segunda-feira, 15 de julho de 2013

Trabalho Acadêmico: Descrição dos sintomas, epidemiologia, diagnóstico, tratamento, prevenção e controle da patologia causada pela Streptococcus pyogenes.



Illana Reis Pereira
Acadêmica do Curso de Ciências Biológicas

Introdução

O estreptococo hemolítico foi descrito como agente etiológico das amigdalites agudas por Bloomfield Felty e Thomsons, em 1920. Dez anos depois, Lancefiel, classificou sorologicamente diferentes grupos de estreptococos através da presença de polissacarídio específico da membrana bacteriana (MACIEL et al., 2003).
O gênero Streptococcus, pertencente à família Streptococcaceae, tem seus representantes esféricos (cocos) agrupados em forma de cadeia. Normalmente estes organismos preferem ambientes oxigenados, porém se desenvolvem também em meio anaeróbio, eles são homofermentativos, ou seja, no fim da fermentação apenas um produto é obtido o ácido láctico.
A bactéria Streptococcus pyogenes ou estreptococo beta-hemolítico do grupo A de Lancefield é a espécie bacteriana mais freqüentemente associada à etiologia de infecções primárias da faringe e amígdalas (SCALABRIM et al., 2003).
As infecções causadas por esse patógeno podem acometer indivíduos de diversas faixas etárias, porém são bastante comuns entre crianças (SOUZA et al., 2013).
O presente trabalho tem como objetivo apresentar os sintomas, epidemiologia, tratamento e controle da bactéria Streptococcus pyogenes, divulgando os cuidados que a população deve tomar.

Desenvolvimento

Segundo Trabulsi e Alterthum (2008), o S. pyogenes possui vários constituintes celulares e produz diversas substâncias que contribuem em maior ou menor grau para sua virulência, são eles: Cápsula que é constituída de ácido hialurônico, quimicamente idêntico ao existente no organismo humano. Atribui-se a este fato a sua não-imunogenicidade, protege a bactéria das células fagocitárias, in vitro, o estreptococo perde a sua cápsula no fim da fase exponencial da curva decrescimento, o que coincide com a produção intensa de hialuronidase. É possível que nestafase a cápsula torne-se desnecessária para patogênese do processo infeccioso (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 207);
A proteína M, trata-se de uma proteína fibrilar, com forma de dupla hélice, que se encontra ancorada no peptidoglicano da parede e se estende até a superfície da célula, projetando-se para fora da cápsula. além do seu papel como fator de virulência, a proteína m desfruta de grande importância prática, pois devido à sua variabilidade antigênica, permite classificar o S.pyogenes em sorotipos. O conhecimento dos tipos M é muito útil para o entendimento daepidemiologia e patogenia das infecções estreptocócicas. Como fator de virulência, a proteína M desempenha funções importantes ela adere afibronectina funcionando como adesina, interage com o fibrinogênio mascarando a presença da bactéria no organismo e se fixa a porção Fc de anticorpos, bloqueando as suas interações com os fagócitos, a  proteína M é fortemente antifagocitária (STREPTOCOCCUS, 2013);
Proteína F, é como a proteína M, a proteína F (f de fibronectina) também se encontra ancorada no peptidoglicano e se projeta para fora da superfície celular ela  promove adesão do S.pyogenes à mucosa da faringe, e é considerada uma das suas principais adesinas (STREPTOCOCCUS, 2013);
Peptidase de C5, é uma protease que degrada o componente C5a do complemento, reduzindo o recrutamento de leucócitos para o local de infecção (STREPTOCOCCUS, 2013);
Proteína Inibidora do Complemento, é a proteína é secretada pela bactéria e tem a capacidade de inativar o complexo de ataque do complemento(C5-C9), anulando sua função lítica. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 207).
O S.pyogenes também produz algumas enzimas como: estreptoquinase, desoxirribonuclease e hialuronidase, algumas hemolisinas como as estreptolisinas, e,também, exotoxinas pirogênicas. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 207).
Os Streptococcus pyogenes, são bactérias (germes) encontradas normalmente na garganta e na pele de pessoas saudáveis. Esporadicamente, estes germes podem causar dor de garganta ou infecção cutânea leve. E, raramente os estreptococos do grupo A, causam uma versão grave da doença chamada de infecção invasiva por estreptococos do grupo A. (INFECÇÃO, 2013).
As formas mais comuns e leves da infecção causada por estreptococos do grupo A, incluem faringite estreptocócica (dor de garganta, geralmente acompanhada de febre, com uma substância branca cobrindo a garganta e as amígdalas, e glândulas inchadas no pescoço) e infecções da pele. Em alguns casos, a infecção causada por estreptococos do grupo A pode agravar-se, podendo ocorrer escarlatina, infecções do ouvido médio (otite média), problemas renais e febre reumática. (INFECÇÃO, 2013).
Quando os estreptococos do grupo A penetram partes do corpo onde estas bactérias não costumam estar presentes – por exemplo, sob a pele, na medula espinhal, no sangue, nas articulações ou nos pulmões - pode haver desenvolvimento de doença séria. Isto é chamado de infecção invasiva por estreptococos do grupo A e abrange os seguintes tipos de doença:
Fasciite necrotizante (ocasionalmente denominada “infecção por bactérias devoradoras de carne”) é uma infecção rara dos tecidos subcutâneos ou dos músculos, com vermelhidão, inchaço e dor em alguma parte do corpo, associada a um ferimento óbvio ou outra incisão na pele. Os sintomas são febre, vesículas com fluido (bolhas) na pele, e músculos e pele inchados e dolorosos. Outros tipos de germes também causam fasciite necrotizante. Em casos raros, a infecção invasiva por estreptococos do grupo A ocorre em decorrência das pústulas da catapora. (INFECÇÃO, 2013).
A síndrome de choque tóxico estreptocócico é uma infecção rara que faz com que os órgãos internos parem de funcionar em decorrência das toxinas produzidas por estreptococos do grupo A. Os sintomas são febre, dor de cabeça, vômito, dores musculares, confusão, erupção cutânea, problemas respiratórios e, se a pele estiver infectada, dor grave no local da infecção. (INFECÇÃO, 2013).
A bacteremia estreptocócica/septicemia é uma infecção por estreptococos do grupo A que ocorre quando os estreptococos infectam a corrente sangüínea. Esta infecção pode ocorrer após uma cirurgia, algum outro tipo de procedimento invasivo ou ainda se uma ferida se infeccionar. Não é comum. Os sintomas são febre, pressão arterial baixa, cansaço e fraqueza muscular. Outros tipos de germes também podem causar bacteremia. (INFECÇÃO, 2013).
A infecção por estreptococos do grupo A é transmitida de pessoa a pessoa normalmente através da saliva, através de mãos com estreptococos presentes e que não são lavadas, ou através de contato físico direto com feridas ou lesões na pele. Ambientes muito cheios de pessoas, como dormitórios, quartéis e creches, facilitam a transmissão de germes entre as pessoas.
 As pessoas com estreptococos do grupo A na garganta ou nariz, mas que não estão doentes tem menos possibilidade de transmitir os germes para outras pessoas. Uma pessoa doente não transmite germes a outras pessoas após tomar antibióticos por pelo menos 24 horas. (INFECÇÃO, 2013).
            A faringite estreptocócica e infecções cutâneas leves (como impetigo) são muito comuns. As infecções invasivas por estreptococos do grupo A são raras. (INFECÇÃO, 2013).
Qualquer um pode contrair faringite ou uma infecção cutânea leve por estreptococos do grupo A, normalmente, pessoas saudáveis têm um risco muito pequeno de adquirir infecção invasiva. Pessoas com doenças crônicas como câncer, diabetes, doença cardíaca crônica, alcoolismo, infecção por HIV e crianças ou adultos com baixa imunidade apresentam um risco maior de contrair doenças invasivas do que outras pessoas. Pessoas que fazem diálise, extremamente obesas ou que têm catapora também enfrentam um risco maior do que pessoas saudáveis. (INFECÇÃO, 2013).
O diagnóstico de pessoas suspeitas de doença por estreptococos do grupo A por pode ser feito através de coleta de secreção da garganta e de amostra de sangue. (INFECÇÃO, 2013).
 Se você tiver uma infecção por estreptococos do grupo A, o seu médico geralmente receitará antibióticos, o mais utilizado é a penicilina G. Lembrando que é muito importante tomar toda a série de antibióticos a fim de evitar complicações, especialmente febre reumática. (INFECÇÃO, 2013).
Tem havido grande esforço no sentido de obter-se uma vacina capaz de proteger contra essas infecções, o antígeno mais usado para o preparo de vacinas é a proteína M, alguns resultados parecem promissores, mas inda não existe ainda nenhuma vacina que possa ser usada. (STREPTOCOCCUS, 2013).
A lavagem de mãos é a melhor forma de evitar todos os tipos de infecção por estreptococos do grupo A. Lavar as mãos, especialmente após tossir ou espirrar, e antes e depois de cuidar de uma pessoa doente, ajudará a evitar a transmissão de germes. Evite compartilhar alimentos, bebidas, cigarros ou pratos, copos e talheres em creches deve-se limpar os brinquedos diariamente com um desinfetante aprovado e coibir o uso de comidas de brinquedo. (INFECÇÃO, 2013).
Mantenha ferimentos (como cortes ou arranhões) limpos e esteja atento a sinais de infecção, se um ferimento tornar-se vermelho ou inchado, ou se você desenvolver febre entre em contato com o seu profissional da saúde. Se tiver uma dor de garganta forte, consulte o seu profissional da saúde.
 A pessoa diagnosticada com infecção por estreptococos do grupo A não deve ir à escola, creche ou trabalho e se a pessoa trabalhar no setor da saúde ou alimentício, só deve voltar ao trabalho após já estar tomando antibióticos por pelo menos 24 horas. (INFECÇÃO, 2013).

Conclusão

Conforme mostrado anteriormente à bactéria Streptococcus pyogenes é bastante associada a infecções primarias de faringe e amigdalas e acometem diversas faixas etárias.
Sendo assim o trabalho enfatiza a importância do diagnostico bacteriológico, e nos mostra de forma clara os sintomas, epidemiologia, diagnóstico, tratamento, prevenção e controle da patologia causada por essa bactéria, divulgando os cuidados que a população deve tomar.
 

 

Literatura Citada:


INFECÇÃO causada por estreptococos do grupo A: Massachusetts Department of Public Health, 305 South Street, Jamaica Plain, MA 02130. Disponível em: www.mass.gov/eohhs/docs/dph/.../group-a-strep-pt.rtf - Estados Unidos, acesso em: 02 abr 2013.

MACIEL, A. et al. Portadores assintomáticos de infecções por Streptococcus pyogenes em duas escolas públicas na cidade do Recife, Pernambuco. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant. v.3 n.2 Recife abr./jun. 2003.

SCALABRIN, R. et al. Isolamento de Streptococcus pyogenes em indivíduos com faringoamigdalite e teste de susceptibilidade a antimicrobianos. Rev. Bras Otorrinolaringol. V.69, n.6, 814-8, nov./dez. 2003.

SOUZA, G, R. et al. Febre Reumática e Streptococcus pyogenes: uma relação perigosa. Disponível em: <http://www.infoescola.com/reino-monera/streptococcus/> .  Acesso em: 02 abr 2013.

STREPTOCOCCUS pyogenes. Disponível em:
http://pt.scribd.com/doc/7194717/Streptococcus-Pyogenes. Acesso em 02 abr 2013.

TRABULSI, L, R; ALTERTHUM, F. Microbiologia. 5 ed. São Paulo: Atheneu, 2008.
 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Trabalho Acadêmico: Aspectos sintomatológicos, etiológicos, epidemiológicos e controle de Yersinia enterocolitica

Afrânio Duarte Silva Júnior
Acadêmica do curso de Ciências Biológicas 



1) Introdução
O gênero Yersinia compreende dez espécies, sendo três patogênicas para o homem, Y. enterocolitica e Y. pseudotuberculosis têm sido mais frequentes nos países de clima temperado e Y. pestis, nos países de clima tropical e subtropical. Com poucas exceções, Y. enterocolitica e Y. pseudotuberculosis são transmitidas por alimentos contaminados de origem animal e Y. pestis por meio de pulgas. Y. pestis é o agente da peste, Y. pseudotuberculosis causa adenite e septicemia Y. enterocolitica é responsável por várias síndromes gastrointestinais. Embora causem doenças diferentes, as três espécies têm em comum a capacidade de resistir à fagocitose e acentuado tropismo pelo tecido linfático, e as sete não patogênicas são: Y. frederiksenii, Y. intermedia, Y. Krintensenii, Y. aldovae, Y. Bicorvieri, Y. mollaretii e Y. rohdei (TRABULSI E ALTERTHUM 2008).
A Y. enterocolitica trata-se de uma espécie de bactéria bastante heterogênea em suas características bioquímicas, sorológicas e ecológicas. Atualmente, são reconhecidos cinco biogrupos, 50 sorotipos (antígenos O) e vários fagotipos. Y. enterocolitica é amplamente distribuída na natureza, podendo ser encontrada em diferentes espécies animais, no homem e no meio ambiente, ela cresce bem nos meios de cultura como ágar sangue, MacConkey e mesmo SS. Nestes dois últimos, as colônias são lactose-negativa e bastante pequenas após 24 horas de preferencia em temperatura ambiente. Uma característica importante desta bactéria é que sua capacidade de produzir uréase facilita a identificação de Rotina (TRABULSI E ALTERTHUM 2008).
A yersiniose é uma doença humana causada pela Yersinia enterocolitica, que se caracteriza por sintomas gastroentéricos variáveis de acordo com a pessoa infectada, associando-se geralmente à enterocolite ou linfadenite mesentérica. Pode também estar acompanhada de outras complicações sépticas em crianças, idosos e pessoas debilitadas ou imunocomprometidas. Nos últimos anos, houve um aumento considerável da incidência dessa enterobactéria nos seres humanos e em alimentos. No Brasil, Y. enterocolitica foi isolada do ser humano, de cães suínos, enfermos e sadios, da água e de alimentos, como carne e derivados (TEODORO et. al; 2006).
O objetivo deste trabalho é levantar informações bibliográficas a respeito da bactéria Yersinia enterocolitica levando em consideração aspectos de sintomatologia, etiologia, epidemiologia e controle da bactéria.

 
2) Desenvolvimento
2.1) Sintomatologia:
A infecção por Y. enterocolitica se faz por via oral. Após um período de incubação de quatro a sete dias, surgem ulceração da mucosa do íleo terminal, lesões necróticas nas placas de Peyer e aumento de tamanho dos nódulos linfáticos mesentéricos. Na maioria dos casos, o apêndice é histologicamente normal ou mostra inflamação leve. Quando a Yersinia invade a circulação, podem ocorrer lesões supurativas em órgãos (meninges, fígado e pulmões). Aproximadamente 75% dos pacientes infectados apresentam enterocolite que se caracteriza por febre, diarreia e dores abdominais que duram de uma a três semanas. As fezes podem conter leucócitos e, mais raramente, sangue. A maioria dos pacientes com estas manifestações é constituída com crianças com menos de cinco anos de idade. Em crianças maiores e nos adolescentes, o quadro clinico pode ser indistinguível do quadro da apendicite aguda. Em uma porcentagem dos pacientes, a enterocolite pode ser acompanhada de septicemia, artrite racional, eritema nodoso e síndrome de Reiter (TRABULSI E ALTERTHUM 2008).
A septicemia e mais comum em pacientes com certas doenças como diabetes, câncer e homocromatose. A artrite racional e a síndrome de Reiter são mais comuns em pacientes com o antígeno HLA-B27 (TRABULSI E ALTERTHUM 2008).
2.2) Epidemiologia
A incidência das infecções por Y. enterocolitica é maior na criança que no adulto. O sorotipo dominante em infecções intestinais é o O3, com exceção nos EUA e no Canadá onde o sorotipo O8 é relativamente frequente, pode ocorrer pelo contato direto com animais doentes ou com carnes provenientes destes animais (açougueiros) e até mesmo por transfusão de sangue. As infecções resultantes de transfusão apresentam mortalidade elevada. A capacidade de Y. enterocolitica em crescer a 4ºC facilita sua disseminação, essa bactéria tem como reservatório natural uma variedade de animais (porcos, carneiros, gado, cães etc.) que se infectam entre si e transmitem a bactéria para o homem, direta ou indiretamente (TRABULSI E ALTERTHUM 2008).
2.3) Controle.
Segundo o Manual de Doenças Transmitidas por alimentos e água. (2003), estes microrganismos são sensíveis a vários antibióticos, mas são resistentes geralmente à penicilina e seus derivados. Hidratação oral ou endovenosa pode ser necessária para os sintomas da gastroenterite. Antibióticos estão definitivamente indicados nas septicemias e outras doenças invasivas. Os aminoglicosídeos são os antibióticos de escolha (somente para a septicemia), bem como, a associação sulfametoxazol/trimetoprim (SMX/TMP). Ciprofloxacin e tetraciclinas também se mostram eficazes, assim como relata TRABULSI E ALTERTHUM (2008), que o tratamento é feito com antibióticos. De modo geral, Y. enterocolitica continua sensível à maioria dos antibióticos, mas não devemos esquecer sua resistência natural aos β-lactâmicos.





3) Conclusão
Através deste trabalho pode-se avaliar que a bactéria Yersinia enterocolitica é uma das principais causadoras da contaminação dos alimentos de origem animal, o agente causador mencionado afeta principalmente o fígado, meninges e pulmões, quando contaminado o individuo não tomando os cuidados necessários estará agravando seu quadro e expondo outras pessoas à contaminação, podendo ser tratada apenas com antibióticos.

 


4) Literatura Citada
TRABULSI, L. R; ALTERTHUM, F; Microbiologia - 5. ed.- São Paulo: Atheneu, 2008.
TEODORO, V. A. M; PINTO, P. S. A; VANETTI, M. C. D; BEVILACQUA, P. D; MORAES, M. P; PINTO, M. S; Aplicação da Técnica de PCR na detecção de Yersinia enterocolitica em suínos abatidos sem inspeção, Viçosa: Departamento de veterinária, 2006.
Manual das doenças transmitidas por alimentos e água, São Paulo: Centro de Vigilância Epidemiológica – CVE, 2003, disponível em: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hidrica/yersi_entero.htm, acessado em: 24 de junho de 2013.

Trabalho Acadêmico: Sintomatologia, epidemiologia e controle de Aeromonas sp.



THAIS PINHEIRO DE SOUSA
Acadêmica do curso de Ciências Biológicas





Introdução
O gênero Aeromonas são bactérias gram-negativas, antigamente pertencente a família Vibrionaceae e atualmente pertencente a Aeromonadaceae, com forma de bastonetes, capazes de utilizar diferentes carboidratos que produzam ácido ou ácido e gás. São ubiquos, estando amplamente distribuídos no ambiente, sendo membros importantes da microbiota aquática e de diferentes alimentos de origem animal.               As bactérias pertencentes ao gênero Aeromonas possuem uma morfologia celular distinta, tendo considerável variação na forma e tamanho das células. Apresentam-se na forma de bacilos curtos, formatos cocóides e até formas finas e filamentosas. Em geral, as células são retas com extremidades arredondadas, apresentando-se isoladas, aos pares ou em cadeias curtas (ICMSF, 1996; VARNAN; EVANS, 1991, citado por OLIVEIRA, 2009).
RODRIGUES & RIBEIRO (2004), citado por Silva (2010), descreveram que, a partir de 1984, esse gênero foi separado fenotipicamente em quatro espécies: Aeromonas hydrophila, Aeromonas caviae, Aeromonas sobria e Aeromonas salmonicida. Esta última, com três subespécies: Aeromonas salmonicida subsp. salmonicida, Aeromonas salmonicida subsp. masoucida, Aeromonas salmonicida subsp. achromogenes.
As aeromonas móveis, para o homem, determinam patogenias classificadas como de nível não intestinal e gastrentéricas. Geralmente são responsabilizadas por quadros que variam de diarréias agudas amenas à quadros graves de disenteria. Também foram atribuídos a elas quadros como meningite, endocardite, artrite, infecção cutânea, peritonite e infecção ocular (WIKI, 2013).
Têm sido isoladas de uma ampla variedade de amostras ambientais (diferentes fontes de água e moluscos bivalves), clínicas (sangue, fezes humanas) e de alimentos, incluindo, vegetais, carne bovina, aves, peixes, camarões, etc (OLIVEIRA, 2009). 
            Assim, o objetivo deste trabalho é fazer uma revisão bibliográfica a respeito da bactéria Aeromonas sp. levando em consideração aspectos de sintomatologia, etiologia, epidemiologia e controle da bactéria



Desenvolvimento - Fatores de virulência sintomatologia e epidemiologia da bactéria Aeromonas sp.
          Aeromonas produzem vários produtos extracelulares biologicamente ativos, tais como hemolisinas, citoxinas enterotoxinas, proteases, leucocidina, fosfolipases e endotoxina. A capacidade de produzir diversos fatores de virulência contribui para a patogênese da doença ocasionada por Aeromonas.
          Aeromonas produzem várias proteases que causam danos teciduais e auxiliam no estabelecimento da infecção, vencendo as defesas do hospedeiro. A. hidrophila produz várias lectinas e adesinas que permitem a aderência da bactéria a glicoconjugados específicos na superfície epitelial ou na mucosa intestinal. Aeromonas também pode invadir a mucosa intestinal.   
          As espécies desse gênero tem emergido como importante patógeno humano, devido à suspeita de estarem relacionados com surtos provocados por alimentos e pelo aumento da incidência de isolamento de Aeromonas de pacientes com diarreia do viajante. Tem sido considerada como agente etiológico de diversos casos clínicos envolvendo indivíduos imunocomprometidos de todas as faixas etárias.  
          Peixoto et al. (2012) citaram de acordo com Chopra; Houston, (1999) que a grande dispersão da Aeromonas spp. no meio ambiente pode ser a hipótese mais provável de infecções por con­sumo de alimentos e água contaminada, mesmo sem grandes surtos terem sidos relatados. Aeromonas é um patógeno que produz vários fatores de virulên­cia, por esse motivo a infecção pode se apresentar complexa e multifatorial.
          Podem ocasionar infecções extra-intestinais, tais como septicemia e bacterimia, principalmente as espécies A. hydrophila e A. sobria, geralmente em associação com hepatite, anemia aplástica, tumores, leucemia e doença biliar ou pancreática, e outras com menor frequência (meningite, pneumonia, etc). As infecções cutâneas causadas por Aeromonas, geralmente estão associadas a lesões de pele ocorridas durante recreação em lagos e rios contaminados, como o contato com a terra. A infecção em geral é localizada, manifestando-se poucas horas depois do acidente.
         
          O trato gastrointestinal parece ser a principal fonte de infecção de Aeromonas, acarretando em doença diarreica de curta duração, não havendo ainda evidências experimentais definitivas, devido a ausência de um modelo animal apropriado.
            As espécies de aeromonas descritas como patógenos causadores de infecções intestinais ou extraintestinais no ser humano, assumem destacada relevância epidemiológica em casos de infecções oportunistas em pacientes imunocomprometidos. De acordo com Silva (2010), a gastroenterite é a mais prevalente forma de infecção humana causada por Aeromonas sp.
No que se refere às infecções gastrointestinais, a primeira causada por Aeromonas spp. foi transmitida pela água. Estudos revelaram que o aumento da população de Aeromonas em bebidas contendo água, coincide com o aumento na incidência de doenças gastrintestinais (KIROV, 2001 citado por Oliveira 2009).
          Peixoto et. al. (2012) ressalta também que a presença de bactérias do gênero Aeromonas nos alimentos tem sido demonstrada. Normalmente desta­cam-se os alimentos que durante sua industrialização entraram em contato com a água, a qual é tida como habitat natural das diversas espécies e principal fonte de contaminação (Bizani; Brandelli, 2001). Esses micro-organismos são cada vez mais reconhecidos como patógenos entéricos e possuem fatores de virulência que contribuem para o desen-cadeamento da doença (Nihal; Seda, 2010).
Essas bactérias têm sido isoladas de diferentes tipos de alimentos frescos, congelados, descongelados e submetidos à cocção inadequada. Dentre esses podem ser citados peixes de água doce e salgada e outros frutos do mar, leite, queijos, sorvetes, carnes e produtos cárneos, alfaces e outras hortaliças. Dessa forma, os alimentos têm sido apontados como veículos na disseminação dessas bactérias (RADU et al., 2003; PALU et al., 2006, citado por Silva, 2010).
            Oliveira (2009) discute que apesar de ainda não ser conhecida a dose infecciosa por Aeromonas spp., o gênero inclui espécies que causam uma ampla variedade de infecções extraintestinais no homem, dentre as quais peritonites, endocardites, pneumonia, conjuntivites, infecções do trato urinário, síndrome urêmica hemolítica, septicemias, etc. A septicemia é a doença mais invasiva causada por espécies de Aeromonas spp., embora, originalmente descrita em indivíduos imunodeprimidos, essa doença foi detectada também em pessoas sadias e de todas as idades. Os acometidos para as diversas doenças associadas à Aeromonas spp. são frequentemente imunodeprimidos (crianças e adolescentes), idosos e particularmente pacientes com septicemias e meningites (CORREDORIA et al., 1994; ICMSF, 1996).
O mesmo autor ainda ressalta que, Aeromonas spp. Têm sido incriminada como agentes causadores de doenças diarreicas desde os primeiros isolados de fezes humanas em 1961. Doenças diarreicas são enfermidades importantes na mortalidade em países em desenvolvimento, estando principalmente envolvidos crianças e idosos.
           

Trabulsi e Alterthum (2008) discutem que em relação ao tratamento dessas doenças e controle desses patógenos, conhece-se que a maioria das Aeromonas é resistente à penicilina, ampicilina e carbecilina. Em geral, são sensíveis às cefalosporinas, aminoglicosídeos (com exceção de estreptomicina), cloranfenicol, sulfametoxazol-trimetropim e quinolonas. Como as síndromes diarreicas são autolimitantes, a terapêutica antimicrobiana é questionável, sendo indicada nos casos mais graves, envolvendo pacientes imunodeficientes ou com septicemias.

 
 

            Diante do estudo apresentado sobre a sintomatologia, epidemiologia e o controle de bactérias do gênero Aeromonas, boas práticas de manipulação, juntamente com procedimentos de sanitização adequados, podem ser úteis para prevenir a exposição do ser humano a essas doenças.
          Em casos de criações seja de peixes, aves ou bovinos torna-se necessário o esclarecimento e conscientização dos produtores sobre as boas práticas de manejo, principalmente relacionadas aos cuidados com animais no entorno dos viveiros, que podem servir de fonte de contaminação, das medidas profiláticas e do controle de qualidade da água utilizada para abastecimento dos mesmos. Dessa forma, serão minimizados os problemas sanitários nessas atividades, trazendo benefícios econômicos com a melhora do desempenho produtivo dos animais, da qualidade do alimento e sanatização desses problemas relacionados a saúde.
Dessa forma, o cuidado, a higiene, a prevenção e o tratamento correto contra esses patógenos minimizam a incidência dos casos e trás uma boa repercussão na cura de determinadas doenças.



  Literatura Citada


TRABULSI, L. R.; ALTERTHUM, F. Microbiologia – Ed. 5. São Paulo: Atheneu. P. 355-356. 2008.
WIKI. Aeromonas sp.. Acesso em 28 de Março 2013.
OLIVEIRA, P. F. Pesquisa de Aeromonas spp. em cortes de frango produzidos industrialmente. 2009.
SILVA, R. M. L.Bactérias do Genêro Aeromonas e indicadores de qualidade da água em pisciculturas da região da baixada ocidental maranhense. 2010.

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