terça-feira, 9 de novembro de 2010

ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DE Alternaria sp.

ASPECTOS GERAIS E MORFOLÓGICOS DE Alternaria sp.
Lucas Philippi Paim do Prado
Acadêmico do Curso de Agronomia

1.INTRODUÇÃO

A Alternaria sp foi descrita por Ness (1816), apresentando como sinonímias Elosia Pers., 1822; Macrosporium Fr. 1832; Prathoda Subram. 1956; Rhopalidium Mont., 1856; e Trichoconiella B.L. Jain. 1975. A posição taxonômica do Alternaria sp pertence ao Reino Fungi; divisão: Ascomycota; subdivisão: Dothideomycetes; classe: Pleosporomycetidae; ordem: Pleosporales; família: Pleosporacea. O gênero é representado por 632 espécies descritas em literatura, 44 variedades e 23 formae speciales. (Indexfungorum, 2010).
A alternaria sp é um fungo prejudicial a saúde humana, pois é um alérgeno comum nos seres humanos, causando a chamada febre dos fenos ou reações de hipersensibilidade que às vezes levam à asma. Prontamente podendo causar ainda, infecções oportunistas em pessoas imunodeprimidas, como doentes de AIDS. (Segundo Worldingo, 2010).
As éspecies de alternaria maléficas ao homem , lembradas como agentes de feohifomicoses descritas em literatura são : Alternaria alternata, A. chartarum, A. dianthicola, A. infectoria, A. stemphyloides, A. Tenuissima, sendo bem distrubuídas em todo o mundo.(Vidotto, 2002).
Em todo o mundo, as alternarioses, estão entre as mais comuns doenças fúngicas em hortaliças. Causadas por fungos do gênero Alternaria caracterizam-se por afetar plântulas, folhas, caules, hastes, flores e frutos de várias hortaliças tais como solanáceas, apiáceas, aliáceas, crucíferas, curcubitáceas e chichoriáceas. Em função da cultura que afeta podem apresentar diferentes nomenclaturas como “pinta preta” para tomate, batata e pimentão; “mancha de alternaria”, para crucíferas, chichoriáceas e cucurbitáceas em geral; “mancha púrpura” para aliáceas e queima das folhas para cenoura. (Töfoli e Domingues, 2010).
As principais espécies do gênero Alternaria, associada a plantas no Brasil são: Alternaria alliariae-officinalis Savul. & Sandu, A. allii Nolla, A. alternantherae Holcomb & Antonop, A. alternata f.sp. lycopersici Keissl, A. alternata (Fr.) Keissl, A. anagallidis A. Raabe, A. atrans W.H. Gibson, A. bataticola Ikata ex W. Yamam, A. brasiliensis F.M. Queiroz, M.F.S. Muniz & M. Menezes, A. brassicae var. brassicae (Berk.) Sacc, A. brassicae var. citri Penz, A. brassicae var. dauci (J.G. Kühn) P.C. Bolle, A. brassicae var. exitiosa (J.G. Kühn) Ferraris, A. brassicae var. macrospora Sacc, A. brassicae microspora Brunaud, A. brassicae var. minor Sacc, A. brassicae var. nigrescens Peglion, A. brassicae phaseoli Brunaud , A. brassicae (Berk.) Sacc, A. brassicicola (Schwein.) Wiltshire, A. carotae (Ellis & Langl.) J.A. Stev. & Wellman, A. cheiranthi (Lib.) P.C. Bolle, A. chlamydospora Mouch, A. cichorii Nattrass, A. circinans (Berk. & M.A. Curtis) P.C. Bolle, A. citri Ellis & N. Pierce, A. cucumerina (Ellis & Everh.) J.A. Elliott, A. dauci (J.G. Kühn) J.W. Groves & Skolko, A. dianthi F. Stevens & J.G. Hall, A. euphorbiae (Barthol.) Aragaki & J.Y. Uchida, A. euphorbiicola E.G. Simmons & Engelhard, A. fasciculata (Cooke & Ellis) L.R. Jones & Grout, A. helianthi (Hansf.) Tubaki & Nishih, A. longissima Deighton & MacGarvie, A. macrospora (Sacc.) Mussat, A. mangiferae Pontes e Alves, A. oleracea Milbrath, A. padwickii (Ganguly) M.B. Ellis, A. passiflorae J.H. Simmonds, A. peglionii Curzi, A. porri (Ellis) Cif, A. porri f.sp. cichorii T. Schmidt, A. porri f.sp. dauci Neerg, A. porri f.sp. solani Neerg, A. qualeae Dorn.-Silva & Dianese, A. radicina Meier, Drechsler & E.D. Eddy, A. raphani J.W. Groves & Skolko, A. ricini (Yoshii) Hansf., A. rugosa McAlpine, A. sesami (E. Kawam.) Mohanty & Behera, A. sesamicola E. Kawam, A. solani (Ellis & G. Martin) L.R. Jones & Grout, A. sonchi Davis, A. sp. Nees, A. spinaciae Allesch. & F. Noack, A. steviae Ishiba, T. Yokoy. & Tani, A. tabacina (Ellis & Everh.) Hori, A. tagetica S.K. Shome & Mustafee, A. tenuis Nees, A. zinniae M.B. Ellis.
Além disso, foi relatado a presença de alternaria sp, em várias espécies de plantas no Brasil, são exemplos : Abelmoschus esculentus Moench (Quiabo), Oryza sativa L. (Arroz) , Gossypium hirsutum L. (Algodão), Solanum tuberosum L. (Batata), Saccharum officinarum L. (Cana de açúcar), Daucus carota L. (Cenoura), Phaseolus vulgaris L. (Feijão), Helianthus annuus L. (Girassol), Zea mays L. (Milho), Sorghum vulgare Pers. (Sorgo), Sorghum bicolor (L.) Moench. (Sorgo forrageiro), Glycine max Merr. (Soja), Lycopersicon esculentum Mill.(Tomateiro), Triticum aestivum L. (Trigo). (Embrapa cernagem, 2010).
No estado de GO, varias mudas de tomateiro (Lycopersicon esculentum), foram avaliadas , testando os genótipos da fruta que apresentam maior resistência ao alternaria solani, constatando que duas espécies do gênero comprovaram tal resistência.(De Paula e Oliveira, 2003).
Na região Sul do país, nos períodos de safra agrícola de trigo (2007/2008), realizou se um trabalho com o objetivo de avaliar a presença de alternaria sp em sementes de trigo oriundas de diferentes localidades nos estados de SC, PR E RS. As amostras de sementes de trigo analisadas constataram elevada incidência do fungo alternaria sp. (Belani et al., 2008).
Uma característica comum, observada em algumas espécies de Alternaria, está na baixa capacidade ou mesmo ausência de esporulação em meio de cultura. Um grande número de trabalhos indica diferentes métodos para induzir esporulação com variações quanto à luz utilizada, meios de cultura, ferimentos do micélio, temperaturas e idades das colônias. Os fungos do gênero Alternaria sobrevivem entre um cultivo e outro em restos de cultura infectados, e hospedeiros intermediários, podendo sobreviver ainda em equipamentos agrícolas, estacas e caixas usadas ou mesmo nas sementes. Além destas formas de sobrevivência, existe a possibilidade do patógeno permanecer viável no solo na forma de micélio, esporos ou clamidósporos. Os conídios de Alternaria spp. são altamente resistentes a baixos níveis de umidade, podendo permanecer viáveis por até um ano nestas condições. (Töfoli e Domingues, 2010).
O objetivo deste trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Alternaria sp.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no laboratório de microbiologia do Instituto Federal Goiano, Campus Urutaí.
Os propágulos foram coletados de folhas de tomateiro (Lycopersicon esculentum), amostra essa já existente no laboratório.
As lâminas para estudo foram preparadas com o auxilio do professor Milton lima , por meio de pescagem direta usando pinça metálica e seringa sempre flambando para esterilizar o material utilizado.Depois de coletado o material foi depositado na lamina, juntamente com o fixador azul de metileno, feito isso, uma lamínula foi depositada sobre o material. Retirou – se o excesso de corante com o auxilio de papel filtro, e vedou – se com esmalte. Levou o conjunto para visualização em microscópio ótico, a primeira objetiva a ser analisada foi a menor (4x), para observação de propágulos depositados na lâmina, após a observação destes, em seguida objetiva para os aumentos de 10x e 40x, para se observar as estruturas fúngicas detalhadamente.
As características observadas na colônia fungica foram comparadas com as estruturas descritas em literatura, definindo que o gênero funginco é Alternaria sp sp.
As macro e microfotografias foram feitas utilizando maquina digital marca Canon, modelo Power shot SD 750. 7.1 mega pixels, do professor Milton Luiz da Paz Lima, e fotografadas pelo próprio professor.
Feito isso, mediu – se as estruturas fungicas importantes, tais como : conidióforos, conídios, onde comparou se as diferentes medidas de pelo menos 50 estruturas diferentes. Para isso foi utilizado uma ocular especial, um micrômetro que propiciou tal medição.


3.RESULTADOS E DISCUSSÃO




Figura 1. Aspectos morfológicos de Alternaria sp. A. Hifa proliferando dando origem a três conidióforos. (bar = 18 µm) B. Ramificação do conidióforo e formação de conídios ainda imaturos. C. Conidióforo alongado e célula conidiogênica ampuliforme. (bar = 25 µm) D. Conídios catenulados (em cadeia) com septos transversais e longitudinais. (bar = 30 µm)

Descrição micológica:

Espécies de Alternaria sp são facilmente identificadas pelos conídios(Figura 1 D) de grandes dimensões, tipicamente ovoides ou obclavados, marrom claro a marrom, multicelular, com septos longitudinais, transversais e as vezes obliquos. As colônias são geralmente difusas, cinza a marrom escuro, conidióforos(Figura 1A) diferente das hifas, escuros, solitários ou em fascículos (Wiese, 1977 apud Belani, 2008).

Colônias efusas, geralmente cinza escuro, castanho-escuro ou preto. Micélio todos imersos ou parcialmente superficial; hifas incolores, verde-escuro ou marrom.
Estroma raramente formado. Cerdas e hifopodio ausente. Conidióforos(Figura 1C) macronematoso, mononematoso, simples ou de forma irregular e pouco ramificada, septos incolor ou marrom, solitários ou em células conidiogênicas terminais, integrado tornando-se, poliblastica, simpodial, ou às vezes monoblastica, cicatrizada.( Ellis, 1971).

Dimensões do fungo Alternaria sp

Tabela 1. Comparação dos elementos morfológicos e morfométricos de Alternaria com os elementos morfológicos descritos por outros autores:

Descrição morfológica

Diâmetro (µm)

Watanabe (1994)

Conídio

30 - 7

18-45(70.5) x 6,5-15,5

Dimensões do conidióforo

25 - 3

17-40(139) x 3-3

As medidas descritas em literatura do autor Watanabe (1994), pertencem ao fungo Alternaria alternata e que foram utilizadas com o intuito de realizar-se a comparação morfométrica. Comparou – se a medição do fungo estudado em laboratório com literatura pertinente descrita acima.

4. LITERATURA CITADA

Belani, A. M. M., 2008. Levantamento de Alternaria sp. Em sementes de trigo na região sul do país. Fitopatolgia. Disponivel em www.cnpt.embrapa.br/rcbptt/2rcbptt/.../resumos%20fitopatol.pdf (EMBRAPA CERNAGEM, 2010). Acesso em : 04/11/2010

DE PAULA, R.S.; OLIVEIRA, W. F. Resistência de tomateiro( lycopersion esculentum) ao patógeno alternaria solani. Pesquisa agropecuária tropical, 33. p. 89-95, 2003. Disponível em: acesso 04/11/2010.

DOMINGUES R.J.; TÖFOLI, J.G. Alternarioses em hortaliças: sintomas, etiologia e manejo integrado. http://www.biologico.sp.gov.br/artigos_ok.php?id_artigo=11# acessado em 6 de novembro, 2010.

ELLIS, M. B. Dematiaceous Hyphomycetes. Ed. CAB - Commonwealth Mylocogical Institute Kew, Surre, England. 1971.

EMBRAPA CERNAGEM 2010, dísponível em :http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/fgbd02a.asp#F acessado em: 03 de novembro de 2010.

INDEX FUNGORUM disponível em : http://www.indexfungorum.org/Names/Names.asp?pg=1acessado em: 04/11/2010.

INDEX FUNGORUM disponível em: http://www.indexfungorum.org/Names/NamesRecord.asp?RecordID=7106 acesso em : 04/11/2010.

VIDOTTO, V.Manual de Micologia médica.São Paulo: Novo conceito. 2002.

WATANABE, T. Atlas Pictórico de fungos de solos e de sementes. Tókio: Lewis Publisher, 1994.

WORLDLINGO ALTERNARIA. Disponivel em: http://www.ipm.ucdavis.edu/PMG/r108100911.html Acesso: 04/11/2010.

28 comentários:

  1. Marcelo Mueller: estão faltando endereços nas referencias.

    ResponderExcluir
  2. Faltam referêcias e o nome de quem confeccionou a prancha de fotos.

    ResponderExcluir
  3. Faltam o nome de quem tirou as fotos e confeccionou a prancha.

    ResponderExcluir
  4. Os nomes de Gêneros e espécies não estão em itálico, a legenda esta um pouco longe da prancha.
    A prancha esta muito boa, as imagens estão bem nítidas.
    Geovani L. Oliveira

    ResponderExcluir
  5. A citação está com letra maiúscula(INDEXFUNGORUM, 2010).

    ResponderExcluir
  6. Não precisava colocar o tamanho das objetivas.

    ResponderExcluir
  7. Tálita Boorges.
    Muito boa a prancha de fotos, bom pra se visualizar e para o bom entendimento.

    ResponderExcluir
  8. Relacionar as estruturas fúngicas descritas na prancha com a descrição micológica.

    ResponderExcluir
  9. O gênero não está em itálico. Os sites em que você pesquisou não aparece nas referências. Algumas de suas citações estão com as letras todas em maiúsculo, sendo que é necessário somente as iniciais. O seu texto não está justificado. Sua prancha e aspectos morfológicos ficaram ótimos!

    ResponderExcluir
  10. Cássio: Faltou demonstrar os softwares utilizados para fazer a prancha.

    ResponderExcluir
  11. É preciso formatar a introdução. (colocar em negrito as palavras necessárias . Ficaria bom se fosse dado um espaço entre cada parágrafo para melhor compreensão da idéia do trabalho). Algumas citações na introdução não aparecem nas literarutas citadas. A prancha de fotos não possui o nome do autor, nem as escalas. Na legenda da prancha as letras correspondentes as fotos deverião estar em negrito.
    A descrição micologica não apresenta a chamada das fotos.
    Não existe o endereço dos sites pesquisados.

    ResponderExcluir
  12. Deveria ter colocado o nome dos fungos em itálico e centralizar e colocar as barras na prancha.

    ResponderExcluir
  13. Ivo, organizar a introdução, faltaram alguns esndereços dos sites na referência.

    ResponderExcluir
  14. Boa visualizacao da prancha, porem esta sem o nome do autor das fotos.

    ResponderExcluir
  15. O trabalho ficou bom, so da uma melhorada na sua formataçao!
    abrass

    ResponderExcluir
  16. tem citações com letra maiúscula e com minúscula deveria padronizar

    ResponderExcluir
  17. Os generos de fungos devem ser escritos em itálico

    ResponderExcluir
  18. Faltou justificar o texto e centralizar a prancha de fotos

    ResponderExcluir
  19. Edvan Müller: O texto não está justificado, e seria bom utilizar mais paragrafos pois na falta o texto fica muito confuso. Abraços

    ResponderExcluir
  20. Alicionon Oliveira: Falta o nome de quem confeccionou a prancha e algumas palavras em Italico, mas mesmo assim um trabalho muito bom.

    ResponderExcluir
  21. O gênero não está em itálico,mas sua prancha ta ótima parabéns..

    ResponderExcluir
  22. Referências em letras maiúsculas no texto,justificar o texto.

    ResponderExcluir
  23. Alisson : A prancha ficou legal mas falto o nome do autor .

    ResponderExcluir
  24. Lucas Silva: na introdução não começa com o nome do fungo, tem algumas citações erradas.
    Na metodologia dar mais detalhes dos procedimentos e materiais que você utilizou pra melhor entendimento de sua metodologia.
    A prancha fiocu boa falta as medidas das estruturas fúngicas em literatura e morfometria.
    Abraços...

    ResponderExcluir

Seguidores

Postagens populares da Ultima Semana