terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Boletim Técnico: Oídio do Ipê Amarelo (Tabebuia chrysotricha) causado por Ovulariopsis sp.

Danilo Marçal Gonçalves de Paula
Acadêmico do curso de Agronomia

INTRODUÇÃO
O gênero Ovulariopsis sp. pertence à classe dos Fungos Imperfeitos, ordem Moniliales, família Moniliaceae, e corresponde ao estádio conidial de Phyllactinia sp. (VERONA & BENEDEK, 1959).
Os ipês são árvores da América tropical, que possuem madeira de excelente qualidade, usada em construções pesadas, fabricação de móveis, esquadrias, assoalhos e cabos de ferramenta. Além dessa qualidade, as espécies T. serratifolia (ipês-amarelo), T. chrysotricha (ipê-mulato), T. odontodiscus (ipê-branco), T. impetiginosa (ipê-roxo) e Z. tuberculosa (ipê-preto) possuem florada de rara beleza e, por isso, são muito usadas como árvores ornamentais no sudeste brasileiro. Tabebuia serratifolia, o ipê amarelo, considerada árvore- símbolo do Brasil é então, a espécie de ipê mais difundida em MG, em termos de plantio artificial, sendo muito usados na arborização de ruas, avenidas, jardins particulares em arboretos de parques e espaços livres (FERREIRA, 1989).
Essas plantas utilizadas para arborização urbana são destacadamente afetadas por doenças que representam um grande fator de destruição da qualidade paisagística destas espécies nos centros urbanos (AUER, 2001).
As doenças registradas em condições urbanas são encontradas também em condições naturais, na mata, em capoeiras, ou mesmo em pastagens, onde o ipê se destaca pela sua beleza. Existem poucos estudos que relacionem o ambiente urbano com a ocorrência de doenças em árvores, no Brasil. Sabe-se, porém, que existe uma grande chance de surgirem problemas de origem abiótica, como as injúrias por descargas elétricas, às ações de origem antrópica ou distúrbios fisiológicos decorrentes do estresse, em áreas urbanas (AUER, 2001).
O oídio comum é uma doença amplamente disseminada no mundo e que normalmente não causa grandes prejuízos, mas pode causar sérios danos em plantas jovens. Já o oídio causado por Ovulariopsis sp. foi relatado pela primeira vez em 1944 e causa danos significativos de maneira esporádica (FITOPATOLOGIA.NET, 2011).
Sintomatologia
Os sintomas do oídio comum aparecem nas folhas, Inicialmente formam-se lesões verde-amareladas que podem ter contorno verde-escuro. Nestas áreas desenvolve-se um micélio branco junto das nervuras, especialmente na face abaxial, podendo também aparecer na face adaxial. Folhas de todas as idades são suscetíveis ao fungo, mas a doença concentra-se mais em folhas mais velhas. Também podem apresentar sintomas nas hastes, flores e frutos. Para a doença causada por Ovulariopsis sp. os sintomas restringem-se às folhas, que apresentam áreas cloróticas de formato irregular na face adaxial, as quais posteriormente amarelecem prematuramente, podendo coalescer e atingir grande extensão do limbo. Na superfície abaxial, surgem pontos encharcados onde se desenvolvem micélio e frutificações do patógeno, muito tênues, podendo formar uma massa pulverulenta branco-acinzentada, em alguns casos. Não são observadas estruturas do patógeno na superfície adaxial do limbo.

Sintoma morfológico: mancha
Ciclo da doença e epidemiologia
O oídio comum tem os seus conídios dispersos pelo vento. Para a germinação, os conídios necessiam alta umidade do ar, mas não água livre. O desenvolvimento da doença é favorecido por temperaturas em torno de 30°C e baixa luminosidade. Quanto ao oídio, quando predominam temperaturas amenas e pouca precipitação, se observa mais alta intensidade da doença.
Práticas de manejo
O controle do oídio comum é geralmente realizado com a aplicação de enxofre, sendo praticamente a única opção de um produto de baixa toxicidade que vem sendo usada no controle desta doença. O enxofre deve ser usado com cuidado, pois pode causar fitotoxidez ao mamoeiro quando as pulverizações são realizadas com temperatura superior a 28°C.
Bibliografia consultada
TATAGIBA, J.S.; LIBERATO, J.R.; ZAMBOLIM, L.; COSTA, H. & VENTURA, J.A. Controle químico do oídio do mamoeiro. Fitopatologia Brasileira 27:219-222. 2002.

REZENDE, J.A.M.; MARTINS, M.C. Doenças do Mamoeiro. In: KIMATI, H.; AMORIM, L.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A.; REZENDE, J.A.M. (Eds.) Manual de fitopatologia: doenças das plantas cultivadas. 4. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 2005. v.2, p. 435-443.
Oídio pode ser causado por diferentes espécies de fungos, pertencentes aos gêneros Oidium e Ovulariopsis (fase assexual) e Uncinula e Phyllactinia (fase sexual). No caso deste trabalho o oidio apresentou somente a fase assexual, devido o período de coleta. São 481 espécies pertencentes gênero Oidium sp. registradas em literaturas para este gênero, sendo 33 variedades (INDEX FUNGORUM, 2011).
Existem 15 registros de táxons identificados de fungos causadores de oídios em espécies de Tabebuia spp., dentre eles os gêneros são Oidium sp., Ovulariopsis sp., Steptopodium sp., Erysiphe peruviana, Uncinula sp. E Phyllactinia sp. (FARR & ROSSMAN, 2011).
           São 45 espécies pertencentes gênero Ovulariopsis sp. registradas na literatura (INDEX FUNGORUM, 2011).   
 O objetivo do trabalho realizado foi demonstrar todas as características da doença, colocando a disposição os métodos de controle.

MATERIAIS E MÉTODOS
            O estudo foi feito através de propágulos contidos em folhas de Ipê Amarelo coletadas em Cascavel/PR. No laboratório de microbiologia do Instituto Federal Goiano Campus Urutaí foram preparadas lâminas semi-permanentes contendo: estruturas do fungo, e outra lâmina com o corte anatômico para demonstrar a interação do fungo com a planta.
             Foram utilizados nos procedimentos os equipamentos: pinça, lamina de barbear, lâmina, lamínula, fixador lacto fenol cotton-blue (62,5 mL ácido lático, 2,6 mL ácido acético, 100 mL água e 100 mL glicerina) e esmalte. Após retirar-se os propágulos através do método de pescagem direta, colocou-se o material na lâmina com fixador, depois colocou-se a lamínula e retirou-se o excesso de fixador e vedou-se com esmalte.
            Já o corte anatômico foi feito do seguinte modo: foi pego uma parte da folha, que aparentemente continha grande número de estruturas do fungo, utilizando a lupa, lamina de barbear, para o corte e uma pinça para passar o material para lâmina, então foram feitos cortes finos procurando encontrar a interação do fungo com a folha.
            Após isso levou-se a lâmina para o microscópio óptico, primeiramente no aumento de 4x, com objetivo de observar se haviam propágulos. Observado isso, passou-se para o aumento de 40x a fim de observar as estruturas mais detalhadamente e foi possível identificar características que se diferenciassem.
Foram feitas microfotografias no microscópio óptico com intenção de relatar as frutificações fúngicas para depois serem medidas e colocadas na prancha de fotos, contida no trabalho. As microfotografias foram tiradas com a câmera Canon® modelo Power Shot A580 do Prof. Milton Lima para a confecção da prancha de fotos, que foram editadas com o Photo Editor e a prancha confeccionada no Microsoft Office Power Point.
RESULTADOS E DISCUSSÃO

Hospedeiro/ Cultura: Ipê Amarelo – Tabebuia serratifolia
Família botânica: Bignoniáceas
Descrição botânica
            Árvore hermafrodita medindo até 10 m de altura, glabra salvo diminutas glândulas lepidotas nas folhas, pecíolo, ramos da inflorescência, cálice, ovário e frutos. Frutificação: frutos imaturos a partir de julho, maturação de setembro a outubro. Folhas opostas, compostas digitadas, folíolos 5 a 7, os laterais frequentemente subsésseis ou curto-peciolulados, os centrais com peciólulo de até metade do comprimento do folíolo, limbo com 6 a 15 x 3,5 a 12 cm, oblongo, elíptico ou oboval, ápice de obtuso a arredondado; base de obtusa a arredondada; nervação um tanto elevada na face ventral. Inflorescência panícula terminal corimbosa, congesta, com aproximadamente 70 flores. Flores com aproximadamente 8 cm de comprimento, levemente zigomorfas; cálice tubuloso, irregularmente lobado; corola amarela, infundibuliforme, com 5 lobos arredondados, imbricados; estames 4, didínamos, epipétalos; antera rimosas com teças divaricadas; ovário supero, bilocular, com muitos óvulos axilares; estilete 1, filiforme; estigma 1, bilamelar; disco nectarífero cupular. Fruto cápsula loculicida, com ate 15 cm de comprimento, cinza-escuro, linear, cilíndrico; muitas sementes, branco-rosadas, oblongas, bi-aladas, com núcleo seminífero central (ALMEIDA et al., 1989).

Agente Causal (Anamorfo): Ovulariopsis sp.
Local da Coleta: Cascavel/PR
Data da coleta: Desconhecido
Taxonomia: Reino: Fungi; Divisão: Eumycota; Sub-divisão: Ascomycotina; Classe: Pyrenomycetes; Ordem: Erysiphales; Família: Erysiphaceae; Gêneros:  Ovulariopsis sp., fase anamórfica (INDEX FUNGORUM, 2011).


 
Sintomatologia
Os sintomas do oídio comum aparecem nas folhas, Inicialmente formam-se lesões verde-amareladas que podem ter contorno verde-escuro. Nestas áreas desenvolve-se um micélio branco junto das nervuras, especialmente na face abaxial, podendo também aparecer na face adaxial. Folhas de todas as idades são suscetíveis ao fungo, mas a doença concentra-se mais em folhas mais velhas. Também podem apresentar sintomas nas hastes, flores e frutos. Esta doença causada por Ovulariopsis sp. os sintomas restringem-se às folhas, que apresentam áreas cloróticas de formato irregular na face adaxial, as quais posteriormente amarelecem prematuramente, podendo coalescer e atingir grande extensão do limbo (FITOPATOLOGIA.NET, 2011).
Na superfície abaxial, surgem pontos encharcados onde se desenvolvem micélio e frutificações do patógeno, muito tênues, podendo formar uma massa pulverulenta branco-acinzentada, em alguns casos. Não são observadas estruturas do patógeno na superfície adaxial do limbo (FITOPATOLOGIA.NET, 2011).
A doença é caracterizada por um crescimento pulverulento branco bem visível, em manchas esparsas nas folhas. Em condições de temperatura amena e alta umidade, as folhas podem ficar totalmente cobertas. Os sintomas de pulverulência podem não estar presentes na face abaxial das folhas (DUARTE, 1999).
Com o desenvolvimento, essas manchas escurecem, tornando-se pardas. Os sintomas não se diferenciam de outros hospedeiros, sendo facilmente reconhecido pelo aspecto do micélio e estruturas reprodutivas assexuais do patógeno (FERREIRA, 1989).
Etiologia
O patógeno apresenta conidióforos eretos, originários das hifas, cilíndricos, plurisseptados, comprimento médio de 144 µ, Conídios grandes, isolados no ápice dos conidióforos, subclavados, comprimento médio de 73-(65,1)-60x19-(17,6)-16 µm (VERONA & BENEDEK, 1959).
Estes fungos infectam os tecidos clorofilados das plantas, como folhas e frutos, desenvolvendo um micélio superficial, que retira os nutrientes do hospedeiro através de haustórios formados no interior das células da epiderme. A maioria produz conídios em cadeia, de forma basipetal (conídio mais jovem na base), correspondentes à sua fase anamórfica, Oidium sp., a partir de conidióforos simples, derivados do micélio superficial. Estes conídios são os responsáveis pelo desenvolvimento dos sucessivos ciclos secundários do patógeno, ao serem disseminados pelo vento e depositarem-se sobre novos tecidos suscetíveis do hospedeiro. No gênero Phyllactinia sp., cuja fase anamórfica é Ovulariopsis sp., os conídios são formados individualmente, raramente formando cadeia (KIMATI et al., 1995).
 A fase teleomórfica é caracterizada pela produção de ascomas esféricos, do tipo cleistotécio, na superfície do hospedeiro. Os cleistotécios amadurecem lentamente durante o outono e o inverno, liberando os ascósporos na próxima primavera, para dar início a novo ciclo primário da doença. Na superfície dos ascomas desenvolvem-se apêndices filamentosos típicos. A morfologia desses apêndices e o número de ascos por ascoma constituem o critério para a diferenciação dos diferentes gêneros que ocorrem nesta ordem. A liberação dos ascósporos dá-se através do rompimento da parede do cleistotécio, que expõe os ascos. Estes, por sua vez, expelem os ascósporos através de uma fenda no seu ápice (KIMATTI et al., 1995).
 

 Figura1. Incidência do fungo Ovulariopsis sp. Em folha de ipê amarelo ( Tabebuia serratifolia) A. Superfície foliar pulverulenta de coloração esbranquiçada. B. Colônias esbranquiçadas ao longo da parte adaxial da folha. C. Colônias pulverulentas na parte abaxial da folha. D. Manchas pulverulentas de coloração esbranquiçada na superfície foliar abaxial. E. Manchas pulverulentas esbranquiçadas na parte adaxial. F. Conidióforo (bar= 57 um). G e H. Conídios (bar=26 um) (g) (h) papilas.

Epidemiologia
A doença ocorre principalmente nos meses mais frios e secos do ano, quando a temperatura média varia de 21 a 24 ºC e a umidade relativa do ar é menor que 70%. Para a germinação dos conídios, é necessário um breve período de alta umidade relativa, mas não a presença de água no estado livre. Os esporos são disseminados principalmente pelo vento (FRUNDAGRES, 2011).

Controle
            Para ambos os gêneros de fungos causadores do oídio, o controle é realizado pela aplicação de fungicidas específicos. O produto mais utilizado é o enxofre, sendo as pulverizações realizadas com base no monitoramento da incidência e severidade nas folhas, quando as condições climáticas são favoráveis à ocorrência da doença, principalmente se essas condições ocorrem por períodos prolongados. As pulverizações com enxofre não têm sido eficientes quando os sintomas são severos, ou seja, quando a área do limbo foliar com sinais do fungo é superior a 25%. Esse fato reforça a importância da realização constante do monitoramento da severidade das doenças que ocorrem no pomar. As aplicações com o enxofre devem ser evitadas nos períodos mais quentes do dia, para não causar fitotoxidez em folhas e frutos (FRUNDAGRES, 2011).
            Os fungicidas do grupo dos benzimidazóis, como o tiofanato metílico, triazóis e estrobilurinas têm sido utilizados para o controle do oídio na região Norte do Espírito Santo, porém em algumas condições os benzimidazóis têm sido pouco eficientes. Em plantas no viveiro, em condições experimentais, o fungicida triflumizole (15g p.c./100 L), um imidazol, foi eficiente no controle do oídio do mamoeiro, no entanto no este fungicida foi menos eficiente, mas não diferiu significativamente do enxofre (FRUNDAGRES, 2011).
            O uso de produtos alternativos como o bicarbonato de sódio e a calda sulfocálcica, apresentam eficiência para o controle da doença. Em relação à calda sulfocálcica, deve-se ter cuidado na aplicação, principalmente em relação à formulação, dose, estádio fenológico da planta e horário de pulverização, para evitar fitotoxidez e manchas nos frutos (FRUNDAGRES, 2011).
            Foi consultado o site Agrofit, não foi encontrado produtos registrados para este patógeno incidente nesta planta de interesse, mas mesmo assim são utilizados, mas não podem ser recomendados.


LITERATURA CITADA:

 < http://www.cnpf.embrapa.br/publica/seriedoc/edicoes/doc67.pdf> , acessado em 1 de novembro de 2011.
ALMEIDA, S.P.; PROENÇA, C.E.B.; SANO, S.M.; RIBEIROJ.F., Cerrado – espécies vegetais úteis. Embrapa – CPAC, Planaltina, DF, 1198.

INDEX FUNGORUM disponível em: < http://www.indexfungorum.org/Names/Names.asp > acessado em 2 de novembro de 2011.


AUER, C.G., Doenças em Ipês: Identificação e controle. 1a edição. Embrapa. Colombo, PR, 2001.

BERGAMIN FILHO, A., KIMATI, H. & AMORIM, L. Manual de Fitopatologia: princípios e conceitos. 3a Ed, Vol. I, Editora Agronômica Ceres Ltda, São Paulo SP. 1995.
DUARTE, M. de L. R., Doenças de Plantas no Trópico Úmido Brasileiro. I Plantas Industriais, Embrapa Amazônia Oriental. Belém, PA, 296 pág. 1999.

Embrapa, Doenças em Ipês: Identificação e Controle, disponível em
FERREIRA, F. A., Patologia florestal – principais doenças florestais no Brasil. Viçosa, MG, 1989.

FERREIRA, F. A., Patologia florestal – principais doenças florestais no Brasil. Viçosa, MG, 1989.
Fitopatologia.Net, disponível  em , acessado em 4 de novembro de 2011.
Frundagres, Oídio, disponível em: < http://www.fundagres.org.br/downloads/pi-mamao/OIDIO.pdf>, acessado em 3 de novembro de 2011.
Ovulariopsis Patouillard et Hariot. Mycopathologia et Mycologia Applicata, 11, 1959.
Supplementum: Iconographia Mycologica I, Plate A 13.
VERONA, O. & BENEDEK, T. Gen. Oidium Link; Gen. Oidiopsis Scalia; Gen.

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