sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Boletim Técnico: Podridão mole do cajú (Anacardium occidentale L.) causado pelo Mucor circinelloides

Gilvane de Sousa Rodrigues
Academico do Curso de Agronomia

1. INTRODUÇÃO

       O cajueiro [Anacardium occidentale L. – Anacardiaceae], é considerado pelos pesquisadores como uma planta originária do norte e nordeste do Brasil, Além desta, várias outras espécies do gênero, encontradas na região Norte do País, apresentam ampla distribuição geográfica, sendo citada em vários países da África, Índia, Filipinas, Indochina, Indonésia, Austrália, Ilhas Fiji, Havaí, Venezuela, El Salvador, Guatemala e Estado da Flórida (EUA) (KIMATI et al., 2005).
    As doenças pós-colheita podem iniciar no campo, durante a ontogenia da fruta, ou surgirem depois da colheita, com a maturação fisiológica (CAPPELLINI e CEPONIS, 1984). Os fungos são os principais microrganismos causadores de doenças em frutas pós-colheita, os quais são Alternaria sp., Aspergillus sp., Botrytis sp., Ceratocystis sp., Cladosporium sp., Colletotrichum sp., Fusarium sp., Geotrichum sp., Lasiodiplodia sp., Monilinia sp., Mucor sp., Penicillium sp., Pestalotiopsis sp., Phoma sp., Phomopsis sp., Phytophthora sp. e Rhizopus sp. Entre as bactérias que podem causar danos as frutas, incluem-se espécies de  Erwinia sp., Pseudomonas sp., Xanthomonas sp., Acetobacter sp. e  Enterobacter sp.  Leveduras, como Candida sp. e Saccharomyces sp. Danos causados por vírus em frutas são geralmente verificados antes da colheita permitindo a seleção destas na colheita (BENATO et al., 2001).
Não há muitos relatos da ocorrência do patógeno M. circinelloides infectando a cultura do cajueiro.
O objetivo deste trabalho foi descrever a  podridão mole em caju levando em consideracão aspectos da sua sintomatologia, etiologia, epidemiologia e controle.

2.MATERIAIS E MÉTODOS

A amostra para descrição do patógeno foi utilizada o pseudofruto caju. O material foi coletado na cidade de Urutai-Go, sendo posteriormente levado para o laboratório, onde foi colocada em um recipiente, onde foi umedecida e vedada, ficando armazenada por alguns dias para desenvolvimento do micélio e frutificação dos esporos.
     A amostra foi observada em microscópico estereoscópico, onde pode visualizar que micélios e frutificações e esporos desenvolveram-se. Posteriormente observando os sintomas da doença onde inicialmente foi identificado como Mucor sp.
Foi feita a coleta das estruturas do por meio de pescagen direta, na lesão do hospedeiro, para preparo de lâmina contendo gota azul-de-metileno (composto aromático heterocíclico, sólido verde escuro, solúvel em água, produzindo solução azul, inodoro, é usado como um corante microbiológico como indicador, pode também ser usado para examinar RNA ou DNA sob o microscópio).
Após a pescagen do material a lamina foi vedada com lamínula e levada ao microscópio óptico onde as estruturas como esporângios, esporangiósporos e esporagiósforos, e foram fotografadas com a câmera digital Canon® modelo Power Shot A580. Em seguida com auxilio de chaves de identificação pertencente a divisão Zigomicota foi possível identificar o fungo como sendo Mucor circinelloides.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Hospedeira: Cajú - Anacardium occidentale L.
Família botânica: Anacardiacea
Agente causal: Mucor circinelloides (Tieghem, 1875)
Local de coleta: Instituto Federal Goiano Campus - Urutaí
Data de coleta: 07/10/2011.
Taxonomia: Pertence ao reino Fungi, ordem Mucorales – da divisão Zygomicota, subfilo Mucoromycotina, família Mucoraceae, gênero Mucor sp., espécie M. circinelloides.

Sintomatologia
   Os sintomas da doença é podridão mole, aquosa, ocorrem sobre frutos carnosos, hortaliças em armazenamento, sem importância econômica em sementes (MARCIA & LAZARRI, 1998).
Com o amadurecimento, o fruto amolece, e a podridão avança rapidamente causando a exsudação do suco celular do fruto contaminado, posteriormente ocorre à autoinfecção de frutos adjacentes. O sintoma é caracterizado pela desintegração da célula, seguida de morte das células, e dos tecidos, expressando sintomas holonecróticos morte do protoplasma. O tecido infecctado apresenta coloração negra devido à alta intensidade de estruturas fúngicas (esporangiósforos, esporangiósporos, e esporângios) assemelhando com cabeças de alfinete preto. A lesão tem forma anelar, dimensões variadas e profunda atingindo até cinco cm no tecido necrosado. Sobre condições de alta umidade, ocorre o desenvolvimento do micélio e frutificação em esporos ocorrendo uma progressão elevada do patógeno (KIMATI et al., 2005).


Etiologia
   O agente causal é um fungo zigomiceto que não apresenta esporos móveis – aplanósporos (esporangiosporos imóveis) (MYCOBANK, 2011).
O gênero Mucor sp. Compreende cerca de 80 espécies cosmopolitas, sendo considerado o mais representativo e estudado dentre os gêneros de Mucoraceae. Os representantes de Mucor sp. reproduzem-se, assexuadamente, por meio de aplanósporos formados internamente em esporângios e clamidósporos; sexuadamente, pela fusão de dois gametângios geneticamente compatíveis, pertencentes ou não ao mesmo micélio e dando origem ao zigosporo. A maioria das espécies de Mucor spp. vivem como saprófitos do solo, grãos, flores, frutos, restos de vegetais, cogumelos carnosos, fezes de herbívoros e solo afetado por fezes de aves. Em fezes de herbívoros, há trabalhos que demonstram inclusive a sucessão fúngica (ALVES et al., 2002).
    A sua morfologia apresenta dimensões e formas variáveis. Colônia com até 6 mm de altura, composto por esporangiósforos altos e baixos com até 17 mm em diametro, com ramificacão longa a curta, esporangiósporos curto com protusoes  ramificadas e curtas e muitas vezes ramos circinante, parede com incrustações, as partes mais jovens da esporangiósforos cheio de gotas. Esporângios no início branco a amarelado tornando-se cinza-amarronzado na maturidade,ramificação simpodial, esporângios terminais, coloração marrom ou preta, columela claros, globosa ou subglobosa, esporangiósporos são  claro ou pálido em massa globosa, subglobosa ou ovóides, até 80 mm em diam, diminuindo de diâmetro na ordem de arisal (BLOCHWITZ ,1930).
    Ciclo de reprodução da doença é sexual, que esta envolvida em sua sobrevivência, E a reprodução assexual para o fungo mantém na natureza (KIMATI, 1995).





Figura 01. Podridão mole do caju causada pelo fungo mucor circinelloides. A. Sintomas típicos da podridão mole, com lesão profunda e aquosa. B. Podridão com massa de micélio branco com a frutificação em esporos pretos visíveis a olho nu. C. Esporangiósforos 3 mm de altura bar. D. Esporângios (bar =[42,1 µm]).E. Aplanósporos (bar 23.4 µm).
 

Epidemiologia
   O fungo se desenvolve preferencialmente sob temperaturas entre 25° e alta umidade relativa, tendo seu crescimento suprimido em temperaturas inferiores a 5°C. Os hospedeiros mais suscetíveis a podridão (mucor circinelloides) são os frutos carnosos como caju, manga, e pêssego.
   A maioria das espécies de Mucor vive como sapróbia no solo, grãos, flores, frutos, restos de vegetais, agáricos carnosos, fezes de herbívoros (HESSELTINE & ELLIS 1973, TRUFEM 1981a, ALEXOPOULOS et al. 1996, VIRIATO 1996).
   As hospedeiras do fungo trigo, arroz, soja, algodão, feijão, milho, sorgo, cenoura, tomate, girassol, azevém, ervilha e cebola (EMBRAPA, 2010).
No período de maturação dos frutos, favorece a incidência deste patógeno, sendo mais agressivo sobre condições de alta precipitação. Os meios de disseminação da doença se da por respigo de chuvas, ventos e solos (TIEGHEM, 1875).
    O Mucor circinelloides causa uma podridão mole e aquoso caju devido à desintegração da célula seguindo da morte dos tecidos. As lesões mais visíveis são lesões anelares largas e profundas. A penetração se da por ferimento ocorrido na colheita e manuseio (MYCOBANK, 2011).
   É uma doença existente em todo o mundo, transmitida pelos esporos produzidos pelas formas de vida livre presentes na terra. Se infectar pessoas imune deprimidas pode causar infecções que podem ser fatais ou se disseminar por outros órgãos (WIKIPÉDIA, 2011).

Controle
   O controle desta doença inicia-se no campo devendo ter cuidados na colheita e manuseio dos frutos, evitando injurias que sirva de porta de entrada para o patógeno. Sempre realizar as colheitas nas horas mais frescas do dia, manter os frutos em locais sombreados e arejados (EMBRAPA, 2010).
   Os cuidados no manuseio deve se permanecer nas etapas de seleção, embalagem, transporte, e comercialização. É recomendado fazer um resfriamento a 10 graus Celsius antes do embarque. Tratamento com aspectos físicos com aplicações de raios UV-C e de microondas (EMBRAPA, 2010).
    O controle químico realizado com fungicidas sistêmicos é recomendado fungicida a base de chorotaloil, enxofre, mancozeb, oxicloreto de cobre, tiofanato metílico.
O tratamento de pós-colheita, pela imersão ou pulverização de frutos com água quente (48 graus Celsius por 20 minutos) e/ou fungicidas a base de thiabendazole e procloraz (KIMATI, 2005).
      Alternativas no controle de doenças pós-colheita vêm sendo estudadas, e entre elas cita-se o controle biológico. A utilização dos organismos antagonistas como ‘fungicidas vivos’ é de uso recente em pós-colheita, entretanto, parece que o controle de doenças pós-colheita através de organismos vivos não é tão eficaz quanto os fungicidas sistêmicos. Porém são poucos os produtos fitossanitários existentes no mercado. Surge, então, a necessidade de combinar diferentes organismos antagonistas com outras formas de controle biológico, como eleitores de respostas de defesa e fungicidas naturais. No mercado existem alguns biocidas comerciais para uso em pós-colheita de frutos nos Estados Unidos da América (BENATO, CIA e SOUZA, 2001). O controle biológico de doenças pós colheita tem mostrado bons resultados (VALDEBENITO SANHUEZA e CATTANIO, 2001).
   Ele pode ser realizado durante o ciclo da cultura ou após a colheita. O controle, ainda no campo, tem por objetivo evitar a penetração de patógenos nos tecidos e o seu posterior desenvolvimento no período de armazenamento, Já o controle após a colheita tem como objetivo evitar que os patógenos latentes causem podridões e impedir novas infecções. Em condições de pós colheita é possível realizar o controle por ser economicamente viável, haver limitação de superfície de aplicação dos antagonistas e capacidade de controlar as condições ambientais (BETTIOL e GHINI, 1995).
   A seleção dos antagonistas para a atuação em condições de pós colheita deve-se considerar a capacidade do patógeno de penetrar diretamente pela cutícula intacta do hospedeiro, por ferimentos ou por aberturas naturais, além do caso de infecção quiescente (BENATO, 1999).
   Os antagonistas podem exibir uma rápida taxa de crescimento podendo, utilizar efetivamente nutrientes a baixas concentrações e sobreviver e desenvolver na superfície da fruta ou no local de infecção sob temperatura, ph ou condições osmóticas que são desfavorável para o crescimento do patógeno ser geneticamente estável, não patogênico ao hospedeiro, efetiva a baixas concentrações, amplo espectro de ação, fácil aplicação e não produzir substâncias tóxicas ao homem e serem resistentes aos pesticidas (BENATO, 1999).
Não tem produtos registrados no (AGROFIT, 2011) que devem fazer controle da doença da doença da podridão mole no caju.



LITERATURA CITADA
ALVES, M. H.; TRUFEM, S. F. B.; MILANEZ, A. I.; Táxons de Mucor Fresen (Zycomycota) em fezes de herbívoros; Revista brasileira de botânica; São Paulo, SP; vol. 25; n 2; 2002.> , acessado em:
AGROFIT. Disponível em: , acessado em: novembro de 2011.
BENATO, E. A. Controle de doenças pós-colheita em frutos tropicais.  Summa phytopathologica,  v. 25, n1, p. 90-93.1999.
BENATO, E.A. et al. Efeito do tratamento hidrotérmico no controle de podridões pós-colheita em maracujá-amarelo. Summa Phytopathologica, v.27, p.399-402, 2001.
BETTIOL, W.; GHINI, R. In: KIMATI, H. (Ed.). Manual de fitopatologia. Controle biológico. 3 ed. São Paulo: Agronômica Ceres, v. 1, 36,p. 717-728. 1995
CAPPELLINI, R. A.; CEPONIS, M. J. Postharvestb 293 Doenças fúngicas pós-colheita em frutos tropicais, CAATINGA, Mossoró, v.18, n.4,  p.283-299, out./dez. 2005
KIMATI, H, AMORIM, L., REZENDE, J.A.M., BERGAMIN FILHO, A., Manual de Fitopatologia, vol. 2, doenças das plantas cultivadas 4° ed. cap. 31, São Paulo: Agronômicas Ceres, 2005.
KIMATI, H., AMORIM, L., REZENDE, J.A.M., BERGAMIN FILHO, A., Manual de Fitopatologia, vol. 1, doenças das plantas cultivadas 4° ed. cap. 31, São Paulo: Agronômicas Ceres, 2005.
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