pratico. O uso de produtos com ação nematicida, incluindo alguns inseticidas e fungicidas, tem sido suficiente para controlar eficientemente o agente causal da doença. O tratamento térmico de sementes com imersão em água fria por 24 horas seguida por tratamento com água à temperatura 51-53ºC por 15 minutos tem demonstrado eficiência no controle de nematóides. (kimati, 2005, p.89).

2.1.11 OUTRAS DOENÇAS
Alem das doenças abordadas neste texto, existem, no Brasil, relatos da ocorrência de outras doenças de menor importância e ocorrência esporádica. Dentre elas podem ser citadas: estiolamento e morte das plântulas – fungos dos gêneros Fusarium e Pythium; podridão das bainhas e colmos – fungos dos gêneros Fusarium, Sclerotium, Ophiobolus, Rhizoctonia; podridão do colmo – Magnaporthe salvinii; podridão da bainha – Sarocladium oryzae; mal do pe - Gaeu mannomyces graminis; mancha circular – Alternaria padwickii; carvão da folha – Entyloma oryzae; Bakanae – Fusarium moniliforme; míldio – Sclerophthora macrospora; galhas causadas por nematóide – Meloidogyne javanica; lista parda – Erwinia SP.; podridão marrom da bainha – Pseudomomas fuscovaginae; carie do arroz – barclayan; manchas nos grãos – Bipolaris oryzae, Phoma sorghina, Alternaria padwickii, Monographella oryzae, Sarocladium oryzae, Pyricularia grisea, Curvularia lunata e Nigrospora oryzae; Pseudonomas fuscovaginae, Phyllosticta sp.; Dreschslera spp.; Fusarium spp. (Kimati, 2005, p.89)

3 TÁTICAS DE MANEJO DAS DOENÇAS
São usados varias praticas culturais, para diminuir e erradicar as doenças da cultura do arroz, sendo que o objetivo das táticas de manejo e controle das doenças do arroz é minimizar os prejuízos na produtividade, mediante a redução da população do patógeno a níveis toleráveis.
São usados as seguintes táticas, tais como; rotação de cultura, controle biológico, controle químico, cultivares resistentes, eliminação da plantas invasoras hospedeiras, eliminação de restos de culturas, escolha de épocas e regiões nas quais a fase de granação da cultura não coincida com períodos de seca, a utilização de sementes sadias, o tratamento de sementes, recomenda-se que sejam observados espaçamento e densidade adequados quanto da instalação da cultura, recomendar a drenagem da água, o que evita satisfatorimente o acamamento isso em arroz de cultivo de arroz irrigado, certos cuidados devem ser tomados, relacionados principalmente com a adubaçao e com a densidade de plantio, uso de inseticidas seletivos, adubação balanceada, principalmente em relação ao elemento nitrogênio.
As práticas citadas acima são práticas usadas para reduzir a incidência das doenças da cultura do arroz. São práticas de fácil manejo que muitas vezes o produtor deixa de fazer e acaba tendo sérios prejuízos e até mesmo a perca total da lavoura.

4 CONCLUSÃO
O objetivo do controle das doenças do arroz é minimizar os prejuízos na produtividade, mediante a redução da população do patógeno a níveis toleráveis. Muitas informações tem sido agregadas ao longo dos anos, no Brasil e em outros paises, quanto a variabilidade dos patógenos, natureza da resistência e métodos de melhoramento genético.
Os estudos moleculares fornecem uma base segura para a adoção de estratégias de melhoramento genético no sentido de aumentar a durabilidade da resistência dos cultivares é eficiência no manejo das doenças, pela integração de outras praticas agronômicas e controle químico.
Tendo o arroz como a terceira maior cultura cerealífera do mundo é de fundamental importância investir em inovações tecnológicas em função de novas táticas para a cultura do arroz em intenção de tentar reduzir as perdas com doenças causadas por fungos,bactérias, vírus e nematóides.








5 REFERENCIA BIBLIOGRAFICA

INDEX FUNGORUM. Banco de dados de táxons fúngicos. disponível em: Acesso em: 19/04/2010
Kimati, Hiroshi...(et al.). Manual de Fitopatologia: Doenças das Plantas Cultivadas. 3ª ed. Vol. 2. São Paulo: Agronomica Ceres, 1995-1997.
Kimati, Hiroshi...(et al.). Manual de Fitopatologia: Doenças das Plantas Cultivadas. 4ª ed. Vol. 2. São Paulo: Agronomica Ceres, 2005.
MENDES, M. A. S.; URBEN, A. F. CERNAGEN - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Fungos relatados em plantas no Brasil, Laboratório de Quarentena Vegetal. Brasília, DF, Disponível em: Acesso em: 21/9/2010.

Um comentário:

Seguidores

Postagens populares da Ultima Semana