segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mancha Helmintosporium (Bipolaris panici-miliacei) incidente no limbo do capim colonião (panicum maximum)

Aldemir Souza Oliveira
Acadêmico do curso de Agronomia


INTRODUÇÃO

Fungo pertencente ao reino Fungi, grupo dos fungos mitosporicos, sub-grupo dos hifomicetos, que representa a fase anamórfica (Kirk et al., 2001). De acordo com Farr & Rosman (2011), o fungo Bipolaris panici-miliacei à incidência deste hospedeiro em três cultivares diferentes Brachiaria foliosa Autoridade na Austrália, em Panicum psilopodium Autoridade na Índia e Setaria palmifolia Autoridade em Papoa nova Guiné, no Brasil não há registro desta espécie de patógeno em região do Brasil..
O grupo dos fungos pertencentes ao gênero Bipolaris, Curvularia, Dreschslera e Exserohilum sp. são classicamente os agentes causais de doenças do tipo causam a helmintosporiose ou manchas em diversas famílias botânicas contudo frequentemente são observados em gramíneas, como trigo, milho, arroz, sorgo, cevada, aveia e centeio. As espécies dos gêneros Drechslera, Bipolaris e Exserohilum são fungos escuros bem conhecidos entre os agricultores de todo o mundo.
Alguns grupos de plantas, como as palmeiras, os cactos, as leguminosas, as gramíneas, as plantas produtoras de látex, o trigo, o milho, o arroz e o café, são afetados por espécies de patógenos pertencentes a esse gêneros (Caligiorne, et al.).
A helmintosporiose é uma doenças incidente em várias classes de plantas principalmente em gramíneas e plantas ornamentais, e na maioria das vezes o sintoma e representado por manchas foliares chegando a uma frequência de infestação de quase 90 % em plantas ornamentais (Lins & Coelho, 2004). Pode estar incidente também na cultura do arroz (Celmer et al., 2007), (Bettiol et al., 2009), (Schwanck et al., 2009 ) e entre outras. O fungo Bipolaris ‘e cosmopolita e pode ser encontrado em quase todos os lugares, ate mesmo dentro de hospitais (Silva, 2001). Existem relatos de Bipolaris sp. causar doença pulmonar alérgica e doença sinusal (Monteiro et al. 2002).
Nas plantas a infecção ocorre pela penetração do micélio do fungo através de ferimentos ou pelas aberturas naturais, como os estômatos.
As células fúngicas são capazes de elaborar enzimas e ácidos orgânicos que têm a capacidade de desdobrar substâncias como celulose, açúcares, gorduras e proteínas, transformando-as em formas possíveis de serem assimiladas e utilizadas pelo fungo como fonte de energia para seu crescimento e reprodução. A remoção desses nutrientes, que seriam aproveitados pelo próprio hospedeiro, pode ser suficiente para levar a planta a exibir os sintomas característicos da helmintosporiose (Caligiorne, et al. 2002).
O objetivo deste trabalho é fazer um boletim técnico da helmintosporiose do colonião levando em consideração aspectos da sintomatologia, etiologia, epidemiologia e controle.

MATERIAIS E MÉTODOS

As amostras foram coletadas no campo experimental do Instituto Federal Goiano campus Urutaí localizado na Rodovia Geraldo Silva Nascimento Km 2,5 próximo ao curral do campus, onde é destinado a plantação de vários tipos de capins forrageiras..
O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Microbiologia onde ocorreram as seguintes etapas: Primeiramente foi feita uma assepsia do material das amostras de folhas sintomáticas, que foi coletado no campo pelo método da triplice lavagem, que consiste em mergulhar por 3 minutos com álcool [70 %], depois por mais 3 min com hipoclorito de sódio [3 %] e depois lavagem seriada com água destilada (3X). Uma parte da amostra ficou sob condições de câmara úmida. Os fragmentos secos, foram levados para a camara de fluxo laminar para depósito em meio de cultura agar agua. Após incubação por 48 horas fragmentos de micélio foram repicados para uma placa de Petri contendo meio de cultura batata-dextrose-ágar (BDA). E ainda uma fração da amostras foi levada para o microscópio esteroscópico (lupa) para confecção de lâminas e realização de microfotografias.
As lâminas foram feitas pelo método da raspagem do tecido lesionado, as estruturas foram coletada com um auxilio de uma pinça e colocadas em uma gota de corante para fechadas com uma lamínula. Depois desta etapa, a lâmina foi levada ao microscópio ótico para identificação etiologica.
Utilizou-se o método da fita adesiva para preparo de laminas,.
A caracterização morfométrica e morfológica dos conídios, conidióforos e células conidiogênicas foi realizado para identificação da espécie.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Hospedeiro/cultura: Capim-colonião (Panicum maximum Jacq., 1786)
Família Botânica: Poaceae
Doença: Mancha-helmintosporium
Agente Causal (anamorfo): Bipolaris panici-miliacei (Nisikado, 1928)
Local de Coleta: Instituto Federal Goiano campus Urutaí.
Data de Coleta: 01/04/2011

Taxonomia: Pertence ao reino fugi, grupo fungos mintospórico, sub-grupo hifomicetos, , gênero Bipolaris, espécie B. panici-miliacei (fungorum, 2011). A fase teleomórfica pertece o seguinte posicionamento taxonômico, e no isolamento do fungo em placa de Petry, não foi encontrado fase teleomórfica.

Sintomatologia: As lesões ocorreram nas folhas apresentando um formato elíptico paralelos a nervura central, com os sintomas distribuídos uniformemente por todo o limbo. Em seu estágio inicial a lesão possui cerca de 2 mm de comprimento por 0,7 mm de largura, possui coloração cinza circundada por um halo de coloração marrom escuro. No estágio mais avançado à um clareamento nos centros e um aumento no tamanho das lesões podendo atingir cerca de 5 mm de comprimento por 2 mm de largura, formando manchas necróticas, sendo que algumas lesões podem se unir com outras passando a ter um formato irregular. As lesões não tem preferência por folhas mais novas ou mais velhas, tendo sua maior incidência na base das plantas (Fig. 1).

Etiologia (Sinais): Conidióforos são simples ou em pequenos grupos, de coloração marrom escuros oliváceo, simples, cilíndrico, geniculado, com 75-255 x 7-11 µm de espessura, pseudosseptos, bem como a superfície abaixo deles estão verruculosas. Conídios de forma fusóide, algumas vezes curvada, marrom escuros, oliváceo, afinando gradualmente em direção as extremidades em linha reta as vezes ligeiramente curvados, contendo de 2 a 10 distoseptos com 30-155 x 10-27 µm, com a presença de um hilo no contorno da célula basal. Parasitários principalmente em gramíneas, bem próximo aos Cochliobolus, anteriormente incluídos no Helminthosporium (Barnett e BARRY, 1998). Os resultados mostraram as principais características do gênero Bipolaris em todos os isolados estudados: conídios fusóides e curvas que germinam a partir de células ou apical ou basal, ou de ambos, e nunca a partir de outras células do esporo (FARIAS et al. 2011).

Epidemiologia

Não existe nenhum registro de ocorrência de B. panici-miliacei infectando P. maximum no banco de dados de fungos Cenargen (2011) e Farr & Rossman (2011). ficando sua incidência restrita a incidência deste fungo é restrita à apenas três especies hospedeiras Brachiaria foliosa, Panicum psilopodium Setaria palmifolia . Normalmente o gênero Bipolaris sp. é responsável por causar mancha foliar ou mancha helmintospórica, em regiões de temperatura e umidade excessiva, que é o caso de nossas condições no período chuvoso tendo sua maior incidência neste período, com o patógeno sendo mais agressivo na base das plantas.

Controle: A eficácia de fungicidas para o controle da helmintosporioses (Bipolaris incurvata ) do coqueiro, em condições de campo. Helmintosporiose é uma doença mais comum nas regiões tritícolas de clima mais quente. Os danos por esta doença podem chegar a 80%.
As principais medidas de controle da helmintosporiose são o uso de cultivares resistentes, fungicidas na parte aérea, tratamento de sementes e rotação de culturas. Esta última deve ser feita por pelo menos um ano com espécies não hospedeiras visando a eliminar o inóculo presente nos restos culturais que são abundantes em sistema plantio direto. A determinação do momento de controle químico deverá ser feita a partir do estádio de elongação, quando a incidência (% de folhas com no mínimo uma lesão de 2 mm de comprimento) for de 70 % a 80 % (ALVES R. C. ; Del PONTE E. M. 2011).
O No Agrofit (2011) não foi observado registro de produtos fitossanitários para controle da helmintosporiose do capim colonião (Panicum maximum).



Figura 1. Mancha Helmintosporium (Bipolaris panici-milacei) incidente no limbo do capim colonião (Panicum maximum), A. Touceira onde foi coletado as folhas doentes, B. lesões de formato elíptico, com anel necrótico circundante a lesão de centro pálio, C. lesões distribuídas aleatoriamente na superfície foliar e sintomas iniciais da infecção, D. lesões confluentes e sintomas em estagio mais avançado de infecção, E. Estrutura de reprodução do hospedeiro.



Figura 2. Mancha-de-Helmintosporium (Bipolaris panici-milacei) incidente em folhas de capim-colonião (Panicum maximum), A. face superior da colônia fungica,, colônia face anterior, B. face inferior da colônia C. Conidióforo, célula pé e célula conidiogênica, (barr= 9 µm), D. conídio hialino apresentando hilo interno, (barr= 12 µm)., E. conídio escuro, distosseptado, com hilo interno (barr= 7,2 µm).

LITERATURA CITADA:

ALVES R. C. ; Del PONTE E. M. Fitopatologia.net. disponível em: http://www6.ufrgs.br/agro nomia/fitossan/fitopatologia/ficha.php?id=16. Acessado em Julho de 2011.

BARNETT, H. L.; BARRY, B. H. Illustrated Genera of Imperfect Fungi. Edition Fourth. Minnesota, St. Paul, 1998.

BETTIOL, W.; MORANDI, M. A. B. Biocontrole de Doenças de Plantas: Uso de Perspectivas. in: LUDIWIG, J.; MOURA, A. B. Controle Biológico de Bipolari oryzae no Arroz Irrigado. Embrapa Meio Ambiente, Jaguariuna, SP, Ed. Soluções de Artes Graficas, 2009.

CALIGIORNE, R. B.; RESENDE, M. A. de; OLIVEIRA, R. C. B. W.; VALÉRIO, H. M.; CORDEIRO, R. A.; AZEVEDO, V. Fungos Dematiáceos. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento, v. único, 2002.

CELMER, A.; MADALOSSO, M. G.; DEBORTOLI, M. P.; NAVARINI, L.; BALARDIN, R. S. Controle Químico de Doenças Foliares na Cultura do Arroz Irrigado. Pesq. Agropec. bras., Brasília, v.42, n.6, p.901-904, jun. 2007.

CENARGEN. Disponível em: http://pragawall.cenargen.embrapa.br/aiqweb/michtml/fgbd0 1.asp#B. Acessado em junho de 2011.

FARR & ROSMAN, SBML Systematic Botany of Mycological Resources. Disponível em: . Acesso em: 30 de abril de 2011.

FARIAS, C. R. J. de; AFONSO, A. P. S.; PIEROBOM, C. R.; PONTE, E. M. D. Regional survey and identification of Bipolaris spp. associated with rice seeds in Rio Grande do Sul State, Brazil. Cienc. Rural, vol.41, no.3, Santa Maria, Mar. 2011.

KIRK, P.M.; CANNON, P.F.; DAVID, J.C.; STALPERS, J.A. Dictionary of the fungi. Edition CABI Bioscience, Wallingford UK, 2001.SIVANESSAS, A. Graminicolous Species of Bipolaris, Curvularia, Drechslera, Exserohilum and Their Teleomorphs. Publisher C.A.B. International, Wallingford, 1987.

LEITE, B.; PASCHOLATI, S. F. Hospedeiro: alterações fisiológicas induzidas por fitopatógenos. In: BERGAMIN FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L. (Ed.). Manual de fitopatologia: princípios e conceitos. São Paulo: Ceres, 1995. v. 1, cap. 21, p. 393-413, 1995.

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SCHWANCK, A. A.; FUNCK, G. R. D.; PONTE, E. D.; FARIAS, C. J. de. Identificação e Patogenicidade de Espécies do Gênero Bipolaris em Arroz Irrigado. VI Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, 2009. Disponível em: http://www.irga.rs.gov.br/uploads/anexo s/1.6_Identifi.pdf, acessado em abril de 2011.

UNIVERSIA. Red de Universsidades , red de oportunidades. Controle químico da helmintosporiose (Bipolaris incurvata) em coqueiro cultivar 'Anão-verde' em condições de campo. Disponível em: http://biblioteca.universia.net/html_bu ra/ficha/params/title/controle-quimico-da-helmintosporiose-bipolaris-incurvata-em-coqueiro-cultivar-an%C3%A3o/id/42 5042.html. Acessado em 02 de julho de 2011.


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