segunda-feira, 2 de maio de 2011

Oídio (Oidium sp.) incidente em soja (Glycine max)












Oídio (Oidium sp.) incidente em soja (Glycine max)

Flávio Henrique da Silva
Acadêmico do curso de Agronomia


INTRODUÇÃO
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja. Na safra 2007/08, a cultura ocupou uma área de 21,2 milhões de hectares, o que totalizou uma produção de 59,85 milhões de toneladas. Os EUA, maior produtor mundial do grão, responderam pela produção de 70,7 milhões de toneladas de soja. A produtividade média da soja brasileira é de 2819 kg/ha ou 47 sc/ha, chegando a alcançar cerca de 3136 kg/ha no estado do MT, o maior produtor brasileiro de soja. As boas condições climáticas aliadas ao alto nível tecnológico foram os principais responsáveis pelo aumento de produção, quando comparada com a safra 2006/07. Esta leguminosa é cultivada em quase toda a extensão do Brasil, com maiores áreas de cultivo e de produção, em ordem decrescente, nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Mais recentemente houve expansão de seu cultivo para as regiões Norte e principalmente para o Nordeste. Tal fato é decorrente do sucesso produtivo e adaptativo as cultivares melhorados, visando diversos aspectos da cultura (Embrapa, 2001).
Entre os principais fatores que limitam a obtenção de altos rendimentos em soja estão às doenças. O número de doenças continua aumentando com a expansão da soja para novas áreas e como conseqüência da monocultura. A importância econômica de cada doença varia de ano para ano e de região para região, dependendo das condições climáticas de cada safra. As perdas anuais de produção por doenças são estimadas em cerca de 15 % a 20 %, entretanto, algumas doenças podem ocasionar perdas de quase 100 % (Knebel et al., 2006).
Algumas doenças fúngicas têm recebido grande atenção devido aos prejuízos que têm causado à produção de soja. Dentre elas, a ferrugem asiática é atualmente a principal doença que acomete a produção de soja no Brasil e uma das mais importantes do mundo. Outra doença, o oídio da soja, também tem apresentado severa incidência em diversas cultivares em praticamente todas as regiões sojiícolas, desde os Cerrados até o Rio Grande do Sul (Sartorato e Yorinori, 2001).
O agente causal do oídio incidindo na cultura da soja foi relatado, no Brasil, na literatura, pela primeira vez em 1992 (Cenargen, 2011), desde então o patógeno vem se alastrando nas lavouras produtoras no Brasil exigindo um estudo a fundo sobre a doença e os problemas causados pelo patógeno. A partir de 1996/1997, desde a região Sul até as regiões Sudeste e Centro Oeste do Brasil, foram relatados diversos surtos epidêmicos desta doença (Reis et al., 1997).
A incidência de patógeno nas culturas representa uma diminuição do rendimento das mesmas. Na soja são descritos em literatura 434 espécies apenas de fungos (Farr e Rossman, 2011), porém aproximadamente 40 doenças causadas por fungos, bactérias, nematóides e vírus já foram identificadas, causando danos mais severos à cultura (Embrapa, 2004).
O oídio uma doença que se espalha pelo vento, podendo contaminar a planta em qualquer fase de desenvolvimento da soja, sendo mais visível no inicio da floração, essa doença, ela esta infectando a planta de soja na fase vegetativa, principalmente quando sobram alguns pés de soja guaxa.
A infecção de oídio é favorecida por temperaturas em torno de 20°C e média a alta umidade relativa do ar (50 a 90%), em condições favoráveis a doença leva de 7 a 10 dias para completar o seu ciclo, onde começa a infectar as plantas novamente, por isso que, quanto mais cedo o patógeno se instalar, maiores serão os danos provocados sobre o rendimento da soja (Agrcolferai, 2011).
O objetivo deste trabalho é identificar e descrever a ocorrência da oídio na cultura da soja levando em consideração aspectos da sintomatologia, etiologia, epidemiologia e controle.

MATERIAIS E MÉTODOS
No Instituto Federal Goiano - Campus Urutaí foram coletadas amostras de folhas apresentando sintomas de oidio para análise no Laboratório de Microbiologia.
No laboratório, foram inicialmente observados e fotografados os sintomas da doença em folhas da soja, em microscópio estereoscópico observou e fotografou os sinais do fungo na parte adaxial da folha. Posteriormente foi preparada uma lâmina semi-permanente. Para coleta, foi utilizada uma pinça e uma seringa, onde utilizando o método de “pescagem direta” com o auxílio de um microscópio estereoscópico depositou fragmentos do fungo sobre uma lâmina contendo gotas do fixador-orante azul-de-metileno. Logo após homogeneização dos fragmentos depositados, adicionou-se uma lamínula sobre a gota e os propágulos. A vedação foi realizada com esmalte de unha incolor.
Foi realizado corte histológico para analisar a interação entre patógeno/hospedeiro. Os sintomas da planta foram fotografados, primeiramente utilizando microscópio estereoscópio (lupa) e os sinais foram microfotografados utilizando câmera digital Power shot. Maco Canon ®, 750, 7.1 mega Pixels.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Hospedeiro/cultura: Soja [Glycine max (L.)Merrill]
Família Botânica: Fabaceae
Doença: Oídio-da-soja
Agente Causal: Oidium sp. (anamorfo) cuja fase teleomórfica corresponde a Microsphaera diffusa Cooke & Peck
Local de Coleta: Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí
Data de Coleta: 17/03/2011
Taxonomia: O anamorfo pertence ao Reino Fungi, grupo Fungos Mitospóricos, hifomicetos. Já a forma teleomórfica, pertente ao Reino Fungi, Divisão Ascomycota, Classe Leotiomycetes, Ordem Erysiphales, Família Erysiphaceae,

Sintomatologia: Os seus sintomas são observados em toda parte aérea da soja, incluindo folhas (Fig. 1AB), hastes, pecíolos e vagens. Os sintomas apresentados pelo oídio podem variar de clorose, ilhas verdes, manchas ferruginosas, desfolha acentuada ou a combinação desses sintomas, dependendo da reação das cultivares. Manchas cloróticas e necrose nas nervuras indicam reação de hipersensibilidade (Picinini e Fernandes, 1998).
Todavia, o sintoma mais evidente é a própria estrutura (sinal) branca e pulverulenta do fungo sobre as superfícies das partes infectadas (Fig. 1CD). O fungo pode se desenvolver abundantemente sobre as partes infectadas sem apresentar sintomas visíveis, em ambas as faces da folha (Fig. 1EF). Com o passar dos dias, a coloração branca do fungo muda para castanho-acinzentado, dando aparência de uma cobertura de sujeira nas duas faces da folha (Kimati et al.,2005).
Embora raramente causem a morte da planta, eles drenam as suas reservas nutricionais que poderiam ser utilizadas para fins produtivos, reduzindo a atividade fotossintética em até 50 %, e perdas de rendimento de até 35 % (Phillips, 1984). A ação do fungo provoca queda das folhas, quando ocorre a tomada de toda a lâmina foliar pelas estruturas do fungo.
Tanto o patógeno, como o desenvolvimento dos sintomas parece ser afetado pela cultivar, idade e posição da folha e idade da planta no momento da inoculação. Em geral, as folhas inferiores de plantas mais jovens são mais suscetíveis do que folhas superiores (Mignucci e Lim, 1980).

Etiologia (Sinais): Microsphaera diffusa Cooke & Peck agente causal do oídio-da-soja, e que possui como forma imperfeita Oidium sp., possui como sinonímias Erysiphe glycines F.L. Tai, Trichocladia diffusa (Cooke & Peck) Jacz e Erysiphe diffusa (Cooke & Peck) U. Braun & S. Takam (Índex Fungorun, 2011).
M. diffusa Cooke & Peck possui algumas especializações na interação com seus hospedeiros, conferindo-lhe algumas variações de agressividade, são elas: Microsphaera diffusa f.sp. diffusa Cooke & Peck, Microsphaera diffusa f.sp. elongata U. Braun, Microsphaera diffusa var. diffusa Cooke & Peck e Microsphaera diffusa var. thermopsidis (Jacz.) T.Z. Liu (Index Fungorun, 2011).
Em campo ocasionando a doença, normalmente encontra-se apenas a forma anamórmica do fungo (Oidium sp.) incidindo na cultura.
Através de realização de análise filogenética molecular de estrutura miceliana encontrada sobre a superfície foliar de soja propôs-se a classificação do agente causal do oídio da soja como sendo Erysiphe em Glycine max, podendo ser denominado de Microsphaera diffusa, por serem sinonímias (Takamatsu et al.,1998).
O fungo produz hifas claras e septadas que formam um micélio branco ou cinza claro. As hifas dão origem a conidióforos curtos, eretos e não ramificados (Fig. 1GH), a partir do qual se desenvolve os conídios arranjados em cadeias. Estes são hialinos, unicelulares, apresentando dimensões que variam de 17,1-21,1 x 27,7-54,1 µm, e um formato elíptico, ovóide ou oblongo (Fig. 1IJ) (Kimati et al.,1997).
Os apressórios são estruturas protuberantes laterais das hifas, responsáveis pela fixação do micélio à superfície foliar e iniciação do haustório. Eles também ocorrem no final dos tubos germinativos de conídios. Os haustórios são formados dentro de células epidérmicas ou, raramente, em células de camadas mais profundas. Os haustórios aparecem como estruturas globosas a piriformes (Catelli, 2009).

Epidemiologia: Microsphaera diffusa associado à cultura da soja possui boa distribuição mundial, já sendo descrito em alguns países como o Brasil, Canadá, EUA e Índia. O patógeno possui registros de infecção em 64 espécies vegetais no mundo sendo a principal na família das fabacea (Farr e Rossman, 2011).
É conhecido Glycine max como principal hospedeiro do fungo Microsphaera diffusa (sinonímia Erysiphe diffusa) no Brasil (Cenargen, 2011), porém a ocorrência natural do oídio foi observada por Ruas et al. (2009), em plantas de mucuna-preta (Mucuna pruriens) cultivadas em casa de vegetação. Estas plantas estavam localizadas ao lado de um experimento de soja onde havia folhas que apresentavam sintomas característicos de oídio, provavelmente devido a proximidade e semelhança botânica entre as plantas, o patógeno provocou a infecção.
O oídio é um parasita biotrófico, ou seja, é um parasita obrigatório que depende de um hospedeiro vivo para sua sobrevivência, crescimento e reprodução.
Mignucci e Chamberlain (1978) apontaram que a germinação ocorreu sobre a folha após 3 horas de inoculação. Com oito horas o apêndice de infecção penetra nas células epidérmicas. O fungo penetra na cutícula e forma o haustório nas células epidermes, não infectando as células do mesófilo e não penetrando na câmara estomática. As colônias se formam à medida que as hifas se estendem e se ramificam. A formação de conídios inicia-se 108 horas após a inoculação. Com 144 horas da inoculação, a célula na extremidade do conidióforo apresenta um conídio bem definido com três a cinco células por conidióforo (Mignucci e Chamberlain, 1978).
O rápido crescimento do fungo resulta na distribuição de colônias e no surgimento de novas colônias, mas não causa sintoma visível. O aumento da infecção inibe significativamente a fotossíntese e, ao contrário de outros patógenos, inibe substancialmente a transpiração. A temperatura mais favorável é de 18 ºC. Para a ocorrência de oídio, as condições mais favoráveis são a baixa umidade do ar (clima seco) e temperaturas amenas (18-22 ºC) (Reis, 2004). Balardin (2002), afirma que temperaturas superiores a 30 ºC inibem o desenvolvimento da doença. O molhamento foliar é um fator inibidor no estabelecimento do oídio. Precipitação intensa e freqüente pode se constituir em um fator inibidor ao desenvolvimento do oídio. A disseminação é realizada principalmente pelo vento, que distribui os conídios a distâncias relativamente longas, a água pode atuar também como agente de disseminação.
As condições desfavoráveis para a disseminação são temperaturas a cima de 30 º C, e o molhamento foliar, devido os conídios não germinarem quando se forma um filme de água na superfície foliar (Bergamin Filho et al., 1997). Devido a isso, a doença é favorecida em épocas mais secas e com baixa precipitação e tem sido observado o aumento da ocorrência de oídio nas regiões mais altas (acima de 750 m de altitude) em cultivos tardios e cultivares suscetíveis.

Controle: De modo geral o método mais eficiente de controle do oídio é através do uso de cultivares resistentes. Deve ser utilizadas cultivares que sejam resistentes a moderadamente resistentes ao fungo. Outra forma de evitar perdas por oídio é não semear cultivares suscetíveis nas épocas mais favoráveis à ocorrência da doença. O controle químico, através da aplicação de fungicidas foliares é utilizado.
Existem diversos produtos químicos indicados para o controle do oídio-da-soja, o produtor deve seguir a recomendação de um técnico qualificado e com experiência para a indicação do produto, dosagem e método de aplicação. Os fungicidas para o controle da oídio-da-soja e seus respectivos ingredientes ativos, registrados no Ministério da agricultura e Pecuária e Abastecimento, são os seguintes: Abacus HC® (epoxiconazol + piraclostrobina), Alterne ® (tebuconazol), Aproach Prima ® (ciproconazol + picoxistrobina), Array 200 EC ® (tebuconazol), Artea ® (ciproconazol + propiconazol), Atempla ® (carbendazim), Band ® (flutriafol), Bavistin ® (carbendazim), Bendazol ® (carbendazim), Buran ® (flutriafol), Capo WG ® (tiofanato-metílico), Caramba 90 ® (metconazol), Carben 500 SC ® (carbendazim), Carbomax 500 SC ® (carbendazim), Celeiro ® (flutriafol + tiofanato-metílico), Change ® (carbendazim), Comet ® (piraclostrobina), Condor 200 SC ® (bromuconazol), Constant ® (tebuconazol), Cypress 400 EC ® (ciproconazol + difenoconazol), Czar ® (carbendazim), Decisor ® (flutriafol), Delsene SC ® (carbendazim), Delsene WG ® (carbendazim), Derosal 500 BCS ® (carbendazim), Derosal 500 SC ® (carbendazim), Difenohelm ® (difenoconazol), Egan ® (tebuconazol), Elite ® (tebuconazol), Emerald ® (tetraconazol), Eminent 125 EW ® (tetraconazol), Envoy ® (epoxiconazol + piraclostrobina), Fagot ® (ciproconazol + trifloxistrobina), Fiera WG ® (tiofanato-metílico), Flexin ® (flutriafol), Folicur 200 EC (tebuconazol), FOX ® (protioconazol + trifloxistrobina), Fungicarb 500 SC ® (carbendazim), Impact Duo ® (lutriafol + tiofanato-metílico), Impact 125 SC ® (flutriafol), Juno ® (propiconazol), Konazol 200 EC ® (tebuconazol), Kumulus DF ® (enxofre - inorgânico), Kumulus DF-AG ® (enxofre-inorgânico), Metiltiofan ® (tiofanato-metílico), Novazin Cheminova ® (carbendazim), Opera ® (epoxiconazol + piraclostrobina), Orius 250 EC ® (tebuconazol), Palisade ® (fluquinconazol), Potenzor ® (flutriafol), Priori Xtra ® (azoxistrobina + ciproconazol), Prisma ® difenoconazol), Proline ® (protioconazol), Rival 200 EC ® (tebuconazol), Riza 200 EC ® (tebuconazol), Rubigan 120 EC ® (fenarimol), Score ® (difenoconazol), Simboll 125 SC ® (flutriafol), Skip 125 SC ® (flutriafol), Sphere Max ® (ciproconazol + trifloxistrobina), Spring WG ® (tiofanato-metílico), Stratego 250 EC ® (propiconazol + trifloxistrobina), Support ® (tiofanato-metílico), Support WG ® (tiofanato-metílico), Systemic ® (tebuconazol), Systhane EC ® (miclobutanil), Systhane 250 EC ® (miclobutanil), Tarkill SC ® (carbendazim), Tasker ® (flutriafol), Taspa ® (difenoconazol + propiconazol), Tatico ® (flutriafol), Tebuco Nortox ® (tebuconazol), Tebuconazole Nortox ® (tebuconazol), Tebufort ® (tebuconazol), Tebuhelm ® (tebuconazol), Tebuzol 200 EC ® (tebuconazol), Tema ® (carbendazim), Tidy 700 ® (tiofanato-metílico), Tornado ® (flutriafol), Triade ® (tebuconazol), Trinity 250 SC ® flutriafol) e Virtue ® (epoxiconazol) (Agrofit, 2011).
Pode-se utilizar misturas de fungicidas para o controle da doença, as misturas de fungicidas são igualmente eficientes na redução do oídio quando comparadas aos produtos aplicados isoladamente. Contudo, como vantagem, as misturas reduzem a possibilidade da seleção de raças resistentes do patógeno aos fungicidas e contribuem com o controle de outras doenças da soja, misturas de tebuconazol + procloraz e o propiconazol destacam-se na redução do oídio e na contribuição ao aumento da produtividade da soja (Blum et al.,2002). Nobre et al. (2005) e Coutinho et al. (2005), analisaram um controle mais eficiente da mistura de piraclostrobina + epoxiconazol (0,5 L ha-1) se destacando dos demais tratamentos, induzindo maiores valores de produtividade e massa de 100 sementes de soja e reduzindo significativamente a severidade do oídio, com índices de eficácia de até 93,7%.
Balardin (2002) afirma que temperatura superior a 30ºC inibe o desenvolvimento da doença. Esta é uma das razões pelas qual a doença apresenta uma severidade elevada durante os épocas secas e frias. Precipitação intensa e freqüente pode se constituir em um fator inibidor ao desenvolvimento do oídio. A partir disso deve-se evitar o plantio de cultivares, onde sua fase mais sensível coincida com um período favorável ao desenvolvimento da doença.
Em casos específicos o produtor pode-se fazer uso de produtos alternativos, desde que se avalie a viabilidade do uso dos mesmos. Perina et al. (2008), avaliando o controle alternativo do oídio da soja, aplicou-se tratamentos com óleos essenciais, leite e fungicida, a fim de comparar o controle exercido pelos óleos essenciais em relação ao leite e ao fungicida. Realizaram-se três pulverizações com: leite (LE) 10%, óleo essencial de citronela (CI), capim-limão (CL), eucalipto (EU), canela (CA) e melaleuca (ME) 0,1%, tebuconazole (FU) a ponto de escorrimento. Com o ensaio concluído eles inferiram que os óleos: CI, CL e EU, são promissores no controle da doença, por se igualarem aos tratamentos LE e FU.
Segundo Costa et al. (2002), algumas doenças, com a redução do espaçamento entre linhas, diminuem sua severidade devido à ocorrência de maior umidade no interior do dossel e devido a cobertura do solo mais rápida. Knebel et al. (2006) avaliando a influencia da população de plantas sobre doenças de final de ciclo (Septoria glycines e Cercospora kikuchii) e o oídio-da-soja, concluíram que a severidade das doenças de final de ciclo pode ser influenciada pelo arranjo espacial de plantas, enquanto a ocorrência de oídio (Microsphaera diffusa) não se altera, as doenças de finais de ciclo apresentaram menor severidade com a modificação do espaçamento e na menor população. A otimização do manejo do espaçamento, mesmo que não influa no controle do oídio, deve ser analisado, devido à supressão desse controle cultural em outras doenças presentes na cultura da soja.
Mas o método de controle mais adequado a doença é o uso de cultivares resistente. Porém, cultivares resistentes tem-se tornado suscetíveis indicando a variabilidade do patógeno, contudo faltam estudos que confirmem a existência de raças fisiológicas. Estudos sobre herança da resistência ao oídio em soja demonstram que existem pelo menos dois genes responsáveis pela resistência. Um gene dominante, denominado Rmd -c, mantém a planta resistente durante todo o ciclo da soja (Lohnes e Bernard, 1992). Outro gene, também dominante e denominado de Rmd, é responsável por conferir resistência de planta adulta (Mignucci e Lim, 1980). No caso, as plantas apresentam suscetibilidade na fase inicial de desenvolvimento, porém, adquirem resistência à medida que vão atingindo a fase adulta. Sob condições menos favoráveis ao oídio-da-soja as plantas com o gene Rmd apresentam pouco ou nenhum oídio no campo. Aparentemente, a variabilidade patogênica do fungo tem superado a resistência de algumas cultivares, exigindo contínuo trabalho de melhoramento genético de soja e estudo da diversidade de genes resistentes nos germoplasmas disponíveis.
Nos Estados Unidos, além da ocorrência esporádica, o oídio deixou de ser uma doença de importância econômica devido ao uso de cultivares resistente como P98C81 e P98Y70, portanto, não há recomendação de fungicidas (Sinclair e Hartman, 1999). No entanto, em países como Argentina, Brasil, Paraguai e Bolívia (cultivo de inverno), o uso de fungicidas ainda se faz necessário (Sartorato e Yorinori, 2001).



Figura 01: Oídio (Oidium sp.) incidente em folhas de soja (Glycine max). AB. Sintomas na face adaxial, CD. Sinais do fungo em microscópio estereoscópico, EF. Corte histológico, mostrando o micélio e conidióforos na face adaxial. (bar = 26µm) GH.Conidióforo, Célula conidiogênica e conídio (barr G = 18 µm; barr H = 35 µm). IJ. Conídios hialinos, unicelulares, cilíndricos e elípticos (barr = 18 µm).




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