segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ferrugem (Puccinia mogiphanis) incidente em folhas de terramicina (Alternanthera dentata)


Ferrugem (Puccinia mogiphanis) incidente em folhas de terramicina
(Alternanthera dentata)

Lorena Natácia da Silva Lopes
Acadêmica do curso de agronomia

INTRODUÇÃO

Posição taxonômica a Puccinia mogiphanis pertencente a família Pucciniaceae, ordem Uredinales, classe Basidiomycota,subclasse Teliomycetes. O gênero Puccinia possui 5.251 espécies as quais estão amplamente distribuídas em termos geográficos e de hospedeiros. O fungo Puccinia mogiphanis foi descrito por Arthur (1918), (Index fungorun, 2011).

Existem relatos dessa espécie Puccinia mogiphanis no Brasil nos seguintes estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba e no Ceará. Com uma maior incidência no estado do Rio de janeiro (Embrapa Cenargem, 2011).


O fungo já foi relatado do Caribe e da América Central do Sul e na Africa (Farr et al. nd). Apenas o estágio uredinial foi encontrado na Nigéria, onde a ferrugem é abundante no período de março a setembro. Telia parecem ser raros e foram encontrados apenas em uma das coleções examinadas (BPI 848454, do Peru). Esta descrição da Telia é baseado no modelo peruano, (Laundon 1965).


O anfitrião Alternanthera brasiliana é conhecido principalmente das Américas que se estende do sul do México até a Argentina. Esta planta ornamental foi introduzida na Nigéria há aproximadamente 15 anos e hoje é amplamente distribuída. Parece provável que a ferrugem foi introduzido com o anfitrião (Farr et al. Nd).


Alternanthera Dentata (terramicina) espécie muito semelhante a A. brasiliana e originaria da Amazônia, e freqüentemente cultivada como ornamental. Apresenta características como coloração arroxeada nas folhas e ramos e a presença de brácteas mais longas que as tépalas e com margens lacerdo denteada. Ela e amplamente utilizada na medicina popular em quase todo o Brasil (Lorenzi et al., 2001)


Registros da espécie de Puccinia mogiphanis pela Instituição INB na biodiversidade da Costa Rica no ano de 2003, (Ara .inbio, 2011).
No Brasil a Ordem Uredinales esta representada por 56 holomorfos, 9 anamorfos e cerca de 800 espécies ( Hennen et al,.)

O objetivo deste trabalho é apresentar aspectos gerais e morfológicos do fungo Puccinia mogiphanis.

MATERIAIS E MÉTODOS

Esse trabalho foi realizado no Laboratório de Microbiologia do Instituto Federal Goiano Campus Urutaí. Os propágulos da superfície da folha da Althernantera dentata (terramicina) foram extraídos com o auxilio de uma pinça e depositada em uma lâmina contendo uma gota de fixador cotton-blue, constituído por 2,6ml de ácido acético, 62,5mL de ácido lático, 100 mL de glicerina, 100 mL de água destilada. O corante apresentou uma diluição de 1g para 10 mL de etanol 70%, em seguida colocou se uma lamínula sobre a lâmina. Retirou se o excesso do fixador, logos após vedou se a lamínula na lâmina utilizando esmalte e levou para visualização em microscópio óptico.

Os cortes histológicos foram realizados com o auxilio do microscópio estereoscópico, foi utilizado parte do tecido com presença de pústulas, gilete para realização do corte, lâmina com fixador e esmalte para vedação da lamínula.


Para realização do teste de germinação dos esporos, foi utilizado folhas contendo esporos, água destilada e estéril, meio de cultura Agar água e lamínulas. Primeiramente houve a raspagem direta dos esporos presentes na folha, com auxilio de um instrumento, estes foram depositados sobre uma lâmina contendo água destilada e estéril. Em seguida a suspensão de esporos foi colocada sobre o meio de cultura Agar água cobertos com lamínulas e vedados. Após aproximadamente uma semana realiza-se a confecção das lâminas contendo esporos germinados.



Foram realizadas fotos ao ar livre das folhas contaminadas e microfotografias das estruturas fúngicas no microscópio óptico, utilizando câmera digital Canon® modelo Power Shot A580, para confecção da prancha de fotos que foram editadas com o Windows Picture Manager e a prancha confeccionada no Microsoft Office Power Point.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Hospedeiro/cultura: Terramicina ( Alternanthera Dentata ).
Família Botânica: Amaranthaceae
Doença: Ferrugem
Agente Causal: Puccinia mogiphanis
Local de Coleta: Urutaí, GO.
Data de Coleta: 12/03/2011
Taxonomia: O fungo pertence ao Reino Fungi, Divisão Basidiomycota, Classe Urediniomycetes, Sub-classe Teliomycetes , Ordem Uredinales, Família Pucciniaceae,Gênero Puccinia e Espécie Puccinia mogiphanis (Index Fungorum, 2011; Kirk et al., 2001).

SINTOMATOLOGIA

Os fungos representantes da Ordem Uredinales, são responsáveis pelas ferrugem em plantas, e apresentam alta especificidade em relação a seus hospedeiros, sendo capazes de infectar um grande número de plantas vasculares, cultivadas ou silvestres (Cummins & Hiratsuka, 1983; Hawksworth et al., 1995, Agrios, 1997).


As ferrugens são assim denominadas devido à lesão com massa de esporos pulverulenta de coloração amarela a avermelhada. Os esporos são estruturas de dispersão dos fungos, semelhantes às sementes das plantas. Seu tamanho é diminuto e cada lesão pode conter milhões de esporos sendo que, para haver nova infecção, basta que um único esporo germine em condições ideais de temperatura e umidade. No entanto a viabilidade germinativa dos esporos é restrita e nem todos os produzidos acabam por gerar novas infecções (Dicas de paisagimos, 2011).

EPIDEMIOLOGIA

Os fungos da ordem Uredinales possuem patógenos obrigatórios em praticamente todos os continentes, causando sérias perdas em plantios comerciais por interferir com a fisiologia do hospedeiro, reduzindo a produtividade e depreciando os produtos agrícolas (Cummins & Hiratsuka, 1983; Hawksworth et al., 1995, Agrios, 1997).


O principal mecanismo de dispersão dos esporos é o vento, que pode carregá-los por milhares de quilômetros. As ferrugens geralmente se beneficiam de climas amenos, com temperaturas moderadas e alta precipitação. Observam-se maiores incidências em anos chuvosos e propensos a formação de orvalho sobre as folhas. Estes fatores se relacionam com a necessidade de haver molhamento das folhas para que o esporo germine, (Dicas de paisagimos, 2011).



ETIOLOGIA

De acordo com a chave sinóptica para a identificação dos principais gêneros de Uredinales, baseada principalmente em características do teliósporo, pícnios, écios e uredínias (Hiratsuka, et al). O gênero Puccinia apresentou as seguintes características; Teliósporos pendicelados, germinação externa, bicelulares por septos horizontais com paredes pigmentadas. Télio acervular, no máximo um poro germinativo em cada célula do teiósporos, pedicelos simples. Pícnia em forma se garrafa com himênio fortemente côncavo. Ècio ecidióde e com uredinia uredinóide.


O micélio das ferrugens pode ser uninucleado e binucleado depois. Após a penetração, o micélio cresce internamente no hospedeiro sendo inteiramente endobiótico, extraindo os alimentos por meio de haustórios que ser formam a partir das hifas intercelulares penetrando as células do hospedeiro e localizando se entre a parede celular e a parede plasmática. Os haustórios são bastante variáveis em tamanho e forma, porém constantes para cada espécies, (Martins ET al., 1995).












Figura 1. Ferrugem (Puccinia mogiphanis) incidentes em folhas da terramicina (Alternanthera Dentata ). A. sintoma na face adaxial., B. sintoma na face abaxial., C. detalhe das pústulas na face abaxial., D. detalhe dos esporos (barr = μm)., E. visualização do corte histológico (barr = μm). F. urediniósporo germinado contendo tubo germinativo e apressório (barr = µm). G. formação de apressório (barr = μm).







REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGRIOS, N.G. Plant pathology. 4. ed. San Diego: Academic Press, 1997. 635p.
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Disponível em: http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/fgbanco01.asp. Acesso em: 17/4/2011.

ARA INBIO Disponível em acessado em 14/04/2011.


CUMMINS, G.B. & HIRATSUKA, Y. Illustrated Genera of Rust Fungi. 2. ed. rev. Saint Paul:American Phytopathological Society, 1983

DICAS DE PAISAGISMO. Disponível em: < http://dicasdepaisagismo.blogspot.com/> acessado em: 16/04/2011.


FARR, D.F., A.Y. ROSSMAN, M.E. PALM & E.B. MCCRAY. (n.d.). Fungal Databases, Systematic Botany and Mycology Laboratory, ARS, USDA. Retrieved June 21, 2004, from http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/

HAWKSWORTH, D.L., KIRK, P.M., SUTTON, B.C. & PEGLER, D.N. Ainsworth & Bisby's dictionary of the fungi. 8. ed. Wallingford:CAB international, 1995.

HENNEN , J. F; FIGUEIREDO, M. B.; CARVALHO JUNIOR, A>A.&Hennen, P.G.2005.Catalogue of Plant Rrust Fungi (Uredinales) OF Brasil.

HIRATSUKA ,Y.CUMMIS ,G.B. Illustrated Genera Of Rust Fungi Revised Edition.

INDEX FUNGORUM, Disponível em: < http://www.indexfungorum. org/names/NamesRecord.asp?RecordID=495633> . Acessado em 2010.


LAUNDON, G.F. 1965. Rust fungi III: On Alangiaceae, Amaranthaceae and Amaryllidaceae. Mycological Papers 102: 1-52.

LORENZE , H.;MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Instituto plantarum Nova Odessa, SP, 2007.

MARTINS, E.M.F.; CARVALHO JUNIOR, A.A.; FIGUEIREDO, M.B. Obtenção de culturas axênicas esporulantes de Melampsora epitea Thüm, ferrugem do chorão (Salix sp.) a partir de urediniosporos puros. Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v.62, p.58, 1995. Suplemento. Trabalho apresentado na REUNIÃO ANUAL DO INSTITUTO BIOLÓGICO, 8., 1995, São Paulo. Resumo 071.

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