quarta-feira, 27 de abril de 2011

“REVISÃO LITERÁRIA DO MELHORAMENTO DA CULTURA DA ABÓBORA”

Danilo Marçal Gonçalves de Paula







1. INTRODUÇÃO
No Brasil, as espécies olerícolas plantadas por meio de sementes ocupam uma área de em torno de 500 a 550 mil hectares. As cucurbitáceas compõem a segunda maior família de importância econômica, com destaque para as abóboras (Cucurbita moschata) cujo volume comercializado no ano de 2008, foi de 90.606 toneladas (Talamini & Ramos, 2011).
Esta hortaliça é utilizada tradicionalmente na alimentação da população, especialmente a nordestina. Grande parte da produção do país vem da região Nordeste, que é proveniente do plantio de pequenos e médios produtores. No Estado de Sergipe são plantadas as variedades denominadas tradicionais. A produção abastece o mercado interno e os frutos são também comercializados de forma intensiva para outros Estados do Brasil (Talamini & Ramos, 2011).
As Cucurbitáceas representam 23% do volume de hortaliças comercializadas no Brasil. Além do grande valor econômico e alimentar, o cultivo de Cucurbitáceas no Brasil, em especial as abóboras, têm grande importância social na geração de empregos diretos e indiretos, pois demanda grande quantidade de mão-de-obra, desde o cultivo até a comercialização. A pesquisa de orçamento familiar realizada pelo IBGE (2004) concluiu que o consumo per capita de abóbora aumentou de 1,4 Kg para 4,6 Kg, no Brasil, entre os anos de 2002 e 2003. Incluem várias espécies que se destacam como economicamente expressivas no abastecimento de hortaliças no mercado nacional. Muitos desses materiais ainda são tipo creoulos, popularmente conhecidos como abóboras e morangas ou simplesmente jerimum e são mantidos nas propriedades rurais pelos próprios produtores (Lopes & Sobrinho, 1998).
O Brasil importa boa parte das sementes utilizadas no mercado, sementes de dezoito cultivares de abóboras foram importadas entre 1981 e 1985. As abóboras japonesas e as abobrinhas americanas merecem destaque especial. O híbrido Tetsukabuto, importado do Japão representa 83% das importações. Os altos rendimentos e a maior uniformidade dos híbridos aliados a um maior nível de resistência a pragas e doenças têm favorecido a introdução destes materiais no mercado nacional com isso tornando-os populares, mas a utilização de sementes importadas de estreita base genética pelos produtores poderia comprometer essa variabilidade existente (Lopes & Sobrinho, 1998).
Conforme a variedade, a abóbora apresenta tamanho e formato diferente, mas sua forma mais comum é a redonda, um pouco achatada na parte de baixo. É consumida como doces, compotas ou também como acompanhamento nos pratos brasileiros. Na área nutricional, destacam-se pelo alto teor de caroteno, vitaminas e sais minerais (Portal São Francisco, 2011).
Existem dentro da família da abóbora várias espécies, as principais são: Menina Brasileira ou abóbora de pescoço, Paulista, Brasileirinha, Italiana, Japonesa ou Cabotiá, Abóbora do campo, Espaguete. Existem cerca de 760 espécies de abóbora (Portal São Francisco, 2011).
Maio de 2007 foi estabelecido um Banco Ativo de Germoplasma de Aboboras e Morangas, motivo deste trabalho, com mais de 4.000 acessos. Este acervo foi conseguido a partir de varias expedições de coleta, de muitas introduções obtidas de outros bancos e de uma pequena quantidade obtida através de intercambio e introdução de outros países. Trabalhos vêm sendo realizados no sentido de avaliar, caracterizar, multiplicar e conservar esse riquíssimo acervo genético atualmente disponível na Embrapa (Boiteux, et. al., 2010).


2. DESENVOLVIMENTO
As abóboras são classificadas na divisão Magnoliophyta, classe Magnoliopsida(dicotiledôneas), subclasse Dilleniidae, ordem Violales, família Cucurbitaceae (Silva, 2010).
A planta é herbácea, e de caule rastejante e duro em sua maioria, com gavinhas, suas raízes são adventícias, o que auxilia na fixação da planta. O hábito de crescimento é indeterminado, podendo as ramas atingir 6 metros. Possuem folhas grandes, alternas, simples, freqüentemente lobadas, sem estípulas, de coloração verde-escura, com manchas de coloração clara, recorte geralmente superficial, às vezes intermediário, ápice agudo, com pecíolos longos, algumas folhas apresentam manchas prateadas na interseção das nervuras, exceto para os híbridos interespecíficos. O fruto é uma baga, com epicarpo rígido, mesocarpo carnoso e placenta muito desenvolvida, apresentam formatos e tamanhos variados. No ponto de inserção no fruto, o pedúnculo é de seção pentagonal, formando cinco lóbulos formados por uma cortiça dura, amplamente expandido na junção com o fruto e estreito da porção mediana em diante (Silva, 2010).
A abóbora é uma planta monóica, isto é, que carrega na mesma planta flores macho e flores fêmea em lugares diferentes, pode se autofecundar: uma flor fêmea pode ser fertilizada por pólen que vem de uma flor macho da mesma planta. Entretanto, as fecundações cruzadas predominantes são: a flor fêmea é fertilizada por pólen que vem de diferentes plantas da mesma variedade ou de outra variedade. As flores macho são facilmente reconhecidas, pois elas aparecem acima da folhagem no final de longos caules. As flores fêmeas são facilmente reconhecidas também, porque em sua base se encontra o futuro fruto, na verdade o ovário, já possuindo uma forma bem definida. O tamanho desse ovário pode ser conseqüente: assim, ele atinge às vezes 15 cm de comprimento na variedade Tromba d’Albenga. Por se tratar de uma espécie alógama, deve haver grande variabilidade genética (Portal São Francisco, 2011).
O modo de maior uso para o melhoramento genético de abóbora e a polinização controlada, manipulando as flores do modo que você deseja. Observação: As flores abrem de madrugada e fecham na metade da manhã, por isso é preciso fazer a polinização de manhã bem cedo, deve também evitar visitas de abelhas, fazer o isolamento temporal e espacial, colher as flores masculinas que você não deseja utilizar, transferir pólen da flor masculina para a flor feminina, identificar após alguns dias se a polinização foi efetuada, através da observação do inicio do crescimento do ovário (Ferreira, 2011).
Numa planta de abóbora, as flores macho aparecem muito antes das flores fêmeas e elas são bem mais numerosas que essas últimas. Pode-se notar também que durante os períodos de temperatura muito alta, as flores macho são predominantes. É essencial tomar consciência que as polinizações cruzadas só podem se manifestar no seio da mesma espécie. Não há fecundações cruzadas e hibridações naturais possíveis entre as diferentes espécies de Cucurbita se não é uma probabilidade muito reduzida implicando Cucurbita argyrosperma (Portal São Francisco, 2011).
O maior grau de compatibilidade se manifesta com Cucurbita moschata. Um grau menor de compatibilidade se manifesta com variedades e populações selvagens de Cucurbita pepo, assim como algumas variedades de Cucurbita maxima e de formas de Cucurbita foetidissima. Um grau ainda menor de compatibilidade se manifesta com as espécies selvagens tais como Cucurbita lundelliana, Cucurbita martinezzi, Cucurbita pedatifolia e Cucurbita digitata. As hibridações são antes de tudo entre variedades (no seio de cada espécie) e não há hibridações entre Cucurbita pepo, Cucurbita maxima, Cucurbita moschata e Cucurbita ficifolia. A única espécie que pode se hibridar com as três primeiras dessas quatro espécies é a Cucurbita argyrosperma. Deve-se destacar que, entretanto, a espécie Cucurbita argyrosperma é pouco conhecida e pouco cultivada em zonas temperadas (Portal São Francisco, 2011).
É importante entender que a hibridação acontece no verdadeiro fruto que é a semente. O que nós comemos é a carne do falso fruto que é na verdade um alargamento do ovário. Os óvulos foram fecundados por pólen transmitido da flor macho a flor fêmea. Cada óvulo fecundado se torna uma semente. Quando o óvulo de uma variedade é fecundado por pólen vindo de outra variedade (da mesma espécie), ele gera uma semente cujas potencialidades são muito diferentes (Portal São Francisco, 2011).
Os principais estudos e pesquisas com o melhoramento de abóbora e feito pela: Embrapa hortaliças, Embrapa Semi-Árido, Embrapa Clima Temperado. Os híbridos que foram elaborados através de técnicas de cruzamento feitos por essas unidades, visando atender a exigências e resolver problemas foram: C. ficifolia, C. ecuadorensis, C. foetidissima, C. pedatifolia: tem resistência a viroses. C. lundeliana, C. ecuadorensis, C. okeechobeemsis: Resistência ao oídio. Algumas espécies silvestres: Ricas em cucurbitacina(protetores das plantas contra ataque de insetos). C.foetidissima, C. cordata, C. digitata, C. palmata: Sementes ricas em óleo e proteínas e raízes em amido (Ferreira, 2009).
As características a serem notadas para a escolha das abóboras a serem cruzadas são: prolificidade, precocidade, cor casca, cor da polpa, tamanho e formato frutos, peso e número frutos, teor de açúcar, hábito de crescimento, cor das sementes, espessura da polpa, diâmetro transversal, diâmetro longitudinal (Ferreira, 2009).
O melhoramento feitos com abóboras tem vários objetivos, que são: Resistência a doenças: Oídio, Míldio, Micosferela, Mancha Aquosa, Virus: WMV, PRSV-w, ZYMV. Resistência a insetos- praga: Pulgão, Tripes, Mosca Branca, Larva Minadora, Broca das Curcubitáceas. Quanto a substancias: Betacarotena/Licopeno: São Anti-oxidantes, Cucurbitacina: Inseticida, Citrulina: Anti-oxidante, Anti-cancerígeno, laxante (Ferreira, 2009).
Muitas espécies de cucurbitáceas apresentam genes descritos, existindo extensas listas de genes. No entanto, uma ampla diversidade fenotípica permanece ainda sem a devida caracterização genética. As curcubitáceas seguem o típico padrão diplóide de segregação, o que facilita o estabelecimento de experimentos e a interpretação dos resultados de ensaios de genética clássica bem como na localização mais precisa de marcadores em mapas moleculares (Boiteux, et. al., 2010).
A análise genômica é feita através da organização de germoplasma e obtenção de estimativas de relações genéticas entre espécies e entre acessos de espécies tais como em C. moschata; C. pepo. Determinação de pureza genética de cultivares ou híbridos e identificação de marcadores moleculares associados com genes de resistência a doenças, construção de mapas genéticos para uso em sistemas de seleção assistida visando monitorar a incorporação de características qualitativas e quantitativas de interesse. O uso de isolamento de genes de interesse e a produção de variedades transgênicas já são uma realidade neste grupo de hortaliças (Boiteux, et. al., 2010).
A autofecundação é o modo mais utilizado para obtenção de novas linhagens e cultivares de curcubitáceas. Entretanto, a autofecundação aumenta a homozigose média das plantas e pode acarretar um efeito conhecido como “depressão endogâmica” em espécies alógamas. As cucurbitáceas, sendo alógamas, são exemplos de um grupo de espécies em que diversos autores não têm observado perda de vigor pela endogamia. Por esse motivo, a autofecundação tem sido utilizada para obtenção de linhagens em programas visando o desenvolvimento de híbridos F1 (Silva, 2010).
Apesar de vários autores adotarem a hipótese de reduzida depressão por endogamia em cucurbitáceas, alguns resultados de pesquisa mostram depressão causada por endogamia para várias características em C. pepo e C. maxima. No entanto, existem relatos de diversos autores comprovando que há possibilidade de se obter linhagens tão boas quanto híbridos com uma baixa depressão por endogamia (Silva, 2010).


3. CONCLUSÃO
Alguns órgãos governamentais possuem um grande banco de germoplasma, os acessos foram encontrados através da busca e coleta do material, principalmente na região nordeste.
Hoje em dia o produtor pode solucionar quase todos seus problemas com a utilização dos híbridos que foram criados por esses órgãos governamentais. Exemplo: resistência a doenças, resistência a insetos- praga, adição ou aumento de substâncias importantes.
O cruzamento está trazendo acessos que podem resolver problemas para os produtores.
Apesar de vários autores adotarem a hipótese de reduzida depressão por endogamia em cucurbitáceas, alguns resultados de pesquisa mostram depressão causada por endogamia para várias características em C. pepo e C. maxima. No entanto, existem relatos de diversos autores comprovando que há possibilidade de se obter linhagens tão boas quanto híbridos com uma baixa depressão por endogamia (Silva, 2010).



4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOITEUX, L. S.; TORRES, A. C.; FONSECA, M. E. de N. Embrapa Hortaliças. Estratégias de análise genômica e biotecnologia empregadas em programas de melhoramento e na caracterização de recursos genéticos de cucurbitáceas. Disponível em: <http://www.abhorticultura.com.br/eventosx/trabalhos/eu_1/CURCO9.pdf>. , acessado em abril de 2011.

FERREIRA, M. A. J. da F. Embrapa Semi-Árido. Recursos Genéticos Pré-melhoramento de Hortaliças. Disponível em: http://www.cnph.embrapa.br/seminarios_hortalicas/recursos%20gen%C3%A9ticos%20e%20pr%C3%A9-melhoramento%20hortali%C3%A7as%202.pdf , acessado em abril de 2011.

LOPES, J. F.; SOBRINHO, M. A. J. Embrapa Hortaliças. Coleta de germoplasma de abóboras e morangas. Disponível em: http://www.cnph.embrapa.br/pa/pa14.html , acessado em abril de 2011.

PORTAL SÃO FRANCISCO. Abóbora. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/aboboras/abobora-9.php , acessado em abril de 2011.

SILVA, T. B. da S. Dissertação. Seleção, comportamento fenótipo e genótipo e desenvolvimento de uma nova cultivar de abóbora, (Cucurbita moschata Dusch). Disponível em: http://www.pos.ufs.br/agroecossistemas/dissertacoes/2008/dissertacaoThassia_Barbosa_da_Silva.pdf , acessado em abril de 2011.

TALAMINI, V.; RAMOS, S. R. R. Agron. Disponível em: http://www.agron.com.br/v/30135-a-escolha-da-semente-da-abobora-e-muito-importante , acessado em abril de 2011.

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