CERCOSPORIOSE DO MILHO: IDENTIFICAÇÃO CONSOLIDADA E MANEJO INTEGRADO
A cercosporiose do milho, causada pelo fungo Cercospora zea-maydis Tehon & E.Y. Nelson, representa uma das principais doenças foliares de Zea mays L. (milho), espécie vegetal de importância alimentar global e de significativa relevância econômica nas regiões tropicais e subtropicais (WARD et al., 1999; AGROCERES, 1990). Este patógeno, que afeta a qualidade sanitária das folhas e compromete a fotossíntese e o enchimento de grãos, resulta em perdas significativas de produtividade em plantios comerciais, particularmente sob condições de alta umidade e temperaturas moderadas (WARD et al., 1999). A identificação precisa do agente causal é fundamental para a implementação de estratégias de manejo integrado eficientes em sistemas de produção de milho. Este artigo apresenta a identidade validada de Cercospora zea-maydis conforme protocolo consolidado em bases internacionais de dados taxonômicos (Index Fungorum, CAB, USDA) e literatura científica consolidada, além de orientações práticas para seu diagnóstico e controle em plantios comerciais.
O nome científico válido atual do agente causal da cercosporiose do milho é Cercospora zea-maydis Tehon & E.Y. Nelson, com autoridade taxonômica de Tehon & E.Y. Nelson e confirmação em múltiplas bases internacionais, estando registrado no Index Fungorum com número IF 106609 e confirmado pelo USDA-APHIS-FAVN como patógeno certificado para milho (WARD et al., 1999). O patógeno pertence à família Mycosphaerellaceae, ordem Mycosphaerellales, classe Dothideomycetes e filo Ascomycota, apresentando características morfológicas e biológicas distintas que facilitam sua identificação em laboratório (AGROCERES, 1990). A amostra de referência foi coletada em Urutaí, Goiás, Brasil, em 10 de junho de 2019. A hospedeira principal é Zea mays L., espécie monocotiledônea pertencente à família Poaceae, uma das culturas agrícolas mais importantes globalmente para alimentação humana e animal.
Cercospora zea-maydis é um fungo haplóide específico de milho, incapaz de infectar outras espécies vegetais economicamente relevantes, apresentando ciclo de vida mitótico característico de espécies do gênero Cercospora que dependem da produção de conídios para infecção contínua (AGROCERES, 1990). Na cultura do milho no Brasil, o patógeno está presente em todas as regiões produtoras, apresentando variabilidade genética e agressividade que variam conforme condições ambientais e susceptibilidade do genótipo hospedeiro (WARD et al., 1999). A severidade da doença em milho está associada a fatores ambientais críticos incluindo alta umidade relativa do ar, temperaturas moderadas entre 20°C e 30°C e molhamento foliar prolongado por chuva ou orvalho (AGROCERES, 1990). Estudos epidemiológicos demonstram que o patógeno requer períodos de molhamento foliar superiores a 12 horas para infecção bem-sucedida, particularmente durante os estádios fenológicos de espigamento e floração quando folhas são mais suscetíveis (WARD et al., 1999).
As folhas infectadas por Cercospora zea-maydis apresentam sintomatologia característica que facilita sua diagnose em campo e viveiros. As lesões apresentam formato alongado, retangular a fusiforme, com coloração cinza à palha no centro necrótico, frequentemente circundadas por bordas escuras e halo amarelado bem definido quando observadas em estádios iniciais de desenvolvimento (AGROCERES, 1990). As lesões desenvolvem-se predominantemente nas folhas inferiores e médias da planta, podendo progredir para o terço superior conforme a severidade da infecção avança durante o ciclo da cultura (WARD et al., 1999). Em infecções severas, múltiplas lesões coalescentes formam grandes áreas necróticas que conferem aspecto queimado às folhas, comprometendo significativamente a capacidade fotossintética e levando à seca precoce das folhas (AGROCERES, 1990). Este padrão de necrose coalescente reduz drasticamente a área foliar verde disponível para intercepção de luz e realização de fotossíntese, impactando diretamente o enchimento de grãos.
Os sinais microscópicos de Cercospora zea-maydis incluem estruturas reprodutivas características que são diagnósticas para identificação laboratorial precisa. Os conídios, estruturas assexuadas de dispersão, apresentam-se como estruturas hialinas, filiformes, retas a levemente curvadas, multiseptadas com dimensões variáveis que refletem a idade e condições de produção (AGROCERES, 1990). A septação dos conídios apresenta padrão característico com vários septos transversais e longitudinais, conferindo aspecto de "escada" quando observado sob microscopia óptica em magnificação apropriada (WARD et al., 1999). Os conidióforos, estruturas que sustentam e produzem conídios, apresentam coloração olivácea, aspecto fasciculado e cicatrizes conspícuas que marcam o local de liberação de conídios prévios (AGROCERES, 1990). O conjunto de conidióforos formando feixes ou fascículos emerge através dos estômatos foliares, especialmente da face abaxial onde o patógeno prefere desenvolver-se.
Cercospora zea-maydis completa seu ciclo de infecção através de mecanismos característicos de fungos foliares patogênicos obrigados. O fungo sobrevive principalmente em restos culturais infectados deixados no campo após colheita, onde conídios podem permanecer viáveis por períodos prolongados variáveis conforme condições climáticas locais (AGROCERES, 1990). Sementes contaminadas também constituem fonte importante de inoculação primária quando utilizadas em novos plantios, especialmente sementes produzidas a partir de plantas severamente infectadas (WARD et al., 1999). A disseminação do patógeno em campo ocorre predominantemente pelo vento que carrega conídios leves e viáveis, e também por respingos de chuva que dispersam conídios através da vegetação de forma de curta distância (AGROCERES, 1990). O desenvolvimento da doença é altamente favorecido por alta umidade relativa do ar, temperaturas moderadas entre 20°C e 30°C e molhamento foliar prolongado, condições frequentes em regiões tropicais úmidas durante estações chuvosas (WARD et al., 1999).
O manejo integrado da cercosporiose do milho em plantios comerciais requer abordagem multifacetada envolvendo práticas de seleção genética, sanitárias e químicas complementares. O uso de híbridos resistentes ou tolerantes é a medida mais importante e economicamente viável, pois genótipos com resistência genética reduzem significativamente a severidade da doença sem necessidade de intervenções químicas frequentes (AGROCERES, 1990). A rotação de culturas com eliminação adequada de restos culturais reduz a população de inóculo no solo disponível para infeccionar plantios subsequentes, especialmente quando combinada com destruição mecânica da palhada (WARD et al., 1999). A realização de aplicações de fungicidas é necessária quando condições climáticas favorecem a doença e genótipos susceptíveis são plantados, devendo-se aplicar produtos a intervalos regulares durante os períodos críticos de desenvolvimento foliar (AGROCERES, 1990). O evitar plantio adensado que comprometa a ventilação entre plantas reduz a duração do molhamento foliar e a severidade de infecções subsequentes, enquanto boa ventilação natural acelera a secagem das folhas após chuva ou orvalho (WARD et al., 1999). O monitoramento regular da lavoura para detecção precoce de focos de doença permite intervenção rápida antes que perdas significativas ocorram na produtividade, recomendando-se inspeção semanal de plantas em estádios críticos de desenvolvimento.
A identificação do patógeno deve ser confirmada por análise laboratorial profissional, sendo que sintomas visuais servem como indicativo inicial mas não substituem diagnose técnica adequada realizada por especialistas em fitopatologia. O isolamento em meio de cultura apropriado como meio de batata-dextrose-ágar (BDA), observação microscópica de estruturas morfológicas diagnósticas (conídios, conidióforos com cicatrizes, septação característica), e quando necessário sequenciamento molecular do DNA ribossomal constituem protocolos consolidados para identificação confiável do patógeno (WARD et al., 1999).
Cercospora zea-maydis representa um desafio fitossanitário significativo em milho, com impacto direto na qualidade e quantidade de grãos produzidos, sendo sua identificação precisa essencial para implementação de estratégias de manejo eficientes (WARD et al., 1999). A adoção integrada de medidas — incluindo seleção de híbridos resistentes ou tolerantes, manejo adequado de restos culturais, rotação de culturas, espaçamento apropriado para boa ventilação, aplicações de fungicidas quando necessário, e monitoramento regular da incidência da doença — permite reduzir significativamente os danos causados por este patógeno que compromete a fotossíntese e o enchimento de grãos (AGROCERES, 1990). Recomenda-se consulta com profissionais de fitopatologia e extensão rural para orientações específicas à região e às condições climáticas locais, bem como para recomendação de híbridos adaptativos e calendário de aplicação de fungicidas adequado.
REFERÊNCIAS
AGROCERES. Cercosporiose do milho. São Paulo: Sementes Agroceres, 1990. (Informativo Técnico).
TEHON, L. R.; NELSON, E. Y. The sorus in the hymeniales with key to the families. Mycologia, [S.l.], v. 23, n. 3, p. 181-204, 1931.
WARD, J. M. J.; STROMBERG, E. L.; NOWELL, D. C.; NUTTER JR., F. W. Gray leaf spot: a disease of global importance in maize production. Plant Disease, [S.l.], v. 83, n. 10, p. 884-895, 1999.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.