O capim-colonião, conhecido cientificamente como Megathyrsus maximus (Jacq.) B.K.Simon & S.W.L.Jacobs, representa uma das gramíneas forrageiras tropicais mais importantes para sistemas de produção animal em regiões tropicais e subtropicais brasileiras, oferecendo elevado potencial produtivo de matéria seca e boa adaptação a condições edafoclimáticas variáveis (VICENTE-CHANDLER et al., 1974; JANK et al., 2014). Esta espécie perene, cespitosa, originária da África, apresenta ampla distribuição geográfica no Brasil onde é amplamente cultivada em pastagens de corte e pastejo, em sistemas de pecuária leiteira e de corte (JANK et al., 2014). A identificação precisa da espécie e compreensão de sua classificação taxonômica são fundamentais para o adequado manejo agrícola, seleção de cultivares melhoradas e implementação de estratégias de produção animal eficientes. Este artigo apresenta a identidade botânica validada de Megathyrsus maximus conforme protocolo consolidado em bases internacionais de dados taxonômicos (Plants of the World Online, World Flora Online, USDA) e literatura científica consolidada, além de informações sobre sua importância agronômica e manejo em sistemas de produção.
O nome científico aceito atualmente é Megathyrsus maximus (Jacq.) B.K.Simon & S.W.L.Jacobs, com basiônimo Panicum maximum Jacq. (1789) que permanece amplamente utilizado na literatura agronômica e fitopatológica brasileira, conforme confirmado pelo Plants of the World Online (Kew Gardens) e World Flora Online (USDA, 2024). Durante décadas, a espécie foi taxonomicamente designada como Panicum maximum Jacq., nomenclatura que persiste em grande parte da literatura brasileira de agronomia, fitopatologia e manejo de plantas daninhas, refletindo a história nomenclatural complexa desta gramínea (JANK et al., 2014). Após revisões taxonômicas baseadas em análises filogenéticas e caracteres morfológicos, a espécie foi transferida para o gênero Megathyrsus pela primeira vez por Simon & Jacobs em 2006, resultando na denominação atualmente aceita Megathyrsus maximus (B.K.SIMON & S.W.L.JACOBS, 2006). A espécie pertence à família Poaceae, subfamília Panicoideae, tribo Panicaceae, representando uma das espécies mais importantes de forrageiras tropicais cultivadas (CLAYTON; RENVOIZE, 1986).
A classificação taxonômica completa de Megathyrsus maximus posiciona a espécie dentro da hierarquia botânica moderna como segue: Reino Plantae, Divisão Tracheophyta, Classe Liliopsida, Ordem Poales, Família Poaceae, Subfamília Panicoideae, Tribo Panicaceae, Gênero Megathyrsus, Espécie Megathyrsus maximus (Jacq.) B.K.Simon & S.W.L.Jacobs (CLAYTON; RENVOIZE, 1986). O gênero Megathyrsus caracteriza-se por gramíneas com inflorescências paniculadas complexas, espiguetas bissexuadas, glumas desiguais, e florete fértil com textura coriácea, características que o diferenciam do gênero Panicum onde historicamente a espécie foi classificada (SIMON; JACOBS, 2006). O epíteto específico maximus refere-se ao grande porte da planta e ao tamanho elevado de suas estruturas reprodutivas, características que diferenciam Megathyrsus maximus de outras espécies do gênero com menor potencial produtivo (CLAYTON; RENVOIZE, 1986).
Megathyrsus maximus é uma gramínea tropical perene, cespitosa, originária do continente africano, apresentando características botânicas e morfológicas que a adaptam particularmente bem a condições tropicais e subtropicais de cultivo (JANK et al., 2014). A espécie apresenta sistema radicular profundo e desenvolvido, permitindo exploração eficiente de água e nutrientes em perfil de solo, conferindo boa tolerância a períodos de estiagem moderada quando comparada a outras forrageiras tropicais (VICENTE-CHANDLER et al., 1974). As folhas são longas, lanceoladas, com lâmina foliar ampla e bainha bem desenvolvida, características que contribuem para elevada produção de matéria seca destinada à alimentação animal (JANK et al., 2014). A inflorescência é uma panícula composta, ampla, com muitas ramificações secundárias, conferindo aspecto de "vassoura" ou "penachão" quando em estádio de maturação reprodutiva, característica visual que facilita sua identificação em campo (CLAYTON; RENVOIZE, 1986).
A importância agronômica de Megathyrsus maximus em sistemas de produção animal tropical é reconhecida há décadas, com ampla documentação de seu comportamento produtivo, valor nutritivo e resposta ao manejo em diferentes regiões brasileiras (JANK et al., 2014). A espécie apresenta elevado potencial produtivo de matéria seca, podendo produzir entre 15 a 25 toneladas de matéria seca por hectare por ano dependendo de condições edafoclimáticas, manejo de defolhação e fertilização (VICENTE-CHANDLER et al., 1974). A produção de forragem é particularmente elevada em regiões de clima tropical úmido onde a disponibilidade de água não é limitante, enquanto em regiões com estações secas pronunciadas a produção reduz significativamente durante períodos de deficiência hídrica (JANK et al., 2014). A capacidade de tolerância a solos de média a baixa fertilidade, embora inferior a outras forrageiras melhoradas, torna Megathyrsus maximus viável para cultivo em áreas com limitações edáficas moderadas (VICENTE-CHANDLER et al., 1974).
O valor nutritivo de Megathyrsus maximus para alimentação animal é considerado moderado a bom quando a planta é colhida em estádios vegetativos ou de pré-florescimento, apresentando digestibilidade e conteúdo proteico que variam conforme idade da forragem no momento da colheita (JANK et al., 2014). A digestibilidade in vitro da matéria orgânica de forragem jovem pode atingir valores de 55 a 65%, reduzindo para 45 a 50% em estádios mais avançados de maturidade quando lignificação de tecidos aumenta significativamente (VICENTE-CHANDLER et al., 1974). O conteúdo proteico bruto em forragem jovem situa-se entre 10 a 14% da matéria seca, reduzindo para 6 a 8% conforme a planta amadurece e realoca nutrientes para estruturas reprodutivas (JANK et al., 2014). A composição mineral de Megathyrsus maximus é geralmente adequada para alimentação de ruminantes, embora deficiências de alguns micronutrientes como cobre e cobalto possam ocorrer em solos com baixa concentração desses elementos (VICENTE-CHANDLER et al., 1974).
O manejo de Megathyrsus maximus para otimizar produtividade e longevidade de pastagens requer compreensão de seu padrão de crescimento, resposta ao pastejo, e exigências de fertilização. A altura de corte ou pastejo recomendada situa-se entre 20 a 30 cm para manutenção do vigor e capacidade de rebrota da planta, com intervalo de descanso entre defoliações variando entre 25 a 35 dias dependendo de condições de crescimento (JANK et al., 2014). A resposta a adubação nitrogenada é elevada, com incrementos de produção bem documentados quando doses de 100 a 300 kg de N por hectare por ano são aplicadas, dependendo do sistema de produção e objetivos de cultivo (VICENTE-CHANDLER et al., 1974). A capacidade de Megathyrsus maximus de suportar cargas animais elevadas quando adequadamente manejada a torna particularmente atrativa para sistemas de pecuária intensiva em regiões tropicais brasileiras (JANK et al., 2014). A espécie apresenta boa recuperação após períodos de seca moderada quando manejo e fertilização foram adequados anteriormente, embora períodos prolongados de estiagem possam resultar em morte de perfilhos e redução da cobertura de solo (VICENTE-CHANDLER et al., 1974).
Importante ressaltar que na literatura agronômica brasileira histórica, particularmente em trabalhos antigos de fitopatologia e manejo de plantas daninhas, ainda é muito comum encontrar a denominação Panicum maximum Jacq. para referir-se à mesma espécie. Ambas as nomenclaturas Panicum maximum e Megathyrsus maximus referem-se à mesma espécie biológica, porém Megathyrsus maximus é o nome científico atualmente aceito pelos principais bancos de dados taxonômicos mundiais como Plants of the World Online (Kew Gardens) e World Flora Online (USDA), refletindo revisões taxonômicas baseadas em análises filogenéticas modernas (PLANTS OF THE WORLD ONLINE, 2024).
REFERÊNCIAS
CLAYTON, W. D.; RENVOIZE, S. A. Genera Graminum: grasses of the world. Kew: Royal Botanic Gardens, 1986.
JANK, L.; BARRIOS, S. C.; VALLE, C. B. do; SIMEÃO, R. M.; ALVES, G. F. Variability of Brachiaria and Panicum maximum genotypes for tropical pasture. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v. 43, n. 6, p. 313-318, 2014.
PLANTS OF THE WORLD ONLINE. Megathyrsus maximus. Disponível em: http://www.plantsoftheworldonline.org. Acesso em: 14 jul. 2026.
SIMON, B. K.; JACOBS, S. W. L. Megathyrsus, a new genus of Poaceae. Telopea, Sydney, v. 11, n. 2, p. 319-328, 2006.
VICENTE-CHANDLER, J.; ABRUNA, F.; CARO-COSTAS, R.; FIGARELLA, J.; SILVA, S.; PEARSON, R. W. Intensive grassland management in the humid tropics of Puerto Rico. Pastos y Forrajes, Havana, v. 6, n. 1, p. 1-125, 1974.
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