terça-feira, 9 de julho de 2013

Trabalho Acadêmico: Sintomatologia, epidemiologia e controle de Aeromonas sp.



THAIS PINHEIRO DE SOUSA
Acadêmica do curso de Ciências Biológicas





Introdução
O gênero Aeromonas são bactérias gram-negativas, antigamente pertencente a família Vibrionaceae e atualmente pertencente a Aeromonadaceae, com forma de bastonetes, capazes de utilizar diferentes carboidratos que produzam ácido ou ácido e gás. São ubiquos, estando amplamente distribuídos no ambiente, sendo membros importantes da microbiota aquática e de diferentes alimentos de origem animal.               As bactérias pertencentes ao gênero Aeromonas possuem uma morfologia celular distinta, tendo considerável variação na forma e tamanho das células. Apresentam-se na forma de bacilos curtos, formatos cocóides e até formas finas e filamentosas. Em geral, as células são retas com extremidades arredondadas, apresentando-se isoladas, aos pares ou em cadeias curtas (ICMSF, 1996; VARNAN; EVANS, 1991, citado por OLIVEIRA, 2009).
RODRIGUES & RIBEIRO (2004), citado por Silva (2010), descreveram que, a partir de 1984, esse gênero foi separado fenotipicamente em quatro espécies: Aeromonas hydrophila, Aeromonas caviae, Aeromonas sobria e Aeromonas salmonicida. Esta última, com três subespécies: Aeromonas salmonicida subsp. salmonicida, Aeromonas salmonicida subsp. masoucida, Aeromonas salmonicida subsp. achromogenes.
As aeromonas móveis, para o homem, determinam patogenias classificadas como de nível não intestinal e gastrentéricas. Geralmente são responsabilizadas por quadros que variam de diarréias agudas amenas à quadros graves de disenteria. Também foram atribuídos a elas quadros como meningite, endocardite, artrite, infecção cutânea, peritonite e infecção ocular (WIKI, 2013).
Têm sido isoladas de uma ampla variedade de amostras ambientais (diferentes fontes de água e moluscos bivalves), clínicas (sangue, fezes humanas) e de alimentos, incluindo, vegetais, carne bovina, aves, peixes, camarões, etc (OLIVEIRA, 2009). 
            Assim, o objetivo deste trabalho é fazer uma revisão bibliográfica a respeito da bactéria Aeromonas sp. levando em consideração aspectos de sintomatologia, etiologia, epidemiologia e controle da bactéria



Desenvolvimento - Fatores de virulência sintomatologia e epidemiologia da bactéria Aeromonas sp.
          Aeromonas produzem vários produtos extracelulares biologicamente ativos, tais como hemolisinas, citoxinas enterotoxinas, proteases, leucocidina, fosfolipases e endotoxina. A capacidade de produzir diversos fatores de virulência contribui para a patogênese da doença ocasionada por Aeromonas.
          Aeromonas produzem várias proteases que causam danos teciduais e auxiliam no estabelecimento da infecção, vencendo as defesas do hospedeiro. A. hidrophila produz várias lectinas e adesinas que permitem a aderência da bactéria a glicoconjugados específicos na superfície epitelial ou na mucosa intestinal. Aeromonas também pode invadir a mucosa intestinal.   
          As espécies desse gênero tem emergido como importante patógeno humano, devido à suspeita de estarem relacionados com surtos provocados por alimentos e pelo aumento da incidência de isolamento de Aeromonas de pacientes com diarreia do viajante. Tem sido considerada como agente etiológico de diversos casos clínicos envolvendo indivíduos imunocomprometidos de todas as faixas etárias.  
          Peixoto et al. (2012) citaram de acordo com Chopra; Houston, (1999) que a grande dispersão da Aeromonas spp. no meio ambiente pode ser a hipótese mais provável de infecções por con­sumo de alimentos e água contaminada, mesmo sem grandes surtos terem sidos relatados. Aeromonas é um patógeno que produz vários fatores de virulên­cia, por esse motivo a infecção pode se apresentar complexa e multifatorial.
          Podem ocasionar infecções extra-intestinais, tais como septicemia e bacterimia, principalmente as espécies A. hydrophila e A. sobria, geralmente em associação com hepatite, anemia aplástica, tumores, leucemia e doença biliar ou pancreática, e outras com menor frequência (meningite, pneumonia, etc). As infecções cutâneas causadas por Aeromonas, geralmente estão associadas a lesões de pele ocorridas durante recreação em lagos e rios contaminados, como o contato com a terra. A infecção em geral é localizada, manifestando-se poucas horas depois do acidente.
         
          O trato gastrointestinal parece ser a principal fonte de infecção de Aeromonas, acarretando em doença diarreica de curta duração, não havendo ainda evidências experimentais definitivas, devido a ausência de um modelo animal apropriado.
            As espécies de aeromonas descritas como patógenos causadores de infecções intestinais ou extraintestinais no ser humano, assumem destacada relevância epidemiológica em casos de infecções oportunistas em pacientes imunocomprometidos. De acordo com Silva (2010), a gastroenterite é a mais prevalente forma de infecção humana causada por Aeromonas sp.
No que se refere às infecções gastrointestinais, a primeira causada por Aeromonas spp. foi transmitida pela água. Estudos revelaram que o aumento da população de Aeromonas em bebidas contendo água, coincide com o aumento na incidência de doenças gastrintestinais (KIROV, 2001 citado por Oliveira 2009).
          Peixoto et. al. (2012) ressalta também que a presença de bactérias do gênero Aeromonas nos alimentos tem sido demonstrada. Normalmente desta­cam-se os alimentos que durante sua industrialização entraram em contato com a água, a qual é tida como habitat natural das diversas espécies e principal fonte de contaminação (Bizani; Brandelli, 2001). Esses micro-organismos são cada vez mais reconhecidos como patógenos entéricos e possuem fatores de virulência que contribuem para o desen-cadeamento da doença (Nihal; Seda, 2010).
Essas bactérias têm sido isoladas de diferentes tipos de alimentos frescos, congelados, descongelados e submetidos à cocção inadequada. Dentre esses podem ser citados peixes de água doce e salgada e outros frutos do mar, leite, queijos, sorvetes, carnes e produtos cárneos, alfaces e outras hortaliças. Dessa forma, os alimentos têm sido apontados como veículos na disseminação dessas bactérias (RADU et al., 2003; PALU et al., 2006, citado por Silva, 2010).
            Oliveira (2009) discute que apesar de ainda não ser conhecida a dose infecciosa por Aeromonas spp., o gênero inclui espécies que causam uma ampla variedade de infecções extraintestinais no homem, dentre as quais peritonites, endocardites, pneumonia, conjuntivites, infecções do trato urinário, síndrome urêmica hemolítica, septicemias, etc. A septicemia é a doença mais invasiva causada por espécies de Aeromonas spp., embora, originalmente descrita em indivíduos imunodeprimidos, essa doença foi detectada também em pessoas sadias e de todas as idades. Os acometidos para as diversas doenças associadas à Aeromonas spp. são frequentemente imunodeprimidos (crianças e adolescentes), idosos e particularmente pacientes com septicemias e meningites (CORREDORIA et al., 1994; ICMSF, 1996).
O mesmo autor ainda ressalta que, Aeromonas spp. Têm sido incriminada como agentes causadores de doenças diarreicas desde os primeiros isolados de fezes humanas em 1961. Doenças diarreicas são enfermidades importantes na mortalidade em países em desenvolvimento, estando principalmente envolvidos crianças e idosos.
           

Trabulsi e Alterthum (2008) discutem que em relação ao tratamento dessas doenças e controle desses patógenos, conhece-se que a maioria das Aeromonas é resistente à penicilina, ampicilina e carbecilina. Em geral, são sensíveis às cefalosporinas, aminoglicosídeos (com exceção de estreptomicina), cloranfenicol, sulfametoxazol-trimetropim e quinolonas. Como as síndromes diarreicas são autolimitantes, a terapêutica antimicrobiana é questionável, sendo indicada nos casos mais graves, envolvendo pacientes imunodeficientes ou com septicemias.

 
 

            Diante do estudo apresentado sobre a sintomatologia, epidemiologia e o controle de bactérias do gênero Aeromonas, boas práticas de manipulação, juntamente com procedimentos de sanitização adequados, podem ser úteis para prevenir a exposição do ser humano a essas doenças.
          Em casos de criações seja de peixes, aves ou bovinos torna-se necessário o esclarecimento e conscientização dos produtores sobre as boas práticas de manejo, principalmente relacionadas aos cuidados com animais no entorno dos viveiros, que podem servir de fonte de contaminação, das medidas profiláticas e do controle de qualidade da água utilizada para abastecimento dos mesmos. Dessa forma, serão minimizados os problemas sanitários nessas atividades, trazendo benefícios econômicos com a melhora do desempenho produtivo dos animais, da qualidade do alimento e sanatização desses problemas relacionados a saúde.
Dessa forma, o cuidado, a higiene, a prevenção e o tratamento correto contra esses patógenos minimizam a incidência dos casos e trás uma boa repercussão na cura de determinadas doenças.



  Literatura Citada


TRABULSI, L. R.; ALTERTHUM, F. Microbiologia – Ed. 5. São Paulo: Atheneu. P. 355-356. 2008.
WIKI. Aeromonas sp.. Acesso em 28 de Março 2013.
OLIVEIRA, P. F. Pesquisa de Aeromonas spp. em cortes de frango produzidos industrialmente. 2009.
SILVA, R. M. L.Bactérias do Genêro Aeromonas e indicadores de qualidade da água em pisciculturas da região da baixada ocidental maranhense. 2010.

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