quarta-feira, 27 de abril de 2011

MELHORAMENTO GENÉTICO DA CULTURA DA ALFACE (Lactuca sativa L.)

Fernando Castro de Oliveira



1.0 INTRODUÇÃO


A alface (Lactuca sativa L.) pertence à Família Asteraceae e ao Gênero Lactuca no qual são identificadas mais de 100 espécies. Ela originou-se de espécies silvestres, ainda atualmente encontradas em regiões de clima temperado, no sul da Europa e na Ásia Ocidental (Filgueira, 2008). É a mais popular das hortaliças folhosas, sendo cultivada em quase todas as regiões do globo terrestre. Pode ser considerada uma boa fonte de vitaminas e sais minerais, destacando-se seu elevado teor de vitamina A, além de conter vitaminas B1 e B2, vitaminas C, cálcio e ferro (Fernandes et al., 2002) apud (Lima, 2007).
A alface é cultivada em todas as regiões brasileiras e é a principal salada consumida pela população, tanto pelo sabor e qualidade nutricional quanto pelo reduzido preço para o consumidor, representando 50% das folhosas comercializadas. A evolução de cultivares e sistemas de manejo, tratos culturais, irrigação, espaçamentos, técnicas de colheita e de conservação pós- colheita e mudanças nos hábitos de alimentação impulsionaram o cultivo e tornaram a alface a hortaliça folhosa mais consumida no país (Resende et al., 2007).
O Brasil possui uma área de aproximadamente 35.000 hectares plantados com alface, caracterizados pela produção intensiva, pelo cultivo em pequenas áreas e por produtores familiares, gerando cerca de cinco empregos diretos por hectare (Costa; Sala, 2005) apud (Resende et al., 2007). Os estados de São Paulo e Minas Gerais são os maiores produtores de alface do país, sendo que somente o estado de São Paulo plantou 6.570 ha em 2006, produzindo 129.077 toneladas (IEA, 2007). Na região Centro-Oeste, os maiores produtores são os municípios de Goiânia, Anápolis e a micro região do Entorno de Brasília. Somente no mês de junho de 2007, foram comercializados 163.065 kg de alface no Distrito Federal (CEASA-DF, 2007) apud (Resende et al., 2007).
De acordo com Katayama (1993) apud Lima (2007), apresenta baixo teor de calorias, tornando-se uma das formas de salada in natura mais consumida por todas as Classes sociais brasileiras. Entretanto, o seu cultivo apresenta limitações, principalmente em virtude de sua sensibilidade às condições adversas de temperatura, umidade e chuva (Gomes et al., 2005). Quanto às desvantagens do seu cultivo, destaca-se a dificuldade de conservação e transporte pós-colheita, fato que limita sua produção aos cinturões verdes das grandes cidades, obrigando os produtores a obter o máximo de aproveitamento da produtividade (Santos, 2001) apud (Lima, 2007).
O solo ideal para o cultivo dessa hortaliça é o de textura média, rico em matéria orgânica, com boa disponibilidade de nutrientes e alta capacidade de retenção de água. A faixa de pH de 6,0 a 6,8 é mais propícia. Se necessário, deve-se efetuar a calagem para elevar saturação por bases para 70% (Filgueira, 2008). Para se obter maior produtividade, é necessário o uso de insumos que melhorem as condições físicas, químicas e biológicas do solo. As maiores produções podem ser obtidas a partir da melhoria das características químicas e físico-química do solo, o que poder ser obtida com o acréscimo de doses crescentes de compostos orgânicos (Souza et al., 2005) apud (Lima, 2007).
Outros fatores que afetam a produtividade da cultura estão diretamente relacionados com o clima. Geralmente, no verão, a maioria das cultivares de alface não se desenvolve bem devido ao calor intenso, dias longos e o excesso de chuva. Estas condições favorecem o pendoamento precoce, tornando as folhas leitosas e amargas, perdendo seu valor comercial (Filgueira, 2008). No entanto, já existe no mercado cultivares mais adaptadas aos plantios de verão, graças ao melhoramento genético realizado. Tais cultivares permitem a produção durante o ano inteiro (Lima, 2007).
Segundo Vieira & Cury (1997) apud Lima (2007), a temperatura do ar é o elemento climático que exerce maior influencia nos processos fisiológicos das plantas de alface, podendo acelerar ou retardar as reações metabólicas, sob condição de temperatura ótima ou inferiores a esta, respectivamente. Para todas as cultivares de alface, a ocorrência de dias curtos e temperaturas amenas favorecem a etapa vegetativa, sendo estas, inclusive, resistentes a baixas temperaturas e geadas leves (Filgueira, 2008).
A umidade relativa do ar pode afetar a transpiração, e, como consequência, causam mudanças na condutância estomática, afetando as interações com a fotossíntese e produção de matéria seca e o índice de área foliar (Jolliet, 1994) apud (Lima, 2007). Embora a maioria das reações metabólica seja fortemente influenciada pela temperatura, alguns processos físicos como a absorção de luz é relativamente insensível a ela, sendo a taxa de difusão de calor intermediária em sensibilidade (Jones, 1992) apud (Lima, 2007).
A grande suscetibilidade da alface às doenças torna-se um fator de limitação na produção dessa hortaliça. Segundo Filgueira (2003) apud Lima (2007), são conhecidos aproximadamente 75 diferentes tipos de doenças, devendo ser evitado, o quanto possível, o uso de produtos tóxicos no controle fitossanitário, pois estes podem deixar resíduos ao consumidor. Por tratar-se de uma hortaliça de inverno, o seu cultivo em outras épocas do ano, pode favorecer, em algumas regiões, a incidência de doenças e desequilíbrios nutricionais, principalmente, se as condições climáticas se caracterizarem por elevados índices pluviométricos e altas temperaturas (Yuri et al., 2004) apud (Lima, 2007). Por isso, a época de plantio mais recomendada é o final da estação chuvosa, sendo que nas regiões mais frias o cultivo pode ser realizado durante todo o ano, principalmente sob condição de cultivo protegido (Lima, 2007).
O cultivo é realizado normalmente com um espaçamento no canteiro definitivo, tanto no transplante como na semeadura de 25 a 30 cm por 25 a 30 cm, entre linhas e plantas. Para alface do tipo americana, pode-se plantar no espaçamento de 35 x 35 cm. O canteiro deve ser largo e comportar de 5 a 6 fileiras, quando se utiliza a irrigação por aspersão. No campo o ciclo varia de 65 a 80 dias, da semeadura à colheita. Em estufa, o ciclo é ainda mais reduzido, de 45 a 50 dias (Filgueira, 2008).


2.0 DESENVOLVIMENTO


2.1 Características botânicas


A planta é herbácea, delicada, com caule diminuto, ao qual se prendem as folhas. Estas são amplas e crescem em roseta, em volta do caule, podendo ser lisas ou crespas, formando ou não uma cabeça, com coloração em vários tons de verde, ou roxa, conforme a cultivar, e são essas características que determinam a preferência do consumidor. O sistema radicular é muito ramificado e superficial, explorando apenas os primeiros 0,25m do solo, quando a cultura é transplantada. Em semeadura direta, a raiz pivotante pode atingir até 0,60m de profundidade (Filgueira, 2008).
Sua inflorescência possui de 10 a 25 flores ou floretes e é formada por uma panícula contendo vários botões florais denominados capítulos. Cada florete tem uma única pétala amarela, envolvida por brácteas imbricadas que vão formar o invólucro. O ovário é unilocular contendo um único óvulo. À medida que o estilete se alonga e atravessa o tubo formado pelos estames, ocorre a polinização e ao mesmo tempo a antese. Este processo se dá pela manhã, garantindo a autofecundação e a autogamia por meio da cleistogamia (Ryder, 1986) apud (Sousa et al., 2007).


2.2 Sistemas de produção


Atualmente, existem pelo menos quatro sistemas produtivos de alface no Brasil: o cultivo convencional e o sistema orgânico em campo aberto; o cultivo protegido no sistema hidropônico e no solo (Filgueira, 2005; Resende et al., 2007) apud (Henz e Suinaga, 2009). Os quatro sistemas diferem entre si em vários aspectos de manejo da cultura e também no manuseio pós-colheita.
O cultivo de alface a campo no sistema tradicional é o mais importante em termos de área e de produção, concentrando-se geralmente perto dos grandes centros urbanos. O custo da alface em cultivo tradicional é relativamente baixo quando comparado com outras hortaliças, como o tomate, o pimentão e o pepino híbrido. Em campo, a alface pode ser cultivada diretamente nos canteiros ou com “mulching”, técnicas de cobertura de solo. As aplicações de “mulching” visam, entre outros aspectos, diminuir a competição com plantas invasoras, propiciar um microclima mais favorável ao desenvolvimento da cultura e evitar o contato direto das folhas com o solo. Dentre as formas frequentemente utilizadas de “mulching” estão as coberturas com plástico preto e com cobertura morta ou palhada (Henz e Suinaga, 2009).
A alface também é cultivada a campo aberto no sistema orgânico, seguindo os preceitos básicos de uso de adubação orgânica, como compostos e adubos verdes, e manejo de doenças, insetos, artrópodes e plantas espontâneas de acordo com as normas preconizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) ou de certificadoras (Resende et al., 2007) apud (Henz e Suinaga, 2009).
O cultivo protegido de hortaliças pode ser feito em casas-de-vegetação ou em telados, de acordo com o tipo de exploração agrícola e, principalmente, condição climática prevalecente na região. Nas regiões Sul e Sudeste, durante o inverno podem ser usadas estruturas que concentram calor, como os modelos “fechados”, tipo “estufa”, que tem menor provisão de áreas de ventilação, muito embora existam cultivares importadas que se desenvolvem bem nas condições de inverno brasileiras. Em áreas tropicais, com períodos de chuva concentrados, como as regiões Norte e Centro-Oeste, podem ser construídas estruturas com cobertura de material plástico para servir como um ‘guarda-chuva’, com dispositivos que facilitam a circulação de ar, como o uso de laterais totalmente abertas ou protegidas por telas para evitar insetos. Deste modo é possível reduzir o calor excessivo e melhorar a ventilação interna, uma vez que em grande parte do território nacional temperaturas excessivas no interior de casas-de-vegetação é o grande problema que o agricultor enfrenta. Outra possibilidade de cultivo da alface é utilização de túneis baixos ou a cobertura dos canteiros com TNT (“tecido não tecido”) para proteger as plantas contra pragas (Henz e Suinaga, 2009).
O cultivo hidropônico de alface é feito em casas-de-vegetação de plástico ou telados, de vários tipos e dimensões, de acordo com o clima de cada região. Existem vários sistemas de hidroponia usados para o cultivo de alface, sendo os mais comuns aqueles que usam canos de PVC com pequenos orifícios ou calhas telhas grandes que, às vezes, são utilizados em conjunto com distintos substratos, como argila expandida, areia, vermiculita ou lã-de-rocha. Nestes sistemas, circula uma solução nutritiva na qual a concentração de todos os macronutrientes e micronutrientes é tecnicamente balanceada para prover desenvolvimento efetivo das plantas e ao mesmo tempo causar reduzidas perdas dos mencionados nutrientes minerais (Henz e Suinaga, 2009).


2.3 Produção orgânica de alface


Os primeiros estudos sobre cultivos orgânicos ocorreram na Índia na década de 1920 com Albert Howard que desenvolveu pesquisas que ressaltavam a importância da matéria orgânica para manutenção da fertilidade e da vida do solo e, consequentemente, para nutrição das culturas. No Brasil, a ideia do cultivo orgânico ganhou força e apoio da mídia nos últimos anos, conquistando a confiança da população que, por sua vez, procurava opções de uma alimentação mais saudável aliada à crescente preocupação com a preservação do meio ambiente (Resende et al., 2007).
A produção de hortaliças orgânicas concentra-se principalmente nas regiões Sul (55%), Sudeste (37%) e Centro-Oeste (6%). A alface, juntamente com couve, tomate, cenoura, agrião e berinjela, são as principais hortaliças produzidas em sistema orgânico no Brasil (BRASIL, 2006) apud (Resende et al., 2007).
O custo de produção da alface orgânica é menor do que o da alface convencional e mesmo com uma menor produtividade do sistema orgânico de produção o custo por unidade ainda é menor nesse sistema e o produto orgânico também recebe uma valorização média em torno de 20% em relação ao produto convencional (Resende et al., 2007).
O manejo e a exploração equilibrada do solo em sistemas orgânicos de produção exigem o emprego de práticas como a alternância de culturas e a sucessão vegetal, levando à prática da rotação de culturas. Para o uso correto desta prática é necessário que o produtor tenha um bom sistema de gerenciamento da propriedade, incluindo a subdivisão dos talhões em faixas de cultivo e um método adequado de identificação dessas áreas. A eficiência do sistema de rotação depende do estabelecimento de uma escala de plantio de espécies com diferentes exigências nutricionais e que explorem diferentes camadas do solo. Essa prática permite explorar os recursos do solo de maneira mais racional, evitando seu esgotamento. Outro aspecto igualmente importante da rotação é evitar a proliferação e acúmulo de doenças e pragas, que num sistema intensivo de cultivo, como no caso da alface, pode ocorrer de forma bastante acelerada (Resende et al., 2007).
Por ser uma planta originada de clima temperado a alface desenvolve melhor em temperaturas amenas. Com o avanço dos trabalhos de melhoramento no país foi possível o desenvolvimento de cultivares adaptadas ao calor e resistentes ao pendoamento precoce. Atualmente, é possível, a partir da escolha da cultivar adequada para cada época, colher alface de boa qualidade o ano todo também em sistema orgânico de produção (Resende et al., 2007).
Para cultivos em sistemas orgânicos deve-se escolher cultivares mais adaptadas às condições locais, rústicas, que possuam sistema radicular bem desenvolvido e com boa capacidade de exploração do solo e ainda maior nível de resistência ou tolerância a pragas e doenças (Resende et al., 2007).
Em trabalhos realizados na Embrapa Hortaliças foram avaliadas cultivares de alface dos três grupos, americana, crespa e lisa, em sistema orgânico de produção. Dentre as alfaces do tipo americana, em termos de produtividade, destacaram-se as cultivares ‘Robinson’, ‘Laurel’ e ‘Madona AG.60’; do tipo crespa apresentaram melhor desempenho a ‘Simpson’, ‘Mônica’ e ‘Grand Rapids’; e do grupo lisa tiveram destaque a ‘Regina’, ‘Babá de Verão’ e a ‘Aurélia’ (Lima et al., 2004; Jasse et al., 2006) apud (Resende et al., 2007).


Tabela 1. Exemplo de cultivares de alface do grupo de folhas lisas com resistência a doenças e condições ambientais adversas.Fonte: catálogos das empresas de sementes


Tabela 2. Exemplo de cultivares de alface do grupo de folhas crespas com resistência a doenças e condições ambientais adversas. Fonte: catálogos das empresas de sementes


Tabela 3. Exemplos de cultivares de alface do tipo americana com resistência a doenças e condições ambientais adversas. Fonte: catálogos das empresas de sementes



Tabela 4. Desenvolvimento e produção de cultivares de alface americana, crespa e lisa em sistema orgânico de produção na Embrapa Hortaliças. Embrapa Hortaliças, Brasília – DF, 2003 e 2005. Fonte: Resende et al., 2007.


2.4 Produção de mudas


Uma muda de boa qualidade, quando levada ao campo, terá melhores condições de sobreviver e se desenvolver. Assim, deve-se ter certos cuidados com o manejo do viveiro, como irrigações, contentores e utilização de substratos. No caso da alface, recomenda-se que as mesmas sejam preparadas em bandejas de 128 células, com 60 mm de profundidade que comportam maior volume, utilizando-se de substratos adequados que garantam a nutrição das mudas durante o período de viveiro. A vantagem da produção de mudas em viveiros é que estes protegem as mesmas contra algumas pragas e doenças, excesso de chuvas ou sol (dependendo da fase de desenvolvimento pode ser muito prejudicial) e também garantem uma maior uniformização. Em geral, para a alface, as mudas devem ser transplantadas quando estiverem com quatro pares de folhas definitivas, período que deve ocorrer entre 20 e 30 dias (Resende et al., 2007).


2.5 Tipos e cultivares de alface cultivados no Brasil


No Brasil, as alfaces mais conhecidas e consumidas são as crespas e as lisas, algumas das quais foram melhoradas para o cultivo de verão ou adaptadas para regiões tropicais, com temperaturas e pluviosidade elevadas, mas nos últimos anos também aparecerem cultivares roxas e com as folhas frisadas (Henz e Suinaga, 2009).
A definição dos tipos de alface é importante porque a diversidade nas características morfológicas e fisiológicas entre os grupos determina grandes diferenças na conservação pós-colheita e, consequentemente, nos aspectos de manuseio. Algumas cultivares apresentam características específicas, como a resistência ao vírus do mosaico da alface (Lettuce mosaic virus - LMV), a resistência ao pendoamento precoce e o florescimento precoce em regiões quentes ou com dias longos (Henz e Suinaga, 2009).
Nos últimos anos, aumentou o interesse de produtores e consumidores pelo tipo “repolhuda crespa ou americana”, já ofertada de forma regular em todos os mercados brasileiros. Além de ser apreciada na forma in natura, esta cultivar é amplamente utilizada pela indústria de processamento mínimo pelo fato de suportar melhor o processamento, quando comparada com outras cultivares. A alface “americana” também é muito utilizada por redes de “fast food” como ingrediente de sanduíches por sua crocância, textura e sabor. Esta alface também apresenta melhor conservação pós-colheita, e resistência ao transporte e manuseio. Mais exótica, a alface “romana” de folhas roxas é o tipo menos conhecido de alface no Brasil, mas seu cultivo pode ser interessante para atender nichos de mercado, em especial consumidores mais sofisticados (Henz e Suinaga, 2009).
Segundo Henz & Suinaga (2009) as cultivares de alface atualmente disponíveis no mercado brasileiro de sementes podem ser agrupadas em cinco tipos morfológicos principais, com base na formação de cabeça e tipo de folhas:
Repolhuda Lisa: apresenta folhas lisas, delicadas e macias, com nervuras pouco salientes, com aspecto oleoso (“manteiga”), formando uma cabeça típica e compacta. Cultivares ‘Áurea’, ‘Aurélia’, ‘Aurora’, ‘Babá de Verão’, ‘Boston Branca’, ‘Brasil 202’, ‘Brasil 303’, ‘Carla’, ‘Carolina AG 576’, ‘Crioula Branca’, ‘Elisa’, ‘Floresta’, ‘Glória’, ‘Kagraner de Verão’, ‘Karina’, ‘Lívia’, ‘Luisa’, ‘Marina’, ‘Maravilha de Inverno’, ‘Maravilha de Verão’, ‘Minie’, ‘Piracicaba 65’, ‘Rainha de Maio’.
Repolhuda Crespa ou Americana: folhas crespas, consistentes e crocantes, cabeça grande e bem compacta. Cultivares ‘América Delícia’, ‘Bounty Empire’, ‘Crespa Repolhuda’, ‘Grandes Lagos’, ‘Great Lakes’, ‘Great Lakes 659-700’, ‘Hanson’, ‘Iara’, ‘Lorca’, ‘Lucy Brown’, ‘Madona AG 605’, ‘Mesa 659’, ‘Nabuco’, ‘Raider’, ‘Salinas’, ‘Summertime’, ’Tainá’.
Solta Lisa: folhas lisas e soltas, relativamente delicadas, sem formação de cabeça compacta. Cultivares ‘Babá’, ‘Babá de Verão’, ‘Monalisa AG 819’, ‘Regina’, ‘Regina 71’, ‘Regina 440’, ‘Regina 579’, ‘Regina de Verão’, ‘Vitória de Verão’.
Solta Crespa: folhas grandes e crespas, textura macia, mas consistente, sem formação de cabeça; pode ter coloração verde ou roxa. Cultivares ‘Black Seeded Simpson’, ‘Brisa’, ‘Elba’, ‘Grand Rapids’, ‘Grand Rapids Nacional’, ‘Grand Rapids TBR’, ‘Grande Rápida’, ‘Hortência’, ‘Itapuã 401’, ‘Marianne’, ‘Marisa AG 216’, ‘Mimosa (Salad Bowl)’, ‘Salad Bowl’, ‘Simpson’, ‘Vanessa’, ‘Verônica’, ‘Vera (AF-470)’.
Solta Crespa Roxa: ‘Maravilha Quatro Estações’, ‘Mimosa Vermelha’, ‘Quatro Estações’, ‘Rossimo’, ‘Salad Bowl Roxa’, ‘Veneza Roxa’, ‘Vermelha Ruby’.
Tipo Romana: folhas tipicamente alongadas, duras, com nervuras claras, com uma cabeça fofa e alongada, na forma de cone. Cultivares ‘Branca de Paris’, ‘Ideal Cos’, ‘Romana Balão’.


2.6 Processamento mínimo da alface crespa


A principal forma de comercialização da alface é ainda na forma “in natura”. Todavia, devido a diversas mudanças de hábito e estilo de vida, observados sobretudo nas grandes regiões metropolitanas de cidades brasileiras, formas mais convenientes de consumo têm sido cada vez mais procuradas. O processamento mínimo encaixa-se bem nessa tendência, tendo-se em vista a praticidade aliada à conveniência dos produtos comercializados na forma minimamente processada (Moretti e Mattos, 2006).
O sucesso da atividade de processamento mínimo da alface inicia-se antes mesmo da colheita propriamente dita. Durante a condução da cultura, todos os cuidados devem ser observados, no que diz respeito à nutrição mineral, controles fitossanitários, manejo da água e solo, entre outros (Moretti e Mattos, 2006).
O produto deve ser colhido no seu ponto ótimo de maturidade hortícola. A colheita tardia dá origem a um produto de baixa qualidade, com folhas endurecidas e desenvolvimento de sabor amargo, reduzindo o valor comercial do produto. Após a colheita, de preferência feita nas horas mais frescas do dia, as cabeças devem ser resfriadas em câmara fria com temperatura de 5°C por aproximadamente 6 a 8 horas. Esse procedimento é essencial para obter um produto com maior vida de prateleira (Moretti e Mattos, 2006).
Devem ser utilizadas somente folhas de excelente qualidade, sem dano aparente causado por pragas ou doenças. O material que vem do campo deve ser lavado, com água limpa e de boa qualidade a fim de retirar-se matéria orgânica e demais impurezas aderidas ao produto. O processamento pode ser feito com as folhas inteiras utilizando apenas as folhas mais jovens e tenras, ou com folhas fatiadas. Após o corte deve-se um primeiro enxague para retirar o suco celular, resultante do extravasamento, para que este não reaja com o cloro da solução sanitizante. A sanitização consiste na imersão do produto cortado em solução clorada, com concentração de 100 e 150 mg de cloro ativo/L de água limpa e com temperatura de 0 a 5°C, por aproximadamente 10 minutos. Após o tratamento com cloro, o produto deve ser enxaguado, com água limpa e tratada (com 10 mg cloro ativo/ L de água), por aproximadamente 5 minutos, de preferência com temperatura entre 0 e 5°C. Para retirar o excesso de água da alface o produto deve ser centrifugado por 3 a 4 minutos. A alface é embalada e armazenada sob temperaturas ao redor de 5°C ou distribuída imediatamente para o mercado consumidor sob as mesmas condições. A vida média de prateleira da alface minimamente processada gira em torno de 5 a 7 dias (Moretti e Mattos, 2006).


2.7 Melhoramento genético


2.7.1 História do melhoramento genético da alface no Brasil


É de suma importância para o melhoramento desta cultura, o estudo dos efeitos do ambiente, sobretudo da temperatura, sobre os caracteres agronômicos e a forma como esses afetam a qualidade do produto final. A estimação dos efeitos genéticos e ambientais sobre determinado caráter, bem como da herdabilidade e das correlações genéticas são de fundamental importância para o melhoramento de plantas (Cruz, 2005) apud (Souza, et al, 2008). A obtenção de estimativas dos componentes genéticos e fenotípicos possibilitam a tomada de decisões relacionadas com a escolha do método mais apropriado, bem como de quais características podem ser utilizadas para seleção nas etapas iniciais e avançadas de um programa (Rossmann, 2001) apud (Souza, et al, 2008). A existência de variabilidade, particularmente a de natureza genética, é essencial para a obtenção de genótipos superiores em gerações avançadas em programas de melhoramento originados por hibridação de germoplasma de interesse (Souza, et al, 2008).
O melhoramento genético da alface no Brasil teve início na década de 60, com o pesquisador Hiroshi Nagai, concentrando-se na obtenção de genótipos resistentes a doenças e ao calor (Melo & Melo, 2003). Porém, as pesquisas foram implementadas, em sua maioria, para as necessidades da Região Centro-Sul, onde as temperaturas são mais amenas (Souza et al., 2008).
As pesquisas com alface, iniciadas em 1968 visavam à obtenção de cultivares do tipo manteiga resistentes ao vírus-do-mosaico da alface e ao calor, surgindo a ‘Brasil 48’ em 1973. Nos anos subsequentes, outras cultivares designadas ‘Brasil 202’, ‘Brasil 221’, ‘Brasil 303’ e ‘Brasil 311’ tiveram idêntico sucesso assim como suas versões comerciais. Na década de 1990, Nagai deu ênfase à Série Brasil 500, objetivando cultivares de folhas crespas e resistentes ao mosaico-da-alface, ao vira-cabeça e ao calor. Infelizmente, morreu sem alcançar seus objetivos (Melo & Melo, 2003).
A tendência atual do melhoramento genético de plantas é a integração das técnicas clássicas com os avanços da biotecnologia, levando-se em consideração as vantagens e limitações de cada uma delas. Neste contexto, a tecnologia de marcadores moleculares pode contribuir significativamente para o conhecimento básico da cultura e do caráter estudado, e também para a geração e desenvolvimento de produtos melhorados (Ferreira e Grattapaglia, 1998) apud (Sousa et al., 2007).


2.7.2 Alface tolerante ao calor


As temperaturas ideais para produção de folhas e cabeças de qualidade se situam em torno de 12 e 22° C (Cock et al., 2002; Filgueira, 2003) apud (Souza et al., 2008), sendo que temperaturas superiores a 22º C favorecem o florescimento precoce, antecipando a colheita (Mota et al., 2003) apud (Souza et al., 2008). O pendoamento precoce provoca o alongamento do caule, reduz o número de folhas, afeta a formação da cabeça comercial e estimula a produção de látex, o que torna o sabor da folha amargo (Cock et al., 2002) apud (Souza et al., 2008), resultando na colheita de plantas ainda pequenas, com menor peso e número de folhas, de má qualidade, não expressando portanto o seu máximo potencial genético (Santana et al., 2005) apud (Souza et al., 2008).
Além do pendoamento precoce, as altas temperaturas dificultam a absorção de alguns nutrientes, como o cálcio. A baixa absorção de cálcio em alface caracteriza-se pelo surgimento de necrose nas extremidades das folhas, conhecida como queima de bordas ou tip burn (Cock et al., 2002; Beninni et al., 2003) apud (Souza et al., 2008).
Souza et al. (2008) avaliaram 13 progênies F7 (41; 44; 47; 53; 62; 66; 69; 73; 76; 78; 84; 85 e 89), oriundas do cruzamento (‘Regina’ x ‘Tinto’) x ‘Verdinha’, os genitores e, como testemunhas, as cultivares ‘Luisa’ e ‘Babá de Verão’. A cultivar ‘Verdinha’ apresenta folhas lisas com ondulações, soltas, verde-escuras, pouco tenras e relativamente espessas, com adaptação a altas temperaturas; a cultivar ‘Regina possui folhas lisas de coloração verde-clara, tenras e suculentas; a cultivar Tinto possui folhas lisas, verde-claras, com cabeça pequena e é resistente ao vírus do vira-cabeça; a cultivar ‘Luisa’ possui folhas lisas de coloração verde-clara, não forma cabeça, sendo considerada resistente ao pendoamento precoce e, por último, a cultivar ‘Babá de Verão apresenta folhas lisas, coloração verde claro brilhante e é levemente enrugada (Cock et al., 2002; Filgueira, 2003). E obtiveram os seguintes resultados:
Considerando número de folhas, diâmetro da planta e peso fresco da planta como os caracteres agronômicos mais importantes para a comercialização, verificou-se que, respectivamente, 53,85%, 61,54% e 30,77% das progênies e os genitores Regina e Verdinha se posicionaram no grupo A, revelando melhor desempenho. O genótipo com o menor comprimento de caule foi observado na progênie 76, com 3,44 cm. Além disso, esta foi a progênie que conteve o menor número de plantas pendoadas na colheita. Tem-se, pois, como destaque a progênie 76, embora tenha revelado comportamento quanto a características comerciais um pouco inferior às testemunhas, aos genitores e até mesmo a outras progênies (Souza et al., 2008).
Quando se correlacionou o pendoamento com as demais características, os resultados obtidos foram significativos e positivos para a maioria das combinações, considerando as correlações genéticas (Souza et al., 2008).
Segundo Henz e Suinaga (2009) as seguintes cultivares de alface são consideradas como tropicalizadas, com resistência ao pendoamento precoce, sendo indicadas para cultivo em regiões quentes localizadas entre as latitudes 0° e 23°: grupo Repolhuda Lisa: ‘Elisa’, ‘Glória’ e ‘Piracicaba 65’; grupo Crespa Repolhuda ou Americana: ‘Crespa Repolhuda’, ‘Gloriosa’; grupo Crespa Solta: ‘Vera’; grupo Solta Lisa: ‘Vitória de Santo Antão’.


2.7.3 Alface enriquecida em vitamina A e resistência a septoriose


Preocupados com a carência vitamínica no Brasil e em especial no Nordeste, Kerr e colaboradores decidiram produzir uma cultivar de alface com alto teor de vitamina A. O resultado foi a obtenção da cultivar ‘Uberlândia 10.000’ que possui, em cada 100 gramas de folhas frescas, cerca de 10.121 unidades internacionais (U.I.) de vitamina A (Tabela 5). As linhagens foram selecionadas baseando-se em caracteres morfológicos, como por exemplo coloração das folhas, resistência ao pendoamento precoce, sabor doce e adaptação a variações no pH de 4 a 8 (Sousa et al., 2007).
A cultivar ‘Uberlândia 10.000’ originou-se de uma série de cruzamentos e seleções descritos a seguir. Os parentais utilizados nos primeiros cruzamentos foram ‘Maioba’ e ‘Salad Bowl-Mimosa’, e do cruzamento entre esses dois parentais obteve-se a cultivar ‘Moreninha-de-Uberlândia’ que, apesar de alto teor de vitamina A, possuía características inadequadas às exigências do consumidor. Essa cultivar foi cruzada com outra variedade comercial de características apreciadas pelo consumidor (‘Vitória de Santo Antão’). Desse cruzamento resultou finalmente a cultivar ‘Uberlândia 10.000’ (Tabela 5) (Sousa et al., 2007).
Sousa et al. (2003) avaliaram diferentes cultivares de alface quanto a resistência à septoriose e observaram que a cultivar ‘Maioba’ foi a mais suscetível, não diferindo significativamente da cultivar ‘Uberlândia 10.000’, enquanto a ‘Vitória de Santo-Antão’ possía maior resistência em relação às demais, não diferindo significativamente da ‘Salad-Bowl-Mimosa’ (Sousa et al., 2007).
No estudo da divergência genética entre a cultivar ‘Uberlândia 10.000’ e seus parentais (pais e avós) utilizando 18 combinações de primers, observou-se grande similaridade genética (87%) dela com a avó ‘Maioba’ e ‘Vitória de Santo Antão’, podendo sugerir que a característica de susceptibilidade ou resistência à septoriose não tem relação alguma com a divergência genética (Sousa et al., 2007).


Tabela 5. Características morfológicas das cultivares utilizadas no programa de melhoramento da cultivar Uberlândia 10.000. Fonte: (Kerr et al., 1990) e (Almeida, 1991) apud (Sousa et al., 2007).


2.7.4 Alface resistente a nematoides de galha


A alface, quando cultivada no campo, apresenta alta suscetibilidade à infecção por espécies de nematoides de galhas (Meloidogyne spp.). As cultivares de alface do tipo lisa apresentam maior suscetibilidade aos nematoides que as cultivares do tipo crespa, principalmente quando as do tipo lisas são cultivadas no período de verão, com temperatura e umidade do solo mais elevadas (temperaturas acima de 28ºC) (Charchar e Moita, 2005).
O controle de Meloidogyne spp. é imprescindível para bom êxito de cultivo da alface, pois os nematoides de galhas podem causar perdas de até 100% na produção, dependendo da intensidade de infestação da área e da cultivar plantada (Charchar, 1995) apud (Charchar e Moita, 2005). O uso de cultivares do tipo crespa (‘Bix’, ‘Romana Balão’, ‘Salad Bowl Mimosa’ e ‘Grand Rapids’) com maior grau de resistência pode reduzir consideravelmente, o potencial de inóculo dos nematoides no campo. As cultivares do tipo lisa (‘Vitória’ e ‘Regina’) são as mais suscetíveis aos nematoides (Charchar & Moita, 1996) apud (Charchar e Moita, 2005).
O controle químico dos nematoides de galhas com nematicidas não é recomendado pelo ciclo curto da cultura e pela falta de registro de produto químico específico para alface no Brasil (Charchar, 1995) apud (Charchar e Moita, 2005).
As espécies do gênero Meloidogyne possuem raças biológicas com habilidades para infectar diferentes espécies de plantas: M. incógnita raças 1, 2, 3 e 4; M. arenaria e M. hapla com as raças 1 e 2; e M. javanica raças 1, 2, 3 e 4. A espécie M. petuniae ainda não apresenta distinção de raças. As raças 1 e 2 de M. incognita e a raça 1 de M. javanica são as mais comuns em plantas da família Asteraceae apud (Charchar e Moita, 2005).


Tabela 6. Reação de cultivares de alface de diferentes tipos e origens à infecção pela população mista de Meloidogyne incognita raça 1 e M. javanica no campo.Fonte: Adaptado de (Charchar e Moita, 2005).


Wilcken et al. (2005) avaliando a resistência da alface do tipo americana ao nematoide de galha M. incognita raça 2 tiveram como cultivares resistentes ‘Challenge’, ‘Salinas 88’, ‘Vanguard 75’, ‘Calgary’, ‘Classic’ e ‘La Jolla’.


2.7.5 Alface tolerante ao Lettuce mosaic virus (LMV)


Um dos principais problemas fitopatológico que atinge diretamente a produção da alface é a ocorrência de viroses, ocasionando queda na qualidade e na produção. Dentre os diversos vírus que ocorrem na cultura da alface o mais importante é o Lettuce mosaic vírus (LMV), com ocorrência generalizada em todas as regiões produtoras de alface do Brasil (ZERBINI, 1995) apud (Chung, 2005).
Chung (2005) avaliou a reação de 18 linhagens superiores do programa de melhoramento de alface do Centro de Pesquisa Desenvolvimento e Análises de Horticultura IAC-apta (CPDAH IAC-apta) e de seis cultivares comerciais (‘Brasil 221’, ‘Rubete’, ‘Kazan’, ‘Gizele’, ‘Hortência’ e ‘White Boston’), ao LMV isolado de alfaces do tipo americana ‘Raider’, lisa ‘Karla’ e crespa ‘Hortência’, em 2003, na região de Atibaia, SP. Foram inoculados 18 linhagens e 6 cultivares, e como controle positivo foi utilizada a cultivar ‘White Boston’ por sua suscetibilidade ao LMV. Em todas as amostras de alface ‘Raider’, ‘Karla H25’ e ‘Hortência’ avaliadas, foi identificada a presença do LMV patotipo IV. Foram detectados genótipos com comportamento de susceptibilidade e tolerância. As linhagens 602-3 e 602-4 foram classificadas como tolerantes ao LMV patotipo IV isolado de alface ‘Karla’ H25 podendo, portanto, ser recomendado o seu plantio, para reduzir os prejuízos causados pelos sintomas do LMV. Os cultivares comerciais, que possuem tolerância para o patotipo II, manifestaram sintomas de mosaico mais brandos, quando inoculadas com este isolado do LMV.


2.7.6 Linha de pesquisa em andamento


O seguinte trabalho, Melhoramento genético da alface: desenvolvimento de linhagens do tipo americana e crespa com resistência ao calor e ao mosaico provocado por LMV está sendo desenvolvido por Suinaga e visa implantar um programa de melhoramento genético de alface (primeira fase), através do desenvolvimento de linhagens homozigóticas dos tipos americana e crespa, pois estes são os padrões atuais do mercado consumidor. Estas linhagens também deverão possuir tolerância ao florescimento precoce e ao LMV, que são os mais importantes problemas abióticos e bióticos desta cultura. Esta fase do programa irá gerar progênies de alface com resistência durável ao míldio causado por Bremia lactucae e ao nematoide das galhas (M. incognita e M. javanica) além de serem eficientes no uso da água e do calcário. Além disto, neste projeto, serão avaliadas diversas cultivares de alface, em sistema de competição, em diversos sistemas de cultivo e regiões. Em uma segunda fase deste programa de melhoramento, as linhagens iniciais geradas na etapa anterior serão testadas em ensaios com repetição e em diversos locais com o objetivo de disponibilizar variedades melhoradas de alface. Além disto, serão também estudadas as demais doenças de importância para a alfacicultura brasileira, ou seja, a cercosporiose cujo agente causal é a Cercospora longissima e a septoriose provocada por Septoria lactucae (Suinaga et al, 2011).


3.0 CONCLUSÕES


A alface é a mais popular das hortaliças folhosas, sendo cultivada em quase todas as regiões do globo terrestre. No Brasil ela é cultivada em todas as regiões, principalmente, devido a cultivares resistentes ao calor.
O melhoramento genético da alface no Brasil, iniciado na década de 1960, está orientado basicamente para o desenvolvimento de cultivares resistentes a pragas e doenças, tolerantes ao calor e ao pendoamento precoce e o desenvolvimento de cultivares biofortificadas.


LITERATURA CITADA


CHARCHAR, J. M.; MOITA, A. W.: Comunicado Técnico 27. Metodologia para seleção de hortaliças com resistência a nematoides: Alface/Meloidogyne spp. Brasília, DF: Embrapa, dezembro, 2005.


CHUNG, R. M.: Reação de linhagens e cultivares de alface ao Lettuce Mosaic Virus (Patotipo IV). Campinas, SP, Instituto Agronômico de Campinas, 2005, (Tese de Mestrado).


FILGUEIRA, F. A. R.: Novo manual de olericultura: agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. 3ª ed., Viçosa, MG: Ed. UFV, 2008. 421 p.


HENZ, G. P.; SUINAGA, F.: Comunicado Técnico 75. Tipos de alface cultivadas no Brasil. Brasília, DF: Embrapa, novembro, 2009.


MELO, A. M. T.; MELO, P. S. T.: Hiroshi Nagai (1935–2003): sua vida e contribuições à olericultura. Horticultura brasileira, Vol. 21, n. 4, Brasilia out.-dez. 2003, p. 734.


LIMA, M. E.: Avaliação do desempenho da cultura da alface (Lactuca sativa) cultivada em sistema orgânico de produção, sob diferentes lâminas de irrigação e cobertura do solo. Seropédica, RJ, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 2007, (Tese de Mestrado).


MORETTI, C. L.; MATTOS, L. M. Comunicado Técnico 36. Processamento mínimo da alface crespa. Brasília, DF: Embrapa, dezembro, 2006.


RESENDE, F. V.; SAMINÊZ, T. C. O.; VIDAL, M. C.; SOUSA, R. B.; CLEMENTE, F. M. V.: Circular Técnica 56. Cultivo de alface em sistema orgânico de produção. Brasília, DF: Embrapa, novembro, 2007.


SOUSA, C. S.; BONETTI, A. M.; GOULART FILHO, L. R.; MACHADO, J. R. A.; LONDE, L. N.; BAFFI, M. A.; RAMOS, R. G.; VIEIRA, C. U.; KERR, W. E.: Divergência genética entre genótipos de alface por meio de marcadores AFLP. Bragantia, Campinas, v. 66, n. 1, p. 11-16, 2007.


SOUZA, M. C. M; RESENDE, L. V.; MENEZES. D.; LOGES, V.; SOUTE, T.A.; SANTOS, V.F.: Variabilidade genética para características agronômicas em progênies de alface tolerantes ao calor. Horticultura Brasileira, v. 26, n.3, p. 354-358, jul.-set. 2008.


SUINAGA, F. A.; LANA, M. M.; MAKISHIMA, N.; BOITEUX, L. S.; CRUZ, E. M.; RESENDE, F. V.; CHAVES, F. C. .M.; FLAVIO; SILVA, G. O.; SOUSA, N. O. S. BOITEUX, M. E. N. F.; PINHEIRO, J. B.; LIMA, M. F.; CAFE FILHO, A.; REIS, A.; GUIMARAES, J. A.; GUEDES, I. M. R.; SILVA, H. R.; FIGUEIREDO, C. C.: Melhoramento genético de alface: desenvolvimento de linhagens do tipo americana e crespa com resistência ao calor e ao mosaico provocado por LMV. Brasília, DF: Embrapa, Projeto em andamento, 2011.


WILCHEN, S. R. S.; GARCIA, M. J. M.; SILVA, N.: Resistência de alface do tipo Americana a Meloidogyne incognita raça 2. Nematologia Brasileira, v. 29 (2), p. 267-271, 2005.

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