segunda-feira, 15 de julho de 2013

Trabalho Acadêmico: Descrição dos sintomas, epidemiologia, diagnóstico, tratamento, prevenção e controle da patologia causada pela Streptococcus pyogenes.



Illana Reis Pereira
Acadêmica do Curso de Ciências Biológicas

Introdução

O estreptococo hemolítico foi descrito como agente etiológico das amigdalites agudas por Bloomfield Felty e Thomsons, em 1920. Dez anos depois, Lancefiel, classificou sorologicamente diferentes grupos de estreptococos através da presença de polissacarídio específico da membrana bacteriana (MACIEL et al., 2003).
O gênero Streptococcus, pertencente à família Streptococcaceae, tem seus representantes esféricos (cocos) agrupados em forma de cadeia. Normalmente estes organismos preferem ambientes oxigenados, porém se desenvolvem também em meio anaeróbio, eles são homofermentativos, ou seja, no fim da fermentação apenas um produto é obtido o ácido láctico.
A bactéria Streptococcus pyogenes ou estreptococo beta-hemolítico do grupo A de Lancefield é a espécie bacteriana mais freqüentemente associada à etiologia de infecções primárias da faringe e amígdalas (SCALABRIM et al., 2003).
As infecções causadas por esse patógeno podem acometer indivíduos de diversas faixas etárias, porém são bastante comuns entre crianças (SOUZA et al., 2013).
O presente trabalho tem como objetivo apresentar os sintomas, epidemiologia, tratamento e controle da bactéria Streptococcus pyogenes, divulgando os cuidados que a população deve tomar.

Desenvolvimento

Segundo Trabulsi e Alterthum (2008), o S. pyogenes possui vários constituintes celulares e produz diversas substâncias que contribuem em maior ou menor grau para sua virulência, são eles: Cápsula que é constituída de ácido hialurônico, quimicamente idêntico ao existente no organismo humano. Atribui-se a este fato a sua não-imunogenicidade, protege a bactéria das células fagocitárias, in vitro, o estreptococo perde a sua cápsula no fim da fase exponencial da curva decrescimento, o que coincide com a produção intensa de hialuronidase. É possível que nestafase a cápsula torne-se desnecessária para patogênese do processo infeccioso (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 207);
A proteína M, trata-se de uma proteína fibrilar, com forma de dupla hélice, que se encontra ancorada no peptidoglicano da parede e se estende até a superfície da célula, projetando-se para fora da cápsula. além do seu papel como fator de virulência, a proteína m desfruta de grande importância prática, pois devido à sua variabilidade antigênica, permite classificar o S.pyogenes em sorotipos. O conhecimento dos tipos M é muito útil para o entendimento daepidemiologia e patogenia das infecções estreptocócicas. Como fator de virulência, a proteína M desempenha funções importantes ela adere afibronectina funcionando como adesina, interage com o fibrinogênio mascarando a presença da bactéria no organismo e se fixa a porção Fc de anticorpos, bloqueando as suas interações com os fagócitos, a  proteína M é fortemente antifagocitária (STREPTOCOCCUS, 2013);
Proteína F, é como a proteína M, a proteína F (f de fibronectina) também se encontra ancorada no peptidoglicano e se projeta para fora da superfície celular ela  promove adesão do S.pyogenes à mucosa da faringe, e é considerada uma das suas principais adesinas (STREPTOCOCCUS, 2013);
Peptidase de C5, é uma protease que degrada o componente C5a do complemento, reduzindo o recrutamento de leucócitos para o local de infecção (STREPTOCOCCUS, 2013);
Proteína Inibidora do Complemento, é a proteína é secretada pela bactéria e tem a capacidade de inativar o complexo de ataque do complemento(C5-C9), anulando sua função lítica. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 207).
O S.pyogenes também produz algumas enzimas como: estreptoquinase, desoxirribonuclease e hialuronidase, algumas hemolisinas como as estreptolisinas, e,também, exotoxinas pirogênicas. (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008, p. 207).
Os Streptococcus pyogenes, são bactérias (germes) encontradas normalmente na garganta e na pele de pessoas saudáveis. Esporadicamente, estes germes podem causar dor de garganta ou infecção cutânea leve. E, raramente os estreptococos do grupo A, causam uma versão grave da doença chamada de infecção invasiva por estreptococos do grupo A. (INFECÇÃO, 2013).
As formas mais comuns e leves da infecção causada por estreptococos do grupo A, incluem faringite estreptocócica (dor de garganta, geralmente acompanhada de febre, com uma substância branca cobrindo a garganta e as amígdalas, e glândulas inchadas no pescoço) e infecções da pele. Em alguns casos, a infecção causada por estreptococos do grupo A pode agravar-se, podendo ocorrer escarlatina, infecções do ouvido médio (otite média), problemas renais e febre reumática. (INFECÇÃO, 2013).
Quando os estreptococos do grupo A penetram partes do corpo onde estas bactérias não costumam estar presentes – por exemplo, sob a pele, na medula espinhal, no sangue, nas articulações ou nos pulmões - pode haver desenvolvimento de doença séria. Isto é chamado de infecção invasiva por estreptococos do grupo A e abrange os seguintes tipos de doença:
Fasciite necrotizante (ocasionalmente denominada “infecção por bactérias devoradoras de carne”) é uma infecção rara dos tecidos subcutâneos ou dos músculos, com vermelhidão, inchaço e dor em alguma parte do corpo, associada a um ferimento óbvio ou outra incisão na pele. Os sintomas são febre, vesículas com fluido (bolhas) na pele, e músculos e pele inchados e dolorosos. Outros tipos de germes também causam fasciite necrotizante. Em casos raros, a infecção invasiva por estreptococos do grupo A ocorre em decorrência das pústulas da catapora. (INFECÇÃO, 2013).
A síndrome de choque tóxico estreptocócico é uma infecção rara que faz com que os órgãos internos parem de funcionar em decorrência das toxinas produzidas por estreptococos do grupo A. Os sintomas são febre, dor de cabeça, vômito, dores musculares, confusão, erupção cutânea, problemas respiratórios e, se a pele estiver infectada, dor grave no local da infecção. (INFECÇÃO, 2013).
A bacteremia estreptocócica/septicemia é uma infecção por estreptococos do grupo A que ocorre quando os estreptococos infectam a corrente sangüínea. Esta infecção pode ocorrer após uma cirurgia, algum outro tipo de procedimento invasivo ou ainda se uma ferida se infeccionar. Não é comum. Os sintomas são febre, pressão arterial baixa, cansaço e fraqueza muscular. Outros tipos de germes também podem causar bacteremia. (INFECÇÃO, 2013).
A infecção por estreptococos do grupo A é transmitida de pessoa a pessoa normalmente através da saliva, através de mãos com estreptococos presentes e que não são lavadas, ou através de contato físico direto com feridas ou lesões na pele. Ambientes muito cheios de pessoas, como dormitórios, quartéis e creches, facilitam a transmissão de germes entre as pessoas.
 As pessoas com estreptococos do grupo A na garganta ou nariz, mas que não estão doentes tem menos possibilidade de transmitir os germes para outras pessoas. Uma pessoa doente não transmite germes a outras pessoas após tomar antibióticos por pelo menos 24 horas. (INFECÇÃO, 2013).
            A faringite estreptocócica e infecções cutâneas leves (como impetigo) são muito comuns. As infecções invasivas por estreptococos do grupo A são raras. (INFECÇÃO, 2013).
Qualquer um pode contrair faringite ou uma infecção cutânea leve por estreptococos do grupo A, normalmente, pessoas saudáveis têm um risco muito pequeno de adquirir infecção invasiva. Pessoas com doenças crônicas como câncer, diabetes, doença cardíaca crônica, alcoolismo, infecção por HIV e crianças ou adultos com baixa imunidade apresentam um risco maior de contrair doenças invasivas do que outras pessoas. Pessoas que fazem diálise, extremamente obesas ou que têm catapora também enfrentam um risco maior do que pessoas saudáveis. (INFECÇÃO, 2013).
O diagnóstico de pessoas suspeitas de doença por estreptococos do grupo A por pode ser feito através de coleta de secreção da garganta e de amostra de sangue. (INFECÇÃO, 2013).
 Se você tiver uma infecção por estreptococos do grupo A, o seu médico geralmente receitará antibióticos, o mais utilizado é a penicilina G. Lembrando que é muito importante tomar toda a série de antibióticos a fim de evitar complicações, especialmente febre reumática. (INFECÇÃO, 2013).
Tem havido grande esforço no sentido de obter-se uma vacina capaz de proteger contra essas infecções, o antígeno mais usado para o preparo de vacinas é a proteína M, alguns resultados parecem promissores, mas inda não existe ainda nenhuma vacina que possa ser usada. (STREPTOCOCCUS, 2013).
A lavagem de mãos é a melhor forma de evitar todos os tipos de infecção por estreptococos do grupo A. Lavar as mãos, especialmente após tossir ou espirrar, e antes e depois de cuidar de uma pessoa doente, ajudará a evitar a transmissão de germes. Evite compartilhar alimentos, bebidas, cigarros ou pratos, copos e talheres em creches deve-se limpar os brinquedos diariamente com um desinfetante aprovado e coibir o uso de comidas de brinquedo. (INFECÇÃO, 2013).
Mantenha ferimentos (como cortes ou arranhões) limpos e esteja atento a sinais de infecção, se um ferimento tornar-se vermelho ou inchado, ou se você desenvolver febre entre em contato com o seu profissional da saúde. Se tiver uma dor de garganta forte, consulte o seu profissional da saúde.
 A pessoa diagnosticada com infecção por estreptococos do grupo A não deve ir à escola, creche ou trabalho e se a pessoa trabalhar no setor da saúde ou alimentício, só deve voltar ao trabalho após já estar tomando antibióticos por pelo menos 24 horas. (INFECÇÃO, 2013).

Conclusão

Conforme mostrado anteriormente à bactéria Streptococcus pyogenes é bastante associada a infecções primarias de faringe e amigdalas e acometem diversas faixas etárias.
Sendo assim o trabalho enfatiza a importância do diagnostico bacteriológico, e nos mostra de forma clara os sintomas, epidemiologia, diagnóstico, tratamento, prevenção e controle da patologia causada por essa bactéria, divulgando os cuidados que a população deve tomar.
 

 

Literatura Citada:


INFECÇÃO causada por estreptococos do grupo A: Massachusetts Department of Public Health, 305 South Street, Jamaica Plain, MA 02130. Disponível em: www.mass.gov/eohhs/docs/dph/.../group-a-strep-pt.rtf - Estados Unidos, acesso em: 02 abr 2013.

MACIEL, A. et al. Portadores assintomáticos de infecções por Streptococcus pyogenes em duas escolas públicas na cidade do Recife, Pernambuco. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant. v.3 n.2 Recife abr./jun. 2003.

SCALABRIN, R. et al. Isolamento de Streptococcus pyogenes em indivíduos com faringoamigdalite e teste de susceptibilidade a antimicrobianos. Rev. Bras Otorrinolaringol. V.69, n.6, 814-8, nov./dez. 2003.

SOUZA, G, R. et al. Febre Reumática e Streptococcus pyogenes: uma relação perigosa. Disponível em: <http://www.infoescola.com/reino-monera/streptococcus/> .  Acesso em: 02 abr 2013.

STREPTOCOCCUS pyogenes. Disponível em:
http://pt.scribd.com/doc/7194717/Streptococcus-Pyogenes. Acesso em 02 abr 2013.

TRABULSI, L, R; ALTERTHUM, F. Microbiologia. 5 ed. São Paulo: Atheneu, 2008.
 

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