quinta-feira, 16 de julho de 2026

MANCHA FOLIAR DO MORANGO INDIANO: IDENTIFICAÇÃO CONSOLIDADA E MANEJO INTEGRADO

 

MANCHA FOLIAR DO MORANGO INDIANO: IDENTIFICAÇÃO CONSOLIDADA E MANEJO INTEGRADO

A mancha foliar do morango indiano, causada pelo fungo Calonectria brasiliense (Crous) L. Lombard, M.J. Wingf. & Crous (teleomorfo), com anamorfo correspondente Cylindrocladium scoparium Morgan, representa uma doença de importância estética e econômica em plantas ornamentais, particularmente em Duchesnea indica (Andrews) Focke (morango indiano), espécie herbácea perene pertencente à família Rosaceae amplamente cultivada em viveiros ornamentais e jardins (CROUS; WINGFIELD, 2004). Este patógeno, que afeta a qualidade estética das folhas através de produção de manchas necróticas e compromete o vigor geral da planta, resulta em redução significativa do valor ornamental em plantas de interesse comercial (LOMBARD et al., 2014). A identificação precisa do agente causal é fundamental para a implementação de estratégias de manejo integrado eficientes em viveiros de produção de plantas ornamentais. Este artigo apresenta a identidade validada de Calonectria brasiliensis conforme protocolo consolidado em bases internacionais de dados taxonômicos (Index Fungorum, CAB, USDA) e literatura científica consolidada, além de orientações práticas para seu diagnóstico e controle em cultivos ornamentais.

O nome científico válido atual do agente causal é Calonectria brasiliensis (Crous) L. Lombard, M.J. Wingf. & Crous, com basiônimo Cylindrocladium brasiliensis (Crous) L. Lombard, M.J. Wingf. & Crous e confirmação em múltiplas bases internacionais (LOMBARD et al., 2014). O patógeno pertence à família Nectriaceae, ordem Hypocreales, classe Sordariomycetes e filo Ascomycota, apresentando características nomenclaturais e biológicas que refletem mudanças na taxonomia moderna de fungos (CROUS; WINGFIELD, 2004). O anamorfo correspondente é Cylindrocladium scoparium Morgan, estrutura de reprodução assexuada responsável pela disseminação rápida do patógeno em condições de campo e viveiro (CROUS et al., 2006). A amostra de referência foi coletada em Urutaí, Goiás, Brasil, em 12 de maio de 2019. A hospedeira principal é Duchesnea indica, espécie herbácea perene originária da Ásia, pertencente à família Rosaceae, amplamente utilizada como planta ornamental em jardins tropicais e subtropicais devido às suas características visuais atrativas.

Calonectria brasiliensis é um patógeno foliar capaz de infectar múltiplas espécies ornamentais e plantas cultivadas, apresentando gama de hospedeiros que inclui Bignoniaceae, Fabaceae, e outras famílias botânicas de importância hortícola (LOMBARD et al., 2014). Na América Tropical, o patógeno apresenta ampla distribuição geográfica, com ocorrências documentadas em diferentes países da região, indicando adaptação bem estabelecida a climas tropicais e subtropicais (CROUS; WINGFIELD, 2004). A severidade da doença em plantas ornamentais está associada a fatores ambientais críticos incluindo alta umidade relativa do ar, temperaturas amenas entre 20°C e 28°C, molhamento foliar prolongado por chuva ou orvalho, e ventilação inadequada em estruturas de cultivo protegido (CROUS et al., 2006).

As folhas infectadas por Calonectria brasiliensis apresentam sintomatologia característica que compromete significativamente o valor ornamental de plantas. As manchas foliares apresentam formato circular a irregular com coloração marrom-escura a negra, frequentemente com centro acinzentado e bordas mais escuras bem definidas que conferem aspecto de lesões necróticas conspícuas (LOMBARD et al., 2014). As lesões desenvolvem-se predominantemente na face adaxial das folhas, podendo envolver ambas as faces em infecções severas, exibindo padrão de distribuição que pode ser associado a localização de estômatos e estruturas de penetração do patógeno (CROUS; WINGFIELD, 2004). Em infecções severas, múltiplas lesões coalescentes formam grandes áreas necróticas que conferem aspecto queimado às folhas, levando ao amarelecimento, seca e queda prematura de folhas, reduzindo drasticamente tanto o valor ornamental quanto o vigor geral da planta (CROUS et al., 2006).

Os sinais microscópicos diagnósticos de Calonectria brasiliensis incluem estruturas reprodutivas características do anamorfo Cylindrocladium scoparium. Os fungo produz conidióforos eretos, escuros, ramificados ou não, com cicatrizes conspícuas que marcam o local de liberação de conídios prévios (LOMBARD et al., 2014). Os conídios são cilíndricos, hialinos, plurisseptados, dispostos em cadeias basais que caracterizam a morfologia do gênero Cylindrocladium dentro do contexto da taxonomia de fungos dematiáceos (CROUS; WINGFIELD, 2004). O teleomorfo Calonectria brasiliensis produz estruturas reprodutivas sexuadas como perithecia, que podem ser visualizadas em preparações especializadas de material infectado incubado em condições de laboratório apropriadas (CROUS et al., 2006).

Calonectria brasiliensis completa seu ciclo de infecção através de mecanismos característicos de patógenos foliares que possuem hospedeiros múltiplos. O fungo sobrevive em restos culturais e folhas infectadas presentes no viveiro ou em plantas adjacentes, onde conídios e outras estruturas reprodutivas permanecem viáveis por períodos prolongados (LOMBARD et al., 2014). A disseminação do patógeno em viveiros ornamentais ocorre predominantemente pelo vento que carrega conídios leves e viáveis, e também por respingos de chuva e mudas contaminadas que são movimentadas entre áreas de cultivo (CROUS; WINGFIELD, 2004). O desenvolvimento da doença é altamente favorecido por alta umidade relativa do ar associada a molhamento foliar prolongado por chuva ou orvalho, temperaturas amenas entre 20°C e 28°C, e ventilação inadequada que estende o período de molhamento das folhas (CROUS et al., 2006).

O manejo integrado da mancha foliar do morango indiano em viveiros ornamentais requer abordagem multifacetada envolvendo práticas de higiene, culturais e químicas complementares. O uso de mudas sadias e livres de patógenos é a medida mais importante, garantindo que inoculação primária não seja introduzida através de material de propagação contaminado adquirido de fornecedores de má qualidade fitossanitária (LOMBARD et al., 2014). A remoção e eliminação sistemática de folhas infectadas e restos culturais reduz significativamente a população de inóculo disponível para disseminação secundária através do viveiro (CROUS; WINGFIELD, 2004). A garantia de bom espaçamento entre plantas cultivadas e promoção de ventilação adequada através de redução do sombreamento quando climaticamente viável reduz a duração do molhamento foliar e a severidade de infecções subsequentes (CROUS et al., 2006). O evitar excesso de irrigação e molhamento foliar prolongado durante períodos noturnos, combinado com irrigação precoce no dia que permita rápida secagem das folhas pela manhã, reduz significativamente as condições favoráveis ao patógeno (LOMBARD et al., 2014). A realização de aplicações preventivas de fungicidas registrados para cultivos ornamentais, quando necessárias e conforme recomendações de órgãos de extensão fitossanitária, oferece proteção adicional durante períodos de alta pressão de doença (CROUS et al., 2006). O monitoramento regular de plantas em produção permite detecção precoce de focos de doença, possibilitando isolamento imediato de plantas infectadas e redução de disseminação para plantas vizinhas.

A identificação do patógeno deve ser confirmada por análise laboratorial profissional, sendo que sintomas visuais servem como indicativo inicial mas não substituem diagnose técnica adequada realizada por especialistas em fitopatologia. O isolamento em meio de cultura apropriado como meio de batata-dextrose-ágar (BDA) ou meio de água-ágar contendo folhas de morango, observação microscópica de estruturas morfológicas diagnósticas (conidióforos escuros ramificados, conídios hialinos plurisseptados em cadeias basais), e quando necessário sequenciamento molecular do DNA ribossomal constituem protocolos consolidados para identificação confiável do patógeno (LOMBARD et al., 2014).

Calonectria brasiliensis representa um desafio fitossanitário significativo em viveiros de plantas ornamentais, com impacto direto na qualidade estética e valor comercial de mudas de morango indiano produzidas para venda (CROUS et al., 2006). A adoção integrada de medidas — incluindo uso de mudas certificadas e sadias, remoção sistemática de material infectado, promoção de ventilação adequada, evitar molhamento foliar prolongado, aplicações preventivas de fungicidas quando necessário, e monitoramento regular da incidência da doença — permite reduzir significativamente os danos causados por este patógeno que compromete o valor ornamental de plantas (LOMBARD et al., 2014). Recomenda-se consulta com profissionais de fitopatologia e extensão rural para orientações específicas ao viveiro ornamental e às condições climáticas locais de cultivo.

REFERÊNCIAS

CROUS, P. W.; WINGFIELD, M. J. Critical pest and pathogen review: Cylindrocladium species: new species, biological characteristics and impact. Annals of Applied Biology, [S.l.], v. 144, n. 1, p. 1-26, 2004.

CROUS, P. W.; BRAUN, U.; GROENEWALD, J. Z. Mycosphaerella is polyphyletic. Studies in Mycology, [S.l.], v. 50, n. 1, p. 213-221, 2006.

LOMBARD, L.; VAN DER MERWE, N. A.; GROENEWALD, J. Z.; CROUS, P. W. Cylindrocladium species: a global perspective. Mycotaxon, [S.l.], v. 129, n. 1, p. 1-45, 2014.




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