segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mancha foliar de cylindrocladium (Cylindrocladium scorparium) incidente em folhas de eucaliptos.

Gilvane S. Rodrigues

1. Introdução

O eucalipto foi descoberto pelos ingleses na Austrália, em1788. Algumas publicações fazem referência também à Nova Zelândia, à Tasmânia e a ilhas vizinhas. A disseminação de sementes de eucaliptos no mundo começou no início do século XIX. Na América do Sul, o primeiro país a introduzir o eucalipto foi o Chile em 1823 e, posteriormente, a Argentina e o Uruguai. Por volta de 1850, países como Portugal, Espanha e Índia começaram a plantar o eucalipto. As primeiras mudas chegaram ao Brasil em 1868, sendo que a introdução do gênero tomou impulso no início do século XX.
Do gênero do Eucalyptus, famílias Myrtáceas, existem cerca de 700 espécies adaptadas a diversas condições de solo e clima. Dessa grande variedade de espécies, apenas duas não são originárias da Austrália. A maioria das espécies conhecidas são árvores típicas de florestas altas, atingindo alturas que variam de 20 a 60 metros.
O eucalipto se desenvolve com grande rapidez e, por volta do quinto ano, já permitem um primeiro corte do tronco para o aproveitamento da madeira, depois do que voltam a vegetar. Por crescer rapidamente, tolerar cortes sucessivos e fornecer matéria-prima para diversos fins, o eucalipto tornou-se uma das árvores mais comumente cultivadas. Mas como toda planta cultivada ela também é hospedeira de diversas doenças que causam danos prejudicando o desenvolvimento da cultura.
As doenças são causadas por fungos, bactérias, nematóides, vírus, e fitoplasmas. As doenças podem ocorrem nas mais diversas fases do desenvolvimento da cultura desde a plântula em viveiros até plantas velhas no campo.
O objetivo do trabalho foi fazer avaliação da incidência da mancha de C. scoparium em folhas de eucaliptos (Eucalyptus grandis).



2. Materiais e métodos
As amostras de folhas de eucalipto (Eucalyptus grandis) com sintomas de C. scoparium foram coletadas no campo do Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí, e levadas para análises no laboratório de microbiologia do campus. As amostras coletadas foram colocadas em gerbox para crescimento do fungo onde utilizou uma vasilha de polietileno com papel filtro e água para umedecer as amostras de folhas. Após alguns dias que as plantas estavam gerbox, foram levadas ao microscópio estereoscópico (lupa) para observar os sinais da doença e fazer a coleta por meio de raspagem da folha para preparo de lâmina contendo gota de fixador de azul-de-metileno, em seguida vedada com lamínula e levada ao microscópio óptico onde foi possível observar as estruturas do fungo.

Os sintomas foram fotografados com a câmera digital Canon® modelo Power Shot A580, primeiramente utilizando microscópico estereoscópico, depois microscópico óptico.

3. Resultados e Discussão


Figura 1: Incidência de C. scoparium em folhas de eucaliptos (Eucalyptus grandis).
A. Mancha de C.scoparium presentes em toda a planta. B. lesões necróticas de C. scoparium visíveis ao olho nu. C. estrutura esquemática do fungo D. vesícula E e F. conídios.


Hospedeiro/Cultura: eucaliptos (Eucalyptus grandis)
Taxonomia: Reino plantae, gênero eucalyptus, família Myrtáceas.
Doença: Mancha foliar de eucaliptos
Agente causal: Cylindrocladium scoparium
Local de coleta: Instituto Federal Goiano Campus - Urutaí
Data de coleta: 09/04/2011.
Taxonomia: Pertence ao reino Fungi filo Ascomiceto, ordem Hypocreales, família Nectriaceae.

Cylindrocladium scoparium é um ascomiceto da família Nectriaceae, sendo um do cinco da ordem do Hypocreales. Conidióforos desenvolvem espalhado sobre a superfície da folha possuindo uma coloração hialina, ereto diminuindo gradualmente a partir da base para o ápice, ramificando de 1-4 vezes nas partes centrais, apresentando pontes e vesículas terminais tendo massas de esporos nos fialides nos ramos respectivos. A vesícula apresenta um inchaço apical que é hialino e têm formas elipsoidais e fusiformes, o tamanho variado podendo chegar a 27 milímetros de comprimento e 12 milímetros de diâmetro. Os conídios são ereto cilíndrico ou ligeiramente inchado na celular superior, possui coloração hialinos, forma um septo. Os conídios são suportados individualmente, mas unidos em feixes por mucilagem parasitaria. Os clamidósporos desenvolvem em abundância em culturas mais antigas, formando cadeias ou aglomerados, são globosos de coloração marrom escuro. A reprodução do cylindrocladium scoparium é sexuada as hifas dicarióticas se localizam isoladas no interior de corpos de frutificação, onde originam hifas ascógenas, desde que os núcleos das Cinco células da hifa se unam para formar um zigoto (com um número diplóide de cromossomos) o qual se divide meióticamente para produzir ascósporos. O fungo desenvolve a fase teleomórfica em meio de cultura e sobre as plantas doentes, identificadas como calonectria pyrochroa.

O cylindrocladium scoparium tem alta intensidade de infecção das folhas do eucalipto, mais a uma ampla cama de hospedeiros como em eugenia stipitata causando podridões em frutos, e phaseoles vulgaris causando seca das plantas, a outras espécies que serve de hospedabilidade ao patogênos cylindrocladium scoparium.
Segundo (Morgan et. al.) C. scoparium alem de ser causador de manchas foliares também é um clássico patogênos causador do tombamento de mudas, com uma ampla distribuição mundial.

3.1. Sintomatologia

Os sintomas são marcantes, tratando-se de manchas foliares associadas à Cylindrocladium spp. Têm forma, tamanho e coloração variáveis, dependendo da espécie de eucalyptus, e das condições de ambientes. As manchas são relativamente grandes, seu progresso é da lateral para o limbo ou do ápice do limbo em direção ao pecíolo, com um raio geralmente superior a 1,5cm, o mais comum é encontra uma mancha por folha mais pode encontra até três manchas por folhas.
As manchas apresentam coloração de cor marrom-clara a marrom-escura (ALFENAS, 1978, 1979 e FERREIRA, 1979). O patogênos apresenta estrutura com halos concêntricos estreitos e escuros a negros, contrastando com fundo mais claro das manchas. Esses halos são na realidade fileiras relativamente curvas de frutificações (COELHO et al. 1986). Nas folhas, as frutificações são mais encontradas com maior freqüência na face inferior.
Os sintomas são mais freqüentes em folhas mais, simultaneamente ramos, hastes também podem ser atacados pelo patogênos, onde aparecem lesões necróticas escuras recobertas por um crescimento esbranquiçado, constituído por conidióforos e conídios do patogênos, provocando murcha, seca e morte de brotações de eucaliptos em especial de E. Grandis.

3.2. Etiologia

Esta doença é causada por fungos do complexo cylindrocladium. As espécies constatadas foram C.cadelabrum, C.floridanum, C.ilicicola, C.ovatum, C.parasiticum, C.scoparium.
Os registros prévios de C.scoparium e de C.scoparium var. brasiliensis foram considerados como de C.cadelabrum.A outra espécie é C.ilicicola.Espécies de Cylindrocladium produzem microescleródios em abundancia em meio de cultura,criando uma coloração marrom bem visível no verso das placas.Estes microesclerodios também se formam em condições naturais e exercem importante papel na sobrevivência destes patogênos.As colônias de cylindrocladium SSP. Crescem bem em meio BDA, com o ponto ótimo de crescimento micelial a 29° C para C.scoparium, sua esporulação é abundante é permanece viáveis por mais de um ano.
As manchas foliares em condições naturais podem inferir que os insetos e os respingos de chuva são os agentes mais importantes na dispersão de seus conídios. O cylindrocladium causa danos em hastes, caules, ramos, e folhas.


3.4 Controle

O controle das manchas foliares causadas por Cylindrocladium spp. Normalmente não é exigido no viveiro quando as mudas são mantidas sob condições de bom arejamento, evitando-se o seu adensamento. Fazer pulverizações preventivas em viveiros de maior risco ou curativas em caso de ocorrência epidêmica da doença poderá ser efetuado, empregando fungicidas cúpricos ou diocarbamatos alternados com benomyl.
A melhor alternativa para o controle dessa doença seria a exploração da variabilidade genética, empregando-se espécies mais resistentes. Dentre as espécies mais plantadas atualmente E.gandis, E urophylla são as mais suscetíveis. E as mais resistentes são E.saligna,C.maculata.
Hoje no mercados a diversos produtos classificados e registrados para controle do Cylindrocladium scoparium citaremos alguns exemplos sendo os mais usuais a base de cobre os fungicidas cúpricos e carbamatos.

Literaturas citadas


BERGAMIN FILHO, A., KIMATI, H. & AMORIM, L. Manual de Fitopatologia: princípios e conceitos. 3a Ed, Vol. I Editora Agronômica Ceres Ltda., São Paulo SP. 1995.
BERGAMIN FILHO, A., KIMATI, H. & AMORIM, L. Manual de Fitopatologia: princípios e conceitos. 3a Ed, Vol. 2, Editora Agronômica Ceres Ltda., São Paulo SP. 1995.
Watanabe, T, Pictorial Atlas of Soil and Seed Fungi: Lewis publishers’ toilyo, Japan, 1994.
Richard, T.Hanlin, iilustrated Genera of Ascomycetes.Vol1.by the American phytopathological society.1998.
Alves, F, Ferreira. Patologia Florestal. Principais doenças florestais no Brasil. Sociedade de investigações florestais. Viçosa-MG. 1989.
H.L.Barnet.Ilustrated Genera of Imperfect Fungi. Fourth Edition.1998.
Brazilian Journal of Microbiology Print version ISSN 1517-8382 Braz. J. Microbio l. vol.35 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2004.doi: 10.1590/S1517-83822004000300004

2. Hodges, C.S.; May, L.C. A root disease of pine, araucaria, and eucalyptus in Brazil caused by a new species of Cylindrocladium. Phytopathology, 62:898-901, 1972

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