quarta-feira, 3 de novembro de 2010

DOENÇAS DA MANDIOCA (Manihot esculenta Crantz)

1 INTRODUÇÃO

A competitividade da cadeia produtiva da mandioca passa, necessariamente, pela melhoria da produtividade do setor agrícola, acompanhada da redução dos custos de produção. A responsabilidade desta elevação de produtividade depende não somente dos agricultores, mas de toda a cadeia produtiva.
O cultivo da mandioca é de grande relevância econômica como principal fonte de carboidratos para milhões de pessoas, essencialmente nos países em desenvolvimento. O Brasil possui aproximadamente dois milhões de hectares é um dos maiores produtores mundiais, com produção 23 milhões de toneladas de raízes frescas de mandioca. A região Nordeste tradicionalmente caracteriza-se pelo sistema de policultivo, ou seja, mistura de mandioca com outras espécies alimentares de ciclo curto, principalmente feijão, milho e amendoim (Fraire Filho e Bahia, 2010).
A mandioca é uma das principais fontes alimentares no Brasil e vários outros países. As suas raízes são destinadas à alimentação animal e humana, cujo consumo per capita é de 70 kg ano-1, dos quais mais de 85% são consumidos na forma de farinha e o restante nas formas de raízes frescas (mandioca de mesa, macaxeira) e outros derivados (Alves M. C. S., et al., 2009).
Atualmente a demanda de amido de mandioca (amido) tem crescido de forma substancial, principalmente pelo setor industrial a exemplo da utilização de fécula na mistura de farinha de trigo para fabricação de pães, objetivando reduzir as importações de trigo, gerando divisas para o país (Fraire Filho e Bahia, 2010).
A mandioca, Manihot esculenta Crantz, é uma planta perene, arbustiva, pertencente a família das Euforbiáceas. A parte mais importante da planta é a raiz. Rica em amido, utilizadas na alimentação humana e animal ou como matéria prima para diversas indústrias. Originária do continente americano, provavelmente do Brasil, a mandioca já era cultivada pelos índios, por ocasião da descoberta do país (Fraire Filho e Bahia, 2010).


2 DESENVOLVIMENTO
2.1 DOENÇAS DA CULTURA
São nove doenças que causam doença na cultura da mandioca, sendo três as doenças que causam injurias mais severas no atual momento (bacteriose, antracnose e cercosporiose). Aspectos relacionados com a etiologia, epidemiologia, sintomatologia e controle, estão descritos a seguir.

2.1.1 BACTERIOSE - Xanthomonas campestris pv. manihot

A bacteriose ou murcha é doença mais importante da cultura da mandioca no Brasil. Em regiões onde as condições climáticas são favoráveis como o Sul, sudeste e centro-oeste esta doença torna-se limitante, podendo ocasionar perdas totais quando variedades suscetíveis são cultivadas (Kimati, H. et al, 2005).
A doença foi relatada pela primeira vez em 1912, no estado de São Paulo e,atualmente, pode ser pode ser encontrada em quase todo o território nacional. Além do Brasil, a bacteriose tem sido relatada causando surtos epidêmicos em outros países da América do Sul, América Central, África e Ásia (Kimati, H. et al, 2005).
Os prejuízos causados a produção variam principalmente em função da variedade utilizada, condições climáticas e do inoculo inicial. Em variedades suscetíveis, perdas podem varias de 50 a 100% quando as condições climáticas são favoráveis, enquanto em variedades resistentes não ultrapassam 5 a 7 % da produção. Essas perdas podem ser maiores quando patógenos secundários, como Coanephora cucurbitarum e Colletotrichum spp., invadem os tecidos infectados. Esse efeito sinergístico entre patogenos tem sido observado principalmente quando a bacteriose ocorre em culturas que apresentam antracnose (Kimati, H. et al, 2005).

Sintomatologia:
A bacteriose apresenta um complexo de sintomas que envolve manchas foliares, murcha, exsudação de látex, necrose do sistema vascular, e morte descendente. Sintomas decorrentes do plantio de material vegetativo infectado, traduzem-se por manchas em folhas novas, seguida por morte da planta. Sintomas provenientes das infecções secundárias no campo, inicia-se com o aparecimento de pequenas lesões encharcadas e poligonais nas folhas. Posteriormente essas lesões desenvolvem e tornam irregulares, podendo cobrir grandes extensões. Nessa fase a bactéria transloca-se para o pecíolo e haste através do xilema, iniciando a infecção sistêmica. Ocorre então exsudação de látex, e morte descendente, com murcha e posterior secamento das folhas. Cortes horizontais e longitudinais das hastes atacadas mostram necrose dos feixes vasculares. Em casos mais graves raízes são infectadas, exibindo descoloração dos feixes vasculares e apodrecimento (Kimati, H. et al, 2005).

Etiologia:
O agente causal da bacteriose da mandioca foi, por muito tempo,denominado Xanthomonas manihotis. Na oitava edição do Bergey’s Manual of Determinative Bacteriology, de 1974, a espécie foi considerada como uma patovar de X. campestris, variando apenas pela especificidade a hospedeiros do gênero Manihot, sendo denominada de Xanthomonas campestris pv. Manihot. A bactéria, da família Pseudomonadaceae, apresenta como bastonete gram-negativo e móvel por um único flagelo polar. É um organismo aeróbio restrito,que não produz pigmentos amarelos em meio de cultura, característico do grupo.
O principal veículo de disseminação da bactéria, a longas distancias, é o material de propagação contaminado. Normalmente as manivas são responsáveis pela contaminação de ares isentas, pois no Brasil não há um controle rigoroso de transito de materiais vegetais. Dentro do mesmo cultivo o principal agente disseminador é a água da chuva, e os respingos promovem a liberação dos talos bacterianos. Isso explica a alta severidade da doença na estação chuvosa. Alem da chuva, as ferramentas também são um agente de disseminação, principalmente aquelas usadas no corte das manivas.
A bactéria penetra pelos estômatos ou por ferimentos na epiderme. É necessário um período de 12 horas com umidade relativa entre 90 e 100% e temperatura entre 22 a 26 graus C para o estabelecimento da bactéria no hospedeiro. Os sintomas aparecem de 11 a 13 dias após a infecção.
No solo a sobrevivência da bactéria é curta, sendo favorecida por solos com pH entre 6,0 e 6,5 e com baixo teor de matéria orgânica, não passando de 60 dias seu período de sobrevivência. Períodos de ate 1 ano são considerados eficientes para a erradicação total da bactéria no solo.
A temperatura influi diretamente na severidade da doença. Tem-se observado que a severidade é maior, onde temperaturas mínimas e máximas estão próximas de 20 e 30 C, respectivamente. Em áreas com temperaturas altas mesmo com alta precipitação, a quantidade de doença é baixa.

Controle:
O uso de variedades resistentes é a maneira mais eficiente, essas variedades sofrem pouco com a doença, mesmo com condições ambientais favoráveis. Estudos revelam que a resistência é multigênica, portanto duradoura. Variedades que apresentam estômatos menores são mais resistentes em comparação com variedades com estômatos maiores, pois eles são portas de entrada da doença.
Quando não se utiliza variedade resistente recomendam-se métodos de controle alternativo, como o plantio de manivas livres da doença, remoção de restos culturais e pousio por 6 meses, uso de ferramentas desinfetadas, inspeção fitossanitária eliminando plantas que apresentem a doença.


2.1.2 CERCOSPORIOSE – Cercosporidium henningsii

A cercosporiose, ou mancha parda da folha, ocorre com alta freqüência na cultura. O prejuízo causado pela doença é em decorrência da perda de área fotossintética. Porém mesmo em variedades suscetíveis a doença causa danos em torno de apenas 20% da produção.

Sintomas:
A cercosporiose só se manifesta nas folhas, na forma de manchas necróticas. As manchas normalmente são de coloração cinza-oliváceo, com presença de frutificações do fungo no centro. C. henningsii produz manchas com bordos bem definidos e escuros, que raramente ultrapassam 1 cm de diâmetro. Cercospora viçosae produz manchas maiores e irregulares. Com o progresso da doença, as folhas tornam-se amarelas, secam e caem.

Etiologia:
Duas espécies fúngicas causam a cercosporiose da mandioca, a Cercospora viçosae e Cercosporidium henningsii. Ambas as espécies produzem conídios compridos e multiseptados, na extremidade de conidióforos situados no centro das lesões, na face inferior das folhas.
A estação chuvosa é mais favorável a ocorrência da cercosporiose, mas encontra-se a doença em regiões quentes e úmidas como regiões frias e úmidas. Isto reflete em grande capacidade de adaptação do patógeno a diversos ambientes, razão pela qual a cercosporiose possui grande distribuição geográfica e ao longo do ano.
O principal meio de disseminação dos conídios é o vento, e a espécie C. henningsii apresenta outros hospedeiros como espécies nativas de mandioca. Cercospora viçosae tem sido registrada atacando apenas espécies do gênero Manihot.

Controle:
Em virtude da pequena importância econômica, não se justiça medidas especificas para o controle da cercosporiose. Caso a doença assuma proporções problemáticas no futuro, o melhor método a ser utilizado é o uso de variedades resistentes. Medidas como o aumento do espaçamento, para diminuir a umidade no interior da lavoura, e eliminação de plantas que são hospedeiras do patógeno, diminuem os danos da doença.


2.1.3 ANTRACNOSE – Colletotrichum gloeosporioides

No Brasil a doença esta presente em todas as regiões produtoras,sendo mais severa nas regiões Nordeste e Sudeste, onde as condições ambientais são mais propicias ao desenvolvimento do patógeno (Kimati, H. et al, 2005).
Existem dois tipos de antracnose, a branda e a severa. A forma branda ataca no final do ciclo da cultura e é causada por estirpes mais fracas do patógeno. A forma severa, causada por estirpes mais agressivas, provoca danos maiores, principalmente se a infecção se caracterizar nos primeiros 4 meses de cultivo. Variedades suscetíveis infectadas na fase jovem são severamente afetadas, podendo ocorrer morte da planta (Kimati, H. et al, 2005).

Sintomatologia:
Os sintomas aparecem na forma de cancros elípticos e profundos nas hastes jovens e pecíolos. Em condições de alta umidade, nos centros da lesões, ocorre o aparecimento dos esporos róseos do fungo. Ocorre a desfolha e os ponteiros morrem. O plantio de manivas contaminadas pode resultar em falhas na germinação e redução do numero de plantas por hactare (Kimati, H. et al, 2005).

Etiologia:
O fungo C. gloeosporioides que possue a forma perfeita de Glomerella cingulata, possuindo numerosas formae speciales. A viabilidade patogênica do fungo pode estar associada com a presença do ciclo sexual, representando uma possibilidade de recombinação genética (Kimati, H. et al, 2005).
As condições favoráveis a doença são períodos longos de chuva e temperaturas entre 18 °C e 28 °C. A disseminação dos esporos dentro de um cultivo é grandemente favorecida pela chuva. Nada se sabe a respeito da sobrevivência do patógeno no solo, porem existem hospedeiros alternativos como o mamoeiro e o tamarindo (Kimati, H. et al, 2005).

Controle:
Evitar o plantio de variedades suscetíveis em locais de condições que favorecem a ocorrência do patógeno. Medidas baseadas em controlar o inóculo inicial devem ser consideradas, como a seleção de manivas sadias e imersão das manivas por 5 minutos em solução de benzimidazol (100 g/100 L água), diminuem a severidade da doença.


2.1.4 MOSAICO DA MANDIOCA – Cassava vein mosaic virus (CsVMV)

A doença do Mosaico da mandioca (CsVMV) foi descrita pela primeira vez em 1894 naquilo que é hoje a Tanzânia. A doença foi depois reportada em muitos outros países da África Oriental, Ocidental e Central. Agora se sabe que esta doença ocorre em todos os países de África que cultivam mandioca e nas ilhas vizinhas bem como na Índia e Srilanca. Um relatório de 1931 sobre esta doença na Indonésia refere que ainda não foi confirmada e o CsVMV na América do Sul é causado por um vírus completamente diferente. Estima-se que as perdas em África entre 15-20%. Isto é equivalente a 15-28 milhões de toneladas comparados com a última estimativa de produção da FAO para 1996 em 85 milhões de toneladas.

Etiologia:
Desde que o CsVMV foi pela primeira vez descrito assumiu-se como sendo um virus o seu agente causador, na ausência de qualquer agente patogénico visível. Este ponto de vista era consistente com os resultados de primeiros estudos que indicavam que a doença era transmitida pelo vetor mosca branca. Contudo, prova de etiologia viral nunca tinha até então sido obtida senão nos anos 70 e 80 altura em que inoculações de seiva em hospedeiros herbáceos foram um sucesso e estirpes de vírus assim obtidos foram purificados e caracterizados. Depois de alguma incerteza inicial foi demonstrado que as estirpes causavam CsVMV. Postulados de Koch foram concretizados e as varias estirpes de África e Índia eram conhecidas como estirpes de um virus do grupo geminivirus designado por vírus do mosaico da mandioca. Estudos subseqüentes levaram ao reconhecimento de varias distintas viroses como o virus do mosaico africano da mandioca (ACMV), vírus do mosaico da Africa Oriental da mandioca (EACMV), vírus do mosaico Indiano da mandioca (ICMV) e o vírus do mosaico Sul Africano da mandioca (SACMV) (Thresh, J. M., et al., 1994).

Sintomatologia:
Os sintomas do CsVMV ocorrem sob a forma característica de mosaico da folha que afeta descretas áreas e é determinado no estagio precoce do desenvolvimento da folha. As áreas cloróticas não se expandem completamente de modo que o stress resultante de numa expansão desigual das folhas ou brotos causa má formação e distorção. As folhas severamente afetadas tornam-se pequenas em tamanho, deformadas e torcidas com áreas amarelas separadas por áreas de uma cor verde normal. As plantas ficam raquíticas e as novas folhas caiem (Thresh, J. M., et al., 1994).
A clorose das folhas pode ser amarelo pálido ou quase branca com pouca verdura ou apenas mais pálido do que o normal. As áreas cloróticas são geralmente bem demarcadas e variam em tamanho relativamente às da folheta completa para pequenas manchas ou nódoas. As pequenas folhas podem apresentar um desenho de Mosaico uniforme ou o desenho do mosaico pode estar localizado em pequenas áreas que ficam sempre nas bases das mesmas. Distorção, redução no tamanho da folheta, e atrofiamento geral aparecem como efeito secundário associado aos sintomas severos (Thresh, J. M., et al., 1994).
Algumas folhas situadas entre as afetadas podem parecer normais e aparentar recuperação. Este comportamento depende da temperatura ambiental e da resistência da planta hospedeira (Thresh, J. M., et al., 1994).

Epidemiologia:
CsVMV são disseminados nas estacas usadas rotineiramente como propagação vegetativa. Eles são também transmitidos pela mosca branca (Bemisia tabaci Gennadius).. A disseminação através de estacas pode causar a introdução de CsVMV para novas áreas e ser responsável pela ocorrência de doença nas áreas onde ha pouca ou nenhuma propagação pela mosca branca (Thresh, J. M., et al., 1994).

Controle:
A metodologia básica para controlar o CMD é através da seleção das estacas de propagação a partir de plantas-mãe sem sintomas. Isto é raras vezes feito preferindo-se dar maior uso ao material proveniente de plantas infectadas; contudo ha uma considerável evidência da vantagem a ganhar de um conceito mais discriminatório e dum procedimento de seleção mais apropriado a adotar. A seleção é mais fácil e pode ser muito efetiva se as plantas-mãe estiverem a desenvolver vigorosamente e mostrarem sintomas visíveis quando infectadas. Dificuldades podem ocorrer quando as plantas são resistentes e apresentam sintomas não nítidos, ou quando as folhas caiem ou são danificadas depois de um período de seca ou ataque de pestes (Thresh, J. M., et al., 1994).
Há muito tempo que foi reconhecido que algumas variedades são resistentes ao CsVMV e toleram pouco ou nenhum dano quando infestadas. Tais variedades foram amplamente utilizadas como testemunha. Contudo elas nem sempre estão disponíveis ou não têm todas as características que os camponeses precisam. Isto explica porque é que as variedades susceptíveis ainda são largamente cultivadas, especialmente nas áreas onde o CsVMV não prevalece ou não constitui um problema sério, e não há boas razões para adotar as variedades resistentes ao vírus (Thresh, J. M., et al., 1994).
Poucos inseticidas são utilizados para controlar a mosca branca e tais medidas são inapropriadas para a cultura de mandioca que é principalmente cultivada para subsistência. Pouca atenção foi dada a outros possíveis métodos de controlo tais como consorciação, disposição de plantas ou a manipulação de época de sementeira para diminuir o risco de infecção (Thresh, J. M., et al., 1994).




2.1.5 SUPERALONGAMENTO – Sphaceloma manihoticola

Tempos atrás essa doença se limitava ao Norte do país e parte do Mato Grosso, porem em 1988 foi diagnosticado no Paraná, provavelmente foi introduzido no estado através de material propagativo infectado advindo do Norte. O que é preocupante, pois o sul do pais é grande produtor de mandioca e as condições são favoráveis.

Sintomatologia:
Plantas atacadas são enfraquecidas e maiores do que as plantas sadias.
As plantas severamente atacadas apresentam alongamento exagerado dos entrenós das hastes jovens devido a produção de ácido giberélico produzido pelo patógeno. Manchas foliares necróticas, hipertrofia e cancro nas nervuras, pecíolos e caules, devido a infecção do patógeno nesses órgãos. As folhas atacadas apresentam-se retorcidas confundindo-se muitas vezes com problemas causados por herbicidas.

Etiologia:
O fungo Sphaceloma manihoticola corresponde a fase assexuada do gênero Elsinoe. Produz conídios pequenos, unicelulares e hialinos em estruturas estromáticas denominadas acérvulos.

Epidemiologia:
As condições favoráveis para a ocorrência da doença são chuvas abundantes e temperaturas em torno de 20 a 22 °C. Nas chuvas, a disseminação do fungo é rápida. Particularmente as variedades Fibra e IAC 13 são muito sensíveis a esta doença.
Os conídios são dispersos pelo vento e pela chuva.

Controle:
Deve-se prevenir a entrada da doença na área, plantando material livre do inóculo do patógeno, principalmente material do Norte. Em áreas já infestadas procurar utilizar material resistente, alem disso eliminar plantas atacadas, evitar o plantio contínuo de mandioca na mesma área, efetuando uma rotação de culturas. O tratamento químico das manivas com benzimidazóis é um método eficiente no controle da doença.


2.1.6 OÍDIO – Oidium manihotis

É uma doença sem importância econômica apesar de ter ampla distribuição geográfica. Ocorre principalmente nas estações secas do ano.

Sintomatologia:
O sintoma mais característico da doença é um crescimento fúngico branco, de aspecto pulverulento, sobre a superfície das folhas. Tal crescimento é constituído de micélio, conidióforos e conídios do fungo.
No inicio ocorre um clorose das células infectadas, e com a evolução das mesmas pode ocorrer à necrose do tecido.

Etiologia:
Oidium manihotis é um Fungo Mitospórico da ordem Moniliales, cuja fase perfeita, ainda não relatada, deve corresponder a um ascomiceto da ordem Erysiphales. O fungo é um parasita obrigatório, e produz conídios hialinos, unicelulares, ovalados arranjados na extremidade de conidióforos curtos e não ramificados.

Epidemiologia:
A disseminação dos conídios é feita principalmente pelo vento. A água pode disseminar os conídios a curtas distancias, na forma de respingos, porém chuvas intensas podem promover a lavagem das estruturas fúngicas, razão pela qual a doença é favorecida pelas estações secas. Além da Manihot esculenta, o fungo também infecta espécies selvagens de espécies do gênero Manihot.

Controle:
Normalmente não é necessário adotar nenhuma medida de controle para o oídio, no entanto, parece haver diferenças entre variedades quanto à resistência.


2.1.7 PODRIDÃO DAS RAÍZES – Phytophthora drechsleri, P. nicotianiae var. parasitica, P. richardiae, Pythium scleroteichum, Fusarium solani, Rosellinia necatrix e Diplodia manihotis

A podridão radicular é a doença mais limitante da produção de mandioca na Região Nordeste, sendo que as perdas de produtividade nas áreas de maior ocorrência da doença estão em torno de 30% (Fukuda C. e Otsubo A. A., 2010).

Etiologia:
Os mais importantes agentes causadores da podridão radicular são os fungos Phytophthora sp e Fusarium sp, não somente pela abrangência geográfica, mas principalmente pelas severas perdas na produção. Alguns estudos mostram que a ocorrência de Phytophthora sp é mais acentuada em plantios de mandioca implantados em áreas sujeitas a encharcamento, com textura argilosa e de pH neutro ou ligeiramente alcalino. No caso de Fusarium sp, acredita-se que sua sobrevivência está relacionada a solos ácidos e adensados. Outros agentes causais como Diplodia sp, Sytalidium sp. e Botriodiplodia sp. podem, em áreas favorecidas por microclima, tornar-se patógenos prejudiciais à cultura (Fukuda C. e Otsubo A. A., 2010).
. Rosellinia necatrix é menos freqüente, tendo sua maior incidência em solos recém-desbravados. O complexo Phytophthora drechsleri / Fusarium solani, é o que possui maior ocorrência (Kimati, H. et al, 2005).

Sintomatologia:
Esses fungos provocam podridão mole nos órgãos de reserva, que tornam-se marrons e exsudam liquido fético, em conseqüência a planta murcha e morre. Os sintomas se dão em reboleiras, com uma fonte de inóculo (tronco, restos de plantas) no centro (Fukuda C. e Otsubo A. A., 2010).

Epidemiologia:
As podridões radiculares normalmente estão associadas às áreas de solos argilosos, mal drenados e com alto teor de matéria orgânica. A doença causa mais problemas em áreas de várzeas e baixadas. A disseminação do fungo ocorre através de rizomorfas que avançam no solo por vários metros de distancia (Fukuda C. e Otsubo A. A., 2010).

Controle:
Recomenda-se o plantio em solos com boa drenagem. Em áreas de várzeas deve-se realizar a rotação de culturas na estação seca, com milho e arroz, e o plantio em camalhões de 30 cm de altura. Recomenda-se fazer o uso de manivas sadias e realizar o tratamento através da imersão por 10 minutos numa suspensão de Fosetyl – Al (80%) na concentração de 2 g/L. existem variedades resistentes principalmente a EMBRAPA-8 (Kimati, H. et al, 2005).


2.1.8 FERRUGEM – Uromyces manihotis

Historicamente a ferrugem-da-mandioca não tem mostrado importância no cultivo da cultura no Brasil. Todavia nos últimos anos a doença tem se mostrado bastante agressiva, causando epidemias severas no Nordeste do país, mas especificamente no Norte da Bahia, e no Sergipe (Rodriguez, M. A. D. et al. 2008).

Etiologia:
Os teliósporos e uredósporos são unicelulares. Sendo os uredósporos a principal fonte de disseminação, pois os teliósporos raramente são encontrados.

Sintomatologia:
A doença ataca principalmente tecidos novos. Pústulas de coloração marrom e alaranjadas são encontradas na face inferior das folhas, nos pecíolos, no caule e nos frutos. Folhas e ramos podem sofrer deformações, causando o crescimento exagerado de células dos tecidos infeccionados. Eventualmente pode ocorrer amarelecimento e seca dos ponteiros (Rodriguez, M. A. D. et al. 2008).


Epidemiologia:
Conhece-se pouco sobre a epidemiologia da doença, mas se sabe que a doença esta associada a temperaturas amenas (18 °C a 23 °C), pois as epidemias comumente são encontradas nas épocas frias do ano, nos meses de junho e agosto. Os maiores problemas é quando a ferrugem esta associada coma antracnose (Colletotrichum gloeosporioides), o que é comum pois as temperaturas ideais aos patógenos são similares (Rodriguez, M. A. D. et al. 2008).

Controle:
A ferrugem dispensa medidas de controle. Mas normalmente recomenda-se o uso de variedades resistentes, porém ate o momento devido a pouca expressão da doença não se tem variedades resistentes indicadas. Como pratica cultural sugere-se alterar a data de plantio de modo que na época de maior ocorrência da doença as plantas tenham mais de 9 meses de idade, quando as perdas provocadas pela doença são menores (Rodriguez, M. A. D. et al. 2008).


2.1.9 SUPERBROTAMENTO - Fitoplasma

O superbrotamento é uma doença causada por fitoplasma, que tem sido encontrada atacando a cultura da mandioca no Brasil, sendo particularmente importante na microrregião da Serra da Ibiapaba, no Ceará, apesar da sua ocorrência ser registrada em quase todas as regiões produtoras de mandioca. Nos Tabuleiros Costeiros, o superbrotamento ainda não foi constatado como problema para a cultura, mas não descarta a sua introdução na região, tendo em vista que a doença tem a grande capacidade de se expandir, principalmente no Estado da Bahia. Recentemente registrou-se ocorrências nos municípios de Jacaracy, Mortugaba e Condeúba situados na região do Rio Gavião, Bahia (Fukuda C. e Otsubo A. A., 2010).

Epidemiologia:
Em condições altamente favoráveis ao desenvolvimento da doença, pode provocar uma redução de até 70% no rendimento de raízes, e acentuada diminuição nos teores de amido, que chega a 80% em cultivares suscetíveis. O superbrotamento também pode causar perdas na produção de manivas-semente, tendo em vista que, nas plantas afetadas, as hastes apresentam-se com um tamanho muito reduzido e excesso de brotação das gemas (Fukuda C. e Otsubo A. A., 2010).

Sintomatologia:
Os sintomas da doença caracterizam-se pela emissão exagerada de hastes a partir da haste principal, também chamados de envassouramento ou flocos, além de provocar raquitismo e amarelecimento generalizado das plantas afetadas. Acredita-se que a disseminação da doença ocorra por meio de vetores transmissores, normalmente insetos que têm o hábito sugador, além de manivas-semente contaminadas utilizadas para o plantio (Fukuda C. e Otsubo A. A., 2010).

Controle:
O controle do superbrotamento pode ser efetuado preventivamente evitando a introdução de material de plantio de áreas afetadas, seleção rigorosa do material de plantio em áreas de ocorrência da doença e eliminação de plantas doentes dentro do cultivo. A utilização de variedades resistentes é o método mais eficiente de controle da doença; em trabalho realizado no Ceará foram identificados os genótipos Embrapa 54–Salamandra, Embrapa 55–Tianguá, Embrapa 56–Ubajara e Embrapa 57–Ibiapaba, resistentes à doença e com características agronômicas e industriais desejáveis (Fukuda C. e Otsubo A. A., 2010).


2.2 TÁTICAS DE MANEJO DAS DOENÇAS

A cultura da mandioca possui como principal doença a bacteriose causada por x. campestris pv. manihots, portanto táticas de manejo devem visar principalmente seu controle. O uso de cultivares resistentes é muito eficiente no controle, e quando não há a presença do patógeno na área e recomendado procurar evitar sua entrada através da utilização de manivas que possuem procedência confiável e não utilizar maquinário e ferramentas providas de outras lavouras.
A pratica de imersão de manivas em fungicidas/bactericidas é bastante utilizada, pois a imersão na solução pode combater patógenos causadores de podridões, antracnose, e ate mesmo a bacteriose, diminuindo a severidade dessas doenças nas lavouras.
Na aquisição de material propagativo deve-se ter muita cautela, pois se pode introduzir uma doença na área pelo uso de material contaminado. Evitar a aquisição de manivas provenientes do Norte, pois nessa região ocorre o superalongamento, que em nossa região não há relatos de ocorrências, e praticas que visam a não entrada da doença na região e aconselhada.
É necessário eliminar focos de doença na lavoura, como as podridões, superalongamento, viroses, dentre outros, para a minimização e diminuição da dispersão do patógeno. Sempre a rotação de culturas é uma pratica bem vista, pois quebra o ciclo biológico de certas pragas agrícolas favorecendo o controle dos mesmos.


3 CONCLUSÃO

Deve-se levar em consideração para o controle das doenças a integração de métodos de controle, pois ocorre a maximização da eficácia do combate das doenças, favorecendo o aumento da produtividade da lavoura.





4 LITERATURA CITADA

RODRIGUEZ, M. A. D., OLIVEIRA A. M. G., DINIZ, M. S., ALVES, A. C. C.. Ferrugem da mandioca. Mandioca em foco - número 37. 1ª edição – publicação on-line. Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. 2008.

THRESH, J. M., FARGETTE, D., MUKIIBI, J.. Research on African cassava mosaic virus: the need for international collaboration. In: Root Crops for Food Security in Africa. Proceedings 5th Triennial Symposion of the International Society for Tropical Root Crops – Africa Branch.(Ed.by Akoroda, M.O.),pp 271-274.IITA, Ibadan, Nigeria. 1994.

FUKUDA C., OTSUBO A. A.. Cultivo da mandioca na região centro sul do Brasil. Embrapa Mandioca e Fruticultura. http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Mandioca/mandioca_centrosul/doenc s.htm . Acessado em 21 de outubro de 2010.

FRAIFE FILHO G. A., BAHIA J. J. S., Mandioca. Ceplac-Cepec-BA. http://www.ceplac.gov.br/radar/mandioca.htm . Acessado em 26 de outubro de 2010.

KIMATI, H.; AMORIM, L.; REZENDE, J.A.M.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A. Manual de fitopatologia: Doenças das plantas cultivadas;. 4ª Ed.vol. 2, p. 340-341 – São Paulo: Agronômica Ceres, 2005.

ALVES M. C. S., MOREIRA M. A. B., CHAGAS M. C. M., HOLANDA J. C., SILVA J., JUAREZ DAMASCENO DE SOUZA LIMA J. D. S. M.. Recomendações técnicas para o cultivo da mandioca. VI Circuito de tecnologias adaptadas para a agricultura familiar. Natal, RN. 2009.

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