quarta-feira, 27 de abril de 2011

MELHORAMENTO GENÉTICO DA CULTURA DA ALFACE (Lactuca sativa L.)

Fernando Castro de Oliveira



1.0 INTRODUÇÃO


A alface (Lactuca sativa L.) pertence à Família Asteraceae e ao Gênero Lactuca no qual são identificadas mais de 100 espécies. Ela originou-se de espécies silvestres, ainda atualmente encontradas em regiões de clima temperado, no sul da Europa e na Ásia Ocidental (Filgueira, 2008). É a mais popular das hortaliças folhosas, sendo cultivada em quase todas as regiões do globo terrestre. Pode ser considerada uma boa fonte de vitaminas e sais minerais, destacando-se seu elevado teor de vitamina A, além de conter vitaminas B1 e B2, vitaminas C, cálcio e ferro (Fernandes et al., 2002) apud (Lima, 2007).
A alface é cultivada em todas as regiões brasileiras e é a principal salada consumida pela população, tanto pelo sabor e qualidade nutricional quanto pelo reduzido preço para o consumidor, representando 50% das folhosas comercializadas. A evolução de cultivares e sistemas de manejo, tratos culturais, irrigação, espaçamentos, técnicas de colheita e de conservação pós- colheita e mudanças nos hábitos de alimentação impulsionaram o cultivo e tornaram a alface a hortaliça folhosa mais consumida no país (Resende et al., 2007).
O Brasil possui uma área de aproximadamente 35.000 hectares plantados com alface, caracterizados pela produção intensiva, pelo cultivo em pequenas áreas e por produtores familiares, gerando cerca de cinco empregos diretos por hectare (Costa; Sala, 2005) apud (Resende et al., 2007). Os estados de São Paulo e Minas Gerais são os maiores produtores de alface do país, sendo que somente o estado de São Paulo plantou 6.570 ha em 2006, produzindo 129.077 toneladas (IEA, 2007). Na região Centro-Oeste, os maiores produtores são os municípios de Goiânia, Anápolis e a micro região do Entorno de Brasília. Somente no mês de junho de 2007, foram comercializados 163.065 kg de alface no Distrito Federal (CEASA-DF, 2007) apud (Resende et al., 2007).
De acordo com Katayama (1993) apud Lima (2007), apresenta baixo teor de calorias, tornando-se uma das formas de salada in natura mais consumida por todas as Classes sociais brasileiras. Entretanto, o seu cultivo apresenta limitações, principalmente em virtude de sua sensibilidade às condições adversas de temperatura, umidade e chuva (Gomes et al., 2005). Quanto às desvantagens do seu cultivo, destaca-se a dificuldade de conservação e transporte pós-colheita, fato que limita sua produção aos cinturões verdes das grandes cidades, obrigando os produtores a obter o máximo de aproveitamento da produtividade (Santos, 2001) apud (Lima, 2007).
O solo ideal para o cultivo dessa hortaliça é o de textura média, rico em matéria orgânica, com boa disponibilidade de nutrientes e alta capacidade de retenção de água. A faixa de pH de 6,0 a 6,8 é mais propícia. Se necessário, deve-se efetuar a calagem para elevar saturação por bases para 70% (Filgueira, 2008). Para se obter maior produtividade, é necessário o uso de insumos que melhorem as condições físicas, químicas e biológicas do solo. As maiores produções podem ser obtidas a partir da melhoria das características químicas e físico-química do solo, o que poder ser obtida com o acréscimo de doses crescentes de compostos orgânicos (Souza et al., 2005) apud (Lima, 2007).
Outros fatores que afetam a produtividade da cultura estão diretamente relacionados com o clima. Geralmente, no verão, a maioria das cultivares de alface não se desenvolve bem devido ao calor intenso, dias longos e o excesso de chuva. Estas condições favorecem o pendoamento precoce, tornando as folhas leitosas e amargas, perdendo seu valor comercial (Filgueira, 2008). No entanto, já existe no mercado cultivares mais adaptadas aos plantios de verão, graças ao melhoramento genético realizado. Tais cultivares permitem a produção durante o ano inteiro (Lima, 2007).
Segundo Vieira & Cury (1997) apud Lima (2007), a temperatura do ar é o elemento climático que exerce maior influencia nos processos fisiológicos das plantas de alface, podendo acelerar ou retardar as reações metabólicas, sob condição de temperatura ótima ou inferiores a esta, respectivamente. Para todas as cultivares de alface, a ocorrência de dias curtos e temperaturas amenas favorecem a etapa vegetativa, sendo estas, inclusive, resistentes a baixas temperaturas e geadas leves (Filgueira, 2008).
A umidade relativa do ar pode afetar a transpiração, e, como consequência, causam mudanças na condutância estomática, afetando as interações com a fotossíntese e produção de matéria seca e o índice de área foliar (Jolliet, 1994) apud (Lima, 2007). Embora a maioria das reações metabólica seja fortemente influenciada pela temperatura, alguns processos físicos como a absorção de luz é relativamente insensível a ela, sendo a taxa de difusão de calor intermediária em sensibilidade (Jones, 1992) apud (Lima, 2007).
A grande suscetibilidade da alface às doenças torna-se um fator de limitação na produção dessa hortaliça. Segundo Filgueira (2003) apud Lima (2007), são conhecidos aproximadamente 75 diferentes tipos de doenças, devendo ser evitado, o quanto possível, o uso de produtos tóxicos no controle fitossanitário, pois estes podem deixar resíduos ao consumidor. Por tratar-se de uma hortaliça de inverno, o seu cultivo em outras épocas do ano, pode favorecer, em algumas regiões, a incidência de doenças e desequilíbrios nutricionais, principalmente, se as condições climáticas se caracterizarem por elevados índices pluviométricos e altas temperaturas (Yuri et al., 2004) apud (Lima, 2007). Por isso, a época de plantio mais recomendada é o final da estação chuvosa, sendo que nas regiões mais frias o cultivo pode ser realizado durante todo o ano, principalmente sob condição de cultivo protegido (Lima, 2007).
O cultivo é realizado normalmente com um espaçamento no canteiro definitivo, tanto no transplante como na semeadura de 25 a 30 cm por 25 a 30 cm, entre linhas e plantas. Para alface do tipo americana, pode-se plantar no espaçamento de 35 x 35 cm. O canteiro deve ser largo e comportar de 5 a 6 fileiras, quando se utiliza a irrigação por aspersão. No campo o ciclo varia de 65 a 80 dias, da semeadura à colheita. Em estufa, o ciclo é ainda mais reduzido, de 45 a 50 dias (Filgueira, 2008).


2.0 DESENVOLVIMENTO


2.1 Características botânicas


A planta é herbácea, delicada, com caule diminuto, ao qual se prendem as folhas. Estas são amplas e crescem em roseta, em volta do caule, podendo ser lisas ou crespas, formando ou não uma cabeça, com coloração em vários tons de verde, ou roxa, conforme a cultivar, e são essas características que determinam a preferência do consumidor. O sistema radicular é muito ramificado e superficial, explorando apenas os primeiros 0,25m do solo, quando a cultura é transplantada. Em semeadura direta, a raiz pivotante pode atingir até 0,60m de profundidade (Filgueira, 2008).
Sua inflorescência possui de 10 a 25 flores ou floretes e é formada por uma panícula contendo vários botões florais denominados capítulos. Cada florete tem uma única pétala amarela, envolvida por brácteas imbricadas que vão formar o invólucro. O ovário é unilocular contendo um único óvulo. À medida que o estilete se alonga e atravessa o tubo formado pelos estames, ocorre a polinização e ao mesmo tempo a antese. Este processo se dá pela manhã, garantindo a autofecundação e a autogamia por meio da cleistogamia (Ryder, 1986) apud (Sousa et al., 2007).


2.2 Sistemas de produção


Atualmente, existem pelo menos quatro sistemas produtivos de alface no Brasil: o cultivo convencional e o sistema orgânico em campo aberto; o cultivo protegido no sistema hidropônico e no solo (Filgueira, 2005; Resende et al., 2007) apud (Henz e Suinaga, 2009). Os quatro sistemas diferem entre si em vários aspectos de manejo da cultura e também no manuseio pós-colheita.
O cultivo de alface a campo no sistema tradicional é o mais importante em termos de área e de produção, concentrando-se geralmente perto dos grandes centros urbanos. O custo da alface em cultivo tradicional é relativamente baixo quando comparado com outras hortaliças, como o tomate, o pimentão e o pepino híbrido. Em campo, a alface pode ser cultivada diretamente nos canteiros ou com “mulching”, técnicas de cobertura de solo. As aplicações de “mulching” visam, entre outros aspectos, diminuir a competição com plantas invasoras, propiciar um microclima mais favorável ao desenvolvimento da cultura e evitar o contato direto das folhas com o solo. Dentre as formas frequentemente utilizadas de “mulching” estão as coberturas com plástico preto e com cobertura morta ou palhada (Henz e Suinaga, 2009).
A alface também é cultivada a campo aberto no sistema orgânico, seguindo os preceitos básicos de uso de adubação orgânica, como compostos e adubos verdes, e manejo de doenças, insetos, artrópodes e plantas espontâneas de acordo com as normas preconizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) ou de certificadoras (Resende et al., 2007) apud (Henz e Suinaga, 2009).
O cultivo protegido de hortaliças pode ser feito em casas-de-vegetação ou em telados, de acordo com o tipo de exploração agrícola e, principalmente, condição climática prevalecente na região. Nas regiões Sul e Sudeste, durante o inverno podem ser usadas estruturas que concentram calor, como os modelos “fechados”, tipo “estufa”, que tem menor provisão de áreas de ventilação, muito embora existam cultivares importadas que se desenvolvem bem nas condições de inverno brasileiras. Em áreas tropicais, com períodos de chuva concentrados, como as regiões Norte e Centro-Oeste, podem ser construídas estruturas com cobertura de material plástico para servir como um ‘guarda-chuva’, com dispositivos que facilitam a circulação de ar, como o uso de laterais totalmente abertas ou protegidas por telas para evitar insetos. Deste modo é possível reduzir o calor excessivo e melhorar a ventilação interna, uma vez que em grande parte do território nacional temperaturas excessivas no interior de casas-de-vegetação é o grande problema que o agricultor enfrenta. Outra possibilidade de cultivo da alface é utilização de túneis baixos ou a cobertura dos canteiros com TNT (“tecido não tecido”) para proteger as plantas contra pragas (Henz e Suinaga, 2009).
O cultivo hidropônico de alface é feito em casas-de-vegetação de plástico ou telados, de vários tipos e dimensões, de acordo com o clima de cada região. Existem vários sistemas de hidroponia usados para o cultivo de alface, sendo os mais comuns aqueles que usam canos de PVC com pequenos orifícios ou calhas telhas grandes que, às vezes, são utilizados em conjunto com distintos substratos, como argila expandida, areia, vermiculita ou lã-de-rocha. Nestes sistemas, circula uma solução nutritiva na qual a concentração de todos os macronutrientes e micronutrientes é tecnicamente balanceada para prover desenvolvimento efetivo das plantas e ao mesmo tempo causar reduzidas perdas dos mencionados nutrientes minerais (Henz e Suinaga, 2009).


2.3 Produção orgânica de alface


Os primeiros estudos sobre cultivos orgânicos ocorreram na Índia na década de 1920 com Albert Howard que desenvolveu pesquisas que ressaltavam a importância da matéria orgânica para manutenção da fertilidade e da vida do solo e, consequentemente, para nutrição das culturas. No Brasil, a ideia do cultivo orgânico ganhou força e apoio da mídia nos últimos anos, conquistando a confiança da população que, por sua vez, procurava opções de uma alimentação mais saudável aliada à crescente preocupação com a preservação do meio ambiente (Resende et al., 2007).
A produção de hortaliças orgânicas concentra-se principalmente nas regiões Sul (55%), Sudeste (37%) e Centro-Oeste (6%). A alface, juntamente com couve, tomate, cenoura, agrião e berinjela, são as principais hortaliças produzidas em sistema orgânico no Brasil (BRASIL, 2006) apud (Resende et al., 2007).
O custo de produção da alface orgânica é menor do que o da alface convencional e mesmo com uma menor produtividade do sistema orgânico de produção o custo por unidade ainda é menor nesse sistema e o produto orgânico também recebe uma valorização média em torno de 20% em relação ao produto convencional (Resende et al., 2007).
O manejo e a exploração equilibrada do solo em sistemas orgânicos de produção exigem o emprego de práticas como a alternância de culturas e a sucessão vegetal, levando à prática da rotação de culturas. Para o uso correto desta prática é necessário que o produtor tenha um bom sistema de gerenciamento da propriedade, incluindo a subdivisão dos talhões em faixas de cultivo e um método adequado de identificação dessas áreas. A eficiência do sistema de rotação depende do estabelecimento de uma escala de plantio de espécies com diferentes exigências nutricionais e que explorem diferentes camadas do solo. Essa prática permite explorar os recursos do solo de maneira mais racional, evitando seu esgotamento. Outro aspecto igualmente importante da rotação é evitar a proliferação e acúmulo de doenças e pragas, que num sistema intensivo de cultivo, como no caso da alface, pode ocorrer de forma bastante acelerada (Resende et al., 2007).
Por ser uma planta originada de clima temperado a alface desenvolve melhor em temperaturas amenas. Com o avanço dos trabalhos de melhoramento no país foi possível o desenvolvimento de cultivares adaptadas ao calor e resistentes ao pendoamento precoce. Atualmente, é possível, a partir da escolha da cultivar adequada para cada época, colher alface de boa qualidade o ano todo também em sistema orgânico de produção (Resende et al., 2007).
Para cultivos em sistemas orgânicos deve-se escolher cultivares mais adaptadas às condições locais, rústicas, que possuam sistema radicular bem desenvolvido e com boa capacidade de exploração do solo e ainda maior nível de resistência ou tolerância a pragas e doenças (Resende et al., 2007).
Em trabalhos realizados na Embrapa Hortaliças foram avaliadas cultivares de alface dos três grupos, americana, crespa e lisa, em sistema orgânico de produção. Dentre as alfaces do tipo americana, em termos de produtividade, destacaram-se as cultivares ‘Robinson’, ‘Laurel’ e ‘Madona AG.60’; do tipo crespa apresentaram melhor desempenho a ‘Simpson’, ‘Mônica’ e ‘Grand Rapids’; e do grupo lisa tiveram destaque a ‘Regina’, ‘Babá de Verão’ e a ‘Aurélia’ (Lima et al., 2004; Jasse et al., 2006) apud (Resende et al., 2007).


Tabela 1. Exemplo de cultivares de alface do grupo de folhas lisas com resistência a doenças e condições ambientais adversas.Fonte: catálogos das empresas de sementes


Tabela 2. Exemplo de cultivares de alface do grupo de folhas crespas com resistência a doenças e condições ambientais adversas. Fonte: catálogos das empresas de sementes


Tabela 3. Exemplos de cultivares de alface do tipo americana com resistência a doenças e condições ambientais adversas. Fonte: catálogos das empresas de sementes



Tabela 4. Desenvolvimento e produção de cultivares de alface americana, crespa e lisa em sistema orgânico de produção na Embrapa Hortaliças. Embrapa Hortaliças, Brasília – DF, 2003 e 2005. Fonte: Resende et al., 2007.


2.4 Produção de mudas


Uma muda de boa qualidade, quando levada ao campo, terá melhores condições de sobreviver e se desenvolver. Assim, deve-se ter certos cuidados com o manejo do viveiro, como irrigações, contentores e utilização de substratos. No caso da alface, recomenda-se que as mesmas sejam preparadas em bandejas de 128 células, com 60 mm de profundidade que comportam maior volume, utilizando-se de substratos adequados que garantam a nutrição das mudas durante o período de viveiro. A vantagem da produção de mudas em viveiros é que estes protegem as mesmas contra algumas pragas e doenças, excesso de chuvas ou sol (dependendo da fase de desenvolvimento pode ser muito prejudicial) e também garantem uma maior uniformização. Em geral, para a alface, as mudas devem ser transplantadas quando estiverem com quatro pares de folhas definitivas, período que deve ocorrer entre 20 e 30 dias (Resende et al., 2007).


2.5 Tipos e cultivares de alface cultivados no Brasil


No Brasil, as alfaces mais conhecidas e consumidas são as crespas e as lisas, algumas das quais foram melhoradas para o cultivo de verão ou adaptadas para regiões tropicais, com temperaturas e pluviosidade elevadas, mas nos últimos anos também aparecerem cultivares roxas e com as folhas frisadas (Henz e Suinaga, 2009).
A definição dos tipos de alface é importante porque a diversidade nas características morfológicas e fisiológicas entre os grupos determina grandes diferenças na conservação pós-colheita e, consequentemente, nos aspectos de manuseio. Algumas cultivares apresentam características específicas, como a resistência ao vírus do mosaico da alface (Lettuce mosaic virus - LMV), a resistência ao pendoamento precoce e o florescimento precoce em regiões quentes ou com dias longos (Henz e Suinaga, 2009).
Nos últimos anos, aumentou o interesse de produtores e consumidores pelo tipo “repolhuda crespa ou americana”, já ofertada de forma regular em todos os mercados brasileiros. Além de ser apreciada na forma in natura, esta cultivar é amplamente utilizada pela indústria de processamento mínimo pelo fato de suportar melhor o processamento, quando comparada com outras cultivares. A alface “americana” também é muito utilizada por redes de “fast food” como ingrediente de sanduíches por sua crocância, textura e sabor. Esta alface também apresenta melhor conservação pós-colheita, e resistência ao transporte e manuseio. Mais exótica, a alface “romana” de folhas roxas é o tipo menos conhecido de alface no Brasil, mas seu cultivo pode ser interessante para atender nichos de mercado, em especial consumidores mais sofisticados (Henz e Suinaga, 2009).
Segundo Henz & Suinaga (2009) as cultivares de alface atualmente disponíveis no mercado brasileiro de sementes podem ser agrupadas em cinco tipos morfológicos principais, com base na formação de cabeça e tipo de folhas:
Repolhuda Lisa: apresenta folhas lisas, delicadas e macias, com nervuras pouco salientes, com aspecto oleoso (“manteiga”), formando uma cabeça típica e compacta. Cultivares ‘Áurea’, ‘Aurélia’, ‘Aurora’, ‘Babá de Verão’, ‘Boston Branca’, ‘Brasil 202’, ‘Brasil 303’, ‘Carla’, ‘Carolina AG 576’, ‘Crioula Branca’, ‘Elisa’, ‘Floresta’, ‘Glória’, ‘Kagraner de Verão’, ‘Karina’, ‘Lívia’, ‘Luisa’, ‘Marina’, ‘Maravilha de Inverno’, ‘Maravilha de Verão’, ‘Minie’, ‘Piracicaba 65’, ‘Rainha de Maio’.
Repolhuda Crespa ou Americana: folhas crespas, consistentes e crocantes, cabeça grande e bem compacta. Cultivares ‘América Delícia’, ‘Bounty Empire’, ‘Crespa Repolhuda’, ‘Grandes Lagos’, ‘Great Lakes’, ‘Great Lakes 659-700’, ‘Hanson’, ‘Iara’, ‘Lorca’, ‘Lucy Brown’, ‘Madona AG 605’, ‘Mesa 659’, ‘Nabuco’, ‘Raider’, ‘Salinas’, ‘Summertime’, ’Tainá’.
Solta Lisa: folhas lisas e soltas, relativamente delicadas, sem formação de cabeça compacta. Cultivares ‘Babá’, ‘Babá de Verão’, ‘Monalisa AG 819’, ‘Regina’, ‘Regina 71’, ‘Regina 440’, ‘Regina 579’, ‘Regina de Verão’, ‘Vitória de Verão’.
Solta Crespa: folhas grandes e crespas, textura macia, mas consistente, sem formação de cabeça; pode ter coloração verde ou roxa. Cultivares ‘Black Seeded Simpson’, ‘Brisa’, ‘Elba’, ‘Grand Rapids’, ‘Grand Rapids Nacional’, ‘Grand Rapids TBR’, ‘Grande Rápida’, ‘Hortência’, ‘Itapuã 401’, ‘Marianne’, ‘Marisa AG 216’, ‘Mimosa (Salad Bowl)’, ‘Salad Bowl’, ‘Simpson’, ‘Vanessa’, ‘Verônica’, ‘Vera (AF-470)’.
Solta Crespa Roxa: ‘Maravilha Quatro Estações’, ‘Mimosa Vermelha’, ‘Quatro Estações’, ‘Rossimo’, ‘Salad Bowl Roxa’, ‘Veneza Roxa’, ‘Vermelha Ruby’.
Tipo Romana: folhas tipicamente alongadas, duras, com nervuras claras, com uma cabeça fofa e alongada, na forma de cone. Cultivares ‘Branca de Paris’, ‘Ideal Cos’, ‘Romana Balão’.


2.6 Processamento mínimo da alface crespa


A principal forma de comercialização da alface é ainda na forma “in natura”. Todavia, devido a diversas mudanças de hábito e estilo de vida, observados sobretudo nas grandes regiões metropolitanas de cidades brasileiras, formas mais convenientes de consumo têm sido cada vez mais procuradas. O processamento mínimo encaixa-se bem nessa tendência, tendo-se em vista a praticidade aliada à conveniência dos produtos comercializados na forma minimamente processada (Moretti e Mattos, 2006).
O sucesso da atividade de processamento mínimo da alface inicia-se antes mesmo da colheita propriamente dita. Durante a condução da cultura, todos os cuidados devem ser observados, no que diz respeito à nutrição mineral, controles fitossanitários, manejo da água e solo, entre outros (Moretti e Mattos, 2006).
O produto deve ser colhido no seu ponto ótimo de maturidade hortícola. A colheita tardia dá origem a um produto de baixa qualidade, com folhas endurecidas e desenvolvimento de sabor amargo, reduzindo o valor comercial do produto. Após a colheita, de preferência feita nas horas mais frescas do dia, as cabeças devem ser resfriadas em câmara fria com temperatura de 5°C por aproximadamente 6 a 8 horas. Esse procedimento é essencial para obter um produto com maior vida de prateleira (Moretti e Mattos, 2006).
Devem ser utilizadas somente folhas de excelente qualidade, sem dano aparente causado por pragas ou doenças. O material que vem do campo deve ser lavado, com água limpa e de boa qualidade a fim de retirar-se matéria orgânica e demais impurezas aderidas ao produto. O processamento pode ser feito com as folhas inteiras utilizando apenas as folhas mais jovens e tenras, ou com folhas fatiadas. Após o corte deve-se um primeiro enxague para retirar o suco celular, resultante do extravasamento, para que este não reaja com o cloro da solução sanitizante. A sanitização consiste na imersão do produto cortado em solução clorada, com concentração de 100 e 150 mg de cloro ativo/L de água limpa e com temperatura de 0 a 5°C, por aproximadamente 10 minutos. Após o tratamento com cloro, o produto deve ser enxaguado, com água limpa e tratada (com 10 mg cloro ativo/ L de água), por aproximadamente 5 minutos, de preferência com temperatura entre 0 e 5°C. Para retirar o excesso de água da alface o produto deve ser centrifugado por 3 a 4 minutos. A alface é embalada e armazenada sob temperaturas ao redor de 5°C ou distribuída imediatamente para o mercado consumidor sob as mesmas condições. A vida média de prateleira da alface minimamente processada gira em torno de 5 a 7 dias (Moretti e Mattos, 2006).


2.7 Melhoramento genético


2.7.1 História do melhoramento genético da alface no Brasil


É de suma importância para o melhoramento desta cultura, o estudo dos efeitos do ambiente, sobretudo da temperatura, sobre os caracteres agronômicos e a forma como esses afetam a qualidade do produto final. A estimação dos efeitos genéticos e ambientais sobre determinado caráter, bem como da herdabilidade e das correlações genéticas são de fundamental importância para o melhoramento de plantas (Cruz, 2005) apud (Souza, et al, 2008). A obtenção de estimativas dos componentes genéticos e fenotípicos possibilitam a tomada de decisões relacionadas com a escolha do método mais apropriado, bem como de quais características podem ser utilizadas para seleção nas etapas iniciais e avançadas de um programa (Rossmann, 2001) apud (Souza, et al, 2008). A existência de variabilidade, particularmente a de natureza genética, é essencial para a obtenção de genótipos superiores em gerações avançadas em programas de melhoramento originados por hibridação de germoplasma de interesse (Souza, et al, 2008).
O melhoramento genético da alface no Brasil teve início na década de 60, com o pesquisador Hiroshi Nagai, concentrando-se na obtenção de genótipos resistentes a doenças e ao calor (Melo & Melo, 2003). Porém, as pesquisas foram implementadas, em sua maioria, para as necessidades da Região Centro-Sul, onde as temperaturas são mais amenas (Souza et al., 2008).
As pesquisas com alface, iniciadas em 1968 visavam à obtenção de cultivares do tipo manteiga resistentes ao vírus-do-mosaico da alface e ao calor, surgindo a ‘Brasil 48’ em 1973. Nos anos subsequentes, outras cultivares designadas ‘Brasil 202’, ‘Brasil 221’, ‘Brasil 303’ e ‘Brasil 311’ tiveram idêntico sucesso assim como suas versões comerciais. Na década de 1990, Nagai deu ênfase à Série Brasil 500, objetivando cultivares de folhas crespas e resistentes ao mosaico-da-alface, ao vira-cabeça e ao calor. Infelizmente, morreu sem alcançar seus objetivos (Melo & Melo, 2003).
A tendência atual do melhoramento genético de plantas é a integração das técnicas clássicas com os avanços da biotecnologia, levando-se em consideração as vantagens e limitações de cada uma delas. Neste contexto, a tecnologia de marcadores moleculares pode contribuir significativamente para o conhecimento básico da cultura e do caráter estudado, e também para a geração e desenvolvimento de produtos melhorados (Ferreira e Grattapaglia, 1998) apud (Sousa et al., 2007).


2.7.2 Alface tolerante ao calor


As temperaturas ideais para produção de folhas e cabeças de qualidade se situam em torno de 12 e 22° C (Cock et al., 2002; Filgueira, 2003) apud (Souza et al., 2008), sendo que temperaturas superiores a 22º C favorecem o florescimento precoce, antecipando a colheita (Mota et al., 2003) apud (Souza et al., 2008). O pendoamento precoce provoca o alongamento do caule, reduz o número de folhas, afeta a formação da cabeça comercial e estimula a produção de látex, o que torna o sabor da folha amargo (Cock et al., 2002) apud (Souza et al., 2008), resultando na colheita de plantas ainda pequenas, com menor peso e número de folhas, de má qualidade, não expressando portanto o seu máximo potencial genético (Santana et al., 2005) apud (Souza et al., 2008).
Além do pendoamento precoce, as altas temperaturas dificultam a absorção de alguns nutrientes, como o cálcio. A baixa absorção de cálcio em alface caracteriza-se pelo surgimento de necrose nas extremidades das folhas, conhecida como queima de bordas ou tip burn (Cock et al., 2002; Beninni et al., 2003) apud (Souza et al., 2008).
Souza et al. (2008) avaliaram 13 progênies F7 (41; 44; 47; 53; 62; 66; 69; 73; 76; 78; 84; 85 e 89), oriundas do cruzamento (‘Regina’ x ‘Tinto’) x ‘Verdinha’, os genitores e, como testemunhas, as cultivares ‘Luisa’ e ‘Babá de Verão’. A cultivar ‘Verdinha’ apresenta folhas lisas com ondulações, soltas, verde-escuras, pouco tenras e relativamente espessas, com adaptação a altas temperaturas; a cultivar ‘Regina possui folhas lisas de coloração verde-clara, tenras e suculentas; a cultivar Tinto possui folhas lisas, verde-claras, com cabeça pequena e é resistente ao vírus do vira-cabeça; a cultivar ‘Luisa’ possui folhas lisas de coloração verde-clara, não forma cabeça, sendo considerada resistente ao pendoamento precoce e, por último, a cultivar ‘Babá de Verão apresenta folhas lisas, coloração verde claro brilhante e é levemente enrugada (Cock et al., 2002; Filgueira, 2003). E obtiveram os seguintes resultados:
Considerando número de folhas, diâmetro da planta e peso fresco da planta como os caracteres agronômicos mais importantes para a comercialização, verificou-se que, respectivamente, 53,85%, 61,54% e 30,77% das progênies e os genitores Regina e Verdinha se posicionaram no grupo A, revelando melhor desempenho. O genótipo com o menor comprimento de caule foi observado na progênie 76, com 3,44 cm. Além disso, esta foi a progênie que conteve o menor número de plantas pendoadas na colheita. Tem-se, pois, como destaque a progênie 76, embora tenha revelado comportamento quanto a características comerciais um pouco inferior às testemunhas, aos genitores e até mesmo a outras progênies (Souza et al., 2008).
Quando se correlacionou o pendoamento com as demais características, os resultados obtidos foram significativos e positivos para a maioria das combinações, considerando as correlações genéticas (Souza et al., 2008).
Segundo Henz e Suinaga (2009) as seguintes cultivares de alface são consideradas como tropicalizadas, com resistência ao pendoamento precoce, sendo indicadas para cultivo em regiões quentes localizadas entre as latitudes 0° e 23°: grupo Repolhuda Lisa: ‘Elisa’, ‘Glória’ e ‘Piracicaba 65’; grupo Crespa Repolhuda ou Americana: ‘Crespa Repolhuda’, ‘Gloriosa’; grupo Crespa Solta: ‘Vera’; grupo Solta Lisa: ‘Vitória de Santo Antão’.


2.7.3 Alface enriquecida em vitamina A e resistência a septoriose


Preocupados com a carência vitamínica no Brasil e em especial no Nordeste, Kerr e colaboradores decidiram produzir uma cultivar de alface com alto teor de vitamina A. O resultado foi a obtenção da cultivar ‘Uberlândia 10.000’ que possui, em cada 100 gramas de folhas frescas, cerca de 10.121 unidades internacionais (U.I.) de vitamina A (Tabela 5). As linhagens foram selecionadas baseando-se em caracteres morfológicos, como por exemplo coloração das folhas, resistência ao pendoamento precoce, sabor doce e adaptação a variações no pH de 4 a 8 (Sousa et al., 2007).
A cultivar ‘Uberlândia 10.000’ originou-se de uma série de cruzamentos e seleções descritos a seguir. Os parentais utilizados nos primeiros cruzamentos foram ‘Maioba’ e ‘Salad Bowl-Mimosa’, e do cruzamento entre esses dois parentais obteve-se a cultivar ‘Moreninha-de-Uberlândia’ que, apesar de alto teor de vitamina A, possuía características inadequadas às exigências do consumidor. Essa cultivar foi cruzada com outra variedade comercial de características apreciadas pelo consumidor (‘Vitória de Santo Antão’). Desse cruzamento resultou finalmente a cultivar ‘Uberlândia 10.000’ (Tabela 5) (Sousa et al., 2007).
Sousa et al. (2003) avaliaram diferentes cultivares de alface quanto a resistência à septoriose e observaram que a cultivar ‘Maioba’ foi a mais suscetível, não diferindo significativamente da cultivar ‘Uberlândia 10.000’, enquanto a ‘Vitória de Santo-Antão’ possía maior resistência em relação às demais, não diferindo significativamente da ‘Salad-Bowl-Mimosa’ (Sousa et al., 2007).
No estudo da divergência genética entre a cultivar ‘Uberlândia 10.000’ e seus parentais (pais e avós) utilizando 18 combinações de primers, observou-se grande similaridade genética (87%) dela com a avó ‘Maioba’ e ‘Vitória de Santo Antão’, podendo sugerir que a característica de susceptibilidade ou resistência à septoriose não tem relação alguma com a divergência genética (Sousa et al., 2007).


Tabela 5. Características morfológicas das cultivares utilizadas no programa de melhoramento da cultivar Uberlândia 10.000. Fonte: (Kerr et al., 1990) e (Almeida, 1991) apud (Sousa et al., 2007).


2.7.4 Alface resistente a nematoides de galha


A alface, quando cultivada no campo, apresenta alta suscetibilidade à infecção por espécies de nematoides de galhas (Meloidogyne spp.). As cultivares de alface do tipo lisa apresentam maior suscetibilidade aos nematoides que as cultivares do tipo crespa, principalmente quando as do tipo lisas são cultivadas no período de verão, com temperatura e umidade do solo mais elevadas (temperaturas acima de 28ºC) (Charchar e Moita, 2005).
O controle de Meloidogyne spp. é imprescindível para bom êxito de cultivo da alface, pois os nematoides de galhas podem causar perdas de até 100% na produção, dependendo da intensidade de infestação da área e da cultivar plantada (Charchar, 1995) apud (Charchar e Moita, 2005). O uso de cultivares do tipo crespa (‘Bix’, ‘Romana Balão’, ‘Salad Bowl Mimosa’ e ‘Grand Rapids’) com maior grau de resistência pode reduzir consideravelmente, o potencial de inóculo dos nematoides no campo. As cultivares do tipo lisa (‘Vitória’ e ‘Regina’) são as mais suscetíveis aos nematoides (Charchar & Moita, 1996) apud (Charchar e Moita, 2005).
O controle químico dos nematoides de galhas com nematicidas não é recomendado pelo ciclo curto da cultura e pela falta de registro de produto químico específico para alface no Brasil (Charchar, 1995) apud (Charchar e Moita, 2005).
As espécies do gênero Meloidogyne possuem raças biológicas com habilidades para infectar diferentes espécies de plantas: M. incógnita raças 1, 2, 3 e 4; M. arenaria e M. hapla com as raças 1 e 2; e M. javanica raças 1, 2, 3 e 4. A espécie M. petuniae ainda não apresenta distinção de raças. As raças 1 e 2 de M. incognita e a raça 1 de M. javanica são as mais comuns em plantas da família Asteraceae apud (Charchar e Moita, 2005).


Tabela 6. Reação de cultivares de alface de diferentes tipos e origens à infecção pela população mista de Meloidogyne incognita raça 1 e M. javanica no campo.Fonte: Adaptado de (Charchar e Moita, 2005).


Wilcken et al. (2005) avaliando a resistência da alface do tipo americana ao nematoide de galha M. incognita raça 2 tiveram como cultivares resistentes ‘Challenge’, ‘Salinas 88’, ‘Vanguard 75’, ‘Calgary’, ‘Classic’ e ‘La Jolla’.


2.7.5 Alface tolerante ao Lettuce mosaic virus (LMV)


Um dos principais problemas fitopatológico que atinge diretamente a produção da alface é a ocorrência de viroses, ocasionando queda na qualidade e na produção. Dentre os diversos vírus que ocorrem na cultura da alface o mais importante é o Lettuce mosaic vírus (LMV), com ocorrência generalizada em todas as regiões produtoras de alface do Brasil (ZERBINI, 1995) apud (Chung, 2005).
Chung (2005) avaliou a reação de 18 linhagens superiores do programa de melhoramento de alface do Centro de Pesquisa Desenvolvimento e Análises de Horticultura IAC-apta (CPDAH IAC-apta) e de seis cultivares comerciais (‘Brasil 221’, ‘Rubete’, ‘Kazan’, ‘Gizele’, ‘Hortência’ e ‘White Boston’), ao LMV isolado de alfaces do tipo americana ‘Raider’, lisa ‘Karla’ e crespa ‘Hortência’, em 2003, na região de Atibaia, SP. Foram inoculados 18 linhagens e 6 cultivares, e como controle positivo foi utilizada a cultivar ‘White Boston’ por sua suscetibilidade ao LMV. Em todas as amostras de alface ‘Raider’, ‘Karla H25’ e ‘Hortência’ avaliadas, foi identificada a presença do LMV patotipo IV. Foram detectados genótipos com comportamento de susceptibilidade e tolerância. As linhagens 602-3 e 602-4 foram classificadas como tolerantes ao LMV patotipo IV isolado de alface ‘Karla’ H25 podendo, portanto, ser recomendado o seu plantio, para reduzir os prejuízos causados pelos sintomas do LMV. Os cultivares comerciais, que possuem tolerância para o patotipo II, manifestaram sintomas de mosaico mais brandos, quando inoculadas com este isolado do LMV.


2.7.6 Linha de pesquisa em andamento


O seguinte trabalho, Melhoramento genético da alface: desenvolvimento de linhagens do tipo americana e crespa com resistência ao calor e ao mosaico provocado por LMV está sendo desenvolvido por Suinaga e visa implantar um programa de melhoramento genético de alface (primeira fase), através do desenvolvimento de linhagens homozigóticas dos tipos americana e crespa, pois estes são os padrões atuais do mercado consumidor. Estas linhagens também deverão possuir tolerância ao florescimento precoce e ao LMV, que são os mais importantes problemas abióticos e bióticos desta cultura. Esta fase do programa irá gerar progênies de alface com resistência durável ao míldio causado por Bremia lactucae e ao nematoide das galhas (M. incognita e M. javanica) além de serem eficientes no uso da água e do calcário. Além disto, neste projeto, serão avaliadas diversas cultivares de alface, em sistema de competição, em diversos sistemas de cultivo e regiões. Em uma segunda fase deste programa de melhoramento, as linhagens iniciais geradas na etapa anterior serão testadas em ensaios com repetição e em diversos locais com o objetivo de disponibilizar variedades melhoradas de alface. Além disto, serão também estudadas as demais doenças de importância para a alfacicultura brasileira, ou seja, a cercosporiose cujo agente causal é a Cercospora longissima e a septoriose provocada por Septoria lactucae (Suinaga et al, 2011).


3.0 CONCLUSÕES


A alface é a mais popular das hortaliças folhosas, sendo cultivada em quase todas as regiões do globo terrestre. No Brasil ela é cultivada em todas as regiões, principalmente, devido a cultivares resistentes ao calor.
O melhoramento genético da alface no Brasil, iniciado na década de 1960, está orientado basicamente para o desenvolvimento de cultivares resistentes a pragas e doenças, tolerantes ao calor e ao pendoamento precoce e o desenvolvimento de cultivares biofortificadas.


LITERATURA CITADA


CHARCHAR, J. M.; MOITA, A. W.: Comunicado Técnico 27. Metodologia para seleção de hortaliças com resistência a nematoides: Alface/Meloidogyne spp. Brasília, DF: Embrapa, dezembro, 2005.


CHUNG, R. M.: Reação de linhagens e cultivares de alface ao Lettuce Mosaic Virus (Patotipo IV). Campinas, SP, Instituto Agronômico de Campinas, 2005, (Tese de Mestrado).


FILGUEIRA, F. A. R.: Novo manual de olericultura: agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. 3ª ed., Viçosa, MG: Ed. UFV, 2008. 421 p.


HENZ, G. P.; SUINAGA, F.: Comunicado Técnico 75. Tipos de alface cultivadas no Brasil. Brasília, DF: Embrapa, novembro, 2009.


MELO, A. M. T.; MELO, P. S. T.: Hiroshi Nagai (1935–2003): sua vida e contribuições à olericultura. Horticultura brasileira, Vol. 21, n. 4, Brasilia out.-dez. 2003, p. 734.


LIMA, M. E.: Avaliação do desempenho da cultura da alface (Lactuca sativa) cultivada em sistema orgânico de produção, sob diferentes lâminas de irrigação e cobertura do solo. Seropédica, RJ, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 2007, (Tese de Mestrado).


MORETTI, C. L.; MATTOS, L. M. Comunicado Técnico 36. Processamento mínimo da alface crespa. Brasília, DF: Embrapa, dezembro, 2006.


RESENDE, F. V.; SAMINÊZ, T. C. O.; VIDAL, M. C.; SOUSA, R. B.; CLEMENTE, F. M. V.: Circular Técnica 56. Cultivo de alface em sistema orgânico de produção. Brasília, DF: Embrapa, novembro, 2007.


SOUSA, C. S.; BONETTI, A. M.; GOULART FILHO, L. R.; MACHADO, J. R. A.; LONDE, L. N.; BAFFI, M. A.; RAMOS, R. G.; VIEIRA, C. U.; KERR, W. E.: Divergência genética entre genótipos de alface por meio de marcadores AFLP. Bragantia, Campinas, v. 66, n. 1, p. 11-16, 2007.


SOUZA, M. C. M; RESENDE, L. V.; MENEZES. D.; LOGES, V.; SOUTE, T.A.; SANTOS, V.F.: Variabilidade genética para características agronômicas em progênies de alface tolerantes ao calor. Horticultura Brasileira, v. 26, n.3, p. 354-358, jul.-set. 2008.


SUINAGA, F. A.; LANA, M. M.; MAKISHIMA, N.; BOITEUX, L. S.; CRUZ, E. M.; RESENDE, F. V.; CHAVES, F. C. .M.; FLAVIO; SILVA, G. O.; SOUSA, N. O. S. BOITEUX, M. E. N. F.; PINHEIRO, J. B.; LIMA, M. F.; CAFE FILHO, A.; REIS, A.; GUIMARAES, J. A.; GUEDES, I. M. R.; SILVA, H. R.; FIGUEIREDO, C. C.: Melhoramento genético de alface: desenvolvimento de linhagens do tipo americana e crespa com resistência ao calor e ao mosaico provocado por LMV. Brasília, DF: Embrapa, Projeto em andamento, 2011.


WILCHEN, S. R. S.; GARCIA, M. J. M.; SILVA, N.: Resistência de alface do tipo Americana a Meloidogyne incognita raça 2. Nematologia Brasileira, v. 29 (2), p. 267-271, 2005.

Melhoramento genético do Tomate (Lycopersicon esculentum)

Aluno: Paulo Vinicius de Sousa

INTRODUÇÃO

O tomate é produzido e consumido em numerosos países, ao natural ou industrializado. No Brasil, tornou-se a segunda hortaliça em importância econômica, sendo cultivado na maioria dos estados. A maior parte da colheita destina-se a mesa, entretanto, a produção destinada às agroindústrias vem crescendo, especialmente na região dos cerrados (Filgueira, 2008).
A produção brasileira de tomate para industrialização, ou tomate rasteiro, começou em Pernambuco, no inicio do século XX. Porém a cultura experimentou um grande impulso a partir da década de 50, no estado de São Paulo, viabilizando a implantação de diversas agroindústrias. Na década de 80, expandiu-se na região Nordeste, especialmente em Pernambuco e no norte da Bahia (Giordano et al., 2000).
O tomate não é uma das hortaliças mais ricas em vitaminas e sais minerais, especialmente por conter 94% de água, em média no fruto ao natural. Todavia pode ser consumido em maior quantidade e com maior freqüência, em relação a outras hortaliças, mais nutritivas, o tomate torna-se uma fonte de tais nutrientes importantes, na dieta dos brasileiros. Geralmente é consumida em saladas, evitando assim as perdas ocasionadas pela cocção (Filgueira, 1982).
O cultivo do tomateiro exige um alto nível tecnológico e intensa utilização de mão-de-obra, entretanto, com a introdução das semeadouras de precisão e com o plantio de mudas e colheita mecanizados, principalmente em Minas e Goiás, a estrutura de produção vem sofrendo muitas mudanças, causando marcante redução no uso da mão-de-obra (Giordano, et al., 2000).
Uma nova e notável característica genética o: “longa vida”, tem sido um termo utilizado para designar frutos que iniciam mais tardiamente o processo de deterioração pós-colheita, ou seja, ficam mais tempo nas prateleiras, essa característica pode ser incorporada a qualquer dos cinco grupos de cultivares (Filgueira, 2007).
O tomateiro é uma das hortaliças mais estudadas geneticamente e a utilização de variedades melhoradas tem contribuído amplamente para o aumento de produtividade e qualidade do tomate (Abreu, 2005).
Segundo Abreu (2005), a utilização de variedades melhoradas tem contribuído amplamente para o aumento de produtividade e qualidade do tomate. O estudo por recursos genéticos em bancos de germoplasma como fonte de resistência tem sido realizada. Pertencentes ao gênero Lycopersicum, os quais necessitam ser avaliados, são necessários estudos de melhoramento genético da cultura, visando inserir fontes de resistência em germoplasma cultivado. Com isso deve-se conhecer a herança da resistência para que sejam possíveis a predição e obtenção de linhagens resistentes, as quais serão utilizadas em futuros programas de melhoramento da cultura.
A partir da caracterização dos recursos genéticos em banco de germoplasma muitas informações podem ser obtidas como realizar estudos de diversidade genética e, com base neles, sugerir possíveis cruzamentos entre acessos determinar a importância dos caracteres na avaliação da diversidade existente e realizar eventuais descartes de caracteres; determinar a relação entre os caracteres nuclear (Marim, et al., 2009).
O desenvolvimento de variedades comercialmente aceitáveis, parece ser o maior desafio enfrentado pelo melhoramento do tomateiro, ficando claro a ausência dessas variedades no mercado. Algumas fontes de resistência tem sido identificadas em espécies selvagens, mas a resistência é poligênica e influenciada fortemente por fatores ambientais (Mello, 2007).


Objetivos
O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão de literatura a respeito do melhoramento genético na cultura do tomate.

2. DESENVOLVIMENTO
2.1 CULTURA DO TOMATE (Lycopersicon sp.)
2.1.1.HISTÓRICO

Segundo Giordano et al (2000), o tomateiro é originado do Peru, Equador e Bolívia, tendo sido cultivado no México, de onde foi levado para a Europa. Em 1554, já havia sido introduzida na Itália uma cultivar com frutos amarelos, que deu origem ao nome pomodoro,ou seja, maçã-de-ouro. No século XVIII, já era largamente consumido em vários países europeus. O emprego do tomate como alimento é hoje universal.
Inicialmente, o tomateiro foi considerado planta ornamental, sendo o uso culinário retardado por temor de toxidade. Em 1523 o tomate foi introduzido na Europa através da Espanha (Filgueira, 2000).
Nos últimos quatro anos, a cultura do tomateiro para processamento industrial passou por grandes transformações, entre elas a mecanização do transplante e da colheita, uso intensivo de cultivares híbridas e melhoria global do sistema de produção. Essas transformações foram as grandes responsáveis pelo aumento da produtividade média verificada a partir de 1997 (Giordano et al., 2000).

2.2. BOTÂNICA

O tomate passou a pertencer à família das Solanaceae, à qual pertencem também outras plantas muito conhecidas do agricultor como a batatinha, o pimentão, e a berinjela entre outras. Prosseguindo a subdivisão dentro da família que reúne plantas a partir de algumas características comuns muito vagas. Na classificação do gênero, o tomate pertence ao gênero Lycopersicon, que por sua vez se subdivide ainda em espécies, das quais são conhecidas oito. A espécie do tomate é chamada Lycopersicon esculentum (Filgueira, 2008).
O tomateiro é uma solanácea herbácea, com caule flexível e incapaz de suportar o peso dos frutos e manter a posição vertical. Embora sendo uma planta perene, acultura comporta-se como anual: da semeadura até a produção de novas sementes, o ciclo biológico varia de 4 a 7 meses, incluindo 1-3 meses de colheita; em casa de vegetação, o ciclo e a colheita podem prolongar-se ainda mais. A floração e a frutificação ocorrem juntamente com a vegetação. As folhas, pecioladas, são compostas por número ímpar de folíolos (Filgueira, 2008).
Os frutos são bagas carnosas, suculentas, com aspecto, tamanho e peso variados, conforme a cultivar. Na maioria os frutos são de um vermelho vivo, quando maduros, resultante da combinação da cor da polpa com a película amarela. O peso dos frutos varia amplamente, de menos de 25 g (tipo cereja) até mais de 400 g (tipo salada). As sementes são pilosas, pequenas e envoltas por mucilagem quando no fruto (Filgueira, 2008).
As inflorescências de tomates são cimeiras bíparas que se diferenciam no meristema apical do caule, assumindo, no entanto, uma posição lateral entre as folhas e o caule. As inflorescências possuem entre 5 a 12 flores, sendo estas completas, hermafroditas e de corola amarela. O fruto do tomateiro é uma baga plurilocular com forma, cor e peso variáveis consoante as cultivares. A forma do fruto do tomateiro pode ser redonda, alongada, piriforme ou outra. A cor do tomate, quando o fruto está maduro, pode ser amarela, rosada, laranja ou vermelha (Alves Filho, 2006).

2.3 CLIMA E ÉPOCA DE PLANTIO

O tomateiro é exigente em termoperiodicidade diária: requer temperaturas diurnas amenas e noturnas menores, com diferença de 6-8°C entre elas. No Brasil, sob alta luminosidade, as temperaturas ótimas são 21-28°C, de dia, e 15-20°C, de noite, variando em razão da idade da planta e da cultivar. Temperaturas excessivas, diurnas ou noturnas, constituem fator limitante da tomaticultura, prejudicando a frutificação e o pegamento dos frutinhos (Filgueira, 2008).
A tomaticultura é problemática em climas tropicais úmidos, como os da Baixada Cuiabana, por exemplo. No período seco (outono-inverno), as temperaturas são propícias, há ausência de chuvas excessivas e o teor adequado de água no solo é assegurado pela irrigação. O controle fitossanitário é facilitado, com menores incidências de plantas invasoras, reduzindo-se as capinas e outros tratos culturais. No período chuvoso (primavera-verão), a cultura oferece muito maior desafio, sob umidade e temperatura elevadas, no ar e no solo, originando problemas fitossanitários às vezes insolúveis. A maior exigência em pulverização e em tratos culturais onera o custo de produção e diminui o número de produtores. Também é menor a produtividade, e a qualidade dos frutos é precária frequentemente. Por conseguinte devido à menor oferta, a cotação dos frutos para mesa tende a ser mais elevada de março a maio (Filgueira, 2008).

2.4. NUTRIÇÃO DO TOMATEIRO

Segundo Filgueira (2008), a cultura do tomateiro é altamente exigente quanto à fertilidade de solo, mais especificamente com relação ao teor de nutrientes, obviamente devido à elevada capacidade produtiva. O tomateiro é adaptável a diversos tipos de solos, desde que não sejam excessivamente argilosos, pesados e compactados, ou mal drenados. Solos arenosos também não são os mais favoráveis, devido à perda de água e lixiviação de nutrientes. A planta apresenta tolerância à acidez moderada, produzindo na faixa de pH 5,5 a 6,5. Em solos mais ácidos, a calagem é prática indispensável. Neste caso, no método de saturação de bases, utiliza-se V%=70 e procura-se atingir a faixa de acidez mais favorável ao tomateiro, ou seja: pH 6,0 a 6,5 (Filgueira, 2008).
A planta é altamente exigente em nutrientes minerais. Pesquisas conduzidas em São Paulo demonstraram a seguinte ordem de extração dos macronutrientes para as cultivares Santa Cruz: K, N, Ca, S, P, Mg; e, para Romã VF, K, N, Ca, Mg, P, S. Embora P seja o quinto nutriente em ordem de extração, é o primeiro em resposta à adubação – fato comprovado em experimentos conduzidos nas mais diversas condições no Brasil (Filgueira, 2008).

2.5 CULTIVARES DO TOMATEIRO

O lançamento de novas cultivares melhoradas tornou obsoletas as cultivares tradicionais, que vinham se perpetuando durante anos. Assim tem sido desenvolvidas e lançadas cultivares com resistência genética e uma gama variada de doenças. Alguns cultivares apresentam a característica genética “longa vida”: os frutos são colhidos completamente maduros e se conservam em temperatura ambiente (Filgueira, 2008).
Grupo Santa Cruz: A cultivar originou-se de um cruzamento natural entre as cultivares Rei Umberto e chacareiro, ocorrido em Suzano-SP, esta foi selecionada por um tomaticultor com vocação para fitomelhorista. Em 1940, implantou-se uma nova colônia de olericultores nipo-brasileiros em Santa Cruz-RJ e houve a introdução da nova cultivar, que passou a ser pelo nome da localidade. Novas cultivares melhoradas, com frutos de características similares, vêm sendo desenvolvidas e introduzidas (Filgueira, 2008).
A primeira cultivar introduzida pelo pesquisador científico Hiroshi Nagai, foi o tomate Santa Cruz, o qual afirmava que era suscetível a tudo referindo-se as doenças que limitavam o cultivo do tomate na década de 1960. A cv.Ângela teve boa aceitação pelos produtores de tomate e pelas companhias de sementes,tendo sido cultivada não apenas em São Paulo como também em outros Estados. Diversas versões derivadas dessa cultivar foram selecionadas tendo como principal atributo o maior tamanho dos frutos (NAGAI, 2003).
Após a aposentadoria de Hiroshi Nagai, por volta de 1998, estando o programa de melhoramento de tomate para mesa do IAC praticamente descontinuado, iniciou-se no país a era dos tomates salada longa vida de origem israelita que dominam o mercado até hoje. Esse acontecimento marcou uma página virada na história do melhoramento do tomateiro de mesa no Brasil, em que Nagai desempenhou papel fundamental (NAGAI, 2003).
A planta é alta, de hábito de crescimento indeterminado, a haste principal ultrapassa 2 m de altura em culturas tutoradas e podadas conduzidas em campo. Não é um tomate que compense o cultivo em casa de vegetação, em razão da elevada rusticidade e de menor cotação comercial, em relação aos grupos “salada”, “cereja” e “italiano” (Filgueira, 2008).
Grupo Salada (Maçã, Caqui ou Tomatão): Este grupo apresenta frutos maiores em relação ao grupo Santa Cruz, geralmente com amplitude variando de 200 até 400g para frutos comerciáveis. Os frutos são mais delicados em relação aos demais e são apropriados para o consumo na forma de salada exclusivamente, não se adaptando a outros usos culinários (Filgueira, 2008).
Esse grupo é o mais produzido no Brasil, e o responsável pelo aumento em produtividade e pela redução das perdas na tomaticultura de mesa na última década. Mais de 300 acessos de tomateiro já foram caracterizados utilizando descritores recomendados pelo International Plant Genetic Resource Institute (1996), tendo sido verificada grande variabilidades quanto a características agronômicas, morfológicas e de qualidade de fruto. Mais da metade dos acessos pertencem ao grupo comercial Salada (Rodrigues, et al., 2010).
A planta, na maioria das cultivares, apresenta hábito de crescimento indeterminado, sendo apropriado para a cultura tutorada. Esse grupo tem sido cultivado em campo aberto, porém, nos últimos anos, há a tendência de se praticar o plantio em casa de vegetação. Com a disseminação da cultura em casa de vegetação, a evolução da embalagem para caixas de papelão ondulado e a introdução de cultivares hídricas, este grupo começa a ter papel mais destacado na tomaticultura brasileira (Filgueira, 2008).
Grupo Cereja: O tomateiro do tipo cereja foi introduzido no Brasil através das fezes de pássaros migratórios e pelos imigrantes italianos que chegaram ao país no final do século XIX.Tomateiros silvestres do tipo cereja apresentam crescimento espontâneo em qualquer tipo de solo e condições climáticas e têm as sementes disseminadas via fezes de pássaros. Provavelmente, devido a esta espontaneidade e ao não uso de agrotóxicos, as plantas sofreram ao longo dos anos uma pressão de seleção natural para rusticidade e tolerância às principais pragas e doenças. Tais características têm sido aproveitadas por produtores orgânicos no plantio comercial desta espécie. As plantas são vigorosas, de vegetação abundante, agressiva e apresentam frutos de coloração vermelha-intensa, com formas bem definidas e contrastantes, redondo ou comprido (Maciel, et al., 2008).
É caracterizado pelo minúsculo tamanho dos frutos (15-25g), biloculares, com atrativa coloração vermelho-brilhante, lembrando uma cereja, e excelente sabor. As cultivares são todas híbridas e altamente produtivas, apresentando pencas com 20 a 40 frutinhos. Esses frutinhos são utilizados na ornamentação de saladas, sendo consideradas uma iguaria. Também podem ser comercializados na forma de pencas propiciando um atrativo aspecto visual, com os frutos dispostos em formato de espinha de peixe (Filgueira, 2008).
Grupo Italiano (Saladete ou San Marzano): É um grupo de cultivares para mesa, introduzido no final da década de 1990. Os frutos são biloculares, tipicamente alongados. São colhidos completamente maduros, com atrativa coloração vermelha, podendo ser utilizados em preparações domésticas variadas, como salada, molho ou tomate seco. As plantas são conduzidas com suporte em casa de vegetação ou em campo aberto (Filgueira, 2008).
Desenvolvido pela Embrapa Hortaliças há poucas cultivares disponíveis, pode-se destacar o híbrido San Vito, que apresenta tomates alongados, sabor adocicado, textura e aroma agradáveis, maturação uniforme e coloração vermelha intensa. O hábito de crescimento é indeterminado, a planta é menos enfolhada, aumentando a eficiência das pulverizações e possibilitando a redução no espaçamento das linhas. Apresenta a característica “longa vida”, com boa conservação pós-colheita (Filgueira, 2008).
Os tomates do tipo Italiano têm mostrado tendência de expansão de cultivo nos últimos anos. Em geral, os frutos das cultivares híbridas desse padrão disponíveis no mercado têm excelente qualidade gustativa e versatilidade de uso culinário, podendo ser consumidos em saladas, na confecção de molhos caseiros e na forma de tomate seco (Shirahige, et al., 2010).
Grupo Agroindustrial: A agroindústria exige em tipo especial de fruto, obrigatoriamente produzido em cultura rasteira, sem tratos culturais sofisticados, objetivando baixo custo de produção. Os frutos devem apresentar certas características: alta resistência ao transporte, inclusive a granel; coloração vermelha intensa e distribuída uniformemente pelo fruto, elevado teor de sólidos solúveis, e teor adequado de ácido cítrico.
As cultivares desse grupo podem apresentar dois formatos básicos: piriforme, em cultivares mais antigas, como Roma, ou similar aos frutos do grupo Santa Cruz, ou oblongo, impropriamente denominado “quadrado”. O formato oblongo vem predominando nas atuais cultivares híbridas, que apresentam maior resistência ao transporte em caminhões tipo caçamba.
A tradicional cultivar norte-americana Rio Grande apresenta frutos biloculares, oblongo-alongados, tendo sido uma das primeiras desse formato introduzidas. A cultivar Viradoro apresenta resistência ao vira-cabeça, a pinta-de-estenfílio, à murcha-fusarina e ao nematóide de galhas. O porte é determinado, os frutos são oblongos, firmes, com coloração vermelha. A cultura rasteira com finalidade agroindustrial nos cerrados de Goiás é conduzida com híbridos especializados quase inteiramente, utilizando-se o transplante de mudas (Filgueira, 2008).

2.6. MELHORAMENTO DA CULTURA DO TOMATE

A origem do trabalho dos primeiros agricultores da história, que em tempos remotos eram principalmente as mulheres, através da seleção de uma mesma variedade. Isso era feito de uma maneira aparentemente simples, mas que demandou muitos séculos de observação e trabalho: estes agricultores primitivos percebiam que, dentro de um mesmo campo de lavoura, às vezes cresciam plantas que geravam frutos mais bonitos e vigorosos. Plantando as sementes desses frutos, descobriu-se que eles davam, também, descendentes de melhor cepa (Padovani, 1989).
Embora esta técnica ainda seja muito utilizada na ciência agronômica moderna, já existem outras que apresentam resultados muito mais rápidos e decisivos: uma delas é a técnica do cruzamento, onde variedades diferentes são cruzadas inúmeras vezes, até que se consiga um fruto que apresente apenas as qualidades positivas de seus genitores. Esta técnica, diga-se de passagem, também existe na natureza, onde os insetos costumam levar o pólen das flores de uma planta até a outra. Mas como dependem do acaso, estes cruzamentos às vezes demoram séculos seguidos até que se consiga obter uma variedade nova com características positivas, sendo que, muitas vezes inclusive, os frutos que resultam destes cruzamentos apresentam mais aspectos negativos do que positivos em relação aos seus ancestrais (Padovani, 1989).
Segundo Abreu (2005) espécies silvestres de Lycopersicon vêm sendo exploradas por melhoristas desde a década de1940, e hoje, muitas das mais modernas variedades são resultantes de cruzamentos interespecíficos. Porém para a realização destes cruzamentos, pode ocorrer compatibilidade entre a espécie cultivada Lycopersicon esculentum e a espécie silvestre. Uma das espécies silvestres que vem se destacando no melhoramento do tomateiro é Lycopersicon hirsutum, pois possui genes de resistência a diversos patógenos.
Segundo Padovani (1989) apenas a título de exemplo, enumeramos abaixo alguns genes já localizados e mapeados, que afetam os frutos do tomateiro:
t- gene que determina a coloração alaranjada do fruto.
o (oval) – gene que condiciona o fruto a uma forma oval.
f (fasciante) – gene que induz o tomate a produzir frutos fasciados com grande número de lóculos.
u (“uniform ripening”) – elimina o ombro verde dos frutos, permitindo uma coloração mais uniforme nos tomates maduros.
ogc (“crimson”) e hp (“high pigment”) – o primeiro aumenta o teor do pigmento vermelho e diminui o laranja, ao passo que o segundo aumenta os dois pigmentos. Estes genes são muito importantes porque a soma dos dois pigmentos, conhecidos porlicopeno e beta-caroteno, em pro-Vitamina A. Isso faz do hp um gene muito desejável do ponto de vista da nutrição.
Embora esta pesquisa genética sofisticada seja da maior importância, ela não elimina obviamente, a necessidade do desenvolvimento de pesquisas no campo, que muitas vezes podem ser conduzidas pelos próprios agricultores (Padovani, 1989).
Segundo Mattedi (2009), são várias as linhas de pesquisa que buscam aumentar a produtividade, qualidade e regularidade do produto ofertado, resultado do aumento do número de melhoristas utilizados nos programas de melhoramento, uma vez que o pequeno número de melhoristas pode estreitar a base genética de progênie e como resultado ter-se cultivares geneticamente semelhantes, com o mesmo desempenho frente a pragas e doenças.
O aumento do número de genitores utilizados nos programas de melhoramento pode ser obtido a partir de cultivares antigos das espécies cultivadas bem como das espécies silvestres pertencentes ao mesmo gênero (Mattedi, 2009).
Um dos aspectos mais importantes a ser considerado num programa de melhoramento é a fonte de resistência. Deve ser realizada uma busca por genótipos resistentes em bancos de germoplasma (Abreu 2005).
A disponibilização dos recursos genéticos para os melhoristas passa, necessariamente, pela caracterização e avaliação agronômica, fitopatológica e entomológica dos acessos registrados nos bancos de germoplasma. A caracterização e a avaliação visam descrever os diversos acessos de uma coleção de germoplasma, por meio de características de interesse, tais como: produtividade, massa de frutos, espessura de polpa, número de sementes por fruto, resistência a pragas e doenças, entre outras. Assim, a partir desses dados, e com o uso de metodologias genético-estatísticas, é possível analisar a diversidade genética dos diferentes acessos e avaliar seu potencial de uso em programas de melhoramento (Abreu et al., 2009).
A caracterização de acessos de tomateiro é a finalidade que possibilita o estudo do grau de associação entre os caracteres. As correlações entre os caracteres podem ser utilizadas para melhoramento, principalmente na seleção de características de baixa herdabilidade, como a produção, uma das características de maior interesse para os melhoristas e que tem contribuído para a modernização e expansão da tomaticultura no mundo (Rodrigues, et al., 2010).
Segundo Marim et al. (2009) outras informações podem ser obtidas a partir da caracterização dos recursos genéticos em banco de germoplasma, tais como: realizar estudos de diversidade genética e, com base neles, sugerir possíveis cruzamentos entre acessos; determinar a importância dos caracteres na avaliação da diversidade existente e realizar eventuais descartes de caracteres; determinar a relação entre os caracteres; e elaborar coleção nuclear.
No estudo genético de gerações são adotadas duas linhas básicas de investigação. A primeira relaciona-se com a quantificação da magnitude e a segunda com a avaliação da importância relativa dos efeitos gênicos que constituem a média das populações estudadas. No melhoramento de espécies autógamas, como o tomateiro, no qual se buscam linhas homozigotas, a fração de variância genética explorável pela seleção é aditiva (Abreu, 2005).
O estudo da herança de características de importância agronômica em vegetais é uma atividade de grande importância, cujos resultados são amplamente utilizados pelos fitomelhoristas. O conhecimento do número de genes envolvidos em determinado caráter, a sua localização no cromossomo, bem como a sua maneira de interagir, permitem construir mapas cromossômicos, determinar o critério e a intensidade da seleção, método de condução de população segregante, assim como determinar ideótipos de plantas com características desejáveis. Embora poucas características de interesse econômico sigam a herança clássica ou mendeliana, o seu uso como ferramenta para a consecução de objetivos de melhoramento vegetal ainda é comum e pode ser significativamente mais eficiente quando associada às modernas técnicas de marcadores moleculares, principalmente quando o melhoramento é assistido por estes marcadores (Maciel, et al., 2008).

3 CONCLUSÕES

Com base no presente trabalho de revisão literária, pode-se concluir que os pesquisadores ainda busca aprimorar não apenas os índices de produtividade dos tomateiros, como também inúmeras outras qualidades. Sendo a busca pelo melhoramento das variedades de tomateiro procurar atender os processamentos nas indústrias. Visando o aprimoramento do melhoramento na cultura do tomate aumentando a produtividade e à adaptação climática das regiões.

LITERATURA CITADA

ABREU, F.B. Herança da resistência a Phytophthora infestans, de características de frutos e seleção de genótipos resistentes em geração F5 de cruzamento interespecífico em tomateiro. Viçosa MG, 2005.
ABREU, F.B., SILVA, D.J.H., CORTI, I.B., ROCHA, P.R., MOREIRA, T.H.P., JUHASZ, A.C.P., MASSONI, G., MIZUBUTI, E.S.G., CRUZ, C.D.. Controle Genético da Resistência a Requeima em Tomateiro. Departamento de Fitopatologia, Viçosa– MG, 2009.
ALVES FILHO, M.. Colheitadeira de tomate reduz perdas e preserva mão-de-obra. Jornal da Unicamp, Universidade Estadual de Campinas, 18 a 24 de Dezembro, p.1-12, 2006.
NAGAI, H.. Sua vida e contribuições à olericultura. Comunicado disponível em: www.scielo.br/pdf/hb/v21n4/19450.pdf. Acessado em: 19 de abril de 2011.
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FILGUEIRA, F. A. R.. Novo manual de olericultura: agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. 3° ed. rev. e amp.- Viçosa, MG: Ed. UFV, 2008.
GIORDANO, L.B., SILVA, J.B.C.. Tomate para processamento industrial. Embrapa Hortaliças. Brasília-DF, 2000.
MACIEL, G.M., SILVA, E.C.. Herança do formato do fruto em tomateiro do grupo cereja. Hortic. Bras. vol.26 no.4 Brasília Oct./Dec. 2008.
MARIM, B.G., SILVA, D.J.H., CARNEIRO, P.C.S., MIRANDA, G.V., MATTEDI, A.P., CALIMAN, F.R.B.. Variabilidade genética e importância relativa de caracteres em acessos de germoplasma de tomateiro. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.44, n.10, p.1283-1290, set. 2009.
MATTEDI, A.P., Divergência genética entre subamostras de tomateiro do banco de germoplasma de hortaliças da UFG. Viçosa MG, 2009.
MELLO, R.N.. Melhoramento genético de tomateiro visando resistência a bactérias. Biológico, São Paulo, v.69, n.2, p.97-98, jul./dez., 2007.
PADOVANI, Maria Izabel. Tomate: O “fruto do amor” que conquistou o mundo - 2ª Ed. Ícone editora - Cap.3. pág. 21-43 1989.
RODRIGUES, G.B., MARIM, B.G., SILVA, J.H., MATTEDI, A.P., ALMEIDA, V.S.. Análise de trilha de componentes de produção primários e secundários em tomateiro do grupo Salada. Pesq. agropec. bras. vol.45 no.2 Brasília Feb. 2010.
SHIRAHIGE, F.H., MELO A.M.T., PURQUERIO, L.F.V., CARVALHO, C.R.L., MELO, P.C.T. Produtividade e qualidade de tomates Santa Cruz e Italiano em função do raleio de frutos. Horticultura Brasileira 28: 292-298. 2010.

MELHORAMENTO GENÉTICO DA CANA-DE-AÇUCAR (Saccharum officinarum)


Maurilio de Sousa Netto

Acadêmico de curso de Agronomia do IFGoiano campus Urutaí


1. INTRODUÇÃO

A cana-de-açúcar (Saccharum spp.), gramínea de clima tropical, tem sido cultivada em regiões de clima quente com solos férteis e de boa drenagem, com características climáticas compatíveis com as exigências técnicas da cultura. Ela é cultivada principalmente como matéria prima para a produção de açúcar, álcool, fermento e inúmeros outros derivados, tanto para utilidades alimentícias como para indústria química. O centro de origem da cana-de-açúcar ainda é muito discutido, porém, alguns pesquisadores consideram que ela seja nativa das ilhas do Arquipélago da Polinésia. As caravelas, antes de iniciarem suas viagens, levavam mudas de cana-de-açúcar junto as suas provisões, para serem plantadas em novas terras e servirem de suprimentos às novas expedições. Foi assim que ela foi introduzida nas Américas através da segunda expedição de Cristóvão Colombo, em 1493 e, no Brasil em 1502, por Martim Afonso de Souza, proveniente de mudas da Ilha da Madeira. Há registro na alfândega de Lisboa de entrada de açúcar brasileiro nos anos de 1520 e 1526 (CESNIK, 2004).

Portanto, o início da indústria açucareira brasileira é anterior a essas duas datas. Historiadores divergem sobre a instalação do primeiro engenho de açúcar no Brasil, o que não nos interessa neste momento. Seu cultivo está intimamente ligado à própria história e ao desenvolvimento do nosso país. Primeiramente transformada em açúcar, e hoje também em álcool carburante, ela ocupa um papel de destaque na economia mundial, surgindo o Brasil como líder na produção de açúcar e álcool. Entretanto, uma maior produtividade só pode ser conseguida se além dos tratos culturais for dada também uma alta qualidade genética através de programas de melhoramento (CESNIK, 2004).

O objetivo deste trabalho é fazer uma revisão de literatura sobre a cultura da cana-de-açúcar (Saccharum spp.) e o melhoramento genético desta cultura ao longo do tempo.+

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 MELHORAMENTO GENÉTICO

De acordo com MATSUOKA (1996), em meados do século passado os canaviais do mundo todo passaram a apresentar graves problemas fitossanitários, com elevadas perdas de produção e, com isso, muitas indústrias foram à falência. Em virtude disso, e do conhecimento das leis da genética aliada à descoberta de que a cana produzia sementes, começaram os esforços para o melhoramento genético da cana-de-açúcar (SANTOS, 2007).

Talvez o programa mais importante de melhoramento genético da cana-de-açúcar no Brasil tenha sido o programa conduzido por Frederico de Menezes Veiga, considerado na época o “Pai da Cana-de-açúcar do Brasil”, na Estação Experimental de Campos, em Campos, RJ, de 1946 a 1972. As variedades CB’s foram cultivadas em todos os recantos de nossa Pátria. Nessa época a CB 45-3 ocupava a maior área plantada do Estado do Rio de Janeiro e dos estados do Nordeste, sendo que a CB 41-76 ocupava extensas áreas do

Estado de São Paulo. Em todo o Brasil poucas eram as variedades plantadas que não tinham saído da Estação Experimental de Campos (CESNIK, 2004).

As variedades necessitam ser substituídas periodicamente no mundo todo, uma vez que elas entram em decadência depois de anos de cultivo, e os programas de melhoramento têm contribuído para o aumento da produtividade dessa cultura. A produção média brasileira, por exemplo, em 1975 era de 48 toneladas por hectare e em 2005 atingia pouco mais de 79 toneladas por hectare. São Paulo, no mesmo período, produziu em média entre 61,5 a 83,5 toneladas por hectare. Há canaviais produzindo mais do que as médias regionais ou nacionais devido a programas específicos de melhoramento. As pesquisas nos diferentes ramos do melhoramento genético envolvem grande número de pesquisadores e de seus auxiliares na condução de programas, que aliados aos estudos de Fisiologia, Entomologia, Fitopatologia e tantos outros, entre campo e indústria, são necessários para maximizar a gama de produtos e subprodutos originários da cana-de-açúcar. Ao atravessar todo esse processo, da semente à variedade, há um período de testes de campo de 10 anos ou mais para que o produtor final se beneficie de canas mais produtivas. Com as políticas internacionais de adição de álcool anidro à gasolina na Argentina, Brasil, Colômbia, Estados Unidos, Japão, México e União Européia, os programas de melhoramento da cana-de-açúcar são envoltos em grande responsabilidade, uma vez que, se houver um surto de doenças, como houve no passado, pode haver um cracking na economia mundial por falta desse combustível renovável, já que só o Brasil, em 2006, produziu 18 bilhões de litros de álcool, o equivalente a mais de 90 milhões de barris de petróleo (CESNIK, 2004).

2.2 PROGRAMAS DE MELHORAMENTO

2.2.1 Controle de doenças da cana-de-açúcar

Em função de algumas características de produção da cana-de-açúcar: cultura semiperene, ciclo anual e propagação vegetativa, o controle de doenças é realizado basicamente com a seleção de variedades resistente nos programas de melhoramento. Atualmente existem em nosso país quatro instituições trabalhando no melhoramento genético da cana-de-açúcar: 1) Centro de Tecnologia Canavieira (CTC); 2) Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (RIDESA); 3) Instituto Agronômico de Campinas (IAC); 4) Canavialis. Juntas, essas instituições produzem anualmente cerca de 1.500.000 “seedlings”, potenciais candidatos a novas variedades ainda mais produtivas. Com uma maior oferta de variedades é possível diversificar o plantio e melhorar a estratégia para o controle de doenças. Outra medida de importância capital no controle de doenças da cana-de-açúcar é a produção de mudas sadias em viveiros estrategicamente planejados e rotineiramente submetidos à prática do “roguing” (FERNANDES, 2006).

2.2.2 Estratégias para obtenção de variedades resistentes

A estratégia de trabalho da Fitopatologia dentro do Programa de Melhoramento do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) consiste em caracterizar a reação dos genitores usados nos cruzamentos e também dos clones oriundos destes. Além disso, possui um projeto específico visando orientar as unidades produtoras a obter mudassadias para as variedades mais indicadas para os seus ambientes de produção (FERNANDES, 2006).

2.2.3 Busca de resistência nos genitores

O prévio conhecimento da reação às doenças dos genitores envolvidos nos cruzamentos é condição essencial para que se possa executar um programa de melhoramento eficiente. A caracterização da reação dos genitores visa promover uma prospecção de genes de resistência para depois tentar transmiti-los à progênie por meio de cruzamentos dirigidos. Vários trabalhos têm demonstrado que, para determinadas doenças, os genes ligados à resistência possuem um coeficiente de herdabilidade (h2) grande o suficiente para permitir a sua exploração. Em outras palavras, a progênie será tanto mais resistente quanto maior for a resistência dos genitores. Por exemplo, existe alta h2 para os genes de

resistência ao mosaico e à ferrugem e baixa h2 para os genes de resistência ao raquitismo da soqueira. A busca por genes de resistência pode ser feita em várias fontes, incluindo indivíduos selvagens e representantes de outras espécies (e.g. S. spontaneum), contudo, é mais apropriado buscá-los em outras variedades comerciais, incluindo as importadas de outros centros de pesquisa, que além da resistência muito provavelmente possuam outros genes de interesse agroindustrial, uma vez que sofreram um processo de seleção. A caracterização da reação dos genitores às doenças é feita por meio de fitotestes, de forma idêntica àqueles realizados com os clones (FERNANDES, 2006).

2.2.4 Avaliação da resistência dos clones

Os clones são testados ao longo do programa de melhoramento visando determinar a reação dos mesmos às principais doenças: carvão, mosaico, escaldadura, ferrugem e raquitismo. Com exceção da última, essas doenças quase sempre possuem um caráter eliminatório para os indivíduos tidos como suscetíveis, em função do potencial de dano que apresentam. O raquitismo, embora apresente potencial de dano considerável, pode ser eficientemente controlado pelo tratamento térmico e pela assepsia dos instrumentos usados no corte da cana-de-açúcar, tornando-se uma doença menos problemática quando se pensa em controle. Por esse motivo, os clones do Programa de Melhoramento do Centro de Tecnologia Canavieira são caracterizados em relação ao raquitismo, mas jamais excluídos em função de sua suscetibilidade à doença (FERNANDES, 2006).

2.2.5 Em busca da cana transgênica

Na cana-de-açúcar, o trabalho da Unicamp aproveitou os resultados do Projeto Genoma, realizado com dezenas de laboratórios do Estado de São Paulo durante quase três anos que, ao final, identificou 43 mil genes. A partir desse banco de genes, os pesquisadores buscaram cruzar informações entre aqueles que pareciam ou estavam envolvidos de alguma forma com o metabolismo de sacarose. Identificaram-se, então, sete genes que transportam açúcares e que são mais ativos nos gomos mais próximos à raiz, nos quais se acumula mais açúcar. O próximo passo é criar plantas transgênicas com algum desses genes. Menossi avalia que deve demorar cerca de um ano para se chegar a esse gene que mais acumula açúcar e que poderá ser transferido para se criar uma variedade com essa característica. Ela deverá, ainda, ter uma avaliação cuidadosa sobre composição nutricional, possíveis toxinas, compostos que causam alergia, etc. antes de se tornar comercial. A variedade transgênica será produzida nos campos de experimentos da Coopersucar, enquanto as análises da composição poderão ser feitas por empresa especializada na área, acrescenta. No CBMEG está em andamento outras duas pesquisas de doutorado, complementar a esse conhecimento, para analisar os cruzamentos de duas variedades com muito açúcar e com pouco açúcar, para encontrar genes mais ativos no transporte de açúcar na planta. A previsão, nesse caso, é analisar perto de cinco mil genes (JORGE, 2003).

2.3 MÉTODOS DE MELHORAMENTO

Apesar de existirem grandes diferenças nos detalhes sobre como os programas de melhoramento do Brasil (e do mundo) conduzem suas atividades, há alguns pontos em comum que serão aqui destacados. Em essência, o melhoramento baseia-se na seleção e clonagem de genótipos superiores presentes em populações segregantes, que são obtidas através de cruzamentos sexuais entre indivíduos diferentes. O sucesso desses processos depende de vários fatores, dentre os quais a escolha adequada dos genitores de forma a maximizar a chance de obter ganhos com a seleção, a instalação de experimentos com boa precisão experimental, a escolha correta dos caracteres e épocas de avaliação. As maiorias das características consideradas na seleção são de natureza quantitativa e controladas por muitos locos (QTL's), tais como teor de sólidos solúveis, teor de sacarose, diâmetro e número de colmos, teor de fibras, resistência ao acamamento e florescimento, precocidade, resistência a pragas e doenças, etc. (SOUZA, 2010).

A maioria das características da cana-de-açúcar é herdada de forma aditiva. Por exemplo, o cruzamento de duas variedades altas deve resultar numa variedade ainda mais alta. Porém, existe uma importante exceção que é a característica para a produtividade, em que as variâncias genéticas aditiva e não-aditiva parecem estar em igual grau de importância. Isso vem sendo o principal desafio nas pesquisas de melhoramento genético da cana-de-açúcar. Outra questão bastante relevante em relação ao melhoramento genético da cana é a avaliação de novas variedades quanto à adaptação a diferentes ambientes. Isso é importante para a recomendação das melhores variedades para as regiões mais aptas. Como a cana-de-açúcar é originária de baixas latitudes - regiões tropicais, próximas ao Equador - seu florescimento ocorre apenas com temperaturas altas e elevada umidade. Por isso, os principais programas de melhoramento genético da cana-de-açúcar do Brasil possuem estações experimentais no Nordeste. A Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa) possui a estação de pesquisa Serra do Ouro no município de Murici, AL. A unidade está na latitude 9º 13 S, a 500 metros de altitude, onde a pluviosidade média é de pelo menos dois mil milímetros anuais e as temperaturas médias, de 19,5 a 26,5º C (Celsius) (ROSSETTO, 2011).

2.4 CULTIVARES REGISTRADAS

Existem 124 variedades de cana-de-açúcar (Saccharum spp.) registradas no MAPA (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento), são elas: CB 45-3, CTC1, CTC10, CTC11, CTC12, CTC14, CTC15, CTC16, CTC17, CTC18, CTC19, CTC2 ,CTC20 ,CTC3 ,CTC4 ,CTC5,CTC6 ,CTC7 ,CTC8 ,CTC9 ,CV32P2008 ,CV37P2008 ,CV41P2008 ,CV42P2008 ,CV49P2008 ,CV6P2007 ,CVS Grou ,CVS Pegaso ,IAC 82-2045 ,IAC 82-3092 ,IAC86 2210 ,IAC86-2480 ,IAC87 3396 ,IAC91-2195 ,IAC91-2218 ,IAC91-5155 ,IAC911099 ,IACSP 933046 ,IACSP 942094 ,IACSP 942101 ,IACSP 944004 ,IACSP93-6006 ,IACSP932060 ,IACSP953028 ,IACSP955000 ,PAV 94-09 ,PO88-62 ,RB 72454 ,RB 735220 ,RB 739359 ,RB 765418 ,RB 785148 ,RB 785750 ,RB 806043 ,RB 813804 ,RB 825336 ,RB 835089 ,RB 835486 ,RB 855156 ,RB 855453 ,RB 855563 ,RB 863129 ,RB 867515 ,RB 872552 ,RB 932520 ,RB 943365 ,RB 943538 ,RB835054 ,RB845257 ,RB855035 ,RB855113 ,RB855536 ,RB855546 ,RB925211 ,RB925268 ,RB925345 ,RB92579 ,RB928064 ,RB931530 ,RB93509 ,RB935744 ,RB946903 ,RB956911 ,RB966928 ,SP70-1005 ,SP70-1143 ,SP70-1284 ,SP71-1081 ,SP71-3146 ,SP71-3501 ,SP71-6163 ,SP72-4928 ,SP77-5181 ,SP79-1011 ,SP79-2313 ,SP80-1816 ,SP80-1842 ,SP80-185 ,SP80-3280 ,SP80-3480 ,SP83-2847 ,SP83-5073 ,SP84-1201 ,SP84-1431 ,SP84-2025 ,SP84-5560 ,SP85-3877 ,SP85-5077 ,SP86-155 ,SP86-42 ,SP87-344 ,SP87-365 ,SP87-396 ,SP89-1115 ,SP90-1107 ,SP90-1161 ,SP90-1638 ,SP90-3414 ,SP90-3723 ,SP91-1049 ,TUC 71-9 (MAPA, 2011).

Destacando-se com o maior número de cultivares registradas, o IAC (Instituto Agronômico de Campinas) e a RIDESA (Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro) vem liderando o mercado de melhoramento genético da cana-de-açúcar no Brasil.

1. CONCLUSÃO

Este trabalho teve como objetivo mostrar o melhoramento genético da cana-de-açúcar no Brasil desde o tempo que ela foi introduzida até os tempos de hoje, mostrando seus avanços e benefícios e sua grande importância no mercado nacional hoje em dia.

LITERATURA CITADA

CESNIK, R. Melhoramento da cana-de-açúcar. Brasília: Embrapa Informações Tecnológicas, 2004, 307p.

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FERNANDES, C. D. : Principais doenças em culturas expressivas das regiões Sudeste e Sul e seu manejo. Fitopatol. bras. 31 (Suplemento), S53, S54, agosto 2006.

JORGE, W. Pesquisa busca melhoramento genético do café e da cana-de-açúcar. Campinas, SP. Jornal da UNICAMP, Universidade Estadual de Campinas – 21 a 27 de julho de 2003. Disponível em . Acessado em 18/04/2011.

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ROSSETTO, R. Agência de Informação Embrapa – cana-de-açúcar Disponível em http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-de-açucar/arvore/CONTAG01_70_711200516719.html. Acessado em 25/04/2011.

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SOUZA, A. P.; GARCIA, A. A. F.; OLIVEIRA, K. M. Melhoramento genético e mapeamento da cana-de-açúcar. Disponível em: < www.apta.sp.gov.br/cana >. Acessado em 25/04/20011.

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